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Santa Catarina

Superfície: 95.746 km2
População: 6.383.286 habitantes
Estado do Brasil (95.746 km2; 6.383.286 habitantes) situado no centro da região Sul, sendo o menor território da região. É limitado ao norte pelo estado do Paraná; ao leste pelo oceano Atlântico; ao sul pelo estado do Rio Grande do Sul e ao oeste pela Argentina. Capital: Florianópolis. Municípios: 295. Cidades mais populosas: Joinville, Florianópolis, Blumenau, São José, Criciúma e Chapecó. É composto pelas mesorregiões de Norte Catarinense, Sul Catarinense, Oeste Catarinense, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Serrana, que integram um total de vinte microrregiões.
Bandeira oficial do Santa Catarina (Brasil)

Geografia Meio físico • Geomorfologia
Relevo de planícies litorais (apresentam larguras muito variáveis, mais amplas ao noroeste e ao sul e mais estreitas na parte fronteiriça com a ilha de Santa Catarina), enseadas e ilhas ao longo da costa e uma área serrana que faz parte do planalto Atlântico. O planalto Cristalino, cujo rebordo é a Serra do Mar, forma uma linha contínua no nordeste do estado. A partir daí, é desmembrada em uma série de serras, mais ou menos paralelas entre si. Segue-se o planalto sedimentar, circundado ao oeste pelo planalto arenito-basáltico, cujo limite recebe o nome de Serra Geral. Esta mantém a continuidade do seu traçado, sempre com altitudes superiores a mil metros, sobretudo na parte sul, quando se volta para o mar. No sudeste deste planalto, que ocupa a maior parte do estado (dois terços da área total, correspondendo à mais vasta parcela do planalto Meridional Brasileiro), surge incrustado o de Lajes, em terrenos sedimentares. O ponto culminante do estado é o Morro da Igreja (1.822 metros de altitude), na serra Anta Gorda.
Santa Catarina Ponte Hercílio Luz, Florianópolis
• Hidrologia, vegetação e clima
É banhado pelos rios Paraná, Canoas, Pelotas, Negro, do Peixe, Itajaí, Iguaçu, Chapecó, Tubarão e Uruguai. Possui uma vegetação bastante variada, com bosques de araucárias e pinheiros (matas mistas de latifoliadas e araucárias) no planalto Meridional, e florestas tropicais na costa atlântica. Em pequenas áreas das margens do rio Uruguai, existem matas latifoliadas subtropicais. O clima dominante é o subtropical, com temperaturas médias e mais amenas na baixada (18-20 oC) do que no planalto ocidental (14-16 oC), onde a amplitude térmica é elevada (cerca de 10 oC). Ao contrário de outras partes do Brasil, Santa Catarina tem as estações do ano bem definidas, com muito calor no verão e frio no inverno. As geadas são frequentes e ocasionalmente pode nevar. As chuvas distribuem-se ao longo de todo o ano, com uma média de 1.500-1.700 milímetros.
• População e povoamento
A população, que cresce a um ritmo anual de 1,87%, se localiza principalmente nas terras baixas próprias do litoral e nos vales fluviais, enquanto a zona montanhosa é a menos populosa do estado. A densidade média é de 62,5 hab./km2 e a população urbana, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, era de 78,7% do total. Em relação ao desenvolvimento socioeconômico, são significativos os valores dos seguintes indicadores: a mortalidade infantil é de 17,2%; a taxa de analfabetismo alcança os 5,2% entre as pessoas maiores de 15 anos, e o número de leitos hospitalares é de 14.747. Também segundo o IBGE, o produto interno bruto (PIB) do estado em 2008 foi de R$ 123.283 bilhões, um dos maiores do país. Já seu índice de desenvolvimento humano (IDH), segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), foi de 0,840 em 2005.
Estrutura econômica
Santa Catarina tem uma economia diversificada, que vai desde a agricultura até o turismo. Além disso, situa-se entre as regiões Sul e Sudeste, que têm desempenhos econômicos bastante relevantes para o país. Sua posição é, inclusive, considerada estratégica para o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Os setores de tecnologia, turismo, serviços e construção civil são destaque na Grande Florianópolis. O norte do estado, por sua vez, destaca-se como polo tecnológico e moveleiro. A produção alimentar e de móveis é o foco da parte oeste de Santa Catarina. Enquanto o Planalto Serrano se dedica à produção de papel, celulose e madeira. A parte sul se dedica às áreas de vestuário, plásticos descartáveis, carbonífero e cerâmico. Por fim, no Vale do Itajaí, há uma predominância da indústria têxtil, de vestuário, naval e de tecnologia.
• Agricultura, pecuária e pesca
O principal produto agrícola de Santa Catarina é o milho, cultivado no planalto basáltico, onde fornece ração para a criação de suínos. Seguem-se a soja, o fumo, a mandioca, o feijão, o arroz (cultivado com irrigação nas várzeas da baixada litorânea e do vale do Itajaí, a banana e a batata-inglesa. O estado é também importante produtor de cana-de-açúcar, alho, cebola, tomate, trigo, maçã, uva, aveia e cevada.
