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União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)
Pátria do "socialismo real", materialização política da grande utopia marxista do século XX, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ou União Soviética, foi, entre sua criação em 1922 e o colapso em 1991, não só o país de maior área territorial do mundo como aquele que tinha uma das mais diversificadas populações do planeta, composta por mais de cem etnias, a maioria eslavos orientais (russos, ucranianos e bielorrussos).
Na fase de sua maior extensão (1946-1991), a União Soviética cobria cerca de 22.400.000km2, perto de um sexto da superfície terrestre do planeta. Ocupava a metade leste da Europa e o terço norte da Ásia. Além da mais longa costa do mundo, a União Soviética tinha as mais extensas fronteiras. Ao norte, era limitada pelo oceano Glacial Ártico e, a leste, pelos mares do Pacífico. Ao sul, fazia fronteira com a Coréia do Norte, Mongólia, China, Afeganistão, Irã e Turquia e os mares Cáspio, Negro e Azov. A oeste ficavam Romênia, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, Finlândia e Noruega.
A União Soviética herdou o império russo dos czares. Depois da revolução de 1917, criaram-se quatro repúblicas que, em 30 de dezembro de 1922, constituíram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas com capital em Moscou: Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e Transcaucásia. Outras repúblicas foram incorporadas nos anos seguintes: Turcomenistão e Usbequistão em 1924, Tadjiquistão em 1929 e Casaquistão e Quirguistão em 1936. No mesmo ano, a Transcaucásia foi abolida e seu território dividido em três novas repúblicas: Armênia, Azerbaijão e Geórgia. Depois de 1940, estabeleceram-se as de Moldávia, Estônia, Letônia e Lituânia, formando um total de 15 repúblicas unidas. Além dessas, até 1990 a União Soviética congregava vinte repúblicas autônomas, oito províncias autônomas, dez distritos autônomos, seis regiões e 114 províncias.
Sob a constituição de 1936, o fundamento político da URSS eram os Sovietes (Conselhos) de Deputados do Povo. Esses conselhos existiam em todos os níveis da hierarquia administrativa, com a União Soviética sob o controle nominal do Soviete Supremo instalado em Moscou. O órgão tinha duas câmaras – o Soviete da União, com 750 membros eleitos por todo o eleitorado, e o Soviete das Nacionalidades, com 750 representantes das diversas divisões políticas: 32 de cada república da união, 11 de cada república autônoma, cinco de cada província autônoma e um de cada distrito autônomo.
Nas eleições para os sovietes, praticamente só havia candidatos do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) que, até a emenda constitucional de março de 1990, era a "força guia e líder da sociedade soviética e o núcleo de seu sistema político". Em teoria, toda legislação deveria ser aprovada por ambas as câmaras do Soviete Supremo; na prática, as decisões eram tomadas pelo pequeno grupo do comitê permanente, o Presidium do Soviete Supremo, dominado pelo Bureau Político (Politburo) do PCUS, e aprovadas pelos deputados. Os sovietes das repúblicas e das demais divisões administrativas limitavam-se a aprovar e executar as decisões tomadas pelo Soviete Supremo da URSS.
O sistema político, autoritário e centralizado como o sistema econômico, fundamentava-se na "propriedade socialista dos meios de produção, troca e distribuição". A economia nacional era controlada por planos qüinqüenais, que estabeleciam objetivos globais e setoriais para todas as formas de produção. Todo esse arcabouço econômico e institucional desapareceu em dezembro de 1991, com o colapso da União Soviética como realidade geopolítica.
Panorama pré-revolucionário
A revolução de 1917 ocorreu num cenário de intenso conflito político em que atuavam três protagonistas: o czarismo, o campesinato (com sua subdivisão, a classe operária), e os intelectuais (a intelligentsia). O czar detinha autoridade absoluta, sem nenhum constrangimento constitucional ou de instituições parlamentares. Governava com a ajuda de uma casta burocrática e do Exército, que tinha como uma das tarefas principais a manutenção da ordem interna. A polícia de segurança era extremamente poderosa e ubíqua e agia sem controles externos.
A vasta maioria dos camponeses, perto de oitenta por cento da população, vivia em comunas que tinham a propriedade das terras. A organização comunal, composta pelos chefes das famílias, exercia controle total sobre seus membros e periodicamente fazia a redistribuição das terras para contemplar mudanças no tamanho das famílias. Sua tendência política era o anarquismo, partilhado pelos trabalhadores da indústria que, em grande parte, tinham origem camponesa. Havia aproximadamente dois milhões de operários industriais na Rússia no fim do século XIX.
A intelligentsia era liberal ou radical mas sempre contra o status quo. Os radicais tentaram incitar camponeses e trabalhadores à rebelião nas décadas de 1860 e 1870. Sem apoio popular, adotaram métodos terroristas, que culminaram em 1881 com o assassinato do czar Alexandre II. A dura repressão policial impediu a ação revolucionária nas décadas seguintes.
Havia três grandes partidos revolucionários no país no começo do século XX, dois deles frutos de uma divisão da social-democracia. O Partido Socialista Revolucionário, que tinha no campesinato sua principal base de apoio, era anarquista e utilizava o terror político. O Partido Social Democrata dos Trabalhadores Russos seguia as doutrinas marxistas clássicas, segundo as quais o desenvolvimento do capitalismo inevitavelmente criaria uma classe proletária que com o tempo faria uma revolução e introduziria o socialismo.
Os social-democratas se dividiram em 1903 em duas facções, que evoluíram para partidos separados. Os mencheviques (minoria), leais aos ensinamentos da social democracia, rejeitavam como prematura a revolução socialista na Rússia pré-capitalista. Os bolcheviques (maioria) acreditavam que a Rússia estava pronta para o socialismo. Seu líder, Lenin (Vladimir Ilitch Ulianov), convencido de que os trabalhadores por si mesmos não iriam além de um sindicalismo pacífico, atribuía ao partido o papel de força de vanguarda que dirigiria o operariado no caminho revolucionário.
Formação do governo soviético
A revolução de outubro de 1917 (novembro pelo calendário gregoriano) levou os bolcheviques ao poder. No dia 26 de outubro (8 de novembro), o II Congresso Nacional dos Sovietes declarou deposto o governo provisório que, chefiado por Aleksandr Kerenski, substituíra o regime czarista em fevereiro daquele ano. O congresso, do qual a maioria dos delegados mencheviques e socialistas-revolucionários se retirara em protesto contra a insurreição bolchevista, aprovou também, por unanimidade, dois decretos. O primeiro concitava "os povos em guerra e seus governos" a iniciarem "conversações sobre uma paz justa e democrática", sem anexações nem indenizações; o segundo abolia as grandes propriedades agrárias privadas.
