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Austro-Húngaro, Império
ou monarquia austro-húngara
Estado centro-europeu A união dinástica dos territórios pertencentes à casa de Habsburgo, na Europa central e oriental, levou à criação do império austro-húngaro, um mosaico de povos muito diferentes, que nunca chegou a constituir um estado nacional integrado e sólido.
O crescente descontentamento dos povos eslavos submetidos ao império austro-húngaro culminou, em 1914, com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, em Sarajevo, o que desencadeou a primeira guerra mundial.
Antecedentes do império austro-húngaro
A origem do estado da Áustria-Hungria, nome oficial do império, foi a proclamação de Francisco II de Habsburgo como imperador da Áustria, em 1804. Após a queda de Napoleão, em 1815, a Áustria converteu-se no principal estado da Confederação Germânica. Entretanto, a partir das violentas revoluções de 1848, de marcado caráter nacionalista, seu poderio começou a decair. Os territórios italianos, poloneses e eslavos se revoltaram, e essas insurreições, embora sufocadas, afetaram os fundamentos de monarquia austríaca. A situação política transformou-se radicalmente em 1866, quando uma série de manifestações nacionalistas se somou ao conflito entre a Áustria e a Prússia, no seio da Confederação Germânica, desencadeada pela disputa dos ducados de Schleswig e Holstein. O chanceler alemão Otto von Bismarck acusou a Áustria de abuso de poder em Holstein, ordenando a ocupação militar desse território. A derrota da Áustria na batalha de Sadowa levou à anexação de diversos territórios pela Prússia, que se converteu na maior potência do norte da Europa.
Ao ver diminuído o poder da Áustria no cenário europeu (havia sido excluída da nova Confederação Alemã do norte) o imperador Francisco José I compreendeu a necessidade de reorganização do estado.
Constituição do império austro-húngaro
Francisco José aceitou a criação de uma monarquia dupla, baseada no acordo entre a Hungria e o imperador austríaco. Em fevereiro de 1867, representantes de ambos os países firmaram o Ausgleich (acordo), segundo o qual seriam constituídos dois estados autônomos, separados pelo rio Leitha: Cisleithania (Áustria) e Transleithania (Hungria).
Esse pacto deixava claramente definida a separação dos estados no tocante à administração dos assuntos internos. Ambos encontravam-se unidos pela instituição monárquica, encarnada em Francisco José I, ao mesmo tempo rei da Hungria e imperador da Áustria. Da mesma forma, questões relativas à política exterior, à economia e à guerra eram regidas por ministérios comuns a ambos os estados, consolidando-se, assim, a fusão.
A constituição de dezembro de 1867 representou um avanço formal na direção do liberalismo, embora, na prática, o sistema político fosse pouco representativo (sufrágio restrito), podendo o rei governar sem controle parlamentar.
O problema das nacionalidades
Não se levou em conta, porém, um dos maiores problemas do império: o das nacionalidades eslavas, que desejavam um governo autônomo, semelhante ao da Hungria. As comunidades formadas por sérvios, croatas, eslovacos, eslovenos, rutenos e, sobretudo, tchecos (Boêmia e Morávia) e poloneses (Galícia), sentiam-se oprimidas pelas maiorias austríaca e húngara. Esses povos eram constituídos fundamentalmente por camponeses e operários, entre os quais se espalharam rapidamente ideias revolucionárias e nacionalistas.
Diante dessa questão, surgiram duas tendências políticas: de um lado a frente nacional liberal, que, representada pela burguesia alemã, predominou na primeira fase do império; e do outro, a federalista, representativa dos ideais nacionalistas da minoria.
Durante esse período, tentativas de aproximação com a Prússia culminaram com a formação de uma aliança austro-alemã em 1879. O expoente dessa política pró-alemã foi o chanceler húngaro Gyula Andrássy. Também a partir desse ano, o austríaco Eduard Taaffe inaugurou uma fase política claramente dirigida a um entendimento com as minorias eslavas. Por sua vez, os partidos nacionalistas, representantes das minorias eslavas, adotaram posturas mais radicais, exigindo o reconhecimento de direitos essenciais, tais como o de expressar-se em sua própria língua.
À medida que o impulso nacionalista crescia, o Partido Nacional Liberal, apoiado pela população de língua alemã, muito poderosa economicamente, passou a pressionar negativamente a política promovida pelo chanceler Taaffe.
