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EV
saúde
Fisiologia. s. f. Estado de pessoa cujas funções estão no estado normal; ausência de doença. s. f. Vigor; qualidade do que é sadio ou são. s. f. Força, robustez, conservação das forças físicas. s. f. Disposição ou estado moral da pessoa; bem-estar, felicidade. s. f. Brinde, voto ou saudação que se faz bebendo à saúde ou pelo bem-estar de uma pessoa.
Fisiologia. Diferentemente da doença, em geral tangível, reconhecível e facilmente identificável, a saúde é uma condição obscura e difícil de definir. Uma pessoa pode ser forte, resistente a infecções, apta a enfrentar o desgaste físico e outras pressões da vida cotidiana, mas ainda assim ser considerada doente se seu estado mental, avaliado de acordo com o comportamento que apresenta, for julgado frágil.
Saúde é a capacidade física, emocional, mental e social que o indivíduo tem de interagir com seu ambiente. Pode ser determinada, em certas situações, por meio de alguns valores mensuráveis como temperatura, pulso, pressão sanguínea, altura, peso, acuidade visual e auditiva etc. Como esses critérios biológicos de normalidade baseiam-se em conceitos estatísticos, deve-se considerar a possibilidade de variação, porque uma característica anormal não necessariamente significa doença. Os atletas, por exemplo, embora geralmente desfrutem de saúde excelente, costumam apresentar um coração maior do que as medidas estabelecidas como normais, porque o exercício contínuo requer uma irrigação sanguínea maior dos tecidos, demanda que o coração atende aumentando de tamanho.
Uma definição mais exata de saúde pode ser, portanto, a capacidade que o organismo apresenta de funcionar em completa harmonia com seu ambiente, o que envolve a aptidão para enfrentar física, emocional e mentalmente as tensões cotidianas. De acordo com essa definição, a saúde é interpretada em função do ambiente individual. O conceito de saúde difere, por exemplo, para o operário e o empregado que trabalha num escritório. O operário saudável deve ser capaz de realizar trabalhos manuais durante todo o dia, enquanto o empregado que trabalha num escritório, embora perfeitamente capaz de realizar suas atividades sedentárias, pode estar totalmente despreparado para o trabalho pesado e até mesmo sucumbir ao desgaste físico. Os dois indivíduos, no entanto, podem ser considerados inteiramente saudáveis segundo seus meios de vida.
O conceito de saúde envolve mais do que condicionamento físico, já que implica também bem-estar mental e emocional. Uma pessoa revoltada, frustrada, emocionalmente instável, mas em excelente condição física não pode ser considerada saudável, porque não está em perfeita harmonia com seu ambiente. Um indivíduo nesse estado é incapaz de emitir juízos corretos e de ter reações racionais.
Uma pessoa também pode desconhecer que está doente. Nesse caso se diz que a doença é latente, pois não há manifestação de sintomas. As vítimas do câncer podem ignorar seu estado de saúde por vários anos até que o tumor maligno cresça e comece a produzir sintomas. Infelizmente, muitas doenças, como a AIDS, permanecem ocultas por longos períodos antes de produzirem indisposição ou distúrbios funcionais, o que impede sua detecção precoce e uma possível cura.
A saúde não é, portanto, uma condição estática. Representa, na verdade, uma condição variável de bem-estar físico e emocional continuamente sujeita a pressões internas e externas, como preocupações, excesso de trabalho, variações das condições ambientais e infecções por bactérias e vírus. Esses fatores constantemente mutáveis requerem a existência de um mecanismo capaz de ajustar o funcionamento dos vários sistemas vitais, com o objetivo de manter o equilíbrio interno do organismo. A regulação interna é chamada homeostase e envolve, entre outras funções, a termorregulação e o controle do metabolismo.
Hábitos saudáveis
O organismo só pode se manter sadio com a aquisição e manutenção de hábitos saudáveis de vida, que incluem alimentação equilibrada, sono regular, exercícios, higiene e lazer.
