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América
Continente (42.087.035 km2) que se estende entre o oceano Ártico ao N, o oceano Atlântico ao E, a Antártica ao S e o oceano Pacífico ao O. A América é formada por dois blocos continentais diferentes: o Norte-Atlântico (o da América do Norte) e o Gondwana (o da América do Sul) que ficaram unidos nos finais do Plioceno pela emersão do istmo do Panamá.
GeografiaGeomorfologia• América do Norte Apresenta uma estrutura bem definida, cujo elemento básico é o chamado escudo canadense, formado por rochas cristalinas, graníticas e esquísticas, cujo afloramento se verifica no setor oriental do Canadá, até a região dos Grandes Lagos. No setor sul-oriental do escudo justapõe-se, separado pela fossa tectônica do São Lourenço, o sistema montanhoso dos Apalaches que, com uma orientação geral de SO ao NE, ultrapassa excepcionalmente os 2.000 m de alt. nos montes Allegheny. Em volta deste sistema, estendem-se amplas superfícies aluviais de sopé que estão na origem da morfologia da costa atlântica. Na vertente oposta, os Apalaches que descem em direção a uma região plana, muito extensa, que constitui basicamente o prolongamento do escudo arqueozoico e forma as Grandes Planícies, cujo limite meridional é formado pela grande curvatura do golfo do México, testemunho da última regressão marinha continental, que descobriu os fundos marinhos mais baixos que deram origem à península da Flórida. Ao O das Grandes Planícies levantam-se as montanhas Rochosas, de orogênese cenozoica, cujos cumes mais elevados ultrapassam os 4.000 m de alt. e dominam características mesetas tabulares do centro-oeste estadunidense, erosionadas por impressionantes vales fluviais (Grand Canyon do Colorado). Na costa do Pacífico emerge a Cordilheira Costeira que orla toda a América do Norte de N ao S do Alasca à Califórnia e que se desenvolve paralelamente a um alinhamento montanhoso interior e elevado que culmina na Sierra Nevada (4.418 m no Mount Whitney). Para o N, as montanhas Rochosas formam no Alasca a seção montanhosa mais alta do subcontinente, com cotas superiores aos 5.000 m de alt. (McKinley, 6.194 m), e estendem-se finalmente pelo longo apêndice insular das Aleutas. Na direção S, os alinhamentos montanhosos prolongam-se, no México, no sistema formado pela Sierra Madre Ocidental e a Sierra Madre Oriental, orientadas para o S, encerrando placas rígidas deslocadas verticalmente que configuram uma altiplanície situada a cotas próximas dos 2.000 m. O nó orográfico do Centro do México (Anáhuac) é dominado por vulcões que se elevam acima dos 5.000 m de alt. (Orizaba, 5.700 m, Popocatépetl, 5.452 m), antepaís do istmo de Tehuantepec, onde se inicia a zona ístmica da América Central. As costas da América do Norte apresentam uma morfologia distinta nos seus diversos setores. No lado atlântico, dominado pelos Apalaches, o elemento mais relevante é a série de grandes estuários (baías de Hudson, Delaware, Chesapeake) resultantes de uma ingressão marinha pós-glaciária, que mais ao N deu origem aos arquipélagos canadenses. A enseada mais profunda é constituída pelo estuário do São Lourenço que se liga com o sistema hidrográfico dos Grandes Lagos. No Atlântico Setentrional, as costas são determinadas essencialmente pelas formas do escudo que, modeladas pela glaciação, apresentam contornos extremamente articulados e complexos, como os da baía de Baffin frente à costa O da Groenlândia. No golfo do México, dominado pelo grande delta do Mississippi, um dos mais extensos da Terra e em progressiva expansão, as costas são baixas, definidas morfologicamente pela ação do mar, que originou cordões arenosos ao longo de todo o perímetro da Flórida, nos EUA, e a costa oriental do México até a península de Yucatán. As costas do Pacífico, determinadas pela orientação das cadeias periféricas e as rupturas de continuidade que as caracterizam, originam a fragmentação insular e os braços de mar que separam as ilhas do subcontinente. Elemento singular da costa do Pacífico é a península da Califórnia, apêndice meridional da Cordilheira Costeira, que, juntamente com o golfo da Califórnia e as planícies costeiras de Sonora e Sinaloa, constituem os três acidentes naturais mais importantes do NO do México.
América O Grand Canyon, EUA
• América Central Representa estruturalmente a seção divisória e instável das duas grandes massas continentais, constituída pelas terras ístmicas e pelas ilhas situadas dentro de um amplo mar fechado, o mar do Caribe. A América ístmica encontra-se em um estádio geológico jovem, como o demonstram os alinhamentos vulcânicos existentes, sobretudo na orla do Pacífico, muitos dos quais dominam elevados planaltos (na Guatemala), bacias afundadas (na Nicarágua) ou zonas de fratura. A América Central insular está incluída na sua totalidade na bacia do Caribe, cujos fundos, variados e irregulares, revelam a mesma instabilidade estrutural do istmo. O vínculo entre istmo e ilhas encontra-se na continuidade geológica de algumas placas antigas, paleozoicas e pré-paleozoicas, situadas na zona ístmica e nas Grandes Antilhas. De resto, trata-se de terras jovens, formadas por rochas sedimentares mesozoicas e cenozoicas que emergiram a partir da crise orogênica do cenozoico, que deu origem ao relevo, que constituem a base de sustentação das Grandes Antilhas e que se prolongam nos arcos insulares das Pequenas Antilhas. A instabilidade da região insular é devida à atividade vulcânica (erupção, em 1902, do monte Pelée, na Martinica). Na área das Bahamas, após os arcos antilhanos que fecham o mar do Caribe, existem baixos fundos sedimentares que se ligam às planícies calcárias da Flórida.• América do Sul Em grandes traços, o subcontinente meridional repete a estrutura da América do Norte, com um grande sistema montanhoso, os Andes, que se desenvolve no setor ocidental para o S, depressões na zona central e maciços antigos no setor oriental. A parte baixa constitui o escudo guiano-brasileiro, cujas formações de estrutura cristalina afloram no planalto das Guianas e nos relevos que dominam a costa atlântica brasileira. Rígido e integrante também da massa principal é todo o setor oriental plano da América do Sul, que foi inundado pelo mar e coberto depois em épocas diversas pelos depósitos sedimentares de origem marinha e continental. As coberturas sedimentares são especialmente fortes nas terras baixas interiores dos Llanos do Orenoco, da Amazônia e da bacia do rio Paraná, onde as formações cenozoicas ficaram recobertas pelos aluviões recentes procedentes dos Andes. Esta zona da América do Sul, que é a mais extensa, apresenta linhas monótonas e horizontes abertos. Muito diferente é a região andina, dominada por uma cadeia montanhosa de mais de 7.500 km de comprimento, cuja conformação varia de N para o S. A cadeia é o resultado de uma série de paroxismos que vão do Cretáceo ao Cenozoico. A cordilheira dos Andes é constituída por uma série de cadeias paralelas que se estendem pelo NO do subcontinente (cordilheiras Oriental, Central e Ocidental e a serrania de Bandó) separadas por vales longitudinais, que encerram elevados planaltos, situados inclusive a 4.000 m de alt. No Equador, as cordilheiras Oriental e Central formam a cordilheira Real. No Peru e na Bolívia destacam-se as punas peruanas orladas de impressionantes cordilheiras como os Andes de Cajamarca e a cordilheira Blanca e de Huayhuash. As linhas mais elevadas dos Andes são constituídas por cadeias de rochas xísticas e metamórficas cristalinas no setor mais interior do sistema e por elevações vulcânicas na parte exterior que domina a vertente do Pacífico e as fossas oceânicas limítrofes, com profundidades que chegam aos 7.000 m. A atividade vulcânica que ainda se deixa sentir juntamente com um elevado nível sísmico faz da região andina uma área orogênica ainda não completamente assentada. Na zona do lago Titicaca, elevam-se algumas das montanhas mais altas do continente, como os sempre nevados Illampu (6.421 m) e Illimani (6.322 m). Ao S do Aconcágua (6.959 m), máxima elevação dos Andes, a cadeia adquire uma disposição mais unitária à medida que se vai estreitando a massa continental até o seu vértice austral. Na vertente interior, os Andes descem para terras mais baixas através de uma série de cadeias de menor altitude, de planaltos e planícies mais baixas que os rodeiam, como a da Patagônia, orlados por sua vez por sopés aluviais ou eólicos como o Grande Chaco. A configuração das costas reflete bem as características estruturais do subcontinente. As dominadas pelos planaltos são precedidas de estreitas planícies e de pequenos portos nelas existentes. As grandes aberturas do continente para o Atlântico estão relacionadas com as duas grandes saídas das planícies fluviais do Amazonas e do Paraná. No setor mais meridional da costa do Pacífico, as ingressões marinhas deram lugar à formação de ilhas, fiordes e canais (como o de Magalhães, entre o continente e a Terra do Fogo), que fazem lembrar paisagens semelhantes às das terras boreais. De resto, a costa do Pacífico, dominada pelos Andes, apresenta uma estreita faixa de planície aluvial que, em geral, dispõe de poucos portos.
