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Adana (cidade da Turquia)
Alexandre Magno (rei da Macedônia)
Anatólia (península ao O da Ásia)
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Antalya, golfo de (grande enseada na costa SO da Turquia)
Antitauro (sistema montanhoso turco)
árabe
Ararat, monte (maciço vulcânico turco)
Arco Pôntico (sistema montanhoso do N da Turquia)
armênio, a
Ásia (continente)
assírio, a
Atatürk, Kemal (militar e estadista turco)
Austro-Húngaro, Império (estado)
Balcânica, Península (península da Europa)
balcânicas, guerras (campanhas militares)
Beysehir, lago (lago da Turquia)
Bitínia (região histórica do NO da Ásia Menor)
Bizantino, Império (nome)
Bolkar Dalar (maciço montanhoso da Turquia)
Bósforo (estreito de mar)
Bozcaada (ilha da Turquia)
Bursa (cidade da Turquia)
Capadócia (região histórica do centro da Turquia)
Cária (região histórica)
Çatal Huyük (estação neolítica)
Ceyhan (rio da Turquia)
cimério, a (povo)
Corno de Ouro (baía da margem europeia da Turquia)
Çoruh (rio do NE da Turquia)
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Dardanelos, estreito dos (braço de mar que separa a península de Gelibolu da costa da Anatólia e)
Ebla (antiga cidade)
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Éfeso (antiga cidade)
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Erdogan, Recep Tayyip (economista e político turco)
Esmirna ou Izmir (cidade do O da Turquia)
Europa (continente)
Gökçeada (ilha da Turquia)
Golfo, Guerra do (conflito bélico)
greco-turcas, guerras
Hattusa (jazida)
Hierápolis-Pamukkale (espaço natural protegido da Turquia)
Hikmet, Nazim (poeta turco)
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Iraque, Guerra do (conflito armado)
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Lausanne, Tratado de (pacto)
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Mantzikert, Manzikert ou Manazkert, Batalha de (confronto bélico)
Maritsa (rio da península dos Balcãs)
Mármara, mar de (mar interior da Turquia)
médicas, guerras (guerras)
medo, a
Menderes (rio da Turquia)
mongol
Montreux, Convenção de (acordo)
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Negro, mar (mar interior no SE da Europa)
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EV
Turquia
Türkiye Cumhuriyeti
 Forma de governorepública
 Superfície779.452 km²
 Localidade75.627.384 habitantes (turco, a)
 CapitalAncara (3.203.362 hab.)
 Principais cidades Istambul (8.803.468 hab.)
Izmir (2.232.265 hab.)
Bursa (1.194.687 hab.)
Adana (1.130.710 hab.)
 
Mais dados
Estado da Ásia Ocidental e, em pequena proporção, do SE da Europa, cujas duas partes estão separadas pelos estreitos do Bósforo e dos Dardanelos e pelo mar da Mármara. É limitado ao L pela Armênia, Geórgia e Irã; ao SE, pelo Iraque e Síria; ao O, pela Grécia e ao NO, pela Bulgária; é banhado ao N pelo mar Negro; ao SO, pelo Mediterrâneo e ao O, pelo mar Egeu. Com uma superfície de 779.452 km² e uma população de 75.627.384 habitantes, o país divide-se em 8 regiões e 75 prov. Capital: Ankara. Língua oficial: turco. A religião mais difundida émuçulmana.

Estrutura administrativa da Turquia

Províncias

Superfície (km2)

