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EV
Alemanha
Bundesrepublik Deutschland
 Forma de governorepública federal
 Superfície357.020 km²
 Localidade80.333.700 habitantes (alemão, ã)
 CapitalBerlim (3.392.425 hab.)
 Principais cidades Hamburgo (1.728.806 hab.)
Munique (1.234.692 hab.)
Colônia (968.639 hab.)
Frankfurt-sobre-o-Meno (643.726 hab.)
Essen (585.481 hab.)
 
Mais dados
Estado da Europa Central. Limitado ao N pela Dinamarca e pelos mares do Norte e Báltico; ao E pela Polônia e República Tcheca; ao S pela Áustria e Suíça e ao O pela França, Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos. Com uma superfície de 357.020 km² e uma população de 80.333.700 habitantes, o país é dividido em 16 estados (Länder). Capital: Berlim. Língua oficial: alemão. Religiões mais difundidas: protestante e católica.

Estrutura administrativa
da Alemanha

Länder

Superfície (km2)

População

Capital

População

Baden-Württemberg

37.751

10.693.000

Stuttgart

588.477

Baixa Saxônia

47.614

7.993.000

Hannover

517.310

Bavária

70.548

12.423.000

Munique

1.234.692

Berlim

891

3.388.000

Berlim

3.392.425

Brandemburgo

29.477

2.575.000

Potsdam

131.414

Bremen

404

663.000

Bremen

542.987

Hamburgo

755

1.734.000

Hamburgo

1.728.806

Hesse

21.114

6.089.000

Wiesbaden

271.553

Mecklenburgo-Pomerânia Occidental

23.171

1.732.000

Schwerin

98.742

Renânia-Palatinado

19.847

4.059.000

Mainz

186.103

Renânia Setentrional-Vestfália

34.080

18.080.000

Düsseldorf

571.886

Saarland

2.570

1.061.000

Saarbrücken

182.505

Saxônia

18.413

4.321.000

Dresden

480.228

Saxônia-Anhalt

20.447

2.523.000

Magdeburgo

228.170

Schleswig-Holstein

15.764

2.823.000

Kiel

233.270

Turíngia

16.172

2.373.000

Erfurt

199.967


GeografiaMeio físico• Geomorfologia e hidrografia A parte que melhor caracteriza o relevo alemão é a central (o Mittelgebirge, montanhas médias), que apresenta formações antigas e com menos de 1.000 m de alt. média. No extremo O, destacam-se os maciços de Eifel e Hunsrück, que, juntamente com os de Taunus, Westerwald, Rothaargebirge e as colinas de Sauerland, constituem o Maciço Xistoso Renano. Na parte E, destacam-se Frankenwald, Thüringer Wald, os montes Metalíferos e a Floresta da Boêmia. Estruturas de origem vulcânica são os maciços de Vogelsberg, Rhon e Harz. A Depressão Renana, em cujas margens se localiza a Floresta Negra, é um elemento de origem tectônica onde se encontram as bacias hidrográficas da Suábia e Francônia, margeadas ao S e ao E pelo Jura da Suábia e o Jura da Francônia e pelo planalto Suavo-bávaro, dominado ao S pelos cumes dos Alpes Bávaros (Zugspitze, 2.963 m). A parte N do país é uma grande planície (Tiefland), que ao E do Elba apresenta uma sucessão de colinas e bacias lacustres. Ao N deste arco, estende-se uma costa de amplas praias que na zona do Báltico compreende numerosas ilhas e lagoas. Nestas costas, abrem-se os profundos estuários dos grandes rios alemães, com cursos do S para o N: Oder, Elba e Weser. Porém, o maior rio germânico é o Reno, amplo e navegável; liga a região alpina, onde nasce, com o mar do Norte, onde deságua, sendo seus principais afluentes o Mosela, Neckar e Main. O quadro hidrográfico completa-se com o Danúbio que recebe as águas de várias bacias do S do país. Existe ainda uma extensa rede de canais.• Clima e vegetação O clima é atlântico, chuvoso, com precipitações regulares distribuídas ao longo do ano. Contudo, a parte mais interior e oriental sofre os efeitos da continentalidade. As temperaturas de verão rondam 16 °C na costa NO e 20 °C na Depressão Renana. No inverno, as temperaturas variam de E para O: -3 °C em Berlim e +2 °C em Aquisgrano. As precipitações diminuem de O para E (mais de 700 mm de média nas regiões ocidentais e 500-600 mm nas orientais), muito embora nos maciços montanhosos, como a Floresta Negra, se registrem mais de 2.000 mm anuais. Nas regiões de clima chuvoso do O, predomina o faial; nas regiões central e sul, os bosques de coníferas (pinheiros ou abetos) e, para o E, a pradaria.
Alemanha Garmisch-Partenkirchen, centro turístico dos Alpes Bávaros
População e povoamentoApenas com a consolidação da economia industrial a população alemã adquiriu sua configuração moderna. A Alemanha sofreu as trágicas consequências das I e II Guerras Mundiais, como perdas de população e a divisão do país em dois estados. Atualmente, após a reunificação (1990), a Alemanha conta com mais de 82 milhões de hab., apresentando uma densidade populacional de 231 hab./km2. Os imigrantes residentes são cerca de 7 milhões, principalmente turcos, sérvios e montenegrinos, italianos e gregos. As áreas menos povoadas do país são as das planícies litorais do Tiefland, sendo as das bacias do Mittelgebirge as mais povoadas. O vale do Reno forma um grande eixo urbano, especialmente na bacia do Ruhr, que apresenta uma densidade demográfica de 800 hab./km2. Toda a Renânia Setentrional-Vestfália está muito povoada, diminuindo-se a concentração populacional nas dorsais montanhosas da Suábia e Francônia e na Bavária. Na parte oriental, a área mais densamente povoada é o curso médio do Elba, enquanto as planícies de Brandemburgo têm uma densidade moderada, com exceção da região metropolitana de Berlim. O tecido urbano da Alemanha está muito articulado e não existe nenhuma cidade que assuma uma posição hierárquica superior no âmbito nacional. As principais cidades do NO da Alemanha são Hamburgo, Bremen, Colônia e Düsseldorf, enquanto Duisburgo, juntamente com Essen, Bochum, Gelsenkirchen e Dortmund, fazem parte de um dos maiores aglomerados urbanos do mundo: a bacia do Ruhr. Mais ao S, encontram-se as cidades de Frankfurt-sobre-o-Meno, Stuttgart, Mainz, Darmstadt, Mannheim, Karlsruhe, Munique e Nürenberg. Na parte oriental da Alemanha, as maiores cidades são Lípsia, Dresden, Chemnitz, Zwickau, Magdeburgo e o porto báltico de Rostock. No centro de Brandemburgo, encontra-se Berlim, a capital da República e sede das principais instituições políticas. Bonn, a antiga capital da República Federal, ainda mantém a sede de algumas instituições.Estrutura econômicaEntre 1850 e 1940, a Alemanha foi uma grande potência econômica; após a II Guerra Mundial, as estruturas produtivas ficaram praticamente destruídas. A política dos aliados favoreceu, com medidas como o plano Marshall (1948), a rápida recuperação, e posterior consolidação, da economia da Alemanha Ocidental. Na década de 1990, o país, durante o processo de reunificação, teve que enfrentar os desequilíbrios econômico-sociais existentes entre as duas regiões. A Alemanha é a terceira potência econômica mundial e a primeira da Europa, com um PNB per capita de 34.580 dólares.
Alemanha Mapa econômico
• Agricultura, pecuária e pesca A agricultura ocupa mais de um terço do território e emprega 3 % da população economicamente ativa. Os principais produtos são o trigo e a cevada, ainda se destacando os cultivos de batata, centeio, milho, beterraba, colza, linho, lúpulo e tabaco. As culturas frutíferas (maçã, pêra, ameixa) e de vinhedos, por razões climáticas, ficam limitadas ao S. A exploração florestal também é importante. Criação de bovinos, suínos, ovinos, caprinos e aves de capoeira, destacam-se as produções de leite, carne, manteiga e queijo. No setor pesqueiro, a modalidade mais importante é a da pesca de altura (em mar aberto).
Alemanha Porto de Kiel, Schleswig-Holstein