O congresso ratificou também a composição do primeiro governo revolucionário, denominado I Soviete dos Comissários do Povo e integrado exclusivamente por membros do Comitê Executivo Central do Partido Operário Social-Democrata (bolchevique). A chefia do governo coube a Lenin; Aleksei Ivanovitch Rikov foi designado comissário do povo para o Interior; Leon Trotski, para os Negócios Estrangeiros; Joseph Stalin, para as Nacionalidades; Anatoli Vassilievitch Lunatcharski, para a Educação; e as Forças Armadas foram confiadas a um comitê de três membros do qual fazia parte Nikolai Vassilievitch Krilenko como comandante do Exército Vermelho.
Assembléia Constituinte
Nas eleições para a Assembléia Constituinte, realizadas em novembro de 1917, os socialistas-revolucionários obtiveram maioria absoluta, contra apenas 25% dos votos para os bolchevistas. A Assembléia reuniu-se pela primeira e única vez no dia 18 de janeiro de 1918. Quando os deputados se recusaram a ratificar os decretos sobre a paz e o confisco de terras e a transferência do poder aos sovietes, os bolchevistas e os socialistas-revolucionários de esquerda se retiraram do plenário e no dia seguinte a Assembléia foi dissolvida. Seu desaparecimento marcou a instalação da ditadura bolchevista. Nos meses que se seguiram, todos os partidos políticos foram declarados ilegais, jornais e outros periódicos foram fechados e a oposição foi suprimida por uma nova polícia secreta, a Tcheka (originalmente Vetcheka, acrônimo derivado do nome em russo da Comissão Extraordinária de Todas as Rússias de Combate à Contra-Revolução e à Sabotagem).
Tratado de Brest-Litovsk
Em novembro de 1917, Trotski enviou telegramas aos embaixadores dos países aliados em Petrogrado (nome que São Petersburgo recebera em 1914) sugerindo que o decreto sobre a paz fosse considerado uma proposta formal para a conclusão de um acordo de cessar-fogo e para o início das conversações de paz. Os países aliados, porém, se recusaram a reconhecer o governo soviético, que em dezembro iniciou isoladamente as negociações com a Alemanha e seus aliados, o império austro-húngaro e a Turquia, na cidade de Brest-Litovsk, na Bielorrússia. Em 3 de março de 1918 foi assinado o tratado de paz, em condições ruinosas para a Rússia, e a capital soviética transferida de Petrogrado para Moscou, como medida de segurança. Dentre outras perdas, a Rússia cedeu à Alemanha as províncias bálticas, Polônia e parte da Bielorrússia e reconheceu a independência da Finlândia e da Ucrânia. A Bessarábia passou à soberania da Romênia, nos termos do Tratado de Bucareste, assinado com a Alemanha em maio de 1918 mas não reconhecido pelo governo soviético. Com a rendição alemã, pelos termos do Tratado de Versalhes esses acordos foram anulados.
Partido Comunista
Em março de 1918, o Partido Bolchevique recebeu o nome de Partido Comunista Russo (Bolchevique) para distingui-lo de partidos social-democratas da Rússia e da Europa e separar os seguidores de Lenin daqueles não revolucionários filiados à Internacional Socialista. Dirigido por um Comitê Central, o partido criou em 1919 três instâncias administrativas: o Secretariado e o Bureau Organizacional (Orgburo), que lidavam com questões de pessoal, e o Bureau Político (Politburo), que combinava poderes legislativos e executivos.
Guerra civil e intervenção externa
Em março de 1918, o IV Congresso Nacional dos Sovietes ratificou o Tratado de Brest-Litovsk, o que provocou a cisão entre comunistas e socialistas-revolucionários. Dois pólos de oposição ao governo se formaram no país: a esquerda não bolchevista, indignada com a dissolução da Assembléia Constituinte e os acordos de paz, e as forças de direita, que se organizaram nos diversos exércitos "brancos" da periferia da Rússia com o objetivo de restaurar o czarismo.
Os bolcheviques começaram a formar seu exército no segundo semestre de 1918. O comando geral do Exército Vermelho, que no auge da guerra civil chegou a ter quase cinco milhões de homens, foi entregue a Trotski, mas as decisões operacionais eram tomadas por militares profissionais, a maioria antigos oficiais imperiais.
A primeira força branca, conhecida como Exército Voluntário, formou-se no final de 1917 e começo de 1918 nas regiões do sul habitadas por cossacos. Suas principais batalhas foram travadas sob o comando do general Anton Ivanovitch Denikin. Outra foi criada no oeste da Sibéria; em novembro de 1918 o almirante Aleksandr Koltchak assumiu seu comando e tornou-se ditador das áreas que controlava. Outras forças menores foram criadas no noroeste, no norte e no extremo leste da Rússia. Todas, em graus diversos, foram apoiadas pelos aliados, especialmente o Reino Unido, com dinheiro e material.
Os países aliados justificaram a presença de suas tropas em território russo pela necessidade de reorganizar a frente leste, como forma de aliviar a pressão da ofensiva alemã do começo de 1918. Em março, forças inglesas, com o apoio de contingentes franceses, italianos e sérvios, desembarcaram em Murmansk. Os japoneses ocuparam Vladivostok em abril, abrindo caminho à intervenção, em agosto, de tropas inglesas, americanas, francesas e canadenses. Entretanto, depois do armistício, em novembro de 1918, sua intervenção teve clara intenção de intervir no destino político da Rússia. Com exceção das tropas britânicas, que ocasionalmente se engajavam em combates, as tropas aliadas não participaram da luta.
As batalhas decisivas da guerra civil ocorreram no segundo semestre de 1919. No primeiro semestre, Koltchak havia lançado uma ofensiva contra Moscou e se aproximava das margens do Volga quando teve sua marcha impedida por uma força vermelha numericamente superior e foi obrigado a recuar. Meses depois seu exército se desintegrou e ele foi preso e executado.
De todos os generais brancos, o que chegou mais perto da vitória foi Denikin. Em outubro de 1919 seu exército alcançou Orel, 250km ao sul de Moscou. Em seu avanço, os cossacos do exército branco promoveram terríveis pogroms na Ucrânia, nos quais perto de cem mil judeus perderam a vida. Denikin foi derrotado pelo Exército Vermelho em outubro e novembro de 1919 e os remanescentes de seu exército fugiram para os portos do mar Negro. Sua derrota final ocorreu em novembro de 1920.
No período caótico da guerra civil, a família imperial foi assassinada. Nicolau II, sua mulher e filhos tinham sido removidos de Tobolsk para Iekaterinburgo (chamada Sverdlovsk entre 1924 e 1991), na zona de operações de guerra. Receosos de que os prisioneiros fossem libertados pelos contra-revolucionários, os sovietes locais ordenaram sua execução na noite de 16 para 17 de julho de 1918.
Os socialistas-revolucionários organizaram uma série de sublevações armadas em várias cidades da Rússia central. Em 30 de agosto, Lenin foi gravemente ferido num atentado e os comunistas reagiram com a adoção de uma política de terror, com fuzilamento de reféns, julgamentos sumários e execução de suspeitos.
