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EV
árabe
adj. 2 gên. Relativo ou pertencente à Arábia. Antropologia cultural. adj. 2 gên. Relativo aos povos de língua árabe e origem semita que atualmente habitam o norte da África, a península Arábica, Síria e Iraque. s. 2 gên. Natural ou habitante da Arábia. Linguística. s. m. Língua semítica falada pelos habitantes da Arábia e por outros povos muçulmanos.
Linguística. O árabe – a língua semítica com o maior número de falantes – foi elevada a língua literária através da poesia pré-islâmica e do Alcorão. Trata-se do árabe clássico, mais precisamente definido como o árabe setentrional. Contudo, o árabe meridional que data aproximadamente de 1000 a.C. está praticamente extinto. O árabe é originário da Arábia Central, mas, ao tornar-se o veículo de propagação do Islã, da nova fé religiosa, a difusão do árabe foi muito além dos confins da Arábia e cobriu toda a região da África Setentrional e Marrocos, chegando também à Península Ibérica. O árabe escrito sofreu muito poucas alterações e, devido ao seu caráter estático, é atualmente uma língua extremamente unitária. Contudo, a língua escrita é muito diferente da língua falada, que ao longo do tempo foi fragmentada em diversos dialetos regionais. Devido ao seu caráter estático, aos seus traços arcaicos e à abundância de documentação, o árabe é uma língua de grande valor e utilidade para o estudo histórico das línguas semíticas.O alfabeto árabe deriva do nabateu e é escrito da direita para a esquerda. Apenas se registram as consoantes e as semiconsoantes. Quanto às vogais, são usados no Alcorão e em algumas edições de textos antigos os símbolos diacríticos. O alfabeto árabe também foi adaptado para escrever o persa, o urdu e, até há poucas décadas, o turco.
O alfabeto árabe

HistóriaDas origens ao colonialismoO nome árabe, surgido por volta do séc. IX a.C., significava nômade e referia-se a povos da Península Arábica. Estes emigraram para a Mesopotâmia (ou corredor sírio-palestino) e caracterizavam-se por utilizarem a língua semítica e por estarem habituados à vida sedentária. Já os hebreus distinguiam, no início do milênio I a.C., os árabes nômades do norte e do centro dos mais civilizados e, frequentemente, sedentários da Arábia Meridional, onde tinham desenvolvido reinos prósperos. Alguns séculos depois (séc. VII d.C.), Maomé impôs, através da religião e do movimento islâmico que ele mesmo fundou, uma unidade política e religiosa que os seus sucessores (califas) tentaram conservar ( Islã). Foi o segundo califa, Omar ibn al-Katt, quem conseguiu criar um grande império ao estender o seu domínio, em pouco mais de uma década (634-646), da Líbia à meseta iraniana, vencendo os bizantinos e os persas. As conquistas prosseguidas pelos califas Osmam e Ali ibn Abi conduziram o domínio árabe até os confins da Índia, Tunísia e Núbia, embora tenham aumentado as discórdias entre eles. Com o califado dos Omíadas (661-750), a zona islâmica estendeu-se à Ásia Central, ao longo de toda a África Setentrional e até a Península Ibérica, ao mesmo tempo que o fator religioso abria espaço às necessidades que surgiam da organização de um absolutismo sólido. Até esse momento, o elemento árabe predominou no governo, no exército e na administração, mas essa supremacia não tardou a ver-se ameaçada pelos povos islamizados, geralmente mais cultos. Com a chegada dos abássidas e a transferência da capital Damasco para Bagdá, a cultura transformou-se em árabe-islamítica e, depois de algum tempo, o Império Muçulmano alcançado pelos califas omíadas ficou reduzido a um simples mosaico de Estados que, em determinadas alturas, se confrontavam. A partir do séc. IX os valores culturais tipicamente árabes cruzaram-se com civilizações diversas, através das conquistas, como foi o caso dos omíadas em Al- Andalus. A crise do mundo árabe estendeu-se até o fim do período medieval, momento em que a supremacia política e militar passara para o domínio turco. No séc. XII o curdo Saladino reuniu em um império ainda formalmente árabe o Egito, a Síria, a Mesopotâmia e a República Árabe do Iêmen. No séc. XIII esse império caiu nas mãos do regime dos turcos pretorianos, os mamelucos, seguidos pelos otomanos, nas primeiras décadas do séc. XVI, que conquistaram as terras árabes da Ásia. Primeiro, Síria (1516) e Hijaz, depois Iraque (1534) e República Árabe