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colagenose
Diferentes afecções inflamatórias e degenerativas das fibras do tecido conjuntivo podem ser manifestações de uma mesma doença, a colagenose. Em qualquer dos casos, os derivados da cortisona constituem peça fundamental do tratamento.
O conceito de doença difusa do tecido conjuntivo, ou colágeno, foi estabelecido em 1942 por P. Klemperer (com A.D. Pohlack e G. Baer), que agrupou sob tal nome enfermidades de há muito conhecidas mas de causa obscura e aparentemente não relacionadas entre si, que apresentavam em comum a necrose fibrinoide. Essa lesão, depois considerada consequência de um choque antígeno-anticorpo dentro do conjuntivo, inicia-se na substância fundamental e envolve os demais elementos do tecido, excitando fenômenos inflamatórios locais que representam a fase aguda da enfermidade. Na etapa final e crônica, por meio de intensa proliferação de fibroblastos (células formadoras de fibras), constitui-se um tecido fibroso cicatricial.
A localização desses fenômenos em diferentes partes do organismo e a predominância de uma das fases sobre as demais explicam os diferentes quadros clínicos das diversas doenças. Há consenso quanto a considerar as colagenoses como formas especiais de alergia, nas quais as lesões seriam consequência da incessante formação de partículas (auto-anticorpos) dirigidas contra os próprios elementos teciduais, que adquiririam propriedades antigênicas (auto-antígenos), numa autêntica perversão dos mecanismos imunitários. Pertencem a esse grupo de doenças o lúpus eritematoso sistêmico, a poliarterite nodosa, a esclerodermia sistêmica e a dermatomiosite.
O lúpus eritematoso sistêmico apresenta uma forma cutânea benigna e uma forma visceral, maligna, sendo apenas esta considerada doença do colágeno. Na forma cutânea, a doença atinge somente a pele, mas as lesões, de curso crônico, são de difícil regressão. A doença atinge principalmente mulheres na terceira ou quarta década de vida. É febril e debilitante, sendo comuns fenômenos dolorosos ou inflamatórios das articulações, lesões cutâneas avermelhadas, queda de cabelos, amenorreia, lesões pulmonares e renais.
Embora o comprometimento das artérias exista em todas as enfermidades do colágeno, é mais frequente na poliarterite nodosa, quando constitui o elemento fundamental do processo. A doença é mais comum em homens adultos e pode vir acompanhada de comprometimento do estado geral, como em todas as colagenoses. São mais frequentes as lesões de coração, pulmões, rins e aparelho digestivo.
A esclerodermia sistêmica caracteriza-se pela franca predominância dos processos proliferativos sobre os exsudativos e é sobretudo de curso crônico. O nome deriva do aspecto enrijecido que toma a pele nos casos avançados. O processo atinge principalmente as mãos, limitando muito a mobilidade dos dedos. A maior parte dos afetados são mulheres excessivamente tímidas e emotivas, que apresentam as mãos roxas e dormentes quando expostas ao frio. Há nítida influência de emoções reprimidas no eclodir e evoluir da moléstia.
A última doença do grupo, a dermatomiosite, é inflamatória e atinge pele e músculo. Há leve preferência pelo sexo feminino, sendo comuns casos na infância. De início há vermelhidão facial, que é sensível à luz solar e atinge sobretudo as pálpebras, e fenômenos inflamatórios na musculatura das extremidades. Com o progredir da doença, a pele torna-se esclerodérmica e instalam-se múltiplas atrofias musculares. O diagnóstico definitivo é fornecido por biópsia muscular. O exame de laboratório pode evidenciar aumento da excreção urinária de creatina e diminuição da creatinina na urina, enquanto que certas enzimas do sangue, como as transaminases, mostram valores anormais.

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