A derrota alemã provocou o colapso do governo da Ucrânia em benefício dos comunistas, mas abriu o mar Negro aos aliados. Em dezembro de 1918, uma força multinacional, sob comando francês, desembarcou em Odessa, Sebastopol, Kherson e Nicolaiev. A vitória militar contra a Alemanha, que eliminava as razões táticas da intervenção na Rússia, dividiu os aliados. Em 1919 os franceses retiraram suas forças da Ucrânia e os ingleses desocuparam Arkhangelsk e Murmansk. Em 1922, os japoneses, pressionados pelos Estados Unidos, deixaram as províncias do Extremo Oriente.
Situação militar
No final de 1919, o Exército Vermelho reconquistara a Ucrânia e as províncias do sul da Rússia européia. As forças brancas estavam praticamente derrotadas e os partidos trabalhistas da Europa ocidental dificultavam a intervenção franco-britânica. A única possibilidade de reação armada encontrava-se na Polônia, cujo governo alimentava a esperança de estender à Ucrânia o domínio polonês.
Armado pelos franceses, o Exército polonês atacou a Rússia em março de 1920 e ocupou Kiev em maio. No mês seguinte, os soviéticos retomaram Kiev e expulsaram as forças polonesas. O governo de Moscou, porém, decidiu atravessar o território polonês para dar apoio aos comunistas na Alemanha e deflagrar uma nova onda revolucionária na Europa. Em agosto, a batalha do Vístula, diante de Varsóvia, pôs fim aos planos de expansionismo por meios militares com a derrota das forças vermelhas, obrigadas a empreender uma retirada precipitada. Um armistício foi concluído em outubro de 1920 e o Tratado de Riga, fixando a nova fronteira com a Polônia, assinado em março de 1921.
No Báltico, a tentativa soviética de recuperar as províncias russas perdidas na guerra contra a Alemanha foi frustrada graças ao poderio naval britânico. Em 1920, as repúblicas transcaucasianas do Azerbaijão e da Armênia foram incorporadas ao estado soviético e em 1921 o Exército Vermelho reconquistou a Geórgia. Na Ásia, a república do Extremo Oriente integrou-se voluntariamente à Rússia soviética com a retirada japonesa.
Comunismo de guerra
Poucos meses depois de assumir o poder, o novo regime russo deu início a uma série de medidas com a finalidade de destruir todos os vestígios de propriedade privada e instalar uma economia comunista centralizada. Essas medidas, que receberam o nome de "comunismo de guerra", tinham dois objetivos básicos: como marxistas, os bolcheviques acreditavam que a propriedade privada dos meios de produção era a base do poder político. O segundo objetivo era econômico: pensavam que uma economia centralizada e planejada era intrinsecamente mais eficiente do que a economia capitalista e em pouco tempo transformaria a Rússia soviética no país mais produtivo do mundo.
O "comunismo de guerra" pressupunha quatro conjuntos de medidas: (1) nacionalização de todos os meios de produção e transporte; (2) abolição do dinheiro e sua substituição por símbolos de permuta e bens e serviços gratuitos; (3) imposição de um único plano para toda a economia nacional; e (4) introdução do trabalho compulsório.
No primeiro ano do novo regime toda a indústria, exceto as menores, foi nacionalizada. A terra arável, fonte principal da riqueza nacional, foi deixada provisoriamente à disposição das comunidades de camponeses. A propriedade privada de residências urbanas foi abolida, assim como o sistema de herança. O estado, isto é, o Partido Bolchevique, tornou-se o único proprietário dos bens de produção. A administração dessa riqueza foi confiada a uma gigantesca organização burocrática, o Conselho Supremo da Economia Nacional, que deveria destinar da forma mais racional os recursos materiais e humanos necessários à produção e distribuição de bens.
O dinheiro foi efetivamente destruído pela emissão descontrolada, que causou uma inflação de proporções extraordinárias: em janeiro de 1923, os preços na Rússia soviética, comparados com os de 1913, tinham aumentado cem milhões de vezes. O escambo e a distribuição gratuita de bens por agências do governo substituíram as operações comerciais tradicionais e o comércio privado, a varejo ou atacado, foi proibido. Todo cidadão adulto tinha que trabalhar onde e quando fosse ordenado. Os sindicatos tiveram sua independência abolida e foram proibidas as greves em empresas nacionalizadas.
Um dos problemas mais graves que o novo regime teve que enfrentar foi o fornecimento de alimentos às cidades e ao Exército Vermelho, pois os camponeses não estavam dispostos a receber em pagamento uma moeda em rápida depreciação e que nada podia comprar. Lenin exigiu a entrega ao estado de toda a produção excedente por preços abaixo do custo. Para superar a resistência dos camponeses, destacamentos armados de requisição, apoiados por unidades regulares do exército, foram enviados às aldeias. Com o tempo, essa política de expropriação levou a uma sangrenta guerra civil. Um objetivo secundário dessa campanha era estabelecer as bases políticas do novo regime no campo, ainda quase totalmente fora de controle.
A crescente impopularidade dos bolcheviques intensificou o terror policial. A Tcheka, que já no primeiro semestre de 1918 tinha realizado muitas execuções sumárias, ampliou suas atividades a partir de setembro, depois do atentado contra Lenin.
Nova Política Econômica
Ao terminar a guerra civil e a intervenção externa no país, o poder na República Federativa Socialista Soviética Russa concentrava-se nas mãos do Partido Comunista, cujos membros compunham o Soviete dos Comissários do Povo e ocupavam os postos-chave da máquina administrativa. Operários e camponeses, porém, começaram a exigir em greves e manifestações o fim do "comunismo de guerra". As reivindicações dos grevistas incluíam, além de concessões econômicas, eleições livres para os sovietes e a libertação dos socialistas presos.
Em março de 1921, durante a reunião do X Congresso do Partido Comunista, a fortaleza naval de Kronstadt revoltou-se. Os amotinados exigiam liberdade para os operários, um novo regime agrário e eleições democráticas para os sovietes. Aceitavam o regime socialista mas rejeitavam a ditadura exercida pelo Partido Comunista em nome do proletariado. A revolta foi controlada poucos dias depois, mas deixara clara a necessidade de mudanças na administração econômica.
Ao fim da guerra civil, a renda nacional soviética representava apenas um terço da renda global de 1913; a indústria produzia apenas um quinto da produção total anterior à guerra mundial e as minas de carvão estavam reduzidas a um décimo de sua rentabilidade normal. Com as estradas de ferro destruídas, exauridos os estoques e reservas que alimentavam a economia do país, o intercâmbio de produtos entre o campo e a cidade cessou quase que por completo. Por vários meses, a ração diária de um habitante urbano consistiu de algumas batatas e cerca de cinqüenta gramas de pão.
Mais prejudicial era a queda na produção de grãos. Os pequenos proprietários agrícolas, chamados culaques ou "camponeses ricos", impedidos de vender seus produtos e indignados com as expropriações, reduziram as plantações. Somadas às quedas de produção causadas pela escassez de fertilizantes e animais de carga, as reduções levaram a um constante declínio da colheita de grãos: em 1920, a colheita de cereais na Rússia central produziu apenas dois terços da colheita de 1913. Para agravar a situação, uma seca prolongada, com proporções de calamidade pública, arruinou as semeaduras das regiões agrícolas do Volga, norte do Cáucaso e Ucrânia. Em julho de 1921, um milhão de camponeses famintos viviam em campos de refugiados onde grassavam epidemias de cólera e tifo.