Na esfera política, surgiram também outros partidos, como o Nacional Alemão, que pregava a união entre a Áustria e Alemanha; o Social Cristão, de Karl Lueger, cuja base era constituída pelos membros da pequena burguesia; e o Social Democrata, de Friedrich Adler e Otto Bauer, que manifestaram compreensão do problema das nações eslavas.
Mesmo após a reforma eleitoral de 1882, a crise política do império se agravou, e o governo se viu obrigado a outorgar o sufrágio universal, em 1896. Entretanto, a população não alemã ficou insatisfeita ao ver negadas suas pretensões iniciais, sobretudo na Boêmia, onde impôs-se o Partido dos Jovens Tchecos. Na Hungria, onde latifundiários controlavam o poder, Kálmán Tisza conseguiu atenuar os problemas da minoria radical com uma política de "magiarização", que tendia a consolidar os costumes e a identidade dos húngaros.
Nos últimos anos da década de 1860 e nos primeiros da década de 1870, consolidou-se o processo de industrialização da Áustria, interrompido pela crise de 1873. Viena converteu-se no centro estratégico do capitalismo do império, enquanto a Hungria manteve uma economia rural pouco desenvolvida.
Política exterior
Nas últimas décadas do século XIX, a política exterior da Áustria teve que adequar-se às pretensões de Bismarck, que promoveu a criação de um complicado sistema de alianças no continente europeu. A partir de 1871, o conde Gyula Andrássy, ministro das Relações Exteriores do império, tentou aproximar-se do Reich alemão, com a intenção de fortalecer sua posição no caso de um conflito com a Rússia pelo controle dos Balcãs. Em 1873, sob o comando do chanceler alemão, formou-se a Liga dos Três Imperadores, entre Áustria, Rússia e Alemanha. Essa união durou até 1878, quando ficou evidente a impossibilidade de um acordo diante da questão balcânica.
Nesse mesmo ano, em Berlim, foi firmado um acordo secreto entre as três monarquias, através do qual o império austro-húngaro obteve o direito de administrar a Bósnia-Herzegovina, pertencente até então ao império otomano. Essa liga foi substituída, em 1879, pela Dupla Aliança, formada pela Áustria e Alemanha; dois anos mais tarde, porém, os três impérios novamente se uniram. Em 1882, Alemanha, Áustria-Hungria e Itália se coligaram na denominada Tríplice Aliança, tratado de cooperação defensiva diante de uma possível agressão de outras potências.
Fortalecido com esses acordos, o império de Francisco José I iniciou uma política exterior agressiva, principalmente na região dos Balcãs, onde tentou contrapor-se à influência russa. Na Sérvia e Romênia, a Áustria-Hungria apoiou as monarquias nacionais, contra os desejos da Rússia, ao mesmo tempo que impunha um protetorado sobre os países. O antagonismo crescente entre russos e austríacos nessa zona levou à ruptura definitiva da Liga dos Três Imperadores, em 1887.
O conflito balcânico
A Áustria conseguiu consolidar sua hegemonia sobre as nações balcânicas; entretanto, no alvorecer do século XX a situação começou a modificar-se, quando a Sérvia, sob a dinastia Karageorgevic, converteu-se num importante centro de resistência do nacionalismo eslavo. A reforma eleitoral austríaca de 1907, que estabeleceu o sufrágio universal masculino, contribuiu para a superação do problema do nacionalismo: os eslavos obtiveram a maioria das cadeiras no Parlamento e o imperador viu-se obrigado a governar por decreto.
O império austro-húngaro centrou sua atividade diplomática no objetivo de anexar a Bósnia-Herzegovina, crucial para seus interesses na região. O inflexível ministro das Relações Exteriores austríaco, Alois Aehrenthal, cansado das lentas negociações, ordenou, em 1908, a anexação política desse território, administrado pela Áustria desde 1878. A Sérvia e a Rússia tentaram se opor a essa ação, mas foram impedidas pela Dupla Aliança.
Apesar da intensa repressão contra os nacionalistas, o problema eslavo não foi resolvido e só fez crescer nos anos que antecederam a primeira guerra mundial.