• Mineração e indústria Um dos principais recursos minerais é o carvão (bacia do Ruhr). Exploram-se jazidas de sais de potássio, sal-gema e, em quantidades modestas, ferro, petróleo, gás natural, chumbo, zinco, urânio, bauxita, cobre, ouro, prata e pirita. A indústria, muito desenvolvida em todos os setores, emprega mais de 30 % da população economicamente ativa. Indústrias metalúrgica, (produção de alumínio, zinco, cobre, chumbo, magnésio e estanho), mecânica (um dos principais produtores mundiais de automóveis, com base na bacia do Ruhr e estabelecimentos e especializações setoriais em todo o país), mecânica de precisão (óptica, material fotográfico, elétrica e eletrônica), química (produtos farmacêuticos, explosivos, adubos), petroquímico (plásticos, resinas artificiais e fibras sintéticas), têxtil (algodão, lã, seda, linho e cânhamo), alimentícia (açucareiras, cerveja, conservas, laticínios). Também existem indústrias de papel, couro e peles, de caucho, de tabaco, de vidro, de cerâmica e de porcelana, além dos brinquedos, relógios e instrumentos musicais. A Alemanha é um país emissor de grandes fluxos turísticos, principalmente para a Escandinávia, Itália, Espanha e Grécia. • Infraestruturas de transportes e balança comercial O país possui uma densa rede ferroviária, rodoviária, portuária e de aeroportos nacionais e internacionais. Os canais e os rios navegáveis são fundamentais para o transporte de mercadorias. Hamburgo e Bremen são os principais portos marítimos. O país ocupa uma das primeiras posições no âmbito do comércio internacional. As importações são de maquinaria, material de transporte, produtos químicos, material elétrico, matérias-primas, combustíveis e alimentos, enquanto as exportações são de maquinaria, material de transporte, produtos químicos e material elétrico. As trocas comerciais realizam-se principalmente com os países da UE, EUA e Japão.
HistóriaPré-HistóriaO território entre o Reno e o Oder foi habitado desde tempos remotos. Um dos vestígios arqueológicos mais antigos encontrado é a mandíbula de Mauer, variedade europeia do Homo erectus, descoberta em Baden-Württemberg (1907) e associada ao Pleistoceno Médio. Os fósseis do período interglacial são atribuídos a representantes arcaicos do homem de Neandertal, nome que deriva de vale do Neander, onde foi encontrado um esqueleto desta espécie humana (1857).O sítio arqueológico de Vogelherd é o que mais possui fósseis do Paleolítico Médio (estatueta antropomorfa de marfim com cabeça de felino de Hohlenstein) e Superior. Existem também diversas jazidas da fase final do Paleolítico Superior e do Mesolítico (Sesselfelsgrotte). Nos enterros em túmulos, destaca-se a cultura de Hallstatt com suntuosas joias e ricos conjuntos domésticos, que se difundiu pelo S da Alemanha na Idade do Bronze e durante a primeira Idade do Ferro.A época romanaOs primeiros relatos sobre a Alemanha remontam ao séc. I. Para épocas anteriores, a linguística e a arqueologia remetem para duas outras civilizações: a dos germanos orientais, que se estenderam desde a Jutlândia e as regiões entre o Weser e o Oder até os montes Metalíferos e a bacia do Reno, desde a Idade do Bronze até o séc. V a.C.; e a dos celtas, na parte sul, que foram deslocados a partir do séc. III a.C. pelos germanos que migraram para o S e SO. Até os sécs. IV-V d.C., as suas tentativas de entrar na Gália ou Itália foram esporádicas, assim como as invasões do Império Romano nos seus territórios. O projeto de uma Germânia romana que ia até o Elba teve certo sucesso com a conquista do S do Danúbio e a criação das províncias de Rétia (15 a.C.), Nórica (16 a.C.) e Panônia (10 a.C.); contudo, o projeto definhou após a derrota de Varo no bosque de Teutoburgo (9 d.C.) e as perdas sofridas por Germânico (15 d.C.). O Reno e o Danúbio permaneceram durante séculos como fronteiras que os romanos reforçaram e romanizaram no tempo de Adriano e de Antonino Pio com a construção do limes, sistema de fortificações ao longo de centenas de quilômetros, declaradas Patrimônio da Humanidade em 2005. Os contatos entre romanos e as populações além do limes foram habituais. Desde o séc. III, povos bárbaros foram acolhidos nos limites do Império e desde o séc. I os mercadores romanos já entravam regularmente na Germânia, indo até o Báltico levando mercadorias, moedas, técnicas de manufatura (vidros, armas) e influências culturais (como a ideia de uma escrita alfabética para a língua germânica) e religiosas (cultos orientais, provavelmente introduzidos pelos soldados das legiões).A Alta Idade MédiaEntre os sécs. IV e VI, os territórios alemães receberam a migração dos germanos orientais oriundos da região do mar Negro e dos Balcãs, que se deslocaram para o O. Os vândalos, suevos, godos e burgúndios fundaram um reino no Meno e misturaram-se com os germanos ocidentais, dando origem aos turíngios, aos saxões do mar do Norte, aos alamanos do curso alto do Danúbio, aos bávaros do E, e, os mais importantes de todos eles a partir do séc. VI, aos francos, um povo germânico do Baixo Reno que, após ocupar grande parte da atual França e do N da Península Ibérica (Comarca Hispânica), se estendeu até o Elba e o Danúbio. O rei franco Carlos Magno, fundador da dinastia Carolíngia, erigiu-se imperador do Ocidente (800). A expansão franca foi acompanhada da cristianização de povos inteiros, fato que explica a existência de um conjunto de bispados (Bremen, 787; Münster, Osnabrück, Paderborn e Minden, 804; Verden e Hildesheim, 815; Hamburgo, 831-834) e mosteiros que foram, durante muito tempo, o centro da vida cultural e religiosa. Os saxões foram subjugados entre 772 e 804. Por volta de 800, os territórios alemães faziam parte do Império Carolíngio .De Luís o Germânico a Frederico IIAs guerras entre sucessores de Carlos Magno originaram o primeiro estado alemão autônomo: o Reino dos Francos Orientais, Regnum Theutonicum, ou Saxonorum, reconhecido pelo Tratado de Verdun (843) a Luís o Germânico, sobrinho de Carlos Magno. Entre os fins do séc. IX e princípios do X (reinados de Arnulfo de Caríntia e de Luís o Moço) as invasões húngaras, eslavas e dinamarquesas restringiram o poder central e estimularam o ressurgimento de sentimentos separatistas por parte dos povos conquistados pelos francos. Porém, Henrique I o Passarinheiro, 1.º da casa da Saxônia, e sobretudo o seu filho Otto I, reforçaram o estado alemão. Fundaram marcas fronteiriças ao longo do Elba (Billung, Lusácia, Merseburgo, Mísnia, Caríntia, Oriental, Carníola) que asseguravam a defesa do território e consolidavam as bases da expansão para o E e da cristianização dos eslavos através da criação de novos bispados (Schleswig, Oldenburgo, Brandemburgo, Meissen, Praga e Olomouc). Em 962, Otto I era coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico (o I Reich), em Roma, e inaugurava uma política de intervenção constante na Itália. Que com Otto II e Otto III passou a ser uma política mediterrânea e oriental, estimulando o projeto utópico de uma renovatio imperii. As relações com a Igreja e o Papado conduziram o Império à Questão das Investiduras de meados do séc. XI até 1122 (Convenção de Worms) em razão da aspiração de Frederico I de criar um império universal com capital em Roma. Quando Henrique VI herdou o Reino da Sicília (1194) foi ressuscitada a ideia de um dominium mundi, que se estendia de Bizâncio até a Europa Ocidental; isto exigia grandes investimentos financeiros, longas estadias na Itália e frequentes ausências na Alemanha, o que gerou protestos, por parte das cidades, por maior autonomia e, por parte da nobreza, pela ampliação da sua base territorial. Enquanto as monarquias nacionais da França e Inglaterra construíam um estado centralizado e unitário, a monarquia alemã ainda perseguia o sonho de um império universal.
Alemanha Otto II recebendo a homenagem de quatro províncias do império, miniatura de um manuscrito, ca. 983 (Museu Condé, Chantilly, França)
A crise do projeto imperialApós a morte de Frederico II (1250), a separação da Itália e Alemanha acabou com a aspiração imperial, do mesmo modo que os Hohenstaufen haviam fracassado na criação de um estado nacional unitário. A partir do séc. XIII, se constituíram pequenos estados e cidades no mar do Norte e no Báltico (Hamburgo, Bremen, Lübeck), na faixa renana (Colônia, Aquisgrano, Frankfurt, Estrasburgo, Mainz) e nos vales alpinos (Augsburg, Ulm, Nürenberg). Algumas eram cidades livres, herdeiras de privilégios reais, e outras eram cidades imperiais autônomas. Todas elas participavam da Assembleia, ou Dieta, do Império e a partir do séc. XII se desenvolveram formando ligas e confederações comerciais: a Hansa, a liga renana (1254), a suava (1376) e a alemã do sul (1381). Entre os senhorios eclesiásticos aos quais Frederico II havia concedido privilégios, encontravam-se os arcebispados de Colônia, Tréveris e Mainz, as abadias de Hirsau, Fulda, Corvey e Saint Gall, os principados episcopais de Utrecht, Salzburgo e Trento e o singular estado dos Cavaleiros da Ordem Teutônica, protagonista da expansão por terras do Báltico à frente de poloneses, dinamarqueses e lituanos. Entre os principados laicos, foram favorecidos os pequenos senhorios da Suábia e Francônia e os grandes senhorios das