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sexualmente transmissíveis, doenças (DST)
O surgimento da AIDS, na década de 1980, renovou o interesse da medicina pelas doenças sexualmente transmissíveis, que voltaram a ser uma das principais questões de saúde pública. Tais enfermidades, como a sífilis, a gonorreia e o cancro mole, são difundidas de pessoa para pessoa pelo contato sexual.
Doenças sexualmente transmissíveis são aquelas que se contraem principalmente por contato sexual. Essas enfermidades eram antes chamadas venéreas, denominação derivada de Vênus, a deusa do amor da mitologia romana. São provocadas pela infecção por diferentes tipos de microrganismos, tais como bactérias (gonorreia, sífilis, linfogranuloma venéreo, cancro mole etc.), vírus (herpes genital, AIDS) ou mesmo protozoários (tricomoníase).
O contágio das doenças sexualmente transmissíveis se dá também por outras vias. Algumas, como a sífilis e a AIDS, podem ser transmitidas de mãe para filho durante a gestação, por uma transfusão de sangue infectado ou pelo uso de seringas hipodérmicas não esterilizadas. Em geral, afetam de início os órgãos genitais, os sistemas reprodutor e urinário, a boca, o ânus e o reto. Podem, entretanto, com a permanência do microrganismo, atacar vários órgãos e sistemas.
Durante séculos, as doenças sexualmente transmissíveis representaram consideráveis ameaça para a saúde pública, tanto pela impossibilidade de controlar sua difusão antes da implantação dos modernos sistemas de saneamento, quanto pela inexistência de meios adequados para combater os microrganismos que as provocam. Esse quadro começou a modificar-se a partir da descoberta dos antibióticos e de outros agentes quimioterápicos que provocaram imediata redução na ocorrência dessas doenças.
A mais grave das doenças sexualmente transmissíveis até o aparecimento da AIDS foi a sífilis, causada por uma bactéria do grupo das espiroquetas, o Treponema pallidum. O contágio ocorre por via direta, pelo contato entre mucosas ou pela epiderme. O tratamento se faz com base na administração de penicilina e de outros agentes antibióticos.
Modernamente, entre as doenças sexualmente transmissíveis, só a AIDS (sigla inglesa de "síndrome da imunodeficiência adquirida") é fatal mesmo com tratamento. Detectada no final da década de 1970, logo passou a constituir uma das maiores ameaças à saúde pública. A infecção é provocada pela contaminação do sangue por fluidos humanos que contenham o retrovírus HIV (sigla inglesa de "vírus da imunodeficiência humana"). Com a destruição do sistema imunológico, o organismo fica exposto a outras infecções, chamadas oportunistas, que acabam por provocar a morte do paciente.
Gonorreia
Também chamada blenorragia, a gonorreia é provocada por um gonococo, bactéria de forma arredondada que se instala nas mucosas. A infecção se localiza em diversas glândulas do aparelho genital do homem e da mulher e costuma afetar as mucosas da uretra, do colo uterino e do reto. O tratamento com penicilina e outros antibióticos é extraordinariamente eficaz para combater a gonorreia. A infecção pode deixar sequelas graves: esterilidade, tanto no homem, se o epidídimo for atingido, quanto na mulher, se houver inflamação das trompas, e cegueira no recém-nascido contaminado pela mãe.
Durante muito tempo os especialistas acreditaram que sífilis e gonorreia era a mesma doença. Só no início do século XX foram registrados progressos significativos na identificação das duas enfermidades, com a descoberta dos microrganismos que as causam e o desenvolvimento de testes de detecção. Entre 1940 e 1950 a erradicação dessas duas enfermidades parecia iminente, mas logo depois sua incidência voltou a aumentar. O recrudescimento foi provocado por diversas causas, entre as quais a redução das campanhas de prevenção, a crescente resistência dos microrganismos aos antibióticos e diversos fatores sociais que influenciaram o comportamento sexual.
Cancro mole
Semelhante ao cancro da sífilis primária, o cancro mole, cancroide ou "cavalo" é provocado pela bactéria Haemophilus ducreyi. Ao lado do granuloma inguinal e do linfogranuloma, é doença de alta incidência nos trópicos. O período de incubação varia de três a cinco dias, após os quais surgem feridas muito dolorosas nos órgãos genitais, acompanhadas de ínguas nas virilhas. O tratamento, à base de tetraciclinas, deve ser feito pelo casal.
Herpes genital
Na primeira manifestação do herpes genital, de quatro a seis dias após o contágio, surgem nos genitais inúmeras bolhinhas que logo se rompem, formando pequenas feridas dolorosas que desaparecem espontaneamente entre o sétimo e o décimo dia. O vírus, no entanto, aloja-se no organismo e provoca o retorno periódico dos sintomas, em geral abrandados. As crises podem ser desencadeadas por exposição ao sol, estresse, menstruação e fatores que diminuam a resistência imunológica, como outras doenças e certos medicamentos. A cura do herpes, causado pelos vírus herpes simples tipos 1 e 2, ainda está sendo pesquisada, mas existem medicamentos à base de aciclovir que controlam o aparecimento dos sintomas.
Outras doenças
Também têm incidência relativamente elevada o linfogranuloma venéreo, o granuloma inguinal, a uretrite não gonocócica e o condiloma acuminado. O linfogranuloma venéreo – causado pela Chlamydia trachomatis, agente responsável também por doenças de menor gravidade, como uretrites – manifesta-se pelo aumento das glândulas linfáticas nas virilhas, que podem supurar. O granuloma inguinal inicia-se como uma pequena ferida, que pode aumentar e tomar grandes áreas, usualmente na região genital. A uretrite não gonocócica provoca inflamação da conjuntiva e da uretra, artrite, lesões cutâneas e oculares. O condiloma acuminado, conhecido popularmente como verruga venérea ou crista-de-galo, é causado por vírus e se caracteriza pelo aparecimento na região genital de pequenas verrugas róseas ou acinzentadas, moles e úmidas. O tratamento é local com ácido tricloroacético.
Infecções frequentes, mas sem gravidade são a tricomoníase, causada pelo Trichomonas vaginalis, um protozoário flagelado, e a candidíase, provocada pela Candida albicans, agente infeccioso que produz sintomas como irritação, prurido e leucorréia.
Prevenção
Não existe vacina contra as doenças sexualmente transmissíveis, de modo que a prevenção consiste basicamente em evitar o contágio. Muitas vezes, a pessoa infectada por vírus ou bactérias causadores dessas doenças não apresenta sintomas e pode contaminar parceiros sexuais sem mesmo saber que está doente. Assim, as principais medidas preventivas consistem em evitar práticas sexuais promíscuas, mesmo com parceiros aparentemente limpos e saudáveis, e usar preservativos corretamente. A mulher só deve engravidar e amamentar depois de comprovar sua condição de não infectada, para não contaminar o bebê. O doador de sangue deve ter resultados negativos para sífilis e AIDS, além da hepatite. Recomenda-se o emprego exclusivo de seringas e agulhas descartáveis e, no caso de médicos e enfermeiros que cuidam de portadores de sífilis e AIDS, o uso de luvas para manipular sangue e demais secreções do paciente.

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