Francisco José havia nomeado o arquiduque Francisco Fernando como seu sucessor no trono imperial, visando um entendimento com os povos eslavos, aos quais pretendia dotar de total autonomia com a criação de um terceiro estado dentro do império. O arquiduque, entretanto, não pôde levar seus planos adiante, pois foi assassinado por um estudante bósnio em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914.
O fim da Áustria-Hungria
O assassinato precipitou a primeira guerra mundial, entre 1914 e 1918, mas as causas do conflito se encontravam na escalada bélica na região dos Balcãs entre 1912 e 1913 e na crescente rivalidade entre os blocos europeus: a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e a Tríplice Entente (França, Rússia e Reino Unido). O ministério austro-húngaro de Relações Exteriores, desejoso de pôr fim, uma vez por todas, à resistência eslava, enviou um ultimato à Sérvia, exigindo investigação exaustiva sobre o assassinato de Francisco Fernando, com participação da política austríaca. Os sérvios negaram-se a aceitar as condições do ultimato e se mostraram dispostos a defender sua soberania. O governo russo manifestou, em seguida, seu apoio à Sérvia, enquanto os britânicos e alemães tentavam mediar o conflito.
Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia, e não tardou para que houvesse mobilização de fortes contingentes de tropas por toda a Europa. O exército russo colocou seus soldados nas fronteiras austríaca e alemã. A Alemanha, respaldando a ação do exército austríaco, declarou guerra à Rússia e à França, em agosto de 1914. Alastrou-se de imediato o confronto entre as alianças europeias.
Os militares austríacos e uma parte dos dirigentes políticos da monarquia, convencidos de sua superioridade bélica, previram o triunfo e a consolidação do império. Entretanto, a sorte lhes foi adversa: a Áustria não só perdeu a guerra, como a derrota levou à extinção do próprio império austro-húngaro.
Inicialmente, a guerra contou com o apoio da população alemã e polonesa do império, mas os tchecos se opuseram abertamente. Submetido às ordens do alto comando alemão, o exército austro-húngaro viu-se obrigado a combater em várias frentes e a aumentar seus efetivos, motivo pelo qual se recrutaram numerosos eslavos.
Em novembro de 1916, morreu o imperador Francisco José I, sucedido por Carlos I. Consciente do estado calamitoso em que se encontrava a antiga monarquia dupla, o novo imperador empreendeu, sem o conhecimento dos alemães, uma campanha para conseguir uma paz honrosa para seu exército. O alto comando inimigo, diante da iminência de uma vitória definitiva contra a aliança austro-alemã, negou-se a selar os compromissos de paz, propostos por Carlos I, e a guerra continuou sem trégua até a derrota dos impérios centrais. Desesperado por não encontrar uma solução satisfatória, que favorecesse os interesses de sua monarquia, e preocupado com a constante agitação nacionalista e revolucionária de suas tropas, o imperador mudou radicalmente a orientação de sua política. Através de um manifesto publicado em 16 de outubro de 1918, o império converteu-se em um estado federal, plural e progressista, que reconhecia a diversidade de nacionalidades em seu território, ao mesmo tempo em que apoiava a consolidação de pequenos estados independentes.
No entanto, as intenções de Carlos I de manter unidos os territórios da coroa fracassaram, devido às desavenças entre os diferentes grupos políticos e nacionais. Os poloneses da Galícia se uniram à Polônia; a Tchecoslováquia constituiu-se em república independente; Croácia, Montenegro e Eslovênia se uniram, formando o reino da Iugoslávia; e a Romênia e a Hungria se tornaram independentes, consumando a desintegração da monarquia austro-húngara.
Em 3 de novembro de 1918, o governo austríaco de Heinrich Lammash assinou o armistício. O imperador, atacado pelos republicanos austríacos e consciente de sua escassa autoridade, promulgou em 11 de novembro uma declaração renunciando a suas obrigações administrativas. O império austro-húngaro deixara de existir. No dia 12 do mesmo mês, a Assembleia Nacional proclamou a república da Áustria alemã (Deutschösterreich).
Os tratados de paz de Saint-Germain-en-Laye e Trianon, firmados em 1919 e 1920, respectivamente, confirmaram o reconhecimento dos novos estados nacionais, surgidos do desmembramento do império e da nova ordem estabelecida na Europa oriental.

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