Exercícios. O exercício desenvolve o corpo e a mente. Sem exercício, os músculos se atrofiam; o sistema digestivo e os órgãos de eliminação trabalham de maneira insuficiente; os pulmões na se expandem bem, nem recebem a quantidade necessária de oxigênio; e a circulação se torna lenta. O tipo e a quantidade de exercício que o corpo exige e suporta diferem de uma pessoa para outra, segundo a idade, o sexo, as condições físicas e o gosto pessoal. Os esportes de competição, que exigem treinamento demasiado intenso, não são recomendados para crianças de pouca idade; os de tipo pesado não devem ser praticados por meninas em fase de crescimento, embora sejam bem tolerados pelos rapazes da mesma idade.
O exercício deve ser divertido e agradável. Há esportes, como o tênis, o golfe e a patinação, que podem ser praticados por muito tempo na idade adulta, o que não acontece com o futebol, o basquetebol e outros. Na escolha dos exercícios e esportes, convém levar em conta seus riscos (fraturas, sobrecarga do coração etc.) e periculosidade do lugar onde serão praticados. Antes de iniciar a prática de qualquer esporte, é preciso haver um período de treinamento bem planificado e dosado.
Postura correta. Os defeitos de postura acarretam distúrbios da saúde. A boa postura influi tanto na personalidade quanto na saúde. Uma atitude descuidada faz o indivíduo parecer negligente, além de prejudicar o desempenho de certas funções orgânicas. Para conseguir uma postura correta são fatores importantes o tono muscular e a criação de hábitos adequados. Qualquer exercício que melhore o tono muscular (esporte ou o simples caminhar) contribui para a aquisição de uma boa postura. Quando a postura incorreta chega a causar perturbações físicas, é conveniente procurar um médico especializado, que aconselhará exercícios apropriados, uso de aparelhos para manter o dorso ereto e outras providências.
Cuidados com os pés. As anormalidades dos arcos plantares (longitudinal, ao longo do bordo do pé; transversal, entre a base do dedo grande e do dedo mínimo) são causa habitual de dor. O pé chato é desconhecido dos povos primitivos, já que o hábito de andar descalço mantém o tono dos músculos e tendões. Dois exercícios são aconselháveis para os que têm arcos fracos: (1) segurar a borda de um tapete com os dedos do pé; (2) caminhar em volta do quarto sobre o bordo externo do pé descalço ou com meias. Por vezes, o bem-estar dos pés e o estímulo dos músculos e tendões podem ser facilmente obtidos, quando são ele mergulhados, alternativamente, em água muito quente e muito fria.
Sono e repouso. O corpo humano necessita tanto de repouso quanto de atividade. A maioria dos adultos precisa de seis a nove horas diárias de sono; os jovens devem dormir mais, principalmente nos períodos de crescimento rápido. Deve-se conservar o hábito de dormir sempre no mesmo horário. A noite é o melhor período para dormir, porque o ambiente está escuro e calmo. Dorme-se melhor quando as condições do ambiente propiciam conforto: quarto bem arejado, roupas adequadas e cobertas apropriadas à temperatura. Durante o sono, o organismo elimina os resíduos acumulados durante o dia, os músculos relaxam, os tecidos regeneram-se e o cérebro descansa da atividade a que foi submetido enquanto o indivíduo esteve acordado. Para os que têm insônia, recomenda-se relaxar bem a musculatura. Um banho morno à noite ajuda a conciliar o sono. Não se deve ingerir drogas indutoras do sono sem prescrição médica.