antigas comarcas orientais. Nos finais do séc. XV, os Habsburgo fortaleceram o título imperial, permitindo que Maximiliano I realizasse as reformas que antecipavam a restauração do Império de Carlos V.A época de Carlos V e a ReformaNo séc. XV, a Alemanha adotou o direito romano e reformou o Império (1484 e 1495). A reforma da Igreja reforçou o poder dos príncipes, influenciando nas lutas da Reforma e Contrarreforma, que além de um confronto doutrinário correspondiam ao conflito entre o imperador e os estados pelo domínio do Império. O ressurgimento dos particularismos nacionais, as guerras político-religiosas, as da Itália e França e o ataque aos turcos na Hungria e no Mediterrâneo impediram Carlos V de ressuscitar o Sacro Império Romano-Germânico e o obrigaram a separar as Coroas alemã e hispânica. O séc. XVIIDevido aos confrontos religiosos na Assembleia, foram formadas uma união protestante, dirigida pelo príncipe eleitor palatino, e outra católica, liderada pelo duque da Bavária (1608-1609). Na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) dirimiram-se as questões político-religiosas e de teor sócioeconômico. O Édito de Restituição (1629) não respondeu apenas às pressões contrarreformistas, mas também à tentativa de Fernando II de Habsburgo de restabelecer o poder imperial. A intervenção francesa foi mais contra os Habsburgo da Espanha do que a favor dos protestantes, embora aquela constituísse um apoio externo à estrutura do Império, confirmada pelos tratados de Vestfália (1648), com partilhas territoriais a favor da França (Alsácia) e da Suécia (Pomerânia). A Guerra dos Trinta Anos acelerou o fim da Hansa como potência econômica. A primeira Guerra do Norte (1655-1660) significou a ascensão de Brandemburgo como potência alemã setentrional e o seu reconhecimento pela Suécia, Dinamarca e Polônia.
Alemanha Sessão final de ratificação da Paz de Vestfália, 1648, gravura de S. Fokke sobre desenho de G. Burck (Coleção Achile Bertarelli, Milão, Itália)
O séc. XVIII No séc. XVIII, a Alemanha era um conjunto de estados independentes com estrutura autônoma: a Áustria, após o fracasso alemão, aproximou-se da Itália (Lombardia, Nápoles, Toscana) e dos Balcãs; a Bavária, aliada à França, tentou, inutilmente, ascender à categoria de Reino; a Saxônia aumentou o seu prestígio com a Coroa polonesa e os Hannover com a do Reino Unido; a Prússia levou a cabo uma política de alianças de âmbito europeu, o fortalecimento do exército, a organização burocrática do estado e a ampliação territorial no espaço alemão (Silésia) e no polonês (Guerra da Sucessão da Áustria, 1740-1748; Guerra dos Sete Anos, 1756-1763; partilha da Polônia, 1773, 1793-1795). Os estados menores aliaram-se, ocasionalmente, ao Reino Unido, França ou Rússia. Os territórios eclesiásticos e as cidades do O e SO oscilaram entre a Áustria, Bavária ou França. Apenas nas zonas dos pequenos estados persistiu o orgulho de se pertencer ao Império. Alguns estados, laicos ou eclesiásticos, aderiram ao absolutismo iluminista austríaco ou prussiano e a Aufklärung recrutou uma ativa minoria de eruditos entre a alta burguesia e o alto clero. A burguesia, que havia ascendido na escala social e financeira favorecida pela política mercantilista, seguia com obstáculos para ascender às altas funções estatais, enquanto as classes rurais melhoraram graças aos príncipes iluministas, fato que favoreceu à irradiação dos ideais da Revolução Francesa.
Da época napoleônica a 1848Com Napoleão, a Alemanha ficou subordinada à França. Os principados eclesiásticos foram secularizados, as cidades imperiais submetidas a um príncipe e um grupo de estados do centro uniu-se à Confederação Renana, protegida por Napoleão (1806). A Bavária e Württemberg tornaram-se reinos à custa da Áustria. Francisco II, imperador da Áustria a partir de 1804, renunciou ao seu título imperial. A Prússia ficou reduzida a um estado localizado entre o império francês e a Rússia. Foram impostos os ordenamentos jurídico e administrativo franceses. A manumissão dos camponeses na Prússia (1807) marcou a história alemã contemporânea. Mas, desde cedo, ficou evidente que o sistema jurídico-político napoleônico apenas servia para a França, fato que garantiu o florescimento de uma consciência nacional alemã (Fichte, Herder, Arndt, Von Stein, Goethe). A rebelião contra Napoleão durante a guerra de libertação juntou em uma aliança transitória, sob liderança da Prússia, correntes progressistas e um movimento popular de variadas forças no S e O. Persistiu ainda, o dualismo entre a Áustria de Metternich, que dirigia a diplomacia, e a Prússia que liderava a estratégia militar a partir das forças conservadoras que se concentraram na Santa Aliança. Napoleão foi derrotado na Batalha de Leipzig (1813) e no Congresso de Viena (1815) foi reconhecida uma Confederação Germânica com 35 príncipes e quatro cidades autônomas sob a presidência da Áustria, com um órgão supremo em Frankfurt, um exército unificado e o território histórico do reino da Alemanha, excluíndo-se o dos Hohenzollern da Casa da Áustria. Diante disso, as sociedades secretas, como as Burschenschaften estudantis, a Jovem Alemanha, movimentos liberais, tornaram-se excepcionalmente ativas e, sob a influência das revoluções europeias (1830), arquitetaram constituições mais liberais em alguns estados, apesar de Metternich ter estabelecido uma censura a livros e jornais, proibido as associações culturais e criado em Mainz um gabinete central de investigação (1819). Os liberais se dividiram em um setor moderado (à inglesa) e outro radical e democrático (à francesa). Em 1848, 600 notáveis dos estados do Sul se reuniram, em Frankfurt, em um Parlamento Alemão provisório. Ao mesmo tempo, a Prússia convocou uma assembleia nacional que, apesar de esboçar os direitos fundamentais do cidadão, não resolveu as divergências entre os partidários de uma Grande Alemanha, que incluísse a Áustria, e os de uma Pequena Alemanha, formada pelos territórios vinculados pela união alfandegária de 1834 (Zollverein), sob hegemonia prussiana e protestante.De 1849 à proclamação do II ImpérioOs distúrbios na Saxônia e no SO (maio de 1849), promovidos por democratas, republicanos e os primeiros socialistas, levaram a burguesia a criar uma aliança com os conservadores, anulando o Parlamento de Frankfurt e a Constituição. O novo governo deixou de ser reconhecido internacionalmente e a Confederação Germânica ficou fragmentada em três Alemanhas: a do SO, mais ligada à Europa; a da Áustria, multipolarizada; e a da Prússia, mais germanizante e militarista. A burguesia, decepcionada com a política, apostou em uma Revolução Industrial que avançou rapidamente devido ao investimento britânico e belga. As indústrias têxtil e metalúrgica da Renânia, Saxônia e Silésia se recuperaram graças à união alfandegária e a uma rede ferroviária em crescimento. Entre 1850 e 1873, a expansão da indústria alemã planejada por Otto von Bismarck deu origem ao partido operário, que mais tarde se fundiu às correntes ligadas ao Manifesto Comunista de Marx. O dualismo entre a Prússia e a Áustria conduziu à Guerra Austro-Prussiana (1866). Bismarck derrotou a Casa da Áustria e os seus aliados alemães (entre eles, a Bavária), excluindo-a da cena política (Tratado de Praga, 1866); criou uma nova Confederação Germânica juntamente com os estados alemães do N do Meno, sob a presidência da Prússia, e excluiu os do S, que se organizaram em outra Confederação. Bismarck, aplicando os postulados ideológicos do constitucionalismo, liberalismo, nacionalismo e progresso social, uniu a Alemanha sob a direção da Prússia. Com a consolidação do Império, reorganizado para a guerra contra a França, derrotou o II Império Francês na Guerra Franco-Prussiana.Do apogeu de Bismarck à I Guerra MundialEm janeiro de 1871, foi proclamado em Versalhes o II Império, com uma extensão de 544.000 km2 e 41.000.000 hab. (65.000.000, em 1910). As autoridades supremas eram o Conselho do Império, representante dos governos estatais, e uma Assembleia Nacional (Reichstag), com poderes limitados. Bismarck dirigiu a política até 1890, desenvolvendo primeiro uma política livre-cambista e reprimindo as forças internas perigosas para o Império (os católicos fiéis ao papa, que reclamavam a igualdade com os protestantes, e os socialistas, pelo seu programa