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LER
A sigla LER significa Lesão por Esforço Repetitivo, (em inglês Repetitive Strain Injury), sendo também denominada como distúrbio osteomuscular caracterizada pelo desgaste de estrutura do sistema musculoesquelético envolvendo lesões musculares e desgaste nas articulações e nervos, causando dores e inflamações.
A lesão é causada geralmente por movimentos reincidentes e contínuos com consequente sobrecarga dos nervos, músculos e tendões. O esforço excessivo, má postura, stress, condições desfavoráveis de trabalho também contribuem para o aparecimento da LER.
A doença é conhecida também por outras denominações, como: Síndrome do Túnel do Carpo, Tenosinovite, Lesão Traumática Cumulativa ou Tendinite.
A LER é uma doença que se desenvolve lentamente, de uma maneira quase imperceptível. O lesionado só percebe quando já existe um grande comprometimento da área afetada. Muitos precisam fazer longos tratamentos com fisioterapia, ou até afastar-se do trabalho.
As lesões inflamatórias causadas por esforços repetitivos já eram conhecidas desde a antiguidade sob outros nomes, como por exemplo, "na Idade velha", a "Doença dos Quibes", que nada mais era do que uma tenossinovite, praticamente desaparecendo com a invenção da imprensa. E em 1891, De Quervain descrevia como "Entorse das Lavadeiras".
Para prevenir a LER é necessário algumas medidas:
Em caso de passar muito tempo sentado, a pessoa deve ter um apoio adequado para os pés e para as costas, de modo que permita uma postura correta.
Em caso de utilizar as mãos, é necessário que o apoio para as mesmas esteja em uma altura compatível com o tórax.
Fazer alongamento muscular com mais cuidado as áreas do corpo que serão mais utilizadas.Fazer pausas durante o expediente, para não ficar muito tempo na mesma posição e também não ter esgotamento físico ou mental, o descanso é necessário.
Tomar água pelo menos a cada hora de trabalho, aproveitando para levantar e movimentar o corpo.
Para os digitadores, não apoiar os pulsos, mantê-los suspensos enquanto estiver digitando.
A prática da Ginástica Laboral tem sido adotada por muitas empresas para prevenir problemas como estes.
Os sintomas mais conhecidos da síndrome são dores nas partes afetadas. A dor é semelhante a dor de reumatismo ou de esforço estático, como por exemplo a dor causada quando se segura algo com o braço, por longo tempo, sem movimentá-lo. Há formigamentos e dores que dão a sensação de queimadura ou, às vezes, frio localizado.
Quanto às fases, a classificação da LER é a seguinte:
Fase 1 – Apenas queixas mal definidas e subjetivas, melhorando com repouso.
Fase 2 – Dor regredindo com repouso, apresentando poucos sinais objetivos.
Fase 3 – Exuberância de sinais objetivos, e não desaparecendo com repouso.
Fase 4 – Estado doloroso intenso com incapacidade funcional (não necessariamente permanente)
Em 1984, a classificação de Browe, Nolan e Faithfull divide a LER em estágios:
Estágio 1 – Dor e cansaço nos membros superiores durante o turno de trabalho, com melhora nos fins de semana, sem alterações no exame físico e com desempenho normal.
Estágio 2 – Dores recorrentes, sensação de cansaço persistente e distúrbio do sono, com incapacidade para o trabalho repetitivo.
Estágio 3 – Sensação de dor, fadiga e fraqueza persistentes, mesmo com repouso. Distúrbios do sono e presença de sinais objetivos ao exame físico.
Em 1988, Dennet e Fry, , classificaram a doença, de acordo com a localização e fatores agravantes:
Grau 1 – Dor localizada em uma região, durante a realização da atividade causadora da síndrome. Sensação de peso e desconforto no membro afetado. Dor espontânea localizada nos membros superiores ou cintura escapular, às vezes com pontadas que aparecem em caráter ocasional durante a jornada de trabalho e não interferem na produtividade. Não há uma irradiação nítida. Melhora com o repouso. É em geral leve e fugaz, e os sinais clínicos estão ausentes. A dor pode se manifestar durante o exame clínico, quando comprimida a massa muscular envolvida. Tem bom prognóstico.
Grau 2 – Dor em vários locais durante a realização da atividade causadora da síndrome. A dor é mais persistente e intensa e aparece durante a jornada de trabalho de modo intermitente. É tolerável e permite o desempenho da atividade profissional, mas já com reconhecida redução da produtividade nos períodos de exacerbação. A dor torna-se mais localizada e pode estar acompanhada de formigamento e calor, além de leves distúrbios de sensibilidade. Pode haver uma irradiação definida. A recuperação é mais demorada mesmo com o repouso a dor pode aparecer ocasionalmente, durante outras atividades. Os sinais, de modo geral, continuam ausentes. Pode ser observado, por vezes, pequena nodulação acompanhando bainha de tendões envolvidos. A palpação da massa muscular pode revelar hipertonia e dor. Prognóstico favorável.
Grau 3 – Dor desencadeada em outras atividades da mão e sensibilidade das estruturas; pode aparecer dor em repouso ou perda de função muscular; a dor torna-se mais persistente, é mais forte e tem irradiação mais definida. O repouso em geral só atenua a intensidade da dor, nem sempre fazendo-a desaparecer por completo. Há frequentes paroxismos dolorosos mesmo fora do trabalho, especialmente à noite. É frequente a perda de força muscular e parestesias. Há sensível queda da produtividade, quando não impossibilidade de executar a função. Os sinais clínicos estão presentes, sendo o edema frequente e recorrente; a hipertonia muscular é constante, as alterações de sensibilidade estão quase sempre presentes, especialmente nos paroxismos dolorosos e acompanhadas de manifestações como palidez, hiperemia e sudorese das mãos. A mobilização ou palpação do grupo muscular acometido provoca dor forte. Nos quadros com comprometimento neurológico compressivo a eletromiografia pode estar alterada. Nessa etapa o retorno à atividade produtiva é problemático.
Grau 4 – Dor presente em qualquer movimento da mão, dor após atividade com um mínimo de movimento, dor em repouso e à noite, aumento da sensibilidade, perda de função motora. Dor intensa, contínua, por vezes insuportável, levando o paciente a intenso sofrimento. Os movimentos acentuam consideravelmente a dor, que em geral se estende a todo o membro afetado. Os paroxismos de dor ocorrem mesmo quando o membro está imobilizado. A perda de força e a perda de controle dos movimentos se fazem constantes. O edema é persistente e podem aparecer deformidades, provavelmente por processos fibróticos, reduzindo também o retorno linfático. As atrofias, principalmente dos dedos, são comuns. A capacidade de trabalho é anulada e os atos da vida diária são também altamente prejudicados. Nesse estágio são comuns as alterações psicológicas com quadros de depressão, ansiedade e angústia.

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