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EV
Mann, Thomas
Lübeck, Alemanha 1875 - Zurique, Suíça 1955
escritor alemão. Clarividente testemunha de seu tempo, Thomas Mann, que muitos críticos consideram o maior romancista alemão moderno, soube descrever com estilo ao mesmo tempo sereno e irônico a decadência da cultura tradicional europeia, sem renunciar por isso ao reconhecimento de seus valores essenciais.
Thomas Mann nasceu em 6 de junho de 1875 em Lübeck, Alemanha, cidade onde fez os primeiros estudos. Em 1891, depois da morte do pai, rico comerciante que lhe deixou uma vultosa herança, viajou para Munique a fim de completar sua formação. Ali viveu até 1933 e, seguindo o exemplo do irmão mais velho, Heinrich, decidiu dedicar-se exclusivamente à literatura.
Fiel às concepções narrativas clássicas, dotou-as, porém de singular complexidade. Seu estilo, de suma riqueza linguística, é matizado pelo frequente recurso ao humor e à ironia, e suas histórias sutis deixam transluzir, sob a aparência realista, um conteúdo profundamente simbólico. Sua primeira fase, iniciada com o romance Buddenbrooks (1900), foi marcada pela reflexão sobre a arte e as relações entre o criador e a vida, da qual ele extrai seu material, temas de que tratou também em Tonio Kröger (1903) e Tristan (1903). A publicação do extraordinário Der Tod in Venedig (1913; A morte em Veneza), sombria e majestosa descrição dos últimos dias de um escritor alemão numa Veneza assolada pela peste, constituiu a culminância de suas reflexões estéticas.
Durante a primeira guerra mundial, Mann pôs-se ao lado daqueles que defendiam o nacionalismo alemão, mas a decadência moral e a estupidez militarista que se instalaram no país abalaram profundamente suas convicções, e o escritor evoluiu para posições democráticas. Essas novas concepções se manifestam em outra de suas grandes obras, Der Zauberberg (1924; A montanha mágica), romance que transcorre num sanatório para tuberculosos e descreve as dúvidas de um jovem interno, Hans Castorp, entre ali permanecer, recluso em sua vida interior e entregue ao fascínio da doença e da morte, ou aceitar a realidade da existência. A decisão final de enfrentar o mundo constitui um símbolo da postura espiritual do escritor que, além disso, chama atenção para os perigos do renascimento do militarismo na Europa.
Nos anos que antecederam a segunda guerra mundial, Mann converteu-se em opositor frontal do nazismo. Em 1929 teve seu prestígio fortalecido ao receber o Prêmio Nobel de literatura. Posteriormente, escreveu ensaios biográficos – Freud (1929), Goethe (1932) e Wagner (1933) – nos quais apela para o exemplo dos grandes inspiradores da cultura alemã como um chamado à razão. Depois da ascensão de Hitler ao poder, exilou-se na Suíça. Em 1938 mudou-se para os Estados Unidos, país cuja nacionalidade adquiriu e onde passou o resto da vida, embora tenha feito várias viagens à Europa.
As obras seguintes, cheias de alusões mitológicas e religiosas, são alegorias de fundo filosófico sobre a sociedade moderna. A tetralogia Joseph und seine Brüder (1933-1943; José e seus irmãos), mediante uma reinterpretação da história bíblica, indaga sobre os fundamentos da civilização ocidental, e Doktor Faustus (1947; Doutor Fausto) é uma exploração psicológica e moral das circunstâncias que tornaram possível o nazismo, por meio da história de um músico que vende a alma ao diabo. A recorrente ironia de Mann sobre a natureza humana domina seu último romance, Bekenntnisse des Hochstaplers Felix Krull (1954; As confissões do vigarista Félix Krull), relato quase picaresco em torno da figura de um jovem arrivista. Thomas Mann morreu em Zurique, Suíça, em 12 de agosto de 1955.

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