América Glaciar da cordilheira andina de Darwin, na Terra do Fogo, Chile
HidrografiaNa América do Norte distinguem-se no mínimo quatro grandes bacias: a do Atlântico, que compreende os rios dos Apalaches e do escudo canadense, entre eles o São Lourenço; a do Ártico, cujo principal tributário é o Mackenzie; a do Pacífico, que recebe as águas da estreita e escarpada vertente exterior das montanhas Rochosas; e, finalmente, a bacia do golfo do México, onde deságua o sistema Mississippi-Missouri (cuja bacia, de mais de 3,3 milhões de km2, é uma das maiores da Terra) e o rio Bravo do Norte (ou Grande do Norte) que marca a fronteira entre os EUA e o México em grande parte do seu percurso. Um outro elemento hidrográfico relevante é o conjunto dos Grandes Lagos, entre o escudo canadense e os Apalaches, cuja origem se encontra vinculada à época da glaciação. Os cinco lagos (Superior, Michigan, Huron, Erie e Ontário) comunicam entre si através de breves emissários que superam os ligeiros desníveis existentes entre um e outro. Todos eles têm ainda um emissário comum, o São Lourenço, que, após uma série de cataratas, divididas mediante um sistema de eclusas, se torna uma importante via de transporte fluvial, ainda que gelada durante uma parte do ano. No panorama hidrográfico da América do Norte devem ser incluídos também os pequenos e grandes lagos de origem glaciar, que se situam no setor N do continente e permanecem gelados durante grande parte do inverno, assim como os lagos salgados do planalto mexicano. Na América Central, os rios são curtos e de regime irregular e a maioria deságua no mar do Caribe (entre outros, o Coco, o Patuca e o San Juan). Entre as bacias lacustres, importa destacar os lagos Nicarágua e Manágua, situados em uma ampla depressão da Nicarágua. Na América do Sul, grande parte dos cursos de água corre para o Atlântico, resultado da existência de grandes depressões centrais fechadas ao O pela barreira andina. O maior curso de água é o rio Amazonas, que drena na sua totalidade a grande planície compreendida entre os Andes e os maciços brasileiros e das Guianas. A sua bacia é a mais extensa do mundo, pouco menos de uma terça parte do total da superfície continental. O Amazonas é ainda o primeiro rio do mundo pelo seu caudal médio (200.000 m3/s na foz), alimentado pela elevada pluviosidade da faixa equatorial que atravessa. A divisória de águas do Amazonas é bastante frágil, sobretudo no N, face à bacia do Orenoco, que drena os Llanos, compreendidos entre o ramal dos Andes orientados para o Caribe e o planalto das Guianas, e ainda face à bacia do rio Paraná, segunda em extensão na América do Sul, que abrange o espaço compreendido entre os planaltos brasileiros e os Andes. Na parte final, o Paraná atravessa a grande depressão que lhe dá origem até ao grande estuário do rio da Prata, no qual deságua também o rio Uruguai. Na vertente O dos Andes, a hidrografia tem um desenvolvimento muito limitado, consequência do enorme desnível que os rios devem transpor em um curto percurso longitudinal, exceto no setor N, onde o rio Madalena formou uma extensa bacia ao longo dos vales andinos. Nos Andes, como resultado da existência de depressões tectônicas, existem muitas superfícies endorreicas, como a que dá origem ao lago Titicaca. As restantes, pelo seu clima semiárido, não chegam a criar verdadeiros lagos, mas extensas superfícies cobertas de sedimentos salinos.
América O rio Mississippi na sua passagem pela cidade de Natchez, no estado de Mississippi, EUA
ClimaO desenvolvimento latitudinal do continente americano implica que nele se encontrem representados todos os tipos de clima, embora a distribuição em ambos os subcontinentes não seja perfeitamente simétrica, dada a desigual repartição das terras emersas em relação ao equador.• América do Norte O clima da América do Norte varia em função da latitude e da configuração do território. A amplitude das superfícies continentais, encerradas por relevos periféricos de disposição litoral, origina massas de ar interiores que condicionam profundamente a penetração das massas de ar de origem marítima, polar ou tropical. No inverno predominam as massas continentais que mantêm estável o tempo em grande parte do subcontinente, com temperaturas muito baixas, mais elevadas nas zonas periféricas. A isotérmica do 0 °C no mês de janeiro situa-se ao S de Nova York; contudo, para o interior, vai para latitudes mais baixas. No verão, a situação inverte-se, já que, nessa época, predominam as influências marítimas tropicais que implicam condições de instabilidade e precipitações no interior das planícies. A isotérmica apresenta uma disposição acentuadamente arqueada para o N; desta forma, a isotérmica dos 20 °C, no mês de julho, passa ligeiramente ao N de Nova York, mas, no interior, sobe até a região das Grandes Planícies canadenses. O jogo sazonal de ciclones e anticiclones existente no interior do subcontinente dá origem, no inverno, às chamadas cold waves, que chegam até as costas do golfo do México, e há dias de calor sufocante, no Verão, que chegam até as Grandes Planícies. No México, atravessado pelo trópico de Câncer, os efeitos da latitude são muito influenciados pelo relevo e pela circulação de ventos marítimos. Assim, no planalto mexicano verifica-se uma certa continentalidade que se reflete no regime de temperaturas (as médias de janeiro e de julho são, respectivamente, de 10 e 22 °C no Centro do México), enquanto nas regiões do S predomina o clima tropical, onde é a influência do mar que condiciona as precipitações. Estas, em latitudes mais altas, apresentam uma distribuição para o S, resultado da direção das massas de ar de origem atlântica e da orientação de S para o N das montanhas Rochosas. A isoieta dos 500 mm coincide aproximadamente com o meridiano de 100° longitude O e divide em duas partes o subcontinente, inclusive no que se refere à paisagem vegetal. Na zona E, a pluviosidade atinge máximos de 2.000 mm nos Apalaches e na planície costeira do golfo do México, e desce gradualmente para os 500 mm no interior. No setor O registram-se precipitações inferiores aos 500 mm, com mínimos inferiores a 250 mm nas bacias depressionárias das montanhas Rochosas. A partir dos 40° latitude N até o Alasca, as vertentes mais elevadas das cadeias que dominam a costa registram até 2.500 mm anuais, sobretudo no inverno, devido ao deslocamento sazonal para o S da frente polar marítima.• América Central O clima da América Central está condicionado em grande medida pela presença do mar, que mitiga os excessos da tropicalidade, de que participa toda a região, atravessada na sua margem setentrional pelo trópico de Câncer. Como todas as áreas tropicais, caracteriza-se por um clima com duas estações, determinadas pelo deslocamento da frente intertropical. Uma acentuada pluviosidade estival transforma-se em uma aridez geral no inverno, temperada nas vertentes insulares expostas ao NE que recebem a influência dos alísios carregados de umidade. As maiores precipitações registram-se nas Grandes Antilhas (até 1.500 mm anuais), enquanto as Pequenas Antilhas, próximas da costa venezuelana, sofrem a aridez continental. O setor ístmico do Panamá está submetido ao clima equatorial úmido, com precipitações que podem ultrapassar os 3.500 mm anuais. No período compreendido entre os meses de julho e outubro são frequentes os furacões tropicais, cujos efeitos podem chegar a ser devastadores.
América Ilha de Tórtola nas Ilhas Virgens britânicas, Grandes Antilhas
• América do Sul A característica fundamental do clima na América do Sul é a sua escassa continentalidade, devido tanto à forma triangular do subcontinente como às influências atlânticas que afetam uma ampla área ao L dos Andes. Na faixa equatorial domina o clima amazônico, com temperaturas constantes, por volta dos 26 °C, ausência de ventos, elevada umidade e precipitações superiores a 1.500 mm. A maior pluviosidade registra-se na zona mais interior da bacia amazônica e nas vertentes orientais dos Andes. No lado oposto da cadeia montanhosa intervêm as massas de ar marítimo tropical do Pacífico, mas com uma direção especial que apenas afeta as costas mais setentrionais da Colômbia. À medida que se produz o afastamento da faixa equatorial acentuam-se as variações sazonais do clima; trata-se das faixas tropicais que compreendem os Llanos do Orenoco (zona com uma longa estação seca), o NE do Brasil (parcialmente excluído da influência das massas de ar atlânticas) e toda a franja que vai da bacia amazônica até a bacia do Paraná. As precipitações diminuem progressivamente até os 700 mm anuais e reduz-se a estação úmida durante o verão austral em correspondência com o deslocamento para o S do anticiclone do Atlântico Meridional que afeta, de forma indireta, toda a fachada atlântica dos planaltos brasileiros, onde se registra uma pluviosidade elevada (1.500 mm). Em direção ao S passa-se para as primeiras zonas temperadas e para as planícies da Prata ou pampas, onde as precipitações são resultado das particularidades climáticas da zona (de "clima de pampa"), e mais ao S entra-se em uma franja árida ou semiárida, situada já à margem da influência atlântica. Também a zona andina é predominantemente árida, sobretudo entre o lago Titicaca e o N do Chile, pelo comportamento das massas de ar procedentes do Pacífico, que se deslocam em uma direção paralela à costa do continente e privadas de umidade pela corrente marinha de Humboldt. Na zona de Santiago do Chile a aridez estival e as temperaturas subtropicais originam um clima de tipo mediterrânico. Mais ao S, no longo apêndice sul-americano há um clima chuvoso, devido à influência das massas de ar de origem antártica. Na região andina verifica-se a característica diferenciação climática em função da altitude e da latitude. Assim, no setor central dos Andes o limite das neves perpétuas é um pouco inferior aos 5.000 m de altitude, enquanto no vértice meridional do subcontinente desce para poucas centenas de metros sobre o nível do mar.VegetaçãoNa América coincidem os três reinos botânicos. O reino holoártico compreende o subcontinente setentrional, com exceção do México. O reino neotropical estende-se pelo resto do continente, sem as terras do reino antártico formadas pela Patagônia e pela Terra do Fogo, na América do Sul. Entre o Alasca e a baía do Hudson, a vegetação predominante é a tundra, e abaixo dos 50-60° latitude N aparece o bosque de coníferas, entre o Lavrador e o Alasca. Na vertente atlântica, o bosque misto de coníferas e caducifólias está presente no vale de São Lourenço e na região dos Grandes Lagos. Na vertente do Pacífico, do S do Alasca ao Centro da Califórnia, estende-se o bosque de abetos de Douglas e sequoias de grande tamanho. A parte central da América do Norte, entre as montanhas Rochosas e os Apalaches, é ocupada pela pradaria, formação cada vez mais reduzida por causa das culturas. Ao longo da costa do Pacífico dos países ístmicos da América Central estende-se uma vegetação tropical de bosque denso com uma grande variedade de espécies. Nas Antilhas predomina o bosque xerófilo degradado, com uma vegetação peculiar em cada uma das ilhas. Nas zonas de clima tropical e úmido de ambos lados do equador, estende-se a selva equatorial do Amazonas, a mais extensa do planeta, com uma vegetação muito profusa e numerosas espécies arbóreas que formam estratos de vegetação a diferentes alturas. No delta, é típica a presença de mangues. Ao S da floresta alternam áreas de bosque e de savana, e, entre a Floresta Amazônica e a zona costeira, estende-se a savana dos campos fechados. Ao N da floresta amazônica o bosque é substituído pela savana, que ocupa centenas de milhares de km2 de ambos os lados do Orenoco. Nos Andes, as cordilheiras tornam possível, especialmente na Colômbia, um denso bosque higrófilo até os 1.000 m, e bosques de coníferas entre os 2.000 e 3.000 m de alt. Na vertente chilena dos Andes, a latitude e o clima apresentam um bosque de transição do tipo mediterrânico para o bosque de araucárias e, mais ao S, para o bosque subantártico. Na parte meridional, ao L dos Andes, aparece a estepe da Patagônia, enquanto de ambos os lados do rio da Prata se estendem as pradarias dos Pampas.
