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EV
Frank, Anne
Annelies Marie Frank
Frankfurt am Main, Alemanha 1929 - Bergen-Belsen, Alemanha 1945
Vítima  do Holocausto. Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929, em Frankfurt, Alemanha. Sua mãe era Edith Frank-Holländer e seu pai, Otto Frank, foi um tenente do exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial que mais tarde se tornou um empresário com negócios na Alemanha e na Holanda. Anne também tinha uma irmã chamada Margot, três anos mais velha. Os Frank eram uma típica família de classe média alta judaico-alemã, vivendo em um bairro calmo e de religiosidade variada perto dos arredores de Frankfurt. Entretanto, Anne nasceu na véspera de mudanças importantes que ocorreriam na sociedade alemã e que em breve acabariam com a vida tranquila e feliz de sua família, assim como com a vida de outros judeus alemães. Em grande parte devido às duras sanções impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes (1919), que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, a economia alemã passava por dificuldades terríveis nos anos 1920. No final da década de 1920 e início da década de 1930, o Partido Nazista antissemita (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), conduzido por Adolph Hitler, tornou-se a principal força política da Alemanha, chegando ao governo em 1933. Quando Hitler se tornou chanceler da Alemanha, em 20 de janeiro de 1933, a família Frank percebeu imediatamente que era hora de fugir. Eles se mudaram então para Amsterdã, Holanda, no outono de 1933. Lá Otto se tornou diretor administrativo da Dutch Opekta Company, que fabricava um gelificante para compota. Após anos sofrendo com o antissemitismo na Alemanha, os Frank viram-se aliviados por mais uma vez desfrutar da liberdade em Amsterdã. Anne começou a estudar na Escola Montessori em 1934, e durante o restante dos anos 1930, viveu relativamente feliz, em uma infância normal. Tinha muitos amigos, alemães e holandeses, judeus e cristãos, e era uma aluna muito boa e curiosa. Então, em 1° de setembro de 1939, os nazistas invadiram a Polônia, dando início ao conflito global que se transformaria na Segunda Guerra Mundial. Em 10 de maio de 1940, o exército alemão invadiu a Holanda, derrotando as forças holandesas em apenas alguns dias de combate. Os holandeses capitularam em 15 de maio de 1940, marcando o início da ocupação nazista da Holanda. Em outubro, os nazistas impuseram inúmeras medidas antissemitas na Holanda. Os judeus deveriam usar uma estrela amarela; não poderiam andar nos bondes; eram proibidos de sair às ruas entre oito da noite e seis da manhã; não poderiam ter seus próprios negócios, entre muitas outras proibições. Anne e sua irmã foram obrigadas a se transferir para uma escola só de judeus. Temendo que sua empresa fosse confiscada pelo governo, Otto Frank renunciou ao cargo de diretor da Pectacon, que fazia condimentos para carne, transferindo suas ações para os parceiros não judeus Jo Kleiman e Victor Kugler, mesmo comandando tudo dos bastidores. Em 12 de junho de 1942, quando Anne completou 13 anos, seus pais lhe deram de presente um diário com uma estampa xadrez em vermelho, no qual ela começou a escrever no mesmo dia. Semanas depois, em 5 de julho de 1942, Margot recebeu uma intimação oficial ordenando que fosse para um campo de trabalhos forçados na Alemanha. No mesmo dia, a família se escondeu em uma parte do prédio em que Otto tinha a sua empresa (o Anexo Secreto). Mais tarde, juntaram-se a eles Hermann van Pels, sua mulher, Auguste, e o filho deles, Peter. E também o dentista Fritz Pfeffer, amigo da família. Os empregados de Otto, Kleiman e Kugler, além de Jan Gies, Miep Gies-Santrouschitz e Bep Voskuijl, forneciam alimentos e informações sobre o que acontecia lá fora. As famílias permaneceram durante dois anos escondidas na parte secreta do prédio. Para passar o tempo, Anne escrevia exaustivamente em seu diário. Além de escrever no diário, Anne também tinha uma agenda com citações de seus autores favoritos, histórias originais e o início de um romance sobre o tempo passado no Anexo Secreto. Seus escritos revelam uma adolescente de muita criatividade e de muita sabedoria para a pouca idade. E, 4 de agosto de 1944, um oficial da polícia secreta alemã, acompanhado de quatro nazistas holandeses, invadiu o Anexo Secreto e prendeu todos que lá se encontravam. Nunca se soube exatamente a identidade do informante. Foram levados para o campo de concentração de Westerbork, aonde chegaram em 8 de agosto de 1944 vindos de trem. Em 3 de setembro de 1944, foram transferidos no meio da noite para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Ao chegarem lá, os homens foram separados das mulheres. Foi a última vez que Otto Frank viu sua mulher e filhas. Após vários meses de intenso trabalho carregando pedras pesadas, Anne e Margot foram transferidas novamente, durante o inverno, para o campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha. Não foi permitido que a mãe seguisse com elas; Edith acabou adoecendo e morreu em Auschwitz, em 6 de janeiro de 1945. Em Bergen-Belsen, a comida era escassa, com um saneamento medonho e muitas doenças. Anne e a irmã logo contraíram tifo, que se tornara uma epidemia, e morreram no início de março, apenas algumas semanas antes que os soldados russos libertassem o campo. Otto Frank foi o único membro da família que sobreviveu. No fim da guerra, ele voltou para Amsterdã, procurando desesperadamente por notícias da família. Em 18 de julho de 1945, encontrou duas irmãs que tinham estado com Anne e Margot em Bergen-Belsen e elas contaram sobre suas mortes trágicas. Em Amsterdã ele também encontrou Miep Gries, que havia guardado o diário de Anne e o qual resolveu publicar. Assim, em 25 de junho de 1947, veio a público o livro The Secret Annex: Diary Letters from June 14, 1942 to August 1, 1944, que continha todo o diário escrito por Anne durante seu confinamento. Anne Frank: The Diary of a Young Girl foi publicado em diversos idiomas. Também foi adaptado para o cinema e para os palcos muitas vezes, em diversos lugares do mundo. E permanece como um dos relatos em primeira pessoa mais emocionantes e amplamente lidos da experiência judaica durante o Holocausto. No Brasil, a Editora Record publicou O Diário de Anne Frank, com tradução de Alves Calado.

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