População

Capital

População

Adana

12.788

1.854.300

Adana

1.130.710

Adiyaman

7.614

623.800

Adiyaman

178.538

Afyonkarahisar

14.230

812.400

Afyonkarahisar

128.516

Agri

11.376

528.700

Agri

79.764

Aksaray

7.626

400.100

Aksaray

129.949

Amasia

5.520

365.200

Amasia

74.393

Ankara

25.706

4.007.900

Ancara

3.203.362

Antalya

20.591

1.726.200

Antalya

603.190

Artvin

7.436

191.900

Artvin

23.157

Aydin

8.007

953.000

Aydin

143.267

Balikesir

14.292

1.076.300

Baljkesir

215.436

Batman

4.694

446.700

Batman

246.678

Bayburt

3.652

97.400

Bayburt

32.285

Bilecik

4.307

194.300

Bilecik

34.105

Bingöl

8.125

255.400

Bingöl

68.876

Bitlis

6.707

388.700

Bitlis

44.923

Bolu

10.037

270.700

Bolu

84.565

Burdur

6.887

256.800

Burdur

63.363

Bursa

10.963

2.106.700

Bursa

1.194.687

Çanakkale

9.737

465.000

Çanakkale

75.810

Çankiri

7.388

296.600

Çankiri

62.508

Çorum

12.820

597.100

Çorum

161.321

Denizli

11.868

843.100

Denizli

275.480

Diyarbakir

15.355

1.364.200

Diyarbakir

545.983

Edirne

6.276

402.600

Edirne

119.298

Elâziğ

9.153

572.900

Elâziğ

266.495

Erzincan

11.903

315.800

Erzincan

107.195

Erzurum

25.066

942.300

Erzurum

361.235

Eskişehir

13.652

706.000

Eskişehir

482.793

Esmirna

11.973

3.387.900

Esmirna

2.232.265

Gaziantep

6.207

1.293.800

Gaziantep

853.513

Giresun

6.934

524.000

Giresun

83.636

Gümüshane

6.575

187.000

Gümüshane

30.270

Hakkâri

7.121

235.800

Hakkâri

58.145

Hatay

5.403

1.232.900

Antakya

144.910

İçel

15.853

1.668.000

İçel

537.842

Iğdir

3.539

168.634

Iğdir

59.880

İsparta

8.933

514.400

İsparta

148.496

İstambul

5.220

10.033.500

Istambul

8.803.468

İzmir

11.973

3.387.900

İzmir

2.232.265

Kahraman Maraş

14.327

1.008.100

Kahramanmaras

326.198

Karaman

9.163

243.400

Karaman

105.384

Kars

9.442

327.100

Kars

78.473

Kastamonu

13.108

376.700

Kastamonu

64.606

Kayseri

16.917

1.049.700

Kayseri

536.392

Kiitahya

11.875

656.700

Kiitahya

166.665

Kirikkale

4.365

383.500

Kirikkale

205.078

Kirklareli

6.550

328.500

Kirklareli

53.221

Kirflehir

6.570

253.200

Kirflehir

88.105

Kocaeli

3.524

1.203.300

Izmit

195.699

Konya

38.157

2.218.000

Konya

742.690

Malatya

12.313

853.700

Malatya

381.081

Manisa

13.810

1.260.200

Manisa

214.345

Mardin

8.891

705.100

Mardin

65.072

Muğla

13.338

717.400

Muğla

43.845

Muş

8.196

453.700

Muş

67.927

Nevşehir

5.467

309.900

Nevşehir

67.864

Niğde

7.312

348.100

Niğde

78.088

Ordu

6.001

887.800

Ordu

112.525

Rize

3.920

365.900

Rize

78.144

Sakarya

4.817

746.100

Sakarya

303.989

Samsun

9.579

1.203.700

Samsun

363.180

Sanljurfa

18.584

1.437.000

Sanljurfa

385.588

Siirt

5.406

264.800

Siirt

98.281

Sinop

5.862

225.600

Sinop

30.502

Şirnak

7.172

354.100

Sirnak

52.743

Sivas

28.488

752.800

Sivas

251.776

Tekirdağ

6.218

626.500

Tekirdağ

107.191

Tokat

9.958

828.000

Tokat

113.100

Trabzon

4.685

979.300

Trabzon

214.949

Tunceli

7.774

93.600

Tunceli

25.041

Usak

5.341

322.700

Usak

137.001

Van

19.069

877.500

Van

284.464

Yozgat

14.123

682.900

Yozgat

73.930

Zonguldak

3.481

615.600

Zonguldak

104.276


GeografiaMeio físicoNo país, distingue-se uma parte europeia, a Trácia, situada no extremo SE da península dos Balcãs, constituída por uma bacia depressionária de origem tectônica e uma parte asiática que coincide com a Anatólia (planalto antigo, rodeado pelo Tauro, ao S, e pelo Arco Pôntico, ao N). Ao O, o planalto abre-se com uma série de vales dominados por maciços graníticos e vulcânicos, que no Egeu dão origem a uma costa muito recortada. Das duas cordilheiras que bordeiam a Anatólia, a mais imponente é a dos Tauro (3.585 m de alt. no Bolkar Daglari e 3.726 m de alt. no Ala Daglari), que domina a costa mediterrânica com um litoral abrupto e rochoso e se prolonga ao L nos Tauros Orientais Exteriores e Interiores, chamados Antitauro. O Arco Pôntico, ao N, distingue-se do planalto por uma linha de falhas onde ocorrem frequentes terremotos. A cordilheira é uma sucessão