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EV
África
Continente (30.312.506 km2) limitado ao norte pelo mar Mediterrâneo, ao nordeste pelo canal de Suez e o mar Vermelho, ao leste e ao sudeste pelo oceano Índico e ao sudoeste e ao oeste pelo oceano Atlântico.
GeografiaMeio físico• Geomorfologia A África conserva uma integridade estrutural importante desde as origens, e nunca foi afetada pelos grandes movimentos tectônicos. A maior parte do continente é constituída por uma faixa que formou parte do continente primitivo chamado Gonduana, da qual se desprendeu Madagascar e em processos sucessivos sofreu uma série de deformações que deram origem à bacia do Níger, à depressão do Tchad e de Bahr al-Ghazal na metade setentrional. Esta grande faixa encontra-se contornada ao norte pela cadeia montanhosa do Atlas, surgida dos movimentos orogênicos do Terciário, relacionados com o geossinclinal mediterrânico e, no extremo meridional, pela cordilheira de Drakensberg, originada pelas deslocações do elevado planalto continental. O elemento tectônico mais acentuado do continente é constituído pela grande fratura que se abre no setor oriental, desde o lago Malaui até as depressões etiópicas e que continua através do mar Vermelho e das fossas sírio-palestinas. Essa fratura está em relação com os imponentes vulcões que surgem nas suas margens e que constituem as montanhas mais altas da África, que culminam no Kilimanjaro (5.895 m). Ao longo da fossa, ficam alinhados ainda alguns dos poucos vulcões ativos da África, como o Virunga. As restantes zonas vulcânicas (Hoggar, Tibesti e o Camarão) têm relação com fenômenos análogos de caráter local, que permitiram o afloramento do magma.
África Grande Erg Ocidental, deserto do Saara, Argélia
• Hidrologia A superfície continental africana é repartida em poucas, embora extensas, bacias fluviais. A dimensão dos seus rios deve-se à estrutura da África e à sua pobre articulação morfológica. Dado que as terras mais elevadas se encontram no setor oriental, a maior parte das águas fluviais vai parar no Atlântico, onde deságua o Congo (ou Zaire), que recolhe cerca de 60 % da precipitação que cai no continente, e o Níger, que tem uma bacia muito extensa mas dependente em grande parte de chuvas sazonais, apresentando assim um regime muito variável. Variável é também o regime do Nilo, o rio mais comprido do mundo, com mais de 6.600 km, que deságua no Mediterrâneo. O principal rio tributário do oceano Índico é o Zambeze, que drena as terras altas sul-orientais. Em geral, os rios africanos apresentam um perfil maduro, com amplos leitos, embora a constituição planáltica do continente faça que o seu curso, especialmente nas proximidades da costa, seja interrompido com frequência por corredeiras e cataratas que dificultam a navegação. É este o caso do Nilo, com as suas cataratas, assim como do Níger e do próprio Congo nas proximidades da sua saída da grande depressão interior. As superfícies exorreicas, representadas em grande parte pelas bacias do Congo, do Nilo e do Níger, são equivalentes a cerca de 46 % da superfície africana. Outros 13 % são constituídos por superfícies endorreicas, correspondentes a algumas das depressões mais acentuadas, em especial a do lago Tchad, que é o que resta do mar interior de épocas passadas, e a do Kalahari, que verte as suas águas no lago Ngami. Encontram-se ainda endorreísmos na quase totalidade da fossa oriental da África, onde a maior parte dos lagos (Alberto, Eduardo, Kivu, Tanganhica e Malaui) são de origem tectônica, como também é o lago Vitória, o mais extenso do continente, que ocupa uma parte do grande rift africano. Mais extensas ainda, devido à dimensão dos desertos, são as superfícies arreicas (41 % do total), onde as escassas e episódicas chuvas não são capazes de alimentar verdadeiros rios. A presença de barragens no curso de alguns dos principais rios africanos deu origem a amplos lagos artificiais, entre eles o lago Nasser, no Nilo, o Volta, no rio homônimo, o Kariba e o Cabora Bassa no Zambeze. • Clima Pela sua posição em relação ao Equador, a África é o continente de maior tropicalidade, com uma distribuição geográfica das condições climáticas simétrica ao sul e ao norte da linha do equador. Ao longo do ano, nos dois hemisférios as condições alternam-se. Na franja equatorial, as precipitações são contínuas, ligeiramente atenuadas nos meses de inverno ou de verão ao norte e ao sul, respectivamente. As chuvas são sempre superiores a 1.800 mm, com máximas excepcionais no golfo da Guiné e, particularmente, nas encostas do monte Camarão, onde foram registrados até 10.000 mm anuais. A zona, protegida das influências do Saara e bem exposta às massas de ar de origem oceânica, registra uma elevada pluviosidade, distribuída ao longo de todo o ano. No resto do continente, o regime de chuvas é tropical, com duas estações tanto mais marcadas quanto maior é a tropicalidade. As precipitações concentram-se nos meses estivais (verão boreal) ao norte do equador, e nos invernais (verão austral) ao sul. A duração da estação das chuvas diminui com o afastamento da linha equatorial. As maiores precipitações se dão quando o Sol está no zênite. Quantitativamente, passa-se dos valores da franja equatorial para os 500 mm (precipitações que na África sudanesa marcam o início do Sahel) e para os 250 mm que representam o começo das zonas desérticas do Saara, ao norte do equador e ao sul do Calaári. No que se refere à temperatura, na zona equatorial registram-se valores médios entre 25 e 26 °C, tanto diária como anualmente, dependendo da presença mais ou menos contínua de nuvens, da ausência de ventos e da umidade. Na faixa das estações alternadas, à medida que o afastamento do equador é maior, os valores sazonais e diários estão mais diferenciados. Nas zonas desérticas, as temperaturas diárias atingem 40 °C. Em relação às condições térmicas, são temperadas no Norte da África e no extremo meridional do continente, dadas as suas características climáticas de tipo mediterrânico (médias estivais de 25 ºC e invernais entre 13 e 15 ºC). Sobre as condições locais do clima influem ainda a continentalidade, as correntes marinhas frias das Canárias e de Bengala e a quente de Moçambique, cuja influência se deixa sentir nas áreas litorais e, finalmente, a altitude, dado que o Atlas e os maciços saarianos do Hoggar e do Tibesti podem registrar precipitação em forma de neve, habitual nas vertentes das grandes montanhas equatoriais.
