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EV
Reino Unido
United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland
 Forma de governomonarquia constitucional
 Superfície244.110 km²
 Localidade62.798.099 habitantes (britânico, a)
 CapitalLondres (312.558 hab.)Londres (City 7.185 hab.; aglomeração urbana 7.298.445 hab.)
 Principais cidades Birmingham (971.800 hab.)
Glasgow (577.869 hab.)
Sheffield (528.000 hab.)
Liverpool (461.900 hab.)
Edinburgh (460.000 hab.)
 
Mais dados
Estado insular do NO da Europa, que compreende a Escócia, o País de Gales, a Inglaterra, o NO da Irlanda e várias ilhas, entre as quais Orcades, Shetland e Hébridas, nas costas escocesas, Wight, no canal da Mancha, Anglesey, junto à costa galesa, Scilly, em frente ao cabo Land's End. É limitado ao N e ao O pelo oceano Atlântico, ao E pelo mar do Norte e ao S pelo canal da Mancha. Com uma superfície de 244.110 km² e uma população de 62.798.099 habitantes, o país divide-se nas regiões histórico-geográficas da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, subdivididas em unidades administrativas de diversas categorias. Capital: Londres. Língua oficial: inglês. A religião mais difundida éanglicana.
GeografiaMeio físicoA formação do território é bastante antiga. A orogênese caledônica formou os montes Câmbricos (País de Gales), os maciços da Irlanda do Norte e as elevações das Highlands (Escócia), cuja principal cordilheira são os montes Grampianos. A orogênese hercínia (Paleozoico Superior) deu lugar às montanhas do Centro (Peninos) e do SO (colinas da Cornualha). As regiões depressionárias (bacia de Londres) foram colmatadas por sedimentos marinhos no Mesozoico e arenitos no Cenozoico. A estrutura geológica tem um claro reflexo na paisagem, montanhosa no Reino Unido paleozoico (Highland Britain) e plana nas zonas mesozoicas e cenozoicas (Lowland Britain). A costa, em geral alta e rochosa, tem um perfil muito recortado. Das três grandes regiões, a mais extensa é a Inglaterra, separada da península de Gales pelos vales de Dee e Severn e da Escócia por um estreitamento, muito marcado, ao O, pelo Solway Firth. A Irlanda do Norte é formada pela extensa bacia do Lough Neagh, rodeada por maciços separados por amplos vales fluviais.Os rios apresentam descargas fluviais abundantes e regulares e deságuam formando amplos e profundos estuários com cidades portuárias (Londres, na foz do Tâmisa; Glasgow, na do Clyde; Liverpool, na do Mersey; Bristol, na do Severn; e Kingston upon Hull, na do Humber). Na Escócia, são típicos os lochs, lagos geralmente estreitos, compridos e, por vezes, profundamente encaixados.Clima oceânico, temperado e chuvoso cuja temperatura varia de O ao E, sobretudo no inverno (3,5 °C na região de Londres e 6,5 °C na Cornualha). Na Inglaterra, é registrado menos de 700 mm de precipitação anual, e nas Highlands, atinge-se os 5.000 mm anuais. A vegetação de prado alterna com bosques de caducifólios (carvalhos), na Inglaterra. Nas terras mais ao N e nas regiões montanhosas, crescem bosques de coníferas, urzes e pastos, e a tundra no extremo N, nas ilhas Shetland e Orcades.População e povoamentoDurante o séc. XX, a população passou de 38.000.000 para quase 59.000.000.A distribuição da população mostra diferenças entre as regiões rurais do N da Escócia e as áreas mais ativas e urbanizadas da Inglaterra. A alta porcentagem de população urbana deve-se à existência de grandes conurbações, ligadas a uma ou mais cidades importantes. A maior é a de Londres, que compreende todo um conjunto de cidades-satélites, sendo a terceira metrópole da Europa. Seguem-se-lhe as de West Midlands, cujo centro é Birmingham, South East Lancashire, ligado a Manchester, West Yorkshire, com as cidades de Leeds e Bradford, Merseyside, com núcleo em Liverpool, e Tyneside, ligado a Newcastle upon Tyne. Na Escócia, encontra-se a conurbação de Clydeside, em volta de Glasgow, e na Irlanda do Norte, a de Belfast.Estrutura econômicaA reconversão do aparelho produtivo foi possível graças, em grande parte, aos recursos petrolíferos, ao crescimento de setores industriais com tecnologia avançada (eletrônica, aeronáutica, mecânica de precisão, farmacêutica) e ao forte impulso do setor terciário (em especial, do setor financeiro).
Reino Unido Mapa econômico
• Agricultura, pecuária e pesca Cereais: cevada, trigo (Inglaterra) e aveia (Irlanda do Norte); batata e beterraba (no E da Inglaterra e na Irlanda do Norte); lúpulo e linho.Pecuária (bovinos, ovinos e suínos). Criação de aves. Pesca (nas águas da Groenlândia e do mar de Barents). Principais portos de pesca: Aberdeen, Kingston upon Hull, Grimsby e Fleetwood.• Mineração e indústria Petróleo (entre os dez maiores produtores) e gás natural (quinto produtor mundial). Importantes reservas de carvão (bacia de Yorkshire-Nottinghamshire-Derbyshire).Produção de eletricidade (terceira maior da Europa, depois da Alemanha e da França). Indústria siderúrgica (NO da Inglaterra, S de Gales e Lowlands escocesas), metalúrgica (produção de alumínio, estanho, zinco, magnésio, cobre e chumbo), petroquímica, química (ácido sulfúrico e nítrico em Newcastle, amoníaco em Glasgow e Birmingham, fertilizantes em Aberdeen, corantes em Lancashire e Yorkshire), farmacêutica, mecânica (setor automóvel e aeronáutico), têxtil (algodão em Lancashire, lã em Yorkshire, fibras artificiais e sintéticas), de couro e de calçado (Leicester e Norwich), de bebidas (cervejeira, sexto maior do Mundo por volume de produção; whisky e gin), de cerâmica (Stoke-on-Trent).• Infraestruturas de comunicação e balança comercial Densa rede ferroviária, de estradas e vias fluviais, cujo centro principal é Londres. Outros pontos importantes na rede britânica são as grandes áreas portuárias e alguns centros industriais do interior, como Birmingham. O tráfego aéreo, muito intenso, conta com os aeroportos de Heathrow e Gatwick, em Londres, e os de Glasgow (Abbotsinch), Manchester (Ringway), Luton, Edinburgh (Turnhouse), Birmingham e, na Irlanda do Norte, Belfast (Aldergrove).Os intercâmbios comerciais realizam-se, principalmente, com os EUA, a Alemanha e a França. Exporta, principalmente, maquinaria de vários tipos, meios de transporte, produtos petrolíferos e químicos, têxteis, ferro, bebidas e tabaco. Importa maquinaria de alta tecnologia, meios de transporte, produtos manufaturados diversos, alimentícios, petróleo, ferro e aço. A balança comercial é deficitária.