América do Norte Impacto ambiental

América Central Impacto ambiental

América do Sul Impacto ambiental
População e povoamentoPopulaçãoO povoamento da América continua a ser objeto de investigações e estudos, embora seja certo que teve lugar em um período entre 40.000 e 10.000 anos a.C., quando, após a glaciação Wurm, se formou um corredor de terras emersas que pôs em contato o continente americano com a Ásia. A ocupação verificou-se em duas vagas sucessivas: a primeira, de caçadores nômades próximos do tipo australoide, e a segunda de proto-agricultores de raiz mongoloide. Outros autores europeus consideram que a difusão do homem na América se produziu em várias etapas: em um primeiro momento penetraram pequenos grupos de recoletores de Homo sapiens sapiens arcaico; posteriormente teriam chegado grupos reduzidos de caçadores-recoletores paleomongoloides, e, finalmente, grupos de caçadores evoluídos, todos eles com uma antiguidade de mais de 15.000 anos. Nos finais da glaciação Wurm chegaram também caçadores paleossiberianos portadores de características do tipo europeoide que se estabeleceram na parte setentrional do continente. Há uns 10.000 anos, o estreito de Bering, ainda em formação, começou a ser transitável para navegadores experimentados, dos tipos esquimó e aleúte, considerados os últimos a chegar à América; estes, com efeito, são do ponto de vista antropológico afins das populações que vivem atualmente na Sibéria. Contudo, os restos fósseis são ainda muito escassos para podermos concluir que os atuais tipos humanos ameríndios derivam de um ou de mais grupos de homens arcaicos. As povoações autóctones americanas subdividem-se tradicionalmente em vários tipos humanos segundo as características morfológicas predominantes; de N ao S destacam-se esquimós, aleútes, alegânicos, dakotas, sonóridos, ístmidos, povos ândidos, amazônicos, lágidos, pâmpidos e fógidos. Com exceção dos tipos esquimós e aleútes, os grupos estabelecidos na América denominam-se ameríndios. Os últimos dados indicam que, antes da chegada do homem europeu, viviam na América Setentrional entre 2.000.000 e 3.000.000 de indivíduos. No México, na América Central e do Sul, ultrapassavam os 8.000.000. Em começos do séc. XX, na América do Norte Setentrional, o censo indígena nas reservas dos EUA e do Canadá era de 350.000; em 1990, 1.800.000, mas, na verdade, os tipos antropologicamente puros eram apenas 500.000. A situação no resto do continente é diferente: os povos andinos, após a impressionante mortandade dos tempos da conquista, registraram um progressivo aumento demográfico, devido, sobretudo, a um vasto processo de mestiçagem. Nos finais do séc. XX, havia perto de 300.000 indivíduos puros e um número desconhecido de mestiços. Do ponto de vista antropológico, a América apresenta ainda um aspecto que a diferença do resto dos continentes: a introdução forçada de escravos negros africanos, especialmente nos EUA, no Brasil e nas Antilhas, e uma imigração maciça de asiáticos, sobretudo nos EUA.Nos finais do séc. XV, quando Cristóvão Colombo chegou à América, a parte setentrional do continente tinha uma população estimada em 2-3 milhões de hab. O povoamento por parte dos europeus foi lento por causa da forte oposição dos índios e também como consequência das disputas entre ingleses e franceses. Os primeiros assentamentos nos estuários atlânticos (desde o desembarque dos peregrinos do Mayflower no cabo Cod, em 1620) foram colônias-cidades quase autônomas, cujos habitantes pertenciam a seitas religiosas que fugiam das perseguições, especialmente as da Inglaterra. Em 1800, havia 5,5 milhões de pessoas nos territórios que atualmente fazem parte dos EUA e meio milhão no que é o Canadá. Na segunda metade do séc. XIX produziu-se um intenso fluxo imigratório que, em 1907, atingiu 1.285.000 europeus; contudo, a partir da I Guerra Mundial, os EUA impuseram um regime de vagas por nacionalidades que, deste modo, acabou por reduzir o referido fluxo migratório. No Canadá, as distintas colônias de imigrantes ocuparam zonas específicas em função de um determinado tipo de atividades e do clima. Assim, por exemplo, os escandinavos ocuparam as zonas florestais, os italianos as zonas mais adequadas para as atividades agrícolas, especialmente horticultura e viticultura, e os eslavos as zonas de culturas cerealíferas das Grandes Planícies. Além da grande diversidade dos grupos imigrantes, existia uma população negra a partir da introdução no séc. XVII de escravos africanos nas plantações de tabaco e algodão do estado da Virgínia. Todas essas diferentes contribuições humanas deram origem ao chamado melting pot, que constitui um traço essencial do Canadá e dos EUA. Posteriormente, o crescimento demográfico baseou-se mais no crescimento natural da população, ainda que as correntes imigratórias procedentes dos países asiáticos e latino-americanos continuem a verificar-se na atualidade. No começo do séc. XXI havia nos EUA cerca de 700.000 imigrantes legais e mais de 200.000 no Canadá. A evolução demográfica de ambos os países, apesar do elevado nível de urbanização e de desenvolvimento econômico, está muito longe do "crescimento zero" que já atingiram muitos dos países desenvolvidos, especialmente europeus. Em 1999, a taxa de natalidade dos EUA era de 14,3 ‰ e a do Canadá de 11,4 ‰; por seu lado, a taxa de mortalidade, inferior a 10 ‰, mantém-se dentro dos limites meramente fisiológicos. A população total estimava-se, em 2001, em 317.000.000 de habitantes. A densidade de população situa-se em 15 hab./km2, a mais baixa entre as entidades continentais, se se excetuar a da Oceania.Antes da chegada dos europeus, o continente ao S do rio Bravo albergava cerca de 8.000.000 de hab. As maiores concentrações registravam-se nas terras altas do México, nas planícies do Yucatán e nas terras altas andinas até o istmo do Panamá, isto é, nos lugares onde se tinham desenvolvido as civilizações urbanas pré-colombianas dos zapotecas, dos toltecas, dos aztecas, dos maias, dos incas e dos chibcha. Nas restantes zonas, a população era mais escassa e estava disseminada em amplos espaços em função das atividades itinerantes que praticavam (agrícolas, colheitas, caça). Depois das Grandes Antilhas, os conquistadores colonizaram os planaltos mexicanos e, a seguir, a região andina, onde chegaram através do vale do rio Madaglena e a partir dos portos do Pacífico, como Lima, alcançados após ultrapassar o istmo do Panamá. Foi na vertente do Pacífico que os colonizadores espanhóis assentaram as bases da primeira organização territorial. Os portugueses, a quem correspondia de direito toda a parte oriental do continente, instalaram os primeiros centros portuários em Pernambuco. Mais tarde, a paulatina colonização das costas mais meridionais tornou o rio da Prata, nas mãos dos espanhóis, um dos vértices do continente, unido através de rotas transcontinentais com os Andes e a costa do Pacífico. O contato entre índios e europeus, que no Norte da América se resolveu em uma gradual aniquilação dos primeiros para dar lugar aos colonos europeus, implicou aqui a exploração dos índios nas minas e nas plantações, até a introdução de escravos, procedentes da África, para os substituírem. Estes territórios conseguiram a sua independência nas primeiras décadas do séc. XIX. Nos finais desse século, houve um intenso fluxo imigratório latino que levou 2.000.000 de espanhóis a instalar-se em Cuba, na Argentina, no Uruguai e no Brasil; 1.200.000 portugueses no Brasil e 2.600.000 de italianos no Brasil e na Argentina. A amplitude do território e a multiplicidade de população imigrada, juntamente com o reduzido peso específico das populações autóctones, definiram o atual tecido demográfico. Em meados do séc. XIX, na América ao S do rio Bravo havia 33.000.000 de habitantes. Na atualidade, a sua população atingiu 520.000.000 de habitantes, com um incremento de mais de 20 % nos últimos anos do séc. XX e uma densidade média que ultrapassa 25 hab./km2. A evolução demográfica atual é caracterizada por importantes modificações nos parâmetros de natalidade e mortalidade que parecem anunciar uma mudança na estrutura da população. Os países com uma transição incipiente têm uma natalidade e mortalidade elevadas e um crescimento natural que ronda os 20 % (a Bolívia, a Guatemala e o Haiti). Encontram-se em uma fase de transição moderada os que têm natalidade alta e mortalidade moderada, com um crescimento natural da população que ronda os 30 % (como a Nicarágua e o Paraguai). Estão em plena transição os que têm natalidade e mortalidade moderada (caso do Brasil, da Colômbia, do México e do Peru, entre outros). Por último, os países de transição avançada, como a Argentina, o Chile, Cuba e o Uruguai, registram taxas de natalidade e mortalidade baixas, o que, no caso de manterem essa evolução, provocará uma estrutura da população cada vez mais envelhecida, similar à dos países mais desenvolvidos.