do Iêmen passaram a fazer parte do enorme Império Otomano. Nesses séculos de decadência o único movimento verdadeiramente árabe foi o aparecimento dos wahabitas, um fenômeno religioso nas suas origens, unido ao desejo de uma reforma do Islã que lhe devolvesse a sua pureza primitiva e que se converteu no impulso para retomar a expansão beduína, autenticamente árabe. Entre os sécs. XVIII e XIX os wahabitas, sob o comando dos Ibn Saud, emires do Néguev, expandiram a sua influência ao Hijaz e ameaçaram a Síria e o Iraque, até que em 1818 foram atacados por Mohamed Ali e obrigados a refugiar-se nos desertos da Arábia. Perdida a oportunidade wahhabita, o renascimento árabe deu-se sob outro signo, através da penetração cultural, política e econômica do Ocidente. Nesse aspecto, a zona sírio-libanesa revelou-se muito receptiva. Então, algumas igrejas cristãs independentes haviam sido atraídas à esfera de ação de Roma, durante os sécs. XVII e XVIII. Os contatos mais estreitos com a Europa permitiram, por volta de 1840, uma profunda renovação cultural à qual não foi alheia a ocupação da Síria ao longo da década precedente, por parte de um Egito que, sob o impulso de Mohamed Ali, dirigia uma tentativa audaciosa de modernização e promovia uma política favorável aos árabes. Desde o fim do séc. XIX, a ação árabe limitou-se, principalmente, ao campo cultural, dedicado à exaltação da enorme tradição literária e à redescoberta do passado glorioso, e só depois de 1870 as inquietações políticas e religiosas ocuparam o primeiro plano. Naquele período, a elite cultural quase exclusivamente cristã, impulsionadora do primeiro ressurgimento árabe, teve de abrir espaço a um movimento nacionalista que se havia alargado aos âmbitos muçulmanos, quase sempre em difícil simbiose com o reformismo islâmico.Da época colonial às independênciasA I Guerra Mundial significou uma importante mudança na história árabe: o fim do domínio turco, que teve a contribuição da rebelião árabe liderada por Hussain ibn Ali e que parece ter coincidido com a criação do reino árabe da Síria sob o domínio do segundo filho de Hussain, Faisal (1920). Mas a lógica do imperialismo ocidental, que durante o séc. XIX já havia assaltado os territórios árabes, pôs fim a essas esperanças. As duas maiores potências europeias repartiram entre si, sob a cobertura dos mandatos da Sociedade das Nações, os territórios perdidos pelos turcos fora da Península Arábica. Líbano e Síria foram para França, Iraque e Palestina (destinada a ser sede de um centro nacional hebreu) para o Reino Unido. Só a Península Arábica, palco das operações de Ibn Saud I que culminaram com a criação da Arábia Saudita (1932), conseguiu escapar ao domínio imperialista. A II Guerra Mundial pôs em crise a ordem desejada pelos colonialistas. Síria e Líbano obtiveram a independência total (1943). Perfilou-se também, em parte como reação ao divide et impera imperialista, um movimento pan-árabe que levou em 1945 ao nascimento da Liga Árabe. Mas a Liga não estava em condições de oferecer os instrumentos necessários para se ultrapassarem as rivalidades que dividiam o mundo árabe. O nascimento de Israel em 1948, favorecido pela falta de solidaridade entre os árabes, precipitou a transferência da direção política dos Estados árabes das mãos das oligarquias dominantes para a pequena burguesia, por vezes representada ou apoiada pela hierarquia militar. A revolução egípcia significou, especialmente depois da nacionalização de Suez, a culminação dessa tendência: a fé nas evoluções que podiam ser asseguradas por uma ideologia pan-árabe progressista foi rapidamente difundida. Mas os altos e baixos da união da Síria com o Egito (1958-1961) e a revolução iraquiana (1958) amenizaram o entusiasmo. Em 1963 o fracasso da tentativa de criação de uma federação a três – Egito, Síria e Iraque – fechou o capítulo dos sonhos pan-árabes, da mesma forma que a frente unitária contra Israel se viu comprometida pelas vicissitudes da guerra civil iemenita, que terminou em 1970. Assim, quando em 1967 o Estado hebreu lançou a sua guerra-relâmpago contra a República Árabe Unida (RAU), Jordânia e Síria, a vitória israelense viu-se facilitada pelas discrepâncias que minavam a comunidade árabe (guerras israelo-árabes). As tentativas falhadas para dar uma resposta comum e eficaz à presença israelense em muitos territórios árabes