de cadeias que alcança a sua máxima altitude no Kaçkar Dagi (3.932 m) no extremo O. Na parte E, unem-se à cadeia principal numerosas cordilheiras que ligam com os extremos dos Antitauro e formam uma região de terras altas, cordilheiras e depressões, em cujas margens surgem imponentes estruturas vulcânicas, entre elas o monte Ararat (5.165 m), o cume mais alto da Turquia. A parte turca do Curdistão, no extremo SE do país, é a zona de ligação entre os Tauros Orientais Exteriores e o sistema dos Zagros (Irã). A rede hidrográfica compreende extensas bacias endorreicas na Anatólia, cujo lago mais extenso é o Van, nas terras altas da Armênia. Os rios mais importantes são o Kizilirmak e o Sakarya, ambos tributários do mar Negro. A franja mediterrânea se beneficia de verões quentes e invernos temperados (10 °C em janeiro), com 500-700 mm anuais de precipitação. Na Anatólia, o clima é continental, com marcada oscilação térmica e invernos rigorosos, com precipitação média anual entre 500 mm e 300 mm. O litoral do mar Negro tem clima temperado, com abundante precipitação (mais de 2.000 mm de média anual). Na área pôntica, crescem densos bosques caducifólios e, no planalto, estepes de gramíneas. As partes mais elevadas albergam bosques de coníferas.
Turquia Fortaleza, com o vulcão Erciyes Dagi ao fundo, na Capadócia
População e estrutura econômicaA taxa de crescimento é elevada, e as zonas mais povoadas são a Turquia europeia e algumas zonas pônticas e do litoral do Egeu e do Mediterrâneo. Mantém-se uma intensa corrente emigratória para a Europa Ocidental e alguns países árabes. A população urbana representa 59,3 % do total e as cidades mais importantes são Istambul, Ankara, Izmir, Bursa e Adana. A industrialização do país gerou importantes desequilíbrios entre os diversos setores produtivos. Também se agravaram as disparidades regionais e sociais já existentes, sem que, por outro lado, a economia tenha sido capaz de absorver a mão de obra excedentária e de controlar a inflação ou a dívida externa. Cultivo de cereais (trigo, cevada, milho, centeio e arroz), produtos hortícolas (batata, tomate, cebola e legumes), vinha (uvas passas), olival (azeite), frutas e culturas industriais (algodão, tabaco e beterraba). Exploração florestal (importante extração de madeira). Criação de gado ovino e caprino (incluída a raça de Angora). Pesca (principalmente sardinhas e atum) destinada ao mercado interno. Mineração (hulha, linhito e petróleo, além de ferro, cobre, zinco, chumbo, manganésio, bauxita, magnesita, molibdênio, antimônio, enxofre, mercúrio, pirita, amianto, sal e esmeril, e, sobretudo, cromo, do qual a Turquia é um dos principais produtores mundiais). Indústria alimentícia (açucareira, conservas de fruta, massas alimentares e cerveja), do tabaco, dos curtumes, do calçado e têxtil (algodão, lã e seda), e ainda a siderúrgica, metalúrgica, mecânica, química, petroquímica, de cimento, de papel, de vidro e de cerâmica, entre outras. O eixo principal da rede viária é a estrada que une Istambul a Ankara e Erzurum, que chega até a fronteira com o Irã, e da qual partem outras vias para povoações importantes como Adana ou Izmir. A rede ferroviária liga todas as grandes cidades da Turquia, exceto Bursa, e os pólos fundamentais são Istambul, Izmir, Eski=ehir, Ankara e Malatya. Portos (Istambul, Izmir, Içel, Iskenderun e Izmit). Aeroportos internacionais de Istambul, Ankara e Adana, além de uma vintena de aeroportos utilizados para voos internos. As trocas comerciais, com balança deficitária, realizam-se principalmente com a Alemanha, os EUA e a Itália. Exportam-se produtos industriais (têxteis, siderúrgicos, químicos) e agrícolas, e importam-se combustível, maquinaria, veículos de transporte e produtos químicos e têxteis, entre outros.
