> Galería de Fotos (29 elementos)


29 Medias
   > Artigos relacionados
Abássidas (dinastia dos califas)
acadiano, a
acheuliano
Afeganistão (estado da Ásia)
África (continente)
Alexandre Magno (rei da Macedônia)
Anatólia (península ao O da Ásia)
antissemitismo
árabe
árabe-israelense, guerras (denominação)
Arábia Saudita (estado da Ásia)
Arafat, Yasser (político palestino)
ário, a
Armênia (país da Ásia Ocidental)
armênias, Matanças (genocídios)
asiáticos, povos
assírio, a
Áustria (estado da Europa Central)
Azerbaijão ou Azerbaidjão (país da Ásia Ocidental)
babilônico, a
babilônio, a
Bahrein ou Barém (estado da Ásia, no golfo Pérsico)
Balcânica, Liga (conjunto de acordos)
Balfour, Declaração (declaração)
Bangladesh (estado da Ásia)
Bering, estreito de (braço de mar entre os extremos NE da Ásia e NO da América do Norte)
birmanês, esa
Bizantino, Império (nome)
Bósnia-Herzegovina (estado da Europa)
Brunei (sultanato da Ásia)
budismo
Bulgária (estado do SE da Europa)
Butã ou Butão (país da Ásia)
Cachemir (região da Ásia centro-meridional)
caligrafia
Camboja (estado do SE da Ásia)
Casaquistão ou Cazaquistão (república da Ásia Central e Ocidental)
Cem Flores (campanha político-cultural)
China (estado da Ásia)
chinesa, Revolução (processo revolucionário)
Chipre (país da Ásia Ocidental)
Cingapura (estado do SE da Ásia)
Cinturão de Fogo (zona vulcânica que rodeia quase todo o oceano Pacífico)
Cisjordânia (região da Palestina)
Comunista Chinês, Partido (PCC) (organização política)
confucianismo
Coreia, República da ou Coreia do Sul (estado da Ásia)
Coreia, República Democrática Popular da ou Coreia do Norte (estado da Ásia oriental)
Crimeia, Guerra da (conflito bélico)
cristianismo
cruzada
cultural, Revolução (movimento)
Dayan, Moshe (político e militar israelita)
descolonização
dravidiano, a ou dravídico, a
Emirados Árabes Unidos (estado do SO da Ásia)
estado
Europa (continente)
Extremo Oriente (região histórica)
Federação de Repúblicas Árabes (FRA) (federação)
fenício, a
Filipinas (estado do SE da Ásia)
Ganges (rio da Índia e Bangladesh)
Geórgia (estado da Ásia)
Ghats (sistema montanhoso da Índia)
Golan, montes (montes da Síria)
Golfo, Guerra do (conflito bélico)
Grande Muralha da China (muralha)
Grécia (estado da Europa)
Guerra Fria (período)
Guerra Mundial, Segunda (conflito bélico)
Gupta (dinastia)
Gusmão, Xanana (líder histórico da resistência maubere)
Hamas (organização armada)
Han (dinastia imperial)
Harappa (jazida pré-histórica)
hebreu, eia
hinduísmo
hitita
Hongwu (imperador da China)
Horda de Ouro (canato mongol)
Hungria (estado da Europa Central)
hurrita
Iêmen (estado do SO da ÁdemÁsia)
Índia (estado do Sul da Ásia)
Indonésia (estado do sudeste da Ásia)
Irã (estado da Ásia Ocidental)
Irã-Iraque, Guerra (conflito bélico)
Iraque (estado da Ásia)
islã ou islamismo
Israel (estado do O da Ásia)
Japão (estado da Ásia, o mais oriental do continente)
Jordânia (estado da Ásia Ocidental)
K2 (montanha da Ásia)
khmer
Kuwait (estado da Ásia Ocidental)
Laos (estado do SE da Ásia)
Lepanto, Batalha de (combate)
Líbano (estado da Ásia Ocidental)
Liga Árabe (organização)
Likud (partido político)
Macedônia, República da (estado da península dos Balcãs)
Malásia (estado da Ásia)
Maldivas (estado do oceano Índico)
Mao Zedong ou Mao Tsé-Tung (político e escritor chinês)
Mesopotâmia (região natural da Ásia Ocidental)
mesquita
Ming (dinastia imperial)
Mohács, Batalha de (confronto bélico)
Mohenjo-Daro (jazida)
mon
mongol
Mongol (dinastia)
Mongólia (estado da Ásia Central e Oriental)
mongoloide
musteriense
Myanmar (estado da Ásia)
Nasser ou Gamal Abd al-Nassir, Gamal Abdel (político e militar egípcio)
Nepal (estado da Ásia)
Netanyahu, Benjamin (político israelense)
Omã (estado do SO da Ásia)
Omíadas (dinastia)
Ópio, guerras do (confrontos bélicos)
ordoviciano, período
Organização para a Libertação da Palestina (OLP) (organização política)
Otomano, Império (conjunto de domínios)
Palestina (região histórica do Oriente Médio)
Paquistão (estado do S da Ásia)
Pequim (cidade da China)
Persa, Império (conjunto de territórios)
porcelana
Portugal (estado da Europa)
Português, Império (conjunto de territórios)
Qatar (estado do Sudoeste da Ásia)
Qin (dinastia imperial)
Qing (dinastia imperial)
Quirguistão (estado da Ásia Central)
Raab, Batalha de (combate)
referendo
Romano, Império (conjunto de territórios)
Romênia (estado da Europa Oriental)
Rússia (estado da Europa e da Ásia)
Russo-Japonesa, Guerra (conflito bélico)
Santa Sofia, Basílica de (igreja)
Sassânida (dinastia)
Seis Dias, Guerra dos (conflito bélico)
Seljúcida (dinastia)
Sérvia (estado do SE da Europa)
Shamir, Yitzhak (político israelita)
Shang (dinastia)
Sharon, Ariel (político israelita)
Sinai, campanhas do (campanhas militares)
sino-japonesas, guerras (conflitos bélicos)
sionismo
Síria (estado da Ásia Ocidental)
Somália (estado da África Oriental)
Sri Lanka (estado do S da Ásia)
Sublime Porta (palácio)
sumeriano, a
sumério, a
Sun Yat-sen (político chinês)
Tadjiquistão (estado da Ásia Central)
tai
Tailândia (estado do SE da Ásia)
Taiwan (estado da Ásia)
talibã
Tauro, montes (cordilheira da Turquia)
Timor-Leste (estado ao SE da Ásia)
Timur Lang (rei e conquistador turco)
Trabalhista Israelense, Partido (partido político)
Turcomenistão (estado da Ásia Central)
Turquia (estado da Ásia Ocidental e, em pequena proporção, do sudeste da Europa)
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) (antigo Estado)
Urais (cadeia montanhosa da Rússia)
Usbequistão ou Uzbequistão (república da Ásia Central)
Viena, cerco de (cerco)
Viena, cerco de (cerco)
Viena, Congresso de (reuniões)
Vietnam (estado da Ásia)
Vietnam, Guerra do (conflito bélico)
vietnamita
Xia (dinastia chinesa)
Yuan (dinastia)
Zhou (dinastia chinesa)
   > Edupédia
   > Na rede

EV
Ásia
Continente (44.661.151 km2), o mais extenso do planeta, limitado ao N pelo oceano Ártico, ao S pelo oceano Índico, ao E pelo oceano Pacífico e ao O pelo continente europeu.