alimentaram, por um lado, o fenômeno da resistência palestina liderada pela Organização para a Libertação de Palestina (OLP) e, por outro, favoreceram uma convenção limitada entre os países progressistas mais diretamente interessados no conflito com Israel. Os acontecimentos posteriores à guerra árabe-israelense de 1973 constituíram, apesar das suas aparentes contradições, a prova definitiva de que, ultrapassadas as diferenças ideológicas, o mundo árabe estava unido na defesa do povo palestino. Em 1974 a conferência de Rabat reconheceu a OLP como único representante dos interesses palestinos, admitindo o seu esforço, mesmo em nível internacional. Mas a frente de solidariedade árabe entrou rapidamente em crise, sobretudo com a intensificação das diferenças entre a Líbia e o Egito, com o início da guerra civil no Líbano e com a intervenção da Síria em 1976, mais tarde aprovada pela Liga Árabe.A caminho da coexistência com IsraelO fator decisivo que ameaçou o equilíbrio de todo o mundo árabe foi a ação do egípcio Sadat, que no final de 1977 visitou Jerusalém para propor a paz ao governo israelense, o que foi interpretado como uma tentativa, por parte do Egito, de desentendimento com os palestinos. O plano de Sadat, apoiado pelos EUA, concretizou-se nos acordos de Camp David entre os presidentes egípcio, israelense, Menahem Begin, dos EUA, Jimmy Carter, e que conduziram ao tratado de paz egípcio-israelense de Washington (26 de março de 1979). Nos anos de 1980, a longa guerra Irã-Iraque, que custou mais de um milhão de vidas, justificou a ruptura entre os Estados árabes (com Líbia, Síria e Iêmen do Sul a favor dos iranianos), o que levou à constituição, por parte dos países petrolíferos do Golfo de tendência moderada, de um Conselho para a Cooperação destinado a garantir a defesa dos interesses comerciais comuns. A anexação dos Montes Golam (1981) e a ocupação do sul do Líbano (operação "paz na Galileia" em 1982) por parte do Estado israelense provocaram uma grave crise internacional. Apesar da existência de um contexto inicial de terrorismo difuso e de confrontos sangrentos entre facções (inclusive do mesmo lado muçulmano), depois do começo de conversações para a reconciliação nacional em março de 1984 e com a retirada dos israelitas, na segunda metade da década, a situação no Líbano foi-se estabilizando com o crescente controle territorial e político do exército sírio e dos grupos islâmicos aliados. A OLP, perseguida desde 1983 pelos israelitas e envolvida em duras lutas internas promovidas pela Síria através dos grupos mais intransigentes, teve em 1987 um relançamento político relacionado com a manifestação da Intifada. Trata-se de um longo protesto popular, protagonizado pelos habitantes dos territórios palestinos ocupados: entre setembro e dezembro de 1988 o reconhecimento da sua existência por parte de Israel e a proclamação de um Estado palestino (depois da ruptura da aliança administrativa entre Cisjordânia e Amã) favoreceram o início dos contatos com os EUA para a resolução da questão do Oriente Médio, interrompidos em seguida por uma série de atentados terroristas. A essa difícil situação acrescentou-se a chamada crise do Golfo Pérsico, determinada pela invasão iraquiana do Kuwait, em agosto de 1990, que, depois da intervenção estadunidense e da presença das suas tropas nos territórios sagrados do Islã durante a chamada guerra do Golfo, abriu uma distância significativa entre os países islâmicos. Depois da guerra do Golfo, e graças à intervenção dos EUA, seguiu-se a abertura de uma conferência de paz, em Madri, em outubro de 1991. Apesar das lentas conversações e das sérias dificuldades para se chegar a um entendimento entre Israel e Síria, as longas negociações conduziram a uma primeira saída, concretizada no acordo assinado no Cairo, em 1994, entre Rabin e Arafat para o autogoverno palestino de Gaza, em Jericó. O processo de paz foi travado pela nova Intifada de setembro de 2000. As guerras contra o Afeganistão (2001) e o Iraque (2003), em resposta aos atentados de setembro de 2001 em Nova York e Washington, vieram evidenciar os problemas que o fundamentalismo islâmico representa para a comunidade do Islã. Desde o começo da segunda Intifada, a sistemática ocupação israelense de várias zonas de Cisjordânia e Gaza, como reação aos atentados suicidas palestinos, aumentou a crise no Oriente Médio.