África Impacto ambiental
• Vegetação A flora corresponde, por zonas, à selva equatorial, à savana arbórea, à savana arbustiva, à estepe e ao deserto, segundo uma sucessão que se repete na parte austral e boreal. Depois do deserto recomeçam as estepes, as áreas arbustivas e, por último, nos extremos, as áreas mediterrânicas. A selva equatorial estende-se pela bacia do Congo e da franja guineense mais exposta às influências oceânicas. Devido à falta de condições equatoriais, a selva empobrece gradualmente e continua apenas ao longo dos cursos fluviais, formando bosques de galeria e criando densas faixas verdes que se adaptam ao retículo fluvial. Entre elas inserem-se as primeiras formações da savana, preferentemente arbóreas, com clareiras herbáceas. As espécies ficam reduzidas quantitativamente, aparecendo entre elas as de ambiente equatorial ou as de ambiente tropical. A savana torna-se cada vez mais aberta, assumindo o seu aspecto característico, com formações arbóreas distanciadas, arbustos e clareiras herbáceas mais ou menos extensas. Em direção a zonas menos chuvosas, as espécies vão-se tornando acentuadamente xerófilas, com predomínio das espécies arbustivas, enquanto as formas arbóreas procuram as margens ou os areais dos cursos de água ocasionais. Nas áreas pré-desérticas, as formações vegetais têm menor porte e aparecem superfícies herbáceas formadas por matas de gramíneas e outras de ciclo vegetativo curto. No deserto, a vida vegetal encontra-se apenas no sopé das montanhas. Madagascar forma uma área própria com numerosas espécies endêmicas.População e povoamento A parte oriental da África tem especial significado na história do gênero humano, porque foi nesta região que foram achados os restos fósseis mais antigos de símios antropomorfos e numerosos restos de australopitecos, essenciais para podermos compreender o processo de hominização que conduziu ao aparecimento do gênero Homo neste continente. Os restos africanos mais antigos da espécie humana moderna (H. sapiens sapiens) procedem da África subsaariana, e alguns espécimes, como Omo Kibish 1 (Etiópia) e os restos de Klasies River Mouth (República da África do Sul) poderiam ter mesmo 130.000 anos de antiguidade. Porém, a diferenciação das populações africanas atuais teve lugar em tempos relativamente recentes. Os estudos genéticos sugerem que os humanos modernos experimentaram uma rápida expansão no interior da África e estabeleceram-se em grupos que permaneceram isolados durante um longo período de tempo. As barreiras geográficas e ecológicas intermitentes que se geraram no continente e uma posterior redução do nível populacional teriam dado lugar a uma série de populações relativamente isoladas, fenômeno que provavelmente ocasionou grande parte da variabilidade observada atualmente. Esta hipótese é reforçada pelos achados arqueológicos, que refletem uma diversificação e especialização cultural em aumento ao longo do tempo. Os estudos realizados sobre o DNA mitocondrial e o cromossomo Y indicam que as populações de bosquímanos e pigmeus são geneticamente muito diferentes do resto das populações africanas, o que sugere um longo período de isolamento. Contudo, o acontecimento demográfico mais importante corresponde à dispersão dos povos agricultores de língua banto que se expandiram pela África subsaariana. Esta dispersão, a partir de um foco populacional situado no NO, impôs-se sobre populações mais antigas não agricultoras, das quais existem representantes atuais, como os hadza da África Oriental, as diversas tribos de pigmeus da África Ocidental e os grupos khoisan, ao S do continente. Além dos grupos de origem banto, as populações do Nilo e as árabes e berberes no N do continente formam outros núcleos populacionais importantes. • População O panorama demográfico da África é caracterizado por indicadores demográficos considerados típicos do subdesenvolvimento, isto é, elevadas taxas de natalidade e mortalidade infantil e um nítido desvio entre a taxa de crescimento da população e do crescimento do PIB. As estimativas mais recentes são 876.938.205 habitantes. Na década de 1990 registra-se uma atenuação da taxa de crescimento, calculada em torno dos 2,4 % anuais, frente aos 3,5-4 % da década anterior. Contudo, a natalidade continua a ser a mais elevada do mundo, especialmente nas áreas limítrofes do oceano Atlântico e do oceano Índico, com taxas acima dos 3 % em países como o Benin, a República Democrática do Congo, a Mauritânia, o Senegal, a Líbia e a Suazilândia. Mas esse valor não exprime a realidade africana, onde convivem grandes espaços desabitados e zonas superpovoadas. As áreas mais povoadas do continente são a região centro-oriental, o vale do Nilo e a faixa mediterrânica dos países do Maghreb, assim como as zonas meridionais e áreas elevadas, onde se estabelecem, favorecidos pelas condições ambientais, dinâmicos centros agrícolas e comerciais. O vale do Nilo é o que registra as maiores densidades (mais de 800 hab./km2), enquanto no resto os valores oscilam à volta dos 50 hab./km2. Na faixa do Sahel, onde as oscilações climáticas tornam mais precárias as condições de vida, há uma densidade mais baixa, entre 3 e 4 hab./km2. Na faixa sudanesa, a densidade atinge 10/20 hab. /km2, num território de fixação baseado no povoado e numa agricultura itinerante que aproveita áreas de savana diferentes de uns anos para outros e cada vez mais extensas.