HistóriaDa Pré-História à invasão romanaOs primeiros habitantes foram caçadores paleolíticos. No fim da última era glacial, entre 4000 e 3000 a.C., fixaram-se na ilha grupos de agricultores continentais, que desenvolveram as culturas de barro. Nesta fase, construíram-se na zona extensas áreas megalíticas, de que a jazida de Stonehenge é exemplo. Graças à abundância de minério, o arquipélago multiplicou as suas relações comerciais e culturais com o continente europeu e com a área mediterrânica durante a Idade do Bronze inicial (2500-1500 a.C.). No I milênio a.C., o arquipélago foi invadido por povos celtas vindos do continente, que empurraram os pictos, povos originais, para o interior da Escócia. Os celtas da Britânia constituíram centros de civilização principais: um ao E e ao N (com túmulos) e outro ao SO (com povoados lacustres sobre estacas). Viviam da agricultura e da pecuária e mantinham um comércio próspero com os celtas da Gália, exportando ferro, estanho, trigo, cevada e lã. Em 75 a.C., estabeleceu-se na ilha um desenvolvido grupo de imigrantes celtas, formado por belgas. Nesta época, algumas tribos belgas constituíram pequenos reinos, que rivalizavam entre si. Falavam línguas celtas, afins às dos grupos que habitavam a Gália, e a sua classe dirigente era constituída por sacerdotes (druidas).
Reino Unido Muro de Adriano, séc. II, em Northumberland
O domínio romanoCiente das riquezas mineiras e da desunião política da Grã-Bretanha, em 55 a.C. Júlio César desembarcou na Britânia e submeteu as tribos do S. A conquista efetiva teve início em 43 por iniciativa do imperador Cláudio e acabou durante o reinado de Agrícola (77-84). A romanização da Britânia afetou parte dos territórios do que viria a ser Inglaterra e Gales, tendo sido mais tênue na Escócia, devido à forte resistência dos pictos. A Britânia constituía uma província, governada por um pretor, onde se encontravam três legiões. A partir dos fins do séc. I, a romanização foi intensa nas Midlands e na bacia de Londres e quase nula no NO (Cúmbria), no País de Gales e na Cornualha, onde se mantiveram as línguas celtas, que perdurariam após as invasões anglo-saxônicas. Nas áreas romanizadas, construíram-se várias cidades e villae, que comercializavam a produção agrícola; Londres e Bath foram as cidades mais importantes. Em princípios do séc. II, o imperador Adriano mandou construir uma muralha defensiva ao N da Inglaterra, reforçada ca. 140, durante o reinado de Antonino Pio, por uma segunda muralha (muro de Adriano). A Britânia era uma província governada por um propretor, onde se encontravam acantonadas três legiões. No séc. III, deram-se novas invasões dos pictos, enquanto a costa ocidental era saqueada por piratas escotos (povo que ocupava o N da Irlanda); várias cidades desapareceram em consequência de revoltas contra a autoridade imperial (288-296). Desmembrado o Império Romano (407), as legiões romanas abandonaram a zona. As fortificações construídas durante o Império Romano foram declaradas Patrimônio da Humanidade em 2005.Das invasões bárbaras à Guerra das Duas RosasApós a retirada de Roma ocorreram invasões (449) de saxões, anglos e jutos, vindos da Alemanha e Dinamarca, que constituíram na Inglaterra sete reinos, conhecidos como a Heptarquia: saxões (Wessex, Essex e Sussex), anglos (East Anglia, Nortúmbria e Mércia) e jutos (Kent). Os celtas bretões mostraram uma grande resistência, mas acabaram se submetendo aos invasores anglo-saxões. No séc. VI, a Escócia foi colonizada pelos escotos, no O, e pelos anglos, no SO; os pictos ficaram reduzidos ao extremo N do país, enquanto os bretões ocupavam o SO. Em fins do séc. VIII, deram-se as invasões de povos escandinavos (os normandos). No séc. IX, Egberto de Wessex (827-839) conseguiu unificar os sete reinos anglo-saxônicos sob a sua coroa, dando início à dinastia dos saxões, a primeira da história da Inglaterra. A Escócia conheceu, também, um processo de unificação progressiva, a partir de 844. A união política da Inglaterra não durou muito, devido à invasão dos dinamarqueses que, em 870, dividiu o país em duas partes, uma ao E do rio Lee, dominada pelos invasores, e outra ao O, sob o domínio do rei saxão Alfredo o Grande (871-899). De 1016 a 1042, a Inglaterra contou com duas dinastias: a saxônica e a dinamarquesa; esta última dominava a maior parte do território. No início do séc. XI, a dinastia dos escotos unificou a Escócia, um estado que diferia da vizinha Inglaterra pela língua celta, pela estrutura tribal e pela organização eclesiástica. Na Inglaterra, a luta entre saxões e dinamarqueses prolongou-se até 1042, quando Eduardo o Confessor (1042-1066) impôs o domínio saxão. Após a sua morte, ocorreu a invasão dos normandos da França, que, a mando do duque Guilherme o Conquistador, se apoderaram da Inglaterra (1066). A dinastia normanda foi decisiva para a configuração da personalidade inglesa, pois os normandos, embora de origem escandinava, estavam totalmente afrancesados e difundiram a língua francesa, que, misturada com a anglo-saxônica, deu origem ao inglês. Com Henrique II (1154-1189), fundador da dinastia Plantageneta (1154-1399), começou a consolidação do poder real e iniciou-se a conquista da Irlanda (1172). Ao casar-se com Leonor de Aquitânia (1152) ampliou os seus domínios no SO da França; deu-se uma situação paradoxal em que o rei da Inglaterra era vassalo do rei da França mais poderoso do que ele. Este fato foi a causa do conflito durante os sécs. XIII e XIV. No interior do país, os monarcas e senhores feudais entraram em confronto pelo controle do Estado. Os reis tiveram como aliados os comerciantes e artesãos das cidades, que aproveitaram a debilidade de alguns monarcas para usurpar parte do poder político. Após a derrota na Batalha de Bouvines frente aos franceses (1214), o rei inglês João Sem Terra (1199-1216) concedeu, em 1215, a Carta Magna, que limitava o poder real e deu origem ao Parlamento. Este, a partir de 1265, configurou-se em Câmara dos Lordes (controlada pela nobreza e alto clero) e Câmara dos Comuns (com representantes do terceiro estado). O conflito entre os reis ingleses e a Coroa francesa rebentou com toda a violência durante o reinado de Eduardo III (1327-1377), que, em 1337, aspirou à Coroa da França, uma vez extinta a linha direta dos Capetos. Iniciou-se, assim, a Guerra dos Cem Anos, que duraria até 1453. A derrota na França teve repercussões na Inglaterra, já que abriu espaço às reivindicações da linha secundária dos Plantageneta, os York. Estas reivindicações deram origem à Guerra das Duas Rosas entre os partidários do último monarca Plantageneta, Henrique VI (1422-1461), e os do duque de York. A Dinastia de York iniciada com Eduardo IV (1461-1483) apenas durou os anos do seu reinado porque o seu irmão e sucessor, Ricardo III, foi derrotado e morto na Batalha de Bosworth (1485) por Henrique VII de Tudor (1485-1509), parente dos Lancaster e, posteriormente, casado com a herdeira da Dinastia York.A Dinastia Tudor (1485-1603)Henrique VII fundou a Dinastia Tudor, na qual a Inglaterra conheceu uma grande prosperidade econômica, convertendo-se no Estado europeu politicamente mais unificado. Apesar dos conflitos dinásticos e dos confrontos religiosos do séc. XVI, a estreita aliança entre a monarquia e a burguesia conferiu ao país uma grande estabilidade política, o que, por sua vez, favoreceu um crescimento econômico contínuo. O poder monárquico consolidou-se no reinado de Henrique VIII (1509-1547), perdendo a Igreja a sua tradicional influência política. O fato de Roma ter recusado ao monarca a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão foi o pretexto para que, em 1531, o Parlamento votasse a submissão da Igreja católica da Inglaterra à autoridade do rei e não à do papa. Henrique VIII, em 1533, rompeu completamente com o papado. A Inglaterra colocou-se, assim, no campo protestante, embora a nova Igreja anglicana se assemelhasse mais à Igreja católica do que às luteranas ( anglicanismo). As influências calvinistas infiltraram-se no país na época de Eduardo VI (1547-1553). Após a repressão de anglicanos e calvinistas pela rainha católica Maria I (1553-1558), no reinado de Elizabeth I (1558-1603) sancionou-se a Act of Supremacy, que reafirmou o monarca inglês como chefe supremo da Igreja na Inglaterra. A política exterior dos Tudor debateu-se entre assegurar o equilíbrio no continente e o confronto com as potências católicas, em especial com a monarquia espanhola. No reinado de Elizabeth I, iniciou-se a colonização da costa atlântica da América do Norte (1585), formando-se as bases do futuro Império Britânico.