A criação de bovinos se faz principalmente em campo natural, de maneira extensiva, e nas áreas florestais, em menor escala, com os animais submetidos a semiestabulação. Nessas áreas em que a agricultura é a atividade predominante, a criação se volta para os suínos, sobretudo no planalto basáltico, onde a produção de milho assegura ração adequada aos animais. A suinocultura experimentou grande progresso no estado, em virtude do desenvolvimento dos frigoríficos especializados no processamento de carne de porco. Grande expansão na criação de aves (uma das maiores produções do mundo), além de ser o maior produtor de pescado do país. A pesca, principalmente a praticada em moldes artesanais, desempenha importante papel na economia do estado. A atividade, que remonta à origem açoriana da população, desenvolve-se sobretudo em Florianópolis, Navegantes e Itajaí.
• Extrativismo
As riquezas vegetais e minerais concorrem decisivamente para o progresso produtivo do estado. Entre as primeiras destacam-se as reservas florestais, representadas especialmente pelos pinheirais, apesar de sua intensa exploração, e os ervais, que permitem ao estado se manter como grande produtor da erva-mate. O estado de Santa Catarina é um dos maiores produtores de papel e celulose do país.
No extrativismo mineral, as ocorrências de carvão, principalmente nas áreas da baixada litorânea (Uruçanga, Criciúma, Lauro Müller e Tubarão), representam fator importante para o desenvolvimento econômico regional. Os carvões de Santa Catarina são os mais homogêneos do país, apesar de apresentarem defeitos – são ricos em piritas, possuem teores elevados de cinza etc.
As condições de exploração do carvão mineral têm apresentado sensível melhoria, do ponto de vista técnico e dos equipamentos empregados. Santa Catarina possui ainda as maiores reservas brasileiras de fluorita e sílex (em produção). Outros recursos minerais disponíveis são os depósitos de calcários de Brusque, de mármore, de galena argentífera e de minério de manganês; nem todos, entretanto, explorados economicamente.
• Indústria
Os principais centros industriais de Santa Catarina são Joinville e Blumenau. O primeiro tem caráter diversificado, com fábricas de tecidos, de produtos alimentícios, fundições e indústria mecânica. Blumenau concentra sua atividade na indústria têxtil. No interior do estado, ocorrem numerosos centros fabris de pequeno porte, ligados tanto à industrialização de madeira quanto ao beneficiamento de produtos agrícolas e pastoris.
O nordeste do estado se destaca na produção de motocompressores, autopeças, refrigeradores, motores e componentes elétricos, máquinas industriais, tubos e conexões. No sul do estado (incluindo as cidades de Imbituba, Tubarão, Criciúma, Içara e Uruçanga), por sua vez, concentram-se as principais fábricas de cerâmica de revestimento do Brasil. O estado de Santa Catarina também lidera, no país, a produção de louças e cristais.
• Energia
O potencial hidrelétrico de Santa Catarina não está totalmente aproveitado, e grande parte da energia consumida no estado é fornecida por usinas termelétricas. A utilização do carvão-vapor na alimentação dessas usinas contribui não só para a expansão da produção termelétrica como assegura mercado em crescimento para a ampliação do consumo da produção estadual de carvão.
• Transporte
As estradas de ferro de Santa Catarina, administradas pela Rede Ferroviária Federal (11ª Divisão, Paraná-Santa Catarina; e 12ª Divisão, Estrada de Ferro Teresa Cristina), têm dois troncos principais, que cortam o estado no sentido norte-sul: um passa por Mafra e Lajes e o outro, por Porto União, Caçador e Joaçaba. No norte do estado, uma linha em sentido leste-oeste liga as cidades ao litoral, servindo Porto União, Canoinhas, Mafra, São Bento do Sul, Joinville e São Francisco do Sul. Outras linhas férreas catarinenses servem o vale do Itajaí e a região de mineração de carvão, ligando-a com os portos de Laguna e Imbituba.
A malha rodoviária catarinense integra as diferentes regiões do estado. A principal rodovia é a BR-101, que atravessa o litoral e escoa grande parte da produção. Outra rodovia importante é a BR-470, que liga o meio-oeste ao litoral. A BR-470 se conecta à BR-282 e à BR-283 e por ela circula a produção agroindustrial que é exportada pelo porto de Itajaí.
Pela BR-280, que liga a cidade de Porto União, no Planalto Norte, com o porto de São Francisco do Sul, é transportada a produção da indústria de móveis de São Bento do Sul e a erva-mate produzida em Canoinhas. Outras rodovias importantes são a BR-153 e a BR-116, que atravessa as cidades de Lajes, Papanduva e Mafra. Há 23 aeroportos públicos e privados no estado. Os mais importantes são os de Florianópolis (internacional), Joinville e Navegantes.
Quatro portos especializados – São Francisco do Sul, Itajaí, Imbituba e Laguna – formam o sistema portuário catarinense. O primeiro, essencialmente exportador, é o maior porto graneleiro do estado. O de Itajaí destina-se fundamentalmente à exportação de açúcar e congelados e ao transporte de combustíveis, enquanto Imbituba é um terminal carbonífero, e Laguna, porto pesqueiro.