Geografia Meio físico• Geomorfologia A Ásia possui uma estrutura que se compõe de zonas rígidas e geologicamente estáveis, atravessadas por uma grande franja de relevos orientada na direção dos paralelos que se junta e contrapõe com a fragmentada e instável zona marginal da vertente do Pacífico. A grande faixa montanhosa parte do O, nas cadeias que flanqueiam a Anatólia, o Cáucaso, o Elburz, o Hindu Cush e o Pamir. A seguir a este grande nó orográfico, continua, por um lado, para o N com os relevos que delimitam as terras siberianas (Tien Shan, Altai, etc.) até ao estreito de Bering, e, pelo outro, no Kunlun Sha, no Karakoram e nos Himalaias, a cordilheira mais elevada da Terra, que, por sua vez, se prolonga para o S nos grupos de cadeias que formam a península da Indochina e os arquipélagos da Insulíndia. Estes juntam-se, em torno de Bornéu, com os arquipélagos que flanqueiam o E da Ásia, das Filipinas ao Japão e à península de Kamchatka, e encerram uma série de mares interiores pouco profundos (mares da China, do Japão e de Okhotsk). A franja E que orla o continente pode ser considerada como um grande geossinclinal em evolução, como testemunha o seu vulcanismo e a sua elevada sismicidade que incluem esta parte da Ásia no Cinturão de Fogo do Pacífico. As grandes franjas montanhosas e geologicamente instáveis do continente estão rodeadas pelas massas de terra do setor setentrional ou siberiano, que descem para o oceano Ártico, e pelas massas peninsulares da Índia e da Arábia, banhadas pelo oceano Índico. As formas gerais da superfície continental variam em relação à orogênese e à geologia. Entre os alinhamentos montanhosos do O da Ásia interpõem-se amplas bacias depressionárias cobertas de materiais sedimentares, onde o clima árido determina uma morfologia própria das áreas desérticas. A única grande planície aluvial é a mesopotâmica. Na Península Arábica, o elevado rebordo O constitui uma região característica com altas escarpas que dominam a costa do mar Vermelho. As grandes cadeias montanhosas que começam no Hindu Cush são a barreira divisória entre a Ásia Meridional e a Ásia Central. Esta última estende-se da bacia do mar Cáspio até ao E, no Turquestão Oriental, que abrange a bacia do Tarim e a depressão do Junggar, e abre passagem para os planaltos mongóis, de estrutura tabular e uma altitude média de quase 1.000 m, cortados por depressões arenosas, como a do deserto de Gobi. Além desta franja árida, elevam-se os relevos que rodeiam a Sibéria, da cadeia montanhosa do Tien Shan até às cordilheiras Saian e Khangai, consideravelmente mais baixas. Os relevos suavizam-se e decrescem para E nos montes Yablonoy, Stanovoj, Dzhugdzhur e do Kolima. As cadeias mais orientais apresentam uma direção S e atingem 3.147 m nos montes Cherski e 4.750 no vulcão Kljuchevskaja Sopka, em Kamchatka. O planalto siberiano é uma região formada por leves ondulações alisadas pelos gelos do Plistoceno. A faixa dos relevos que do Hindu Cush e do Pamir continua no Karakoram e nos Himalaias apresenta uma sucessão de maciços com cumes de mais de 7.000 m, entre os quais se destacam o K2 (8.816 m), no Karakoram, e o Everest (8.850 m), nos Himalaias. O altiplano tibetano, entre os Himalaias e o Kunlun, regista uma altitude média entre 4.000 e 5.000 m e apresenta relevos tabulares e vales dominados por antigas cordilheiras que se orientam para o SE, onde começam a descer até desaparecerem ao S nas planícies aluviais da Indochina e ao E no território das colinas da China. No seu setor S, os Himalaias descem para as planícies indianas através de vertentes escarpadas, enquanto que, na parte mais baixa, se estende a cordilheira Siwalik, uma orla de colina de origem recente. A planície do Indo-Ganges tem uma amplitude de várias centenas de quilômetros e constitui uma das planícies aluviais mais características da Terra. Mais ao S, encontra-se o Deccan, delimitado por cadeias montanhosas ao N (montes Aravalli, montes Vindhya), pelas altas escarpas dos Ghats Ocidentais e dos Ghats Orientais a ambos os lados e ao S pelo subcontinente indiano. Na península de Malaca e nas ilhas maiores da Indonésia, as cadeias montanhosas estão coroadas por cones vulcânicos em atividade, como o Kerinci (3.800 m), na ilha de Sumatra, e o Semeru (3.676 m), na ilha de Java. A paisagem vulcânica reaparece nas Filipinas, arquipélago formado por pequenas e grandes ilhas que se encontra no alinhamento insular da ilha de Taiwan, das Ryukyu, do arquipélago japonês e das Kurilas. Na maior ilha do Japão, Honshu, elevam-se cadeias abruptas (os chamados Alpes japoneses), ainda que, em geral, a paisagem japonesa seja vulcânica, com o Fuji-Yama como ponto mais alto, a 3.776 m. Nos mares interiores, encerrados por este grande arco insular, terminam as planícies aluviais da China e os relevos baixos que as delimitam. Mais ao N, o perfil costeiro está constituído por ramificações dos relevos da Manchúria e da Coreia.• Hidrologia A grande faixa montanhosa que atravessa o continente determina as grandes bacias hidrográficas, tributárias do oceano Pacífico (23 % da superfície total), do oceano Índico (18 %) e do oceano Ártico (27 %), além das bacias fechadas, principalmente da Ásia Central, que cobrem quase 30 % da superfície continental, e onde vertem as suas águas numerosos e importantes rios (Helmand, Amudária, Tarim, etc.). Na Anatólia nascem o Tigre e o Eufrates, que com os seus aluviões criaram a planície da Mesopotâmia. No planalto do Tibet nasce o Indo, que forma a grande planície do Paquistão, berço de antigas civilizações. Nos Himalaias tem origem o Ganges, que vitaliza a planície compreendida entre a grande barreira montanhosa e o Deccan, e após a sua junção com o Brahmaputra, forma um extenso delta. Nos vales tibetanos convergentes para o S nascem os rios que percorrem a península da Indochina, como o Mekong, enquanto que nos vales mais orientais nascem os grandes rios chineses Amarelo ou Huang He e Azul ou Yangzi. Todos estes cursos fluviais têm caudais sazonais que variam em função das precipitações. O seu curso apresenta, em geral, um perfil jovem e, consequentemente, o transporte de detritos é muito importante. Pelo contrário, os rios que correm para o N não são tão caudalosos e apresentam um regime de neves, com a particularidade de que o degelo se produz em períodos sucessivos de S ao N, causando inundações periódicas. Nas cadeias que circundam a Sibéria nascem o Obi, que atravessa a planície da Sibéria Ocidental, o Ienissei (cujo afluente, Angara, drena o lago Baikal), o Lena, o Kolima e outros menores. É ainda importante o Amur, que deságua no mar de Okhotsk e é, portanto, tributário do Pacífico. No que se refere aos lagos situados nas áreas interiores e depressionárias, os maiores são o mar Cáspio e o mar de Aral, enquanto que o lago Baikal é um lago de fratura, o mais profundo da Terra (1.620 m).