Alimentação. O regime alimentar deve ser equilibrado e incluir proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e vitaminas. A hipovitaminose ou carência de vitaminas pode causar doenças, como escorbuto, beribéri, pelagra e outras. Deve-se comer regularmente e em horas certas. Durante as refeições pode-se tomar quantidade moderada de líquidos (leite, sucos de frutas ou água). Entre as refeições principais deve-se beber bastante água, que é um regulador do funcionamento dos órgãos e necessário para a eliminação dos produtos de excreção. O fumo tem efeitos nocivos sobre os sistemas nervoso, respiratório e digestivo. Evitar fumar contribui, portanto, para preservar a saúde. Do mesmo modo, aquele que faz uso imoderado de bebidas alcoólicas não poderá desfrutar de saúde perfeita.
Asseio. A higiene é fundamental para a saúde. As mãos devem ser lavadas antes das refeições, para eliminar as bactérias e vírus que podem ser levados à boca e infectar o organismo. O descanso do corpo requer banhos frequentes para tirar o pó, o suor e a descamação da epiderme morta. É desaconselhável o banho após refeições abundantes, pois a atividade digestiva subtrai muito sangue á circulação periférica, o que pode causar cãibras e resfriados. Convém esperar pelo menos uma hora antes de tomar o banho. O cabelo e o couro cabeludo devem ser conservados limpos da descamação que continuamente se produz. As unhas devem ser cuidadas, cortadas convenientemente e mantidas sempre limpas Os vernizes e pinturas para unhas às vezes são prejudiciais. Os dentes devem ser escovados (pelo menos duas vezes por dia) para a necessária limpeza das superfícies e dos espaços que os separam e remoção de partículas alimentares. É recomendável a consulta periódica ao dentista.
Olhos e ouvidos. Os olhos precisam receber meticulosa atenção. Não convém forçá-los à leitura em ambientes onde seja precária a iluminação. A luz artificial, em qualquer ambiente, deve ser bem planejada. É aconselhável procurar um oftalmologista de tempos a tempos, principalmente se houver dores de cabeça, enxaquecas ou dificuldades de visão. Os ouvidos devem ser protegidos, na medida do possível, de fatores externos que possam afetá-los (água do mar ou das piscinas etc.), da mesma maneira que o nariz e a garganta, em que são frequentes as infecções. É aconselhável a consulta periódica a um otorrinolaringologista.
Prevenção de doenças infecciosas. Medidas importantes na prevenção de doenças infecciosas são a filtração e a cloração da água potável, o uso de bebedouros e copos descartáveis em lugares públicos, a cocção dos alimentos, a pasteurização e o aquecimento do leite etc. Em relação às doenças que se transmitem diretamente de pessoa a pessoa, o isolamento dos pacientes é importante para proteger os indivíduos sadios. A vacinação tem sido muito eficaz para deter a difusão de certas doenças infecciosas (varíola, febre tifoide, poliomielite etc.).
Lazer. O organismo responde às pressões do dia a dia com uma descarga de hormônios na circulação sanguínea que acelera o metabolismo, o ritmo cardíaco e respiratório e aumenta a pressão sanguínea e a tensão muscular. Submetido continuamente a essas pressões, o indivíduo entra em estado de estresse e pode apresentar problemas circulatórios, digestivos e mentais, como ansiedade, depressão e distúrbios de personalidade. Para prevenir o estresse, os melhores remédios são o lazer e o relaxamento. Entre as atividades estão a dança, prática de esportes individuais ou em grupo, caminhada ao ar livre, meditação, ioga, leitura, palavras-cruzadas,  jogo de cartas e o cultivo de algum passatempo, como colecionar selos e cuidar de animais.
saúde de ferro
Robustez, resistência acima da normal a todos os achaques.
saúde mental
Estado caracterizado pelo desenvolvimento equilibrado da personalidade de um indivíduo, boa adaptação ao meio social e boa tolerância aos desafios da existência individual e social.
Saúde pública
No final do século XX, o surgimento de bactérias resistentes aos antibióticos tradicionais e de vírus antes ocultos em ecossistemas intocados pelo homem representou um novo desafio para as organizações de saúde pública, que se ocupam de controle de doenças transmissíveis.