Santa Catarina

Mesorregião

Superfície (km2)

População*

Grande Florianópolis

6.977

803.151

Norte Catarinense

15.995

1.026.606

Oeste Catarinense

27.304

1.116.766

Serrana

22.441

400.951

Sul Catarinense

9.704

822.671

Vale do Itajaí

13.023

1.186.215

Microrregião

Superfície (km2)

População*

Araranguá

2.979

61.310

Blumenau

4.750

309.011

Canoinhas

9.788

52.765

Chapecó

6.089

183.530

Concórdia

3.129

68.621

Criciúma

2.085

192.308

Curitibanos

6.611

37.748

Florianópolis

2.467

421.240

Itajaí

1.555

183.373

Ituporanga

1.460

22.250

Joaçaba

9.054

27.020

Joinville

4.628

515.288

Lages

15.830

156.727

Rio do Sul

5.258

61.198

São Bento do Sul

1.579

74.801

São Miguel d'Oeste

4.219

36.306

Tijucas

2.150

30.960

Tubarão

4.640

97.235

Xanxerê

4.813

44.128

*Dados Censo 2010

História
A região costeira do território que constitui hoje o estado de Santa Catarina foi, desde a época do descobrimento, visitada por navegantes de várias nacionalidades. Afora a discutida versão da presença do francês Binot Palmier de Gonneville, que ali teria estado durante seis meses, em 1504, não existe dúvida quanto à viagem dos portugueses Nuno Manuel e Cristóvão de Haro, que por lá passaram, em 1514, e deram o nome de Ilha dos Patos à atual Ilha de Santa Catarina. No ano seguinte, Juan Díaz de Solís passou em direção ao Prata. Onze náufragos dessa expedição foram bem recebidos pelos índios carijós, do grupo tupi-guarani, e iniciaram com eles intensa miscigenação. Esses aborígines viviam de caça e pesca, eram exímios tecelões de redes, esteiras e cestos, e trabalhavam objetos em pedra. Por causa do naufrágio, Solís deu o nome de Baía dos Perdidos às águas entre a Ilha de Santa Catarina e o continente.
Expedições espanholas
Várias expedições espanholas detiveram-se no litoral catarinense a caminho do rio da Prata: D. Rodrigo de Acuña, em 1525, deixou 17 tripulantes na ilha, onde se fixaram voluntariamente. Sebastião Caboto, em 1526 e 1527, ali se abasteceu, seguiu para o Prata e retornou. Após Caboto, nela aportaram Diego Garcia e, em 1535, Gonzalo de Mendonza. Em 1529, o nome Santa Catarina apareceu pela primeira vez, no mapa-múndi de Diego Ribeiro. Em 1541, Álvar Núñez Cabeza de Vaca partiu da Ilha de Santa Catarina para transpor a Serra do Mar e atingir por terra o Paraguai.
Mantendo sempre o propósito de tomar posse do Brasil meridional, o governo espanhol nomeou Juan Sanabria governador do Paraguai, com a missão de colonizar o rio da Prata e povoar também o porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Com a morte de Juan Sanabria, tomou posse seu filho Diogo. Alguns navios da expedição lograram chegar à Ilha de Santa Catarina, onde os espanhóis permaneceram dois anos. Dividiram-se em dois grupos: um deles rumou para Assunção; o outro, chefiado pelo piloto-mor Hernando Trejo de Sanabria, estabeleceu-se em São Francisco, de onde, após as maiores privações e sempre sob a ameaça de ataque pelos silvícolas, seguiu para Assunção.
Merecem destaque na passagem da expedição de Sanabria o fato de tê-la integrado Hans Staden, que legou interessante narrativa da viagem, e o nascimento, em São Francisco, do filho de Hernando, Herdinando Trejo de Sanabria, futuro bispo e fundador da Universidade de Córdoba, na Argentina. Ainda em 1572, Ortiz de Zarate, a caminho de Assunção, esteve sete meses em Santa Catarina, onde praticou incríveis e inúteis violências. Foi esta a última expedição espanhola à região.
Ocupação portuguesa
Em 1637, os bandeirantes começaram a ocupar a região da atual capital catarinense, Florianópolis, que então se chamava Nossa Senhora do Desterro. Os aborígines da região foram catequizados, a partir de 1549, por jesuítas que viajaram em companhia do governador-geral Tomé de Souza, sob a chefia do padre Manuel da Nóbrega. Os jesuítas empenharam-se com ardor nessa missão, colocando-se como obstáculo às tentativas dos colonizadores portugueses de escravizarem os índios. Não conseguiram, contudo, levar a bom termo sua tarefa e, já em meados do século 17, desistiram da catequese no sul.
Com a divisão do Brasil em capitanias hereditárias, a costa catarinense até a altura de Laguna, e mais tarde dois terços da do Paraná, formaram a capitania de Santana, o último quinhão do sul, doado a Pêro Lopes de Sousa. Nem o donatário nem seus herdeiros providenciaram a colonização. O território, após um litígio de dois séculos entre os herdeiros de Pêro Lopes e os de seu irmão Martim Afonso de Sousa, foi, no começo do século 18, comprado pela coroa, juntamente com as terras do Paraná e grande parte de São Paulo. Ao mesmo tempo, a Espanha considerava indiscutível seu direito a esses territórios e recomendava aos adelantados a conquista e povoamento não só da ilha como do litoral.
Fundações litorâneas
Na década de 1640, Manuel Lourenço de Andrade, um português que vivia em São Vicente, fundou uma povoação no rio de São Francisco, para onde se mudou com a família. Mais tarde foi designado capitão-mor dessa povoação, que em 1660 foi elevada a vila com o nome de Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco (atual São Francisco do Sul), constituindo a primeira fundação estável da costa catarinense.
