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EV
Itália
Repubblica Italiana
 Forma de governorepública parlamentar
 Superfície301.338 km²
 Localidade59.685.227 habitantes (italiano, a)
 CapitalRoma (2.459.776 hab.)
 Principais cidades Milão (1.182.693 hab.)
Nápoles (993.386 hab.)
Turim (857.433 hab.)
Palermo (652.640 hab.)
Génova (603.560 hab.)
 
Mais dados
Estado do S da Europa. Limitado ao NO pela França; ao N pela Suíça e Áustria, e ao NE pela Eslovênia; é banhado ao E pelo mar Adriático; ao S pelo mar Jônico, e ao O pelo mar Tirreno e o mar da Ligúria. Com uma superfície de 301.338 km² e uma população de 59.685.227 habitantes, fazem também parte do país as ilhas de Sardenha, Sicília e vários arquipélagos de menor extensão. Localizam-se em território italiano os estados de San Marino e a Cidade do Vaticano. O país está dividido em 20 regiões. Capital: Roma. Língua oficial: italiano. A religião mais difundida écatólica.

Estrutura administrativa da Itália

Regiões Províncias

Superfície (km2)

População

Capital

População

Abruzo

10.798

1.244.226

LAquila

Chieti

2.588

379.471

Chieti

50.171

LAquila

5.035

289.853

LAquila

63.121

Pescara

1.225

292.355

Pescara

115.197

Teramo

1.950

282.547

Teramo

47.935

Apúlia

19.362

3.983.487

Bari

Bari

5.138

1.541.314

Bari

312.452

Brindisi

1.839

403.923

Brindisi

91.664

Foggia

7.189

677.515

Foggia

146.072

Lecce

2.759

785.969

Lecce

83.237

Tarento

2.437

574.766

Tarento

201.349

Basilicata

9.992

595.727

Potenza

Matera

3.447

203.063

Matera

57.075

Potenza

6.545

392.664

Potenza

69.295

Calábria

15.080

2.011.466

Catanzaro

Catanzaro

2.391

367.592

Catanzaro

93.540

Cosenza

6.650

727.267

Cosenza

71.792

Crotona

1.717

163.058

Crotona

51.182

Reggio di Calabria

3.183

563.405

Reggio di Calabria

179.384

Vibo Valentia

1.139

171.952

Vibo Valentia

35.124

Campânia

13.595

5.701.931

Nápoles

Avelino

2.792

428.314

Avellino

52.568

Benevento

2.071

286.040

Benevento

61.486

Caserta

2.639

853.009

Caserta

75.005

Nápoles

1.171

3.009.678

Nápoles

993.386

Salerno

4.922

1.075.451

Salerno

144.078

Emília-Romagna

22.124

3.960.549

Bolonha

Bolonha

3.702

910.592

Bolonha

369.955

Ferrara

2.632

342.704

Ferrara

130.461

Forlì-Cesena

2.377

356.327

Forlì

108.363

Módena

2.689

628.180

Módena

175.442

Parma

3.449

384.989

Parma

156.172

Piacenza

2.589

263.309

Piacenza

95.132

Ravena

1.859

350.879

Ravena

138.204

Reggio nellEmilia

2.293

453.039

Reggio nellEmilia

141.383

Rimini

534

270.530

Rimini

128.301

Friuli-Venezia Giulia

7.855

1.183.994

Trieste

Gorizia

466

136.183

Gorizia

35.401

Pordenone

2.273

285.409

Pordenone

48.599

Trieste

212

240.549

Trieste

209.520

Udine

4.904

518.234

Udine

94.759

Lácio

17.207

4.976.184

Roma

Frosinone

3.244

477.950

Frosinone

45.128

Latina

2.250

489.599

Latina

108.711

Rieti

2.749

144.597

Rieti

41.394

Roma

5.352

3.578.784

Roma

2.459.776

Viterbo

3.612

285.254

Viterbo

57.307

Ligúria

5.421

1.560.748

Gênova

Gênova

1.838

870.553

Gênova

603.560

Imperia

1.156

204.233

Imperia

39.549

La Spezia

882

215.137

La Spezia

91.027

Savona

1.545

270.825

Savona

59.889

Lombardia

23.861

8.922.463

Milão

Bérgamo

2.723

968.723

Bérgamo

110.691

Bréscia

4.784

1.106.373

Bréscia

187.865

Como

1.288

537.046

Como

78.315

Cremona

1.771

334.087

Cremona

69.444

Lecco

816

311.122

Lecco

45.507

Lodi

782

195.474

Lodi

39.636

Mântua

2.339

375.159

Mântua

46.372

Milão

1.982

3.614.108

Milão

1.182.693

Pavia

2.965

489.751

Pavia

71.074

Sondrio

3.212

176.565

Sondrio

21.417

Varese

1.199

814.055

Varese

82.282

Marcas

9.694

1.463.868

Ancona

Ancona

1.940

447.613

Ancona

100.402

Ascoli Piceno

2.087

365.216

Ascoli Piceno

50.135

Macerata

2.774

301.302

Macerata

41.020

Pesaro e Urbino

2.893

349.737

Pesaro

90.311

Molise

4.438

316.548

Campobasso

Campobasso

2.909

227.090

Campobasso

46.860

Isernia

1.529

89.458

Isernia

20.884

Piemonte

25.399

3.989.801

Turim

Alessandria

3.560

414.384

Alexandria

82.201

Asti

1.511

207.671

Asti

70.598

Biella

913

187.041

Biella

45.529

Cuneo

6.903

554.992

Cuneo

51.784

Novara

1.339

344.010

Novara

101.921

Turim

6.830

2.122.704

Turim

857.433

Verbano-Cusio-Ossola

2.255

158.999

Verbania

30.079

Sardenha

24.090

1.645.000

Cagliari

Cagliari

6.895

749.393

Cagliari

158.351

Nuoro

7.044

260.345

Nuoro

36.281

Oristano

2.631

149.620

Oristano

29.185

Sassari

7.520

440.153

Sassari

112.959

Sicília

25.708

4.866.202

Palermo

Agrigento

3.042

441.669

Agrigento

52.953

Caltanissetta

2.128

272.402

Caltanissetta

60.878

Catânia

3.552

1.040.547

Catânia

306.464

Enna

2.562

177.291

Enna

29.072

Messina

3.248

641.753

Messina

236.621

Palermo

4.992

1.198.644

Palermo

652.640

Ragusa

1.614

292.000

Ragusa

68.346

Siracusa

2.109

391.515

Siracusa

121.000

Trápani

2.461

410.381

Trápani

67.456

Toscana

22.997

3.460.835

Florença

Arezzo

3.232

323.011

Arezzo

91.582

Florença

3.514

927.835

Florença

352.227

Grosseto

4.504

209.295

Grosseto

69.899

Livorno

1.218

316.757

Livorno

148.143

Lucca

1.773

364.113

Lucca

79.783

Massa-Carrara

1.157

197.411

Massa

66.097

Pisa

2.448

381.119

Pisa

85.379

Pistoia

965

268.180

Pistoia

83.936

Prato

365

225.672

Prato

170.388

Siena

3.821

247.442

Siena

48.844

Trentino-Alto Ádige

13.607

937.107

Trento

Bolzano

7.400

460.665

Bolzano

93.079

Trento

6.207

476.442

Trento

104.844

Úmbria

8.456

815.588

Perúgia

Perugia

6.334

597.470

Perúgia

148.575

Terni

2.122

218.118

Terni

103.964

Vale de Aosta

3.263

119.356

Aosta

Aosta

3.263

119.356

Aosta

33.926

Vêneto

18.390

4.490.586

Veneza

Belluno

3.678

209.033

Belluno

34.946

Pádua

2.141

845.203

Pádua

203.350

Rovigo

1.788

240.102

Rovigo

48.179

Treviso

2.477

793.209

Treviso

79.875

Veneza

2.463

800.370

Veneza

266.181

Verona

3.121

814.295

Verona

243.474

Vicenza

2.722

788.374

Vicenza

106.069