Saúde publica é a ciência e a arte de prevenir doenças, prolongar a vida e promover, proteger e recuperar a saúde física e mental, com medidas de alcance coletivo e de motivação da população. Cuida especialmente de administrar e controlar o meio ambiente em benefício da comunidade. A saúde pública se utiliza de um grupo amplo de profissionais, que inclui médicos sanitaristas, dentistas, psicólogos, nutricionistas, arquitetos, engenheiros, educadores, veterinários, administradores hospitalares, estatísticos, sociólogos, economistas, entre outros.
Esses profissionais atuam no setor da habitação, cuidando da construção adequada de moradias e da instalação de sistemas eficientes de aquecimento e ventilação, e no campo do fornecimento de água e alimentos, que podem ser contaminados por substâncias químicas tóxicas e por agentes nocivos à saúde. Pode ser vista como uma especialização da saúde pública a medicina ocupacional, que cuida da saúde, da segurança e do bem-estar dos indivíduos em seu local de trabalho.
A atividade de promoção e manutenção da saúde pública requer métodos especiais de coleta de informações (epidemiologia). Os dados coletados pelos epidemiologistas tentam descrever e explicar a ocorrência de doenças numa população mediante sua correlação com fatores como regime alimentar, meio ambiente, radiação e fumo.
As leis e regulamentos sanitários se destinam a garantir condições de vida saudáveis à população. Esses códigos permitem supervisionar e inspecionar o abastecimento de água, o processamento de alimentos, o tratamento de esgotos e a qualidade do ar. Os governos também podem recorrer ao estabelecimento de quarentenas (isolamento) forçadas para evitar a disseminação de doenças contagiosas. Em portos e aeroportos, estações ferroviárias ou pontes rodoviárias nas fronteiras, equipes de inspeção procuram garantir que microrganismos causadores de doenças transmissíveis não ingressem no país.
História
Os povos primitivos, em sua maioria, praticavam a higiene pessoal e a limpeza por razões religiosas e, em geral, com o objetivo de aparecerem puros aos olhos dos deuses. Por milhares de anos, as sociedades primitivas encararam as epidemias como sentenças divinas destinadas a punir as perversidades do ser humano. A ideia de que a pestilência tem causas naturais, como o clima e o meio ambiente, evoluiu, porém, gradualmente. Esse grande avanço no pensamento ocorreu na Grécia nos séculos V e IV a.C. e representou o primeiro esboço de uma teoria racional e científica sobre a causa das doenças. A higiene pessoal e os serviços públicos de saneamento tiveram grande desenvolvimento nas cidades gregas, e posteriormente entre os romanos.
Idade Média
Em termos de doenças, pode-se dizer que a Idade Média começou com a peste do ano 542 e terminou com a peste negra (bubônica) de 1348. Entre as doenças epidêmicas desse período incluíam-se a hanseníase, a peste bubônica, a varíola, a tuberculose, a escabiose, a erisipela, o antraz, o tracoma e a febre epidêmica. O isolamento de pessoas portadoras de doenças transmissíveis surgiu em resposta à disseminação da hanseníase. As casas para hansenianos chegaram a 19.000 no século XIII. Essa doença se tornou um grave problema na Idade Média, particularmente nos séculos XIII e XIV.
Vinda do Oriente Médio, a peste negra atingiu o sul da Europa em 1348 e em apenas três anos se disseminou por todo o continente. O principal método de combate à peste era isolar casos confirmados ou suspeitos, bem como pessoas que tinham estado em contato com os doentes. O período de isolamento era no início de 14 dias e aumentou gradualmente para quarenta. Nessa fase, foram dados alguns dos primeiros passos em saúde pública, como iniciativas para enfrentar as condições insalubres das cidades, a criação de hospitais gerais e a prestação de atendimento médico e assistência social à população.