África Densidade de população
• Povoamento Grande parte da população africana mora em povoados ou em pequenas cidades; contudo, nos países onde a economia é mais dinâmica e moderna, os aglomerados urbanos são cada vez mais importantes. Deste ponto de vista, constata-se um aumento da população urbana em todos os países, embora essa evolução seja muito irregular indo de 8 % no Burundi a 13 % em Uganda e porcentagens superiores a 50 % na Argélia ou na Costa do Marfim. Em muitos casos, o incremento está relacionado com a concentração de população em grandes aglomerados, em consequência do êxodo rural e da dissolução do modo tradicional de povoamento, baseado no povoado. Muito embora este se encontre numa fase de decadência profunda, continua a ser um elemento imprescindível para entendermos a demografia do continente, ainda que com características diferentes entre os povos dedicados à pecuária e os que praticam o nomadismo, ou seminomadismo, e o dos agricultores da savana. O povoado africano tradicional raramente atinge a dimensão ou os traços de uma cidade, embora exista um urbanismo anterior ao colonialismo, como no caso das antigas cidades dos iorubas na Nigéria. As expressões mais próximas do urbanismo moderno nasceram dos contatos entre o mundo africano e o islamismo (Gao, Timbuktu, Djénné), e entre o mundo africano e o mundo europeu. O desenvolvimento do urbanismo moderno começou no séc. XX a partir da construção de estradas e ferrovias, destinados a unir os portos e as cidades costeiras com as áreas de exploração agrícola e mineira do interior. O processo desenvolveu-se rapidamente e grande parte das maiores cidades africanas duplicou a sua população num espaço de 10 ou 15 anos. Em 2001, existiam 26 cidades com mais de 1.000.000 de habitantes.Estrutura econômicaA África é o continente mais subdesenvolvido do planeta (os três países mais pobres do mundo, com um PNB/hab. próximo dos 100 dólares, são africanos – a República Democrática do Congo, a Etiópia e a Somália – assim como os países com o índice de desenvolvimento humano mais baixo, o Burkina Faso, a Etiópia e o Níger). Se excetuarmos os países mediterrânicos, a República da África do Sul e algumas outras áreas, o continente apresenta um marcado subdesenvolvimento, ainda que dispondo de grandes reservas de minerais. Tudo isto é resultado de uma nítida preeminência das atividades primárias (agricultura, pecuária e extração de minério) e de uma considerável dependência dos mercados externos no continente no que se refere ao aprovisionamento de produtos manufaturados (cerca de 80 % dos produtos industriais são importados). Daí que as interpretações do subdesenvolvimento econômico africano tendam a minimizar o peso dos condicionamentos ambientais e do excesso de população e acentuem a importância da desigualdade das trocas comerciais. As expectativas de industrialização, condição essencial para reequilibrar a balança comercial, continuam a ser malogradas por fatores negativos: escassez de capitais, instalações obsoletas, reduzida capacidade de iniciativa dos governos e falta de mão de obra especializada. Por outro lado, as políticas de saneamento econômico, promovidas pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional, defrontam-se com dois tipos de situações. Em primeiro lugar, muitos estados exportam os mesmos bens, classificáveis em três grandes categorias: alimentares (carne bovina, bananas, noz de coco, café, açúcar, chá e óleos vegetais), matérias-primas agrícolas (algodão e outras fibras em estado bruto, caucho e madeira) e minerais (bauxita, cobre, ferro, estanho, manganês e fosfatos). Em segundo lugar, quase todos estes bens apresentam uma escassa elasticidade pelo que uma diminuição dos preços não se reflete necessariamente num aumento da procura. O sensível incremento dos produtos de importação, juntamente com a diminuição dos rendimentos procedentes das exportações a níveis mais baixos, acentuam cada vez mais o déficit da balança de pagamentos. Esta situação é agravada ainda pelo isolamento de muitos países, onde tornam a emergir reivindicações territoriais (por exemplo, o conflito fronteiriço entre a Nigéria e Camarão pela península de Bakassi), e pelo recrudescimento das guerras tribais.
África Mapa econômico
• Agricultura Existe uma clara separação entre culturas industriais e culturas de subsistência, destinadas as primeiras à exportação e submetidas às flutuações dos preços nos mercados internacionais, e as segundas, cada vez mais insuficientes, destinadas a cobrir as necessidades alimentares da população. É muito baixa a produtividade conseguida com as técnicas tradicionais de exploração dos solos, inalteradas em muitas zonas ao longo de séculos e caracterizadas pelas formas itinerantes e pela destruição do bosque por causa das queimadas. Também a pecuária, sobretudo nas zonas da savana e nas estepes pré-desérticas, está ligada ainda à transumância sazonal, típica do pastoreio nômade e seminômade, e vê-se constantemente ameaçada pela escassez de água e de pastagens, que nos períodos de seca implica com frequência a morte de dezenas de milhares de cabeças de gado. Nas últimas décadas, a taxa média anual de incremento da produção alimentar para todo o continente africano (excluída a República da África do Sul) tem vindo a diminuir progressivamente e, tendo em conta a taxa de incremento demográfico, na atualidade os valores resultam globalmente negativos. O retrocesso tem sido geral, embora não uniforme, e especialmente acentuado na África Central e Ocidental, incluindo a faixa do Sahel mais duramente afetada pela seca. Porém, e embora apenas metade das terras agrícolas africanas seja efetivamente explorada, as linhas de desenvolvimento marcadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e por outros organismos internacionais não tendem, como no passado, a ampliar a superfície agrícola. Pelo contrário, pretende-se atingir uma melhor utilização dos solos e incrementar a produção através do emprego de fertilizantes, de sementes selecionadas, de instalações de irrigação, do aumento da luta contra os parasitas e do aperfeiçoamento dos sistemas de conservação dos produtos.
