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EV
Bélgica
em fr. Royaume de Belgique , em neerl. Koninkrijk België
 Forma de governomonarquia federal constitucional
 Superfície30.528 km²
 Localidade11.035.948 habitantes (belga)
 CapitalBruxelas (143.346 hab.)
 Principais cidades Antuérpia (448.709 hab.)
Gand (226.220 hab.)
Charleroi (200.578 hab.)
Liège (185.131 hab.)
 
Mais dados
Estado da Europa Ocidental. Limitado ao N pelos Países Baixos e mar do Norte, a E pela Alemanha e Luxemburgo e ao SO pela França. Com uma superfície de 30.528 km² e uma população de 11.035.948 habitantes, o país divide-se em 10 províncias. Capital: Bruxelas. Língua oficial: neerlandêsfrancêsalemão. A religião mais difundida écatólica.

Estrutura administrativa da Bélgica
Regiões

Províncias

Superfície (km2)

População

Capital

População

Bruxelas

162

978.384

Bruxelas

136.730

Flandres

13.521

5.972.781

Antuérpia

2.867

1.652.450

Antuérpia

448.709

Brabante Flamengo

2.106

1.022.821

Louvain

89.152

Flandres Ocidental

3.144

1.132.275

Bruges

116.836

Flandres Oriental

2.982

1.366.652

Gand

226.220

Limburgo

2.422

798.583

Hasselt

68.771

Valônia

16.845

3.358.560

Brabante Valão

1.091

355.207

Wavre

31.526

Hainaut

3.786

1.281.042

Mons

90.955

Liège

3.862

1.024.130

Liège

185.131

Luxemburgo

4.440

250.406

Arlon

25.261

Namur

3.666

447.775

Namur

105.393


GeografiaMeio físicoSituada entre as Ardenas e o mar do Norte, a Bélgica ocupa uma parte da região setentrional da Europa Central formada por maciços antigos que descem até as escarpas costeiras com amplas extensões de depósitos de detritos fluviais. O país pode ser dividido em três seções bem diferentes: ao N, a baixa Bélgica, que coincide com a escarpa costeira de Flandres; no centro, a Bélgica média, que marca a transição dos relevos à planície e que se liga à região histórica do Brabante, e ao S, a alta Bélgica, que se une às Ardenas, afloramento terminal do maciço xistoso renano. Os rios são navegáveis, dados os seus regimes perenes e percursos em territórios planos. Os maiores rios do país são o Mosa e o Escalda.
Bélgica O rio Mosa na sua passagem por Dinant
O clima da Bélgica é dominado por massas de ar vindas do Atlântico e apresenta as características próprias do clima oceânico, com temperaturas notavelmente constantes e uma elevada pluviosidade, distribuída ao longo de todo o ano. Graças a este clima desenvolve-se uma vegetação formada por bosques temperados de caducifólias e coníferas.População e povoamentoA Bélgica é um país com grande densidade demográfica (343 hab./km2), e o seu crescimento vegetativo é um dos mais baixos da Europa. A parte mais importante do país é a central, o Brabante, seguida de Flandres. Bruxelas, que é a cidade mais importante, está situada no eixo entre Flandres, Valônia e vale do Reno. Também existe um desenvolvimento considerável das cidades de Antuérpia, Gand, Charleroi e Liège.Estrutura econômicaÉ um país com economia desenvolvida no campo da indústria e dos serviços, que mantém bases sólidas graças às políticas governamentais de integração no âmbito da União Europeia e do Benelux. A renda per capita do país situa-se entre as mais elevadas da Europa.Cultivam-se beterraba, batata, trigo, cevada, tomate e maçã; há pecuária suína e bovina (carnes e laticínios); significativa atividade pesqueira; extraem-se granito e mármore. As indústrias siderúrgica e metalúrgica produzem aço, chumbo, cobre e zinco, e a mecânica é especializada em material ferroviário e na construção naval, embora com menor importância. Também estão presentes as indústrias química e petroquímica. São importantes os setores de vidro e têxtil, e o setor alimentício conta com fábricas de açúcar e de conservas vegetais. Antuérpia é um importante centro de lapidação de diamantes. O país dispõe de excelentes infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, cujo ponto principal é Bruxelas. Antuérpia é o principal porto e possui uma densa rede de canais. O país importa maquinaria diversa, manufaturas e produtos químicos, e exporta maquinaria e produtos químicos. As trocas comerciais realizam-se principalmente com os países da União Europeia.
