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EV
literatura
s. f. Arte de compor ou escrever trabalhos literários em prosa ou verso. s. f. Conjunto de trabalhos literários de um país ou de uma época. s. f. Estudo do conjunto com o mesmo nome; estudos literários. s. f. Carreira de homem de letras, de escritor. s. f. Vida literária. s. f. Conjunto das obras relativas a determinada especialidade; bibliografia. Farmácia. s. f. Folheto informativo que acompanha os produtos farmacêuticos. s. f. antigo Conjunto dos conhecimentos literários de alguém.
literatura de cordel
Tipo de literatura, característica do Nordeste de Brasil, cujas histórias estão escritas em versos, impressa em folhetos expostos em córdeis nas feiras ou praças públicas do interior ou subúrbios das grandes cidades.
Condicionada pela tradição cultural e pelo devir histórico, a literatura tem, no entanto, uma dimensão que não se define somente pelas circunstâncias em que se produz. Nela, o talento individual do artista e a sensibilidade para os problemas de seu tempo são determinantes para mostrar, discutir ou criticar os principais aspectos de uma cultura.
Literatura é o conjunto de todas as manifestações verbais (orais ou escritas), e de intenção estética, seja do espírito humano em geral, seja de uma dada cultura ou sociedade. Na origem, a literatura de todos os povos foi oral, caráter que manteve mesmo após a invenção e difusão da escrita. As primeiras obras literárias conhecidas são registros escritos de composições oriundas de remota tradição oral. Todas as literaturas do Ocidente têm em comum, fundamentalmente, a herança grega e latina. Preservadas, transformadas e difundidas pelo cristianismo, as obras da Grécia antiga e de Roma foram transmitidas para as línguas vernáculas da Europa e das regiões colonizadas pelos europeus.
Literatura antiga
O fato indiscutível sobre a literatura ocidental antiga é que a maior parte dela se perdeu. O fogo, as guerras e a destruição pela passagem do tempo subtraíram suas obras à posteridade, e são poucas as peças que os paleontólogos resgatam de tempos em tempos.
Cada uma das cinco civilizações mais antigas que se conhecem – Babilônia e Assíria, Egito, Grécia, Roma e a cultura dos israelitas na Palestina – entrou em contato com uma ou mais dentre as outras. Nas duas mais antigas, a assírio-babilônica, com suas tabulas de argila quebrada, e a egípcia, com seus rolos de papiro, não se encontra relação direta com a idade moderna. Na Babilônia, porém, se produziu o primeiro código completo de leis e dois épicos de mitos arquetípicos – o Gilgamesh e o Enuma elish que vieram a ecoar e ter desdobramentos em terras bem distantes.
O Egito, que detinha a intuição mística de um mundo sobrenatural, atiçou a imaginação dos gregos e romanos. Da cultura hebraica, a principal herança literária para o Ocidente veio de seus primeiros manuscritos, como o Antigo Testamento da Bíblia. Essa literatura veio a influenciar profundamente a consciência ocidental por meio de traduções para as línguas vernáculas e para o latim. Até então, a ensimesmada espiritualidade do judaísmo mantivera-a afastada dos gregos e romanos.
Embora influenciada pelos mitos religiosos da Mesopotâmia, da Anatólia e do Egito, a literatura grega não tem antecedentes diretos e aparentemente se originou em si mesma. Nos gregos, os escritores romanos buscaram inspiração para seus temas, tratamento e escolha de verso e métrica, valores que transmitiu para os primeiros tempos da Idade Média, quando a cultura da Grécia já fora absorvida pela tradição latina, para só no Renascimento ser redescoberta.
Todos os gêneros importantes de literatura – épica, lírica, tragédia, comédia, sátira, história, biografia e prosa narrativa – foram criados pelos gregos e romanos, e as evoluções posteriores são, na maioria, extensões secundárias. O épico grego de Homero foi o modelo do épico latino de Virgílio; os fragmentos líricos de Alceu e Safo encontraram continuidade na obra de Catulo e Ovídio; e à história de Tucídides seguiu-se a de Tito Lívio e a de Tácito.