Renascimento
Séculos de avanços tecnológicos culminaram em diversas conquistas científicas durante o Renascimento, com o estabelecimento da anatomia e da fisiologia. Os métodos de observação e classificação tornaram possível também um reconhecimento mais preciso das doenças. Começou a tomar forma a ideia de que organismos microscópicos podem causar doenças transmissíveis. Viagens marítimas prolongadas levaram os holandeses e depois os ingleses a relacionar o aparecimento do escorbuto com a ausência de frutas cítricas na alimentação dos tripulantes. Já disseminada na China e entre os árabes, a varíola foi levada de Constantinopla (atual Istambul) para toda a Europa, em 1718, e mais tarde chegou ao Brasil. Em 1796, o médico inglês Edward Jenner descobriu a vacina antivariólica, o que representou um importante golpe para o avanço da doença.
Revolução Industrial
No século XVIII e começo do seguinte, teve início o fenômeno do crescimento populacional acelerado das grandes cidades, motivado pela rápida industrialização. Essa imensa urbanização deu origem a graves problemas sociais, tais como aumento da mortalidade geral, promiscuidade, redes de esgoto e de abastecimento de água mal projetadas, deficiência quantitativa e qualitativa da assistência médica, principalmente hospitalar, além da carência e da insalubridade das moradias.
Tiveram início no começo do século XIX, em diversos países, movimento por melhoria das condições sanitárias das cidades. Nesse período também se observou um rápido crescimento dos hospitais, além de esforços para educar a população em matéria de saúde. Com a revolução industrial, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores se deteriorou. Na Grã-Bretanha, onde a revolução industrial e seus piores efeitos sobre a saúde dos trabalhadores foram experimentados, surgiu no século XIX um movimento por reformas sanitárias que levou ao estabelecimento de instituições de saúde pública.
Em 1832 o advogado Edwin Chadwick foi nomeado membro da comissão real encarregada, no Reino Unido, de pesquisar as condições de aplicação da Lei dos Pobres. Em 1842, publicou-se o famoso trabalho de Chadwick, The Sanitary Conditions of the Labouring Population of Great Britain (As condições sanitárias da população trabalhadora da Grã-Bretanha). Nessa obra, a estatística foi aplicada cientificamente na medição das condições socioeconômicas e sanitárias de uma apreciável parcela da população.
Realizaram-se nessa fase, com a ajuda da análise estatística, pesquisas epidemiológicas rigorosas sobre algumas doenças, sem conhecimento dos respectivos etiológicos. Na primeira metade do século XIX, John Snow descreveu a epidemia de cólera de Broad Street, em Londres – demonstrando sua transmissão pela água de um poço que fora contaminado durante a lavagem de roupa de uma criança infectada. William Budd demonstrou, também no Reino Unido, a transmissão de febre tifoide pelas dejeções e pela roupa de cama usada pelo doente. Peter Ludvig Panum estudou a epidemiologia do sarampo durante um surto ocorrido em 1846, na Dinamarca, e mostrou que as pessoas mais velhas não manifestaram a doença porque haviam adquirido resistência durante uma epidemia que grassara na ilha sessenta anos antes.
Século XX
Na virada do século XIX para o XX, o controle das doenças endemoepidêmicas tendeu a tomar lugar do saneamento do meio ambiente como a principal tarefa da saúde pública. O marco inicial dessa fase foi o ano 1876, quando Robert Koch demonstrou a origem microbiana de uma doença humana. A atividade predominante dos serviços de saúde pública era o controle de doenças transmissíveis. Os dos maiores sanitaristas brasileiros, Osvaldo Cruz e Emília Ribas, eram primordialmente bacteriologistas que chegaram à direção dos serviços de saúde pública com a missão precípua de controlar as epidemias que ocorriam no Rio de Janeiro e no estado de São Paulo.