Bélgica Mapa econômico
HistóriaA Pré-HistóriaA indústria mais antiga do acheulense foi achada em Spiennes (Hainaut) e na gruta de Hermitage (Liège) e em Sainte-Welburge (Liège). Da última etapa interglacial, destaca-se a jazida de Sclayn (Namur). A este período atribuem-se os fósseis de cinco indivíduos neandertais, encontrados em Spy, La Naulette e Engis. Do Paleolítico Superior foram encontradas manufaturas e arte rupestre. As primeiras manifestações neolíticas documentadas são dos finais do V milênio a.C.Da Antiguidade à Alta Idade MédiaA região foi habitada por várias tribos celtas, entre as quais destacam-se os belgas, que resistiram à invasão romana até o ano 51 a.C. Os romanos criaram a província da Bélgica como integrante da Gália. No final do séc. III d.C. os francos passaram a ocupar o litoral belga e em 511, com a morte de Clodoveo, que tinha ocupado toda a Gália, as regiões foram divididas entre os seus filhos nos reinos da Austrásia e Nêustria. No Tratado de Verdun, depois da morte de Ludovico Pio (840), o território foi repartido entre os seus filhos. O rio Escalda foi a fronteira entre a parte de Carlos o Calvo, que compreendia Flandres, e a de Lotário (Lotaríngia), que se converteu, em 925, em uma possessão germânica.A Baixa Idade Média e o RenascimentoA descentralização de poderes, causada pelo feudalismo, possibilitou a progressiva autonomia de diferentes principados, como os de Lotaríngia, Brabante, Hainaut ou Flandres, que se consolidou no reinado de Carlos o Calvo (823-877). Depois da guerra dos Cem Anos, Flandres passou (1385) ao domínio dos duques de Borgonha. A partir do séc. XV, com o casamento de Maria de Borgonha com Maximiliano I da Áustria, formaram-se os Países Baixos (chamados Bélgica pelos humanistas), um território que foi completado por Carlos V com Groninga, Utrecht e Overijssel. Com o imperador Carlos iniciou-se também o domínio espanhol. Durante o reinado de Filipe II, surgiram as primeiras revoltas nacionalistas que se juntaram às lutas entre protestantes e católicos. Estas terminaram com a divisão dos Países Baixos (1579) nas províncias setentrionais protestantes, as Províncias Unidas independentes, e as meridionais católicas, os Países Baixos espanhóis, sob hegemonia espanhola até o tratado de Utrecht de 1713, quando passaram a ser subordinadas à Áustria.A constituição do Reino dos belgas e a independênciaO movimento pela independência iniciou-se em finais do séc. XVIII, quando os belgas se opuseram às reformas religiosas, jurídicas e administrativas do imperador austríaco José II. A revolução brabantina (1789) conseguiu expulsar os austríacos e proclamou, em 1790, a independência dos Estados Belgas Unidos. Após a queda do Império Francês, foi criado o reino dos Países Baixos, que durou até 1830, composto pelos territórios dos antigos Países Baixos austríacos, Províncias Unidas e Principado de Liège. Em 1830, uma revolução em Bruxelas, originada pela hostilidade católica e pelo apoio da burguesia franco-belga, levantou-se contra os Países Baixos, cujo governo pertencia sobretudo aos neerlandeses protestantes. Em novembro de 1830 a independência foi obtida. Com a nova Constituição foram instituídas as liberdades política, de expressão, de ensino e de confissão, sendo inaugurada uma monarquia hereditária constitucional assumida por Leopoldo (1831-1865) de