• Clima Na Ásia, as imponentes cadeias montanhosas rompem os esquemas normais da circulação atmosférica terrestre e a continentalidade atinge as suas manifestações mais extremas, especialmente no N, onde o oceano Ártico se encontra gelado a maior parte do ano, e ao SO, onde a Ásia se une com a África, zona que atua à maneira de um grande biombo. Nelas se registam os valores extremos: no E da Sibéria encontra-se a zona mais fria, com mínimos absolutos inferiores a −70 °C (temperaturas médias em janeiro de −48 °C e temperaturas estivais próximas dos 10 °C). Ao O da Ásia, apresentam-se situações opostas, com máximos absolutos de 55 °C (deserto de Lut), médias estivais, em julho, de 35 °C (golfo Pérsico) e médias em janeiro de 10 °C. Os referidos valores extremos ficam atenuados nas zonas intermédias, ainda que se produzam fortes oscilações sazonais e diárias, e nas áreas mais expostas às influências oceânicas, onde as oscilações diminuem. É este o caso ao S da zona aberta ao oceano Índico e, em especial, da Indonésia. A continentalidade não afeta os países do S da Ásia, protegidos pelos grandes baluartes montanhosos e submetidos, por razões idênticas, à circulação das monções que atinge toda a fachada meridional do continente. As massas marítimas polares de ar apenas alcançam o setor NE, na vertente do Pacífico, e a zona NO, na vertente atlântica. O obstáculo que as grandes cadeias montanhosas opõem às influências marítimas explica a existência de uma grande franja árida que se estende da península da Arábia até à Ásia Central e Mongólia. No que se refere à pluviosidade, as áreas mais chuvosas são as atingidas pelas monções. No golfo de Bengala, bem exposto a essa ação, registram-se precipitações anuais de até 8.000 mm em Chittagong, sendo a média anual de 1.500 mm. Na região equatorial da Insulíndia, apresentam-se valores superiores, com chuvas em quase todas as estações que se atenuam na faixa temperada, exceto no Japão, país que apresenta um clima oceânico. Ao N da China, a Grande Muralha, que coincide aproximadamente com a isoiética dos 380 mm, marca o limite da área temperada úmida. No interior, entra-se na zona dos climas continentais áridos ou semi-áridos que afetam quase dois terços da Ásia.• Vegetação Nas terras mais setentrionais, existe uma ampla franja de tundra, a que se segue um vasto bosque boreal de coníferas (taiga) e mais ao S a estepe arborizada de pinheiros bravos, álamos e bétulas. Na Ásia Central, encontram-se as estepes de gramíneas. Na costa S do mar Cáspio, existe uma vegetação exuberante, enquanto que as estepes dominam o Médio Oriente e o interior da Arábia é desértico. Do mesmo modo, ao longo do mar Vermelho são típicas as formações arbustivas. Nos Himalaias, sob a franja de vegetação alpina, estendem-se ao O os bosques de abetos e ao E, parte mais úmida e exposta às monções, os bosques de coníferas e de rododendros gigantes. Entre 1.800 e 3.000 m domina a selva úmida perenifólia com magnoliáceas, lauráceas, lianas e musgos arborícolas. Abaixo dos 1.800 m, encontram-se bosques de tipo misto com gêneros de origem temperada e tropical. A Índia Central e Meridional está ocupada por um bosque caducifólio, e em condições de maior aridez mantêm-se formações espinhosas com acácias no vale do Indo, na parte alta da planície do Ganges e no Deccan. No SE da Ásia (Indochina, Filipinas e Insulíndia), existe um gradiente de vegetação paralelo à diminuição da umidade (selva equatorial, selva densa e aberta de árvores caducifólias, e savana com arbustos de plantas espinhosas). Na China a selva tropical higrófila está limitada às costas meridionais, enquanto que no interior do país domina o bosque perenifólio, com vegetação mesotérmica, mesófila e higrófila, além de alguns tipos de coníferas. No que respeita ao Japão, o S está coberto de bosque tropical, de características idênticas ao da China, enquanto que no N abundam as espécies caducifólias.A espécie mais antiga pertencente ao gênero Homo que se encontrou na Ásia até ao momento é H. erectus. Tradicionalmente, pensava-se que esta espécie teria surgido na África há uns dois milhões de anos e que, posteriormente, se teria expandido por outras partes do mundo; porém, alguns achados na Geórgia, China e Java equipararam a antiguidade dos restos asiáticos com a dos africanos. A partir da análise das zonas ocupadas pelo H. erectus formulou-se a hipótese de que estas formas se extinguiram após a difusão do H. sapiens sapiens, cujos restos mais antigos se encontraram no Médio Oriente. Este mecanismo de povoamento deu origem à teoria que postula que, após ter evoluído na África ou no Médio Oriente, o homem moderno ter-se-ia expandido pelo Velho Mundo, substituindo as formas arcaicas. Contudo, existe uma hipótese alternativa, conhecida como multirregionalista, que afirma que as formas atuais do H. sapiens sapiens teriam surgido por evolução local das formas arcaicas europeias, asiáticas e africanas, embora mantendo entre todas estas zonas um fluxo de pessoas mais ou menos intenso. A ocupação do Norte da Ásia é fruto da grande expansão que teve lugar no Paleolítico Superior, na Europa, na Ásia Central e na Índia. No que se refere aos grupos humanos atuais, ainda não é claro o fato de onde e quando surgiram e se evoluíram a partir dos primeiros habitantes ou se representam uma descendência misturada das diferentes vagas de migração que se estenderam posteriormente pelo continente. Em todo o caso, pode ser feita uma primeira divisão entre povos caucasoides que habitam o O do continente e povos mongoloides do E e SE. As morfologias derivadas da expansão para o E deram lugar às distintas tipologias do grupo humano mongoloide: os sinodontes (mongoloides do Norte) e os sundadontes (mongoloides do Sul). Como em outras regiões do mundo, o avanço dos gelos produziu o isolamento de numerosos grupos que, sob uma pressão ambiental intensa, teriam desenvolvido as adaptações que dão origem ao padrão morfológico mongoloide. No caso do SE asiático, a especialização não teria sido tão intensa, pois a história do povoamento desta região está fortemente marcada pela expansão dos agricultores de arroz procedentes da China, que nos últimos 5.000 anos alcançaram o SE insular do continente e do Pacífico, sem chegarem a penetrar na Nova Guiné. O caso particular da Índia é difícil de abordar, dada a alta diversidade linguística que se encontra no subcontinente. Pensa-se que as afinidades observadas com os caucasoides se devem a uma entrada de povoações do O durante o Paleolítico tardio. Posteriormente, os agricultores neolíticos entraram na região, misturando-se com os grupos já existentes. A presença de europeus, que data de épocas recentes como resultado da expansão colonial, ainda hoje é bastante limitada, mas deu origem a numerosos processos de mestiçagem, sobretudo na Ásia Menor, na Índia e na Indochina.