Nesse período, toda a zona rural estava em estado de rebelião: centenas de milhares de camponeses combatiam o Exército Vermelho e a Tcheka. Nas províncias mais rebeldes, como Tambov, as autoridades usaram do terror indiscriminado contra a população rural para isolar os combatentes. Culaques reféns foram executados e houve deportações em massa.
Foi nesse clima que Lenin apresentou ao X Congresso do Partido Comunista, que a aprovou sem debates, a proposta da Nova Política Econômica (conhecida no exterior como New Economic Policy, NEP), cuja finalidade imediata consistia em induzir os agricultores a venderem seus produtos e os comerciantes privados a servirem de intermediários entre produtores e consumidores. Os bolcheviques abandonavam seus planos de "comunismo de guerra" e, segundo palavras do chefe de governo, "recuavam para melhor avançar".
A NEP liberou o comércio interno, permitiu o pagamento de horas extras de trabalho, estimulou os investidores estrangeiros e indiretamente reconheceu o direito à propriedade privada abolida ao tempo do comunismo de guerra. O estado mantinha o monopólio do comércio externo mas algumas das maiores organizações industriais foram autorizadas a negociar diretamente com o exterior. O banco do estado, fundado no segundo semestre de 1921, passou a emitir moeda e a funcionar como instituição de crédito.
Em maio de 1922, o governo criou um imposto único, que os camponeses a princípio pagaram em matérias-primas selecionadas e depois em dinheiro. Impostos indiretos e taxas sobre a propriedade urbana tornaram-se a principal fonte de renda fiscal e toda a economia do país voltou a operar em base monetária. O sistema foi, sem dúvida, um retorno aos métodos capitalistas, mas os opositores não tinham alternativa a oferecer, e Lenin, extremamente realista, não hesitou em seguir o caminho traçado.
Muitas indústrias nacionalizadas foram autorizadas a competir livremente no mercado; representações comerciais no exterior aumentaram o volume de transações internacionais; as exportações cresceram duas vezes e meia entre 1922 e 1923; e dobraram de novo até o fim de 1924. O mesmo progresso se verificou no comércio interno e na produção, que quadruplicou entre 1922 e 1924. Os preços dos produtos agrícolas caíram, em 1923, a sessenta por cento dos níveis anteriores à guerra. No início de 1924, o padrão ouro foi restabelecido como base monetária e a agricultura começou a recuperar-se dos efeitos da seca e da guerra civil.
Luta pelo poder
A constituição da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, criada pelo I Congresso dos Sovietes da URSS, entrou em vigor em 6 de julho de 1923. Em tese, os poderes se dividiam entre o centro e as repúblicas federadas. O poder central controlava não só as relações exteriores e a defesa, mas também as principais atividades econômicas.
Da morte de Lenin à morte de Stalin
Lenin dirigiu o governo, nos primeiros e difíceis anos de existência, com incontestável autoridade e eficiência. Sua morte, em 21 de janeiro de 1924, originou uma luta pelo poder, no curso da qual os últimos vestígios de democracia dentro do partido desapareceram, assim como haviam desaparecido, ainda durante sua vida, entre os órgãos constituintes do estado.
A morte de Lenin ocorreu quando a prosperidade da "nova burguesia" começava a inquietar seriamente os comunistas. Para impedir o retorno ao capitalismo, impuseram severas restrições e pesados tributos ao comércio privado. Essas medidas, bem recebidas nos centros urbanos, onde era grande a hostilidade aos novos-ricos do regime, os chamados "homens da NEP", provocaram o antagonismo dos culaques. Trotski exigia a supressão da resistência camponesa mas a maioria do governo, dominada por Stalin, preferia contemporizar, receosa dos efeitos de uma rebelião agrária. O congresso do Partido Comunista de abril de 1925 confirmou os direitos dos camponeses.
Um ano depois, no entanto, a situação mudara. Uma boa colheita e os volumosos estoques de alimentos em mãos do governo permitiram uma ação enérgica contra os camponeses. A oposição se fortalecera com a adesão de nomes como Zinoviev e Kamenev, pseudônimos de Grigori Ievseievitch Apfelbaum e Lev Borisovitch Rosenfeld. Secretário-geral do partido, Stalin tinha o controle da máquina governamental. Conseguiu desarticular a oposição e em novembro de 1927 o partido expulsou Trotski e seus aliados como dissidentes. Em dezembro, Zinoviev e Kamenev pediram readmissão e Trotski foi exilado para a Ásia central. Meses depois, o governo adotou o programa da oposição e reprimiu os camponeses.
A Tcheka havia sido abolida em 1922 e substituída pela GPU (iniciais russas para Agência Política do Estado) e, depois de 1923, pela OGPU (Agência Política Unificada do Estado). Seus poderes eram ainda maiores do que os da Tcheka, já que, além da ampla e discricionária autoridade para lidar com os oponentes políticos e administrar uma rede de campos de concentração (gulag), tinha a tarefa de se infiltrar nas instituições econômicas para impedir a sabotagem dos chamados "homens da NEP".
Em questões literárias e artísticas, enquanto Lenin viveu o regime demonstrou um grau de tolerância ausente de outras esferas da vida soviética. Artistas e escritores tiveram liberdade de criação desde que não se engajassem em dissenção política aberta. Trotski popularizou a expressão "companheiros de viagem" para os escritores que, embora não fossem comunistas, estavam dispostos a cooperar com eles. Como resultado, na década de 1920 houve enorme inovação na literatura e nas artes plásticas, que contrastava com a rigidez política do regime. Entre os escritores e artistas que aderiram aos bolcheviques estavam os futuristas, liderados pelo poeta Vladimir Maiakovski, seguidores do modelo italiano, e os construtivistas, equivalente russo ao grupo alemão de Bauhaus. No teatro e cinema, estavam em voga experiências em encenação e montagem muito influenciadas por Max Reinhardt e D. W. Griffith.
Os comunistas realizaram mudanças revolucionárias na estrutura e currículo do sistema educacional. Todas as escolas foram nacionalizadas e as matrículas abertas a todos os cidadãos. A autonomia das universidades e a estabilidade dos professores foram abolidas e disciplinas consideradas subversivas substituídas por cursos de doutrinação ideológica. As reformas desorganizaram o sistema educacional e na década de 1920 algumas foram abandonadas, mas Stalin manteve o controle do partido sobre o meio acadêmico.
Política externa e Comintern
As iniciativas da NEP haviam tranqüilizado o mundo quanto aos rumos da revolução soviética. As posições radicais dos primeiros anos pareciam atenuadas a ponto de permitir a convivência com os países capitalistas. A crescente prosperidade da URSS convenceu os empresários de que o restabelecimento de relações diplomáticas com o estado soviético abria boas perspectivas de expansão comercial. Em 1924 o Reino Unido reconheceu a URSS e, no espaço de um ano, todas as grandes potências, exceto os Estados Unidos, seguiram-lhe o exemplo.