Por volta de 1675, estabeleceu-se na Ilha de Santa Catarina o paulista Francisco Dias Velho, que ergueu uma igreja em louvor de Nossa Senhora do Desterro. A ele se atribui a mudança do nome da Ilha dos Patos para ilha de Santa Catarina, de quem, ao que consta, uma filha dele tinha o nome. (Entretanto, outros atribuem a autoria do nome a Sebastião Caboto, que teria consagrado a ilha a santa Catarina ou, antes, prestara homenagem a sua mulher, Catarina Medrano.) Francisco Dias Velho dedicava-se à cultura da mandioca e da cana-de-açúcar, à pesca e à procura de ouro. Quinze anos mais tarde, Dias Velho e sua gente aprisionaram um navio pirata que arribara na ilha e mandaram homens e cargas para São Vicente. Passaram-se dois anos e os corsários voltaram; Dias Velho foi morto, e sua família, maltratada e em desespero, retornou a São Vicente. A povoação ficou abandonada.
A atual Laguna foi outro ponto do litoral povoado na mesma época. Domingos de Brito Peixoto, também paulista, organizou uma bandeira para tomar conta de terras desabitadas ao sul e, em 1676, fundou Santo Antônio dos Anjos de Laguna. A povoação teve vida incerta e o bandeirante despendeu nela toda sua fortuna, com o objetivo de dar-lhe estabilidade. Buscou recursos no aprisionamento do gado nativo e na caça ao gentio e, só em 1696, deu início à construção da matriz local. No início do século 18, Laguna, pequena e pouco habitada, vivendo de uma agricultura rudimentar e da exportação de peixe seco para Santos e o Rio de Janeiro, era o mais importante núcleo da costa catarinense.
Primeira metade do século 18
A abertura, em 1728, do caminho que ligaria as pastagens do Rio Grande do Sul ao planalto paulista representou sério abalo para Laguna, que perdeu progressivamente sua posição proeminente, e foi deixando de ser entreposto único de comércio e foco de expansão do Sul.
A grande era da história catarinense ia começar com o governo do brigadeiro José da Silva Pais. Em 1726, o povoado de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, foi elevado a vila. A atenção dada à ilha aumentou e em 1737 chegaram as primeiras forças de linha. No ano seguinte foi nomeado governador Silva Pais, que chegou em 1739, diretamente subordinado ao Rio de Janeiro, àquele que passou a ser o posto português mais avançado da América do Sul. As primeiras providências tiveram caráter militar. Do uniforme das milícias, e especialmente da cor do colete, deriva, para os habitantes da terra, o apelido de "barriga-verde", que nada tem de pejorativo.
Os interesses portugueses no Sul aconselhavam a manutenção e o fortalecimento dos povoados litorâneos. Com tal objetivo, Laguna foi elevada em 1774 à categoria de vila, passando a exercer o papel de posto avançado para a conquista do Rio Grande do Sul. Dali partiram expedições que atingiram a colônia do Sacramento e Montevidéu e, de passagem, arrebanharam gado e aprisionaram indígenas. Enquanto isso, Desterro, onde se haviam instalado os povoadores, ia vivendo como "mera pescaria" – lugar procurado para refresco de navios piratas, que eram recebidos sem nenhuma hostilidade.
Desde o começo do século 18, Santa Catarina esteve sob a jurisdição da capitania de São Paulo. As lutas no Prata representaram pesado encargo para os catarinenses, que não só tiveram seus filhos convocados às armas, como foram obrigados a suprir tropas estacionadas ou de passagem, em troca de vales como pagamento. Nessa ocasião, toda a costa meridional brasileira, até a ilha, passou à jurisdição direta do Rio de Janeiro, por razões estratégicas que também aconselharam a ocupação eficaz do mesmo território.
Com esse objetivo, recorreu-se à imigração açoriana. De 1748 até 1756, em sucessivas levas, chegaram cerca de 5 mil açorianos, a maior parte dos quais fixou-se em Santa Catarina. Os novos colonos foram distribuídos pelos pontos já mencionados, recebendo doações de terras na ilha e no continente fronteiro. As dificuldades que tiveram de ser vencidas foram inúmeras, desde as péssimas condições da viagem até a inadaptação à terra onde deveriam fixar-se.
Segunda metade do século 18
O governo de Santa Catarina, na segunda metade do século 18, abrangia as três fundações litorâneas. O sertão não era explorado nem povoado: esta seria, mais tarde, a missão de D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão, morgado de Mateus, governador da capitania de São Paulo, interessado em garantir o domínio português sobre a região e o escoamento do gado do Rio Grande do Sul para São Paulo. Com tal finalidade, encarregou um abastado paulista, Antônio Correia Pinto, de estabelecer povoação na paragem denominada Lajes. Houve protestos contra a invasão de território fora de sua jurisdição, mas o morgado não lhes deu atenção. Guaratuba, no litoral, foi povoada também por ordem sua, e em 1775 fundou-se a Vila de Nossa Senhora dos Prazeres de Lajes.
Esse foi o primeiro núcleo de povoação da serra. Perdida no interior, sem comunicação com o litoral, tendo precária ligação com Curitiba e São Paulo, Lajes vegetou durante todo o século. Em seus campos, ocupados por uma população escassa, estabeleceram-se fazendas de criação de gado. De Lajes partiram mais tarde os povoadores de Campos Novos e Curitibanos, que estenderam a fronteira pastoril.