Ásia Impacto ambiental
População e povoamento• População A população da Ásia, no séc. XVIII, era aproximadamente de 400.000.000 de hab., que aumentaram para 900.000.000 em começos do séc. XX, e chegaram, em 2005, a mais de 3.892 milhões. O ritmo de crescimento demográfico, principal problema socioeconômico da Ásia moderna, situava-se acima de 2 % em começos da década de 1990, apesar de o grande volume de população chinesa, que representa uma terça parte do total, ter vindo a reduzir o seu ritmo de crescimento de 1,4 % (1990-1993) para 1,1 % (1994-1998). Nos países compreendidos na área SO, dão-se elevadas taxas de crescimento da população, por volta dos 3 % (Síria, 2,3 %, Arábia Saudita, 2,3 %); são também altas as taxas do SE, com a Malásia e as Filipinas nos 1,6 %, enquanto que na Índia e na Indonésia rondam os 1,3 % e 1 % anuais. Esta situação deriva de ritmos de crescimento natural caracterizados por taxas de natalidade superiores a 30 ‰ na primeira zona e 20 ‰ na segunda, havendo a destacar, por outro lado, a diferente incidência das taxas de mortalidade infantil que variam, por exemplo, de 21 ‰ na Arábia Saudita e a 28,9 ‰ na Síria (que, com os 97 ‰ do Camboja e os 147 ‰ do Afeganistão, são os índices de mortalidade infantil mais altos da Ásia) e se mantêm acima de 50 ‰ em numerosos países. A densidade média de população é de 82 hab./km2, apresentando valores máximos no Bangladesh, com 926 hab./km2, e especialmente nos aglomerados urbanos, como Singapura, com 5.203 hab./km2.
Ásia Densidade populacional
• Povoamento A contraposição entre a Ásia exterior, agrícola, e a Ásia interior, dedicada à pecuária e nômada, está ainda hoje confirmada pela distribuição humana no continente. A maior parte da população asiática, por volta de 90 % do total, concentra-se na orla exterior, com densidades máximas nas áreas agrícolas fluviais, em especial na planície do Ganges. Valores quase semelhantes apresentam-se nas zonas fluviais da China, embora o povoamento tenha ultrapassado as planícies fluviais propriamente ditas e todo o E da China tenha uma densidade elevada, acima de 136 hab./km2. Os máximos registram-se nas planícies aluviais dos rios Huang He e Yangzi e no golfo de Tonquim e no de Bengala, com mais de 500 hab./km2. Também existem áreas de excepcional densidade na Indonésia (em Java quase 700 hab./km2), devido à elevada produtividade agrícola atingida. Outras zonas muito povoadas são as costas da península do Indostão, as planícies da Indochina, a planície do Indo, a Mesopotâmia, a depressão do Cáucaso e as áreas irrigadas da Ásia Central, com densidades que oscilam entre 50 e 150 hab./km2. Densidades médias menores encontram-se na Anatólia, nas altas terras do Irã e nas zonas mais interiores da China. A grande faixa árida que se estende da península da Arábia até à Ásia Central e à Mongólia constitui uma área de povoamento reduzido que se concentra nos oásis e ao longo dos cursos fluviais, com médias entre 1 e 10 hab./km2. Reduzido é também o povoamento de toda a região siberiana, exceto na franja atravessada pela estrada de ferro transiberiana. No Japão (quase 420 hab./km2 na ilha de Honshu, com picos de 1.000 a 1.500 hab./km2), tal como no N da China, a concentração da população é consequência direta de um intenso processo de urbanização gerado por um desenvolvimento industrial a grande escala. Os grandes aglomerados urbanos continuam a crescer, especialmente em países como a Índia, onde ainda predominam os centros rurais (72 % do total da população), ainda que exista um importante fluxo migratório para as cidades; assim, Mumbai passou, numa década, de 8.200.000 a 12.596.243 hab., e Kolkata de 9.200.000 a 11.021.918 hab. Menos espetacular é o crescimento das metrópoles chinesas (Shanghai, de 11.900.000 a 14.640.000 hab., Pequim de 9.200.000 a 12.460.000 hab.), enquanto Tóquio mantém uma população quase invariável que ronda os 11.800.000 hab. e experimenta o fenômeno da contra-urbanização que afeta as cidades fulcrais dos grandes países industrializados. Pelo seu lado, nas décadas de 1980 e 1990, Teerã passou de 4.500.000 a 6.758.845 hab., e Seul de 8.400.000 a 10.470.000 hab. Algumas cidades desenvolveram-se como resultado da industrialização (cidades japonesas, da Manchúria e da Sibéria), outras são fruto de uma revalorização comercial, como as grandes cidades portuárias de Shanghai, Hong Kong, Ho Chi Minh, Jacarta, Kolkata, Mumbai e Karachi, ou cresceram como escalas secundárias ou centros estratégicos nascidos do colonialismo (Cingapura, Áden, etc.). Na região siberiana, desenvolveram-se as grandes cidades pioneiras, como Omsk, Novosibirsk, Irkutsk e a própria Vladivostok (cidade de colonização tsarista), e na Ásia Central, Tashkent, Alma Ata, Ashgabat e Samarkand. Estrutura econômicaA economia asiática encontra-se num processo de profunda transformação, liderado fundamentalmente pelo Japão, que se tem refletido na consolidação dos NIC (Newly Industrializing Countries), concretamente a República de Coreia, Taiwan e Cingapura, aos quais há que acrescentar a Tailândia, a Malásia e, mais recentemente, a Indonésia, que, após terem assimilado as tecnologias das áreas industrializadas, estão a atingir uma grande competitividade graças a custos de produção nitidamente inferiores. Neste grupo de países, que nos últimos anos tiveram taxas de crescimento muito elevadas, a China ocupa um lugar à parte, não só pela sua incorporação mais tardia e pelo seu ritmo de crescimento que se mantém elevado (apesar de ter passado de 13 % em 1993 para 7,8 % em 1998), mas também pelo seu papel de grande potência a nível mundial. Nestas boas perspectivas do desenvolvimento do L da Ásia poder-se-ia incluir ainda o subcontinente indiano, embora o crescimento do seu produto interno bruto (5 % anual) seja insuficiente para atingir um nível de desenvolvimento capaz de absorver o crescimento da população, especialmente no Paquistão e no Bangladesh. Um outro quadrante estratégico está representado pelo SO da Ásia, em volta do golfo Pérsico, que proporciona 30 % da produção mundial de petróleo e que conta com mais de 65 % do total das reservas conhecidas. A dissolução da URSS tem deixado uma grande incerteza econômica no interior do continente asiático, onde as repúblicas da Ásia Central, privadas da referência russa, atravessam uma fase de recessão, especialmente acentuada nas áreas urbanas, devida ao êxodo da população ativa mais qualificada e ainda agravada por taxas de inflação de 1.500 a 2.000 % ao ano. Em geral, a amplitude do território, a existência de importantes barreiras geográficas e a dispersão dos recursos naturais, juntamente com uma pressão demográfica desmesurada e outros fatores sociais, representam condicionamentos difíceis de superar. Pelo contrário, o sucesso dos NIC poderia deixar abertas perspectivas para o arranque econômico de toda a Ásia.