O ideal humano que transparece nas literaturas grega e latina, formado após a civilização ter emergido dos séculos iniciais de barbárie, ainda seria transformado, antes do fim do mundo antigo, no ideal do espiritualismo judaico-cristão, cujos escritores prenunciaram a literatura medieval.
Literatura medieval
O surgimento do cristianismo nos territórios que haviam formado o Império Romano incutiu na Europa a atitude geral para com a vida, a literatura e a religião dos primeiros doutores da igreja. No Ocidente, a fusão das filosofias cristã e clássica formou a base do hábito medieval de interpretar simbolicamente a vida. Por intermédio de santo Agostinho, os pensamentos platônico e cristão reconciliaram-se. A organização permanente e uniforme do universo grego recebeu forma cristã e a natureza tornou-se um sacramento, revelação simbólica da verdade espiritual.
A igreja não apenas estabeleceu o objetivo da literatura, como cuidou de preservá-la. Ao longo dos tempos, os mosteiros criados nos séculos VI e VII conseguiram preservar a literatura clássica do Ocidente, enquanto a Europa era varrida por godos, vândalos, francos e, mais tarde, escandinavos. Os autores clássicos romanos assim preservados e as obras que continuavam a ser escritas em latim predominaram sobre as obras vernáculas durante quase toda a Idade Média. A Cidade de Deus, de santo Agostinho; a História eclesiástica, do venerável Beda; e a crônica dinamarquesa de Saxo Grammaticus, por exemplo, foram todas escritas em latim, como a maioria das principais obras sobre filosofia, teologia, história e ciência.
A literatura europeia pré-cristã tinha uma tradição oral que foi resgatada na Edda poética e nas sagas, ou épicos heroicos, da Islândia, no Beowulf anglo-saxônico e na Hildebrandslied (Canção de Hildebrando) alemã. Todas essas obras pertenciam a uma tradição comum alemã, mas foram registradas por escribas cristãos muito depois do evento histórico que relatam. Seus elementos pagãos se fundiram com o pensamento e sentimento cristãos. Numerosas baladas, em países diversos, também revelam uma antiga tradição nativa de declamação oral.
Entre os mais conhecidos dos muitos gêneros que surgiram nas literaturas vernáculas medievais estão o romance e a lírica amorosa, que combinavam elementos das tradições orais populares com as da literatura refinada. O romance usou fontes clássicas e arturianas numa narrativa poética que substituiu os épicos heroicos da sociedade feudal, como a Canção de Rolando, lenda sobre o heroísmo dos cavaleiros. No romance, temas complexos como amor, lealdade e integridade pessoal se juntaram na busca da verdade espiritual, amálgama encontrado em todas as literaturas ocidentais europeias da época.
A lírica amorosa teve antecedentes heterogêneos. As origens do amor cortês são discutíveis, como o é a influência de uma tradição de poesia popular amorosa. Fica claro, porém, que os poetas do sul e norte da França, que cantavam a mulher idealizada, foram imitados ou reinterpretados em toda a Europa: na escola siciliana da Itália, nos Minnesingers (trovadores) da Alemanha, nos versos latinos da Carmina Burana e nos cancioneiros portugueses, espanhóis e galegos do século XIII ao XVI.
Grande parte da literatura medieval, no entanto, é anônima e dificilmente datável. Autores como Dante, Chaucer, Petrarca e Boccaccio, que surgiram no fim do período, foram os mais abalizados comentaristas da cena medieval, ao mesmo tempo que anunciavam os grandes temas e formas da literatura renascentista.
Renascimento
O despertar de um novo espírito de curiosidade intelectual e artística foi a característica dominante do Renascimento. Esse fenômeno político, religioso e filosófico postulou o ressurgimento do espírito da Grécia antiga e de Roma. Na literatura, isso significou um interesse renovado e a releitura dos grandes escritores clássicos. Acadêmicos buscaram e traduziram textos antigos "perdidos", cuja disseminação foi possível graças aos progressos da imprensa na Europa, a partir de 1450.