marxista, pelo associativismo operário que promoviam e pela agitação que fomentavam). Mais tarde, Bismarck aplicou medidas protecionistas, iniciou a Kulturkampf (luta cultural), suprimiu as ordens religiosas e promoveu a criação de colônias alemãs na África (1883-1885). A política externa do novo Império orientou-se a partir da Dupla Aliança e daTripla Aliança, para a conservação do seu estatuto na Europa. Quando Guilherme II ocupou o trono, preocupado com o grande prestígio que tinha Bismarck, provocou a demissão deste e reorientou a Alemanha para a Europa, Oriente Médio e Balcãs, com uma política muito enérgica nos campos econômico, comercial, diplomático e militar. A crescente burguesia e as altas esferas da cultura aderiram aos ideais pangermanistas, aos quais apenas se opunha o internacionalismo socialista. O estado-maior alemão, após planejar o conflito ao O com a França e ao L com a Rússia, entrou na Guerra Mundial (1914-1918) em solidariedade ao Império Austro-Húngaro, contra a França, Reino Unido e Rússia, com a aliança da Turquia e Bulgária, e tratando de que a Itália permanecesse neutra. O conflito provocou uma crise interna no país: círculos alemães de católicos e socialistas solicitaram a paz, sem que o governo do Império cedesse, apesar, ainda, das solicitações do novo imperador da Áustria, incapaz de controlar os movimentos nacionalistas eslavo, polonês e italiano.
Alemanha A unidade alemã nos finais do séc. XIX
A República de Weimar e a ascensão do nazismoDepois da Turquia, Bulgária e Império Austro-Húngaro, a Alemanha pediu o armistício (novembro de 1918) baseado nos 14 pontos de Wilson, confirmado pelo Tratado de Versailles (junho de 1919), que impôs à Alemanha renúncias territoriais (Alsácia-Lorena, Posnânia, o Corredor Polonês e as colônias), a redução do exército, a desapropriação dos bens alemães no exterior, o controle de fábricas e de cotas de produção, da pecuária, a entrega dos criminosos de guerra, incluindo o Imperador, e a renúncia aos acordos de Brest-Litovsk, tudo isto garantido por meio da autorização de ocupação da Renânia. O governo republicano que firmou o Tratado de Paz, formado por socialistas de esquerda, social-democratas e católicos de centro, teve de sufocar a rebelião comunista de Berlim (Rosa Luxemburgo, janeiro de 1919) e reprimir a República Bolchevique de Munique (abril de 1919) e outros distúrbios semelhantes no Ruhr e Vestfália. A Constituição da nova República de Weimar (julho de 1919), inspirada na de 1849, reconhecia a autonomia dos estados do antigo Império, o sufrágio universal, incluído o da mulher, e uma avançada legislação social com oito horas de trabalho diário. As duras cláusulas do armistício foram atribuídas ao sistema de Weimar, fato que estimulou o repúdio ao sistema republicano e seus representantes. Contudo, a República conseguiu neutralizar as insurreições de direita (Berlim, 1920, e de Hitler em Munique, 1923) e de esquerda (Berlim e outros pontos, 1920-1923). As eleições até 1928 foram vencidas pelos partidos democratas. Foram restabelecidas as relações com a União Soviética (1922), com os EUA e com a França (acordos de Locarno, 1925). A Alemanha ingressou na Sociedade das Nações. A evolução das políticas sociais e culturais foi abalada pela crise de 1929, que produziu a fuga de capitais estadunidenses e o aumento do desemprego (até 6.000.000 de pessoas). Neste ambiente, o Partido Nacional-Socialista Alemão do Trabalho (Partido Nazista) passou de 12 deputados em 1928, para 107 em 1930 e 230 em 1932, com Hitler e Rosenberg na liderança. Em janeiro de 1933, perante a grave situação do país, Hitler, que contava com o apoio dos partidos burgueses representantes da grande indústria e dos proprietários rurais, foi chamado pelo chanceler Hindenburg para ocupar a Chancelaria. Após o incêndio do Reichstag, os nazistas promoveram a ilegalização do Partido Comunista e a perseguição aos judeus e aos grupos de esquerda. Nas eleições de 1933, os nazistas conseguiram a maioria absoluta, o que lhes deu o controle dos governos central e dos estados federados.O III ReichA chegada dos nazistas ao poder transformou a República no III Império (III Reich). Os estados perderam a autonomia, os sindicatos operários e patronais foram fundidos, os partidos políticos dissolvidos e a imprensa controlada, assim como, as organizações juvenis e assistenciais, a cultura, as escolas e a Igreja. Em 1934, Hitler, como Fürher, depurou o partido de elementos de esquerda a fim de satisfazer às forças armadas. Após a morte de Hindenburg, assumiu o cargo de chefe de Estado, legalizando através de um plebiscito as emendas constitucionais (agosto de 1934). Em 1933, o país saiu da Sociedade das Nações e, em 1935, após a anexação do Sarre com 95 % de votos, o serviço militar obrigatório foi restabelecido. O revisionismo alemão foi reforçado pela aliança com o fascismo italiano, com quem interveio na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) apoiando os rebeldes de Franco, e com o militarismo japonês na Ásia; culminou no Pacto Antikomintern e na configuração do Eixo. Em 1938, anexou a Áustria (Anschluss) e o território tchecoslovaco dos Sudetos alemães (setembro). Em 1939, a Tchecoslováquia foi incorporada ao Reich como Protetorado da Boêmia e Morávia, e a Lituânia, ocupada.
Alemanha Adolf Hitler
A II Guerra MundialA Polônia, apesar de estar vinculada desde 1934 ao III Reich por um pacto de não-agressão, foi invadida. Diante da reivindicação do Corredor Polonês pelos nazistas para a obtenção do acesso à Prússia Oriental, França e Reino Unido reagiram, mas a Alemanha, que havia acordado com a URSS a partilha da Polônia e dado carta branca para a ação soviética no Báltico (o Pacto Germânico-Soviético, de 23 de agosto de 1939), arrasou a Polônia sem dar aos aliados tempo para intervir. Havia começado a Guerra Mundial. Em abril de 1940, Hitler ocupou a Dinamarca e a Noruega. Em maio, conquistou a Bélgica, os Países Baixos e iniciou a invasão da França. O governo francês, presidido por Pétain – ultraconservador e partidário do antissemitismo – pediu a Hitler um armistício pelo qual a França conservava parte do seu território não ocupado e as colônias, em troca da facilitação a Hitler da hegemonia nazista sobre uma Europa autoritária. Os sucessos alemães na França animaram a Itália a expandir-se para o Sul e para a África. Hitler não conseguiu invadir ou bloquear o Reino Unido, que não havia aceitado as propostas de paz do acordo hegemônico; portanto, dirigiu a expansão territorial para a Romênia e Balcãs (Grécia e Iugoslávia), apoiando a Itália no Mediterrâneo até lançar um ataque à URSS (junho de 1941). Paralelamente, os EUA e as colônias britânicas foram atacadas pelo Japão, aliado da Alemanha. Entre 1941 e 1944, a Alemanha ocupou e organizou quase a totalidade da Europa de acordo com sua ideologia e interesses. Desde finais de 1942, o curso da guerra começou a mudar, a partir do ataque aliado no Sul da Europa e a contra-ofensiva soviética no leste até os Balcãs, que se reforçou com o desembarque da Normandia ou o Dia D (6 de junho de 1944). A guerra chegou ao território alemão. O cerco sobre os exércitos alemães foi fechado pelas tropas aliadas às margens do Elba (abril de 1945). O Führer suicidou-se em Berlim e o alto-comando alemão se rendeu perante os altos-comandos aliados (7-8 de maio de 1945): Eisenhower (EUA), Tedder (Reino Unido), Zhúkov (URSS) e De Lattre de Tassigny (França). O governo da Alemanha ocupada, estabelecido em Berlim e integrado pelos representantes das quatro potências vencedoras, cada uma controlando uma parte do território alemão, foi confirmado pela Conferência de Potsdam (julho-agosto de 1945).O pós-guerra e a divisãoOs vencedores desenvolveram um plano de expurgação das ideias nazistas, de desarmamento, de redução industrial, de confisco de bens para servir como indenizações de guerra, de estabelecimento de fronteiras provisórias (a Prússia Oriental foi cedida à URSS; a Silésia e a zona da Pomerânia até o Oder, à Polônia). O momento culminante foi o Julgamento de Nürenberg em que foram julgados os crimes de guerra, os chefes das organizações nazistas e os membros do governo de Hitler. Na zona soviética, foram coletivizadas propriedades agrárias, bancos e empresas, enquanto na zona ocidental apenas foram confiscadas as