África Plantação de chá em Limuru, Quênia
• Mineração e indústria A riqueza mineira do continente deveria constituir a base do seu desenvolvimento industrial. Contudo, a África continua a ser apenas um grande mercado de aprovisionamento para os países industrializados: a bauxita é a principal riqueza da Guiné; o minério de ferro é abundante na Libéria, na Mauritânia e na República da África do Sul; e o cobre na Zâmbia e na República Democrática do Congo. O Zimbábue, por sua vez, dispõe de enormes reservas de cromo, mineral de que a República da África do Sul é o maior produtor do mundo. A África tem, ainda, a primazia na extração de ouro (também na República da África do Sul) e de diamantes (República Democrática do Congo e Botsuana). É notável a produção de manganês na República da África do Sul e no Gabão, países que, por sua vez, juntamente com o Níger e a Namíbia, proporcionam cerca de um terço do urânio mundial. No que diz respeito ao petróleo, a Nigéria e a Líbia figuram entre os grandes produtores mundiais, seguidos pelo Egito e a Argélia, e a maior distância por Angola e Gabão. Na atualidade, a produção petrolífera tem aumentado de forma importante, se for levado em conta que, em 1960, a África participava com menos de 1 %. Também a exploração dos hidrocarbonetos gasosos experimentou um grande desenvolvimento, especialmente na Argélia, o país africano que mais se empenhou em utilizar os derivados do petróleo para pôr em marcha um amplo processo de industrialização. A África continua a ser a região menos industrializada do mundo, com uma participação na produção mundial de manufaturas que, excluindo unicamente a República da África do Sul, oscila em volta de 1 %, e uma cota de participação no PNB de cada país próxima de um sexto. Por outro lado, a distribuição é absolutamente heterogênea, dado que 4/5 do potencial industrial se concentram em poucos países, com o Egito à frente (cerca de 25 % de toda a produção africana, excluída a República da África do Sul), seguido pela Argélia, Marrocos, a Nigéria, o Quênia e a Tunísia. As potencialidades de industrialização baseiam-se, além das matérias-primas, na utilização dos recursos hidrelétricos. Contudo, calcula-se que ainda só se atingiu um quinto do potencial disponível, que se encontra em fase de crescimento a partir da realização de algumas obras hidráulicas colossais, como a barragem do Assuã no Nilo (1971), a de Inga no Congo (1972) e a de Cabora Bassa (1974). A construção de novas centrais hidrelétricas destina-se, também, a promover a irrigação de vastas áreas agrícolas e a favorecer a navegação fluvial.• Infraestruturas de comunicação e balança comercial Embora importantes porcentagens dos investimentos sejam destinadas ao setor das comunicações e dos transportes, a situação continua a ser precária. Segundo a ONU, a rede viária africana tem aproximadamente 1.500.000 km, constituída em grande parte por pistas e, numa mínima escala, por estradas utilizáveis durante todo o ano. Os principais progressos no setor das comunicações foram produzidos nas linhas aéreas, que resolveram o problema das grandes distâncias, acabando com o isolamento das zonas de acesso mais difícil. São insuficientes, pelo contrário, os resultados atingidos no setor dos transportes fluviais e marítimos. Apenas um reduzido número de países africanos dispõe de uma frota mercante, em geral modesta, se excetuarmos a da República da África do Sul e, principalmente, a da Libéria, fato que lhe permite ocupar, de forma irreal, o primeiro lugar na escala mundial dos transportes marítimos. A balança comercial é claramente deficitária e os intercâmbios estabelecem-se preferentemente com os países ocidentais. As relações entre os numerosos países africanos e a União Europeia (UE) estão regulamentadas pela Convenção de Lomé, que passou a vigorar em 1 de abril de 1976 e foi renovada em diversas ocasiões. Esta convenção assegura preferências tarifárias por parte da UE, garante as importações dos países associados e a cooperação financeira entre a África e os países árabes produtores de petróleo que, em 1975, criaram o Banco Árabe para o Desenvolvimento Econômico da África (BADEA). As relações comerciais entre os países africanos não são mais satisfatórias do que as internacionais, embora se revista de uma grande importância a aproximação entre os países francófonos e anglófonos.
História Pré-HistóriaA Pré-História africana caracteriza-se por estar documentada graças aos restos líticos mais antigos conhecidos, achados na África Oriental e Meridional. Os objetos de pedra basáltica, encontrados na região de Hadar (Etiópia), têm mais de 2,5 milhões de anos, e os do vale do Omo (Etiópia), esculpidos em pequenos seixos de quartzito, 12,4 milhões de anos. A estes primeiros empreendimentos, atribuídos geralmente ao Homo habilis, sucederam os complexos de Olduvai, descobertos nos níveis inferiores de Olduvai (Tanzânia), Melka Kunture (Etiópia) e Koobi Fora (Quênia), que se acredita terem entre 1,8 e 1,5 milhões de anos. O acheulense antigo africano, que se situa numa fase superior da cultura olduvai, teve uma enorme difusão. Por outro lado, o mesolítico africano designa um longo período da pré-história africana a seguir ao acheulense final e compreende, além do Paleolítico Médio, uma parte que corresponde ao Paleolítico Superior europeu. Podem-se enquadrar no Paleolítico Médio alguns complexos de indústrias de talhar lascas como as que apareceram no Egito, no oásis de Al-Jarga, ou na Tunísia, em Sidi Mansur. Uma indústria que se diferencia do musteriense (datado com carbono catorze entre 40.000 e 32.000 anos) é o ateriense, estendido pela quase totalidade da África Setentrional e do Saara. Nos finais do Plistoceno, floresceram na África uma grande quantidade de indústrias líticas que apresentam algumas diferenças com as do Paleolítico Superior europeu. É principalmente conhecido o capsense, estendido pela Argélia e Tunísia, e o ibero-maurusiano (ou ouranense), que teve uma distribuição geográfica cingida à costa. No Egito, desenvolveu-se uma cultura local chamada sebilense. Na África Central e Meridional, pelo contrário, o denominado capsense do Quênia precedeu o elmenteitense. Mais estendido encontra-se o stillbaense, no qual se reconhecem várias fases e que contou com desenvolvimentos posteriores, tais como o magosense. Com o Neolítico acaba a Pré-História na África. Neste período, floresceu a arte rupestre na África Setentrional, no Saara e na África Austral, com uma enorme produção de figuras gravadas ou pintadas. No Egito, na planície e no delta do Nilo, floresceu o Neolítico em Al-Fayum, Dair Tasa e Marimda. Seguiu-se o Eneolítico de Al-Badari, e, finalmente, o amratense, o cercense e maadense do período pré-dinástico, que, por volta de 3000 a.C., trouxeram rapidamente a primeira dinastia faraônica.