HistóriaPré-História e Idade AntigaA presença humana data do Paleolítico (Üçagizli, KXrklareli, Tell Kurdu, Göltepe-Kestel, Tell Atchana, Van-Ayanis e Hacimusalar). Em contato com a Mesopotâmia através dos vales do Eufrates e do Tigre, foi palco da revolução neolítica, com importantes núcleos de população já no VII milênio a.C. (Çatal Hüyük, 6.500-5.650 a.C.). A extensão da agricultura foi acompanhada do desenvolvimento da exploração metalífera, especialmente na cordilheira Pôntica e no Antitauro. Progressivamente, a partir de várias cidades fortificadas foram surgindo pequenos reinos, alguns dos quais caíram sob a influência de Acad e de Ebla no III milênio a.C. A expansão da civilização babilônica contribuiu para o desenvolvimento cultural das cidades anatólias durante o II milênio. Por volta do séc. XVII a.C., instalaram-se na Capadócia os hititas, povo indo-europeu vindo do Cáucaso, cujo reino se expandiu pela maior parte da Anatólia, pela Síria e N da Mesopotâmia (sítios de Alisar Höyük, Boghazkoy, Tell Mozan, Hattusha). O Império Hitita caiu perante o cerco, entre outros, dos chamados povos do mar, entre os sécs. XII e XIII a.C. Durante o I milênio a.C., os reinos neo-hititas conviveram com outros povos florescentes da Anatólia (lídios, frígios, cários, bitínios, etc.), alguns dos quais foram destruídos pelos assírios e cimérios. No extremo O da península, os povos da Anatólia entraram em contato com a cultura micênica e foram fundadas numerosas colônias gregas no litoral do Egeu. Um episódio lendário do confronto entre o mundo asiático e o mundo helênico foi a Guerra de Troia, que prefigurou as constantes pugnas pelo território anatólio entre povos de ambos os continentes. Entre os sécs. VII e VI a.C., o reino da Lídia ocupou a metade O da Anatólia, enquanto no seu extremo L o domínio dos medas retrocedeu perante o avanço dos armênios. Em meados do séc. VI a.C., iniciou-se a expansão dos persas.Do domínio persa ao Império BizantinoEm princípios do séc. V a.C., os persas, após dominarem toda a Anatólia, iniciaram a conquista da Trácia e defrontaram os gregos nas guerras médicas. A vitória grega consolidou o domínio helênico do Egeu, mas os persas continuaram a controlar a Ásia Menor. No início do séc. III a.C., os selêucidas reunificaram os reinos helênicos (territórios fragmentados do Império de Alexandre Magno). No séc. II a.C., os romanos derrotaram os selêucidas e iniciaram a conquista dos reinos helênicos. A Anatólia ficou dividida em províncias romanas (Ásia, Bitínia e Ponto, Cilícia) e estados vassalos de Roma (Galácia, Capadócia, Panfília, Armênia, etc.). Com a partilha do Império Romano nos finais do séc. IV d.C., fundava-se o Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, com capital em Constantinopla.Os seljúcidas e a formação do Império OtomanoO domínio bizantino sobre a Anatólia manteve-se até meados do séc. XI, quando chegaram, procedentes da Ásia central, os turcos seljúcidas, muçulmanos que, após ocuparem a Armênia, derrotaram o imperador Romano IV Diógenes na Batalha de Mantzikert (1071), iniciando assim a conquista da Ásia bizantina. Em 1092, os turcos criaram o sultanato de Rum. Em meados do séc. XIII, o sultanato seljúcida viu-se debilitado pela invasão dos mongóis, mas, em princípios do séc. XIV, uma nova dinastia turca, a dos otomanos, instalada na parte O da Anatólia, empreendeu uma rápida expansão à custa de um Império Bizantino em pleno declínio. Em finais do séc. XIV, o Império Otomano já dominava o N da Anatólia, Trácia e Macedônia. Depois de se imporem aos búlgaros, sérvios e gregos, os turcos iniciaram o cerco de Constantinopla. No princípio do séc. XV, Tamerlão derrotou os turcos em Ankara e ameaçou a sobrevivência do império, mas o Estado otomano recompôs-se rapidamente e com a vitória sobre uma coligação cristã em Varna (1444) e a tomada de Constantinopla (1453) ficaram assentes as bases da expansão do império pelos Balcãs, Oriente Próximo e Norte da África.Consolidação e declínio do Império OtomanoSob domínio turco, Constantinopla adotou o nome de Istambul e tornou-se a capital do Império. Entre finais do séc. XV e todo o séc. XVI, consolidou-se o seu domínio sobre a Anatólia, povoada principalmente por turcos e outros povos turcomanos, mas também com uma importante presença de população grega, armênia e curda. Entre os sécs. XVI e XVII, os otomanos impuseram-se na maioria dos territórios islâmicos: Síria, Mesopotâmia, litoral arábico, Egito, Tripolitânia, parte