A arte e a literatura atingiram no Renascimento uma estatura nunca vista em períodos anteriores. A época foi marcada por três situações históricas principais: primeiramente, o novo interesse pelo saber, representado pelos acadêmicos clássicos conhecidos como humanistas, que forneceram modelos clássicos de grande interesse para os novos escritores; segundo, a nova forma do cristianismo, iniciada pela Reforma protestante liderada por Lutero, que chamou a atenção dos homens para o indivíduo e sua vida interior, a ponto de gerar nos países católicos a réplica da Contrarreforma; em terceiro lugar, as grandes navegações, que culminaram com a descoberta da América em 1492 por Colombo, com repercussão nos países que fundaram impérios ultramarinos, assim como na imaginação e consciência da maior parte dos escritores da época.
A esses devem adicionar-se muitos outros fatores, como o progresso da ciência e da astronomia, e a situação política da Itália no fim do século XV. A nova liberdade e o espírito inquiridor nas cidades-estados italianas favoreceram o aparecimento dos grandes precursores do Renascimento: Dante, Petrarca e Boccaccio. Na França, o Renascimento manifestou-se na poesia dos componentes do grupo conhecido como Plêiade e nos ensaios de Michel de Montaigne, enquanto em Portugal o grande poeta épico Camões marcava a fundo o século XVI e, na Espanha de meio século depois, revelava-se Cervantes.
No século XVI, o acadêmico holandês Erasmo sintetizou a evolução do humanismo, que incorporava o espírito da curiosidade crítica, o interesse pelo saber clássico, a intolerância para com a superstição e um profundo respeito pelo homem como a mais complexa das criações de Deus. Um aspecto da influência da Reforma protestante na literatura foi a grande quantidade, nesse período, de traduções da Bíblia em línguas vernáculas, o que estabeleceu novos modelos para a prosa. O ímpeto renascentista manteve-se vigoroso até o século XVII, quando John Milton sintetizou o espírito do humanismo cristão.
Século XVII
Na política e na sociedade, tanto quanto na literatura, o século XVII foi um período de grandes turbulências. O Renascimento preparara o ambiente receptivo essencial para a disseminação das ideias da nova ciência e da filosofia. Uma retrospectiva autêntica dessa fase também precisa levar em conta o efeito das convulsões sociais e políticas ocorridas do início aos meados do século. Na Inglaterra, houve a guerra civil (1642-1651) e a restauração da monarquia (1660); na França, as insurreições da Fronde (1648-1653), nas quais estava envolvido La Fontaine; na Alemanha, os conflitos religiosos e políticos da guerra dos trinta anos (1618-1648); e, nos Países Baixos, a luta pela independência da Espanha (1568-1648).
As lutas civis, políticas e religiosas que dominaram a primeira metade do século eram também uma resposta à Contrarreforma. Referências ao conflito religioso se infiltraram nas formas e temas da literatura. Uma reação a isso – particularmente na Itália, na Alemanha e na Espanha, mas também na França e na Inglaterra – foi o desenvolvimento de um estilo em arte e literatura conhecido como barroco, mais peculiar à obra de Giambattista Marino, na Itália, Luis de Góngora na Espanha e Martin Opitz von Bobenfeld na Alemanha. Na Inglaterra, a poesia metafísica era a principal tendência do verso inglês da primeira metade do século. Essa denominação, primeiramente aplicada por Dryden à obra de John Donne, é hoje utilizada para designar um grupo de poetas diferençados por seus estilos individuais, altamente intelectualizados, que tinham afinidades com a literatura barroca, especialmente no caso de Richard Crashaw.
Possivelmente, o traço mais vivo do século XVII tenha sido o conflito entre a tendência a continuar imitando os clássicos do Renascimento e a aspiração à novidade trazida pelos cientistas e pensadores, bem como pelas novas experiências com novas formas literárias. Em todos os países, delineou-se o conflito entre antigos e modernos, estes a exigir um estilo de prosa mais adequado aos novos tempos de ciência e exploração. Os modernos, na França, eram seguidores de Descartes. Na Inglaterra, encontrava-se uma tendência similar no trabalho da Royal Society, que incentivava o uso de uma linguagem mais simples, uma maneira de falar mais transparente e natural, adequada ao discurso racional, comparável às grandes realizações da prosa de Milton e Dryden.