África Representação de camelos e figuras humanas, pinturas rupestres do parque nacional de Tassili n'Ajjer na Argélia, a partir do séc. I (Patrimônio da Humanidade, 1982)
História Antiga Na Antiguidade, a história da África Setentrional desenvolveu-se principalmente em volta do Egito e, posteriormente, de Cartago. Unificado por volta de 3200-3000 a.C. sob o primeiro faraó, o Egito consolidou durante 30 séculos (até 30 a.C.) uma civilização própria que se desenvolveu de forma autônoma e cuja influência se estendeu por toda a bacia oriental e central do Mediterrâneo, incluindo a Grécia e Roma. Os conceitos de estado e de realeza de origem divina, elaborados pela primeira vez no Egito faraônico, foram absorvidos pela cultura ocidental e pelo Reino de Kush (cuja capital foi mudada posteriormente para Napata e para Méroe), que manteve laços muito fortes com o Egito, constituindo o ponto de contato entre a África Setentrional e a África Subsaariana. Quando os faraós consolidaram o seu domínio sobre o Reino de Kush, na XII dinastia (séc. XIX a.C.), ambas as zonas da África receberam influências mútuas que se refletiram numa organização estatal idêntica e numa igualdade de cultos. Pelo seu lado, o Reino de Napata, que floresceu por volta do séc. IX a.C. a vazante da quarta catarata, foi provavelmente fundado por um chefe egípcio de Kush. A destruição de Napata (591 a.C.) por parte dos egípcios e a fuga dos soberanos de Méroe para o S da quinta catarata permitiram que a influência egípcia, através da Núbia, se estendesse cada vez mais pelo interior do continente. Para grande parte da África, a agricultura foi uma herança da civilização egípcia. A colônia fenícia de Cartago, cujo poder se deixou sentir aproximadamente vinte séculos depois do Egito e dez depois de Cush, foi essencialmente um estado militar e comercial virado para o Mediterrâneo que limitou as suas conquistas africanas ao território da atual Tunísia. Entre os sécs. V e III a.C., os cartagineses controlaram o tráfego comercial entre o N da África e os principais portos europeus do Mediterrâneo Ocidental e entraram em concorrência com Roma. No decurso de mais de um século (264-146 a.C.), e após três guerras extenuantes, nas quais também participaram os reinos da Numídia, Roma conseguiu derrotar definitivamente o seu adversário. Assim, após a conquista do Egito (30 a.C.), o Império Romano logrou estender o seu domínio sobre todo o Mediterrâneo. À margem das influências egípcias sobre os Reinos de Kush, Napata e Méroe, a história da África Subsaariana esteve marcada pela formação do estado abissínio de Aksum. Fundado no começo da era cristã, Aksum teve o seu período de esplendor entre os sécs. IV e VI. O seu herdeiro direto foi o Império cristão da Etiópia, o único Estado africano ao S do Saara que perdurou até hoje. A invasão do N da África pelos vândalos, iniciada em 419, pôs praticamente fim a um domínio romano que, apesar de tudo, teve um sucessor no Império Bizantino. O imperador Justiniano expulsou os vândalos (534) e consolidou a soberania bizantina sobre o S do Mediterrâneo durante mais de um século, até que os exércitos árabes conquistaram e submeteram a totalidade da África Setentrional (639-709). Da expansão islâmica à colonização Ao contrário das invasões anteriores, a chegada dos povos árabes exerceu uma forte influência na África, do Egito ao Maghreb. Os árabes converteram o território norte-africano numa zona totalmente islamizada e fortemente arabizada ( Islã). Os califas omíadas e abássidas conseguiram ter a região sob o seu controle durante um certo tempo, mas depois cederam o poder a dinastias locais que, ainda antes do termo do califado abássida (1258), se tornaram praticamente independentes. Por outro lado, justamente ao S do Saara, na savana ocidental do continente, ponto de partida das rotas das caravanas que atravessavam os vastos espaços desérticos, formou-se uma série de estados que, a partir da expansão dos almorávidas (séc. XI), sofreram um crescente processo de islamização que conduziu a sincretismos entre as culturas autóctones e a nova religião chegada do N. O Império de Gana foi o primeiro deles; fundado provavelmente no séc. IV, atingiu o seu apogeu no final do séc. VIII, conquistou os povos vizinhos e foi centro de relações comerciais internacionais, especialmente de ouro, que lhe proporcionaram imensas riquezas. O Império do Mali, entre os sécs. XIII e XV, tornou-se uma enorme potência econômica e militar graças ao controle que a sua administração exerceu sobre as jazidas de ouro da África Ocidental e sobre a sua comercialização. Posteriormente, os Impérios de Songai, Bornu e Kanem (sécs. XV-XVI) herdariam boa parte do legado transmitido pelo Império do Mali, enquanto a islamização ia avançando pelas diversas regiões da savana. No E da África, devido ao tráfego com o Oriente, os árabes estabeleceram uma rede de centros econômicos situados na costa do oceano Índico (Mombaça, Zanzibar, Kilua, Sofala, etc.). Nesta parte, assim como na África Ocidental, o Islã deve ter coexistido com formações políticas tradicionais. Em determinados casos, tais como os Estados Ioruba, Edo de Benin ou Ashanti, essas formações políticas contaram com uma autêntica organização estatal; noutros, tratou-se de cidades-estados situadas no centro de eixos comerciais locais. Na África Central, pelo contrário, as formações políticas tradicionais fixaram-se mais tarde do que na parte ocidental do continente. Assim, na região dos Grandes Lagos surgiram entre outros os Reinos de Buganda e Ankole, ou outros menores, como Bunioro e Kitara; o mais antigo remonta aos sécs. XIII-XIV, e deles, posteriormente (séc. XVII), emergiriam os Reinos de Ruanda e do Burundi. Por seu lado, os escravos e o ouro do Zimbábue Setentrional deram testemunho da riqueza do reino de Monomotapa (sécs. XV-XVII) que, fundado por Mutapa, rei do centro político e comercial conhecido como o Grande Zimbábue, teve um período de esplendor graças à exploração do minério de ouro e ao comércio com mercadores do Índico. Na África Central, importa destacar ainda o Reino do Congo, situado na área da atual República Democrática do Congo e de Angola, que se constitui por volta do séc. XV. Entre 1517 e 1574, toda a África Setentrional, exceto Marrocos, passou para a soberania do Império Otomano. Nesta época, surgiram os Estados Berberes, que rapidamente se tornaram independentes do poder da Sublime Porta. Da decadência otomana tiraram partido os estados europeus para se instalarem nos territórios ao N da África: a França