Reino Unido Fronteira da Inglaterra no séc. XVII
A Dinastia Stuart (1603-1714)Em 1603, subiu ao trono o inglês Jaime I, que já era rei da Escócia (Jaime VI). Na Dinastia dos Stuart, os reinos constituíram uma união meramente pessoal ou dinástica. Eram estados diferentes que partilhavam o mesmo rei. Contudo, a união dinástica implicaria uma maior relação entre ambos os países, o que levou, em 1707, à sua fusão em um único estado. Os Stuart, estrangeiros e católicos, dispostos a aumentar as prerrogativas reais, chocaram, desde logo, com o poder da Câmara dos Comuns, cujos deputados (grandes comerciantes e proprietários urbanos) tinham conseguido um certo poder na dinastia Tudor. A partir de 1610, fomentou-se a emigração de colonos protestantes para a Irlanda. A apropriação das melhores terras pelos senhores e colonos ingleses, em detrimento dos camponeses irlandeses, que tinham um estatuto legal inferior no próprio país, criou um conflito muito complexo, ainda hoje não resolvido. O confronto entre a Coroa e a burguesia reacendeu-se no reinado de Carlos I (1625-1649). Este recusou as reivindicações dos Comuns, a Petição de Direitos (Petition of Rights, 1628), e governou sem o Parlamento. Além disso, Carlos I tentou realizar a unificação religiosa dos seus reinos, provocando a revolta da Escócia (1639 e 1642) e a guerra civil na Inglaterra. Em 1648, deu-se a primeira revolução inglesa, na qual o exército puritano, partidário da República e de um sistema democrático, derrotou o exército real. Em 1649, o monarca foi decapitado e foi proclamada a República. Esta foi de curta duração (1649-1660), marcada pela figura de Oliver Cromwell, que aboliu a Câmara dos Lordes e dirigiu duas campanhas militares vitoriosas contra a Irlanda e a Escócia. Cromwell fomentou a expansão colonial e comercial, arrebatou a Jamaica e Dunkerque aos espanhóis, promulgou a Ata de Navegação (Navigation Act, 1651), que reservou o comércio do país para os armadores ingleses. A marinha mercante inglesa conheceu, desde aí, um crescimento imparável. A morte de Cromwell (1658) provocou o caos no lado republicano, permitindo a volta da dinastia Stuart. O novo rei, Carlos II (1660-1685), restabeleceu a Igreja anglicana e retirou os cargos de direção dos puritanos e católicos, tendo sido estes últimos excluídos pelo Parlamento (1663). Foi promulgado o Habeas Corpus Act (1679), que garantia a liberdade individual, contrariamente às detenções arbitrárias ordenadas, até então, pelos reis. No entanto, o conflito entre os monarcas e a burguesia voltou a rebentar, em 1688, quando Jaime II (1685-1688), que nos seus três anos de reinado tinha claramente favorecido os católicos, teve um herdeiro varão. A perspectiva de um país protestante governado por uma dinastia católica desencadeou uma nova revolução e o rei abandonou o país. O seu sucessor foi a sua filha primogênita, Maria II (1689-1694), que era protestante, e seu marido, o holandês Guilherme de Nassau (Guilherme III, 1689-1702). A revolta da Irlanda contra os novos soberanos foi reprimida de forma implacável. Com a morte de Guilherme III, a sua sobrinha, Ana Stuart (1702-1714), subiu ao Poder. O seu reinado foi favorável, tanto na política exterior como na interior, sendo realizada a união política do país. Em 1707, a Ata de União transformou a Inglaterra e a Escócia em um único Estado, chamado Reino Unido da Grã-Bretanha. Durante a Guerra de Sucessão da Espanha, na qual a Grã-Bretanha se aliou com o Império Austríaco contra a Espanha e a França, a frota britânica ocupou Gibraltar (1704) e Minorca (1708), que conservou pelo tratado de paz de Utrecht (1713). Na América obteve a Terra Nova, a Acádia e a baía de Hudson, convertendo-se, assim, na primeira potência marítima mundial. Como a rainha Ana não tinha descendentes, a Act of Settlement de 1701 atribuiu a sucessão da Coroa à casa alemã de Hannover, formada por descendentes de Jaime I.A expansão colonial e a Revolução IndustrialEm 1714, após a morte de Ana Stuart, subiu ao trono Jorge I de Hannover. Nos reinados de Jorge I (1714-1727) e Jorge II (1727-1760), o Poder esteve nas mãos do partido whig, especialmente nas de sir Walpole (1721-1741). Este favoreceu a expansão colonial do país, convertendo-a no eixo da política exterior britânica. Em 1739, foram reavivadas as hostilidades com a Espanha, por motivos coloniais, e também com a França, devido à sucessão nos domínios dos Habsburgo. Pelo tratado de Paris (1763), que pôs fim à Guerra dos Sete Anos, a Grã-Bretanha, governada por William Pitt, obteve o Canadá, a Louisiana Oriental, a Flórida e as possessões francesas na Índia. O império colonial francês desmoronava-se, enquanto o inglês se estendia por três continentes: América, África e Ásia. A revolta e a independência das Treze Colônias da América do Norte do Atlântico, convertidas em Estados Unidos da América (1776), fez parar a expansão colonial neste continente, embora a Grã-Bretanha tivesse mantido a sua soberania sobre o Canadá (Guerra da Independência dos Estados Unidos). Durante o reinado de Jorge III (1760-1820), o país, governado alternadamente por whigs e tories, conheceu um conjunto de rápidas e profundas transformações (na agricultura, na indústria, nos transportes, nas finanças, etc.), a que os historiadores chamaram Revolução Industrial. A base deste processo foram as transformações ocorridas na agricultura, que, até então, tinha sido o suporte da economia. As leis aprovadas pelo Parlamento suprimiram as terras comunais e permitiram aos proprietários fechar os seus campos e decidir o que produzir. A introdução do capitalismo no campo provocou uma transferência da propriedade dos pequenos agricultores independentes para os grandes e médios proprietários, que trabalhavam as suas terras com arrendatários e trabalhadores. Ao mesmo tempo, a Revolução Industrial com descobertas técnicas e químicas, juntamente com a utilização do vapor, permitiu a criação da indústria têxtil. Com os artigos de sua indústria e a venda dos produtos coloniais exportados para a Europa, o país passou a dominar o mercado europeu e, posteriormente, o mercado das colônias, tanto as britânicas como as de outros países. A prosperidade econômica provocou um crescimento acentuado da população, proporcionando mão de obra barata às fábricas e colonos aos territórios do Império.
