> Galería de Fotos (1 elementos)


1 Medias
   > Artigos relacionados

EV
tuberculose
Patologia. s. f. Doença infecciosa, contagiosa e inoculável, produzida por diversas espécies de bactérias do gênero Mycobacterium, especialmente o Mycobacterium tuberculosis, também denominado bacilo de Koch; tísica.
Os germes da tuberculose podem penetrar no organismo através da pele e das mucosas. A infecção cutânea tem, no entanto, tendência a permanecer localizada. A primeira infecção tuberculosa produz-se habitualmente durante a infância. O bacilo provoca uma reação inflamatória no ponto de entrada que pode ser pulmonar, intestinal ou amigdalino. É possível alcançar a cura, no entanto pode evoluir posteriormente, num tempo mais ou menos longo, para uma difusão, local ou geral, por via hemática, linfática, aérea ou canalicular. O curso e os modos de evolução da tuberculose humana são muito diversos e estão associados ao tipo e à virulência do germe, à localização, às vias de difusão seguidas no organismo hospedeiro e, sobretudo, à reação e sensibilidade do hospedeiro. A reação inflamatória provocada por Mycobacterium nos tecidos pode ter um caráter exsudativo ou produtivo. A alteração elementar da tuberculose produtiva é o tubérculo, que é uma formação nodular microscópica de cor cinzenta brilhante. As localizações mais importantes e frequentes da tuberculose são as pulmonares, intestinais, linfáticas, renais, leptomeníngeas, cutâneas e ósseas.
Patologia. Segundo o órgão em causa, podem distinguir-se diversos tipos de tuberculose:• Tuberculose pulmonar Apresenta uma evolução cíclica na qual se identifica uma forma primária conhecida como complexo primário de Ranke, que constitui a reação pulmonar ao primeiro contato com o bacilo de Koch, e uma forma secundária denominada foco de Assmann. Os quadros clínicos de tuberculose pulmonar são diversos. A pneumonia caseosa produz-se pela difusão do processo tuberculoso em todo o lóbulo ou por vários lóbulos pulmonares com um curso agudo e uma evolução rápida. A tuberculose miliar é causada pela difusão linfo-hemática massiva de germes a partir de um gânglio linfático caseificado. Radiologicamente aparecem pequenos nódulos pulmonares dispersos uniformemente. O curso é agudo e, sem tratamento, é fatal. A broncopneumonia tuberculosa por aspiração deve-se à difusão aérea de bacilos. Quando o complexo primário ou o foco de Assmann sofrem uma caseificação ampla, a necrose é eliminada para o exterior ou reinspirada e dispersa. Em outros casos, o gânglio linfático caseificado ulcera a parede de um brônquio, depositando aí a caseose, que é inspirada e dispersa pelo parênquima pulmonar, provocando uma bronquite e posteriormente uma pneumonia, difusa ou localizada, que pode evoluir para caseose e cavitação, tuberculose miliar ou fibrose. A linfangite tuberculosa pulmonar consiste na formação de granulomas intersticiais que se estendem a bronquíolos e alvéolos seguindo um curso evolutivo lento. A tuberculose pulmonar crônica do adulto, também denominada tuberculose terciária, é uma evolução frequente do foco de Assmann ou de outros focos cicatrizados nos quais ainda se encontram os bacilos. Tem uma evolução lenta. Em ambos os pulmões há áreas fibrosas e retraídas, com centros caseosos circunscritos e cavernas, especialmente nos lóbulos superiores. Os sintomas gerais constituídos por febre, astenia, anorexia, perda de peso e transpiração são de intensidade muito variável e os sintomas locais reduzem-se a tosse e expectoração purulenta ou hemática, às vezes hemoptises importantes. O diagnóstico baseia-se na clínica, no exame radiológico e na descoberta das micobactérias na expectoração. O tratamento consiste em diversas combinações de medicamentos antituberculosos como estreptomicina, isoniazida, etambutol, rifampicina e ácido paraminossalicílico. A profilaxia da tuberculose realiza-se mediante vacinação com BCG e a quimioprofilaxia com isoniazida. O aparecimento da AIDS implicou o reaparecimento de quadros graves de tuberculose.• Tuberculose renal O rim é o segundo dos órgãos afetados pelas micobactérias, o que se verifica por causa da disseminação hematogênica. Produz um rim afuncional de tamanho reduzido com abcessos caseificados. Pode ser assintomática ou manifestar-se com hematúria e cistite. A sua presença detecta-se por sinais radiográficos e pela presença de piúria e de bacilúria.