do Maghreb; disputaram com os iranianos o domínio do S do Cáucaso e do litoral SO do Cáspio; invadiram a Crimeia, Moldávia, Transilvânia e a Hungria até serem detidos em Viena pelos Habsburgo. Em finais do séc. XVII e durante o séc. XVIII, o Império começou o seu declínio e as perdas territoriais aceleraram perante o avanço dos austríacos pelo Danúbio e dos russos pelo Mar Negro e o Cáucaso, e perante a emancipação das nações submetidas, especialmente os eslavos nos Balcãs e os árabes no Oriente Próximo. Durante o séc. XIX, enquanto os russos adquiriam a Bessarábia e apoiavam as reivindicações autônomas de romenos, sérvios e outros eslavos, o Império Austríaco, convertido em Império Austro-Húngaro, exercia cada vez mais a sua hegemonia sobre os Balcãs e a Grécia alcançava a independência em 1830. O Tratado de Berlim de 1878 confirmou a independência da Romênia, Sérvia e Montenegro e, em 1908, a Bulgária proclamou-se independente e a Bósnia-Herzegovina caiu em mãos austríacas. Na primeira das guerras balcânicas (1912-1913) consumou-se a perda dos últimos territórios europeus do Império Otomano, que só conservou a Trácia Oriental e Istambul.Formação da Turquia modernaNos últimos anos da sua existência, o Império Otomano estava em poder dos Jovens Turcos, um movimento reformista e modernizador liderado por Kemal Atatürk, que assumiu a transformação do antigo aparelho imperial em uma república moderna: Turquia com capital em Ankara (1923). Kemal, à frente do exército turco, tinha conseguido recuperar o território armênio, o Sul da Anatólia e as regiões da Trácia Oriental e Esmirna ocupadas pela Grécia (Tratado de Lausanne). Em abril de 1924, uma nova Constituição previa uma assembleia democraticamente eleita e um presidente da República, com o poder executivo do Conselho de Ministros. Após a expulsão maciça dos gregos da Anatólia e o genocídio armênio, a Turquia tornou-se um Estado nacional com minorias étnicas escassas e controladas, reprimidas com frequência (curdos). No interior do Estado, a coesão conseguiu-se com o Partido Republicano do Povo, fundado e presidido por Kemal, que modernizou o Estado a partir de um modelo ocidental, laico e com uma relativa democracia. Deste modo, adotou-se o alfabeto latino e depurou-se a língua turca das influências árabes. A política externa de Kemal caracterizou-se por uma prudente neutralidade e a recuperação da soberania nos estreitos (Convenção de Montreux, 1936). A Atatürk sucedeu, como presidente, em 1938, Ismet Inönü, que manteve a neutralidade da Turquia durante a II Guerra Mundial até 1943, quando houve a declaração de guerra à Alemanha sob pressão dos EUA e do Reino Unido. Em 1945, foi autorizado o pluripartidarismo e apareceu um segundo partido, o Partido Democrático, cujo triunfo em 1950 deu a Presidência da República a Celal Bayar e a do Governo a Adnan Menderes. O Partido Democrático acentuou a política pró-ocidental, especialmente perante as reivindicações territoriais da URSS; reconheceu o Estado de Israel e ingressou na OTAN (1951).A segunda metade do séc. XXEm 1960, um golpe de Estado militar devolveu o poder ao Partido da República com I. Inönü (1961) como primeiro-ministro e o general Cemal Gürsel como presidente. Em 1961, foi aprovada uma nova Constituição. Porém, o Partido Democrático, que ressurgiu com o nome de Partido da Justiça, obteve vantagem graças a Süleyman Demirel (1965). Este governou a Turquia como primeiro-ministro até o golpe de Estado de 1971. O país permaneceu sob controle dos militares até 1973. Em 1974, Bülent Ecevit, do Partido da República, tomou o poder e, em julho, ordenou a invasão da metade norte do Chipre, que provocou o embargo de armas por parte dos EUA. Em 1980, o general Kenan Evren assumiu plenos poderes como presidente do Conselho Nacional de Segurança, proclamou a lei marcial, dissolveu as formações políticas e sindicais e ordenou a prisão de milhares de opositores: o país foi expulso do Conselho da Europa. Em 1982, preparou-se o retorno à democracia com uma nova Constituição e Evren foi eleito presidente da República por sete anos. Nas eleições de 1983, triunfou Turgut Özal, do Partido da Madre Pátria (ANAP), ratificado no Governo em 1987. O Governo de Özal foi marcado pela sublevação armada dos curdos.