América do Norte Densidade populacional
América Central Densidade populacional

América do Sul Densidade populacional

PovoamentoA área dos primeiros assentamentos foi, e ainda é, a zona vital dos EUA e do Canadá, com uma densidade média que atinge e ultrapassa em grandes áreas os 200 hab./km2. A segurança dos portos naturais, um clima semelhante ao europeu, a fertilidade dos solos e a riqueza mineira das zonas interiores próximas explicam que, na orla atlântica, houve desde os começos da colonização anglo-saxônica as maiores concentrações de população e que quase metade da população estadunidense vivia nessa zona, uma das mais desenvolvidas do mundo a nível industrial e sede de aglomerados urbanos gigantescos. Desta zona faz parte também a região em volta dos Grandes Lagos e do curso superior do São Lourenço. Outras áreas de elevada densidade são o litoral do golfo do México, onde se concentram importantes atividades agrícolas, industriais e de extração mineira, e a costa do Pacífico, com máximas concentrações humanas na Califórnia, que hoje constitui uma das áreas de maior atração devido ao seu desenvolvimento econômico. A densidade média nestas áreas não ultrapassa contudo os 50 hab./km2, valor esse que se registra apenas em zonas restritas, pelo que ainda falta na fachada oeste a continuidade de assentamento existente na costa leste. O resto da América do Norte forma uma área de densidade bastante baixa e de caráter agrícola. A parte mais povoada do interior é a dos Apalaches que, graças à abundância de precipitação, permite formas intensivas de agricultura. Em geral, à medida que se avança para o O, o povoamento diminui, ainda que em espaços amplíssimos se registrem valores similares. A elevada densidade em áreas pontuais do território do Norte da América é consequência do seu processo de urbanização – mais de 70 % da população vive em grandes cidades. A maior parte delas encontram-se na costa atlântica, onde existe uma série de cidades com mais de um milhão de habitantes, surgidas próximas da foz dos rios e em volta dos Grandes Lagos. Caso especial é o de Nova York, uma das maiores metrópoles do mundo, que se estende em volta do estuário de Hudson, em um ponto muito favorável para as comunicações com o interior e para as comunicações transoceânicas. Em circunstâncias análogas, no que se refere às comunicações, encontram-se as restantes grandes cidades do interior, como Montreal, Toronto e Chicago, e na orla atlântica (as cidades portuárias de Boston, Filadélfia e Baltimore). Na região mineira da vertente interior dos Apalaches surgem cidades com funções marcadamente industriais. Esta concentração de núcleos urbanos constitui a zona nevrálgica dos EUA e do Canadá. Daqui partem as relações que dinamizam os pólos urbanos interiores e secundários, como Saint Louis, nas margens do Missouri, e as cidades canadenses das planícies. Na costa do Pacífico e no golfo do México existem também importantes centros de atração, representados, por um lado, pelas grandes cidades de San Francisco, Los Angeles, Seattle e Vancouver, e, por outro, por Nova Orleans e, principalmente, Houston. Nesse conjunto representado pelos EUA e pelo Canadá evidenciam-se dois fenômenos vinculados com o processo de urbanização: uma diminuição e até uma inversão no crescimento das cidades fulcrais e uma tendência notável para o reforço das áreas metropolitanas da costa oeste, mais acentuada nos EUA (San Francisco e Los Angeles) do que no Canadá (Vancouver). A tipologia da cidade estadunidense não é como a da europeia, fechada e monocêntrica, mas sim aberta, com uma city central dominada pelos arranha-céus, sede de bancos, de sociedades industriais e comerciais, e com uma ampla periferia que constitui o âmbito da descentralização residencial e que deu lugar ao fenômeno definido como "contra-urbanização" que, longe de representar a decadência das funções urbanas direcionais e inovadoras, constitui a difusão ulterior do efeito-cidade. Daí que os subúrbios e as periferias das grandes metrópoles do NE (Nova York, Boston, Filadélfia e Baltimore, que constituem a megalópole de Gottman, e Chicago, Detroit, Cleveland, Montreal e Toronto) tenham registrado aumentos de população entre 10 e 25 % em relação à década de 1980.
América O bairro de Manhattan na cidade de Nova York, EUA
Por outro lado, o aparecimento de uma nova megalópole no SO dos EUA (Los Angeles e San Francisco reúnem conjuntamente nas suas áreas metropolitanas mais de 22.000.000 de hab.) é, de fato, um sinal da abertura da economia dos EUA para a área do Pacífico.No resto do continente americano, do México à Terra do Fogo, a distribuição territorial da população reflete ainda as estruturas próprias da época colonial, embora as transformações demográficas tenham propiciado importantes modificações. As áreas mais povoadas (com densidades entre 50 e 200 hab/km2) são, na orla atlântica, a região do estuário do rio da Prata e a costa brasileira, isto é, as zonas onde se constituíram os primeiros focos da organização territorial colonial que tinha nos portos os seus principais pontos turísticos. Nesta área encontram-se as maiores cidades da América do Sul, todas elas cidades portuárias, exceto São Paulo, metrópole que iniciou a primeira grande conquista do interior. Outra zona de intenso povoamento situa-se na costa venezuelana do mar do Caribe e que continua para os vales da bacia fluvial do Madaglena até as terras altas da Colômbia (Bogotá) e do Equador, onde a população se concentra em vales e nas encostas das terras temperadas. Na costa do Pacífico existem áreas de elevado povoamento em volta do porto de Guaiaquil e na zona de Santiago do Chile. Pelo contrário, em outras áreas, como na Amazônia, as densidades são baixíssimas (menos de 1 hab./km2). No conjunto da América Latina, a concentração de população nas cidades é de 40 %, mas esta proporção tem tendência a subir como consequência das transformações demográficas e econômicas que a zona experimenta. As primeiras cidades da época colonial foram centros mineiros, e algumas como Potosi, na Bolívia, constituíram núcleos muito povoados já no séc. XVI. Porém, as mais importantes foram as que surgiram como portos para unir a América e a Europa: Lima, Buenos Aires, etc. Posteriormente, o processo de urbanização alicerçou-se sobre as premissas econômicas coloniais e desenvolveu-se em relação mais ou menos intensa com as atividades do país interior: Montevidéu e Buenos Aires como saídas dos ricos pampas. Rio de Janeiro e São Paulo como pólos da área cafeeira, etc. Algumas cidades surgiram sob o impulso ocasional de fortunas provisórias e efêmeras, como Manaus, a capital amazônica da borracha. Hoje, o Brasil concentra o maior número de cidades com maior índice populacional, embora não seja este o país com maior índice de população urbana. O crescimento acelerado das cidades gera problemas bastante graves, uma vez que não é acompanhado por um adequado desenvolvimento econômico (é isto que explica as favelas, as villas miseria e as quebradas, cidades provisórias de bairros de lata situadas nas periferias dos grandes núcleos urbanos, receptáculo de pessoas não integradas na vida das cidades). Estas têm, geralmente, centros modernos e muito dinâmicos, como São Paulo, Caracas e Santiago. Apesar de alguns governos, como os da Argentina, do Brasil, da Colômbia e da Venezuela, adotarem incentivos para o desenvolvimento de pequenas e médias cidades, o processo de concentração continua e tornou, por exemplo, a Cidade do México a maior aglomeração do mundo, seguida de São Paulo, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Lima e Santiago. No campo, a população vive em vilas e aldeias ou em fazendas, cujas características variam de umas zonas para outras, mas contribuindo em todos os casos para baixas densidades médias da população. Na região andina, as vilas e aldeias albergam comunidades que vivem ainda de forma tradicional e apresentam por isso os traços mais tradicionais da economia agrícola.Estrutura econômicaA divisão política entre o Canadá e os EUA não tem demasiada relevância no terreno econômico, dadas as afinidades existentes entre as duas economias e os importantes interesses estadunidenses no país vizinho. É isto que torna a América do Norte a parte do mundo mais desenvolvida, com uma economia em avançado processo de terciarização, sobretudo os EUA, onde o setor dos serviços absorve 73 % da população ativa e em uma proporção análoga contribui para a formação do PIB. O desenvolvimento fulgurante dos setores da alta tecnologia, principalmente nas telecomunicações e na informática, também tem contribuído para este processo.Os países da América Latina apresentam traços comuns, como o evidenciam as distintas estruturas produtivas e financeiras. A situação de dependência em um mercado internacional dominado pelas economias mais fortes, tradicionalmente, trava o seu desenvolvimento industrial e reduz, ou mesmo anula, o seu poder contratual como fornecedores de matérias-primas. Em qualquer caso, a partir de finais do séc. XX, os países latino-americanos experimentaram mudanças importantes como consequências das políticas de ajustamento estrutural adotadas pelos governos devido às constantes exigências do FMI (redução da dívida pública e privatização em grande escala). O resultado tem sido a atração de grandes fluxos de capital estrangeiro que relança poderosamente os investimentos, embora também se tenham produzido graves crises financeiras, como a do México em 1994, a do Brasil em 1998 e a da Argentina em 2001-2002. Conseguiu-se travar em boa medida, na situação atual, a inflação, especialmente no Brasil, que reduziu a sua taxa de mais de 2.150 % em 1993 para 9,5 % em 2000, embora neste mesmo ano se registrassem taxas muito elevadas em outros países (323 % no Equador, 81,5 % na Venezuela e 18 % na Colômbia). No que se refere à taxa de crescimento, calcula-se em 3 % nos finais da década de 1990 para toda a América Latina. Contudo, nesse período, o ritmo de crescimento foi bastante desigual entre os diferentes países e mesmo entre zonas do próprio país. Assim, o Chile teve um crescimento de 7,5 % entre 1985 e 1993, mas apenas registrou um aumento de 3,4 % em 1998; a Argentina cresceu 1,8 % ao ano entre 1985 e 1992, aumentou 6 % em 1993 e situou-se em 4,2 % em 1998; o México, pelo seu lado, cresceu neste último ano 4,8 %, enquanto a Venezuela teve um decréscimo de 0,7 %. Esta evolução é acompanhada de fortes desigualdades sociais, vinculadas com a história política e acentuadas pelo crescimento demográfico e pelos desequilíbrios na distribuição geográfica da população, que intensificam as diferenças entre os pólos de desenvolvimento e as bolsas de pobreza.