LiteraturaA época pré-islâmicaOs primeiros exemplos de produção literária são composições poéticas do séc. VI. A poesia da Jahiliyyah, isto é, do paganismo, como será denominada depois dessa época, elevou a língua árabe à categoria de língua literária e a sua maturidade artística pressupõe uma evolução da qual não se conservam testemunhos. A primeira personalidade histórica é Imru al-Qays (séc. VI), autor de uma das sete odes douradas (muallaqat) reunidas pelo rapsodo Hammad al-Rawiya. Tarafa, Antara ibn Shaddad, Labid ibn Rabia e Zuhayr ibn Abi Sulma são também nomes que se evidenciam neste período. Entre o grupo dos poetas salik (plural de suluk, ladrão), bandidos das respectivas tribos que se entregaram ao assalto e ao roubo, destacam-se Urwa ibn al-Ward, Taabbata Sharran e Sanfara. Juntamente com os poetas beduínos, devem citar-se poetas como Maymun ibn Qays e o cristão Adi ibn Zayd. Também se destacam a poetisa al-Jansa e Umayya ibn Abu-s-Salt. Na prosa da época pré-islâmica evidencia-se o gênero da oratória. No entanto, o primeiro monumento autêntico em prosa árabe é o Alcorão, fundamental não só como código religioso e fonte do direito islâmico, mas também como obra literária.A época de Maomé e dos omíadasNa poesia, a pregação de Maomé não conduziu a uma ruptura com as concepções anteriores, tendo-se mantido os temas e esquemas da época pagã. O Profeta converteu-se num alvo constante de elogios, mas a estrutura da qasida manteve-se, substancialmente. Embora Maomé tivesse cantores oficiais, a mais bela ode em louvor de Maomé deve-se a um pagão: Kab ibn Zuhayr. Poetas guerreiros foram Amr ibn Madikarib, Abu Mihgan e Abu Dhuayb, que representaram a experiência direta das batalhas. O nascimento de uma poesia amorosa e báquica chega através do califa Walid II. Também se destacam Gamil e Nusayb como inovadores na poesia amorosa. Se nestes poetas beduínos o amor é condição de vida, Omar ibn Abi Rabia (m. 720), que vivia na cidade, transforma o espírito irônico e galanteador em uma agradável aventura. A fértil historiografia islâmica começou nesse momento, sob a forma de hadit (breve relato canônico), na sua maioria sobre a vida do Profeta e dos seus primeiros companheiros. De uma longa série de hadit era constituída a História Geral dos Árabes de Ibn Ishaq.O período abássidaOs cinco séculos (750-1258) de domínio dos abássidas foram, para a cultura árabe-islamítica, o período de máximo esplendor (na segunda metade do séc. IX e no séc. X). No final do séc. VIII surgiu no Iraque a "escola moderna", que contribuiu para a libertação da poesia da artificialidade estrutural da qasida beduína. O líder desse novo rumo foi o iraniano Abu Nuwas, um libertino genial da Corte de Harun ar-Rashid, que cantou, fundamentalmente, o amor efebo. Dignos de referência são o asceta Abu-I-Atahiya e os poetas de amor Muslim ibn al-Walid e Abbas ibn al-Ahnaf. No fim do séc. IX começou a restauração "neoclássica", que provocou um retorno à qasida como forma poética predominante. No séc. IX surgem o pessimista Ibn ar-Rumi, de origem grega, o refinado Ibn al-Mutaz, príncipe abássida e califa por um dia, Abu Tammam, al-Buhturi, al-Mutanabbi e Abu-I-Ala al Maarri. Em países como Espanha, a poesia desenvolveu características particulares ( andaluz). Em Portugal, a cidade de Silves, que já tinha sido o polo dinamizador da poesia árabe-andaluz, chegou a ser chamada a "Bagdá do Ocidente". Também a prosa árabe alcançou neste período a maturidade plena. Juntamente com a prosa científica, surgiu o adab, que é prosa artística no sentido restrito da palavra. Destacaram-se então Ibn al-Muqaffa, tradutor para o árabe de Calila e Dimna, Al-Gahiz, at-Tawhidi e at-Tanukhi. A maior parte da produção em prosa deste período chegou-nos sob a forma de antologias de filólogos e gramáticos como O Livro das Canções de Abu-l-Farag al-Isfahani. No gênero da maqama destacaram-se al-Hamadani e al-Hariri.