Saxe-Coburgo-Gotha.O Estado belga até a II Guerra MundialDurante o reinado de Leopoldo II (1865-1909) a Bélgica desenvolveu a sua política imperialista na África Central com o Estado Independente do Congo Belga desde 1885 (atual República Democrática do Congo), sob a soberania pessoal do rei até 1908, quando se converteu em colônia belga. Durante a Primeira Guerra Mundial a Bélgica enfrentou a ocupação alemã que tentou dividir o país em uma entidade flamenga e outra franco-belga. No pós I guerra, a Bélgica recuperou sua unidade e ampliou seus domínios coloniais, em função da concessão do mandato sobre Burundi e Ruanda. Na década de 1930 se elaboraram leis sobre a formação das regiões autônomas e durante o reinado de Leopoldo III (1934-1950) foram introduzidas melhorias trabalhistas (1936). No plano internacional foi adotada uma política de independência e neutralidade nos conflitos internacionais, mas em maio de 1940, no início da Segunda Guerra Mundial, a Bélgica foi invadida pelos alemães.Do pós-guerra à atualidadeEm 1950, um referendo confirmou a monarquia, mas Leopoldo III abdicou em favor do seu filho Balduíno I, que subiu ao trono em 1951. Em 1945, a Bélgica incorporou-se à ONU e teve um papel crescente na política internacional, impulsionado pelo então primeiro-ministro Paul-Henrik Spaak; criou uma união econômica com os Países Baixos e Luxemburgo ( Benelux) e posteriormente foi um dos países fundadores da Comunidade Europeia (1957). Nas décadas seguintes se presenciou o fim da política colonial na África com a independência do Congo (1960), que adotaria os nomes de Zaire, Ruanda e Burundi (1961), e as tensões internas originadas pela diversidade étnica e linguística acentuaram os conflitos entre valões e flamengos. O programa de regionalização foi intensificado em finais da década de 1980, quando se aprovou uma reforma institucional em que 70 % do orçamento do Estado passava à gestão direta das três regiões: Flandres, Valônia e Bruxelas. Em fevereiro de 1993, terminou a reforma institucional que levou a Bélgica ao federalismo com a aprovação, em julho do mesmo ano, da transformação do Reino em um Estado federal que poucos consideraram definitivo. Pouco depois morreu o rei Balduíno, símbolo da unidade, o que trouxe a incerteza quanto à coesão interna do país. Durante o reinado do seu sucessor Alberto II houve vários escândalos que provocaram demissões no governo belga e em outras instituições, como a renúncia do belga Willy Claes, secretário-geral da OTAN. A opinião pública mostrou uma grande perda de confiança nas instituições, o que alimentou tendências separatistas. Nas eleições legislativas de 1999 a coligação social-cristã e conservadores do governo recebeu forte rejeição, enquanto os liberais confirmaram a ascensão e o partido verde cresceu consideravelmente. Em julho de 1999, um pacto entre liberais, socialistas e ecologistas possibilitou a nomeação do liberal flamengo Guy Verhofstadt ao governo. Nos comícios de 2003 a coligação socialista liberal, liderada por Verhofstadt, obteve de novo a vitória. Em fevereiro de 2006 o Parlamento flamengo ratificou o texto da Constituição Europeia. Nas eleições gerais de 2007 os democratas-cristãos se impuseram por uma estreita margem sobre os partidos que formavam uma coalizão governamental, o que provocou a demissão do primeiro-ministro Verhofstadt. Este, no entanto, se manteve provisoriamente no cargo à espera de que o líder do partido vencedor das eleições, Yves Leterme, formasse governo. Finalmente, Leterme não pôde instaurar um novo executivo devido às fortes diferenças entre os partidos flamengos, que reclamavam maior autogoverno, e os partidos valões, que exigiam mais direitos para a povoação francófona que habita em Flandres. Depois de seis meses de