GeografiaMeio físico• Geomorfologia e hidrografia O território italiano é constituído por uma zona continental limitada ao N pela cordilheira dos Alpes e por uma península que se estende desde a massa continental europeia até o Mediterrâneo. O território apresenta-se fragmentado, variado e muito montanhoso. A única grande planície homogênea é a do Pó. Além dela, a morfologia do país é marcada pela presença dos Alpes e dos Apeninos. Os Alpes Meridionais estendem-se ao E, incluindo os Dolomitas e os Pré-Alpes do Vêneto (Marmolada, 3.343 m), e a seção O da cordilheira compreende os Alpes Peninos, até o maciço do monte Rosa, ao S do qual se abre o vale de Aosta. Os Apeninos caracterizam-se no N pelos grandes vales longitudinais (Arno e Tibre); no centro, pelos maciços próximos da costa do Adriático, e no S, a cadeia justapõe-se com a área vulcânica do golfo de Nápoles. Na Sicília, destaca-se a área vulcânica do Etna e em Sardenha dominam os relevos graníticos. Os principais rios são, no N, o Adige e o Pó, o maior do país, e na península, o Arno e o Tibre. Os cursos do S, incluindo os das ilhas, são de tipo mediterrânico, com caudais escassos. As principais formações lacustres são os lagos pré-alpinos (Maior, Como, Garda) e, na península, o Trasimeno.• Clima e vegetação As condições climáticas variam de N a S, onde se acentuam as características mediterrânicas. Na planície do Pó, o clima é continental, com Invernos frios; na península, as temperaturas são mais baixas na região interna dos Apeninos que na costa e são mais uniformes nas ilhas, devido à ação do mar. O S tem verões quentes e secos e invernos suaves. A zona mais chuvosa do país são os Pré-Alpes do Vêneto, e a mais seca, a costa S da Sicília. A vegetação mediterrânica estende-se pela Ligúria, com bosques de azinheiras e pinheiros. Nos Apeninos, predominam a faia e o abeto-branco e na região alpina, além da faia, do abeto-branco e do lariço, cresce o pinheiro da montanha e a erva alta e, na maior altitude, o musgo e o líquen.População e povoamentoOs romanos criaram vias fundamentais de comunicação e cidades que permaneceram como pontos essenciais da geografia italiana. Na Alta Idade Média e no Renascimento, os principais focos da organização territorial situavam-se nas cidades da região central e setentrional. A partir de meados do séc. XIX, ocorreram grandes emigrações, no início para países europeus e, mais tarde, para países transoceânicos. O impacto das migrações internas foi notável, a população camponesa do Sul passou a viver na periferia das grandes cidades industriais do Norte. A estrutura urbana da Itália Setentrional constitui uma única e densa rede, na qual Milão (1.182.693 hab.) exerce o papel de capital econômica do país; Turim (857.433 hab.) desenvolveu-se com base na indústria automobilística e Gênova (603.560 hab.) é o porto da região. Na região central, as principais cidades são Florença, Pisa e Livorno. Roma (2.459.776 hab.) é uma grande metrópole, com uma dimensão econômica própria e, mais ao sul, localiza-se Nápoles (993.386 hab.), a capital natural da região meridional. Na costa do Adriático, destacam-se Ancona, Pescara, Bari, Brindisi e Tarento. Os principais centros urbanos da Sicília são Palermo, Catânia e Messina e a maior cidade da Sardenha é Cagliari.Estrutura econômica A base da economia reside no setor terciário, mesmo que o peso das atividades industriais continue a ser essencial, colocando a Itália no grupo dos países mais industrializados do mundo. Em relação à população ativa 5 % dedica-se à agricultura, 32 % trabalha no setor industrial e 63 % no de serviços.As principais culturas são: trigo, milho e arroz. Entre os cultivos industriais, destacam-se: beterraba, tabaco, cânhamo, linho e algodão. Importante cultura em estufas (tomate, alcachofra, melão, melancia, cebola e couve-flor) no Sul. A viticultura (8.988.400 t de uva) e a olivicultura (3.139.800 t) colocam a Itália entre os primeiros produtores mundiais. Um elemento muito importante da agricultura italiana é o cultivo de frutas. Cria-se principalmente gado bovino, além de ovino, caprino e suíno. É importante a avicultura.Minerais presentes no setor extrativo são: barita, sal-gema e marinho, caulim, grafite, feldspato, fluorita e mármore. É escassa a produção de linhito e de petróleo, mas tem uma importância significativa o gás natural. A produção metalúrgica está quase toda a serviço da indústria automobilística, da construção naval e de material ferroviário. É importante a indústria farmacêutica, química, de informática, de telecomunicações, de eletrodomésticos, alimentícia, têxtil, calçadista, de cimento, de materiais de construção, de borracha, de papel, mobiliária e tabagista.Entre as infraestruturas viárias (450.483 km), destacam-se a rede de autoestradas (6.478 km) e a rede ferroviária, que se estende por 16.038 km. Os principais portos são o de Gênova, pelo volume de tráfego, e o de Nápoles, pelo número de passageiros. Entre os aeroportos destacam-se os de Roma e Milão. A maior parte do comércio externo faz-se com países da UE e com os EUA. As importações consistem em petróleo, automóveis, maquinaria, produtos alimentícios, materiais plásticos e metais. Exportam-se automóveis, maquinaria, calçado, vestuário, plásticos e produtos agrícolas. Na economia nacional, o turismo tem uma importância considerável.
Itália Mapa econômico
HistóriaCivilizaçõesprimitivasA partir do II milênio a.C., alguns povos indo-europeus começaram a estabelecer-se na planície do Pó. A partir do final do séc. VIII a.C., a Península estava povoada por latinos, etruscos, úmbrios, no Centro e N; sabinos, samnitas, volscos e marsos, nos Apeninos; lucanos e brútios, no S; sicanos e sículos, na Sicília, e os povos ilírios (vênetos, iapígios e messápios) na costa do Adriático. Durante os sécs. VI-V a.C., o resto da Península esteve sob domínio etrusco, cuja expansão para o S deparou com os gregos. Os cartagineses controlaram a Sicília e a Sardenha e os etruscos a Córsega e a Península. A irrupção dos gauleses (séc. V a.C.) ameaçou o domínio etrusco, fato aproveitado por Roma para afirmar a sua independência e iniciar a conquista da Península (sécs. IV-III a.C.). Depois da sua vitória na I Guerra Púnica (264-241 a.C.), os romanos conquistaram a Sicília, a Córsega e a Sardenha.
Itália A Loba Capitolina amamentando Rômulo e Remo (Pinacoteca Capitolina, Roma, Itália)