Ásia Mapa econômico
• Agricultura, pecuária e pesca A agricultura asiática caracteriza-se pela exploração de vastas superfícies em algumas zonas do continente e pela insuficiência de solos agrícolas em outras. A Ásia defronta-se com o problema de alimentar uma população que representa mais de 60 % do total mundial; daí a necessidade de reduzir a pressão demográfica e otimizar o uso das terras agrícolas, como acontece no caso do Japão, cuja agricultura se caracteriza por uma exploração intensiva. Em geral, a produção da agricultura asiática está aquém das suas necessidades. É assim com o arroz, cuja produção em valores absolutos é notável, mas baixa, se considerarmos o consumo per capita, sobretudo tendo em conta que as duas terças partes das calorias são proporcionadas pelos cereais e que o cultivo de outros tipos de grão sé relativamente escasso. A cultura do arroz, que pode proporcionar duas colheitas por ano, estende-se pelas zonas mais úmidas da região das monções, uma vasta porção de terras da Índia à China. Em conjunto, a produção de arroz representa quase 90 % do total mundial, coberta numa terça parte pela China, seguida pela Índia, a Indonésia, o Bangladesh, o Japão e a Tailândia.
Ásia Cultivo de arroz nos arredores de Bangalore, Karnataka, Índia
No que se refere à produção de trigo, apesar do incremento verificado nos últimos anos, mantém-se abaixo das suas necessidades (40 % da produção mundial, excluída a Rússia). Muito embora esta cultura se tenha difundido também por zonas diferentes das tradicionais, a principal área da cultura do trigo continua a ser a franja agrária setentrional, onde a pluviosidade é escassa e a continentalidade mais acentuada. Esta área abrange o N da China, a planície alta do Indo, o planalto da Anatólia e as planícies da Ásia Central e siberianas, onde também é cultivada a aveia. Nestas terras, está ainda bastante difundida a cultura do milho, cujo máximo produtor é a China, e as culturas da soja, cevada, aveia e batata. Entre as culturas com fins industriais, destaca-se o algodão, cujas principais áreas se situam na Ásia Central, na China, Índia, Turquia e no Paquistão. A juta tem a sua área produtiva tradicional na China, que proporciona por si só metade da produção mundial, seguida pela Índia e pelo Bangladesh. A produção de cana-de-açúcar, que se cultiva na Índia, China Meridional, Filipinas, Tailândia e Indonésia, não é demasiado elevada, ainda que represente a quarta parte da produção mundial. Uma outra cultura importante das áreas tropicais úmidas é a do chá, cujos grandes produtores são a Índia, China, Sri Lanka e Japão, que, juntamente com outros países asiáticos, proporcionam quase três quartas partes da produção mundial. Existem também extensas plantações de café, sobretudo na Indonésia, e de bananas na Índia, Indonésia e Tailândia. Nas terras equatoriais, foi introduzida a seringueira para a obtenção do caucho, cujo principal produtor é a Malásia, seguida pela Indonésia e a Tailândia. No que se refere à pecuária, continua a ser uma atividade subsidiária da agricultura; importa excetuar as populações nômades das zonas áridas e semiáridas, cujas economias se baseiam fundamentalmente na pastorícia. Os bovídeos têm a sua máxima difusão na Índia, país que possui aproximadamente metade das cabeças de gado bovino da Ásia e 15 % do total mundial, embora a sua produção de leite e queijo seja reduzida e o consumo da sua carne esteja excluído da dieta por motivos religiosos. A China e a Índia são os primeiros produtores de caprinos, enquanto os ovinos se apresentam nas zonas áridas da Ásia Central e Ocidental, mais associadas ao nomadismo. Os suínos constituem, juntamente com as aves de capoeira, uma das principais e tradicionais fontes de carne na alimentação dos povos da China e da Indochina (a China possui mais de um terço das cabeças de suínos do mundo). Camelos e búfalos estão difundidos pela Índia e Paquistão. No que diz respeito à exploração dos bosques, a taiga siberiana constitui uma imensa reserva florestal e proporciona matéria-prima destinada fundamentalmente ao fabrico de pasta de papel. As atividades piscatórias são bastante importantes em vários países como a Indonésia, China, República da Coreia, Índia, os Estados da Indochina e, sobretudo, o Japão, que tem organizado a atividade piscatória numa base altamente industrializada, consolidando-se como o primeiro produtor mundial de peixe fresco e em conserva.