na Argélia (1830), na Tunísia (1881) e Marrocos (1912); o Reino Unido no Egito (1881); a Itália na Líbia (1911); e a Espanha, que já antes tinha ocupado Ceuta e Melilla, o Rio de Ouro (1884) e o norte de Marrocos (1912). Em contraste com os territórios da área do Maghreb, a África Subsaariana pré-colonial foi, acima de tudo, uma região com abundantes zonas fronteiriças, onde estruturas políticas mais ou menos consolidadas coexistiram no próprio seio com enormes territórios ocupados por sociedades tribais. Na África Meridional, nasceram os distintos Reinos dos Ngunis zulus, a partir do séc. XVIII, em formações políticas rivais que acabaram unificadas como resultado da campanha militar levada a cabo pelo seu rei Chaka nos princípios do séc. XIX. Entre os sécs. XV e XIX, a evolução de numerosos países da África negra esteve marcada pela tráfico de escravos controlado principalmente pelas potências europeias e norte-africanas. De 1451 a 1870 estima-se em 10.000.000 ou 12.000.000 o número de escravos que, com destinos diferentes, especialmente para o continente americano, saiu da África. A intervenção europeia Até o séc. XV, os navegadores europeus não conseguiram desembarcar nas costas atlânticas da África. Os portugueses foram os primeiros que, a partir de 1434, tentaram chegar à Índia através da rota do SE. Em 1488, Bartolomeu Dias alcançou pela primeira vez o cabo das Tormentas, mais tarde rebatizado como cabo da Boa Esperança, até chegar pela costa oriental da África até a foz do rio Infante, atualmente Great Fish River. Entre 1497 e 1498, Vasco da Gama contornou toda a costa ocidental da África, dobrou o cabo da Boa Esperança e navegou pela costa oriental até Melinde, a atual Malindi, para se dirigir, a seguir, até Kolkata, na Índia. Deste modo, ficava aberta a rota do Cabo. Em séculos posteriores, portugueses, ingleses, franceses e holandeses intensificaram as viagens e o tráfego, embora até os finais de 1700 se tenham limitado a fundar algumas bases no litoral, sem empreender nenhuma exploração sistemática do interior da África. A única exceção ao sistema de feitorias e de escalas costeiras foi a colônia holandesa do Cabo que, fundada em 1652, se tornou na base de um domínio mais vasto que passou definitivamente para mãos britânicas em 1815. ( bóer). A iniciativa de, com objetivos principalmente científicos, explorar as regiões interiores, deve-se às sociedades geográficas ou a pioneiros particulares. Era fundamental a descoberta das fontes dos principais rios do continente. Na África austral, foram especialmente célebres as explorações do missionário escocês David Livingstone, que, no decurso das três expedições realizadas entre 1849 e 1873, descobriu o lago Ngami e percorreu toda a bacia do rio Zambeze, dando a conhecer aos europeus as cataratas Vitória e os lagos Niassa, Tanganhica e Mueru, e o rio Luapula. As bases costeiras tornaram-se logo no ponto de partida para a partilha da África ( colonialismo), basicamente entre o Reino Unido, a França, a Bélgica, a Alemanha, Portugal e a Itália, consagrada na Conferência de Berlim de 1885. A exagerada concorrência colonial conduziu a que, entre 1879 e 1914, toda a África, exceto a Etiópia e a Libéria, ficasse sob soberania europeia. Porém, a I Guerra Mundial provocou importantes mudanças no mapa colonial porque, no fim da guerra, as colônias alemãs foram entregues pela Sociedade das Nações ao Reino Unido, à França e à Bélgica como mandatárias. Acabado o conflito, a «corrida pela África» recomeçou; contudo, sem considerar o caso da Etiópia, ocupada pela Itália em 1936, limitou-se a ajustar e retificar fronteiras, juntamente com uma mais intensa e sistemática exploração econômica das terras ocupadas.
África Detalhe de um mapa do séc. XVI, ca. 1550-1565, por Giorgio Siderio (Biblioteca Nacional Marciana, Veneza, Itália)
África após a II Guerra MundialA II Guerra Mundial, da qual um dos cenários foi o Norte da África ( Afrika Korps), constituiu para numerosos povos africanos um período fulcral na formação dos seus Estados nacionais. Depois da guerra, as elites africanas tiveram tendência a procurar uma autonomia que viesse acompanhada do direito à autodeterminação. A França tentou, sem sucesso, manter as suas colônias sob a fórmula da Comunidade Francesa, mas teve a sua prova de fogo na África Setentrional com a guerra argelina (1954-1962), que foi contemporânea da independência, em 1956, da Tunísia e de Marrocos. Na década de 1960, catorze países subsaarianos da região francófona conseguiram a independência e o Congo ficou independente da Bélgica. A maior parte das colônias britânicas, pelo contrário, tinha já conquistado a sua autonomia no âmbito da Commonwealth. Ainda que a presença das antigas metrópoles coloniais continuasse em forma de neocolonialismo, os países africanos desenvolveram uma série de estruturas associativas destinadas a tutelar a sua independência e interesses, entre as quais se destacou a Organização da Unidade Africana (OUA), criada em 1963. Na década de 1970, importantes acontecimentos políticos e institucionais marcaram a vida da África. A queda dos regimes civis de tipo presidencial acentuou-se nos anos seguintes, com a tomada do poder por parte dos militares em muitos dos novos países. À margem dessa onda golpista, na década de 1970 teve lugar a descolonização portuguesa que, entre 1974 e 1975, trouxe a independência de todos os territórios administrados por Lisboa. A seguir, obtiveram independência, em 1975, as ilhas Comores (com exceção da ilha de Mayotte cuja população, em 1976, decidiu permanecer sob tutela francesa como «Coletividade territorial»); as ilhas Seychelles (1976) e o Djibuti (1977). No que se refere às colônias espanholas, a Guiné Equatorial teve a independência em 1968; em 1969, Marrocos recuperou a região de Ifni e, em 1975, a Espanha cedeu o Saara Ocidental à Mauritânia e Marrocos, fato que não sendo aceito pela maioria do povo saraui gerou o problema do Saara. Todos os novos países africanos passaram a fazer parte da ONU e da OUA.A África a partir da década de 1990O fim da Guerra Fria, entre 1988 e 1991, e o auge das doutrinas neoliberais dirigiram um duro golpe às versões do socialismo africano (Nkrumah, Sekou Touré, Nyerere) de alcance mais ou menos pan-africanista ( pan-africanismo). Privaram, ainda, do apoio exterior os movimentos de libertação e, ao mesmo tempo, eliminaram a função de baluarte anticomunista do regime de apartheid sul-africano, abolido em 1991. O fim da bipolarização, que desempenhara um papel importante na definição