A unificação romanaRoma organizou e unificou a Península; e o território transformou-se em uma unidade política a que Augusto incorporou, mais tarde, a Gália Cisalpina. Contudo, o custo das guerras prolongadas e a dimensão do Império desequilibraram a economia e foram a origem da situação de instabilidade.No início do séc. IV d.C., o Império dividiu-se em duas metades: o Império do Oriente e o do Ocidente, que durou até 395. A vulnerabilidade da Itália ficou demonstrada com as invasões germânicas do séc. V. Nesta altura, a Península ficou sob administração de Bizâncio com um representante em Ravenna. No entanto, a debilidade de Bizâncio não resolveu o problema e os lombardos tentaram controlar os territórios pontifícios e unificar a Península após a conquista de Ravenna e Roma (751), mas o papa Estêvão II pediu ajuda ao rei carolíngio Pepino o Breve (753), que derrotou os lombardos e restituiu os territórios ao papa (756), que constituiu os Estados Pontifícios. Carlos Magno teve de intervir, de novo, na Itália ameaçada; vencedor, proclamou-se rei dos francos e longobardos e reorganizou o território segundo o ordenamento franco. Coroado imperador pelo papa Leão III (800), Carlos Magno cedeu ao seu filho, Pepino, o título de rei da Itália.O Sacro Império Romano-GermânicoO rei da Germânia Oto I interveio para destronar Berengário II, marquês de Ivreia, que dominava a Itália, e fez-se coroar imperador (962) pelo papa João XII. Estabeleceu-se a tutela do imperador em relação ao papado. A guerra pela supremacia entre o papado e o Império, a Questão das Investiduras, que agitou (1076-1122) toda a cristandade ocidental, com particular incidência na Germânia e Itália, foi finalizada por Calisto II com a Concordata de Worms (1122). O séc. XII foi cenário de uma recuperação econômica e de uma efervescência ideológica para as quais contribuiu o florescimento das cidades, que criaram instituições municipais. As cidades dividiram-se entre os partidários do imperador ou gibelinos (Pisa, Siena, Cremona, Parma, Módena) e partidárias do papa ou guelfos (Milão, Gênova, Veneza). Carlos de Anjou, como rei de Nápoles e da Sicília, dominou grande parte da Itália com o apoio dos guelfos. A revolta siciliana (Vésperas Sicilianas, 1281) provocou a segregação da ilha, que passou para a órbita da Coroa de Aragão. As lutas entre os Estados italianosA atmosfera de prosperidade econômica favoreceu o florescimento do humanismo e da arte, situação que contrastava com a fragilidade política. No final do séc. XV concretizou-se a ameaça otomana, mas, apesar dos apelos do papado, os Estados italianos procuraram manter o equilíbrio político estabelecido na Paz de Lodi (1454) entre Milão, Florença, Veneza, Nápoles e o papado. A situação chegou novamente ao limite com as guerras da Itália (1494-1559). A luta pelo domínio da Itália acabou com o Tratado de Cateau-Cambresis (1559), que selou a hegemonia espanhola na Itália (Milão, Nápoles, Sicília e Sardenha) até finais do séc. XVI. A presença da Inquisição e a Contrarreforma provocaram uma paralisação da atividade cultural.O séc. XVIIIO absolutismo e a estagnação econômica caracterizaram o séc. XVIII em, praticamente, todo o território. Os tratados de Utrecht e de Rastatt (1713-1714), que puseram fim à Guerra da Sucessão espanhola, modificaram o mapa-político italiano. Após o casamento de Filipe V da Espanha com Isabel Farnese, a Itália voltou a tornar-se um campo de batalha onde se debatiam os interesses austríacos e espanhóis. A estabilidade, conseguida em 1748 (Paz de Aquisgrano), estimulou um patriotismo que impulsionou o Risorgimento. Napoleão realizou uma fulgurante campanha na Itália (1796) que modificou o mapa político: ocupou a Lombardia, organizada como República Cisalpina, a que juntou a República Cispadana, e Veneza foi cedida à Áustria em troca da Bélgica. Proclamaram-se a República da Ligúria (1797) em Gênova, a República Romana (1798) e a República Partenopeia (1799) em Nápoles. Contudo, a sua queda (1814) causou o fim do sistema e o seu despotismo um sentimento antinapoleônico, aproveitado pela Áustria.
Itália Episódio da Batalha de Marengo, por Carlo Bossoli (Coleção particular)
A RestauraçãoO Congresso deViena (1815) significou o retorno ao absolutismo e à consagração da proeminência da Áustria, que anexou o reino lombardo-vêneto e conseguiu instalar em outros Estados arquiduques austríacos. Três Estados conservaram, porém, a sua independência: Nápoles, os Estados pontifícios e o Piemonte-Sardenha. A Restauração acentuou a luta contra o absolutismo e o domínio estrangeiro. Em Piemonte, Carlos Alberto proclamou a monarquia constitucional (1848). Esta ação fez desencadear uma série de revoltas em várias cidades (Milão, Veneza, Nápoles) e para acalmar a situação, Carlos Alberto teve de abdicar a favor do seu filho Vítor Manuel II, o que pôs fim à primeira tentativa de libertação/unificação italiana.A formação do reino da ItáliaApós o fracasso de 1848, voltou-se ao conservadorismo mais estrito. A iniciativa e as esperanças independentistas centravam-se no Piemonte, que se envolveu em conflitos europeus (Guerra da Crimeia, 1854-1856; Guerra da Independência com a Áustria, 1859). Ao S, a agitação antibourbônica foi especialmente forte na Sicília. Giuseppe Garibaldi, no comando da Expedição dos Mil, iniciou (maio de 1860) a conquista do S, anexando o Piemonte cinco meses mais tarde. Roma e Veneza eram as únicas cidades pendentes. A Itália alinhou na Tríplice Aliança (1882) com a Alemanha e a Áustria-Hungria e orientou a sua política para a expansão africana, travada após a derrota de 1896.A I Guerra Mundial e o fascismoA crise internacional pôs a política externa italiana no primeiro plano do debate nacional. O Parlamento apostava em uma neutralidade negociada com a Áustria em troca de territórios (Trentino, Trieste e Ístria), mas, após a negativa austríaca de devolução e em virtude do Pacto de Londres, a Itália entrou em guerra contra a Áustria (abril de 1915) e, um ano mais tarde, contra a Alemanha. Na Conferência de Paz de Paris (1919) alguns dos seus territórios ocupados foram anexados (Trentino e o Alto Ádige até Brennero). O pós-guerra trouxe fortes tensões internas juntamente com o desprestígio da monarquia e das instituições democráticas. Os industriais e a alta burguesia, perante a incapacidade governamental, apoiaram o recém-criado movimento fascista e, após a Marcha sobre Roma (outubro 1922), Mussolini tomou o poder e institucionalizou o uso da força para manter a ordem. As estruturas liberal-democráticas foram suprimidas e criadas as corporações. A economia sofreu uma paulatina nacionalização. Entre os êxitos da ditadura, esteve a conciliação entre o fascismo e a Santa Sé (Pactos de Latrão, 1929), que pôs fim à Questão Romana. Paralelamente, intensificava-se a relação do fascismo italiano com o nazismo alemão (Eixo Roma-Berlim, 1936).