Quando irrompeu a guerra entre Portugal e Espanha, a Ilha de Santa Catarina, mal defendida apesar de sua importância estratégica e abandonada pela esquadra portuguesa, que não queria pôr em risco seus navios, foi tomada em 1777 por Pedro de Zeballos, sem que o invasor desse um só tiro ou perdesse um único homem. Dali estendeu-se a conquista de povoado em povoado, com exceção de Laguna, que ofereceu resistência. Um ano depois, a ilha voltou às mãos portuguesas, por meio do Tratado de Santo Ildefonso.
Ao lado de uma agricultura de subsistência, da fabricação de farinha de mandioca e da salga de peixe, atividades todas de pouca importância, que não propiciavam oportunidade de enriquecimento, instalaram-se na ilha armações para pesca de baleia, monopólio da coroa concedido a comerciantes reinóis. A extinção do privilégio, no começo do século 19, desestimulou a atividade, que entrou em decadência.
Toda a capitania, de modo geral, enfrentou, na segunda metade do século 18, um período de estagnação, com a agricultura em retrocesso e sua gente onerada com a requisição de produtos para as tropas. Nas primeiras décadas do século 19, porém, a situação da capitania tinha melhorado um pouco. Pelo testemunho de viajantes, as vilas eram habitadas por pessoas de recursos medianos, não havendo nem grandes fortunas nem miséria gritante.
Independência e primeiro reinado
Em 1820, Lajes passou à jurisdição do governo da ilha, dando a Santa Catarina uma configuração aproximada da atual e retirando da alçada de São Paulo toda a região chamada da serra, seja, o planalto. Devido à precariedade das comunicações, a notícia da independência do Brasil só chegou a Desterro nos primeiros dias de outubro de 1822. O juiz de fora e presidente da Câmara, Francisco José Nunes, no dia 11, fez a aclamação do imperador.
Durante o império, a província sofreu, como outras, os prejuízos da descontinuidade administrativa. Teve no período mais de setenta presidentes, entre titulares e substitutos. Sob o governo do brigadeiro Francisco de Albuquerque Melo, em 1829, iniciou-se a colonização de Santa Catarina com imigrantes alemães.
Em 1831, após a abdicação de D. Pedro I, o presidente da província, Miguel de Sousa Melo e Alvim, português de nascimento, foi forçado a renunciar em consequência de um levante da tropa. Nesse mesmo ano, em 28 de julho, foi lançado o primeiro jornal publicado na província, com o título de O Catarinense, dirigido pelo capitão Jerônimo Francisco Coelho.
República Juliana
O movimento farroupilha teve considerável repercussão em Santa Catarina, sobretudo na região mais próxima ao Rio Grande do Sul, tendo como objetivo a transformação de Santa Catarina em uma República separada do território brasileiro. De 24 de julho a 15 de novembro de 1839, Laguna foi ocupada pelos revolucionários, que ali proclamaram a República Juliana, aliada à de Piratini. Nessa ocasião, Ana de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi, uniu sua vida à de Giuseppe Garibaldi. No planalto, Lajes aderiu à revolução, mas submeteu-se no começo de 1840. Em 1845, os farrapos foram derrotados, e a província, já inteiramente pacificada, recebeu a visita de D. Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina.
De 1850 a 1859, Santa Catarina foi governada por João José Coutinho, que demonstrou grande zelo administrativo e particular interesse pela instrução e a cultura, esforçando-se também no incentivo à atividade das colônias de imigrantes. Em 1849 foi fundada Joinville; no ano seguinte, Blumenau, fundada por Hermann Blumenau, no Vale do Itajaí; e, em 1860, Brusque.
Período final do império
Na década de 1870, a província de Santa Catarina contava cerca de 160 mil habitantes, distribuídos por vinte municípios. Ao ser proclamada a república, a população era de 200 mil habitantes aproximadamente. As numerosas vilas e cidades litorâneas estagnavam, dedicadas à pesca de subsistência, pequena lavoura e comércio sem grande expressão. As frequentes mudanças de administração, em benefício de protegidos do poder central, prejudicaram o progresso catarinense.
Santa Catarina sempre teve número relativamente reduzido de escravos. Atingiu o máximo em 1857, com cerca de 18 mil. Daí em diante o número diminuiu, não só pelas alforrias e pela Lei do Ventre Livre, como pela venda de escravos a outras províncias. O elemento negro jamais chegou a constituir 20% da população total.
A partir de 1870, processou-se com intensidade a campanha abolicionista. Diversos clubes e associações empenharam-se na luta, que ganhou maior amplitude com a fundação de um jornal, O Abolicionista. O movimento levou numerosos senhores a libertarem seus escravos. Em 24 de março de 1888, o presidente da Câmara de Desterro anunciou que já não havia, na capital da província, um só escravo.
Colonização estrangeira
Em Santa Catarina, a posse da terra não era base para grandes fortunas e obtenção de títulos de nobreza. Observava-se uma preferência pelo enriquecimento nas atividades urbanas. Em pleno século 20, grandes extensões de terras, no oeste, estavam por desbravar. A sociedade e as lides campeiras do planalto constituíam um tipo de vida quase sem contato com o litoral.