Turquia Ofensiva do exército turco contra separatistas curdos, em 1997
A década de 1990 e o início do séc. XXINos inícios da década de 1990, o desmembramento da URSS e da Iugoslávia (Guerra da Iugoslávia), a nova dimensão do peso político do Iraque (Guerra do Golfo) e a turbulência na área do Cáucaso deram à Turquia um novo valor estratégico. Entre 1993 e 1995, a vida política turca interna manteve-se em uma relativa estabilidade. Morto o presidente T. Özal em abril de 1993, ocupou o lugar S. Demirel, até então primeiro-ministro. A direção do Governo foi então dada a Tansu Çiller, primeira mulher a exercer o cargo de primeira-ministra do país. As eleições autárquicas de 1994 puseram sobre o tapete o que se tornaria o tema-chave da política interna: a ascensão do islamismo (Partido do Bem-Estar, RP). Nas eleições gerais de dezembro de 1995, o RP conquistou o primeiro lugar. Para travar o acesso dos islamitas ao Governo, e após fortes pressões dos militares, constituiu-se um Governo de coligação entre o Partido da Madre Pátria e o da Reta Via, mas, em junho, o primeiro-ministro Mesut Yilmaz demitiu-se por problemas na coligação e, finalmente, o líder do RP, Necmettin Erbakan, assumiu a chefia do Governo. A pressão militar sobre o Governo continuou e Erbakan resignou em junho 1997. Foi substituído por Mesut Yilmaz, do Partido da Madre Pátria, em coligação com o Partido de Esquerda Democrática (DSP) e o Partido Democrático da Turquia (DTP). A pressão sobre os islamitas culminou em 1998 com a ilegalização do Partido do Bem-Estar. Outro aspecto fundamental da política turca foi o conflito curdo, que alcançou grande virulência. Esta questão envenenou a política externa turca e provocou objeções das instituições europeias para uma futura integração da Turquia na União Europeia. Em 1999, o Governo turco ordenou uma ofensiva policial contra os partidos políticos que apoiavam as ações guerrilheiras curdas. Nas eleições desse mesmo ano, verificou-se o triunfo do Partido Democrático de Esquerda de Ecevit. Nesse momento, dois terremotos seguidos na região de Izmit causaram um elevado número de vítimas e provocaram numerosas críticas da oposição pela lentidão das equipes de socorro. Em janeiro de 2000, Ecevit anunciou que a execução de Ocalan, segundo a sentença ditada em junho de 1999, era adiada por tempo indefinido e prometeu a erradicação da tortura nas prisões. Em maio de 2000, o presidente da República, Demirel, foi substituído por Ahmet Necdet Sezer (com apoio da coligação governante). Não obstante, em princípios de 2001, a coligação mostrou graves sintomas de deterioração interna, com consequências econômicas e financeiras. Em agosto de 2002, o Parlamento turco aprovou uma série de medidas democratizadoras, entre as quais se destaca a abolição da pena de morte. Em seguida, a pena de morte de Ocalan foi comutada pela de prisão perpétua. Nas eleições gerais de novembro de 2002, os islamitas moderados do Partido da Justiça e Desenvolvimento (PJD) obtiveram a maioria absoluta, enquanto os partidos do Governo cessante ficavam sem representação parlamentar. O islamita Abdullah Gul assumiu o cargo de primeiro-ministro esperando que o líder do PJD, Recep Tayyip Erdogan, resolvesse a sua situação judicial, uma vez que a justiça turca não tinha autorizado Erdogan a apresentar-se às eleições por incitação ao ódio. Em dezembro, a UE concordou em iniciar conversações com a Turquia em 2004 para negociar o seu futuro ingresso na União. Em fevereiro de 2003, o Parlamento turco rejeitou a petição do Governo estadunidense de acolher um contingente de 60.000 soldados destinados à fronteira iraquiana. Em março, Erdogan obteve um lugar no Parlamento após ganhar umas eleições parciais, sendo depois eleito primeiro-ministro. Ao mesmo tempo, o Tribunal de Estrasburgo condenou a Turquia por julgamento injusto contra o líder curdo Ocalan. Em julho, o Parlamento aprovou uma série de medidas para limitar o poder do exército, especialmente do Conselho de