Itália Benito Mussolini e Adolf Hitler cumprimentam-se depois da assinatura de um acordo na cidade de Munique, em setembro de 1938
A II Guerra Mundial e a RepúblicaA Itália entrou na guerra (outubro de 1940) atacando a Grécia, o que ampliou o conflito e provocou a intervenção alemã nos Balcãs. Quando as tropas anglo-americanas desembarcaram na Sicília (julho de 1943), o Grande Conselho Fascista votou o restabelecimento da prerrogativa régia. Vítor Manuel III destituiu Mussolini, mandou-o prender e nomeou um Governo que assinou o Armistício de Cassilibile (setembro de 1943). Após a libertação de Roma (junho de 1944), o Comitê de Libertação Nacional (CLN) formou um governo (1944-1945) de concentração dos partidos antifascistas que tinham organizado a resistência armada. Após ter sido feito um referendo (junho de 1946), o país escolheu a república como forma de regime e, depois de um período constituinte, converteu-se (janeiro de 1948) em uma república democrática parlamentar. A entrada da Itália nas organizações internacionais assegurou as ajudas necessárias para a recuperação econômica. A nível interno, a renovação teve sérias dificuldades. Dirigentes da Democracia Cristã (DC) como Amintore Fanfani e Aldo Moro defenderam durante anos, e, apesar das dificuldades, uma aliança parlamentar com os socialistas, uma mudança de orientação que seria favorecida pela chegada (1958) de João XXIII ao pontificado.A crise político-social e o período pentapartidárioO protesto estudantil de 1968 foi o ponto culminante do período de instabilidade social que perturbou a década de 1960. O novo Governo, com um amplo programa de reformas sociais, aumentos salariais e medidas para lutar contra a estagnação, não conseguiu, contudo, acabar com a mobilização social e dar estabilidade ao país. O Partido Socialista (PS) cindiu-se, a DC fragmentou-se e apareceram grupos de extrema esquerda. Perante o avanço do Partido Comunista Italiano (PCI), tentou-se chegar a um compromisso histórico entre a DC e os comunistas para formar o Governo. Nas eleições de 1976, formou-se um governo da DC presidido por G. Andreotti. Mas a crise econômica requeria medidas radicais que necessitavam de um amplo consenso político, ganhando força, graças ao empenho de Aldo Moro, a possibilidade de um acordo com o PCI. Mas nesse momento recrudesceram as ações de terrorismo de esquerda, tendo as Brigadas Vermelhas sequestrado e assassinado (maio de 1978) Aldo Moro, que preparava um governo de unidade. Esgotado o centro-esquerda e fracassado o projeto de unidade nacional, a necessidade de alianças levou ao estabelecimento de uma aliança da DC, do PSI, do Partido Social-Democrata (PSDI), do Partido Republicano (PRI) e do Partido Liberal (PLI) (junho de 1981). Das eleições de 1983, surgiria um Governo baseado na mesma coligação de cinco partidos, sob a presidência Bettino Craxi, secretário-geral do PSI. A impossibilidade de superar os problemas entre socialistas e republicanos provocou a sua demissão e a convocatória de novas eleições (junho de 1987), cujos resultados fizeram com que, novamente, os futuros governos se baseassem em coligações pentapartidárias. A crise dos partidose a formação de coligaçõesOs acontecimentos externos (queda dos regimes comunistas) e internos (escalada da criminalidade organizada e mafiosa, crise econômica) condicionaram toda a vida pública. O PCI transformou-se em Partido Democrático de Esquerda (PDS); a investigação "mãos limpas", lançada na cidade de Milão em 1992, estendeu-se por todo o país. Nas eleições de 1992, reafirmaram-se novas formações políticas (Refundação Comunista, Liga Norte, os Verdes). Em 1994, as formações políticas concentraram-se em duas grandes coligações: o Polo da Liberdade e o Polo Progressista. No primeiro, participaram a Liga Norte, Aliança Nacional (AN, reconversão do velho MSI) e um partido novo, Força Itália (FI), criado pelo magnata de empresas de meios de comunicação Silvio Berlusconi. O Polo Progressista compreendia o PDS, a Refundação Comunista, o PSI, os Verdes e a Aliança Democrática. A vitória foi para o Polo da Liberdade, por maioria absoluta. Berlusconi formou Governo com um programa ultraliberal, que fez aflorar as diferenças da coligação governante. Sucedeu-lhe um Governo de técnicos, dirigido por Lamberto Dini, com o objetivo de sanear as finanças públicas. Nas eleições legislativas de 1996, o Polo Progressista transformou-se na coligação A Oliveira. A vitória foi para A Oliveira, ainda que sem maioria absoluta. O novo Governo, presidido por Prodi, obteve o apoio da Refundação Comunista (RC) e os seus objetivos centraram-se em cumprir os requisitos do Tratado de Maastricht. Em 2001 Berlusconi formou um Governo de coligação integrado pelo FI, AN, LN, CCD e CDU, mas sem abandonar uma forma de condução muito particular do poder que o levou a autodesignar-se ministro dos Negócios Estrangeiros no primeiro trimestre de 2002, com a união econômica completa e o euro em circulação. Em abril de 2005 o Parlamento italiano ratificou a Constituição Europeia. No mesmo mês, Berlusconi reformou completamente o seu gabinete de governo para fazer frente à crise provocada pelos maus resultados nas eleições regionais. O resultado das eleições legislativas de abril de 2006 foi muito ajustado. O candidato da coligação de centro-esquerda A União, Romano Prodi, conseguiu a vitória tanto na Câmara dos Deputados (348 assentos) como no Senado (158), embora com uma diferença de votos mínima em relação à candidatura de Berlusconi. Em fevereiro de 2007, ao perder uma votação no Parlamento sobre seu projeto de política exterior, Prodi demitiu-se de seu cargo. No entanto, o presidente Giorgio Napolitano voltou a encarregar-lhe a formação de governo. Prodi, novamente primeiro-ministro, submeteu-se com êxito a várias moções de confiança por parte do Parlamento e do Senado. A fragilidade da base governamental se pôs em evidência novamente em janeiro de 2008, com o abandono da coligação por parte de um dos partidos minoritários. Prodi voltou a submeter-se a uma moção de confiança, porém desta vez não a superou e deixou seu cargo, motivo pelo qual o presidente Napolitano convocou eleições antecipadas. Nestas, a coligação de centro-direita formada pelo Povo da Liberdade, Liga Norte e Movimento pela Autonomia, liderada por Silvio Berlusconi, venceu