Desde o começo do século 19, havia planos para a ocupação dos espaços vazios com a vinda de colonos estrangeiros. A primeira tentativa data de 1829, com a instalação de 166 famílias alemãs, oriundas de Bremen, no lugar depois chamado São Pedro de Alcântara – eram 523 colonos católicos. Os imigrantes italianos chegaram em 1877.
Quer por iniciativa oficial, quer aliciados por companhias particulares que acenavam com uma nova Canaã, acorreram imigrantes para a província, principalmente alemães e italianos, durante todo o século 19. Embora muitos tenham sido absorvidos pelas comunidades tradicionais, e em várias colônias situadas nas matas tenha ocorrido o fenômeno da "caboclização" do imigrante, na maioria da colônias criaram-se ambientes próprios, com características marcadas. Desde o início, mantinham uma lavoura de policultura e dedicavam-se a atividades de transformação artesanal-familiar que seriam a origem de futuras fábricas.
Em 1850, os primeiros colonos, reunidos pelo doutor Hermann Blumenau, ocuparam seus lotes à margem do rio Itajaí-Açu. Era o começo da colônia, que o farmacêutico e doutor em filosofia pela universidade alemã de Erlangen decidira levar avante, encarando toda sorte de dificuldades e contratempos. Anos mais tarde, o governo comprou a colônia e manteve o doutor Blumenau à frente dela. Vinte anos após sua criação, contava com 6 mil habitantes e 92 núcleos fabris, espraiando-se pela zona do Itajaí-Açu e seus tributários.
Ao norte, nas terras que a princesa D. Francisca recebera como dote de casamento, foi organizado um núcleo pela Sociedade Hamburguesa de Colonização, com o nome da princesa. Os imigrantes ali chegados a partir de 1851 eram alemães, suíços e noruegueses. A colônia D. Francisca possuía regulamento próprio, o qual, entre outras cláusulas, garantia aos colonos o direito de se constituírem em comunas livres e autônomas. Com dez anos de vida contava com três mil habitantes, setenta engenhos de mandioca, trinta de açúcar e mais de trinta fábricas. Joinville também prosperou, em breve ocupando faixas de mata ao longo dos rios Negro e Iguaçu.
A colonização no sul da província, na bacia do Tubarão, foi levada a efeito no final do século 19. Os colonos eram na maior parte italianos e se dedicavam à lavoura e à vitivinicultura. Foi também nessa área que, mais acentuadamente a partir da segunda guerra mundial, a exploração de carvão de terra constituiu mais tarde importante fator na economia catarinense.
República
A partir de 1870 as ideias republicanas ganharam impulso em Santa Catarina, sobretudo entre os moços. Criaram-se clubes e jornais de propaganda, mas os republicanos não chegaram a conseguir representação na assembleia. Entretanto, a cidade de São Bento elegeu em 1888 a primeira câmara de vereadores no país formada somente de elementos republicanos. A república tomou a província de surpresa, pois em geral se esperava apenas a queda do ministério. Confirmada a proclamação do novo regime, em 17 de novembro, comemorou-se o acontecimento e um triunvirato assumiu o governo.
O primeiro governador do estado de Santa Catarina, nomeado por Deodoro, foi o tenente Lauro Severiano Müller. Mais tarde confirmado pela constituinte de 1891, foi logo deposto com a saída de Deodoro. Uma vez deflagrada, a revolução federalista do Rio Grande do Sul teve pronto reflexo em Santa Catarina.
Seguiu-se uma época de instabilidade política, com sérios entrechoques provocados por motivos locais ou mesmo municipais, e agravados pelos acontecimentos no resto do país. Após a revolta da armada, Santa Catarina foi palco de numerosos episódios da revolução federalista, sendo Desterro proclamada capital provisória da república. Em 17 de abril de 1894, a esquadra ali aportava e ocupava a cidade. Pouco depois, o coronel Antônio Moreira César assumia o governo do estado para exercê-lo com mão de ferro. Entre as incontáveis vítimas desse período de violenta repressão, destaca-se o chefe do governo revolucionário, almirante Frederico Guilherme de Lorena, fuzilado por ordem de Moreira César. Serenados os ânimos, elegeu-se governador Hercílio Luz. Nessa ocasião, a capital do estado passou a chamar-se Florianópolis.
A vida política decorreu a partir daí sem acontecimentos de grande relevo. Havia problemas e cisões dentro do Partido Republicano Catarinense, que, contudo, sempre conseguia recompor-se. Personalidades catarinenses com projeção nacional apareceram neste período, como Vidal Ramos, Adolfo Konder e Vítor Konder. O domínio político, então, não era mais exercido exclusivamente pelas famílias tradicionais do litoral, mas dividido com figuras influentes do planalto e descendentes de imigrantes.
No começo do século 20, Florianópolis também se envolveu na Guerra do Contestado (1912-1916).
Revolução de 1930
Apenas iniciado, no Rio Grande do Sul, o movimento revolucionário de 1930, Santa Catarina foi o primeiro estado a ser invadido pelas forças que conduziram Getúlio Vargas ao poder. Muito embora fossem sendo vencidas as forças legais, Florianópolis resistiu ao avanço gaúcho, até que a revolução viesse a triunfar em todo o território nacional. De 1930 a 1945, o estado foi governado por interventores federais.