Literatura árabe Página do Maqamat, sécs. XI-XII, por al-Hariri (Biblioteca Nacional da Áustria, Viena)
A decadênciaO período compreendido entre os sécs. XIII-XIX marcou uma crise profunda. Turcos e persas abandonaram o árabe para utilizar os seus próprios idiomas. A literatura dessa época torna-se impessoal e predominam as recompilações e enciclopédias. Na poesia dominou a tendência neoclássica, imitaram-se os antigos poemas e a falta de inspiração ocultou-se sob formas rebuscadas. A cultura transformou-se em simples erudição, o adab tornou-se comentário gramatical e filológico do material precedente. Contudo, no campo da prosa literária é interessante a tentativa do médico egípcio ibn Daniyal de transferir para a forma literária os argumentos do popular teatro de sombras. Entre os historiadores encontra-se a personalidade de maior relevo e originalidade da literatura árabe dessa época: o tunisino ibn Jaldún. Nesse período, porém, desenvolveu-se a narrativa popular sob a forma de romances de cavalarias e livros de contos, que teve o seu ponto culminante, no final do séc. XV, na obra mais universal da literatura árabe: As Mil e Uma Noites.
Árabe Página do Alcorão da escola de Yakurt o Musta'simi, sécs. XII-XIII (Museu de Arte Islâmico, Cairo, Egito)
O RenascimentoDesde a segunda metade do séc. XIX, os contatos com o Ocidente contribuíram majoritariamente para o renascimento da cultura árabe. A prosa árabe renovou-se: o léxico foi simplificado e criou-se um considerável número de neologismos. No início do séc. XX, exilados libaneses nos EUA como Amin ar-Rihani, Khalil Gibran e Nasib Arida renovaram os esquemas da poesia tradicional e introduziram composições mais livres. Contemporâneo dessa geração é o tunisino Abu-I-Qasim ash-Shabbi, a voz mais singular da literatura do Árabe Ocidental. Na década de 1950 surgiu no Iraque a poesia árabe que rompeu, definitivamente, com os esquemas da métrica quantitativa e na qual se destacaram Nazik al- Malaikah e Badr Shakir as-Sayyab. Comprometida com a sua situação política está a poesia palestina de resistência, que tem em Mahmud Darwish, Samih al-Qasim e Tawfiq Zayyad os seus mais interessantes cantores. Autênticos mestres da narrativa egípcia são os irmãos Mohamed Taymur e Mahmud Taymur, Abbas Mahmud al-Aqqad e o célebre Taha Husayn, aos quais se uniu depois a geração consolidada no pós-guerra: Yusuf as-Sibai, Abd ar-Rahman ash-Sharqawi, Yusuf Idris e, principalmente,Naguib Mahfouz, prêmio Nobel em 1988 ( Argélia), ( Egito), ( Iraque), ( Líbano), ( Marrocos), ( Síria), ( Sudão), ( Tunísia).