empresas Krupp, as minas do Sarre e foram dissolvidos os trusts das grandes indústrias siderúrgicas, mecânicas e químicas. Foi autorizada a constituição de partidos democratas antinazistas: na zona soviética, unidos em um bloco dirigido pelos comunistas; nas zonas britânica e estadunidense, pelos social-democratas; e, na francesa, pela democracia cristã. A URSS e a França rejeitaram a proposta dos EUA (julho de 1946) de ser estabelecida uma unidade econômica entre as quatro zonas. Em janeiro de 1947, foram unificadas as zonas estadunidense e britânica, criado um conselho econômico eletivo e, em julho, confiado a um comitê executivo alemão o Plano Marshall para a reconstrução da Europa, rejeitado pela URSS. Os soviéticos criaram uma comissão análoga, que foi o embrião do Congresso do Povo Alemão, convocado em dezembro de 1947. A Assembleia do Sarre decidiu a unificação econômica com a França. Em março de 1948, a URSS retirou os seus representantes da comissão de controle de Berlim, pondo fim à administração quatripartida do território. A partir deste momento, acentuou-se a divisão do território alemão com a organização pelos soviéticos de uma polícia militar e pelo bloqueio do acesso a Berlim para as potências ocidentais. Uma reforma monetária estabilizou o marco ocidental, que se mostrou superior ao oriental reformado pela URSS. A Assembleia de Representantes dos Länder ocidentais redigiu uma nova constituição; diante disso, um Conselho do Povo da Alemanha Oriental elaborou uma constituição para todo o país. A lei fundamental da República Federal da Alemanha (RFA), inspirada pelo líder democrata cristão Konrad Adenauer, tentava evitar os aspectos negativos da República de Weimar. Eram legalizados todos os partidos políticos que reconheceram a ordem democrática (na época de Adenauer foi declarado ilegal o Partido Comunista). Os länder foram reconstituídos (muito diferentes dos de 1871 ou 1919) com maior influência, exercida através de um Conselho Federal (Bundesrat). Em setembro de 1949, a Assembleia Federal elegeu presidente da República Theodor Heuss, um conhecido liberal, que propôs como chanceler K. Adenauer. Em 1950, a Alemanha Federal deu outro passo importante para a sua recuperação como Estado soberano, quando a OTAN aceitou a sua incorporação e o governo federal recuperou o seu direito de representação diplomática. Em julho de 1951, concretizou-se o ingresso na OTAN e a Assembleia ratificou a remilitarização alemã. Nesse mesmo ano, RFA, França, Itália e Benelux criaram a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), embrião da futura CEE. Nas eleições de 1953, K. Adenauer obteve mais de 43 % dos votos, em uma eleição em que comunistas e neonazistas não conseguiram qualquer assento. Em 1957, fortalecido pela maioria absoluta do seu reforçado partido de direita, Adenauer pediu a reunificação alemã com base na autodeterminação dos povos reclamada pela URSS na ONU para as colônias da Ásia e África. Desde 1949, a URSS, como réplica à Alemanha Ocidental, havia criado uma República Democrática Alemã (RDA), sob a presidência de um comunista, Wilhelm Pieck, com um socialista, Grotewohl, como chefe de Governo e um democrata-cristão e um liberal como vice-presidentes. Mas um governo de coligação não satisfez Moscou, sendo instaurado um bloco democrático com direção comunista.A construção do muro de BerlimEm Berlim, mais de 3.000.000 pessoas fugiram em um período de dez anos da RDA para a RFA. A fim de o impedir, as autoridades da RDA construíram um muro de cimento que, custodiado pelas forças policiais, dividiu a cidade. As regiões relevantes do Leste foram substituídas por outras, baseando-se em critérios econômicos. As instalações industriais e a produção foram controladas e as vendas à URSS realizavam-se sob preços determinados pelo comprador. A reforma agrária obrigou os camponeses a se inscreverem nas cooperativas coletivizadas. Os planos de reconstrução (quinquenais, a partir de 1950) para o desenvolvimento da indústria têxtil e química exigiram um esforço operário que conduziu a uma greve geral em Berlim Oriental (junho de 1953), reprimida pelos tanques soviéticos. A RDA retomou a militarização e suas forças armadas foram incorporadas ao Pacto de Varsóvia. Em 1961, na reunião de Viena entre Kennedy e Jruschov, a proposta soviética de paz, com duas Alemanhas separadas e Berlim como cidade franca desmilitarizada, foi rejeitada em consonância com a política de Adenauer. Entretanto, a política externa de Bonn, capital da RFA desde 1949, ganhava autonomia: o tratado entre Adenauer e a França de Ch. de Gaulle (1963) para a colaboração cultural, econômica e militar franco-alemã, marcou um distanciamento com Washington e Londres. A substituição do chanceler L. Erhard por K.G. Kiesinger (1966) significou uma menor rigidez nas relações com a RDA. As pressões dos habitantes de Berlim Ocidental para a abertura do muro no Natal e na Páscoa, confluíram com as da indústria e do comércio, que mantinham relação com os países comunistas, e com as da Igreja, que recomendava uma revisão das fronteiras com a Polônia, fixadas na linha Oder-Neisse. As relações políticas com os países do Leste adotaram novos parâmetros quando o social-democrata Willy Brandt, ex-presidente da Câmara de Berlim Ocidental e ex-ministro do Comércio Exterior, assumiu a direção do governo à frente de uma coligação de social-democratas e liberais que colocou na oposição os democratas-cristãos, após vinte anos no poder (outubro de 1969). Enquanto o novo presidente federal, o socialista G. Heinemann (1969-1974) assumia posições antimilitaristas, Brandt negociava com Moscou e Varsóvia para que as potências chegassem a um acordo sobre Berlim, o qual se produziu em setembro de 1971, com o reconhecimento das ligações entre Berlim Oriental e a RFA e a flexibilização do controle no Muro. O acordo com Moscou era fundamentado na renúncia recíproca ao uso da força e com Varsóvia, no reconhecimento da fronteira germano-polonesa na linha Oder-Neisse. Em dezembro de 1972, a ratificação do tratado de base entre as duas Alemanhas normalizava, finalmente, as relações Leste-Oeste. Em 1971, na RDA, Ulbricht foi substituído por L. Honecker na direção do partido hegemônico, o Partido Unificado Socialista (SED), e como chefe de Estado (1976). Em 1974, na RFA, W. Brandt foi substituído na chancelaria pelo também social-democrata H. Schmidt. Em outubro de 1982, os social-democratas perderam a Chancelaria que controlaram durante quinze anos e subiu ao poder a aliança democrata-cristã e cristã-social (CDU-CSU), com H. Kohl como chanceler. As eleições de março de 1983 deram a vitória aos democratas-cristãos e uma grave derrota aos social-democratas, enquanto o Partido Verde entrou no Bundestag com um equilíbrio que se manteve após as eleições de janeiro de 1987. O governo da RDA, por sua vez, não atendia aos pedidos de reformas determinados pela Perestroika soviética, considerando que a melhoria das relações de 1985 já eram suficientes. Cresceram, portanto, o descontentamento e as fugas para a RFA.A reunificaçãoEm 1989, sob um clima de protesto organizado pelas Igrejas cristãs, pelos pacifistas e grupos de defesa dos direitos humanos e a partir do desmantelamento da Cortina de Ferro entre a Hungria e a Áustria, que abriu a possibilidade de saída para os alemães do Leste, a situação modificou-se com rapidez. Gorbachev visitou Berlim em outubro e propôs a Honecker a realização de reformas, que respondeu com a ordem de disparar sobre a multidão. Foi substituído por E. Krenz. Autorizado o livre trânsito em Berlim e com a promessa de eleições, o congresso do SED escolheu o reformista H. Modrow em substituição a Krens e aprovou a derrubada do muro de Berlim (10 de novembro). Em março de 1990 foram convocadas eleições, nas quais obteve maioria quase absoluta a Aliança pela Alemanha, prevalecendo Lothar de Maizière. Kohl e L. de Maizière alteraram a Constituição determinando a unificação, que entrou em vigor simultaneamente à retirada das tropas soviéticas. Reconstituídos os cinco Länder orientais (Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo, Saxônia-Anhalt, Saxônia e Turíngia), ficou completo o processo de unificação. Nas primeiras eleições, em dezembro, venceu uma coligação de democratas cristãos e liberais que, em janeiro de 1991, formou