Segurança Nacional, organismo que tradicionalmente exercia uma enorme influência sobre a política do Governo. Em novembro, o Governo enfrentou uma série de atentados terroristas com carros-bomba em duas sinagogas, e uma semana mais tarde no consulado britânico e na entidade bancária britânica HSBC. Em maio de 2004, a guerrilha separatista curda anunciou o final da trégua declarada em 1999. Em outubro do mesmo ano, a Turquia obteve a garantia de estar em condições de iniciar as negociações para a adesão à União Europeia (UE). Repreenderam-se os enfrentamentos, que foram especialmente violentos em maio de 2005. Em setembro de 2006 o PKK voltou a decretar um alto fogo unilateral, desta vez indefinido e acompanhado de uma declaração em que se expressava sua vontade de resolver o conflito por meio pacífico e democrático. No âmbito econômico, destacou a entrada em vigor a partir de 1 de janeiro de 2005 da nova lira turca, equivalente a 1.000.000 das antigas liras. Em 2007 terminou o mandato do presidente Sezer e o primeiro-ministro Erdogan decidiu não se apresentar como candidato e designou a Abdullah Gul, o que provocou uma violenta reação de protesto entre os setores sociais incômodos com a política islamista do Governo que se materializou com o desplante da oposição durante a eleição do novo candidato no Parlamento. Para tentar superar a crise institucional, no mês seguinte Erdogan anunciou a antecipação das eleições e seu desejo de iniciar um processo de reforma constitucional. Depois de um segundo boicote da oposição durante a eleição do novo presidente no Parlamento, Erdogan decidiu retirar a candidatura de Gul embora tendo vetado a proposta de reforma constitucional levada a cabo pelos parlamentários para eleger, por sufrágio universal, o presidente. Nas eleições de julho Erdogan foi reeleito.
Turquia Abdullah Gul
ArteArqueologiaA jazida de Çatal Hüyük corresponde a uma das cidades mais antigas do mundo (talvez 6000 a.C.). A arte hitita (1700-1200 a.C.) está exemplificada nas imponentes ruínas de Hattusa (enormes muralhas com a Porta dos Leões e a Porta Real, Palácio Real, templos), no conjunto rupestre de Yazilikaya e em Alaca Hüyük, e a arte neo-hitita ou sírio-hitita (I milênio a.C.) em Zincirli, Sakçagözü, Karatepe, Malatya e, sobretudo, em Karkemish. Perto dos Dardanelos, encontram-se os restos da antiga Troia (sécs. XIII-XII a.C.) e vestígios da civilização de Urartu (sécs. IX-VI a.C.), famosa pela sua produção metalúrgica. Conservam-se numerosos testemunhos dos frígios (Górdio, necrópole do vale de Sakarya com o túmulo chamado de Midas, finais do séc. VIII a.C.) e vestígios dos reinos da Lícia (Xanto) e da Lídia (Sardes, necrópole de Bin Tepe com o túmulo do rei Aliate). Ao período helenístico correspondem as ruínas de Pérgamo, Éfeso, Mileto e Priene, entre outras, tal como o grandioso Nemrut Dagi, santuário-mausoléu de Antíoco I Comagena, com estátuas colossais. Helenístico é também o conjunto de Hierápolis-Pamukkale, cujas ruínas se situam junto das famosas fontes de calcita. Existem vestígios romanos em muitas cidades antigas da Cária (Afrodisíade, Alabanda, Tralles), da Lídia e da Frígia (Templo de Zeus, Aizani), tal como em Ankara e em Istambul (vestígios do hipódromo, Palácio subterrâneo e Aqueduto de Valente, entre outros).
Turquia Ruínas do Templo de Atena Poliades em Priene, construído por Piteu, ca. 340 a.C.
A arte bizantinaO séc. VI, em especial o reinado de Justiniano, foi o período do esplendor artístico de Bizâncio, quando se construíram alguns martyria (santos Sérgio e Baco) e grandes igrejas, em particular a Basílica de Santa Sofia (A. de Tralles e I. de Mileto, 532). Fora de Istambul, são notáveis a Igreja de São João em Éfeso, com grandes cúpulas, e a de Hierápolis. Após a violenta luta iconoclasta, as figuras tornaram-se hieráticas e estilizadas, como se pode ver nos afrescos dos extraordinários santuários rupestres do vale de Göreme (Capadócia) e nos esplêndidos mosaicos de São Salvador em Chora (Bizâncio).A arte islâmica e ocidentalA adoção do Islã no país foi iniciada pelos seljúcidas no séc. XII (Konya) e completada pelos otomanos