Reino Unido Jorge III, ca. 1800, por William Beechey (Galeria Nacional de Retratos, Londres)
No fim do séc. XVIII, o crescimento econômico foi interrompido pelas guerras que se seguiram à Revolução Francesa de 1789. A partir de 1793, o país suportou todas as coligações que se insurgiram contra a República e o Império Francês. Após o bloqueio contra o Reino Unido, decretado por Napoleão em 1806, os britânicos lançaram um bloqueio à França, que ficou desprovida de produtos coloniais. O Congresso de Viena (1814-1815) pôs fim a 21 anos de guerra com a França e consagrou o triunfo político britânico. A partir de então, a situação econômica do país foi-se deteriorando porque, durante o conflito, outros países tinham realizado a sua própria industrialização. Na Irlanda, continuava a discriminação que, desde 1699, afetava a população católica. De 1778 a 1793, foram feitas concessões aos católicos, sem lhes ter sido, no entanto, concedido o direito a participar das eleições. Após haver reprimido a insurreição de 1798, o Governo britânico aboliu o Parlamento irlandês (1800). Em 1 de janeiro de 1801, o Estado britânico passou a denominar-se, oficialmente, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Após longas lutas eleitorais, em 1829, Jorge IV (1820-1830) aceitou o Catholic Relief Bill votado pelo Parlamento, através do qual os católicos obtinham o direito a qualquer cargo, excetuando o de regente, lorde, chanceler ou vice-rei da Irlanda. Em 1835, no reinado de Guilherme IV (1830-1837), foi estabelecido definitivamente o Governo parlamentar, que não podia manter-se sem o apoio da maioria dos Comuns, embora contasse com a confiança do rei e dos lordes. A ampliação progressiva do direito de voto, ao longo do séc. XIX, democratizou o Estado britânico. Em 1825, inaugurou-se a primeira ferrovia, iniciando-se, assim, uma segunda etapa da Revolução Industrial britânica, baseada na siderurgia e na metalurgia. Durante a primeira metade do séc. XIX, multiplicaram-se os conflitos sociais devido às condições de vida e de trabalho precárias do proletariado industrial. Após um longo período de proibição total das associações de trabalhadores, estas foram toleradas, a partir de 1825, dando posteriormente origem aos sindicatos, como o Trades Union Congress.A primeira potência mundialEm 1837, subiu ao trono a rainha Vitória. No seu reinado (1837-1901), o Reino Unido consolidou-se como a primeira potência econômica e militar do mundo. A expansão colonial converteria o inglês na língua internacional por excelência. Na primeira fase do seu reinado, foram implementadas várias reformas de tipo liberalizador. De 1846 a 1851, apesar da oposição dos grandes proprietários, foram revogadas as Corn Laws, conjunto de medidas protetoras dos cereais britânicos. Esta revogação teve grande repercussão econômica, social e política, causando discórdias no seio do Partido Conservador, que durante muitos anos permaneceu fora do Governo. A industrialização permitiu ao Reino Unido manter, durante todo o séc. XIX, a sua hegemonia mundial. Na segunda metade do séc. XIX (a chamada "era vitoriana"), o conservadorismo, o protecionismo e o imperialismo substituíram o livre-cambismo e o liberalismo que tinham caracterizado a primeira metade do séc. Neste período, os operários conseguiram a aprovação de importantes reformas sociais: regulamentação do trabalho das mulheres e crianças; legalização dos sindicatos e das greves (1875). No fim do séc., durante o período de maior expansão do imperialismo, o Reino Unido ampliou os seus domínios coloniais. A maior parte dos territórios anexados situavam-se na África ou na rota do Mediterrâneo para a Índia. Eduardo VII (1901-1910) foi o primeiro rei da dinastia de Saxônia-Coburgo-Gotha (casa da Saxônia); em 1917, no reinado de Jorge V (1910-1936), o nome alemão da dinastia seria substituído por Windsor. A descoberta de poços de petróleo no Oriente Próximo fez com que o Reino Unido se fixasse, solidamente, nesta região, controlando o Golfo Pérsico. Em fins do séc. XIX, o novo Império Alemão tornou-se uma grande potência industrial e militar, pondo em perigo a hegemonia britânica. O Reino Unido modificou, por isso, a sua política internacional no início do séc. XX. Aliou-se ao Japão, em 1902, para parar o avanço da Rússia na Ásia; aproximou-se da França (1904) e da própria Rússia (1907) para fazer frente à Alemanha. Em 1914, quando deflagrou a I Guerra Mundial, aliou-se à França e à Rússia contra a Alemanha.Da I Guerra Mundial a 1945 Durante a Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido realizou um considerável esforço militar, que foi bem-sucedido: os tratados de paz de 1919-1920 neutralizaram a ameaça alemã e trouxeram um notável incremento territorial ao Império Britânico. No entanto, o desenlace da I Guerra Mundial implicou o aparecimento de três novas potências econômicas e militares, que, nas décadas seguintes, derrubariam a hegemonia mundial britânica: os EUA, o Japão e a URSS. Além disso, a crescente concorrência dos produtos manufaturados dos EUA e de outros países afetou a situação econômica do país, durante a década de 1920, originando conflitos sociais. Em 1922, após a secessão de grande parte da Irlanda, exceto a Irlanda do Norte, o Estado britânico passou a chamar-se Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (denominação oficial desde 1927). A crise proporcionou ao Partido Trabalhista, de ideologia social-democrata, o acesso ao Poder. Ramsay McDonald foi primeiro-ministro em 1924 e de 1929 a 1935, formando, em 1931, um Gabinete de união nacional para fazer face às consequências da crise econômica internacional de 1929. A alternância de partidos, que de 1846 a 1924 se tinha operado entre os partidos Liberal e Conservador, passaria a dar-se entre o Partido Trabalhista e o Partido Conservador, a partir de 1924. Em 1936, Eduardo VIII subiu ao trono, abdicando, no mesmo ano, a favor do seu irmão Jorge VI (1936-1952). De 1935 a 1945, o Governo esteve nas mãos do Partido Conservador. Os primeiros-ministros Stanley Baldwin (1935-1937) e Neville Chamberlain (1937-1940) adotaram uma política condescendente fem ace da agressiva política de anexações territoriais de Hitler. Porém, em setembro de 1939, quando a Alemanha invadiu a Polônia, o Reino Unido declarou guerra à Alemanha. Iniciava-se, assim, a Segunda Guerra Mundial. O enfraquecimento militar da França (1940), a entrada da Itália no conflito ao lado da Alemanha e a ofensiva japonesa no Pacífico trouxeram graves dificuldades ao Reino Unido. O povo britânico, dirigido, desde 1940, pelo primeiro-ministro conservador Winston Churchill, foi alvo de ataques e bombardeamentos alemães. No entanto, a política de rearmamento anterior à guerra, assim como a ajuda recebida dos EUA, permitiram o Reino Unido realizar uma contra-ofensiva que parou o ataque alemão, tanto na frente europeia como na do Norte da África.