Ásia Pescadores no porto de Pusan, República da Coreia
• Mineração e indústria A Ásia dispõe de grandes bacias carboníferas e ricas jazidas de minério de ferro, cuja exploração, iniciada no séc. XIX, trouxe consigo o desenvolvimento do setor siderúrgico nas grandes regiões industriais dos Urales, dos Kuzbass (SO da Sibéria), da Manchúria e da China Central. No seu conjunto, os países asiáticos contribuem com pouco mais de um terço para a produção mundial de ferro fundido e de aço. A China é ainda o primeiro produtor mundial de tungstênio. O continente é também rico em outros minerais metálicos: níquel (Indonésia e China); cromo (Turquia, Índia, Casaquistão, China); estanho (a Malásia é o primeiro produtor mundial, seguida pela Indonésia); zinco (China); chumbo (China); manganésio (China, Índia, Casaquistão) e bauxita (Índia, Casaquistão). Os recursos auríferos e as jazidas de diamantes concentram-se na Sibéria. A região transcaucásica possui, por sua vez, grandes jazidas de cobre. O petróleo merece um destaque especial. É extraído principalmente nos países do golfo Pérsico, especialmente na Arábia Saudita, que, juntamente com o Kuwait, ocupa o primeiro lugar entre os exportadores. No que se refere às reservas descobertas na China poderiam situar este país entre os maiores produtores do mundo. A nível industrial, é o Japão, pobre em matérias-primas e primeira potência industrial do continente asiático, o país que constitui o modelo imitado pela República da Coreia e Taiwan, assim como por Cingapura e pela cidade de Hong Kong, favorecidas pelo importante fluxo de capitais estrangeiros e uma ampla disponibilidade de mão de obra barata. O desenvolvimento destes países baseia-se essencialmente numa poderosa e diversificada indústria de transformação, orientada em grande parte para os mercados exteriores. No resto do continente asiático, há que destacar o caso da Índia que, apesar da sua situação de subdesenvolvimento, dispõe de uma infraestrutura industrial relevante, capaz de proporcionar produtos tecnologicamente avançados. Por outro lado, os países do golfo Pérsico têm um nível de industrialização relativamente modesto, com uma grande dependência do petróleo. É este o caso da Arábia Saudita, que destina boa parte dos seus rendimentos a obras de infraestruturas e à criação de um setor de base centrado na indústria petroquímica. A China representa, por último, um caso particular: tem-se aberto às relações comerciais com o Japão e com os países do Ocidente, com os quais vem intensificando uma colaboração técnica e financeira, a fim de incrementar a exploração dos seus recursos energéticos e de minérios e acelerar o seu processo de industrialização.• Infraestruturas de comunicação As vias de comunicação, que sempre se desenvolveram no sentido dos paralelos para evitar os obstáculos das grandes cadeias montanhosas da franja central, têm contribuído para tornar quase inexistentes as relações entre o N e o S da Ásia. Consequentemente, as relações predominantes estabeleceram-se entre E e O, o que permitiu que as regiões mediterrânicas pudessem manter relações comerciais com a China desde a Antiguidade, através da chamada Rota da Seda. No S da Ásia, pelo contrário, o fragmentado contorno peninsular e insular do continente dificultou durante muito tempo as comunicações. As que se desenvolveram na época colonial serviam os interesses das potências coloniais, de modo que ainda hoje não existe uma rede de comunicações pan-asiática. O eixo ferroviário mais extenso e completo é a linha do Transiberiano que une Moscou a Vladivostok, ao longo de 9.337 km, com ramificações para a Ásia Central e a China. Em 1985, ficou completo um desdobramento, construído umas centenas de quilômetros mais ao norte, do percurso oriental do Transiberiano, do lago Baikal até ao Amur, com um traçado, de 3.150 km, muito sinuoso. O centro da Ásia e a China estão unidos diretamente pela linha férrea do Xinjiang; a Índia, com uma rede ferroviária bastante desenvolvida, está unida à Europa através do Paquistão, Irã e Turquia. A rede de estradas é muito deficiente, embora tenha melhorado sensivelmente a partir de algumas grandes realizações, entre outras a da estrada que une a China com a Índia através dos vales tibetanos e dos vales dos Himalaias e as artérias que põem em contato o Mediterrâneo com a Índia e a região SE até Cingapura. Além da importante e destacada navegação fluvial, encontram-se em constante crescimento o tráfego aéreo e marítimo, que conta já com boas infraestruturas.• Balança comercial Embora os países industriais do Ocidente absorvam grande parte do comércio exterior dos países asiáticos, as trocas comerciais no interior do continente experimentaram um incremento considerável, especialmente devido à presença dinamizadora do Japão, que se tornou no primeiro parceiro econômico da China e no segundo da Índia. Porém, é sobretudo a área do SE asiático que representa o campo de ação mais importante da economia japonesa, como fonte de fornecimento de matérias-primas, mercado de exportação, reserva de mão de obra barata e espaço para a instalação de indústrias. Por outro lado, há que destacar a existência da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), a única associação asiática que tem como principal objetivo a integração econômica dos países membros. Existe ainda a tentativa de promover reagrupamentos regionais ou setoriais em outros países asiáticos, sobretudo da área ocidental, com o intuito de favorecer o desenvolvimento e tutelar os interesses comuns; contudo, os progressos alcançados até ao momento têm sido muito reduzidos.
Ásia Centro da cidade de Tóquio, Japão
HistóriaPré-HistóriaA cronologia dos primeiros povoadores do continente asiático situar-se-ia quase 2 milhões de anos atrás, se considerarmos as descobertas recentes de utensílios líticos em Riwat, no Paquistão. Na província chinesa de Yunnan apareceram restos de hominídeos, cuja antiguidade, ainda não confirmada, ronda os 2 milhões de anos, e indústrias líticas associadas ao Homo erectus com uma antiguidade que varia entre 1,7 e 1,8 milhão de anos. Recentemente, foi proposta quase a mesma antiguidade para os restos de H. erectus encontrados em Modjokerto, em Java, embora não esteja comprovada de maneira definitiva. Na China, a série de Chukutien, famosa pelos numerosos restos de H. erectus (inicialmente atribuídos ao gênero Sinanthropus), contém uma indústria à base de seixos e lascas de sílex com uma idade compreendida entre 500.000 e 250.000 anos. O acheulense superior levaloisense é conhecido atualmente em mais de 200 enclaves. As fases mais recentes do acheulense levaloisense foram datadas entre 150.000 e 100.000 anos. Estima-se em 80.000 anos a antiguidade dos sucessivos conjuntos mustierenses (Yebel Qafzeh e Skhul em Israel); o tipo humano encontrado nestas duas grutas é considerado um representante do Homo sapiens sapiens arcaico e qualificado como um proto-Cro-Magnon. Foram encontrados restos referentes a grupos de neandertais do Próximo Oriente em diversos enclaves asiáticos, como Shanidar, no Iraque (entre 60.000 e 40.000 anos), e Teshik Tash, no Usbequistão (44.000 anos). Sobre o nascimento de civilizações agrícolas, a maior informação procede da zona compreendida entre o Mediterrâneo, o golfo Pérsico e o mar Cáspio, denominada o Crescente Fértil. Na época pré-cerâmica, por volta do VI milênio, desenvolveram-se os grandes