A normalização das relações econômicas e políticas era, porém, prejudicada pela ação da III Internacional ou Internacional Comunista (Comintern). Lenin e seus aliados temiam que a revolução fosse derrotada pela ofensiva combinada da "burguesia" estrangeira e do campesinato interno, se ficasse confinada à Rússia agrária e pré-industrial. Era, portanto, essencial levar a revolução comunista aos países industriais do Ocidente. O Comintern foi formado em 1919 para organizar e financiar esse esforço. Ramo do Partido Comunista, essa organização operava sob a proteção de seu Comitê Central. Pelas normas estabelecidas no II Congresso do Comintern, de 1920, deveriam ser criados ou formados, no exterior, partidos comunistas submetidos às ordens de Moscou, a partir de cisões nos partidos social-democratas.
Na esperança de explorar o tumulto político e econômico em que vivia a Europa central depois da vitória aliada, Moscou enviou agentes com amplos suprimentos financeiros para incentivar a rebelião. Na Alemanha, fracassaram em 1919, 1921 e 1923 três tentativas revolucionárias realizadas com a ajuda de comunistas e simpatizantes locais. Na Hungria, um governo bolchevique liderado por Béla Kun assumiu o poder em março de 1919 mas durou apenas quatro meses. Também não tiveram sucesso os esforços de incitar a revolta em outros países e por fim Moscou desistiu da tentativa e preferiu a infiltração de organismos comunistas em instituições existentes.
No começo da década de 1920, o Comintern tinha partidos comunistas aliados na maioria dos países europeus, especialmente na França e Itália. A idéia de uma revolução mundial, porém, teve que ser adiada indefinidamente e a liderança bolchevique se concentrou na construção de um estado comunista isolado na União Soviética, a política conhecida como "socialismo num só país".
Os expurgos de Stalin
Os bolcheviques consideravam Stalin um bom administrador e intelectual medíocre. Em sua luta pelo controle da máquina partidária, que na realidade significava o controle do governo e, por meio dele, o domínio do país, Stalin revelou, porém, uma argúcia que confundiu e finalmente destruiu seus adversários mais brilhantes.
Eleito secretário-geral do Comitê Central, em 1922 Stalin organizou a hierarquia partidária com homens de sua confiança e manobrou com habilidade as ambições conflitantes dos opositores na luta pelo poder que se iniciou durante a enfermidade de Lenin e prosseguiu depois de sua morte. Apesar de só ter exercido função pública depois de 1941, quando substituiu Viatcheslav Molotov na chefia do governo, Stalin consolidou sua posição e emergiu como líder absoluto do regime logo depois da morte de Lenin.
O fortalecimento do poder pessoal foi assegurado pela eliminação, não raro física, dos antigos bolchevistas que dirigiram o país nos primeiros anos da revolução: Trotski foi banido e terminou assassinado no México em 1940; outras vítimas dos expurgos stalinistas foram Rikov, ex-chefe de governo; dois ex-secretários do Comintern, Zinoviev e Nikolai Bukharin; o chefe da OGPU, Genrikh Grigorievitch Iagoda; e o marechal Mikhail Nikolaievitch Tukhatchevski.
Depois do primeiro plano qüinqüenal (1928-1932), os interesses da produção conduziram a crescente disparidade de salários entre o alto funcionalismo, o Exército, a OGPU, os dirigentes industriais, os trabalhadores especializados e a massa da população. O estado passou a orientar diretamente a educação e a vida cultural. O divórcio foi dificultado, o aborto proibido e os casais estimulados a constituírem família numerosa, em completa reversão do sistema implantado no início pelo regime comunista. Em 1934, a OGPU foi absorvida por uma nova agência, a NKVD (sigla em russo de Comissariado do Povo de Assuntos Internos). Uma nova constituição foi adotada pelo Congresso dos Sovietes de toda a União em 5 de dezembro de 1936. A única organização política legal era o Partido Comunista, Stalin dispunha de poderes absolutos e toda oposição era formalmente proibida.
Os chamados "processos de Moscou" ocorreram de 1936 a 1938 e neles foram implacavelmente perseguidos e destruídos todos os líderes que poderiam ameaçar o predomínio de Stalin. O partido sofreu um expurgo brutal e praticamente todas as lideranças bolcheviques dos primeiros anos do regime foram eliminadas. O terror atingiu o clímax em 1937 e 1938, quando adquiriu caráter de massa. Para lidar com as prisões em larga escala, instalaram-se tribunais extra-legais, como as "troikas" da NKVD que, à revelia, condenaram centenas de milhares de pessoas à morte. Os túmulos coletivos das vítimas permaneceram secretos até o final da década de 1980.
O PCUS foi impiedosamente expurgado. Dos 139 membros do Comitê Central eleitos no XVII Congresso em 1934, 115 foram presos, assim como 1.108 de seus 1.966 delegados. As lideranças locais foram praticamente aniquiladas. Nas repúblicas, as acusações geralmente eram feitas em segredo e os principais temas da intensa propaganda pública invariavelmente incluíam conspiração de "nacionalismo burguês". Dos mais de dois milhões de membros do partido em 1935, quase a metade foi executada ou morreu nos gulags.
Os departamentos centrais do partido e dos Comissariados do Povo foram igualmente devastados. Os quadros das áreas industrial, econômica e de engenharia, incluindo as de ferrovias sofreram expurgos em massa. O Exército também foi afetado com perdas graves. Em maio de 1937, oito generais da mais alta patente, liderados pelo marechal Tukhatchevski, foram presos, torturados e, no dia 11 de junho, fuzilados pelas acusações habituais. O julgamento, realizado em segredo, foi publicamente anunciado, mas essa foi a exceção. Durante os dois anos seguintes, quase todos os oficiais superiores foram presos, julgados em segredo e executados: três dos cinco marechais, 13 dos 15 comandantes do Exército, cinqüenta dos 57 comandantes de unidades, e seis dos sete almirantes. A oficialidade perdeu perto da metade de seus efetivos.
O mundo cultural também foi atingido: centenas de escritores foram executados ou morreram nos campos, como Osip Emilievitch Mandelstam, Boris Pilniak e Isaak Babel. O expurgo também atingiu a população. De um total de cinco milhões de presos, apenas dez por cento sobreviveram. A União Soviética foi submetida a um dos mais brutais e sistemáticos regimes de terror da história, com efeitos duradouros.
No segundo semestre de 1938 tornou-se evidente a desarticulação que o terror provocara em toda a vida do país, incluindo a economia, que mostrava constante declínio da produção. Quatro anos depois Lavrenti Pavlovitch Beria assumiu a chefia da NKVD e comandou uma redução considerável no expurgo.