FilosofiaA expansão do Império Árabe fez do Islã um lugar de encontro de todas as culturas do Mediterrâneo, especialmente do Mediterrâneo oriental e meridional. Isto fez com que o pensamento árabe surgisse do cruzamento entre fontes de inspiração muito diferentes. Por um lado, como reação ao formalismo árido da aplicação política dos preceitos da obra Alcorão, surgiu uma corrente mística, o sufismo, que defendia a união do ser humano com Deus e o consequente abandono do amor próprio. A influência grega sentiu-se no desenvolvimento de um pensamento sobretudo filosófico, que, através do neoplatonismo, recolheu os textos de Aristóteles. Os principais pensadores que comentaram essas teses foram Avicena e Averróis. A esses elementos gregos acrescentam-se as heranças da antiga religião persa da Luz, tanto na irradiação da beleza divina dos sufis quanto na concepção de Deus como Luz que se difunde, obscurecendo-se no seu afastamento do centro.
CiênciaEntre os sécs. VIII e XI desenvolveu-se, no mundo islâmico, um movimento cultural que assimilou os conhecimentos das antigas civilizações e definiu as bases de grande parte da ciência ocidental. Fontes essenciais da ciência árabe foram os textos gregos, sobretudo depois da criação da escola de tradutores em Bagdá (832). Determinantes foram também os da Índia, principalmente os Siddhanta, textos astronômicos datados do século V e traduzidos para o árabe no ano 775.No campo da matemática, a influência da Índia fez-se sentir na adoção do sistema numérico posicional e no uso do zero, assim como num renovado interesse pela álgebra, que permitiu desenvolver a teoria das equações de segundo grau. Entre os cientistas de maior relevo encontram-se al-Jwarizmi (séc. IX) e Omar Hayyam (m. ca. 1123), que estabeleceram as bases de cálculo algébrico, assim como Abu I-Wafa (939-998) e Ibn Yunus (974-1009), a quem se deve a introdução à trigonometria. Na astronomia destaca-se o desenvolvimento de instrumentos científicos como o astrolábio, que permitiram realizar observações constantes. Na alquimia (o próprio termo tem origem árabe), destaca-se, especialmente, Geber (séc. IX-X), a quem se devem alguns desenvolvimentos teóricos próximos da química moderna. A medicina teve os maiores expoentes em Abulcasis (936-1013) e Avicena, enquanto na física experimental se destacaram Alhazen (965-1039), que se distinguiu no ramo da óptica, e al-Biruni (973-1048), que estudou a determinação dos pesos específicos.
MúsicaA tradição dos países árabes do Oriente Médio e do norte de África conservou-se durante milhares de anos, mantendo certas características distintivas da cultura árabe difundida pelo Islã e integrando influências posteriores. Neste conjunto integram-se os povos de religião não islâmica, assim como os povos árabes pré-islâmicos e outros de outras origens, tais como os turcos ou os persas. Os instrumentos mais utilizados na interpretação da música árabe são o 'ud, parente do alaúde europeu, o nay, uma flauta árabe feita de cana, e percussões com tambores como o derbuka e as pandeiretas. Nas celebrações ao ar livre tocam-se instrumentos de sopro de lingueta dupla de tamanhos diferentes, como o mijwiz libanês e o mizmar egípcio. O único instrumento cordófono norte-africano é o rebab de duas cordas, substituído recentemente de forma massiva pelo violino. A música vocal culta foi e é de importância primordial na música árabe devido ao seu vínculo intrínseco com a poesia. A teoria clássica da música árabe é desenvolvida nos textos de Ibn Misjah (séc. VIII), que viajou pela Pérsia e pela Síria, Ziryab e Al-Kindi (séc. IX), Al-Farabi (séc. X), Ibn Sina (Avicena, séc. XI), Safi ad-Din al-Mumin (séc. XIII) e Abd Qadir Ghaydi al-Maraghi (séc. XV), a maioria deles originária da Pérsia ou que trabalhou aí. Esta teoria sistematiza os tons e as melodias em um sistema de maqamat (plural de maqam) com base no qual se formam as composições. Se bem que existam variantes, o maqam pode ser definido como uma escala de sete notas dentro de uma oitava. O número de divisões de uma oitava varia consoante os momentos e os teóricos: 17, 22, 25, etc. Estas divisões juntam-se para formar intervalos de dimensões muito variáveis. Devido ao número reduzido destes intervalos básicos, consegue-se a afinação