Século XVIII
Sobre o século XVIII pesaram, quase nas mesmas proporções, dois impulsos básicos: razão e paixão. O respeito à razão se revelava na busca da ordem, da simetria, do decoro e do conhecimento científico; o cultivo dos sentimentos estimulou a filantropia, a exaltação das relações pessoais, o fervor religioso e o culto da sensibilidade. Na literatura, o impulso racional favoreceu a sátira, o debate, a inteligência e a prosa simples; a paixão inspirou o romance psicológico e a poesia do sublime.
O culto da inteligência, da sátira e do debate fez-se evidente, na Inglaterra, nas obras de Alexander Pope, Jonathan Swift e Samuel Johnson, em conformidade com a tradição de Dryden, do século XVII. O romance tornou-se uma forma de arte maior na literatura inglesa, em parte pelo realismo racionalista das obras de Henry Fielding, Daniel Defoe e Tobias Smollett e, em parte, pela perquirição psicológica dos romances de Samuel Richardson e do Tristram Shandy, de Laurence Sterne. Na França, as obras mais representativas do período são os textos filosóficos e políticos do Iluminismo, sobretudo os de Voltaire e de Rousseau, de profunda influência em toda a Europa e prenúncios teóricos da revolução que se avizinhava.
Na Alemanha, que por algum tempo seguiu os modelos francês e inglês, a grande época da literatura veio no fim do século, quando o cultivo dos sentimentos e da grandeza emocional encontrou sua mais poderosa expressão no movimento conhecido como Sturm und Drang (Tempestade e Tensão). Dois grandes nomes da literatura alemã e universal, Goethe e Schiller, autores de teatro e poesia, avançaram muito além da turbulência do Sturm und Drang.
Século XIX
Um dos períodos mais interessantes e vitais de toda a história das literaturas foi o século XIX, de especial interesse por ser a época de formação de muitas tendências literárias modernas. Nesse período, nasceram ou começaram a se formar o romantismo, o simbolismo e o realismo, assim como algumas das vertentes do modernismo do século XX.
Romantismo
O movimento literário dominante no início do século XIX foi o romantismo que, na literatura, teve origem na fase do Sturm und Drang na Alemanha. Essa afirmativa é uma importante correção da noção habitual que se tem da literatura romântica como se tivesse começado com a poesia inglesa de Wordsworth e Coleridge, e a publicação, em 1798, das Lyrical Ballads de ambos. Além disso, embora seja verdade que a revolução francesa e a revolução industrial foram dois dos principais fatores políticos e sociais a influenciar os poetas românticos da Inglaterra do início do século XIX, muitos traços do romantismo na literatura surgiram a partir de fontes literárias e filosóficas.
Os antecedentes filosóficos foram fornecidos no século XVIII principalmente por Jean-Jacques Rousseau, cuja ênfase no indivíduo e no poder da inspiração influenciou Wordsworth e também escritores românticos da primeira fase: Hölderlin e Ludwig Tieck, na Alemanha; e o francês Jacques-Henri Bernardin de Saint-Pierre, cujo Paul et Virginie (1787) antecipou alguns dos excessos sentimentais do romantismo do século XIX. Os românticos acreditavam que a verdade das coisas poderia ser explicada somente por meio do exame de suas próprias emoções no contexto da natureza e das condições primitivas. Por causa da ênfase na inspiração, o poeta assumiu o papel central – como profeta e visionário. Ao mesmo tempo, rejeitava-se a imitação dos clássicos. Duas posições típicas do poeta romântico eram a mística visionária de Keats e o super-homem de Lord Byron.