América do Norte Mapa econômico
América Central Mapa econômico

América do Sul Mapa econômico

Agricultura, pecuária e pescaA agricultura dos EUA e Canadá, muito próspera, caracteriza-se pela grande variedade de culturas permitidas pelas diversas condições ambientais e climáticas dos seus territórios. Na parte meridional, estende-se a ampla faixa subtropical do Cotton Belt, umas das maiores áreas de algodão do mundo, na qual também se produzem outras culturas de tipo industrial, em particular sementes oleaginosas. Mais ao N, entre Ohio e Minnesota, estende-se o Corn Belt, a grande área do milho, onde se concentra mais de metade da produção mundial de milho, destinado em boa parte à alimentação de gado e à exportação. A cultura do trigo abrange toda a zona ocidental que se estende entre os EUA e o Canadá, com uma produção que se destina, em grande medida, a mercados exteriores, enquanto a cultura da soja se concentra principalmente nos EUA (Illinois, Indiana e Iowa), que produzem quase metade do total mundial para rações animais e para a exportação. A fruticultura, e em particular os cítricos, está localizada sobretudo nas zonas de regadio da Flórida, da Califórnia, do Arizona e do Texas. No que se refere à pecuária, as zonas do centro e ao O destinam-se à produção de carne para o abastecimento dos mercados de Chicago e das cidades das Grandes Planícies; a fachada atlântica e a região dos Grandes Lagos, tanto no Canadá como nos EUA, configuram a zona do Dairy Belt, dedicada à produção de leite e queijos. No seu conjunto, a agricultura dos EUA e Canadá detém a primazia mundial da produtividade, graças aos grandes investimentos de capital e à utilização de tecnologia avançada. O resultado evidente é o aumento do tamanho das explorações (com uma superfície média de 186 ha) e a redução do seu número (em 1940 havia 6.300.000 e em começos do séc. XXI, 2.400.000). Isto implicou uma drástica diminuição da população ativa agrícola que apenas representa hoje 2,7 % do total da população ativa estadunidense, face a 4 % em 1970. Por outro lado, a exploração dos numerosos bosques existentes, especialmente os de coníferas, torna os EUA o primeiro produtor mundial de madeira e o Canadá o principal exportador de madeira e pasta de madeira. No que se refere ao setor da pesca, nas águas ocidentais abundam os salmões, e nas orientais, fundamentalmente nos bancos da Terra Nova, são consideráveis as capturas de pescada, arenque e lagosta. Em ambas as costas (baía de Chesapeake, estreito de Long Island, golfo de San Francisco) e no golfo do México existem zonas de aquicultura marinha (ostras).A agricultura absorve ainda 30 % da população do continente americano ao S do rio Bravo do Norte, constituída na sua maioria por uma massa de camponeses dedicados à culturas de subsistência, sobretudo nas terras andinas e nos planaltos do NE. Se excetuarmos algumas áreas e setores produtivos particularmente evoluídos, a agricultura desta parte do continente caracteriza-se pela precariedade das condições naturais e pela persistência de explorações demasiado pequenas e sobreexploradas, de modo que possam garantir um mínimo de eficiência produtiva, e vastas propriedades subexploradas ou especializadas em produções agrícolas industriais de tipo colonial. Daí a escassa difusão das culturas destinadas ao consumo interno e a necessidade de recorrer a importações, em grande escala, de produtos alimentares que vão agravar pesadamente a balança comercial de alguns países. Apesar de tudo, a situação vai melhorando graças a um aproveitamento maior e melhor das terras mais ricas, com novas culturas, sobretudo de cereais, que se juntaram ou substituíram as culturas tradicionais, e graças à extensão da irrigação, através da construção de barragens que tornaram possível, por exemplo, a cultura de cereais na savana brasileira. Contudo, continuam a ser predominantes as culturas tradicionais, com caráter de monocultura, como as da cana-de-açúcar em Cuba e de coco e bananas nas terras ístmicas e do Caribe. Os planaltos de terra vermelha do Brasil constituem a área mais rica em plantações de café, com um desenvolvimento considerável, do mesmo modo que o das terras temperadas ístmicas e andinas. Grandes produtores de café são a Colômbia, o México, El Salvador, a Guatemala e, especialmente, o Brasil (25 % da produção mundial), que, por sua vez, é ainda o maior produtor latino-americano de cacau (10 % da produção mundial). Nas regiões do Pacífico, com clima tropical e subtropical, praticam-se culturas altamente especializadas, de regadio, em plantações ou hortas. Em nítido contraste com este setor, a agricultura indígena dos Andes é pobre e conserva tradições da época inca. No que se refere à pecuária, as estepes da Patagônia constituem a região do gado ovino que se estende até a Terra do Fogo. As grandes áreas interiores da América do Sul constituem o único grande domínio da pecuária dos bovinos, que abrange dos Llanos do Orenoco a Mato Grosso e os pampas da região do rio da Prata, onde sempre tiveram os seus espaços mais produtivos. Tanto nas regiões do N e nas centrais como os pampas, a pecuária extensiva tradicional tende a ficar relegada, na atualidade, às margens limítrofes das culturas de cereal (a Argentina é o maior produtor latino-americano de trigo). Em relação à atividade pesqueira, o Peru e o Chile ocupam o segundo e quarto lugar no ranking mundial, ainda que o México e Argentina beneficiem também de uma importante atividade de pesca. Mineração e indústriaO Canadá e os EUA, apesar da intensa exploração a que têm estado submetidos os recursos do subsolo, continuam a ser muito ricos em recursos mineiros, constituídos sobretudo por carvão, minério de ferro, cobre, zinco, níquel, chumbo, estanho, bauxita, molibdênio, prata, ouro, platina, urânio e fosfatos naturais. A grande produção de minério não chega a cobrir as necessidades crescentes da indústria estadunidense, tanto no que se refere a minerais metálicos, como não metálicos, sobretudo o petróleo, de que os EUA são o segundo produtor mundial. Às jazidas canadenses e estadunidenses (Texas, Louisiana, Califórnia), ricas ainda em gás natural, juntam-se as descobertas na costa N do Alasca, unidas a partir de 1977 com o Pacífico através do oleoduto Prudhoe-Valdez, de 1.280 km de comprimento. Apesar da produção canadense aumentar, o incremento do consumo de energia torna necessária a importação de grandes quantidades de ramas e a utilização de outras fontes de energia, como a nuclear (19 % da eletricidade produzida), além das tradicionais que utilizam a água e o carvão. Deste modo, mais de 50 % da eletricidade produzida nos EUA procede das centrais térmicas e mais de 60 % da canadense de centrais hidrelétricas. A indústria transformadora, de grandes dimensões, torna a América do Norte uma das áreas mais industrializadas do mundo e assegura-lhe a hegemonia nos setores de tecnologia mais avançada, como o setor da informática, impulsionados pelos programas militares e espaciais. Particularmente destacada é a indústria aeronáutica (12 das 18 maiores empresas construtoras dos países ocidentais, incluído o Japão, no oriente, são estadunidenses), que tem a sua correlação no setor do transporte aéreo, uma vez que diversas companhias estadunidenses figuram também entre as maiores do mundo. Ainda que em regressão, o setor automobilístico ainda ocupa uma posição de primeira ordem no panorama industrial estadunidense, que, em 1998, representava 23 % da produção mundial de veículos. Em geral, as indústrias baseadas em tecnologias novas e muito avançadas encontram-se projetadas sobretudo para a bacia do Pacífico, a mais dinâmica, na atualidade, dos EUA e do Canadá. Por outro lado, esta localização industrial tende a uma descentralização por motivos de espaço, de contaminação e de equilíbrio regional, embora a vocação econômica de cada uma das diferentes áreas esteja bem consolidada. No que se refere ao resto do continente americano, a zona mineira mais característica é a região andina, destacando-se na produção de minerais metálicos. Hoje, revestem-se de escassa importância os metais nobres, exceto a prata (Peru e México estão entre os maiores produtores mundiais). É importante, pelo contrário, a produção de cobre (Chile e Peru), estanho (Bolívia e Brasil), antimônio (Bolívia e México), manganês (Brasil e México) e bauxita (o conjunto de países formado pelo Brasil, Jamaica, Suriname, Guiana e a República Dominicana proporciona mais de uma terça parte da produção mundial). Existem também reservas de minério de ferro principalmente nas áreas dos maciços das regiões do E (Brasil e Venezuela). A América Latina é pobre em carvão. A exploração do petróleo é ainda relativamente recente, e para ela contribuem as novas e importantes jazidas descobertas no México (quarto produtor mundial) e na Venezuela; as jazidas amazônicas (conhecidas no passado, mas localizadas em zonas inacessíveis, e que apenas agora começam a ser rentáveis); Trinidad e Tobago obtêm do petróleo 80 % do valor das mercadorias exportadas; e, finalmente, os poços do Equador e da Colômbia. De qualquer modo, a América Latina pode colmatar a sua relativa pobreza em recursos energéticos com o enorme potencial de energia hidrelétrica de que dispõe e cujo melhor exemplo é a barragem de Itaipu, a maior do mundo, no rio Paraná. A construção de novas centrais hidrelétricas deve, pois, servir de contribuição para dinamizar a industrialização, baseada essencialmente, até o momento, na transformação dos produtos agrícolas e na indústria têxtil. Potenciando setores de base como a metalurgia, desenvolve-se