a coligação de centro-esquerda formada pelo Partido Democrático, Itália dos Valores e Autonomia Liberdade Democracia, liderada por Walter Veltroni. Com este triunfo, Berlusconi iniciou seu quarto mandato como primeiro-ministro. O caso BattistiEm 13 de janeiro de 2009, o governo do Brasil concedeu asilo político ao italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos entre 1978 e 1979. Ex-terrorista, militante comunista e líder do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), Battisti fora preso no Rio de Janeiro em março de 2007. Segundo o ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, as condenações de Battisti na Itália teriam sido consequência de um processo político. Cesare Battisti negou ter cometido os crimes e disse ter sido condenado à revelia em seu país.Porém, no dia seguinte o governo italiano pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que revisse o refúgio concedido ao ex-terrorista italiano. O Ministério das Relações Exteriores da Itália convocou a Roma o embaixador brasileiro, Adhemar Gabriel Bahadian, para prestar esclarecimentos sobre o caso. Foi a primeira vez, em décadas, que a Itália chamava um embaixador para consultas.No dia 17 de janeiro, o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, expressou em uma carta enviada ao presidente Lula seu "assombro" e "amargura" pela decisão do Ministério da Justiça brasileiro de conceder status de refugiado a Cesare Battisti. Ao comentar a manifestação de "assombro" do presidente da Itália, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse, no dia 18 de janeiro, que o Brasil cumpriu a Constituição ao adotar a medida que evitou a extradição, da mesma maneira que a Itália se recusou em extraditar o ex-banqueiro ítalo-brasileiro Salvatore Cacciola, condenado no Brasil por supostos crimes financeiros. Segundo o ministro, Cacciola só voltou para o Brasil porque foi preso em Mônaco, de onde foi extraditado para o Brasil em julho de 2008. Ainda em janeiro, no dia 27 o governo da Itália decidiu chamar de volta seu embaixador no Brasil.O caso arrastou-se pelo mês seguinte. Em 9 de fevereiro de 2009, a Itália impetrou mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do governo brasileiro no caso Battisti. O governo italiano também alegou que caberia exclusivamente ao STF decidir se os homicídios que resultaram na condenação de Battisti em seu país natal seriam políticos ou comuns. Para a Itália, o refúgio dado a Battisti pelo ministro Tarso Genro (Justiça) violaria o "ordenamento jurídico brasileiro e tratados e convenções internacionais" dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção de Genebra, que impossibilita a concessão de refúgio a estrangeiros condenados por crimes hediondos (comuns), como a Itália afirma ser o caso de Battisti.
Itália Romano Prodi
ArteDa Pré-História à arte romana Da Idade do Bronze, conservam-se em Sardenha as nuragas, torres circulares que são exclusivas desta ilha italiana. Entre os sécs. X-III a.C., os etruscos construíram as necrópoles de Tarquínia, que possuem belas pinturas murais, as muralhas de Volterra, a necrópole de Cerveteri (ambas Patrimônio da Humanidade desde 2004) e a cidade de Veios, de que restam vestígios importantes. Os gregos, estabelecidos a partir do séc. VIII a.C. no S, deixaram, na Sicília, os conjuntos de Agrigento, Selinunte e Siracusa, assim como o Templo de Segesta. A arte romana Os melhores exemplos de templos romanos são o de Hércules, em Cari e, em Roma, o da Fortuna Viril e o Panteão, que terá sido o culminar da arquitetura romana. Mas as grandes construções são os espaços para espetáculos (Coliseu de Roma, Arena de Verona) e as numerosas termas (de Caracala, em Roma, Stabianas, em Pompeia, do Indirizzo, na Catânia). Também restam vestígios de fóruns (Aquileia) e de basílicas, bem como esplêndidos arcos de triunfo (Tito e Constantino em Roma, Trajano em Benevento) e colunas comemorativas (Coluna de Trajano). A brilhante pintura romana está muito bem exemplificada em Pompeia e Herculano, onde também se conservam belos mosaicos e os melhores exemplos de vilas romanas (Vila Adriana de Tivoli e a Vila de Casale, Sicília).Da arte paleocristã ao aparecimento do românico A arte paleocristã nasceu nas catacumbas através das imagens que decoram as suas paredes. As mais extensas localizam-se em Roma, mas também existem em Nápoles e Siracusa. A partir do ano 313, os cristãos construíram as suas primeiras igrejas, imitando as basílicas romanas (Santa Maria Maior e São João de Latrão, em Roma). Nestas igrejas apareceram pela primeira vez decorações parietais em mosaico. A partir do séc. V, o desenvolvimento artístico deslocou-se para Ravenna. Nesta cidade, construíram-se grandes basílicas (Santo Apolinário in classe), batistérios (dos Arrianos) e mausoléus (de Gala Placídia).A arte da Idade Média Durante os sécs. XI-XII triunfou a arte românica. Na Lombardia, surgiu um estilo próprio (românico lombardo), que inspirou as igrejas italianas de Santo Ambrósio de Milão e São Miguel de Pavia e as catedrais de Parma e Módena. Na Toscana, o românico caracterizou-se pelas fachadas de mármores coloridos e galerias de arcos. Nesta região, destacam-se o conjunto de Pisa, a Igreja florentina de São Miniato al Monte e a Igreja de São Miguel em Lucca.A partir do séc. XIII, os monges cistercienses introduziram no país a arte gótica através das abadias de Chiavale, Fossanova, Casamani e San Galgano. Mais tarde, o gótico italiano desenvolveu-se de forma própria: catedrais de Siena, Orvieto e Florença, Igreja florentina de Santa Maria Novella. Além de edifícios religiosos, o gótico inspirou também construções civis em Veneza (Palácio Ducal) ou Florença (Palácio de la Signoria). A pintura gótica italiana tem uma importância excepcional; os artistas mais destacados foram Giotto e Cimabue (Basílica de Assis).O Renascimento A arte do Renascimento surgiu em Florença no séc. XV (Quattrocento). Quanto à arquitetura, destaca-se F. Brunelleschi, autor, em Florença, da cúpula da Catedral, da Igreja de São Lourenço e da Capela Pazzi. Vale também salientar são Michelozzo (Palácio Médicis-Riccardi), B. da Maianao (Palácio Strozi) e L. B. Alberti (Palácio Rucellai). Fora de Florença, construíram-se edifícios renascentistas em Milão (Castelo dos Sforza), Ferrara (Palácio dos Diamantes) e Urbino (Palácio Ducal). Ghiberti foi o precursor da escultura renascentista, que se desenvolveu plenamente no