conjuntos culturais neolíticos que, dos vales do Tigre, Eufrates e Jordão e da Anatólia, se difundiram em direção à Europa Central e Ocidental. As grandes conquistas culturais conseguidas com a chegada do Neolítico trouxeram consigo um grande desenvolvimento para os povoadores da bacia do Mediterrâneo Oriental e dos vales mesopotâmicos. Proliferaram aldeias de agricultores e, mais tarde, de artesãos e mercadores (Muallafat, Hassuna, Sialk, Ras Shamra, Halaf), que num curto espaço de tempo se tornaram grandes centros urbanos e focos de difusão cultural. A descoberta e a utilização dos metais, primeiro o cobre e depois o bronze e o ouro, deram vigor às civilizações do Próximo e Médio Oriente. No Extremo Oriente, a revolução neolítica nasceu na bacia do Amarelo, deu origem a culturas como a de Yangshao e estendeu-se em primeiro lugar para a Manchúria e posteriormente para a Indochina. História antigaA possível etimologia da palavra Ásia é a de uma palavra assíria que significa "Oriente". Utilizada por fenícios, gregos e romanos, tinha um sentido cardeal e não designava um grupo de países determinado. Em princípio, a palavra era usada apenas para se referir à península da Anatólia, posteriormente denominada a Ásia Menor. Lentamente, o seu âmbito de aplicação foi-se expandindo das costas do Mediterrâneo para o E, até ao oceano Pacífico. Na Ásia surgiram algumas das principais civilizações monumentais situadas nas três grandes bacias fluviais: na Mesopotâmia, onde correm o Tigre e o Eufrates; na bacia do Indo, no Noroeste da Índia; e no delta do Amarelo, na China Setentrional. Estes três centros de irradiação da civilização, após diferentes processos evolutivos, teriam dado lugar ao nascimento de três grandes unidades histórico-culturais, destinadas a não perder a sua identidades até aos nossos dias e consolidadas já em meados do I milênio a.C.: a Pérsia, a Índia e a China. No Próximo Oriente, provavelmente a partir dos últimos séculos do IV milênio a.C., desenvolveram-se alguns centros populacionais que dariam vida a civilizações de grande complexidade e que se foram sucedendo umas às outras convivendo, substituindo-se ou assimilando-se: sumérios, acadianos, babilônios, hititas, hurritas, fenícios, hebreus, etc. Trata-se de civilizações distintas entre si, mas todas elas caracterizadas pela criação de obras arquitetônicas monumentais, organizações políticas e sociais complexas, uma agricultura avançada juntamente com outras formas de produção. Já no I milênio a.C., organizaram-se grandes impérios que ampliaram as suas fronteiras para o Egito e o golfo Pérsico: o assírio (sécs. XIII-VI a.C.); para o Indo e os mares Negro, Egeu e Cáspio, como o Império Persa (sécs. VI-IV a.C.), fundado por Ciro o Grande; ou o de Alexandre Magno (séc. IV a.C.). Os domínios do Império Romano (sécs. I a.C.-IV d.C.) na Ásia ficaram limitados basicamente à Anatólia, Síria, Palestina e parte da Arábia. Mais para o E, na bacia do Indo, o primeiro testemunho de civilização são as culturas de Harappa e de Mohenjo-Daro, formadas entre o III e o II milênios a.C. por populações com as quais hipoteticamente o mundo sumério manteve relações. Esta cultura, que juntamente com a das duas cidades anteriores oferece uma exemplar organização urbana, foi abandonada aproximadamente em meados do milênio pela migração dos ários. Num milênio, este povo estendeu-se pelas regiões setentrionais do subcontinente indiano, pelos vales do Indo e do Ganges, enquanto que, mais ao S, se desenvolveram os centros populacionais dravídicos. Finalmente, a difusão da civilização ariana chegou até estas populações dravídicas, embora os ários tenham também recebido deles fortes influências. O séc. III a.C. esteve marcado pela hegemonia da dinastia Maurya (sécs. IV-II a.C.). O soberano mais importante, Ashoka (274-232 a.C.) uniu o seu nome ao budismo. No séc. IV a.C. a dinastia dos Gupta (sécs. IV-VI d.C.) efetuou uma nova unificação política que pode ser considerada a primeira e última no hinduísmo. No Extremo Oriente, por volta do séc. XXI a.C., os Xia Xia fundaram a primeira dinastia da história da China, seguida pela dinastia Shang, que durou uns 600 anos (sécs. XVIII-XII a.C.). Em começos do I milênio a.C. foi substituída por uma população estabelecida na fronteira criadora da dinastia Zhou, que perdurou quase até a nossa era. Entre os sécs. VI-V a.C., na figura de Confúcio cristalizou o longo processo de formação da civilização chinesa (confucianismo). Enquanto o budismo criava raízes e se difundia, a cultura chinesa impregnava os países limítrofes: a Coreia, o Japão e o Vietnam. Aos Zhou seguiu-se, no séc. III a.C., a dinastia Qin, e a esta, a partir do séc. II, a Han, cuja vida quatro vezes centenária permitiu consolidar a unidade interna da China, conter as incursões nômades do N e estender a sua influência pela Ásia Central. Posteriormente, esta unidade sofreu um eclipse de quatro séculos.
Ásia Punhal de bronze da dinastia chinesa Shang, 1760-1123 a.C. (Museu Cernuschi, Paris, França)
A expansão do Islã e dos mongóis A história da Ásia Ocidental, marcada pela contraposição entre gregos e persas, romanos e partos, e por ser o espaço que viu nascer o cristianismo, sofreria uma mudança radical no séc. VII com a aparição do Islã, que alterou o perfil cultural da zona. Em todos os países árabes, o povo de Maomé transmitiu uma nova religião que foi difundida através da expansão do Império Omíada. Com a invasão árabe do Império dos Sassânidas, o domínio persa caiu sob a influência do Islã. Em princípios do séc. VIII, apareceram na Índia os primeiros maometanos que se enfrentaram com os hindus, nascendo o conflito que perdura até a atualidade. O Império Bizantino retrocedeu perante a pressão islâmica, embora conservasse a Ásia Menor durante mais cinco séculos. Os Abássidas (sécs. VIII-X) herdaram parte do Império Omíada e constituíram a capital em Bagdá. No séc. XI, os Seljúcidas, de origem turcomana e convertidos ao Islã, ocuparam o Império Abássida e empurraram os bizantinos para o extremo ocidental da Anatólia. Na Terra Santa, o confronto entre o mundo cristão e o Islã manifestou-se no conflito das cruzadas (sécs. XI-XII). Entretanto difundia-se a cultura hindu pelas regiões da Indochina e da Insulíndia. Na Indochina, a ordem histórica e étnica atual foi-se elaborando no I milênio da nossa era, quando diversas populações se instalaram no S, das quais são herdeiros os cambojanos ( khmer) e mon. Os povos chegados do N eram o birmanês, que se fixou nas bacias do Irrawaddy e do Salween, o tai, que lentamente conquistou as bacias do Chao Phraya e do Mekong, e o vietnamês, que ocupou as costas orientais da Indochina. Durante o séc. XIII, a Ásia conheceu a conquista dos mongóis levada a cabo por Gengis Kan (1162-1227) e os seus sucessores, que repartiram entre si o imenso Império Mongol, dividido em canatos. Ao O, o canato da Horda de Ouro dominou ou fustigou os territórios eslavos e húngaros da Europa Oriental (sécs. XIII-XIV). No Extremo Oriente, em pouco mais de meio século, os mongóis conquistaram a China, onde fundaram a dinastia Yuan (sécs. XIII-XIV), e em finais do séc. XIII, após ter fracassado uma tentativa de invasão do Japão, irromperam na Indochina. Na Ásia Central e do SO, os mongóis impuseram-se sobre os selêucidas, mas islamizaram-se e fundiram-se com as culturas turca e persa. Fruto desta fusão foi o aparecimento, em finais do