Reino Unido J. Stalin, F.D. Roosevelt e W.L.S. Churchill (da esquerda para a direita), 1943, conferência de Teerã
De 1945 a 1997: a criação do estado de bem-estar e a reação conservadoraEm 1945, o Reino Unido tinha alcançado a vitória, embora tivesse perdido a posição de superpotência mundial. Após a divisão da Europa, o país integrou o bloco ocidental, sob a liderança dos EUA, e participou da política da contenção do bloco comunista, dirigido pela URSS. Em 1949, o Reino Unido foi um dos países fundadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Em face das reivindicações de independência por parte das colônias, o Reino Unido acabou por adotar uma política flexível, aceitando o fim da relação colonial e tentando manter os laços econômicos e culturais com as ex-colônias. No que diz respeito à política interna, o Poder esteve, alternadamente, nas mãos do Partido Conservador e do Partido Trabalhista. De 1945 a 1951, governaram os Trabalhistas, com Clement Attlee como primeiro-ministro, realizando a nacionalização de empresas e serviços, como o Banco da Inglaterra (1946), as minas de carvão (1946), a aviação civil (1946), entre outros. A assistência sanitária gratuita e a criação da segurança social (1948) terminaram a construção do estado de bem-estar que tinha sido iniciado pelos trabalhistas, em 1924. Elizabeth II subiu ao trono em 1952. A partir de 1951 até 1964 sucederam-se quatro primeiros-ministros conservadores: Winston Churchill (1951-1955), Sir Anthony Eden (1955-1957), Harold Macmillan (1957-1963) e A.F. Douglas-Home (1963-1964). Desde o fim da década de 1950, coincidindo com a perda do Império, deu-se um processo de decadência econômica que culminou na desvalorização da libra esterlina, na inflação acentuada e no aumento do desemprego. A partir da década de 1960, à crise econômica juntou-se o problema de Ulster, onde o IRA e outros grupos partidários da anexação do território à Irlanda, realizaram práticas terroristas. Após a adesão à CEE (futura União Europeia), em 1973, os trabalhistas ascenderam ao Governo. As consequências negativas da crise econômica internacional de 1973 desgastaram o Partido Trabalhista. As eleições de 1979 deram a vitória ao Partido Conservador. A primeira-ministra Margaret Thatcher, líder do partido desde 1975, adotou uma política neoliberal (diminuição da despesa pública, grandes cortes nos benefícios sociais, reconversão do setor mineiro, redução do poder dos sindicatos e incentivo à iniciativa privada). Em 1985, abriram-se perspectivas de solução do conflito irlandês, com o acordo entre Londres e Dublin. Os conflitos no seio da organização sobre o Mercado Único Europeu levaram à demissão de Margaret Thatcher como chefe do partido e do Governo (1990). Foi nomeado primeiro-ministro o novo presidente do partido, John Major, que, após a vitória eleitoral de 1992, enfrentou uma grave crise monetária e um aumento dos atos terroristas do IRA. Durante o mandato de Major, o declíneo do Partido Conservador foi inevitável, devido a questões internas do partido, às crescentes desigualdades sociais e à chamada "crise das vacas loucas", doença que levou ao embargo por parte da UE da carne britânica. Por outro lado, este declíneo também se ficou a dever a mudanças operadas no Partido Trabalhista, cujo dirigente passou a ser Tony Blair, a partir das eleições de 1994. Com efeito, Blair encarnou o que ficou conhecido como o Novo Trabalhismo, uma combinação de políticas sociais com medidas liberalizadoras, cujo objetivo era recuperar o voto das classes médias.A hegemonia trabalhista desde 1997Após 18 anos de Governo conservador, em 1997, o Governo passou para os trabalhistas. Tony Blair teve como prioridades os aspectos sociais, especialmente a educação, e a questão da Irlanda do Norte. Em 1997, o IRA anunciou uma trégua indefinida, e, em 1998, o Governo de Blair assinou com os partidos da Irlanda do Norte e com a República da Irlanda os Acordos de Paz de Stormont. A política externa britânica foi muito marcada pela questão europeia. Embora Blair tenha modificado a política anticomunitária dos anteriores Governos conservadores, opôs-se à criação de uma Europa federal e de um sistema europeu de segurança e defesa, por considerar que este último iria prejudicar a tradicional aliança do Reino Unido com os EUA. Em 1999, embora o Reino Unido tivesse cumprido os critérios de convergência, perante a relutância da maioria do povo britânico em abandonar a libra, Blair decidiu que o país ficaria fora da "zona euro". Em 1999, o Governo britânico foi o partidário mais ativo do ataque militar da OTAN à Iugoslávia (Guerra da Iugoslávia). No mesmo ano, foi aprovada a reforma da lei eleitoral da Câmara dos Lordes, que estabeleceu a renovação da Câmara por sufrágio universal, e realizaram-se as primeiras eleições das assembleias autônomas da Escócia e de Gales. Em 2001, o Partido Trabalhista obteve a sua segunda maioria absoluta consecutiva. Após os atentados terroristas contra os EUA (11 de setembro de 2001), o Reino Unido mostrou-se o mais firme aliado dos EUA. Em 2002, o Governo de Blair enviou tropas para o Afeganistão, que colaboraram com a ocupação militar deste país pelos EUA. A participação do Reino Unido foi mais numerosa na Guerra do Iraque (2003). Nas eleições gerais de maio de 2005, a candidatura laborista encabeçada por Blair obteve a vitória com 36 % dos votos. A 7 de julho, um atentado terrorista ocorrido na linha de metrô e ônibus de Londres e reivindicado por Al-Qaeda causou a morte a 56 pessoas e várias centenas de feridos. Ao final do mesmo mês, o IRA anunciou o abandono da luta armada. Em junho de 2007, Tony Blair afastou-se da política, renunciando ao cargo de primeiro-ministro e líder do Partido Trabalhista, sendo sucedido pelo seu ministro das Finanças, Gordon Brown.