séc. XV graças a figuras como Donatello ou A. del Verrocchio. A pintura renascentista começou com Masaccio (ATrindade, Santa Maria Novella, Florença) e desenvolveu-se com várias figuras de relevo: Fra Angelico (celas do Convento de São Marcos, Florença), P. Ucello (Claustro Verde de Santa Maria Novella), B. Gozzoli (Capela dos Magos do Palácio Médicis-Riccardi, Florença). Uma figura incontornável durante o Quattrocento florentino foi S. Boticelli. No séc. XVI (Cinquecento), o centro artístico deslocou-se de Florença para Roma, onde trabalharam os principais arquitetos da época: Bramante, São Pedro in Montorio; Michelângelo, que finalizou a Basílica de São Pedro (cúpula). No campo da escultura, a figura mais relevante foi Michelângelo, e o da pintura esteve dominado por três grandes artistas: Leonardo da Vinci (Última Ceia, Santa Maria da Graça, Milão), Rafael (estâncias do Vaticano, afrescos da Vila Farnesina de Roma) e Michelângelo (afrescos da Capela Sistina). A pintura renascentista seguiu um percurso peculiar em Veneza, onde se formou uma próspera escola que se distinguiu pela cor e teve figuras de destaque como os Bellini, Giorgione, Ticiano e Tintoretto (afrescos da escola de San Rocco, Veneza). No final do séc. XVI, o Renascimento derivou para o maneirismo, representado na arquitetura por G. Romano, autor do notável Palácio do Chá de Mântua. Na escultura, destacam-se J. de Bolonha, B. Ammannati (Fonte de Neetuno, Florença) e B. Cellini.Do Barroco ao neoclassicismoDurante o séc. XVIII, Roma foi a capital do Barroco. O precursor deste estilo na arquitetura foi Vignola, autor da Igreja do Jesus de Roma. Totalmente barroca é a obra dos arquitetos G. L. Bernini (colunata de São Pedro do Vaticano) e F. Borromini (Oratório dos Filipinos). Em Veneza, B. Longhena realizou uma magnífica obra na Igreja de Santa Maria da Saúde. De menção, o conjunto de Lecce, apelidada de Cidade Barroca.A escultura barroca foi dominada por G. L. Bernini. Na pintura, destacam-se Caravaggio e os irmãos Carracci. A pintura triunfalista e fantasiosa encontrou a sua máxima expressão em P. da Cortona, L. Giordano e A. Pozzo, célebre pelos seus tetos pintados em trompe-l'oeil. No séc. XVIII, o realismo desenvolveu-se através do paisagismo de B. Bellotto e dos vedutistas venezianos (A. Canaletto, F. Guardi). O neoclassicismo surgiu em Roma, mas deixou poucas obras importantes pelo país. Apenas o escultor A. Canova é uma figura digna de menção.
Itália Agar no Deserto, séc. XVIII, por G. Tiepolo (Palácio Arcebispal, Udine, Itália)
Do séc. XIX à atualidade Na segunda metade do séc. XIX, a arquitetura do ferro inspirou as coberturas de numerosas galerias urbanas (Galeria Vittorio-Emmanuele, Milão). Após os projetos utópicos e agressivos dos futuristas (Sant'Elia, M. Ciattone), o racionalismo teve aplicações notáveis: C. Terragni (Casa del Fascio, Como). Herdeira do movimento racionalista foi a escola italiana de desenho industrial (M. Zanuso, E. Sottsass, R. Sambonet), que nas décadas de 1960 e 1970 alcançou o mais alto reconhecimento internacional. A partir da década de 1970 evidenciou-se o pós-modernismo de P. Portoghesi, P. Sartago, G. Aulenti e A. Rossi.A prática da pintura começou a superar o academismo durante a segunda metade do séc. XIX, graças ao movimento toscano dos macchiaoli (N. Costa, T. Signorini). A. Modigliani foi uma das grandes figuras do pós-impressionismo. M. Rosso aplicou à escultura o interesse pela vibração luminosa. No séc. XX, o futurismo propôs a celebração do mundo moderno e mecanizado, fazendo uma ruptura radical com a tradição (U. Boccioni, C. Carrà, G. Balla, L. Russolo e G. Severini). A pintura metafísica de G. de Chirico e de seu irmão A. Savinio preparou o surrealismo francês e o Retorno à Ordem italiana, que se desenvolveu em volta da revista Valori Plastici, fazendo um regresso à figuração. Posteriormente, destacou-se o realismo crítico de R. Guttuso, o informalismo especialista de L. Fontana, o neodadaísta P. Manzoni, os membros do movimento da arte poveira e a body art de V. Pisani.
CinemaAinda que as primeiras imagens do cinema italiano remontem a 1896 e os primeiros filmes de ficção a 1904, foi o gênero de reconstituição histórica que levou o cinema transalpino a triunfar fora das suas fronteiras (Cabiria, 1914) de G. Pastrone. O Governo fascista procurou relançar o cinema com a criação do Festival de Veneza (1932), do Centro Experimental de Cinematografia (1935) e dos estúdios Cinecittà, perto de Roma (1937). Em 1943, L. Visconti assombrou o público com Obsessão, filme realista e popular; porém, foi R. Rossellini que conseguiu que o termo neorrealismo fosse conhecido com Roma, Cidade Aberta (1945; Roma, città aperta). Nesta linha, seguiram algumas das figuras de relevo das décadas de 1940 e 1950: V. de Sica, Ladrões de Bicicletas (1948; Ladri di Biciclette); G. de Santis, Arroz Amargo (1949; Riso amaro); L. Zampa, A. Lattuada e P. Germi, entre muitos outros. Este movimento teve ao longo da década de 1950 uma derivação popular nas comédias de L. Comencini ou de M. Monicelli. Paralelamente, enquanto os mestres do neorrealismo L. Visconti e V. de Sica seguiram uma evolução muito pessoal, Rossellini empreendeu uma renovação estética que transformou o cinema moderno: Romance na Itália (1953; Viaggio in Italia). Neste contexto, apareceram as três grandes figuras das décadas seguintes: M. Antonioni, que depurou o seu estilo em composições de crescente abstração (A Noite, 1960); F. Fellini, autor de simbólicas evocações ( Oito e Meio, 1963; Otto e mezzo) e Pier Paolo Pasolini, agitador social e poeta sensível (Accattone, 1961). Depois, surgiram novos realizadores (V. Zurlini, E. Olmi, M. Ferreri), alguns deles com temática política (B. Bertolucci, M. Bellocchio, Paolo e Vittorio Taviani). O cinema comercial foi dominado por dois gêneros: o spaghetti western (S. Leone) e o cinema de terror (M. Bava). Durante a década de 1990 o cinema comercial adquiriu um tom evocador muito valorizado internacionalmente: Cinema Paradiso (1988), de G. Tornatore, ou A Vida é Bela (1999; La vita è bella), de R. Benigni, premiados ambos com o Oscar de melhor filme estrangeiro. Ao mesmo tempo, renascia o cinema com N. Moretti (O Quarto do Filho, 2001; La stanza del figlio). Entre as últimas produções italianas, cabe destacar A Melhor Juventude (2003; La meglio giuventú) de M. Tullio Giordana e As Consequências do Amor (2004; La Conseguenze dell'amore) de P. Sorrentino.