tensas negociações e de desgoverno, Verhofstadt, por encargo do rei, conseguiu formar um governo interino constituído por cinco partidos cuja missão principal é empreender a reforma institucional que possibilite, em um período de três meses, o restabelecimento de normalidade política no país. O governo interino de Verhofstadt foi substituído em março de 2008 por um governo estável, igualmente de coligação, presidido por Yves Leterme. Concluiu-se, deste modo, o longo período de crise política que se iniciou depois das eleições legislativas de 2007. Porém, em dezembro de 2008, o primeiro-ministro Leterme se demitiu juntamente com a sua base de sustentação, após o seu governo ter sido acusado de pressionar os juízes no caso da venda parcial do Fortis, o maior banco do país. Após um acordo que envolveu os cinco partidos da coalizão governamental, o democrata-cristão flamengo Herman van Rompuy foi nomeado primeiro-ministro.
ArteDa época carolíngia ao maneirismoA arquitetura carolíngia adotou o modelo dos transeptos e das absides (Santa Gertrudes de Nivelles). No período românico a região do Mosa sofreu a influência renana e no vale do Escalda prevaleceu a influência do românico normando (Catedral de Tournai, 1141). O gótico esteve condicionado pela influência francesa (Igreja de São Nicolau em Gand). São característicos do país os mercados e as câmaras municipais com torre central alta. Merece destaque em particular a Câmara Municipal de Bruxelas, obra de J. Van Ruysbroeck, e as de Gand e Oudenaarde; a arquitetura de Tournai, Ypres e Bruges, as Câmaras Municipais de Termonde e Harentals ou os campanários de Gembloux, declarados Patrimônio da Humanidade em 2005. Por volta de 1430, a pintura teve uma renovação decisiva graças a Van Eyck, cuja obra principal, o Retábulo do Cordeiro Místico, se encontra na Catedral de São Bavon (Gand). Durante o magnífico séc. XV flamengo, os principais pintores foram R. Van der Weyden, P. Christus, D. Bouts, H. Memling, H. Van der Goes, G. David, Q. Metsys e J. Patinir. C. Cort renovou a técnica de gravura a buril. No séc. XVI, o maneirismo uniu-se à tradição do realismo flamengo (W. Key, G. Van Coninxloo, H. Bles e o genial P. Bruegel o Velho). Na arquitetura, Cornelis Floris de Vriendt aplicou as proporções e os efeitos clássicos no edifício da Câmara Municipal de Antuérpia.
Bélgica Retábulo do Cordeiro Místico, 1432, por Jan Van Eyck (Catedral de São Bavon, Gante, Bélgica)
Do séc. XVII à época contemporâneaA arte da Contrarreforma católica inspirou-se no barroco italiano e francês (São Carlos Borromeu, Antuérpia). Desse período data também a reconstrução das casas gremiais da Grande Praça de Bruxelas, que formam um insuperável conjunto de arquitetura civil. Com o pintor Pieter Paul Rubens trabalharam C. de Vos, G. de Crayer, D. Teniers, F. Snyders, J. Fyt e J. Brueghel, assim como os escultores L. Faydherbe e F. Duquesnoy. Por sua vez, Anton Van Dyck desenvolveu na Inglaterra a peculiar arte retratista. No séc. XVIII, as artes plásticas sofreram certa decadência, com exceção da escola escultural de Antuérpia. Em finais do séc. XVIII foram construídos em Bruxelas a Praça Real e o Palácio Real. Do séc. XX data a basílica de Koekelberg, o maior templo art déco do mundo, e o Atomium de Heysel (1958). Os pintores Ch. de Groux, L. De Winne, J. e A. Stevens, H. Boulenger, L. Dubois (quem dirigiu a revista L'Art Libre, 1871), assim como o água-fortista F. Rops e o escultor C. Meunier, trataram de superar o academicismo. Estes integraram em 1883 o grupo dos Vinte (transformado em 1893 no grupo da Livre Estética, influenciado pelo divisionismo e o simbolismo franceses). Do referido movimento destacaram-se J. Ensor, F. Khnopff, Th. Van Rysselberghe, J. Toorop e o escultor G. Minne. O arquiteto