no séc. XV. A primeira capital, Bursa, conserva a Mesquita de Ulu Cami (séc. XIV). Do séc. XV, é importante a grande Mesquita de Edirne. No séc. XVI, a Mesquita de Bayazid II recuperou as tendências bizantinas inspirando-se em Santa Sofia. O principal arquiteto da época foi Sinan, a quem se deve a esplêndida Mesquita de Solimão em Edirne, e as de Suleymaniye e Mihrimah em Istambul. No séc. XVII, construíram-se em Istambul as magníficas mesquitas do sultão Ahmed (Mesquita Azul), ornamentadas com formosas cerâmicas de Iznik, e do sultão Celim. Entre os sécs. XIV-XVIII, foram construídos na cidade de Safranbolu notáveis monumentos islâmicos (mesquita, banhos, madraça).
Turquia Interior da Igreja Tokali Kilise, séc. X, no vale de Göreme, Turquia
No séc. XVIII, o gosto barroco e rococó inspirou as mesquitas de Nur-u Osmaniye e de Laleli, tal como o Palácio de Topkapi, a esplendorosa residência dos sultões. Já no séc. XIX, o Palácio Real de Dolmabahce e o Kucuksu Kasri seguiram também as tendências europeias.
CinemaA cinematografia turca iniciou a sua caminhada em 1920. Porém, apenas em 1950 surgiu a primeira geração de diretores com uma linguagem desligada da teatral. Nela, destacou-se Lütfi Ö. Akad, cuja obra, de compromisso social, influenciou Yilmaz Güney, considerado o diretor mais importante da história do cinema turco, e figura muito popular devido ao seu caráter contestatário. Após o golpe militar de Kenan Evren, Güney exilou-se em 1981 triunfando fora do país com Yol (1981), filme (Palma de Ouro em Cannes) escrito na prisão e filmado pelo seu ajudante Serif Gören. Morto prematuramente em 1984, o seu espírito sobrevive em cineastas como o próprio Gören, no também exilado Erden Kiral e Ömer Kavur. Apesar da democratização iniciada em 1987, o país, afetado por uma grave crise econômica, diminuiu as ajudas ao cinema, fato que ainda hoje se repercute nos realizadores turcos. Da geração posterior de cineastas destaca-se a figura de N.B. Ceylan, que com o seu filme Distante (2002; Vzak) ganhou o Grande Prêmio do Jurado no Festival de Cannes de 2003.
Turquia Cena de Yol, de Y. Güney e Serif Gören
LiteraturaOs primeiros documentos da literatura turca são as inscrições funerárias do rio Orkhon (séc. VIII ). O Dicionário das Línguas Turcas (1074), de M. Kashgari, é o primeiro documento de influência islâmica. O turco oriental alcançou o esplendor poético no séc. XV (Lufti de Herat e AlI Shir Nawai). A partir do séc. XIII, a literatura turca ocidental desenvolveu uma língua literária viva e rica; porém, distanciou-se tanto da linguagem comum que a sua produção decaiu sensivelmente. Em um panorama pouco original, foi necessário esperar até o séc. XVIII para assistir à renovação poética com Nedim e Seyh Ghalib. Na literatura turca ocidental, a narrativa constituiu a expressão mais genuína e original; assim é testemunha o Livro de Dede Korkut (séc. XV). A época moderna começou em 1850 com I. Sinasi, N. Kemal, Z. Pasa e A. Hamid, que se abriram às influências ocidentais. O panorama literário do séc. XX foi dominado pela poderosa personalidade de Ziya Gökalp, que impulsionou o uso do turco falado na narrativa e o retorno às formas antigas em poesia. Em 2006 Orhan Pamuk ganhou p prêmio Nobel de Literatura.
MúsicaA cultura musical turca inclui-se no quadro da música do Oriente Próximo islâmico. Adota uma escala de 24 sons (derivados dos 24 trastes do principal instrumento turco, um alaúde chamado tanbur), e distingue sobre esta base uma centena de "modos". Na Turquia, a música profana está estreitamente vinculada à música árabe e o mesmo acontece com os principais instrumentos utilizados no país. A música sacra articula-se em três gêneros fundamentais: Ilahi (hinos para os diferentes meses do ano muçulmano), Tevchic (louvor ao Profeta) e Ayni Cherif (repertório dos derviches). Em finais do séc. XVIII a música turca interpretada pelos janízaros (corpo de guarda do sultão), com instrumentos de percussão, alcançou grande popularidade na Europa e foi objeto de imitação e inspiração nas composições de Beethoven e Mozart.

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