o primeiro governo pangermânico com H. Kohl como chanceler. Em 1993, os problemas sociais, políticos e financeiros da reunificação agravaram a recessão econômica fruto do envio de fundos para o desenvolvimento da antiga RDA. Todos se comprometeram a contribuir para a consolidação da unificação. Ao mesmo tempo, a saída de todas as tropas estrangeiras colocava fim à ocupação posterior à II Guerra Mundial. Em 1996, a Alemanha ocupou um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Nas eleições gerais de 1998, o triunfo do social-democrata G. Schröder pôs fim a 16 anos de governo de Kohl, que se viu implicado em escândalos financeiros e obrigado a abandonar a política. Foi formado um governo de coligação com o Partido Verde. Em 1999, o novo chanceler inaugurou a sede do Parlamento Alemão no histórico edifício do Reichstag, em Berlim. Neste mesmo ano, o social-democrata J. Rau foi eleito presidente da República. Nas eleições legislativas de 2002, G. Schröder revalidou a sua maioria e renovou a coligação com o Partido Verde de J. Fischer. Em 2004 o político e economista H. Köhler substituiu J. Rau no cargo de presidente. Em maio de 2005, o Parlamento alemão ratificou o texto da Constituição Europeia, que foi aprovado no mês de junho. Em maio, os social-democratas sofreram uma das suas piores derrotas ao perder as eleições do Estado de Renânia do Norte-Vestfália, um dos territórios mais estáveis do SOE. Esta derrota fez com que o presidente Schröder anunciasse a antecipação das eleições gerais, que se celebraram no mês de setembro. A coligação democrata-cristã liderada por Angela Merkel foi a força mais votada, embora com uma diferença de votos mínima em relação aos social-democratas. Este fato obrigou as duas formações a chegarem a um acordo de coligação de governo liderado por Merkel, que se converteu na primeira mulher chanceler da história. Umas das primeiras medidas tomadas pelo governo de coligação foi iniciar uma reforma da estrutura federal da Alemanha. Reflexos da crise econômica mundial Como os demais países europeus, a Alemanha foi fortemente atingida pela crise econômica iniciada em 2007 nos Estados Unidos e agravada em 2008. Em 18 de fevereiro de 2009, o governo alemão aprovou lei que possibilita a expropriação dos bancos em dificuldades financeiras no país. A lei teve a data de 30 de junho como prazo para expirar e foi exclusivamente desenhada para o caso do banco hipotecário alemão Hypo Real State, com a intenção de proteger o dinheiro dos contribuintes que já foi investido. Nos últimos meses, os acionistas e a direção do Hypo Real State receberam 87 bilhões de euros de ajudas e garantias públicas. Em 10 de março de 2009, divulgou-se que as exportações da Alemanha, um dos principais motores da maior economia europeia, recuaram 20,7 % em janeiro de 2009 em relação ao mesmo período de 2007, registrando a maior queda nos últimos 16 anos.
ArteA etapa de florescimento da arte alemã terminou por volta de 1530, devido às primeiras consequências da Reforma. Na arquitetura civil, foi imposto um estilo híbrido e anticlássico na decoração (Palácio de Heidelberg). A Guerra dos Trinta Anos implicou uma longa crise artística que acabou com a eclosão do barroco alemão e do rococó (1730-1770), criador de um estilo absolutamente original. Os principais arquitetos foram: B. Neumann (residência de Wurzburgo), J.M. Fischer, os Asam (Igreja de São João Nepomuceno, Munique), os Dientzenhofer (Palácio de Pommersfelden), A. Schlüter, G.W. Knobelsdorff e M.D. Pöppelmann. Igualmente original foi a escultura (B. Permoser, A. Schlüter, J. Dietrich, I. Günther). A pintura, pelo contrário, foi encomendada a artistas estrangeiros, sobretudo italianos. Além da marcenaria, atingiu grande importância a porcelana (Meissen).R. Mengs e J. Winckelmann difundiram o neoclassicismo. Em Berlim, trabalharam os arquitetos C.G. Langhans (porta de Brandemburgo, 1789-1793) e F. Schinkel, e em Munique, L. von Klenze (Alte Pinakothek de Munique). Em 1907, H. Muthesius fundou em Berlim o Deutscher Werkbund, escola de arte industrial ao redor da qual se reuniram os representantes do estilo racionalista: P. Behrens (fábrica de turbinas AEG de Berlim, 1909), seu discípulo W. Gropius (fábrica Fagus de Alfeld, 1911), e L. Mies van der Rohe (casa Kröller, 1912). Gropius fundou em 1919, em Weimar, a escola da Bauhaus, interrompida pelo nazismo. Nas artes plásticas, os protagonistas do romantismo foram P.O. Runge, K. Blechen e, sobretudo, C.D. Friedrich. A pintura da segunda metade do séc. XIX esteve dominada pelo simbolismo (A. Böcklin, N. Klinger) e o impressionismo apareceu com W. Leibl, M. Liebermann e L. Corinth, precursor do expressionismo formulado pelos membros do grupo Die Brücke (A Ponte), que reuniu pintores (E. Heckel, E.L. Kirchner, M. Pechstein, K. Schmidt-Rottluff, E. Nolde e O. Müller) e escultores (E. Barlach, K. Kollwitz e W. Lehmbruck). Em 1911, fundou-se em Munique o grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), que preconizava um expressionismo idealista (o russo V. Kandinski, F. Marc, A. Macke e o suíço P. Klee). Após a I Guerra Mundial, o dadaísmo berlinense e a Neue Sachlichkeit (Nova Objetividade; O. Dix, M. Beckmann, G. Grosz) ressaltaram a crítica social. A Bauhaus agrupou os artistas interessados na procura formal (P. Klee, V. Kandinski, O. Schlemmer, L. Feininger e o húngaro L. Moholy-Nagy).
Alemanha Frenesim, 1910, por Ernst Barlach (Museu de Arte Nelson-Atkins, Kansas City, Missouri, EUA)
Em Paris, Wols e H. Hartung anteciparam a abstração e com J. Beuys a pintura evoluiu, na década de 1960, para a arte conceitual e o happening. Na década de 1980, assistiu-se ao desenvolvimento da pintura selvagem (J.G. Dokoupil, G. Baselitz, M. Lüpertz e A.R. Penck). Paralelamente, G. Richter, J. Immendorf, S. Polke, P. Kirkeby e A. Kiefer ligaram diferentes aspectos da pós-modernidade. A nova escultura alemã também se destaca pelos seus traços inovadores e pela revisão da arte minimal (T. Schütte, R. Mucha, O. Metzel). Em finais do séc. XX, a pintura explorou a abstração radical (G. Förg, J. Gerz).A arquitetura e o urbanismo posteriores à II Guerra Mundial ficaram marcados pela reconstrução das cidades destruídas. Destacam-se a Galeria de Arte Moderna de Berlim (1962-1968), de L. Mies van der Rohe, a Filarmônica de Berlim (1968), de H. Scharoun, ou o Estádio Olímpico de Munique (1971-1972), de F. Otto. Em finais do séc. XX, a tendência high-tech, com frequência centrada nos grandes complexos arquitetônicos, teve como protagonistas Th. Herzog (Centro de Exposições de Hannover, 1996) e os arquitetos Von Gerkan e Marg construíram os terminais dos aeroportos de Hamburgo (1993) e Stuttgard (1995).
CinemaEm 1896, O. Messter começou a produzir e dirigir documentários e filmes de ficção, sendo o cineasta alemão mais importante do início do séc. XX; M. Reinhardt, reconhecido homem de teatro, foi um dos primeiros artistas do país a tentar reativar a produção da Projektion A.G. Union, contribuindo com seu conhecimento. Devido ao bloqueio internacional após a I Guerra Mundial, o governo decidiu utilizar o cinema para reerguer o ânimo da população e financiou a criação da UFA (Universum Film Aktiengesellschaft). Em 1919, foi estreado O Gabinete do Dr. Caligari de R. Wiene, sob os postulados estéticos do expressionismo. Juntamente com esta corrente de vanguarda estão As Três Luzes (1921) de F. Lang, e (1922) de F.W. Murnau. Outros diretores importantes da época dourada do cinema alemão foram L. Pick, E.A. Dupont, V. Eggeling, W. Ruttman, P. Jutzi, L. Trenker e, especialmente, G.W. Pabst – A Caixa de Pandora (1928) –. Quando os nazistas controlaram a Alemanha, impuseram um forte controle ideológico que levou muitos diretores ao exílio. L. Riefenstahl rodou O Triunfo da Vontade (1935) e Olympia. Apesar da devastação física e moral que a Alemanha experimentou com a queda do III Reich, a indústria cinematográfica se recuperou rapidamente. Na RFA, foram criadas novas produtoras e estúdios e na RDA foi fundada a DEFA, companhia única controlada pelo Estado.Na década de 1960, surgiu uma geração de jovens diretores (A. Kluge, P. Schamoni, E. Reitz e J.M. Straub, entre outros) que rodou com grande liberdade expressiva, da qual foram sucessores W. Herzog – Aguirre ou a Cólera de Deus (1972) –; R.W. Fassbinder – As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (1972) –; W. Wenders – O Amigo Americano (1977) –; e Volker Schlöndorff – O Tambor de Latão (1978) –, máximos representantes do novo cinema alemão. Nas décadas seguintes, apareceram outros diretores singulares (H.J. Syberberg, P. Fleischmann, Doris Dörrie, Margarethe von Trotta e Ulrike Ottinger). A obra póstuma de Fassbinder Querelle (1982), Fitzcarraldo (1982) de Herzog, Paris, Texas (1984) de W. Wenders, Café Bagdá (1988) de P. Adlon e a ambiciosa série da televisão Heimat (1984) de E. Reitz, foram os títulos mais destacados de um período de incertezas. A reunificação alemã de 1991 serviu para restaurar a decadente produção oriental e para favorecer o intercâmbio artístico em favor de uma sólida cinematografia autóctone. A Vida em Obras (1997) e Adeus Lenin! (2003) de W. Becker, Corra, Lola, Corra (1998) de T. Twyer, Aimée & Jaguar (1999) de M. Färberböck, e Deliciosa Martha (2001) de S. Nettelbeck, foram alguns dos filmes mais aclamados do reunificado cinema alemão.