notavelmente o setor metalomecânico, especialmente a produção de eletrodomésticos, veículos e maquinaria agrícola. Particularmente espetacular tem sido o desenvolvimento industrial do Brasil, que produz e exporta aviões e navios, devido aos crescentes investimentos das empresas multinacionais estadunidenses, europeias e japonesas. Do mesmo modo, nas regiões do interior, inacessíveis até há relativamente pouco tempo, vão surgindo novos pólos de desenvolvimento industrial.Infraestruturas de transporteA rede de transportes dos EUA e Canadá tem o seu núcleo principal na região compreendida entre a costa atlântica e os Grandes Lagos, isto é, entre Chicago, Montreal e Nova York, cidade que ostenta a primazia no tráfego marítimo. A região é o verdadeiro eixo da América do Norte, centro de ligação primário com o resto do mundo. O setor L do subcontinente é atravessado por uma rede de rios navegáveis que nas Grandes Planícies tem o seu eixo principal no rio Mississippi, que está unido também com os Grandes Lagos, e estes, por sua vez, com o Atlântico através de uma via navegável como é a do rio São Lourenço, acessível para navios de grande porte que transportam sobretudo cereais e produtos de mineração. A rede de autoestradas estadunidense é a mais densa do mundo, especialmente na região industrial e urbanizada do E, de onde parte para o O e para o N. A rede de estradas e de linhas ferroviárias (uma terça parte da rede mundial) entre os dois oceanos são, a nível continental, tanto nos EUA como no Canadá, os eixos fundamentais das comunicações. A sua rede aérea, além de possuir uma enorme densidade, absorve mais de uma terça parte do tráfego aéreo mundial. No que se refere ao transporte marítimo, este encontra-se assegurado pelos grandes portos do Atlântico e do Pacífico. Na América do Sul, a industrialização implicou a criação de grandes obras de infraestruturas, começando pelas vias de comunicação. As maiores carências encontram-se na rede ferroviária, escassa e com poucas ligações continentais, apesar da existência da ferrovia transandino. Os núcleos da rede de transporte são São Paulo e Buenos Aires no Atlântico, e Lima e Santiago no Pacífico. Entre os novos projetos ferroviários ocupa um lugar de relevo a linha venezuelana, de mais de 700 km, que une Caracas com Ciudad Guayana, novo polo de desenvolvimento industrial junto do rio Orenoco, próxima das ricas jazidas de minério de ferro. Maiores progressos foram os conseguidos na rede viária, embora longe de se apresentar como uma rede unitária. Entre as novas artérias de penetração em direção ao interior destaca-se a transamazônica, e de especial importância se reveste a estrada pan-americana que une todo o continente americano, do Alasca até a Argentina, com diversas ramificações que a complementam. Apresentam um discreto desenvolvimento os transportes aéreos e as estruturas portuárias, sobretudo para absorver o aumento das trocas comercias de países como o Brasil ou a Venezuela. As crescentes exigências do comércio internacional sentem-se também no fato de o canal do Panamá ter deixado de ser suficiente e apresentar a necessidade de uma nova comunicação mais ampla entre os dois oceanos. A América Latina tem no Atlântico os seus mais fortes interesses, tanto no que se refere à exportação de matérias-primas como à importação de produtos industriais, cuja procura é sempre crescente. Balança comercialA criação de amplas zonas de livre comércio na década de 1990 tinha como objetivo dar um forte impulso ao comércio internacional e equilibrar a balança comercial dos países da América Latina. Além das organizações já constituídas, como o Sistema Econômico Latino-Americano, a CARICOM e o Mercado Comum Centro-Americano, destaca-se o Mercado Comum do Sul ( Mercosul), formado pelo Brasil, Uruguai, Paraguai e a Argentina, e o "Grupo dos Três" (México, Venezuela e Colômbia). No âmbito deste último, evidencia-se a função de ligação com os países da América do Norte que o México exerceu a partir da sua incorporação, em 1994, na comunidade estadunidense NAFTA (formada pelos EUA, Canadá e México), dado que os EUA absorvem a metade das exportações latino-americanas e 85 % das do México. No que diz respeito ao Mercosul (em vigor a partir de 1995), podem-se já constatar novas tendências nas relações econômicas do subcontinente, uma vez que 35 % das suas trocas comerciais se realizam com países latino-americanos, 25 % com países europeus e 15 % com os EUA, e têm implicado que as trocas comerciais entre os quatro países-membros tenham triplicado desde a assinatura dos acordos em 1991.
América Imagem da costa do Rio de Janeiro, Brasil
HistóriaPré-históriaO continente americano foi povoado provavelmente entre 35.000 e 20.000 a.C. por grupos humanos asiáticos de tipo mongoloide ou pré-mongoloide que chegaram, procedentes da Ásia Oriental, através do estreito de Bering. A questão não é pacífica e apontam-se outras datas que afirmam que a presença dos primeiros grupos humanos apenas se produziu entre 17.000 e 12.000 anos. No seu conjunto, a pré-história americana divide-se em cinco períodos: lítico (4000-6000 a.C.), arcaico (6000-1200 a.C.), formativo (1200 a.C.-princípios da nossa era), clássico (1 d.C.-900) e pós-clássico (900-1500). Entre as sequências mais completas para a América meridional, encontra-se a da gruta de Pikimachay, na bacia de Ayacucho (Peru), onde se distinguem (da mais antiga à mais recente) as três fases seguintes: Pacaicasa (entre 20.000 e 14.000 anos), não aceita por alguns arqueólogos; Ayacucho (entre 16.000 e 12.000 anos); e Huanta (entre 11.000 e 8.000 anos). Encontram-se elementos mais confiáveis a partir do XIII milênio, época a que remonta a presença dos primeiros povos caçadores e recoletores. Para a América setentrional, em ordem cronológica, a começar pela mais antiga, distinguem-se as culturas de Sandia (12.000-8.000 a.C.), Clovis (10.000-9.000 a.C.) e Folsom (9.000-8.000 a.C.). Com esta sequência chega-se, por volta dos finais de 7000 a.C., à época em que as pontas líticas com estrias, típicas dos períodos anteriores, são substituídas por pontas triangulares ou foliadas sem pedúnculo, atribuídas às culturas de Eden (VII-V milênio a.C.) e Scotsbluff. Estes complexos culturais foram achados ao mesmo tempo que outros, que foram reagrupados sob a denominação de cultura do deserto, atribuídos a homens dedicados à caça de fauna selvagem de pequeno porte e à colheita de vegetais. Uma das fácies mais conhecidas é a de Cochise, no Arizona, que apresenta grandes utensílios em pedra lascada que fazem lembrar os europeus da pebble culture. Em épocas posteriores, juntamente com os produtos da caça de grandes mamíferos, entre eles o bisonte, ganharam cada vez maior importância os derivados da agricultura (restos de mós e vasilhame de terracota para a conservação de sementes e de colheitas). No espaço de alguns milênios, observa-se a sucessão de vários grupos culturais que, na área do México, são os de Riego (6800-5000 a.C.), Coxcatlan (5000-3200 a.C.) e Abejas (3200-2300 a.C.), e no atual território dos EUA, com algumas sobreposições, os grupos de Plainview, Gypsum Cave e Denbigh. Para a América meridional tem-se tentado comparar a população continental com a do oceano Pacífico, na base de analogias culturais (propulsor, cultura, clava esferoidal, tipos matrimoniais, tipologia das choças). A época pré-colombianaEntre os primeiros grupos de povoadores, diferenciaram-se quatro grandes áreas culturais proto-históricas. No S do golfo do México, apareceu a cultura olmeca (1500-300 a.C.), considerada a primeira grande civilização da região centro-americana. Paralelas a esta, desenvolveu-se uma série de culturas locais (huasteca, totonaca, zapoteca, tarasca), que entraram em declínio depois da chegada dos espanhóis. Na área da atual Colômbia, as culturas de San Agustín e de Tierra Adentro representam os cumes mais destacados da proto-história colombiana. Importa ressaltar as suas manifestações megalíticas e a sua grande riqueza escultórica. Do mesmo modo, na área do Equador, além da cultura deValdivia, destacam-se as culturas Panzoleo-Tuncahuan, Chimborazo e Manabí, produto da atividade de diversos povos chegados em fases sucessivas. Estas culturas deram origem, por volta do séc. XI a.C., ao chamado Reino dos quitus, invadido pelos índios koras em 1487, conquistados, por sua vez, pelos incas. Finalmente, na região costeira do Peru atual, desenvolveram-se três grandes formas culturais; ao N, a cultura chimu; ao S, fixou-se a cultura Nasca, que se destacou pelos seus hieróglifos; no centro, desenvolveram-se as culturas Cuismancu e Chuquimancu. Na zona interior, apareceram dois centros importantes: ao N, Chavín de Huantar; e ao S, Tiahuanaco, nas proximidades do lago Titicaca, a metrópole mais antiga de toda a América do Sul. De forma paralela desenvolveram-se, a partir de 3000 a.C., no SO da América setentrional, as culturas Hohokam e Anasazi, entre outras. Estas culturas passaram de uma economia caçadora-recoletora para uma outra baseada na agricultura e com produção cerâmica e arquitetônica. A partir desta zona, a agricultura estendeu-se para o E, onde apareceram as culturas de old copper, Adena e Hopewell. No período histórico, surgiram as quatro grandes culturas de que temos registro escrito: a asteca (sécs. XIV-XVI), no vale do México e com a capital em Tenochtitlán; a maia (sécs. IV-XV), espalhada pela Guatemala, Honduras e a base do Iucatão; a chibcha, na área da atual Colômbia; e, finalmente, a Inca (sécs. XIII-XVI), na região do Peru, cujo centro foi a cidade imperial de Cuzco.