A corrente romântica atravessou toda a Europa e chegou à Rússia. Em poesia, o estilo se manifesta em Musset, Lamartine e Victor Hugo, na França; José de Espronceda y Delgado, na Espanha; Niccoló Ugo Foscolo e Giacomo Leopardi, na Itália, onde se identificou com os sentimentos nacionalistas; Aleksandr Puchkin, na Rússia; e Adam Mickiewicz, na Polônia. O sentimento nacionalista também se acha na obra do português Almeida Garrett e, nos Estados Unidos, nas histórias de James Fenimore Cooper, na poesia de Walt Whitman e na obra de Henry Wadsworth Longfellow.
O ímpeto da poesia romântica começou a esgotar-se aproximadamente após 1830 e abriu caminho para estilos mais objetivos, porém muitos de seus temas e artifícios, tais como o do artista incompreendido ou do amante infeliz, continuaram a ser empregados.
Pós-romantismo
O primeiro poeta pós-romântico foi possivelmente um alemão, Heinrich Heine, mas a poesia alemã de meados do século XIX em sua maior parte seguiu Wordsworth, embora novas tendências fossem encontradas em Karl August von Platen-Hallermünde e no austríaco Nikolaus Lenau. A principal corrente pós-romântica apareceria na França, onde ganhou força um movimento conhecido como parnasianismo.
Originado com Théophile Gautier, o parnasianismo, mais que uma reação ao romantismo, foi de certa maneira um seu desdobramento. Ao concentrar-se nos elementos puramente formais da poesia, na estética e na "arte pela arte", mudou a direção da poesia francesa e teve muita influência em outros países. Um de seus mais ilustres representantes, Charles Baudelaire, capaz de acreditar que "tudo que não fosse arte era feio e inútil", processou ao mesmo tempo uma ruptura profunda com o movimento e anunciou os caminhos da poesia moderna.
Outro precursor dos modernos foi o americano Edgar Allan Poe, traduzido para o francês pelo próprio Baudelaire. Difundiram-se, pouco depois, os movimentos impressionista e simbolista, tomados de empréstimo à pintura, à escultura e à música. Paul Verlaine, o primeiro dos impressionistas, usava a sugestão e ritmos fugazes para conseguir seus efeitos. O simbolismo – uso seletivo das palavras e imagens para evocar atmosferas e significados sutis – aparece ainda nas obras de Mallarmé e Rimbaud.
A democratização da educação aumentou a procura do romance. No começo do século XIX, Jane Austen já satirizara os excessos do romance gótico, precursor do romantismo medievalizante do fim do século XVIII. Na França, o conflito entre inteligência e emoção apareceu nas obras de Benjamin Constant (Adolphe, 1816), mais notavelmente em Le Rouge et le noir (1830; O vermelho e o negro) de Stendhal e, posteriormente, em Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert. O realismo da obra de Flaubert e de Honoré de Balzac foi levado adiante por Guy de Maupassant na França, Giovanni Verga na Itália e Eça de Queirós em Portugal. Culminou no naturalismo de Émile Zola, que classificou sua prosa, em romances como Thérèse Raquin (1867), de "autópsia literária".
Realismo e nacionalismo, contudo, parecem menos relevantes na visão de outros grandes escritores que se seguiram, como George Eliot, Charles Dickens e Thomas Hardy na Inglaterra e especialmente os russos Nikolai Gogol, Lev Tolstoi, Anton Tchekhov e Fiodor Dostoievski. Em tais escritores, observa-se uma aguda opção pela literatura de inquirição psicológica e social, estimulada pelas forças do liberalismo, do humanismo e do socialismo de muitos países ocidentais.
Século XX
É o que se encontra sobretudo na ficção de A la recherche du temps perdu (Em busca do tempo perdido), de Marcel Proust – cujo primeiro volume, Du côté de chez Swann (No caminho de Swann), é de 1913; em Les Caves du Vatican (1914; Os subterrâneos do Vaticano), de André Gide; no Ulysses (1922), de James Joyce; em Der Prozess (O processo, publicado postumamente em 1925), de Franz Kafka; e em Der Zauberberg (1924; A montanha mágica), de Thomas Mann.
