> Artigos relacionados

EV
raquitismo
Botânica. s. m. Estiolamento, desenvolvimento incompleto de uma planta. Patologia. s. m. Afecção caracterizada por uma distrofia óssea devida a uma defeituosa mineralização do osso. s. m. figurado Fraqueza das faculdades intelectuais ou do senso moral.
Patologia. Embora afete com mais frequência as crianças entre o primeiro e o quarto anos de vida, quando o processo de ossificação e depósito mineral é rápido devido ao crescimento, também se dão casos de raquitismo tardio em idade pré-púbere. As alterações ósseas do raquitismo afetam, sobretudo, o crânio, as costelas, a coluna vertebral, a bacia e os ossos das extremidades. As deformações ósseas do crânio conferem-lhe uma forma quadrangular. A dentição atrasa-se e produzem-se deformações maxilares. A coluna vertebral sofre alterações que se repercutem na forma do tórax e da bacia. As extremidades epifisárias dos ossos dos membros engrossam, curvam-se e, por vezes, o seu desenvolvimento para (nanismo raquítico). Também afeta o sistema hematopoiético e o aparelho digestivo, observando-se uma intensa hipotonia muscular.
Histórico
Enfermidade conhecida desde a antiguidade e descrita cientificamente no século XVII, o raquitismo só pôde ter suas causas identificadas com a descoberta da vitamina D, que se forma na pele pela ação dos raios solares e que tem papel fundamental para a calcificação.
O raquitismo é doença generalizada do tecido ósseo, caracterizada por ineficácia na deposição de sais de cálcio sobre a matriz proteica e na cartilagem da zona de calcificação provisional. Admitem-se três grupos principais de raquitismo: por deficiência de vitamina D, por insuficiência renal crônica e por insuficiência renal tubular. Há ainda um quarto grupo, que inclui o raquitismo devido à hipofosfatasia e o raquitismo pseudo-resistente à vitamina D.
Trata-se de uma condição que se manifesta sobretudo na infância, quando o corpo está em crescimento. As manifestações aparecem nos primeiros meses de vida da criança e consistem em mau desenvolvimento do sistema esquelético, convulsões, irritabilidade geral, fraqueza muscular e retardo no crescimento, entre outras.
Uma de suas causas é a falta de vitamina D, causada por deficiência na alimentação e má absorção das paredes intestinais. Essa vitamina regula o metabolismo de dois elementos – fósforo e cálcio – assim como a união deles na formação de um complexo que se deposita no tecido ósseo e lhe confere dureza e resistência.
Como consequência da falta de vitamina D a absorção do cálcio pelos rins diminui, não ocorre a formação do complexo com o fósforo e, como resultado, o osso não se calcifica. Na criança em que existe essa carência, a caixa craniana não ossifica corretamente e mostra amolecimentos. Com o desenvolvimento do bebê, as alterações esqueléticas se apresentam no tórax, extremidades superiores e membros inferiores, que se arqueiam de forma característica.
Ao lado das alterações ósseas, apresentam-se outras do tipo muscular, tais como: (1) inchação típica do ventre; (2) distrofia, que corresponde à diminuição de tamanho e funcionalidade de órgãos; (3) tamanho do crânio maior do que o normal em relação às outras partes do corpo. A malformação do tórax, no raquitismo, apresenta uma retração do esterno na sua extremidade inferior; o relaxamento da parede abdominal e a plasticidade das costelas inferiores são responsáveis pela retração inspiratória. No tórax infundi buliforme, o esterno inferior é mantido contra a coluna vertebral por um diafragma malformado e contraído.
O diagnóstico é feito pela identificação do aspecto característico dos ossos longos. O exame radiológico revela as grandes articulações do joelho, tornozelo e punho, o que permite acompanhar o tratamento do processo raquítico e avaliar a cura.
O tratamento para o raquitismo baseia-se na administração de vitamina D e em dieta com alimentos ricos nessa vitamina, como ovos, manteiga, leite em pó e azeite de fígado de bacalhau. Recomenda-se também a exposição direta ao sol, uma vez que a ação dos raios solares determina a formação da vitamina D. Durante o tratamento devem ser tomados cuidados para se evitar a intoxicação pela vitamina D, ou seja, a hipervitaminose D.
Há, porém, tipos de raquitismo que não são curáveis pela ingestão de vitamina D. Despertam grande interesse do ponto de vista bioquímico porque permitem avaliar dados sobre a ação do fósforo e do cálcio no organismo.

Subir