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EV
Zubiri, Xavier
Xavier Zubiri Apalategui
San Sebastián, País Basco 1898 - Madrid, Espanha 1983
Filósofo   espanhol. Nasceu em San Sebastián, cidade fronteiriça com a França, em 1898. Esse ano é fatídico para a Espanha, pois o país perde sua última colônia, Cuba, e também emblemático, porque pela primeira vez surgem, na cena política, os intelectuais preocupados em recuperar o esplendor da cultura e da ciência. É "a geração do 98". De 1920 a 1921 Zubiri se licencia em filosofia em Louvain e, ao mesmo tempo, faz licenciatura e doutorado na Universidade Central de Madrid (Ensayo de una Teoría Fenomenológica del Juicio). Essa tese é o primeiro livro publicado (1923) sobre fenomenologia na Espanha. Em 1920 também doutora-se em teologia em Roma. Está mergulhado em sua primeira etapa filosófica, a fenomenológica (1920-1931). Em 1926, torna-se professor catedrático de história da filosofia na mesma Universidade Central. Por indicação de Ortega y Gasset, que foi seu orientador, vai para Freiburg, na Alemanha, já como professor (1928-1930), para completar sua formação e participar dos cursos de Husserl e Heidegger. Esse ambiente de buscas e mudanças filosóficas se aprofunda quando reside em Berlim (1930-1931), onde convive e estuda física teórica com os prêmios Nobel Max Planck, Werner Heisenberg, Erwin Schrödinger, Paul Dirac e Albert Einstein. Estuda também matemática e biologia. Em 1935 vai a Roma para aprender alguns idiomas orientais (sumério, acádio, hitita, iraniano e aramaico) com Antón Deimel e L. Palácios. Casa-se em Roma com Carmen Castro, filha de Américo Castro. Com o início da Guerra Civil Espanhola (1936), abandona Roma rumo a Paris, onde ficará até 1938, convivendo, entre outros, com Louis de Broglie, Marcel Bataillon, Masignon, Benveniste e Jacques Maritain. Voltou para a Espanha em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial. Em razão do seu perfil – catedrático discípulo de Ortega y Gasset, formado nos renovadores ares filosóficos e científicos da Alemanha e da França, clérigo secularizado casado com a filha de um intelectual e historiador republicano –, não será bem aceito pelo novo regime nacional-católico. É transferido, então, para Barcelona e, diante de uma incompatibilidade do cerceamento à liberdade de investigar e ensinar, promovido pelo modelo implantado na universidade, Zubiri renuncia à sua cátedra. Sua última aula, Nossa Situação Intelectual, é a crítica e o novo caminho a empreender. Volta a Madrid, onde estabelece seu lar humano e intelectual. Incentivado por amigos, reúne os artigos publicados (Cruz y Raya, Escorial, Revista de Occidente) no livro Natureza, História, Deus. O livro foi um sucesso e despertou todo tipo de expectativas durante muitos anos; com ele concluía sua segunda etapa filosófica, a ontológica (1932-1944), e começava a etapa metafísica (1945-1983). Por iniciativa desses mesmos amigos criam-se as primeiras conferências-colóquios semanais, embrião de seus famosos cursos (mais de 32) que serão, quase até sua morte, o laboratório de todo o seu trabalho filosófico e também a base para sua subsistência. Isso significou uma espécie de "exílio interior". Em 1947, o Banco Urquijo, atuando na área social e intelectual, financia a criação da Sociedad de Estudios y Publicaciones, onde Zubiri dará seus cursos. De 1942 a 1958 ele sofre as consequências da campanha contra Ortega e Unamuno. Em 1958, ao escrever o livro Sobre a Pessoa, acredita que antes de fazê-lo deveria escrever sobre a realidade e suas estruturas básicas: uma nova teoria da substantividade e da realidade enquanto tal ( filosofia da realidade). É o livro Sobre a Essência (1962), no qual manifesta sua plena maturidade intelectual. A obra teve sucesso editorial, mas foi mal compreendida por seguidores e opositores, porque nela o filósofo busca uma atitude filosófica mais radical (via senciente) que a clássica (via concipiente). Ajudado por seus discípulos, cria o Seminário para esclarecer as chaves dessa obra. O fruto será a Trilogia Senciente (noologia): Inteligência e Realidade, Inteligência e Logos e Inteligência e Razão, escritos entre 1980 e 1983. Em 1982, receberá junto com seu amigo e bioquímico ganhador do prêmio Nobel (1958) Severo Ochoa o Premio Ramón y Cajal, concedido pela primeira vez à pesquisa pelo Ministério da Educação e Ciência. Zubiri morreu em setembro de 1983, aos 85 anos, vítima de câncer de intestino. Sua proposta ainda é atual no século XXI. Sua obra continua sendo publicada e divulgada pela Fundación Xavier Zubiri e pela Xavier Zubiri Foundation of North America. São mais de 20 obras provenientes dos cursos orais, sendo traduzidas para o francês, o alemão, o inglês, o italiano, o russo e o português. Como legado, podemos destacar o pensamento de Zubiri como uma inédita sistematização metafísica em diálogo crítico com a tradição filosófica buscando fundamentar a realidade humana: "Do conceito que tenhamos do que é realidade e de seus modos depende nossa maneira de ser pessoa, nossa maneira de estar nas coisas e entre as demais pessoas, depende nossa organização social e histórica".

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