América A grande praça da jazida maia de Tikal, no departamento de Petén, Guatemala
América Restos da cidade inca de Machu Picchu, no departamento de Cuzco, Peru
Descobertas e exploraçõesOs primeiros contatos dos europeus com terras americanas remontam ao séc. X, quando navegadores vikings procedentes da Islândia, capitaneados por Erik o Ruivo, fundaram, em 986, uma colônia na ilha que chamaram Terra Verde (Groenlândia). Algumas sagas islandesas referem expedições de Leif, filho de Erik, em Hellulan, Markland e Vinland, entre a península do Lavrador e a atual Massachusetts. Porém, a descoberta da América é atribuída a Cristóvão Colombo, que desembarcou dia 12 de outubro de 1492 em uma ilha das Bahamas, a Guanahaní dos indígenas, batizada como São Salvador. A seguir e em sucessivas viagens, Colombo foi descobrindo distintos territórios do Caribe e contornou o continente perto da foz do Orenoco. Entre 1497 e 1498, o veneziano Giovanni Caboto, a serviço da Inglaterra, desembarcou na ilha da Terra Nova, contornou as costas do Canadá e da Nova Escócia e chegou ao cabo Cod. Ao longo destes anos, multiplicaram-se as viagens de explorações espanholas e portuguesas, percorrendo principalmente as rotas tropicais para o S e francesas e inglesas para o N. Em 1520, o português Fernão de Magalhães, ao serviço da monarquia hispânica, passou o extremo sul do continente, descobriu o estreito que tem o seu nome e subiu a costa do Pacífico até a altura da atual Valparaíso. Entre os sécs. XVIII e XIX, navegadores majoritariamente britânicos, como J. Cook, G. Vancouver e E. Parry, exploraram as costas compreendidas entre o estreito de Juan de Fuca e o Ártico. Foi apenas entre 1903-1905 que R.E. Amundsen conseguiu percorrer toda a passagem do NO, procurada durante mais de três séculos, e unir através do arquipélago ártico o oceano Atlântico e o Pacífico. A penetração no continente teve início no começo do séc. XVI: Vasco Núñez de Balboa descobriu, em 1512, o estreito do Panamá, que ligava os oceanos Atlântico e Pacífico; Hernán Cortés, após conquistar o México (1519), explorou a região mexicana e a do istmo da Califórnia; Vázquez Coronado realizou, entre 1540 e 1542, uma expedição pelos planaltos desérticos do Arizona até o Grand Canyon do Colorado, percorrendo o mesmo itinerário que Frei Marcos de Niza (1539) à procura da lendária cidade de Cibola, a maior das sete "cidades do ouro". Ao mesmo tempo, várias expedições espanholas exploraram a bacia do Mississippi, subindo o Arkansas até os Apalaches. Alguns missionários que percorreram as terras entre as montanhas Rochosas e o Pacífico fundaram San Diego (1769) e San Francisco (1776). Em princípios do séc. XIX, A. von Humboldt e outros cientistas acabaram de contornar a costa da Nova Espanha. Ao NE, a penetração começou através do golfo e do rio São Lourenço, que J. Cartier percorreu em 1541 até Montreal, seguido por S. de Champlain e outros exploradores franceses, que, no começo do séc. XVII já haviam chegado até a região dos Grandes Lagos. Robert Cavalier de La Salle, em 1682, desceu o Ohio e o Mississippi até a foz e tomou posse, em nome da França, de toda a região atravessada pelo rio, que denominou Louisiana. Nos finais do séc. XVIII, após a formação dos EUA, o avanço dos pioneiros anglo-saxões para o O continuou com rapidez até cobrir todo o território atual. A exploração das regiões subárticas foi empreendida em primeiro lugar pelos caçadores de peles franceses e mais tarde pelos britânicos, que durante o séc. XVIII penetraram, a partir da baía do Hudson, até perto das montanhas Rochosas, seguindo o curso do rio Saskatchewan. Na América Meridional, as explorações costeiras foram seguidas por numerosas viagens pelo interior, embora, em princípio, se tratasse apenas de reconhecimentos superficiais ao longo dos cursos dos principais rios. Francisco de Orellana, proveniente de Quito, navegou pelo Amazonas até a foz (1540-1542). Na Nova Espanha, o reconhecimento geográfico do interior foi retomado, no séc. XVII, pelos missionários. As explorações científicas apenas começaram em finais do séc. XVIII (entre elas, as de Alexandre Malaspina) e princípios do séc. XIX, com os estudos de Humboldt, que visitou a Venezuela, a Colômbia e o Equador, e os de Ch.R. Darwin, que percorreu os Pampas, a Patagônia e a costa do Pacífico até as ilhas Galápagos (1831-1836).
América do Norte Descoberta e exploração
A época colonialA colonização espanhola iniciou-se com Colombo, que, após a sua primeira viagem, confirmou, nas expedições seguintes, a existência de ouro em La Espanhola e decidiu extraí-lo com mão de obra escrava indígena, que se viu drasticamente reduzida pelas duras condições do trabalho, a escassez de alimentos e a transmissão de doenças introduzidas pelos colonizadores. Posteriormente, as Leis de Burgos (1512-1513) regulamentaram a utilização de mão de obra indígena, instalando o sistema central do Império Espanhol: a "encomienda". Durante a primeira etapa da colonização a mineração foi a principal das atividades econômicas; o continente tornou-se um império extrativo. Em um segundo plano econômico, situaram-se a pecuária e a agricultura que se organizaram em fazendas. A organização das cidades desenvolveu-se em função da sua situação estratégica como porto de entrada das manufaturas metropolitanas, de maneira que se transformaram em centros de distribuição local e regional. Produtos com mercado exterior como tabaco e açúcar e, mais tarde, cacau, café, algodão, índigo e couros de bovinos foram explorados nas plantações. As fazendas e os centros mineiros utilizaram como força de trabalho os indígenas através do sistema das encomiendas, que mais tarde se transformaram no corregimento, e a mita e o yanaconaje (duas antigas instituições incas que foram adotadas e adequadas às necessidades dos conquistadores espanhóis). A partir do séc. XVII, com a substituição da encomienda pelos corregimentos, o encomendeiro foi substituído por um funcionário nomeado pelo rei. A encomienda, a mita e o yaconaje foram organizações características da área andina. A vertente atlântica, insular e continental, sem metais, ficou organizada em plantações, cuja mão de obra era fundamentalmente de escravos africanos. A máxima autoridade política da América colonial espanhola na metrópole era o rei, assessorado pela Casa de Contratação (1503) e o Conselho da Índia (1524), enquanto na América a máxima autoridade era o vice-rei. Inicialmente foram criados dois vice-reinos, o da Nova Espanha (1535) e o do Peru (1542) e, posteriormente, com as reformas borbônicas, o de Nova Granada (1717) e o do Rio da Prata (1776), e as capitanias gerais de Cuba, Santo Domingo, Guatemala, Venezuela e Chile. Em ordem hierárquica, do vice-rei dependiam as audiências, os governadores e os capitães gerais e os cabidos. A expansão colonial espanhola entrou em conflito com a colonização portuguesa. Para dirimir o contencioso entre as duas coroas, estas assinaram o Tratado de Tordesilhas (1494), a partilha das terras recém-descobertas a partir de uma linha ideal Norte-Sul, de polo a polo, que passava a 370 léguas ao O dos Açores e de Cabo Verde. Por ele eram atribuídos os territórios do oriente a Portugal e os do ocidente à Espanha. Em abril de 1500, Pedro Álvares Cabral desembarcou em Porto Seguro, ao S da atual Bahia, e tomou posse das terras em nome do rei de Portugal. Durante os primeiros trinta anos, os portugues extraíram do pau-brasil matérias corantes para tintas e têxteis. O assédio francês e a decadência da atividade econômica levaram o rei D. João III a iniciar a colonização do Brasil através de capitanias hereditárias. A produção de pau-brasil deixou terras disponíveis para a produção de açúcar que se transformou progressivamente em uma cultura de plantações. Nas terras fronteiriças e nas fazendas (grandes plantações agrárias submetidas a uma exploração extensiva) produziam-se alimentos para os trabalhadores da plantação. Entre 1630 e 1661, os holandeses ocuparam e controlaram a produção e o comércio do açúcar do Brasil. Durante o séc. XVII começou a ocupação do interior do Brasil, através da ação expansiva do gado das fazendas e das bandeiras, expedições de caráter militar organizadas por particulares à procura de índios e de metais, que permitiram descobrir ouro em Minas Gerais (1693), Mato Grosso (1718) e Goiás (1725) e diamantes em Serro do Frio (1729). Aos rendimentos provenientes da extração juntaram-se os da produção de tabaco; contudo, começava o declínio do açúcar. Em 1763, a capital colonial foi instalada no Rio de Janeiro. Pelo seu lado, os franceses conseguiram estabelecer colônias, em princípios do séc. XVII, no Caribe e na América do