Nessa fase identificaram-se os agentes etiológicos de grande número de doenças infecciosas, com a ajuda de métodos de isolamento e caracterização de bactérias criados por Louis Pasteur, Ferdinand Julius Cohn e Robert Kock, entre outros. Pasteur estabeleceu os princípios da imunização ativa e passiva; Joseph Lister desenvolveu os conceitos da cirurgia antisséptica; descobriram-se vetores e reservatórios de diversos microrganismos; e desapareceram as epidemias para as quais existiam métodos específicos de profilaxia.
Vencidas as primeiras doenças epidêmicas nos países desenvolvidos, iniciou-se na segunda década do século XX uma fase da saúde pública voltada para a medicina preventiva. O marco da transição foi a criação da primeira escola de saúde pública do continente americano, a Escola de Higiene e Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos, graças a uma doação da Fundação Rockefeller. As duas instituições exerceram marcada influência na organização dos serviços de saúde pública de várias regiões do mundo.
A prevenção de doenças e a promoção da saúde eram alcançadas por meio de exames médicos periódicos, educação sanitária, melhoria do padrão alimentar, entre outras medidas. Receberam atenção especial as gestantes, os bebês e as crianças em idade escolar. Em alguns países, a assistência médica curativa prestada pelas unidades sanitárias locais se restringia ao tratamento da tuberculose, das doenças sexualmente transmissíveis e da hanseníase, segundo sua prevalência.
Os resultados do combate a inúmeras doenças transmissíveis mostraram êxitos espetaculares. A imunização antidiftérica as crianças foi iniciada em Nova York em 1920. Daí até 1928, foram imunizados 500.000 menores. Em 1940, sessenta por cento dos pré-escolares foram protegidos. A mortalidade por difteria baixou de 785 habitantes por cem mil, em 1894, para 1, 1 por cem mil, em 1940. Em New Haven, Estados Unidos, a mortalidade por diarreia infantil, que era de 103 por cem mil em 1881, caiu para 10 em cem mil em 1926. O combate eficaz ao transmissor resultou então no desaparecimento da febre amarela urbana de quase todas as cidades do mundo.
Da década de 1940 em diante, a saúde pública mostrou especial atenção pelo bem-estar físico e mental da população. Após a segunda guerra mundial foi criada a United Nations Relief and Rehabilitation Administration (UNRRA, Administração das Nações Unidas para a Ajuda e Reabilitação), cujo objetivo era propiciar assistência social integral, inclusive médica, às populações devastadas pelo conflito. As atividades de assistência médica e de saúde pública tiveram então que ser diretamente cotejadas, em um escalonamento prioritário, com outras que também se relacionavam com a melhoria do padrão de vida, tais como reconstrução de fábricas, de moradias, distribuição de sementes, de implementos agrícolas e substituição de rebanhos.
Tendências atuais
Na atualidade, prioriza-se o atendimento pré-natal como forma de medicina preventiva, na esperança de controlar, por intermédio da educação das mães, a saúde física e psicológica da família e das futuras gerações. O atendimento pré-natal oferece à gestante ensinamentos sobre higiene pessoal, alimentação, exercício, danos produzidos à saúde pelo tabagismo, ingestão cautelosa de álcool e sobre os perigos do uso de drogas.
As preocupações da saúde pública também voltaram-se para distúrbios como o câncer, as doenças cardiovasculares, as doenças pulmonares e outras. Comprova-se, cada vez mais, que essas doenças são causadas por fatores nocivos e presentes no meio ambiente no qual o homem está inserido, como a associação entre o tabagismo e certas doenças cardiovasculares e pulmonares. Teoricamente, tais doenças podem ser prevenidas se o ambiente for alterado.