Itália Nanni Moretti, junto a Antonio Banderas e Melanie Griffith, com a palma de Ouro por O Quarto do Filho, Festival Internacional de Cinema de Cannes, 2001
LiteraturaO Cântico do Sol (1224), de São Francisco de Assis, é considerado o primeiro documento literário em italiano vulgar. A prosa tem na coleção anônima de contos denominada Novellino e no Livro das Maravilhas de Marco Polo (escrito em francês) os seus pontos mais altos. De qualquer forma, a experiência mais importante do século deu-se com os representantes do dolce stil nuovo: Guido Guinizelli, Guido Cavalcanti, Cino da Pistoia e Dante Alighieri (1265-1321). O séc. XIV começa com a Divina Comédia (1304-1314) de Dante, que resume a cultura medieval italiana e europeia. Diferente é o universo literário de F. Petrarca, que impulsionou a recuperação da cultura clássica e usou o latim para a quase totalidade de sua obra. Petrarca reservou a língua vulgar para o Cancioneiro e os Triunfos. Mais ligado à realidade social da sua época está o Decamerão de G. Boccaccio. Os primeiros humanistas (C. Salutati, L. Bruni, G. Manetti, P. Bracciolini) surgiram a partir do séc. XV no seio da alta burguesia florentina. Destaca-se a poesia de Lourenço de Médicis e, na corte de Ferrara, a produção de M.M. Boiardo, autor do Orlando Enamorado. Nas primeiras décadas do séc. XVI, o movimento humanista alcançou a plena maturidade e deu origem ao Renascimento. Sobressaem Ludovico Ariosto, autor do poema épico Orlando Furioso, e N. Maquiavel, que refletiu sobre o poder no tratado O Príncipe. À crise política, econômica e social do séc. XVII corresponde, no âmbito da cultura, a passagem de uma dimensão cosmopolita para uma outra muito mais fechada: o Barroco. Entre os escritores da época, destacam-se G. Marino e A. Tassoni. No teatro, a tradição culta do século anterior culminou nas tragédias de Federico della Valle e afirmou-se a commedia dell'arte como a nova forma de espetáculo que marcaria a arte cênica. O séc. XVIII iniciou-se com a renovação poética que impulsionou a Academia da Arcádia (1690) e continuou com mudanças no campo da historiografia e da erudição com a obra de G. Vico, P. Giannone e L.A. Muratori. Em Veneza, destacou-se a obra dramática de C. Goldoni. A poesia de G. Parini testemunha a adesão aos pressupostos neoclássicos. O grande inovador no campo ideológico e literário foi A. Manzoni (Os Noivos). Na poesia, é de destacar o romântico G. Leopardi e na prosa, os memorialistas S. Pellico, L. Settembrini e M. D'Azeglio. Por outro lado, é válido destacar a reação antirromântica de G. Carducci, prêmio Nobel em 1906. A melhor narrativa do período deve-se aos realistas: G. Verga, L. Capuana, F. de Roberto e G. Deledda, prêmio Nobel em 1927. Se na prosa se podem destacar os romances de A. Fogazzaro, na poesia são autores de grande interesse G. Pascoli, G. D'Annunzio e o futurista F.T. Marinetti. Durante a primeira metade do séc. XX, o aparecimento de revistas literárias, como Lacerba de G. Papini e La Voce de G. Prezzolini, reflete um desejo de renovação oposto ao positivismo filosófico e à estética aristocrática e sensual surgida a partir de D'Annunzio. Na crítica literária, dominava o pensamento de B. Croce e as duas grandes figuras da época são L. Pirandello, prêmio Nobel em 1934 e I. Svevo. O panorama da poesia no período 1918-1939 é vivo e interessante com figuras como G. Ungaretti e E. Montale, prêmio Nobel em 1980. De Montale arranca a poesia hermética (A. Gatto, M. Luzi, V. Sereni, S. Penna, G. Caproni e S. Quasimodo, prêmio Nobel em 1959). Entre os romancistas convém referir C. Alvaro, A. Moravia, E. Vittorini e especialmente C. Pavese e C.E. Gadda. O clima literário posterior à II Guerra Mundial caracterizou-se pelo interesse pela realidade social. Paralelamente ao que sucede no cinema, o neorrealismo adotou soluções linguísticas que revalorizavam o dialeto e a língua falada (C. Levi, V. Pratolini). Entre os romancistas que privilegiam a palavra sobressaem Lampedusa, Natalia Ginzburg, Elsa Morante, Italo Calvino e D. Buzzati. Os escritores neovanguardistas que confluíram no chamado Grupo 63 (como E. Sanguineti, A. Giuliani e Umberto Eco) tinham em comum o interesse pela experimentação linguística e pela contestação dos valores burgueses. Nas décadas de 1970 e 1980, são de destacar as figuras de V. Consolo, A. Tabucchi e G. Bufalino. Entre os mais recentes narradores destacam-se S. Benni, A. Busi, A. de Carlo, S. Tamaro, A. Baricco ou D. Del Giudice. No teatro, a experiência de Dario Fo foi reconhecida com o prêmio Nobel em 1997.
Itália Antonio Tabucchi
MúsicaOs primeiros séculos da música na Itália coincidiram com a formação do repertório litúrgico católico: o canto gregoriano e o canto ambrosiano. No séc. X, Guido d'Arezzo desenvolveu a notação musical e criou a solmização. No séc. XIV, floresceu a chamada ars nova, que se expressou sobretudo no madrigal, na caccia e na ballata.O grande florescimento musical do séc. XVI marcou o início da supremacia europeia da Itália, que durou até meados do séc. XVIII. Resultado da civilização das cortes italianas foi o madrigal, que culminou na obra de C. Monteverdi (1567-1643). A primeira ópera foi representada na cidade de Florença em 1600 (Eurídice, de Peri e Rinuccini) e desde logo se destacaram as de Monteverdi.No séc. XVIII, criaram-se a sonata para violino, a sonata a três (dois violinos e baixo contínuo), a suite e o concerto grosso. Nestes formatos, destacaram-se T. Albinoni (1671-1750) e A. Vivaldi (1678-1742). Na música para clavicórdio, sobressaiu, sobretudo, D. Scarlatti (1685-1757).A ópera italiana conseguiu renovar-se e triunfar no séc. XIX. Com G. Rossini (1792-1868) culminou a tradição da ópera bufa e abriram-se novos caminhos para a ópera séria, que levariam às óperas francesas. A passagem para a ópera romântica deu-se definitivamente com V. Bellini (1801-1835) e G. Donizetti (1797-1848). Assim, preparou-se o ambiente para o melodrama de G. Verdi (1813-1901), cujo êxito se baseou também em uma estreita relação entre o músico e o público. A ópera contemporânea teve em La Scala (Milão), San Carlo (Nápoles) e La Fenice (Veneza) assim como no festival anual de Verona, os cenários de máximo prestígio internacional. Por seu lado, a música instrumental, com exceção de L.C. Cherubini (1760-1842) e do virtuosismo de N. Paganini (1782-1840), oferece um panorama estanque. No final do séc. XIX e início do séc. XX, afirmou-se o chamado melodrama verista, com R. Leoncavallo (1857-1919), e, sobretudo, G. Puccini (1858-1924). A geração seguinte, a de I. Pizzetti (1880-1968), A. Casella (1883-1947) e O. Respighi (1879-1936), voltou com frequência à tradição romântica. Entre os compositores mais representativos das vanguardas, são de mencionar L. Berio, B. Maderna, L. Nono, S. Bussotti, N. Castiglioni, F. Evangelisti e F. Donatoni. Destacam-se ainda os diretores de orquestra C. Abbado, R. Muti, S. Accardo, M. Pollini e G. Sinopoli.