Reino Unido Elizabeth II
ArteÉpocas pré-romana e romanaAs mais antigas manifestações conservadas correspondem aos cromeleques de Avebury e Stonehenge, enquanto as realizações já consideradas arquitetura se situam na Irlanda (recintos célticos em pedra seca dos condados de Kerry, Galway e Donegal e oratórios de Gallarus e Saint Finan). Da ocupação romana (43-410), destacam-se os templos de planta quadrada de Bath e Colchester e algumas casas de tijolo. Da arquitetura paleocristã, salienta-se a Basílica de Silchester (séc. IV).Época medievalSão escassos os vestígios da arquitetura anglo-saxônica (Brixworth, séc. VII, Bradford-on-Avon, finais do séc. VII). Nos sécs. X e XI, a arquitetura recebeu a influência carolíngia alemã. A escultura pré-românica mais significativa são as cruzes de pedra decoradas em relevo (sécs. VII-IX). A arquitetura atingiu o seu auge depois da conquista normanda, tendo o românico alcançado a sua maturidade no séc. XI. Rapidamente se criou um estilo gótico nacional, pertencendo à primeira fase desse estilo artístico (early gothic) o coro de Worcester (1224) ou a Catedral de Lincoln (1192). Seguiu-se o exuberante gótico pleno (decorated style), patente em obras como o coro da Catedral de Bristol (1298) e a fachada da Catedral de Exeter. Ao mesmo tempo, desenvolveu-se o gótico perpendicular (Westminster, Capela de Henrique VII, 1503-1519; Cambridge, Capela de King's College, 1446-1515; Castelo de Windsor, Capela de São Jorge, 1481). As escolas monásticas da miniatura (Saint Albans; Westminster) alcançaram o seu máximo esplendor nos sécs. XI e XII.Do séc. XVI ao séc. XIXO gótico tardio dominou até meados do séc. XVI. O alemão H. Holbein iniciou o retrato cortesão renascentista e, na segunda década do séc. XVII, I. Jones criou uma rigorosa linguagem palladiana (Queen's House, 1616-1635), que atingiu o seu apogeu com J. Webb e R. Pratt, durante o reinado de Carlos I (1625-1649). O barroco foi dominado por sir C. Wren e seus discípulos Vanbrugh e Hawksmoor, tendo Wren projetado a Nova Catedral de São Paulo (1675-1710), assim como os principais edifícios reais. Por volta de 1720, produziu-se uma reação classicista contra o barroco, realizada por lord Burlington, C. Campbell e W. Kent. Os Wood (pai e filho) aplicaram o estilo palladiano a conjuntos urbanos, tendo esta tradição culminado em 1820 com J. Nash.Até os inícios do séc. XVIII, ainda não se tinha definido uma escola pictórica originalmente britânica. W. Hogarth introduziu na pintura conteúdos de sátira política e social. O gênero do retrato alcançou o seu auge na segunda metade do séc. XVIII, tendo o paisagismo sido, também, notável. J. Constable e R.P. Bonington prepararam a evolução para o realismo. A um romantismo excêntrico pertencem as obras de H. Füssli e W. Blake. O movimento pré-rafaelista surgiu em 1848 (D.G. Rossetti, W.H. Hunt e J.E. Millais).Época contemporâneaO nascimento da arquitetura contemporânea foi influenciado por Arts and Crafts, que propunha a recuperação da tradição artesanal, criticando a produção industrial. Outro fator decisivo foi, a partir do séc. XVIII, o nascimento de uma importante corrente de engenheria em ferro, antecessora do racionalismo (Palácio de Cristal de J. Paxton, na Exposição Universal de 1851). Depois da II Guerra Mundial, P. e A. Smithson envolveram a arquitetura britânica na modernidade internacional. No início da década de 1970, surgiu o grupo Archigram, de claro ativismo cultural. A arquitetura high-tech teve como protagonistas R. Rogers, J. Stirling e N. Foster.
Reino Unido Naufrágio de Um Cargueiro, por W. Turner (Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
Na escultura e pintura, a vanguarda esteve a cargo dos escultores H. Moore, B. Hepworth e R. Butler, dos pintores expressionistas F. Bacon e G. Sutherland, e dos abstratos B. Nicholson, A. Davie e o grupo Situation. R. Hamilton, P. Blake, D. Hockney e A. Jones foram os precursores britânicos da pop art. Desde fins de 1960, o movimento Art & Language desenvolveu a arte conceitual. A tradição figurativa foi perpetuada por L. Freud, F. Auerbach e L. Kossof. Ainda na década de 1960, se formou uma nova escola, que englobava artistas como A. Kapoor, S. Cox, T. Cragg, A. Gormley, R. Deacon e B. Flanagan. A arte britânica dos fins do séc. XX atingiu uma polêmica popularidade com a obra de artistas que expressavam as angústias contemporâneas.