Ao longo desses 15 anos, houve um breve período, de 1935 a 1937, em que o poder executivo estadual esteve entregue ao governador eleito, Nereu Ramos, mantido como interventor pelo Estado Novo, em 1937. O governo de Nereu Ramos distinguiu-se pela preocupação com o setor educacional e com a assistência médico-hospitalar. A infiltração nazista entre os colonos de ascendência alemã radicados no estado foi um dos problemas mais graves enfrentados pelo interventor.
Depois de 1945
O Partido Social Democrático (PSD), estruturado em torno de Nereu Ramos, e a União Democrática Nacional (UDN), formada por antigos republicanos, foram os partidos que dominaram a vida política de Santa Catarina de 1945 a 1964. Em 1946 elegeu-se governador Aderbal Ramos da Silva, do PSD; depois dele, o predomínio foi da UDN, com Irineu Bornhausen e Jorge Lacerda. Em 1960, foi eleito Celso Ramos, do PSD.
Nesse período, uma grande área do estado, que vivia semimarginalizada e escassamente povoada – o meio e o extremo oeste – passou a ter importância cada vez maior. Essas glebas foram sendo ocupadas por gente vinda do Rio Grande do Sul, colonos estrangeiros e seus descendentes, que nelas vislumbraram um novo eldorado.
Em 1960, a criação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) representou grande avanço no setor educacional. Florianópolis tornou-se centro de atração para estudantes também de outros estados. Em 1965, fundou-se a Universidade para o Desenvolvimento do Estado, ao que se seguiu a criação de vários institutos de ensino superior em municípios do interior. No ano seguinte, tomou posse o governador Ivo Silveira, eleito por voto direto. Depois, dois governadores foram escolhidos pela Assembleia Legislativa do estado – Colombo Sales e Antônio Carlos Konder Reis – e um por um colégio eleitoral – Jorge Bornhausen.
Durante a gestão do governador Espiridião Amin, eleito por voto direto em 1982, o estado foi atingido por uma das mais graves enchentes de sua história, em julho de 1983. Em Blumenau, que fica às margens do rio Itajaí-Açu, 70% do centro urbano ficou submerso. Dos 199 municípios que integravam o estado na época, 136 foram declarados em estado de calamidade pública e quase cem ficaram totalmente isolados. O fenômeno se repetiu de forma menos violenta em 1984. As enchentes foram causadas em parte pela destruição das matas catarinenses e afetaram a produção industrial e agrícola do estado.
Em 1986, elegeu-se governador Pedro Ivo Campos, ex-prefeito de Joinville. Desde meados da década de 1980, ocorriam no campo graves conflitos entre lavradores e proprietários rurais pela posse da terra. Geralmente acompanhadas de violência, as invasões de fazendas por dezenas e até centenas de famílias de lavradores eram geralmente mediadas pelo governo estadual. Em 1990, após a morte de Pedro Ivo Campos, tomou posse o vice-governador Casildo Maldaner. No mesmo ano, elegeu-se para ocupar o cargo Vilson Kleinübing, do Partido da Frente Liberal (PFL), a quem se seguiu, em 1995, Paulo Afonso Vieira, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Arte
A raiz da cultura catarinense está na diversidade, que se deve à presença dos portugueses (povo dos Açores e Madeirenses), dos Alemães do Vale do Itajaí, e pela pequena Itália encontrada ao sul, que após chegarem a Santa Catarina trouxeram uma grande bagagem cultural. Esses povos são marcados pela valorização das tradições do seu povo e por festas religiosas que foram de extrema importância para a formação cultural do estado.
Artesanato
Pode-se destacar como principais práticas artesanais os artigos em vime, lã e couro; renda de bilros; a confecção de bonecos de pano; pintura em porcelana e a arte de esculpir em madeira, a qual se destaca por possuir artesãos que produzem peças para famosos colecionadores.
Culinária
Santa Catarina é o reflexo de todos os povos colonizadores que de uma forma harmoniosa formam a cultura desse estado. Por isso, podemos dizer que a gastronomia do catarinense é rica em frutos do mar (influência portuguesa), tais como peixes, camarões e mariscos que podem variar no seu modo de preparo e de acordo com a espécie. Podemos destacar como alguns pratos mais comuns: peixe ensopado (com sal e ervas de cheiro) servido com pirão e farinha de mandioca, peixe frito (servido em pedaços e envolto em farinha de mandioca ou de trigo antes de fritar), peixe assado, grelhado na brasa e/ou na folha de bananeira, caldo de camarão, camarão à milanesa, ovas de tainha etc. Além disso, há o bolo de mel, geleia de morango, torta de ricota, kutiá e vereniqué (pastel cozido).
Entidades culturais
Têm sede em Santa Catarina diversas instituições culturais. Entre elas, o Instituto Geográfico e Histórico de Santa Catarina, a Academia Catarinense de Letras e o Círculo de Arte Moderna. As mais importantes bibliotecas são a Biblioteca Pública do Estado, a Biblioteca Pública Municipal do Estreito e as das várias escolas da Universidade Federal, em Florianópolis; a Biblioteca Pública Municipal Dr. Fritz Müller, em Blumenau; a Biblioteca Pública Municipal, em Joinville, e a Biblioteca da Fundação Camargo Branco, em Lajes. Há ainda o Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), o Teatro Governador Pedro Ivo e o complexo cultural do Centro Integrado de Cultura (CIC).