Victor Horta (Casa Tassel, Hotel Solvay) tomou por base a art nouveau, mediante a procura entre funcionalismo e decoração que prosseguiram Henry Van de Velde e P. Hankar pela via do racionalismo. As obras de R. Magritte e de P. Delvaux desempenharam um papel de destaque durante o surrealismo. O expressionismo belga, que teve um vigoroso protagonista com Constant Permeke, retornou com força após a II Guerra Mundial através do grupo internacional Cobra. A nova figuração da década de 1960 teve um impulsionador em R. Raveel. Marcel Broodthaers, vinculado à arte conceitual, exerceu uma influência decisiva sobre as novas gerações, merecendo destaque J. Fabre, B. De Bruyckere, L. Tuymans, F. van Gestel, M. Goethals e T. B. de Cordier.
Bélgica Roseta da Catedral de Tournai
LiteraturaEm língua francesaNas origens de ambas as literaturas, em língua francesa ou neerlandesa, encontram-se a Cantilena de Santa Eulália e o Cantar de Ludovico. Desde os territórios belgas escreveram historiadores e poetas cortesãos: Froissart, Châtelain e Commynes, autores de formação borgonhesa. Durante a Reforma protestante, destacou-se Philippe de Marnix, autor ativo em ambas as línguas. Posteriormente iniciou-se a decadência que durou até a Revolução Francesa (apenas se destaca C.J. de Ligne). O período romântico (1815-1850) oferece notáveis figuras de retóricos e tratadistas, mas não aparece uma literatura totalmente belga até Charles de Coster e o seu Ulenspiegel (1868). O despertar literário que iniciou esta obra viu-se reafirmado, em 1880, com a revista La Jeune Belgique. C. Potvin tentou construir um teatro nacional, impulsionado por flamengos como J. Hoste e F. Gittens, sendo Maurice Maeterlinck quem proporciona ao teatro belga repercussão mundial. Posteriormente, outros escritores belgas contribuíram notavelmente: Michaux, na poesia; Simenon, na novela policial; Michel de Ghelderode, no teatro; e C. Plisnier, com a sua obra-prima Faux passeports (1937). A poesia contemporânea conserva a sua própria identidade, um gosto pelo concreto e o humano cuja figura de maior relevância é M. Thiry. Na narrativa coexistem as tendências regionalistas (M. Gevers, H. Juin), a de aventuras e ficção (J. Ray), a psicológica (D. Rolin, F. Mallet-Joris) e a histórica (F. Walder).Em língua neerlandesaAlém do Cantar de Ludovico, devem ser destacadas composições medievais como Lancelot van Danemarken e Beatrijs, assim como Jan van Ruysbroeck (1293-1381), escritor místico. Durante o Renascimento surgiram importantes figuras: Justus Lípsius, que escreveu em latim, e Joost van den Vondel. Durante os séculos posteriores, a literatura flamenga quase deixou de existir e só em meados do séc. XIX houve uma renovação com a obra do romântico H. Conscience e G. Gezelle, que renova a poesia neerlandesa e é a maior influência da literatura do fim do século. Entretanto, na Bélgica consolidou-se, em torno da revista Van Nu en Straks, uma nova geração de escritores, entre os quais se destacaram S. Streuvels e Karel van Woestijne. A literatura contemporânea, surgida com a obra de H. Teirlinck e consolidada pela de W. Elsschot, G. Walschap, M. Gijsen e L.P. Boon, renovou-se graças a Hugo Claus, W. Ruyslinck e H. Raes. Estes autores têm pouca relação com a tradição literária flamenga, essencialmente rural, e preocupam-se por temas ligados ao homem moderno. Incentivada por um certo mal-estar cultural, a prosa acabou sendo dominada por uma tendência subjetivista de transformação e elaboração de um estilo próprio. É o caso de P. Koeck, Piet van Aken, L. Stassaert e Walter van den Broeck. Na poesia, predomina a figura de H. Claus, com destaque também para P. Snoek, H.C. Pernath, Herman de Coninck e o grupo dos Maximalen.

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