CinemaO pai da cinematografia britânica foi o óptico Robert William Paul, fundador de uma produtora-distribuidora própria. Apesar dos avanços técnicos atingidos e da expansão da cinematografia britânica, esta enfrentou uma crise agudizada com o início da I Guerra Mundial. O domínio da indústria cinematográfica americana reduziu o cinema britânico ao âmbito das adaptações literárias. Apesar da decadência produtiva, foram notáveis os filmes de Herbert Wilcox, Victor Saville e, sobretudo, de Alfred Hitchcock. Em 1927, o Parlamento aprovou o Cinematographic film act que promoveu a produção e a exibição de filmes britânicos. As obras de A. Hitchcock e de Anthony Asquith deram, igualmente, um novo impulso ao cinema britânico. O período entre as duas guerras foi dominado por John Grierson e sir Alexander Korda. Este último dirigiu, juntamente com os seus irmãos Zoltán e Vincent, Os Amores de Henrique VIII (The Private Life of Henry VIII). O gênero de aventuras adquiriu popularidade, graças a obras como O Ladrão de Bagdá (1940; The Thief of Bagdad), de Michael Powell. No fim da guerra, o realismo era a tendência dominante em filmes como Desencanto (1945; Brief Encounter) de David Lean, surgindo com uma veia mais poética em O Condenado (1947; Odd Man Out) e expressionista em O Terceiro Homem (1949; The Third Man) de C. Reed. A adaptação de grandes clássicos da literatura continuou com L. Olivier, que dirigiu e protagonizou Hamlet (1948) e Ricardo III (1955; Richard III), e D. Lean, com Oliver Twist (1948). O gênero fantástico contou com destacados filmes, ao passo que o gênero de humor alcançou os seus momentos mais brilhantes com Alec Guinness. A obra de cineastas como Joseph Losey e Charlie Chaplin ou superproduções como A Ponte do Rio Kwai (1957; The Bridge on the River Kwai), de D. Lean, não retiraram o cinema britânico da crise estética de que padecia. Em 1956, nasceu o free cinema com Lindsay Anderson, Karel Reisz e Tony Richardson, entre outros, mas acabaria por desaparecer este na década de 1960. O gênero fantástico e de terror recuperou o apoio do público com filmes de Terence Fisher e Michael Powell.O cinema britânico orientou-se para as produções internacionais: Lawrence da Arábia (1962; Lawrence of Arabia) e Doutor Jivago (1965; Doctor Zhivago), de D. Lean, ou as primeiras partes da série James Bond. Provenientes do mundo televisivo, incorporaram-se no panorama cinematográfico R. Lester, Ken Russell, Peter Watkins e Ken Loach. Na década de 1970, o cinema britânico viveu momentos difíceis, iniciando a sua recuperação com Gandhi (1982), de Richard Attenborough. O cinema da década de 1980 distinguiu-se pela incorporação de assuntos até então evitados, destacando-se também o contributo de novos diretores, como Peter Greenaway, Michael Radford, Stephen Frears ou Neil Jordan, James Ivory e Kenneth Branagh. O cinema de crítica social e de referências políticas caracterizou a década de 1990, enquanto o cinema do veterano P. Greenaway teve um caráter mais esteticista. Outros cineastas seguiram tendências mais genuinamente britânicas: J. Ivory (Retorno a Howard's End, 1991; Howards End), K. Branagh (Hamlet, 1996) e A. Minghella (O Paciente Inglês, 1996; The English Patient). Além disso, destacam-se jovens promessas como Danny Boyle, Mike Leigh, Peter Cattaneo, Michael Winterbottom ou Stephen Daldry.
LiteraturaA formação do primitivo inglês deu-se após a conquista normanda em 1066, ainda que o francês e o latim fossem as línguas dominantes. Nos sécs. XI e XII, a literatura em latim e francês (a Historia regum Britanniae de G. de Monmouth, o Roman de Brut de R. Wace) influenciou na difusão da matéria de Bretanha, modelo essencial para a literatura posterior. Os primeiros textos inteligíveis para um leitor moderno em língua inglesa surgiram no início da segunda metade do séc. XII, entre os quais, Ancren Riwle e The Owl and the Nightingale. A partir de meados do séc. XIV, a língua inglesa foi superando o francês no âmbito cultural e político. A figura essencial deste período foi Geoffrey Chaucer, autor dos Contos de Cantuária, obra fundamental da literatura medieval europeia.Paralelamente, desenvolveu-se uma lírica popular, refletida nas baladas. No teatro, foi a época dos mystery plays (mistérios) e dos morality plays (moralidades). O renascimento inglês correspondeu a uma etapa de grande esplendor literário. Precursor e figura capital do humanismo foi Thomas More (1478-1535), autor de Utopia (1516). Em 1575-1580, iniciou-se a denominada era isabelina, onde a introdução de novas formas poéticas possibilitou a obra dos grandes poetas: E. Spenser (ca. 1552-1599) e P. Sidney (1554-1586). Um novo estilo poético surgiu graças a J. Lyly (1553-1606), cujo Euphues (1579) esteve na origem do eufuísmo. O retorno a formas genuínas da lírica inglesa ocorreu com B. Jonson (1572-1637), T. Campion (1567-1620) e J. Donne (1572-1631), primeiros membros do grupo de poetas metafísicos. Síntese perfeita das tendências da época foi O Paraíso Perdido, de John Milton (1608-1674), obra fundamental da lírica inglesa, que possibilitou a abertura a novos caminhos poéticos.Na prosa, destacaram-se T. Hobbes (1588-1679) e John Bunyan (1628-1688). O teatro foi o gênero de maior esplendor deste período, salientando-se C. Marlowe (1564-1593), B. Jonson (1572-1637) e W. Shakespeare (1564-1616), senhor absoluto dos palcos ingleses, que se destacou não só pela vastíssima obra dramática (tragédia, comédia e drama histórico) como também pelas suas obras poéticas, entre elas os Sonetos (1609). Outros autores teatrais foram o inovador G. Peele (ca. 1558-ca. 1597), R. Greene (1558-1592), T. Kyd (1558-1594), autêntico criador do melodrama, F. Beaumont (1584-1616), J. Fletcher (1579-1625), J. Webster (ca. 1580-1625), etc.
Reino Unido William Shakespeare, 1847, por L. Coblitz (Palácio de Versailles, Paris, França)