LiteraturaNão persistiu qualquer documento literário da época das migrações germânicas. Contudo, da antiga liturgia pagã conservam-se Conjuros de Merseburgo, do séc. VIII, e o poema épico Cantar de Hildebrando, de princípios do séc. IX. Entre os sécs. XII e XIII, surgiu a literatura cortesã, cuja vertente lírica constituiu o Minnesang (canto de amor), poesia amorosa de ressonâncias trovadorescas (W. Vogelweide, H. Veldeke, R. Hagenau e H. Au). A vertente épica, inspirada em modelos franceses, é representada por Parsifal, de W. von Eschenbach e Tristão e Isolda, de G. von Strassburg. Poema especial é O Cantar dos Nibelungos, poema épico que recupera a tradição dos antigos cânticos germânicos pagãos. A partir de meados do séc. XIII, surge o Meistersang, adaptação da lírica cortesã realizada pela burguesia em círculos urbanos. No séc. XIV, deve-se realçar a contribuição da mística, movimento de renovação religiosa cujos representantes (Mestre Eckart, Heinrich Seuse e Johannes Tauler) conseguiram uma prosa muito elaborada.O humanismo trouxe o conceito de literatura didática (diálogos, provérbios, ditados); neste contexto, difundem-se personagens populares (Fausto ou Till Eulenspiegel). A tradução da Bíblia de M. Lutero, amplamente difundida graças à imprensa, representa a base da unificação linguística do alemão. No séc. XVI, destacam-se H. Sachs e J. Fischart. No barroco, a literatura em alemão concorria com o prestígio do latim, herança do humanismo, e com o de outras línguas (francês ou italiano). As sociedades linguísticas e os círculos de poetas encarregaram-se de dinamizar a literatura em alemão, dominada pelo lirismo de M. Opitz, P. Fleming, F. Spee e A. Gryphius. Uma narrativa (H. Sachs e J. Fischart) que muito se aproximou do romance picaresco Simplicius Simplicissimus, de Ch. von Grimmelshausen, reuniu a tradição popular com a satírica do século anterior. A primeira metade do séc. XVIII foi dominada pela cultura francesa, especialmente pelo classicismo. Destas influências surgiu o iluminismo (Aufklärung), definido por I. Kant. F. Gottlieb Klopstock, C. Martin Wieland e, sobretudo, G.E. Lessing, que aplicaram às suas obras os valores iluministas: a razão como princípio norteador do comportamento. Gottsched chegou a formular um processo para submeter à razão a criação poética. Na procura de modelos válidos para a cultura alemã, os iluministas (especialmente Lessing), além dos franceses, aproximaram-se dos escritores ingleses (Shakespeare e Milton). A recepção de Shakespeare na Alemanha encontra-se na base do movimento de reação contra a Aufklärung que teve lugar a partir de 1776: o Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto, nome retirado de uma obra de F.M. von Klinger) denunciava o fracasso da razão para resolver os problemas do país, apontava para o absolutismo como o inimigo a ser combatido e difundia as primeiras manifestações do nacionalismo burguês e democrático, motor da unificação alemã no séc. XIX. Os autores mais destacados deste movimento foram Klinger, H.L. Wagner, G.A. Bürger e J. M.l Reinhold Lenz, além dos jovens F. von Schiller e J.W. von Goethe.
Alemanha Goethe, 1831, por J.J. Schmeller (Museu Nacional de Goethe, Weimar)
Da Grécia clássica adotaram o ideal de democracia popular. Goethe aprofundou e retomou o pensamento clássico e humanista. Desenvolvida sobre esta base, a obra literária de Goethe é considerada a mais sólida da literatura alemã. Dentro desta corrente classicista, sobressai Schiller, muito ligado à trajetória do próprio Goethe. Paralelamente, nascia o romantismo, com base em Fichte. Tratava-se no fundo de outra reação contra a Aufklärung, que acentuava a subjetividade e estabelecia que a razão não era o único instrumento de percepção da realidade. Valorizavam-se o mundo dos sentimentos, das sensações, do mistério e, em geral, dos elementos irracionais (Hölderlin, Novalis, os irmãos F. e A. W. Schlegel, L. Tieck, C. Brentano, J. von Eichendorff).O ambiente revolucionário foi predominante na primeira metade do séc. XIX. A reação contra o totalitarismo que restabeleceu o Congresso de Viena manifestou-se com uma ousada ironia em H. Heine e com expressão abertamente revolucionária em G. Büchner. Nesta linha, situa-se o movimento denominado Jovem Alemanha. O fracasso da revolução burguesa de 1848 e o fato de que a desejada unificação alemã fosse dirigida pela estrutura imperial prussiana acalmou os ânimos revolucionários. Neste contexto, desenvolveu-se o realismo, que, em alguns casos, se limitava a destacar uma realidade de âmbito local e em outros acrescentava uma componente nostálgica ou derivava para o naturalismo, em uma clara forma de crítica social (A. von Drohste-Hülshoff, T. Storm, A. Stifter, T. Fontane, F. Grillparzer e o naturalista G. Hauptmann). Nos finais do séc. XIX, as correntes simbolistas e neorromânticas questionam o conceito de realismo (H. von Hoffmanstahl, S. George e R.M. Rilke). A crise dos valores burgueses que estes autores manifestam, aprofunda-se com a contribuição de pensadores pertencentes a diversos âmbitos do conhecimento (Marx, Freud e Nietzsche). A inquietude e o sentimento de profunda incerteza provocado pela crise se cristalizam na esfera cultural alemã no expressionismo que além da denúncia, as vezes em termos trágicos e apocalípticos, das transformações da sociedade (falta de humanização das cidades, militarismo), se interrogou sobre a linguagem literária e experimentou novas formas. Destacam-se, neste sentido, os poetas G. Benn e G. Trakl, o dramaturgo B. Brecht e o romancista A. Döblin. Ao mesmo tempo, vários autores analisam a crise da sociedade em termos menos inovadores: E. Canetti, H. Mann, R. Musil. Neste grupo, sobressai a figura de T. Mann, que concentrou a sua obra no conceito de decadência e na insatisfatória resolução do conflito entre arte e vida. F. Kafka, mediante uma literatura muito pessoal e sugerente refletiu a tensão social e cultural destes anos e advertiu os horrores das duas grandes guerras.A instauração do regime nacional-socialista interrompeu bruscamente este panorama literário. A cultura oficial baseada no antissemitismo, no anticomunismo e na exaltação dos valores pátrios empurrou muitos escritores para o exílio ou para o silêncio. Os grandes problemas que a sociedade alemã teve de enfrentar a partir de 1945 tiveram o seu reflexo na atitude e expressão dos escritores. A Trümmerliteratur, ou literatura de ruínas, relatava a miséria do pós-guerra, com cidades bombardeadas e completamente destruídas (W. Borchert); H. Böll descrevia a dificuldade do regresso do exílio ou da guerra, e a visão do horror nazista ficava plasmada no poema A fuga da morte de P. Celan ou na afirmação de T. Adorno de que após Auschwitz a poesia não era possível. Em 1947, nasceu o Grupo 47 em uma tentativa de normalizar a situação literária do país. Contudo, até a década de 1990, a literatura de ambos os lados da fronteira teve evoluções distintas. A RDA foi o destino escolhido por escritores exilados que regressaram no pós-guerra (B. Brecht). O entusiasmo inicial pela derrota do nazismo e a possibilidade da construção de uma nova sociedade a partir do socialismo transformou-se em divergência e mesmo em confronto aberto com os dirigentes que foram impondo um regime ditatorial. A repressão, no âmbito literário, concretizou-se em uma forte censura que afetou B. Brecht, e muitos escritores tiveram de emigrar; mas outros permaneceram (U. Johnson, Christa Wolf, G. Kunert e a poetisa Nelly Sachs). Na RFA, destacam-se os prêmios Nobel H. Böll e G. Grass, que submeteram o conformismo e a ausência de reflexão da sociedade a uma dura crítica a partir do milagre alemão, A. Andersch, H.M. Enzensberger e W. Koeppen. Outros nomes importantes da literatura em alemão desta época são os dos suíços M. Frisch e F. Dürrenmatt e dos austríacos T. Bernhardt, I. Bachmann e P. Handke. Em 1991, a reunificação deu lugar a um novo período. A queda do Muro e a reunificação das duas Alemanhas era um desejo compartilhado por todos, mas a forma com que aquela se produziu provocou por vezes sentimentos de insatisfação. Socialmente, continuou a contraposição, a ponto de no Leste existirem autores que denunciam a liquidação do seu país, a RDA, e a imersão brusca e traumática no sistema capitalista.