Relações internacionais
A política com a Alemanha teve forte influência nas relações internacionais da União Soviética no período de 1928 a 1941. A primeira fase, do início da revolução até a ascensão de Hitler ao poder em 1933, caracterizou-se pela colaboração com a Alemanha e o antagonismo à França e ao Reino Unido. A União Soviética apoiou a posição germânica em questões de desarmamento, opôs-se às teses francesas de segurança coletiva. Nesse período ocorreu o rompimento de relações com o Reino Unido.
Com o regime nazista, ostensivamente anticomunista e agressivo, a orientação política soviética alterou-se. A URSS aderiu à Liga das Nações em 1934, concluiu alianças militares com a França e a Tchecoslováquia e assinou tratados de não-agressão com a Polônia, os estados bálticos e a Finlândia. Durante a guerra civil espanhola, apoiou o governo republicano e forneceu-lhe tanques, aviões e instrutores militares.
Em 23 de agosto de 1939, para surpresa mundial, o governo soviético assinou em Moscou o pacto de não-agressão com a Alemanha hitlerista, chamado Pacto Molotov-Ribbentrop. O acordo foi concluído no momento em que a França e o Reino Unido, afastados da União Soviética desde as negociações de Munique, em 1938, mantinham entendimentos com Moscou para formar uma frente unida contra o Terceiro Reich.
O objetivo imediato da inesperada aliança era fortalecer a posição estratégica da União Soviética e aproveitar politicamente as contradições em que se envolviam as principais potências européias. Por um protocolo secreto, assinado junto com o acordo de agosto, a Alemanha prometia não opor obstáculos à ação soviética em áreas do interesse de Moscou.
Segunda guerra mundial
Tropas soviéticas invadiram a Polônia em 17 de setembro de 1939 e seu território foi partilhado com a Alemanha. A Finlândia foi atacada em 30 de novembro e, depois de forte resistência, cedeu à União Soviética o istmo da Carélia e a base naval de Hango. Em agosto de 1940, as repúblicas bálticas foram anexadas e a Romênia obrigada a entregar a Bessarábia, que teve parte de seu território incorporado à Ucrânia e o restante transformado na República Socialista Soviética da Moldávia.
As espetaculares vitórias alemãs no continente europeu destruíram os fundamentos da aliança com Moscou. Conquistada a França e isolado o Reino Unido, Hitler sentiu-se forte o bastante para retomar uma política agressiva em relação à URSS. Em novembro de 1940, Molotov, ministro do Exterior soviético, tentou negociar em Berlim um acordo que garantisse os interesses de Moscou nos Balcãs e nos estreitos que controlam a saída do mar Negro. O insucesso das negociações marcou o fim da cooperação germano-soviética. O ataque militar alemão à União Soviética, em plena vigência do pacto de não-agressão, começou em 22 de junho de 1941. Antes do rompimento das hostilidades com a Alemanha, a URSS tinha assinado um tratado de não-agressão com o Japão, o que prejudicou a concentração de forças contra a ofensiva germânica.
Nos primeiros cinco meses de combates, os alemães ocuparam o sul da Rússia, inclusive a Criméia, cercaram Leningrado e atingiram as imediações de Moscou. O inverno paralisou o ataque germânico, permitindo ao Exército Vermelho aliviar a pressão sobre a capital e reconquistar parte do território perdido. O maior esforço alemão teve lugar no verão de 1942, quando suas forças cruzaram o Don para atingir o Volga em Stalingrado e ocupou Rostov, Sebastopol, Novorossisk, os poços de petróleo de Maikop e as terras férteis do norte do Cáucaso.
A contra-ofensiva soviética, no inverno de 1942-1943, mudou radicalmente o curso da campanha. Um forte exército alemão, nas vizinhanças de Stalingrado, rendeu-se em fevereiro de 1943; outras forças foram isoladas na Criméia e, em novembro, os soviéticos reconquistaram Smolensk e Kiev e levantaram o cerco a Leningrado. Em 1944, a Finlândia pediu um armistício, o Exército soviético ocupou os estados bálticos e invadiu a Polônia. No sul, a Romênia e a Bulgária foram invadidas e voltaram-se contra a Alemanha. Em outubro, os russos entraram em Belgrado, cercaram Budapest e cruzaram a fronteira da Tchecoslováquia. No momento do colapso do Terceiro Reich, em 1945, as tropas soviéticas ocupavam Varsóvia, Viena, Budapest, Berlim e Praga. No Extremo Oriente, a URSS entrou em guerra nas vésperas da rendição japonesa e conquistou a Manchúria e a Coréia do Norte.
Durante a guerra, o controle governamental passou a um comitê de defesa presidido por Stalin, que também exercia a função de comandante-chefe das forças armadas. A linha de propaganda oficial passou a realçar o passado heróico do país, de preferência às vitórias revolucionárias. Em 1944, o hino nacional soviético deixou de ser a Internacional e uma emenda constitucional permitiu às repúblicas da URSS organizarem suas defesas e entrarem em relações com países estrangeiros. A medida permitiu a admissão da Ucrânia e da Bielorrússia às Nações Unidas.
Os partidos comunistas em todo o mundo abandonaram a posição negativa adotada durante a vigência do Pacto Molotov-Ribbentrop e apoiaram o esforço soviético de guerra, reclamando das potências aliadas ocidentais uma estratégia que aliviasse a pressão militar alemã sobre a URSS. Em maio de 1943 anunciou-se a dissolução formal do Comintern. Tratados de cooperação foram assinados com os principais países aliados e com vários governos no exílio.
As relações com a Polônia apresentaram-se sempre tensas e difíceis. Depois de um período inicial de colaboração, a URSS rompeu com o governo polonês no exílio em Londres, que solicitara investigações sobre a responsabilidade soviética num massacre de oficiais poloneses. Um novo governo polonês, constituído em Moscou, foi reconhecido pela URSS e mais tarde pelos Estados Unidos e o Reino Unido, como resultado dos acordos de Teerã, Ialta e Potsdam. Nessas reuniões foram discutidos o tratamento a ser dispensado aos vencidos, a nova divisão territorial e a criação da Organização das Nações Unidas (ONU).
A União Soviética sofreu perdas terríveis na guerra. O número de mortos civis e militares superou os vinte milhões e os prejuízos materiais foram incalculáveis. Nos territórios ocupados, os alemães destruíram todas as grandes centrais elétricas e metalúrgicas e dois terços das minas de carvão.
Política de pós-guerra
A estrutura política pouco se alterou nos anos seguintes ao conflito. Stalin manteve o domínio sobre o aparelho partidário e o governo; Molotov foi designado vice-primeiro-ministro, Andrei Ianuarevitch Vitchinski, antigo promotor público dos expurgos stalinistas, assumiu a pasta do Exterior; e cresceu a influência de dois importantes personagens da vida política do país: Georgi Maksimilianovitch Malenkov, antigo secretário particular de Stalin e membro do comitê central do partido e do Politburo, e Beria, chefe da NKVD a partir de 1942.
Em 1952, o XIX Congresso do partido reuniu-se pela primeira vez desde 1939 e Malenkov surgiu como o mais provável sucessor de Stalin. A literatura soviética promoveu o "culto à personalidade" de Stalin e o PCUS eliminou seu título histórico de bolchevique.