Durante a restauração dos Stuart, a poesia tornou-se o gênero mais prestigiado graças a J. Dryden (1631-1700), bem como a comédia graças a sir G. Etherege e W. Wycherley. Durante a primeira metade do séc. XVIII, A. Pope (1688-1744) dominou o panorama literário, sobretudo no âmbito da poesia. Contudo, os exemplos mais notáveis da época clássica ocorreram em prosa. O auge da literatura jornalística, graças a The Tatler (1709-1711) e The Spectator (1711-1714), reacendeu nos escritores a capacidade de observação e atitude crítica, pilar fundamental do romance e do ensaio, gêneros em que se destacaram J. Swift (1667-1745), com As Viagens de Gulliver (1726), e Daniel Defoe (1660-1731), com Robinson Crusoé (1719). Outros poetas destacados foram S. Johnson (1709-1784), cuja obra fundamental foi o Dicionário da Língua Inglesa (1755), J. Thomson, W. Collins (1721-1759) e T. Gray (1716-1771). A prosa foi o gênero mais representativo do espírito da época, cultivando-se a reportagem e a literatura epistolar, que influenciou a estrutura do romance sentimental e psicológico (S. Richardson, 1689-1761). A influência de Cervantes trouxe um romance mais voltado para a observação minuciosa e para o desenvolvimento da ação, em que se destacou O. Goldsmith (1728-1774), T. Smollett (1721-1771), H. Fielding (1707-1754) e L. Sterne (1713-68), autor de Vida e Opiniões do Cavaleiro Tristram Shandy. O ensaio adquiriu a categoria de gênero literário graças ao filósofo D. Hume (1711-1776) e a O. Goldsmith, enquanto o gênero epistolar alcançou grande êxito com P. Stanhope (1694-1773) e H. Walpole (1717-1797).Da literatura romântica, salientam-se W. Mason (1725-1797), William Blake (1757-1827), J. Beattie, W. Bowles e R. Burns (1759-1796). Na narrativa pré-romântica, triunfou o romance gótico, gênero de terror cujos representantes mais significativos foram W. Beckford, A. Radcliffe e M.G. Lewis.O nascimento do romantismo corresponde ao aparecimento de Baladas Líricas (1798), obra coletiva de W. Wordsworth (1770-1850) e S. Taylor Coleridge (1772-1834). Na narrativa, a tradição do romance gótico subsistiu em obras como Frankenstein (1817), de Mary Shelley (1797-1851). O esplendor máximo da época romântica ocorreu com Lord Byron (1788-1824), J. Keats (1795-1821) e P.B. Shelley (1792-1822). Alfred Tennyson (1809-1892) e Robert Browning (1812-1889) dominaram o panorama poético da época vitoriana, com uma nova atitude crítica e uma procura da perfeição formal, destacando-se, também, D.G. Rossetti (1828-1881) que, com C. Rossetti (1830-1894) e William Morris (1834-1896), formou o pré-rafaelismo. É no âmbito da narrativa que se encontram os escritores mais extraordinários: W. Makepeace Thackeray (1811-1863), A. Trollope (1815-1881), G. Eliot (1819-1880), C. Brontë (1816-1855) e, sobretudo, C. Dickens (1812-1870). Na esteira deles, situam-se E. Brontë (1818-1848) e A. Brontë (1820-1849), W. Wilkie Collins (1824-1889), C. Reade, C. Kingsley, B. Lytton (1803-1873), B. Disraeli (1804-1881), C.J. Lever, G.H. Borrow, E. Cleghorn Gaskell, G. Meredith, R.L. Stevenson (1850-1894) e L. Carroll (1832-1898), entre outros. Depois de 1875, uma profunda renovação invadiu a produção literária graças a S. Butler (1835-1902). No esteticismo, a personalidade mais significativa foi O. Wilde (1854-1900). No início do séc. XX, autores como W.E. Henley ou R. Kipling representaram o imperialismo britânico. Após um longo silêncio, o teatro iniciou a sua recuperação graças à contribuição irlandesa: G.B. Shaw (1856-1950), W.B. Yeats (1865-1939), J.M. Synge (1871-1909), S. O'Casey (1880-1964), J.B. Priestley (1894-1984), N. Coward (1899-1973) e C. Fry. Na narrativa, os escritores mais importantes foram: J. Joyce (1882-1941), cujo Ulisses revolucionou o conceito tradicional do romance, D.H. Lawrence (1885-1930), A. Huxley (1894-1963), V. Woolf (1882-1941) e K. Mansfield (1888-1923). Na poesia, T.S. Eliot (1888-1965), criador de uma estética moderna, impôs o seu magistério, iniciando uma época dourada para a qual também contribuíram E. Sitwell, R. Aldington, R. Graves (1895-1985), C.D. Lewis (1904-1972), W.H. Auden (1907-1973), S. Spender (1909), C. Isherwood e D. Thomas (1914-1953). Após a II Guerra Mundial, impuseram-se as séries romanescas de C.P. Snow (1905-1980). A angústia vital foi tratada por W. Golding (1911-1993) e L. Durrell (1912-1990), criador de O Amante de Lady Chatterley (1928). A alegoria ou a fábula foram veículos de expressão do tédio ou do desespero existencial na obra de C.S. Lewis (1898-1963) e de G. Orwell (1903-1950), enquanto a sátira caracterizou A. Wilson, K. Amis, J. Braine, J. Wain e Alan Sillitoe (1928). A ruptura com o sentimentalismo romântico deu-se com P. Larkin (1922-1985), T. Gunn (1929) e T. Hughes (1930-1998). O teatro, autêntico foco de ruptura e agitação, teve em J. Osborne (1929-1994) a sua figura principal. A influência de S. Beckett e de E. Ionesco foi bem evidente em N.F. Simpson, D. Campton, A. Jellicoe, H. Livings e, sobretudo, H. Pinter (1930). Na década de 1980 e 1990, continuou o magistério narrativo de A. Burgess, D. Lessing, A. Sillitoe, D. Lodge (1935), J. Barnes (1946), I. McEwan (1948), G. Swift (1949), M. Amis (1951) e H. Kureishi (1954). Na poesia, destacaram-se S. Heaney (1939), T. Harrisson (1937), T. Hughes (1930), G. Hill (1932), C. Raine (1945) e J. Fenton (1949). H. Pinter, E. Bond (1934) e T. Stoppard (1937) foram os mais destacados do panorama teatral.
MúsicaDas origens aos virginalistasOs primeiros dados sobre a atividade musical do Reino Unido datam do séc. VII, época do surgimento do canto gregoriano. Nos sécs. XII-XIII, houve um grande florescimento da polifonia, coroada por J. Dunstable. No séc. XVI, C. Tye, T. Tallis e R. White individualizaram as formas musicais características da liturgia reformista inglesa (anthem e service, entre outras). Com Elizabeth I, iniciou-se um período de grande esplendor, refletido no florescimento do madrigal. Célebres compositores do gênero sacro foram W. Byrd e O. Gibbons e no profano sobressaíram T. Morley, J. Wilbye e T. Weelkes. Típicos desta época foram também os conjuntos de viola, aperfeiçoados por Gibbons. No âmbito da música paravirginal, destacam-se J. Bull, G. Farnaby e W. Byrd.Crise da música inglesa e influência europeia no séc. XVIIINo reinado dos Stuart e de Cromwell, a música inglesa decaiu notavelmente. Por volta de meados do séc. XVII, expandiu-se a masque, primeira forma de ópera inglesa, embora ainda condicionada pelo estilo italiano. Destacam-se, nesta época, H. Lawes, M. Locke e J. Blow. Em fins do séc. XVII, impôs-se H. Purcell, que realizou uma síntese bem-sucedida entre estilos instrumentais italianos, melodramas franceses e tradições inglesas. No séc. XVIII e na primeira metade do séc. XIX, salientaram-se apenas W. Boyce, T. Arne, S. Wesley, J. Field e W.S. Bennett.A música britânica contemporâneaApenas na segunda metade do séc. XIX se formou uma escola nacional britânica, que, posteriormente, teve como seus mais importantes protagonistas A. Sullivan, A. Mackenzie, E. Elgar, F. Delius, G. Holst, W. Walton e M. Tippett. Esta escola caracterizou-se pelo predomínio da produção sinfônica e sinfônico-coral, em tudo fiel aos modelos formais e estilísticos alemães, sobretudo de Brahms. A organização de prestigiados festivais corais contribuiu, igualmente, para o desenvolvimento da música vocal. Assim, R. Vaughan Williams destacou-se como o melhor e mais original compositor britânico da primeira metade do séc. XX. Digno seguidor desta tradição nacional foi B. Britten. A vanguarda esteve representada por P. Maxwell Davies e por H. Birtwistle. A atividade teatral e de concertos foi, desde sempre, muito intensa, destacando-se o Covent Garden de Londres, aberto desde 1732, os Promenade Concerts (desde 1840) e os festivais musicais de Glyndebourne (desde 1934) e de Edinburgh (desde 1947).

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