de uma determinada geografia política africana, levou à crise de numerosos governos apoiados por um ou outro bloco, e acabou, assim, por exaltar as reivindicações de tipo étnico, cultural ou religioso presentes em numerosos países, como em Ruanda, cenário de um conflito entre hutus e tutsis que desembocou num genocídio em 1994; no Chade, onde ainda perdura uma guerra civil entre o Norte islâmico e o Sul animista; na Somália, mergulhada num conflito entre várias facções guerrilheiras que motivou a intervenção dos EUA em 1993; na Etiópia, da qual se tornou independente a Eritreia em 1993, após uma sangrenta guerra que se prolongou durante toda a década; ou em países da costa ocidental, como a Libéria e a Costa do Marfim, vítimas de confrontos étnicos e religiosos crônicos. Por outro lado, a globalização econômica outorgou aos critérios do FMI e do Banco Mundial a condição de barômetro de todas as políticas nacionais, e a aceitação dos planos de ajustamento estrutural foi a tônica dominante nos últimos anos, com altos custos sociais. Mas, ao mesmo tempo, a estagnação econômica e as contradições sociais fixaram o limite da adaptação. Os imperativos de democratização, associados ao reconhecimento do pluralismo partidário, penetraram com maior ou menor fortuna na paisagem política de numerosos países africanos e, na década de 1990, tiveram lugar inúmeras convocatórias eleitorais sob o sinal da abertura. O modelo de partido único e a função do líder carismático como encarnação da nação e como personificação de uma nova entidade internacional, dominante nas décadas posteriores à descolonização, deixou, com algumas exceções, a porta aberta à procura de maiores consensos e às aspirações de consolidação de uma cultura democrática. A AIDS no continente africano Segundo dados divulgados em 2009 pela ONU (Organização das Nações Unidas), estima-se que haja no mundo todo 33 milhões de pessoas infectadas com o vírus da AIDS, das quais 22 milhões vivendo no continente africano. Na África do Sul, país com mais infectados, aproximadamente 6 milhões de pessoas têm o vírus. Em 17 de março de 2009, o papa Bento XVI condenou o uso de camisinha durante visita à África. O papa iniciava então uma visita de seis dias ao continente, que tem a maior parcela de população contaminada pelo vírus da AIDS no mundo, reafirmando a posição da Igreja Católica contrária ao uso da camisinha. Contudo, foi enorme o descontentamento despertado pelas afirmações do líder da Igreja Católica, o qual afirmou que "os preservativos não são a resposta para Aids na África". Em frente à catedral de Notre Dame, em Paris, capital francesa, vários manifestantes protestaram contra as declarações do papa. Onze pessoas foram presas após enfrentamentos entre defensores e críticos do papa. As declarações de Bento XVI também foram criticadas por políticos da direita e da esquerda. Os governos da Alemanha, da Bélgica e da França e as Nações Unidas condenaram as palavras do líder católico a respeito do uso de preservativos na África.
ArteNormalmente, o termo arte africana refere-se à arte da África Subsaariana. A arte da África Setentrional apresenta características próprias marcadas pelo florescente desenvolvimento cultural do antigo Egito e, posteriormente, por uma história ligada ao Mediterrâneo (Grécia, Roma, Bizâncio) e determinada pela conquista árabe.Os primeiros objetos artísticos africanos que chegaram à Europa foram avaliados a partir de códigos e critérios estritamente europeus. Nos finais do séc. XIX os principais museus europeus acumularam importantes coleções de arte africana que, no caso da arte subsaariana, despertaram o interesse de pintores (fauvistas e cubistas) e escritores (Apollinaire, Cendrars). O estudo destas coleções, feito após 1950, permitiu reconhecer a diversidade de estilos e aprofundar o seu significado religioso, mágico ou estético. A escultura é a arte fundamental da África Subsaariana. Profundamente ligada à religião e à representação do poder, do ponto de vista iconográfico o tema principal é a figura humana, normalmente trabalhada em proporções simbólicas com uma clara desproporção da cabeça. Frontalismo, hieratismo e o uso de formas geométricas constituem alguns dos seus traços principais. É preciso destacar os grandes conjuntos regionais situados no golfo da Guiné, desde o Mali e o Burkina Faso até o Camarão e o Congo. Entre estas esculturas destacam-se os bronzes da Feitoria de Benin (a partir do séc. XII), as cabeças de terracota atribuídas à cultura Nok (a partir do séc. V a.C.) e os bustos altamente idealizados do chamado «milagre de fé» (entre os sécs. XI-XIII). Os primeiros centros urbanos que se conhecem na África, pondo de lado os do antigo Egito, são as cidades amuralhadas do S da Mauritânia, de uns 4.000 anos de antiguidade. Ao longo do I milênio a.C. assistiu-se a um extraordinário desenvolvimento da cidade imediatamente a seguir ao S do Saara. Desta época são os lugares mais antigos: Jenne, Gao e Kumbi. Mais recentes, mas de grande valor arquitetônico, são as mesquitas do Níger, construções em lama de formas curvas e brandas e com característicos minaretes em forma de talude. Entre elas, destacam-se as Mesquistas de Djénné, Mopti, Agadès e Timbuktu. Contudo, o monumento arquitetônico que mais conjeturas tem levantado é o Grande Zimbábue, enorme conjunto de muralhas de pedra mandadas construir pelos soberanos dos reinos que surgiram a partir do séc. VII na bacia aurífera do rio Zambeze. Ruínas deste tipo encontram-se espalhadas por numerosos pontos do Zimbábue e de Moçambique, do rio Limpopo ao Zambeze. No que se refere à arquitetura mais comum, a tipologia arquitetônica abrange desde as cabanas redondas de cobertura cônica dos povos agricultores das pradarias e savanas às construções de lama e pedra do Sahel, passando pela característica arquitetura arquitravada da África Setentrional. As primeiras manifestações pictóricas do continente africano encontram-se na zona situada ao S dos atuais territórios da Argélia e da Líbia; não pertencem todas ao mesmo estilo, nem correspondem à mesma época. Foram realizadas num espaço temporal muito dilatado que vai do III milênio a.C. ao ano 700 a.C. Em geral, a pintura, até meados do séc. XX, teve um marcado caráter anônimo vinculado à decoração de máscaras e esculturas ( Argélia)(Feitoria de Benin)( Camarão)(República do Congo)( Costa do Marfim)( Egito)( Etiópia)(República da Guiné)( Guiné-Bissau)( Quênia)( Líbia)( Marrocos)( Nigéria)( Níger)( Serra Leoa)(República da África do Sul)( Sudão)( Tunísia).
