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intolerância a lactose ou deficiência de lactase
A intolerância à lactose, também conhecida como deficiência de lactase não é uma doença, e sim, uma carência do organismo com incapacidade parcial ou completa que o de produzir, uma enzima digestiva chamada lactase, que quebra e decompõe a lactose, ou seja, o açúcar do leite, ou em outros produtos lácteos. Como consequência, a lactose chega ao intestino grosso sem alterações, onde se acumula e é fermentada por bactérias que fabricam ácido lático e gases, promovem maior retenção de água e o aparecimento de diarreias e cólicas.
A Intolerância a Lactose é diferente da alergia ao leite, que é uma resposta do sistema imunológico do seu corpo a uma ou mais proteínas (caseína e soro são as mais comuns) encontradas no leite de vaca. Essa alergia se manifesta após a ingestão de uma porção, por menor que seja de leite ou derivados e pode causar reações como inchaço dos lábios, boca, língua, face ou garganta. A alergia ainda pode gerar eczema, urticária ou erupção cutânea, vermelhidão e coceira na pele ou olhos, além de problemas respiratórios como espirros, congestão nasal, tosse, e asma.
A intolerância à lactose pode surgir em diferentes momentos da vida. Nas pessoas de raça branca, normalmente começa a aparecer em crianças com mais de cinco anos. Enquanto na raça negra, asiáticos e indígenas a condição geralmente ocorre até os dois anos de idade. A deficiência de lactase também pode ocorrer como resultado de doenças intestinais, como a celíaca e a gastroenterite, ou após uma cirurgia intestinal.
Os tipos de intolerância à lactose são:
Primária – É comum em pessoas de idade mais avançada, resultado do envelhecimento. Durante a infância, o corpo produz muita enzima lactase, pois o leite é a fonte primária de nutrição após o nascimento. Geralmente, o corpo diminui a quantidade de lactase produzida conforme a pessoa vai envelhecendo e variando sua dieta com outros alimentos. Com o tempo, esse declínio na produção de lactase pode levar a um quadro de intolerância à lactose.
Secundária – Este tipo de intolerância ocorre quando o intestino delgado deixa de produzir a quantidade normal de lactase por causa de alguma doença como a celíaca, gastroenterite ou doença de Crohn, além de cirurgia ou injúria, ou ainda, um dano à mucosa intestinal, geralmente após quadros de diarreia, com eliminação de fezes amolecidas ou semilíquidas, acompanhada de flatulência e cólicas. Uma dieta e administração de lactobacilos ajudam a recolonização da flora intestinal. Nesse caso, a intolerância pode ser temporária e desaparecer com o controle da doença de base.
Congênita – Este tipo de intolerância ocorre quando a pessoa nasce com o problema genético, sem condições de produzir lactase (forma rara, mas crônica), conhecida como herança autossômica recessiva e é passada de geração em geração. Isso significa que tanto o pai quanto a mãe precisam transmitir o gene da intolerância à lactose para o filho para que ele apresente o problema.
Sintomas – Se concentram no sistema digestório como: diarreia, náusea, vômitos, dores abdominais, inchaço, excesso de gases que geralmente surgem após minutos ou horas da ingestão de alimentos ou bebidas que contenham lactose. Crianças pequenas e bebês portadores do distúrbio, em geral, perdem peso e crescem mais lentamente.
Tratamento – Não existem tratamentos para a intolerância à lactose. Mas, adicionar enzimas lactase ao leite normal ou tomá-las em forma de capsula, ou remover da dieta os laticínios derivados do leite, amenizam os sintomas. Porém não ingerir leite ou derivados, pode levar a uma carência de cálcio, vitamina D, riboflavina e proteína. Alguns alimentos que podem ser substituídos no lugar do leite são as coalhadas ou iogurtes, eles não possuem lactose e têm as mesmas propriedades do leite. Também são indicados alimentos vegetais com alto teor de cálcio. No entanto, a quantidade a ser consumida é muito superior. Para uma xícara de leite, teria que se consumir oito xícaras de espinafre.
Alimentos que contêm lactose
Laticínios: Os produtos feitos a partir do leite contêm lactose, alguns iogurtes, creme de leite, sorvete, maionese, bebidas (mistas) de leite, creme de queijo, queijos cottage e outros.
Alimentos ricos em amido como: pães, biscoitos, panquecas, bolos e outros similares, costumam usar leite em pó ou produtos lácteos na preparação.
Doces: sorvetes e bolos de sorvete, frozen, chocolate ao leite, pudins, alguns adoçantes artificiais, cremes e sobremesas que usam leite condensado possuem lactose.
Bebidas: leite integral, leite em pó, leite condensado, leite batido, leites aromatizados e diversas bebidas instantâneas. Algumas bebidas lácteas estão disponíveis em versões com lactose reduzida e podem ser toleradas por alguns indivíduos.
Molhos e coberturas: molhos para salada, molhos de queijo, manteiga e patês também podem conter lactose. Geralmente, a manteiga possui uma quantidade menor de lactose e pode ser uma alternativa, desde que consumida com moderação.
Alimentos que não contêm lactose
Leites: de soja, de arroz e de aveia, condensado de soja, creme de leite de soja, Leite de coco.
Doces: Geleias, gelatinas, doce de soja, doce de coco, chantilly vegetal, cacau em pó, cereais matinais, creme de amendoim, merengue, quindim, balas de coco, doces em calda, frutas secas.
Hortifruti: Frutas e vegetais frescos sempre são alimentos sem lactose. O abacate pode ser ingerido como fruta ou usar para molhos, a batata para sopas cremosas e todas as frutas.
Carnes: frango, boi, peru, porco, búfalo.
Frutos do mar: Salmão, linguado, atum, caranguejo, camarão, sardinha, ostras. Todos os produtos do mar são alimentos sem lactose.
Molhos: mostarda, maionese caseira, molho de tomates, tahine.
Cuidados – Portadores de intolerância à lactose precisam saber que é importante ler não só os rótulos dos alimentos para saber qual é a composição do produto, mas também a bula dos remédios, porque vários deles incluem lactose em sua fórmula.
Nos rótulos dos alimentos, procure pelas palavras: leite, soro de leite, requeijão, laticínios, leite desidratado, sólidos de leite e leite em pó. Se qualquer um destes ingredientes estiver descrito na embalagem, o produto contém lactose.
Quais são os exames que detectam a tolerância à lactose, solicitados pelos médicos:
Paciente ingerir um líquido rico em lactose para, depois, realizar um exame de sangue e verificar a quantidade de glicose na corrente sanguínea.
Exame de hidrogênio expirado, em que o paciente também ingere um líquido com altas quantidades de lactose para que o médico, depois, analise a quantidade de hidrogênio expelido pelo hálito do paciente.
Medidor de ácidos. A lactose não ingerida produz ácido láctico no organismo, que consegue ser identificado por meio de um medidor de ácidos.
No início, do tratamento a proposta é suspender a ingestão de leite e derivados da dieta a fim de promover o alívio dos sintomas. Depois, reintroduzir aos poucos estes alimentos até identificar a quantidade máxima que o organismo suporta sem manifestar sintomas adversos. Essa conduta terapêutica tem como objetivo manter a oferta de cálcio na alimentação, nutriente que, junto com a vitamina D, é indispensável para a formação de massa óssea saudável. Suplementos com lactase e leites modificados com baixo teor de lactose são úteis para manter o aporte de cálcio, quando a quantidade de leite ingerido for insuficiente.

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