Instituições políticas
A constituição italiana de 1948 estabelece como regime político a democracia parlamentar, com divisão de poderes. O Parlamento é composto da Câmara dos Deputados e do Senado. Os deputados (630) e senadores (315) são eleitos por cinco anos. Há ainda os senadores vitalícios – ex-presidentes da república e mais cinco personalidades nomeadas pelo chefe de estado. Em 1993, emendas constitucionais determinaram que 75% dos senadores e deputados fossem eleitos por voto majoritário e os restantes segundo um sistema de representação proporcional.
O presidente da república é eleito por um colégio eleitoral formado pelas duas câmaras do Parlamento e por 58 representantes regionais, e tem mandato de sete anos. Como chefe de estado, nomeia o primeiro-ministro, mas a indicação requer aprovação parlamentar.
Os dois partidos que dominaram a política depois da segunda guerra – o Democrata Cristão e o PCI – se desintegraram a partir da década de 1980, sendo substituídos pelo Partido Popular Italiano (PPI) e pelo Partido Democrático da Esquerda (PDS), respectivamente. Surgiram também novas agremiações, de tendência populista, como o Força Itália, de Silvio Berlusconi, e a Liga do Norte, de Umberto Bossi.
Politicamente, a Itália está dividida em vinte regiões administrativas. Cinco delas têm maior autonomia e um sistema administrativo mais complexo: Valle d'Aosta, Trentino-Alto Adige, Friuli-Venezia Giulia, por serem regiões de fronteira com características linguísticas e sociais diferenciadas, e as grandes ilhas da Sicília e Sardenha. As regiões estão subdivididas em províncias e municípios.
Sociedade
Mais de noventa por cento da população italiana é declaradamente católica romana, mas na segunda metade do século XX observou-se um declínio no número de católicos praticantes. Em 1984 deixou de haver qualquer religião oficial, aboliu-se o ensino religioso compulsório nas escolas públicas e foram reduzidas as contribuições financeiras oficiais à igreja.
A educação é compulsória entre os seis e os 14 anos. O sistema escolar começa no jardim de infância, para crianças de três a seis anos. O primeiro grau destina-se às crianças de seis a 11 anos, e o segundo grau às de 11 a 14. A educação pós-secundária não é obrigatória e engloba uma vasta gama de escolas técnicas, de comércio, arte, pedagogia e escolas preparatórias para os cursos universitários clássicos e científicos. O ensino superior é predominantemente público.
A Itália possui um sistema bastante amplo de previdência social, que cobre a grande maioria da população. Todos os serviços sociais e benefícios em casos de doença, acidente, deficiência, velhice e desemprego, são prestados por diversas repartições públicas, das quais a maior é o Instituto Nacional da Previdência Social. Existe uma ampla rede de saúde pública financiada pelo governo e baseada em unidades sanitárias locais.
Cultura
A Itália é pródiga em tesouros de arte, criados sobretudo durante o Renascimento. Esses tesouros estão presentes tanto nas pequenas cidades medievais quanto nos grandes centros culturais, como Florença, Roma e Veneza, onde a fortuna de poderosas famílias pôde sustentar todo um florescimento das artes.
Arquitetura, escultura e pintura
No século IV, a decoração das catacumbas marcou as origens da pintura e escultura ocidentais. Com o reconhecimento oficial do cristianismo, iniciou-se a construção de santuários por toda a Itália, com destaque para as basílicas. A principal foi a antiga basílica de São Pedro, erguida no Vaticano no ano 344 e hoje desaparecida. A catedral de Ravenna, em estilo bizantino, foi erguida em 390. A igreja de San Giovanni Evangelista, o mausoléu de Galla Placidia e o batistério dos Ortodoxos datam do século V. A igreja de San Vitale é a última obra-prima da arte antiga em Ravenna.
A partir do século VIII, o mosaico renasceu na Itália; até 840, a igreja acolheu muitos artistas orientais. A arquitetura sofreu influência lombarda, principalmente em Pavia, Monza e Milão. Na pintura, o mosaico com fundo de ouro predominou até o século IX, e os afrescos mantiveram a tradição romana ao lado da grega. A escultura mais notável do período é o famoso altar de ouro de Sant'Ambrogio (Milão), assinado por Vuolvinius, que resume a arte carolíngia.
Dos séculos XI a XIII, a fusão dos estilos antigos e novos da cristandade do Ocidente e do Oriente se traduziu em novas e poderosas formas arquitetônicas: a nova basílica ambrosiana em Milão, o conjunto de Pisa, o batistério de Parma, a igreja de San Miniato em Florença. A escultura fundiu tendências rústicas com experiências mais sofisticadas. A pintura denota antecedentes carolíngios. Em Verona, foi construída a basílica de San Lorenzo, cuja fachada representa o último estágio ornamental lombardo. A basílica de San Marco, em Veneza, é um dos mais ricos tesouros da cristandade; seus mosaicos foram completados e restaurados continuamente, até o século XIX.
Na Toscana, a igreja de San Miniato (século XI) resume toda a arquitetura românica florentina. Em Pisa e Lucca, o tema da pintura é o crucifixo; em Florença e Siena, a madona. Em Roma floresceram o mosaico e a arte dos marmoristas, com destaque para Jacopo de Lorenzo e seu filho Cosma. A assimilação das formas lombardas revela-se na igreja de Santa Maria di Castello (1121) e o reencontro com a tradição basilical na de Santa Maria Maggiore (século XII).
A grande figura da pintura foi Giotto, que deu maior expressão ao estilo figurativo. Na capela Bardi de Santa Croce (1317-1323) está a versão definitiva da lenda de são Francisco de Assis, por Giotto. Em Siena estão as obras-primas de Duccio di Buoninsegna e Pietro Lorenzetti. Em Florença, destacaram-se na pintura monumental Giovanni da Milano, Altichiero e Giusto Menabuoi. Gentile da Fabriano e Antonio Pisano foram os mestres na escola fundada por Altichiero.

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