Norte. Em 1604, fundaram Acádia (atuais Nova Escócia e Novo Brunswick) e um ano mais tarde fundaram Québec; ambas as colônias serviram de bases para o comércio das peles. A Acádia foi cedida aos britânicos por um dos Tratados de Utrecht (1713). Na segunda metade do séc. XVII, fundaram estabelecimentos em Ohio e Illinois, chegaram ao Mississippi (1682) e fundaram a Louisiana (1698) e Nova Orleans (1719). No Caribe começaram as primeiras plantações em várias das ilhas de Sotavento e Barlavento. Com a criação da Companhia Francesa das Índias Ocidentais (1664), as colônias transformaram-se em províncias. Para aprofundar a concorrência com o comércio espanhol, a França colonizou uma parte da ilha La Espanhola (Saint Domingue, mais tarde, Haiti, 1697) que se tornou a colônia açucareira mais importante do mundo e onde, em finais do séc. XVIII, se deu a primeira rebelião de população negra, origem remota da futura emancipação americana. Como consequência da guerra dos Sete Anos (1756-1763), apesar de ter conseguido reter as ilhas de Saint Domingue, Martinica e Guadalupe, a França perdeu todas as pequenas ilhas de Sotavento, a totalidade do Canadá e a Louisiana. A corrente colonizadora inglesa, do mesmo modo que a francesa, teve inícios nas primeiras décadas do séc. XVII, nas costas da Nova Inglaterra, exploradas pelo capitão John Smith (1614). Anos mais tarde estabeleceram-se os primeiros colonos, chamados na época os Padres Peregrinos (Pilgrim Fathers), que se estabeleceram em Plymouth, após a longa viagem do Mayflower (1620). Os primeiros habitantes da zona baseavam a sua economia na agricultura e, embora mantivessem os seus vínculos políticos e comerciais com a metrópole, obtiveram uma ampla autonomia interna. Os colonos americanos participaram nas guerras do séc. XVIII entre o Reino Unido e a França para impedir que prosperassem as colônias francesas. A reação das colônias britânicas contra a pressão fiscal da metrópole conduziu à guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-1783) e à proclamação da independência das Treze colônias (em 4 de julho de 1776). Foi assim que surgiu, na América, o primeiro Estado independente, que foi o exemplo a seguir para as restantes colônias americanas.
América Assinatura da Constituição dos Estados Unidos, ca. 1860-1870, por Thomas Rossiter (Sala da Independência, Parque Histórico Nacional, Filadélfia, EUA)
Época contemporâneaO movimento independentista da América Latina foi consequência de um amplo processo prévio baseado em dois fatores fundamentais: o ciclo revolucionário geral, iniciado na Inglaterra no séc. XVII e continuado na América anglo-saxônica (1776) e na França (1789), e a formação de uma consciência crioula emancipadora. A política fiscal de D. Carlos III, junto com a perda das liberdades municipais que trouxe consigo o centralismo das intendências, agudizou o sentimento crioulo de marginalização política. A partir da ocupação napoleônica da Espanha (1808), os setores crioulos proclamaram a sua adesão a D. Fernando VII. Em 1810, após a dissolução da Junta Suprema Central, organizaram-se as Juntas americanas (Caracas, Bogotá e Santiago do Chile). Tiveram início, com caráter soberano, as relações com o Reino Unido e os EUA foram promulgadas constituições liberais e foi proclamada a independência da maior parte dos territórios que acabaram por adotar regimes republicanos. A volta de D. Fernando VII nada trouxe de novo à política americana, ficando limitada a ações militares de submissão. O governo espanhol ordenou o bloqueio dos portos das províncias que tinham constituído Juntas, enquanto o vice-rei do Peru lançava as tropas contra Buenos Aires. Em 1816, Simón Bolívar ativou de novo o processo libertador e, em 1819, foi eleito presidente da República da Grande Colômbia. Pelo seu lado, no S, José Francisco de San Martín consolidou a independência argentina (fevereiro de 1818). No México, Agustín de Iturbide proclamou a independência do país em 1821 e no ano seguinte seria imperador do México. Após a liquidação dos últimos redutos realistas pelos exércitos de San Martín e Bolívar, em 1826, teve lugar o Congresso do Panamá, no qual fracassou o projeto de Simón Bolívar para a formação de uma união sul-americana. O Brasil, onde a corte portuguesa se estabeleceu (1808) após a invasão francesa de Portugal, conseguiu a sua independência de forma pacífica. Em 1821, quando o rei D. João VI voltou para Portugal, deixou como regente no Brasil o seu filho D. Pedro, que proclamou a independência do país (1822) e foi nomeado imperador. À morte do seu pai, D. Pedro passou a ocupar o trono português, abdicando em seu filho D. Pedro II (1831), cujo reinado durou até 1889, momento em que um pronunciamento militar instaurou um regime republicano federal. O séc. XIX americano também viu surgir uma nova potência, os EUA, que foi adquirindo um papel hegemônico em todo o continente. Formado pelas antigas Treze colônias e as terras ao O do Mississippi, na primeira metade do séc. XIX estendeu-se até o Pacífico, entre o Canadá ao N e o México ao S. Também incorporou uma parte considerável da América espanhola e depois mexicana, da Flórida ao Texas e à Califórnia. No extremo NO, a presença russa na América foi efêmera; o Alasca, em 1867, foi incorporado aos EUA. Na última década do séc. XIX, a expansão dos EUA foi realizada fora do continente americano, com a anexação das ilhas Havaí, de uma parte da Samoa e do Guam e, após a vitória sobre a Espanha (1898), das Filipinas e Porto Rico. Em relação aos assuntos europeus, a tendência geral da política exterior dos EUA foi a do isolamento, interrompido provisoriamente durante a Primeira Guerra Mundial e definitivamente com a deflagração da Segunda Guerra Mundial e a sua expansão fora dos limites europeus. A partir desse momento, a política exterior de Washington tornou-se um elemento-chave do equilíbrio internacional, sobretudo no que se refere às relações com os restantes países do continente americano. Os EUA que, desde a proclamação da doutrina Monroe (1823), mostraram especial interesse pela América Latina, tenderam cada vez mais a incluí-la na sua esfera de influência política e econômica. Por outro lado, a I Guerra Mundial (1911-1918) deu origem na América Latina a um período de expansão econômica, especialmente na Argentina, no Brasil e no México. Esta situação favoreceu o crescimento de um setor urbano propício para um programa de reformas democráticas, sobretudo no aspecto social (radicalismo "irigoyenista" argentino, movimentos populistas do Peru e do Brasil e revolução mexicana). A procura do mercado e os vínculos dos governos americanos com os aliados da II Guerra Mundial (1939-1945) deram um novo impulso à industrialização em países como Argentina, Chile, Brasil e México. Este crescimento teve como contrapartida o crescimento de centros produtores em volta dos quais se aglutina um excedente de população submersa na miséria e na fome. Isto gerou numerosos movimentos revolucionários e populistas que culminariam no triunfo da revolução cubana (1959), em um primeiro momento de caráter nacionalista democrático e mais tarde de clara inspiração marxista. Para travar o avanço revolucionário, a administração estadunidense aplicou uma série de medidas que permitiram que elites conservadoras chegassem ou se mantivessem no poder, aliadas com cúpulas militares, contra as quais se levantaram em armas os movimentos guerrilheiros de tipo urbanos (Uruguai, Brasil, Porto Rico, Argentina, etc.) ou de caráter mais geral (Nicarágua, El Salvador, Colômbia, Peru, etc.). Tornaram-se frequentes os golpes de Estado (Chile, Argentina, Uruguai, Brasil), em geral auspiciados pelos EUA e seguidos por uma dura repressão contra os opositores democráticos. É necessário ainda fazer referência à chegada ao poder naqueles anos de militares de orientação populista como Velasco Alvarado, no Peru (1968), Torrijos, no Panamá (1968), e Torres, na Bolívia (1970). Nos finais desta década, o triunfo da revolução sandinista levou a que os EUA cercassem a Nicarágua e que tentassem democratizar os países limítrofes (eleições na Guatemala, El Salvador e Honduras). Durante a década de 1980 novos governos democráticos surgiram na América Latina: na Bolívia (1982), na Argentina (1983), no Uruguai (1984) e no Brasil (1985). Contudo, as jovens democracias latino-americanas assentes sobre programas econômicos de forte base neoliberal confrontam-se com uma crise econômica e financeira de grandes proporções (uma dívida externa de 430.000 milhões de dólares) com o consequente aparecimento de tensões sociais e a queda assustadora do nível de vida.

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