Na política externa, agravaram-se as divergências entre as potências ocidentais e a URSS, que já se haviam manifestado claramente no final da guerra. O bloqueio econômico de Berlim, com interrupção por parte dos soviéticos das vias terrestres de acesso à antiga capital, obrigou os aliados a abastecerem a cidade por via aérea e pela primeira vez tornou-se clara a possibilidade de um confronto armado entre os países comunistas e o Ocidente.
A guerra fria se delineou. O plano Marshall, de ajuda econômica americana à Europa, tornou inviável a revolução comunista nos países ocidentais do continente e acelerou o processo de integração dos países do leste europeu na órbita soviética. Em 1947, os partidos comunistas europeus fundaram em Belgrado o Cominform (Escritório Comunista de Informações) que guardava algumas semelhanças com o antigo Comintern. A Tchecoslováquia foi integrada ao bloco soviético, e a Iugoslávia, que se rebelara contra os métodos soviéticos de controle, foi excluída. O Cominform transferiu sua sede para Bucareste.
Na Ásia, após a vitória da revolução comunista da China em 1949, a URSS rompeu com o governo presidido por Chiang Kai-shek e reconheceu o governo criado em Pequim por Mao Zedong (Mao Tsé-tung). Apoiou também as forças comunistas do Sudeste Asiático e deu auxílio econômico e político à Coréia do Norte.
Era Khrutchev
A morte de Stalin em março de 1953 levou ao poder uma nova liderança em base colegiada, composta por Malenkov, chefe de governo, Nikita Khrutchev, primeiro secretário do PCUS, e o marechal Kliment Iefremovitch Vorotchilov, presidente do Presidium do comitê central. Molotov voltou para o Ministério do Exterior. A mudança de governo conferiu à política soviética um cunho mais conciliatório no campo internacional. Em fevereiro de 1955, Malenkov foi substituído na chefia do governo pelo marechal Nicolai Aleksandrovitch Bulganin. A União Soviética firmou um tratado de paz com a Áustria, normalizou as relações com a Iugoslávia e inaugurou uma política de colaboração com os países "não-alinhados".
Em 1956, perante o XX Congresso do partido, Khrutchev denunciou os crimes da era stalinista e o "culto da personalidade" de Stalin. Em companhia de Bulganin, visitou o Reino Unido e recebeu, em Moscou, o marechal Tito. Molotov foi substituído na pasta do Exterior por Dmitri Trofimovitch Tchepilov que em 1957 cedeu lugar a Andrei Gromiko.
No leste europeu, o domínio soviético foi desafiado por uma revolta na Polônia, debelada pelas forças locais, e uma insurreição na Hungria, derrotada com a intervenção de tropas soviéticas. Na ocasião da crise de Suez, em 1956, o governo de Moscou consolidou sua posição junto aos países árabes, ameaçando enviar voluntários à zona do canal e fornecendo-lhes armamentos. Em 1957, Molotov, Malenkov e Lazar Moisseievitch Kaganovitch, promovido a vice-primeiro-ministro, organizaram uma conspiração para derrubar o governo, enquanto Khrutchev e Bulganin se encontravam no exterior. Debelada a tentativa de golpe, Khrutchev consolidou seu poder e assumiu a presidência do Conselho de Ministros, conservando o cargo de primeiro secretário do PCUS. Em 1959, Khrutchev visitou os Estados Unidos e em 1960 a França, para um encontro com Charles de Gaulle.
O modelo soviético, se exerceu extrema repressão política em todas as esferas da vida do cidadão, também proporcionou as bases para uma profunda transformação tecnológica, social e cultural no país, que se traduziu em avanços extraordinários. No decorrer do século, toda a população do território do antigo império russo teve acesso à educação e o analfabetismo foi erradicado. O desenvolvimento tecnológico, já evidenciado pela explosão da primeira bomba atômica soviética em 1949, confirmou-se em 1957, quando cientistas soviéticos colocaram em órbita da Terra o primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, a que se seguiu em 1961 o lançamento da nave Vostok I, tripulada pelo cosmonauta Iuri Alekseievitch Gagarin.
A guerra fria se agravou com a queda de um avião americano de reconhecimento em território soviético e a prisão de seu piloto em 1960. Em 1962, na crise dos mísseis soviéticos instalados em Cuba, Estados Unidos e União Soviética estiveram na iminência de um choque armado, que poderia levar a uma guerra atômica. A conclusão do tratado de suspensão dos testes nucleares em 1963, porém, aliviou a tensão internacional. No mundo comunista, no entanto, as relações da União Soviética com a China se deterioraram quando Khrutchev, alarmado com a política de Pequim, suspendeu a ajuda econômica e retirou os técnicos soviéticos que trabalhavam em programas chineses de desenvolvimento.
Era Brejnev
Em 15 de outubro de 1964, em decisão inesperada, Khrutchev foi afastado de suas posições no governo e no partido e substituído por Leonid Brejnev como primeiro secretário do partido e por Aleksei Nikolaievitch Kossiguin como presidente do conselho de ministros. Khrutchev foi criticado por sua política com a China, pela solução dada ao problema de Cuba e a redução de armamentos convencionais.
O novo governo introduziu uma série de reformas de caráter econômico. Anastas Ivanovitch Mikoian, um dos últimos "antigos bolcheviques", deixou a presidência do Soviete Supremo; o Presidium do partido voltou a se chamar Politburo e o primeiro secretário retomou o título de secretário-geral.
No campo internacional, o novo governo soviético enfrentou uma situação grave em 1968, quando a Tchecoslováquia adotou um programa de ação contrário à orientação imposta por Moscou. Apesar de pressionada por cinco membros do Pacto de Varsóvia, entre os quais a União Soviética, a Tchecoslováquia manteve sua decisão de seguir um caminho próprio. Com receio das idéias liberalizantes da chamada "primavera de Praga", a URSS decidiu pela intervenção militar, em agosto de 1968. Apesar da reação inicial das potências ocidentais, a partir desse período estabeleceu-se uma colaboração mais ativa entre União Soviética e Estados Unidos.
No campo interno, porém, a situação tornou-se mais tensa. Críticas ao regime soviético, feitas por um grupo de cientistas e intelectuais, provocaram severas medidas restritivas. Andrei Dimietrievitch Sakharov, conhecido físico nuclear, publicou em 1968 um documento em que exigia maior liberdade de expressão e mais tarde outros artigos seus foram reproduzidos na imprensa ocidental. O problema dos judeus soviéticos também ocupou a atenção mundial. A União Soviética relutou em permitir a saída da população de origem judaica desejosa de se transferir para Israel, mas a situação foi contornada e nos primeiros anos da década de 1970 o processo migratório foi facilitado. A política econômica cortou os gastos militares, o que justificou o interesse soviético nas negociações com os Estados Unidos para a redução de armas estratégicas.