séc. XIV, do Império de Timur Lang, que dominou um vasto território do Indo até ao Eufrates, chegando a vencer os otomanos em Ankara, mas não sobreviveu à morte do seu fundador, em 1405. Descendente de Timur Lang, a dinastia Mogol dominou a Índia de 1526 até 1857, no que foi a última herança do domínio mongol sobre quase metade do continente asiático. Na Anatólia Ocidental floresceu, desde finais do séc. XIII, o Império Otomano, que, num século e meio, liquidou o Império Bizantino e, em meados do séc. XVI, dominava já os Balcãs, o N da África, a Mesopotâmia e a periferia da península da Arábia. Na China, a dinastia Ming (sécs. XIV-XVII) restaurou o equilíbrio e a prosperidade perdidos com a invasão dos mongóis e empreendeu grandes expedições marítimas pelas costas sul-asiáticas e africanas, interrompidas bruscamente em 1433, décadas antes de os portugueses traçarem as primeiras rotas europeias em direção à Ásia.A expansão europeia e japonesaNos últimos anos do séc. XV iniciaram-se as grandes explorações geográficas portuguesas e espanholas. Os navegadores portugueses sulcaram os mares para evitar o bloqueio islâmico da rota das especiarias e disputar assim o seu monopólio. Em princípios do séc. XVI, apoderaram-se de várias cidades da costa da Índia (Goa, Calicut), no Ceilão, em Malaca e em algumas ilhas da Insulíndia, e ocuparam a ilha chinesa de Macau. Os espanhóis apoderaram-se do arquipélago que denominaram Filipinas, a partir de 1565. Os holandeses implantaram-se, em começos do séc. XVII, na Insulíndia, em alguns portos da Índia e do Ceilão, rivalizando com os portugueses, e em Taiwan. A Índia, sem unidade política, em meados do séc. XVIII, seria disputada por franceses e britânicos e foi sendo cedida de forma gradual até cair em poder britânico, com exceção de Goa, Daman e Diu, colônias portuguesas (1510-1961), e Pondicherry, em mãos francesas (1674-1956). No séc. XIX, o Império Britânico consolidou o seu domínio sobre a Índia, Birmânia, Cingapura, parte da Insulíndia e alguns enclaves chineses, como Hong Kong (1842-1999), enquanto a França empreendeu a conquista da Indochina em 1859. Ambas as potências, após a desintegração do Império Otomano, repartiram entre si o controle do Oriente Médio. Paralelamente à colonização do S e SE asiáticos por parte dos impérios da Europa Ocidental, o Império Russo foi-se expandindo por toda a Ásia Setentrional durante os sécs. XVI-XVII e colonizou a Ásia Central no séc. XIX. Nesse século, o colonialismo direto ou indireto seria o destino de todo o continente, exceto do Japão, que se modernizou e se tornou num império capaz de rivalizar com as potências ocidentais e de vencê-las, como o demonstrou na Guerra Russo-Japonesa, que travou a expansão russa no Extremo Oriente. Também os EUA estariam presentes, depois de retirarem à Espanha o controle das Filipinas (1898). Na China, a dinastia dos Qing (1644-1912), de origem manchu, após um período de esplendor e de grande expansão do Império durante o séc. XVIII, foi incapaz de evitar o colapso e entrou numa profunda crise que foi aproveitada pelas potências ocidentais e pelo Japão para imporem tratados abusivos muito desfavoráveis para a economia chinesa (Guerras do Ópio). Após a sua vitória nas guerras sino-japonesas em finais do séc. XIX, o Japão anexou as províncias chinesas da Coreia e de Taiwan, iniciando assim o expansionismo imperialista que culminaria com a invasão da Manchúria e do NE da China na década de 1930.
Ásia Mapa do séc. XVII, provavelmente do Atlas de J. Blaeu (Museu Naval, Rotterdam, Países Baixos)
A Ásia após a II Guerra MundialA II Guerra Mundial teve no Extremo Oriente um dos seus principais cenários, onde o Império Japonês enfrentou o Império Britânico, os EUA e a URSS. O fim da hegemonia japonesa coincidiu com o início da descolonização da Ásia, que originou a independência da maior parte dos países asiáticos durante as décadas de 1940 e 1950. Alguns processos de emancipação foram acompanhados por conflitos entre comunidades que derivaram em guerras civis ou em secessões, como a da Índia, que se dividiu num grande Estado de maioria hindu e dois Estados muçulmanos (Paquistão e Bangladesh), apesar da disputa pelo controle de Cachemir vir a tornar-se num conflito permanente. Sob a influência da URSS, instauraram-se regimes comunistas na China (Revolução chinesa) e em outros países do E asiático, alguns dos quais foram cenário dos principais conflitos da Guerra Fria, como a Guerra da Coreia (1950-1953), cujo saldo foi a divisão do território em dois Estados, um comunista e outro capitalista, ou a Guerra do Vietnam (1954-1975). O intervencionismo soviético culminou na invasão do Afeganistão (1979-1989), com a qual Moscou pretendeu apoiar o Governo comunista de Cabul, fato que provocou uma dura resistência por parte de diversas facções guerrilheiras, entre as quais adquiriram um grande protagonismo os talibãs, islamitas radicais. O ressurgimento do islamismo também marcou a descolonização no Próximo Oriente, em sintonia com o auge do pan-arabismo que se desenvolveu nas Guerras israelo-árabes, desencadeadas após a criação do Estado de Israel, em 1948. A revolução islâmica do Irã (1979) pôs fim à Pérsia ocidentalizada. Paralelamente, as grandes jazidas petrolíferas da zona têm sido a causa de numerosos conflitos, como a Guerra Irã-Iraque (1980-1988) ou a invasão do Kuwait por parte do Iraque (1990), que provocaria a Guerra do Golfo (1991). À margem de qualquer conflito armado, o Japão foi-se afirmando como uma grande potência capaz de influenciar o equilíbrio econômico mundial, seguido pelos chamados tigres asiáticos (Taiwan, a República da Coreia, Hong Kong, Cingapura, etc.).A Ásia a partir da década de 1990Em 1991, a desintegração da URSS deu lugar ao nascimento de uma série de novos Estados na Ásia Central (Usbequistão, Turcomenistão, Quirguisistão, Casaquistão, Tadjiquistão) e no Cáucaso (Geórgia, Armênia e Azerbaijão), muitos deles imersos em conflitos regionais. Era o fim da Guerra Fria, embora ainda se mantivessem alguns regimes comunistas, como o da República Democrática Popular da Coreia, cujo isolamento arruinou o país, ou outros, como o do Vietnam e o da China, que empreenderam processos de abertura à economia capitalista. No Oriente Médio, o conflito palestino continua a desestabilizar as relações entre Israel e os países árabes. O Iraque, apesar da sua derrota na Guerra do Golfo, mantém-se como um outro foco de instabilidade na zona, fato aproveitado pelos EUA para reforçar a sua presença na região, uma presença que se consolidou na guerra contra o regime talibã do Afeganistão (2001-2002), instigada pelos EUA e os seus aliados ocidentais, ao demonstrarem as ligações do Governo de Cabul com os autores dos atentados em Nova York e Washington em setembro de 2001, e na guerra contra o Iraque (2003), instigada pelos EUA, que acabou com o regime de Saddam Hussein. Outros conflitos locais perduram, como o contencioso indo-paquistanês por Cachemir, ou o confronto latente entre as duas Coreias. Por outro lado, a consolidação da democracia em países anteriormente submetidos a ditaduras, como é o caso das Filipinas ou da Indonésia, vê-se travada pelos graves problemas de desenvolvimento econômico e pelos conflitos entre religiões, como as reivindicações dos muçulmanos da ilha filipina de Mindanao, ou entre etnias, como o que culminou com a independência de Timor-Leste (2002).

Subir