Algumas características sociais marcam certos aspectos da saúde pública nos dias atuais: (1) tendência à urbanização em todo o mundo; (2) aumento da vida média da população e seu consequente envelhecimento; (3) problemas médicos e socioeconômicos motivado pelo envelhecimento da população; (4) elevação sensível, em todos os países, da parcela de população que vive de salários; e (5) aumento acelerado do percentual de indivíduos que, embora não sejam indigentes, são incapazes de financiar o tratamento médico-cirúrgico de urgência ou clínico-hospitalar de doenças crônicas.
A saúde pública, nessa fase, ampliou seus objetivos e abrange hoje todos os problemas do binômio saúde-doença numa comunidade. Firmou-se também o trabalho de equipe multiprofissional, na qual, ao lado do médico – clínico geral ou especialista – estão a enfermeira, o dentista, o engenheiro sanitarista, o veterinário de saúde pública, o educador de saúde, o farmacêutico, o estatístico, o sociólogo ou antropólogo, o assistente social etc.
Países desenvolvidos
Entre os países desenvolvidos, as tendências mais visíveis no final do século XX eram: a mudança de conceito de doença prevenível, que passou a incluir os tumores malignos, o reumatismo, as doenças cardiovasculares, outras doenças crônicas, degenerativas e até mesmo acidentes; a necessidade de criação de serviços especiais para a população idosa, entre as quais medidas de prevenção do envelhecimento precoce e de doenças crônicas e degenerativas, e outras destinadas a combater os problemas resultantes da solidão e da inatividade; a pesquisa de medidas para combater o surgimento de novas gerações de bactérias resistentes aos antibióticos, tradicionalmente empregados contra elas, caso do bacilo de Koch, causador da tuberculose, o controle da AIDS; e uma crescente preocupação com a qualidade do meio ambiente, sobretudo com a contaminação do ar e da água por resíduos atômicos e poluentes químicos.
Países subdesenvolvidos
Depois de erradicada a varíola e a poliomielite da maior parte do planeta, as agências de saúde começaram a enfrentar, no final do século XX, o desafio de controlar a disseminação de doenças transmissíveis como AIDS, hepatite, cólera, dengue, raiva, hanseníase, tuberculose e a doença do sono. As doenças sexualmente transmissíveis, um antigo problema, e as causadas por parasitos, como a esquistossomose, também tiveram aumento de incidência. Para combater o problema da desnutrição, começaram a ser desenvolvidos suplementos alimentares ricos em vitaminas e proteínas e programas educacionais mais eficazes.
Agências de saúde
Cada país possui organizações para promover, proteger e recuperar a saúde da população, classificadas em três tipos gerais, que podem ser combinados dois a dois ou mesmo os três; (1) hospitais, destinados à assistência médica a pacientes internados e a outros que podem frequentar ambulatórios; (2) serviços convencionais de saúde pública, geralmente estatais, com atividades mais voltadas para a preservação de doenças transmissíveis e o exame médico periódico de crianças, adolescentes e gestantes; (3) serviços de assistência médica com finalidade principalmente curativa e ambulatorial, destinados a um grupo de pessoas ou a uma comunidade.
Este último tipo, conforme o país, assume vários modos de organização. Geralmente, é acompanhado de seguro médico e afim, obrigatório ou facultativo, geral ou restrito a um grupo populacional. Pode ser oferecido pelo estado ou por particulares, geralmente por intermédio de grupos de médicos. Não está necessariamente associado à assistência hospitalar e deveria, obrigatoriamente, oferecer uma medicina integral.
Uma organização internacional de saúde criada em 1907, em Paris, foi absorvida em 1948 pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Entre as mais importantes funções da organização estão os serviços consultivos oferecidos aos governos por intermédio de seus quadros regionais. Escritórios regionais em vários países, tanto desenvolvidos quanto subdesenvolvidos, assim como representantes locais em diversos países subdesenvolvidos ajudam a OMS a manter contato com as necessidades e fontes de ajuda financeira.
A OMS mantém estreita relação com outras agências das Nações Unidas, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Saúde qualidade de vida e ciclo vital

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