Distensão internacional
Moscou promoveu acordos para a segurança na Europa que resultaram na Conferência sobre Segurança e Cooperação Européias, realizada em Helsinki em 1975. Mas a reaproximação entre Estados Unidos e China levou a União Soviética a aproximar-se da Índia e a apoiá-la na guerra contra o Paquistão, que recebeu ajuda chinesa e americana. A vitória da Índia e o reconhecimento da independência de Bangladesh em 1972 reforçaram a posição soviética no Sudeste Asiático.
A presença soviética na Ásia tornou-se mais ostensiva no Afeganistão, onde um golpe militar em 1979 culminou com a intervenção de tropas soviéticas, medida que provocou ampla condenação internacional. Moscou decidiu manter a intervenção até que cessasse toda oposição ao governo de Cabul.
As relações com a China permaneceram frias, com recriminações e críticas recíprocas até o final da década de 1970. No começo da década de 1980 os dois países demonstraram indícios de reaproximação, prejudicados pela cooperação Estados Unidos-China, a concentração de tropas soviéticas na fronteira chinesa, a presença soviética no Afeganistão e o apoio chinês ao Khmer Vermelho no Camboja. Apesar dos revezes, os dois países assinaram em 1985 um acordo comercial para triplicar o intercâmbio mútuo nos cinco anos seguintes.
Um marco importante na distensão entre Estados Unidos e União Soviética foi a visita do presidente Richard Nixon a Moscou em maio de 1972. Seu resultado mais expressivo foi a assinatura do acordo sobre limitação de armas estratégicas (SALT I). O tratado de paz no Vietnam em 1973 foi outro fator positivo no processo de distensão entre os dois blocos.
As conversações sobre limitação de armamentos estratégicos continuaram durante a década de 1970 e o SALT II foi assinado em 1979. Mas a intervenção no Afeganistão levou os Estados Unidos a se recusarem a ratificar o tratado. Na década de 1980, com Ronald Reagan na presidência dos Estados Unidos, as negociações sobre armamentos se realizaram com maior dificuldade, mas os acordos comerciais prosperaram.
No setor interno, Brejnev consolidou seu poder na segunda metade da década de 1970. Em 1977, acumulou as funções de secretário-geral do partido e presidente do Presidium do Soviete Supremo. No mesmo ano, entrou em vigor a nova constituição soviética, em substituição à de 1936, chamada "constituição de Stalin". Após a morte de Brejnev em novembro de 1982, houve sucessivas alterações na cúpula dirigente. O sucessor de Brejnev na secretaria-geral do partido e na presidência do Soviete Supremo foi Iuri Vladimirovitch Andropov, que até então exercera a chefia da KGB (sigla em russo de Comissão de Segurança do Estado), sucessora da NKVD. Andropov morreu em 1984 e foi substituído por Constantin Ustinovitch Tchernenko, que governou apenas 11 meses, até sua morte em março de 1985.
Nesse período, não houve modificações substanciais na política interna soviética. Andropov começou e Tchernenko continuou uma campanha contra a corrupção administrativa, da qual se originaram denúncias públicas, processos e execuções de funcionários; as relações entre o partido e os militares ficaram tensas e o alcoolismo tornou-se uma chaga social.
Era Gorbatchev
Mikhail Gorbatchev assumiu a secretaria-geral do partido em 1985. Em contraste com o relativo imobilismo de seus antecessores, mostrou energia e vitalidade e criou, interna e externamente, um ambiente de expectativa favorável em torno de sua gestão. Suas metas eram a transparência (glasnost) política e a reestruturação (perestroika) econômica e administrativa. Na economia, pretendia substituir o planejamento central pela gradual introdução dos elementos de mercado, uma mudança que se mostrou difícil de realizar e foi acompanhada de queda de produção em muitos setores e crescentes problemas de distribuição.
A política externa de Gorbatchev, que incluiu a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão, a assinatura de tratados de redução de armas estratégicas e a não-interferência no processo de liberalização da Europa oriental, proporcionou uma distensão nas relações da União Soviética com o Ocidente e acabou por encerrar a guerra fria. No plano interno, porém, cresciam as divergências entre conservadores e reformistas, acirravam-se os conflitos étnicos e intensificavam-se os movimentos reivindicatórios dos estados bálticos, Estônia, Lituânia e Letônia.
Gorbatchev consolidou seu poder em outubro de 1988, quando assumiu o lugar de Andrei Gromiko na presidência do Soviete Supremo. O descontentamento da população face às dificuldades econômicas, porém, minou sua popularidade e estimulou movimentos nacionalistas de emancipação. Na esfera política, emendas à constituição em 1988 substituíram o antigo Soviete Supremo pelo Congresso dos Deputados do Povo da URSS. O novo Congresso tinha 2.250 membros; um terço deles eleito pelo voto direto de todo o eleitorado, um terço representando os territórios políticos (como no antigo Soviete Supremo) e um terço proveniente de organizações sociais de toda a união, como sindicatos, PCUS e a Academia de Ciências. As eleições para o Congresso realizaram-se em março de 1989 e os reformistas e nacionalistas obtiveram vitória esmagadora. Boris Yeltsin, maior defensor das reformas, elegeu-se em Moscou com 90% dos votos e liderou a formação de um bloco independente de oposição, a Plataforma Democrática. O Congresso elegeu um novo Soviete Supremo de 542 membros. Também foram estabelecidos Congressos de Deputados do Povo em cada república.
Gorbatchev criou o cargo de presidente da União Soviética em março de 1990 e tornou-se seu primeiro e último ocupante. No mesmo mês, o Congresso aprovou a legislação que permitiu a formação de novos partidos. Durante todo o ano, cresceu o movimento pela independência nas repúblicas. Em 1991, em plebiscitos realizados sucessivamente na Lituânia, Estônia, Letônia e Geórgia, as populações decidiram por maioria esmagadora se desligar da União Soviética.
O fim do poder central foi apressado por uma tentativa de golpe por parte dos conservadores em 19 de agosto de 1991. Gorbatchev foi reconduzido ao poder três dias mais tarde, mas sua autoridade sofreu danos irreparáveis. Yeltsin se transformou em herói nacional por liderar a resistência. O PCUS, profundamente implicado no golpe, tornou-se alvo do ressentimento popular por não ter conseguido criar um estado e uma sociedade dinâmicos e modernos e foi abolido. Azerbaijão, Bielorrússia, Moldávia e Ucrânia declararam-se independentes e a Comunidade Européia reconheceu a soberania dos países bálticos.
Yeltsin tornou-se o homem mais poderoso da Rússia. Encampou propriedades dos ministérios soviéticos e passou a controlar a impressão de moeda em território russo. Em 8 de dezembro, os presidentes da Rússia, Bielorrússia e Ucrânia, reunidos na cidade bielorrussa de Brest, decidiram dissolver a União Soviética e substituí-la pela Comunidade de Estados Independentes (CEI), à qual se juntaram mais tarde outras repúblicas, com exceção das bálticas e da Geórgia. Em 25 de dezembro de 1991, Gorbatchev renunciou. A Rússia assumiu toda a administração central, as embaixadas soviéticas no exterior e a cadeira do extinto país no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

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