África Busto de um rei da cultura Ifé, sécs. XII-XV, Nigéria (Coleção particular)
LiteraturaA denominação de literatura africana coloca diversos problemas por causa da amplitude de registros que o próprio termo engloba. Umas vezes, é utilizado para designar unicamente as obras realizadas no âmbito subsaariano, separando a produção própria e a da zona setentrional; outras vezes, a denominação fica restringida a autores de raça negra, o que colocaria de fora escritores como N. Gordimer ou J.M. Coetzee. Os problemas aumentam quando se considera que a literatura propriamente africana é apenas aquela que se exprime em línguas próprias do continente, excluindo assim os autores que utilizam um idioma dos colonizadores. Porém, parece preferível utilizar o nome de literatura africana para denominar a produção literária dos autores do continente, sem distinção de língua ou de raça. Segundo alguns autores, são três as heranças principais que ajudaram a constituir a literatura africana: a tradição autóctone, o Islã e a cultura ocidental. Todas elas influíram de forma diversa e em distinta intensidade nas diferentes regiões. Devido ao fato de ser a oralidade o elemento predominante na forma de comunicação da África, a literatura oral ocupa uma posição preponderante na sua cultura. Apesar de existirem anteriormente textos em línguas autóctones escritos em alfabeto latino, a tradição escrita mais importante surgirá por volta dos sécs. VIII e IX, após a islamização, quando os caracteres árabes começam a ser utilizados para transcrever as línguas africanas. Predomina a literatura didática e destacam-se as crônicas sobre os monarcas. A partir do séc. XIX, o paulatino interesse pela literatura africana manifestado pelos escritores europeus levou a que os escritores nativos explorassem também as suas próprias tradições. Durante a década de 1930, vários escritores africanos residentes na Europa, entre eles L.S. Senghor, formaram o movimento cultural negritude. Entre os autores mais destacados de finais do séc. XX sobressaem as figuras dos prêmios Nobel (N. Mahfuz, W. Soyinka e N. Gordimer) e as do nigeriano C. Achebe, dos marroquinos T.B. Jelloun e M. Chukri, dos sul-africanos J.M. Coetzee (prêmio Nobel 2003) e A.P. Brink, do moçambicano Mia Couto e do angolano Pepetela( Angola)( Argélia)(República do Congo)( Egito)( Etiópia)( Gana)(República da Guiné)( Marrocos)( Madagascar)( Moçambique)( Níger)( Nigéria)( Senegal)(República da África do Sul)( Sudão)( Tanzânia)( Tunísia)( Uganda)( Zimbábue).MúsicaO deserto do Saara divide o continente africano em duas regiões musicalmente diferenciadas do ponto de vista estilístico, a África Setentrional e a África Subsaariana. Enquanto a primeira dispõe de uma música mais ligada à dos povos do Médio Oriente, com os quais compartilha a cultura árabe, a África Subsaariana dispõe de uma grande variedade de áreas culturais com características musicais próprias da popularmente conhecida música negra. No centro da África Ocidental destaca-se a existência dos griots, músicos profissionais e historiadores oficiais das classes aristocratas. A sua técnica consiste em entoar um som muito forte e agudo, seguido de um período salmodiado que culmina com um final grave. Na África Oriental, destaca-se a utilização de uma enorme variedade de harpas e liras que alguns consideram, historicamente, herdeiras das culturas do Egito dos faraós. Diversas texturas vocais e instrumentais polifônicas, e as criações da música dos dorze e a dos povos pigmeus, caracterizam os povos da região central. As escalas utilizadas pertencem a numerosos sistemas (entre eles o modal) e as técnicas vocais variam segundo as regiões. A polifonia vocal, a pentafonia e os cantos em terceiras paralelas são alguns dos traços arcaicos que permanecem na diversidade da música africana subsaariana. É comum que na música interpretada em grupo haja uma voz que atue como líder e as vozes restantes vão respondendo alternadamente. A música está totalmente integrada nas atividades religiosas, sociais e institucionais da comunidade e usa-se ainda como meio de comunicação, tradicionalmente mediante a percussão de tambores que imitam a linguagem falada. Os instrumentos africanos são conhecidos pelas inúmeras variedades de tambores, de xilofones (balafos) e alguns instrumentos como o mbira (sanza), um dos únicos instrumentos de origem genuinamente africana, que, às vezes, é tocado como se fosse um instrumento de percussão. A África influiu nas culturas musicais de outros continentes, especialmente na América, do mesmo modo que tem integrado, nas suas próprias correntes musicais, certos contributos europeus, asiáticos e árabes(República da África do Sul)( Gana)( Egito).

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