MúsicaO país teve um lento despertar musical na Idade Média. A primeira codificação culta do lied profano encontra-se na lírica cortês do Minnesang, que se desenvolveu nos sécs. XII-XIV e continuou a partir do séc. XV no Meistersang, arte monódica de pequenos artesãos, enquanto a nobreza abria os caminhos da polifonia. No séc. XV, surgiu a escola de órgão de K. Paumann (1415-1473) e formou-se o Lied polifônico com A. Fulda (1445-1505) e H. Finck (1445-1527). No séc. XVI, a reforma protestante – que acabaria com a divisão da Alemanha em um Norte protestante e um Sul católico – determinou o nascimento dos corais e apresentou as bases para as formas litúrgicas musicais puramente alemãs (L. Lechner, 1553-1606, e H.L. Hassler, 1564-1612). O barroco foi um período florescente. As figuras dominantes da primeira geração foram H. Schütz (1585-1672), S. Scheidt (1587-1654), J.H. Schein (1586-1630), V. Hausmann (?-1614), I. Posch (?-1623) e P. Peuerl (1575-1625). A música para teclado conheceu um grande desenvolvimento com J.J. Froberger (1616-1667), J. Pachelbel (1653-1706) e D. Buxtehude (1637-1707), entre outros. A música de violino e orquestra esteve representada pelo boêmio H.I.F. von Biber (1644-1704), J. Rosenmüller (1619-1684), N.A. Strungk (1640-1700), G. Muffat (1653-1704) e Ph.H. Erlebach (1657-1714). Na Corte e na Igreja Luterana, desenvolveu-se a cantata sacra, herdeira da tradição dos corais. J.S. Bach (1685-1750) foi capaz de realizar uma grande síntese das tradições vocais e instrumentais. Juntamente com ele e J.P. Telemann (1681-1767), Händel (1685-1759) foi a personalidade que encerrou o barroco alemão. Por volta de 1750, ocorreu uma mudança radical da preferência musical. Entre os numerosos filhos de J.S. Bach, destacou-se C.Ph. E. Bach (1714-1788), representante do empfindsamer Stil (estilo galante). Em Berlim, ocupou uma posição destacada a escola de Mannheim, que abandonou a tradição da polifonia por formas modernas, criou uma nova estética da orquestra sinfônica e assegurou o nascimento da ópera alemã, sob influência de Gluck (1714-1787). A síntese dos gêneros e estilos do período galante (sinfonia, quarteto, sonata) foi efetuada por representantes do classicismo vienense (F.J. Haydn, 1732-1809; W.A. Mozart, 1756-1791, e L. van Beethoven, 1770-1827), que simbolizam o momento de esplendor da cultura musical centro-europeia. A ópera nacional alemã, que teve os seus precedentes nos Singspiele, surgiu com Mozart e com Beethoven e completou-se no período romântico com C.M. von Weber (1786-1826), o antecessor mais ilustre dos compositores dramáticos, e R. Wagner (1813-1883), cujas inovações influenciaram o panorama musical europeu do final do séc. XIX e início do XX. À escola neo-alemã, são atribuídos os poemas sinfônicos e obras teatrais de R. Strauss (1864-1949) e algumas composições do austríaco H. Wolf (1860-1903). Contudo, durante o romantismo, F. Schubert (1797-1828), F. Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847), R. Schumann (1810-1856) e J. Brahms (1833-1897) retomaram as grandes formas clássicas instrumentais. Fora dos modelos clássicos, impôs-se a predileção pelas formas breves, abertas a uma grande liberdade: daí o desenvolvimento do Lied (Schubert, Schumann, Brahms, Wolf, Cornelius e K.G. Loewe) e das composições para piano que atingiram com Schumann uma extraordinária genialidade. No séc. XX, a vida musical alemã apresentou múltiplos aspectos: os austríacos A. Schönberg (1874-1951), A. Berg (1885-1935) e A. Webern (1883-1945) contribuíram decisivamente para a superação radical da tonalidade e para o expressionismo, do qual se aproximou também, apenas em alguns aspectos, P. Hindemith (1895-1963), o grande protagonista nos anos posteriores à I Guerra Mundial da Nova Objetividade. Diante do nazismo, os músicos mais relevantes exilaram-se. Ficaram W. Egk (1901-1983) que restabeleceu a tradição italiana; C. Orff (1895-1982), criador de um teatro musical inspirado no neoprimitivismo, e Kurt Weill (1900-1950) que evoluiu do expressionismo vanguardista para o realismo popular. Enquanto E. Pepping (1901-1981) e H. Distler (1908-1942) tentaram ressuscitar a antiga polifonia sacra, músicos como K.A. Hartmann (1905-1963), W. Fortner (1907-1987), B. Blacher (1903-1975) e J.N. David (1895-1977), viram-se obrigados a se isolarem das correntes mais vivas da música contemporânea. Pelo contrário, a RDA nos anos do pós-guerra não compartilhou o radicalismo linguístico da nova música. Alcançaram especial relevo H. Eisler (1898-1962), autor do hino nacional, e P. Dessau (1894-1979). Entre os principais compositores alemães contemporâneos cabe mencionar K. Stockhausen (n. 1928), D. Schnebel (n. 1930) e H.W. Henze (n. 1926).
FilosofiaA filosofia alemã é uma das grandes tradições culturais do Ocidente, profundamente marcada pelo pensamento religioso protestante e judeu. A partir do séc. XIII, como reação contrária ao intelectualismo da escolástica, apareceu a mística alemã com o mestre Eckhart. Na mesma linha desenvolveu-se o pensamento de Taulero e Suso (séc. XIV) e, já no Renascimento, de Nikolaus von Klues (1401-1464) e de Jakob Böhme (1575-1624). Com o luteranismo teve início a teologia protestante e as universidades tiveram um grande desenvolvimento, o que permitiu a institucionalização da filosofia. O espírito enciclopédico, matemático e metafísico de Leibniz (1646-1716) faz da sua obra um dos principias expoentes do racionalismo filosófico. Ao mesmo tempo, Leibniz prefigura a síntese entre o racionalismo da Aufklärung e a metafísica do idealismo alemão. Um dos seus alunos, Ch. Wolff, criou a prosa filosófica em língua alemã. No séc. XVIII, Kant (1724-1804) levou a cabo o que se denominou a "revolução copernicana" em filosofia, que situou o sujeito e a razão no centro das perspectivas teórica (ciência), prática (moral) e estética. Partindo do pensamento kantiano, desenvolveram-se no séc. XIX duas tendências filosóficas principais: o idealismo e o irracionalismo. A primeira, que pretende eliminar a distinção entre objeto e sujeito, é representada por J.G. Fichte (filósofo da liberdade e do eu absoluto), Schelling (filósofo da natureza e da religião) e, sobretudo, Hegel (1770-1831), que com o seu sistema dialético e sintetizador marcou toda uma corrente filosófica, especialmente importante naquilo que ficou conhecido por "esquerda hegeliana", e que culminou com a obra de K. Marx. Os partidários mais representativos da corrente irracionalista, que não acreditavam na razão como fonte de todo o conhecimento, foram A. Schopenhauer, com uma filosofia ateia e pessimista, e F. Nietzsche que daria origem à "filosofia da vida" (Lebensphilosophie). Esta última representa uma verdadeira corrente que vai desde W. Dilthey ou L. Klages até O. Spengler, incluindo a psicanálise. No séc. XX merecem especial menção E. Husserl, no campo da fenomenologia; M. Heidegger, com as suas reflexões existencialistas e hermenêuticas; R. Carnap e H. Reichenbach, em uma linha neopositivista; K. Jaspers, com a sua filosofia existencialista; e a escola de Frankfurt (Th.W. Adorno, M. Horkheimer e, posteriormente, H. Marcuse e J. Habermas), que tentou superar a "morte da filosofia" transmitindo a sua herança ao seio das ciências sociais como teoria crítica.

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