tão particular do sistema melódico árabe. A partir do séc. XIII elaboraram-se doze modos principais, sete dos quais têm nomes persas que, a partir do séc. XVIII, adotaram o nome de dastgah-ha (plural de dastgah). A partir do séc. IX, estruturou-se o ritmo em oito possíveis modos rítmicos, que até ao séc. XV, por influência turca, tinham chegado a ser 21. A improvisação, o taqsim, é a base da prática musical árabe. Entre os estilos interpretativos existem as denominadas nawba ou nuba, suítes vocais que estão documentadas já desde o séc. XVI e que deixaram de ser praticadas em meados do séc. XX, embora se continue a interpretar as suas seções. Os repertórios religiosos islâmicos de música clássica árabe incluem as entoações sobre textos do Corão, não consideradas estritamente música, podendo assim ser ouvidas na mesquita. Também fazem parte desta tradição os repertórios para as danças extáticas dos dervixes bailarinos da confraria Mawlawiyya, originários de Konya ( Turquia). No mundo árabe podem encontrar-se centenas de tradições folclóricas locais, algumas das quais com as marcas das práticas musicais dos povos com os quais a cultura árabe teve contato. Assim, considera-se que as ricas tradições de percussão dos Estados do golfo Pérsico são o resultado de um frequente contato com mercadores africanos. A tradição gnawa de Marrocos recebe este nome pelos escravos guineenses trazidos da África Ocidental. A música núbia do Egito mostra um sistema melódico próprio, que utiliza uma escala pentatônica e incorpora ritmos que a distinguem. Na Península Ibérica, a tradição árabe em contato com a tradição andaluza deu origem a novas formas musicais tais como a moaxaja e o zéjel. A expressão mais moderna e recente da música popular árabe, concretamente no Maghreb, é o raï, uma música que, com elementos do rock e influenciada mais tarde pela dance music, tem um importante papel na identidade dos jovens magrebinos. Entre os povos islâmicos, há ainda que se destacar a música que surgiu entre os grupos cristãos e judeus. No seio dos grupos cristãos estão os de ritual copta, na Etiópia, e os de outros rituais do Oriente Médio (maronita no Líbano e melquita na Síria e no Egito, que desenvolveram um estilo musical muito próximo dos já aqui referidos. Os judeus, em parte devido à diáspora, são detentores de uma música com uma grande variedade de estilos.
ArteA expressão "arte árabe" foi proposta, inicialmente, para definir as artes do Islã, mas foi rejeitada por ser considerada inadequada, já que nem todo o mundo islâmico é árabe. Atualmente, aplica-se ainda a manifestações que, em termos muito gerais, pertencem, sobretudo, aos países árabes (mesquita árabe) ou têm origem árabe (pintura árabe), mas, até nestes casos, os elementos árabes são indissociáveis do contributo e da influência estrangeira. Em um sentido restrito, a denominação de arte árabe corresponderia apenas à produção, mal conhecida, da Arábia pré-islâmica. As descobertas de extensas ruínas pertencentes a antigos templos e as inscrições em escrita tamúdea (do nome de uma antiga tribo de Egra, os tamud) encontradas recentemente obrigaram a rever a visão tradicional da Arábia pré-islâmica, considerada como uma região de pastores nômades e beligerantes, sem importância histórica. No entanto, em um sentido geral, é indiscutível o papel considerável que os árabes assumiram na formação da arte do Islã. Sob essa perspectiva a arte árabe apresentaria as suas continuidades e seria indissociável da expansão do Islã, na qual a cultura árabe e o Alcorão atuaram como veículos de unificação de uma área que ultrapassou as fronteiras do que, inicialmente, constituía o mundo árabe. Essa influência é visível na própria obra, o Alcorão, escrita em árabe, tal como na caligrafia árabe, elemento essencial da arte da decoração. Finalmente, no espírito abstrato da decoração geométrica e floral ( arabesco), assim como na arquitetura, onde a sua visão do mundo impôs certos símbolos que foram determinantes para o traçado e construção de determinados monumentos, aos quais conferiram características particulares.
Árabe Cúpula do Tesouro no pátio da mesquita maior ou aljama de Damasco, séc. VIII (Patrimônio da Humanidade, 1979)

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