Microfotografia de bactérias que causam a tuberculose, tingidas de azul, segundo o método de Gram
Prevenção e tratamento
A manutenção de boas condições de higiene e nutrição da população e o reconhecimento e tratamento precoce dos doentes infectados são os principais requisitos para a prevenção da tuberculose. A vacina BCG (bacilo de Calmette-Guérin), composta de bacilos atenuados, foi empregada em alguns países, com sucesso, no controle da infecção em crianças, mas se mostrou pouco eficaz na imunização contra a tuberculose pulmonar adulta. A principal forma de prevenção da tuberculose é, portanto, evitar a exposição à doença, o que significa tratar os doentes rapidamente, se possível em isolamento.
O tratamento da tuberculose pulmonar consiste na associação de medicamentos a boa alimentação e descanso. Diversos antibióticos descobertos nas décadas de 1940 e 1950 revolucionaram o combate ao bacilo de Koch. Dessas drogas, as primeiras usadas foram a estreptomicina, a isoniazida e o ácido para-aminossalicílico, todas três capazes de erradicar o bacilo do organismo humano. Outras drogas eficazes são o etambutol, a rifampicina, a tiacetazona e a pirazinamida. Para evitar que o bacilo se torne resistente a uma das drogas, usa-se administrar os medicamentos de forma associada. Mesmo que a infecção seja estancada rapidamente, a cura completa exige tratamento durante vários meses.
Declínio e ressurgimento
Até meados do século XX não existia uma terapia eficaz contra a tuberculose. De fato, do século XVIII ao XX, a doença foi a principal causa de morte no Ocidente, em todas as faixas etárias. O emprego de antibióticos a partir da década de 1950 resultou em índices de cura de até 95%. Até então, a maioria dos pacientes era tratada em sanatórios especiais. À medida que novos antibióticos foram descobertos, o tratamento da tuberculose deixou de exigir a internação dos doentes. Era necessário apenas um período de isolamento de duas semanas, após o qual estava eliminado o risco de contaminação.
Diante desse avanço, acreditava-se na década de 1970 que a tuberculose estava sob controle em praticamente todo o mundo. Com o passar dos anos, no entanto, algumas cepas de bacilos tornaram-se resistentes às drogas empregadas contra elas. Essa situação resultou do uso inadequado dos medicamentos disponíveis, seja pela insuficiência, seja pela irregularidade no emprego. As bactérias super-resistentes tornaram o tratamento mais difícil, tóxico e caro e ainda prolongaram o período de contágio.
O tratamento de pacientes infectados por cepas resistentes a dois ou mais antibióticos passou a exigir a combinação de drogas menos potentes e mais tóxicas por um período prolongado (até dois anos) e, em alguns casos, a remoção cirúrgica da porção doente do pulmão. Segundo cálculos divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente um terço da população mundial estava infectada pelo M. tuberculosis, em meados da década de 1990, e a cada ano adoeciam entre oito e dez milhões de pessoas, das quais três milhões morriam. Isso significou um aumento de 13,4% na taxa de mortalidade por cem mil habitantes, em comparação com o período 1983-1987.
Conexão com a AIDS
A interação entre a AIDS e a tuberculose tornou-se, no final do século XX, um grave problema sanitário. A infecção pelo HIV, vírus causador da AIDS, compromete a ação das células de defesa que combatem o bacilo de Koch, o que transforma a AIDS num dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da tuberculose. Enquanto um indivíduo sem AIDS, mas com tuberculose latente, tem uma probabilidade de dez por cento de desenvolver a tuberculose ativa ao longo de toda a sua vida, o infectado pelo HIV tem um risco de dez por cento de contrair tuberculose num período de um ano. Nos doentes que já apresentam sintomas da AIDS, esse risco é ainda maior: ultrapassa trinta por cento.

Subir