Museus
Os mais importantes museus de Santa Catarina são: em Florianópolis, o Museu Histórico (instalado na Casa de Santa Catarina, com armas, uniformes e objetos pertencentes à Companhia Barriga-Verde), a Casa de Vítor Meireles, o Museu de Arte Moderna, o Museu do Índio, o Museu do Instituto Geográfico e Histórico e o Museu do Homem do Sambaqui; em Blumenau, o Museu de História Natural Dr. Fritz Müller; em Brusque, o Museu Arquidiocesano D. Joaquim; em Joinville, o Museu Municipal (de imigração, colonização e arqueologia); em Lajes, o Museu Histórico Pedagógico; em Biguaçu, o Museu Etnográfico Casa dos Açores; em Rancho Queimado, o Museu Casa de Campo Governador Hercílio Luz; e, São Francisco do Sul, o Museu Nacional do Mar. Muitas destas instituições estão sob o comando da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Monumentos e arquitetura
Ao colonizarem a atual Florianópolis, os açorianos construíram um sistema de fortalezas que hoje tem imenso valor histórico. Na ilha de Anhatomirim está uma dessas fortalezas, o forte de Santa Cruz, que, construído em 1744, foi recuperado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan). Das ruínas do forte de São José da Ponta Grossa (1740), na praia do Forte, tem-se uma das mais belas vistas da região.
Outros importantes monumentos são o Mercado Público e o prédio da Alfândega, construções do final do século 19, e a ponte Hercílio Luz (1926), uma das maiores pontes pênseis do mundo, em Florianópolis; e o palácio dos Príncipes (1870), em Joinville. As ruínas e construções da Ilha de São Francisco do Sul e da cidade de Laguna são tombadas pelo patrimônio histórico.
Além disso, no litoral, existe a forte presença de casarões portugueses, e, no Vale do Itajaí e no norte do estado, há também a arquitetura estilo enxaimel (caibros cruzados de maneira a sustentar o barro que dá forma às paredes). A cidade de Treze Tílias, por sua vez, foi fundada por imigrantes austríacos da região do Tirol e tem a aparência de uma vila dos Alpes.
Festejos religiosos e folclore
Entre as festas religiosas catarinenses tradicionais destacam-se: a procissão do Senhor Jesus dos Passos, a festa de São Sebastião, a festa do Divino Espírito Santo (festa móvel, com três dias de duração) e a procissão de Santa Catarina (padroeira do estado).
Das festas folclóricas, as mais importantes são realizadas no mês de outubro. É o Circuito das Festas de Outubro, que acontece em várias cidades: em Blumenau, a Oktoberfest, festa tradicional alemã, com distribuição de chope, músicas típicas e grupos folclóricos; em Joinville, a Fenachopp; em Rio do Sul, a Kegelfest, onde a atração, além da cerveja, é o bolão, jogo semelhante ao boliche e à bocha; em Treze Tílias, a Tirolerfest, que comemora o aniversário da imigração austríaca; em Jaraguá do Sul, a Schützenfest, mistura de competição de tiro com festival de comida e cerveja; em Brusque, a Fenarreco, a Festa Nacional do Marreco; em Pomerode, a Festa no Zoológico; em Itapema, o Festival do Camarão; e, em Itajaí, a Marejada, festa com comida típica portuguesa. Além destas, há ainda o Festival de Dança de Joinville; a Festa do Pinhão, em Lages; e a festa do Divino Espírito Santo, de tradição açoriana, que acontece principalmente no litoral e na Ilha de Santa Catarina.
Outras festas folclóricas importantes no estado são o terno de reis, em janeiro; o boi de mamão, em janeiro e fevereiro, uma espécie de pantomima em que predomina a figura de um boi de papelão ou madeira, seguida de pessoas fantasiadas, dançarinos e cantores; e a farra do boi, na semana santa. Dos pratos típicos catarinenses, os mais conhecidos são a bijajica (bolinho feito de polvilho, ovos e açúcar, frito em banha) e o Ente mit Rotkohl (marreco com repolho roxo), especialidade da região de Brusque.
Turismo
Com opções diversificadas, Santa Catarina é uma ótima opção para o turismo, o que faz com que esta atividade corresponda a mais do que 10% do PIB do estado. Os turistas vêm, sobretudo, de São Paulo e dos países do Prata. O principal foco de atração dos visitantes são as belas praias da Ilha de Santa Catarina, bem como os balneários de Laguna, Camboriú, Porto Belo e Itajaí. A capital Florianópolis é um dos principais destinos, com opções de praias muito frequentadas e também mais desertas. Também é fator de atração a zona de colonização alemã, com centro em Blumenau, mas estendendo-se, nos arredores, a Pomerode e Timbó e incluindo, mais para o norte, Joinville. Os municípios da região estimulam a construção das tradicionais casas de enxaimel. O Vale Europeu e o Caminho dos Príncipes são roteiros que remetem aos primeiros imigrantes de Santa Catarina e suas tradições. Além disso, o estado é rico em rios e montanhas que proporcionam o ecoturismo, além de ser a sede do Beto Carreiro World, o maior parque temático da América Latina.

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