Várias influências que marcaram grande parte da literatura posterior a 1920 já estavam em evolução na obra desses escritores. Seu trabalho, como o de alguns outros da mesma época, mostrava interesse pelo inconsciente e o irracional. Duas importantes fontes dessa literatura foram Friedrich Nietzsche, filósofo alemão a quem tanto Gide quanto Mann, por exemplo, muito deviam, e Freud, cujos estudos psicanalíticos, por volta da década de 1920, exerceram poderosa influência sobre os intelectuais do Ocidente.
O abandono das tendências e estilos do século XIX não se limitou aos escritores de ficção. O primeiro Manifeste du surréalisme (1924), de André Breton, foi a afirmação inicial de um movimento que pedia espontaneidade e ruptura total com a tradição. No surrealismo, a influência de Freud transparecia pela importância atribuída aos sonhos, na escrita automática e em outros métodos não lógicos e, embora tenha durado pouco como movimento formal, teve efeito duradouro na arte e na poesia do século XX.
As incertezas da nova época e a diversidade de tentativas de lidar com ela ou lhe conferir coerência artística também pode ser observada em Duineser Elegien (1922; Elegias de Duíno) e Sonette an Orpheus (1923; Sonetos a Orfeu), de Rainer Maria Rilke; em Waste Land (1922; A terra inútil) de T. S. Eliot; e na obra de Fernando Pessoa.
O período internacionalista e experimental da literatura do Ocidente nas décadas de 1910 e 1920 foi importante não apenas pelas grandes obras então produzidas, mas também porque estabeleceu um padrão para o futuro. Nas maiores obras da fase, revelou-se bem o senso progressivo de crise e de urgência, além das dúvidas com relação à estabilidade psicológica da personalidade individual e do questionamento profundo de todas as soluções filosóficas e religiosas para os problemas humanos.
Na década de 1930, essas características do pensamento próprias do século XX persistiram e se expandiram para o domínio da política, na medida que os escritores se dividiam entre os que apoiavam o engajamento político em seus textos e aqueles que reagiam conservadoramente contra a dominação da arte pela política. Nem a segunda guerra mundial solucionou esse impasse. Questões semelhantes a essa ainda permaneciam em discussão no final do século.
Literatura após 1945
Seria tentador explicar a aparente escassez de grandes escritores no período imediatamente posterior à segunda guerra mundial como resultado inevitável da pressão acumulada pelo impacto dos progressos sociais e tecnológicos que se aceleraram em virtude do conflito. Sob tais circunstâncias instáveis e incertas, não pareceria totalmente estranho que os atos de escrever e ler, tal como são tradicionalmente entendidos, sofressem interrupção.
De fato, em certos países de alto desenvolvimento tecnológico, como os Estados Unidos, a palavra impressa, em si, pareceu a alguns críticos ter perdido sua posição central, deslocada na mente popular para uma cultura eletrônica e visual que não exige a participação intelectual da audiência. Assim, os meios de comunicação criaram uma cultura popular internacional em vários países ocidentais, mas em nada contribuíram para responder às questões sobre a importância contemporânea da literatura.
Dadas as condições extraordinárias em que trabalha o escritor moderno, não é surpreendente que seja difícil julgar a qualidade de sua produção, nem que a experimentação radical tenha seduzido grande número de autores. As formas tradicionais da escrita perdem suas características essenciais e se dissolvem umas nas outras, como os romances cuja linguagem adquire características de poesia, ou os que são transformados numa espécie de reportagem, enquanto a experimentação gráfico-visual deu aos poemas a aparência de pinturas verbais.
A experimentação formal, no entanto, é apenas um aspecto da questão literária contemporânea, e afirmar que a literatura moderna desde a segunda guerra mundial foi essencialmente experimental seria ignorar outras tendências que se manifestaram no início do século e que ainda continuam a ser discutidas. Na opinião da maior parte dos bons críticos, apesar da escassez de grandes nomes e da natureza possivelmente transitória de muito do que se escreve nesta época de temas e estilos tão variados, é muito provável que uma boa literatura esteja sendo produzida.

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