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hidrofobia
Psiquiatria. s. f. Horror doentio à água. Medicina. Raiva.
Conhecida desde a antiguidade, a hidrofobia ou raiva só pôde ser eficazmente combatida graças ao trabalho de Louis Pasteur, que inventou a vacina antirrábica.
Hidrofobia é uma doença contagiosa que se transmite ao homem pela mordedura ou lambedura de um animal contaminado, em geral cão ou gato. Quase todos os mamíferos – macaco, rato, morcego – podem contrair e transmitir pela saliva o vírus rábico, que se localiza no sistema nervoso central e provoca uma encefalite mortal. As mordeduras mais graves são as sofridas na cabeça e no rosto. Em qualquer caso é indispensável procurar socorro imediato e, se possível, manter em observação o animal agressor – que nem sempre dá sinais da doença.
Em 1884, Pasteur usou a saliva de um cão raivoso para transmitir experimentalmente a infecção e transformar o "vírus da rua", forma natural que provoca a raiva, em "vírus fixo". Com este, obteve a primeira vacina antirrábica, com que salvou a vida do menino Joseph Meister, mordido por um cão hidrófobo.
Hidrofobia no cão
O cão mordido por um animal raivoso desenvolve a infecção em dez dias ou até oito meses depois, mas a média do período de incubação é de 21 a 60 dias. Há duas formas de raiva canina: a furiosa e a paralítica. A primeira se manifesta por inquietude, nervosismo e tendência a atacar. Depois, a doença afeta os músculos da garganta: o cão fica "rouco" ao latir, às vezes totalmente afônico, e tem dificuldade de engolir: daí a aversão a líquidos, que gerou o nome da doença. Seguem-se crises convulsivas, paralisia, coma e morte. A raiva paralítica não apresenta nervosismo nem agressividade. O cão se afasta da companhia humana e se esconde em lugares escuros; em 24 ou 48 horas manifesta-se a paralisia, que progride e o mata em três a quatro dias. Há cães que morrem repentinamente de raiva, sem que apareçam os sinais característicos.
Hidrofobia no homem
Conforme a gravidade e o lugar da mordedura, a incubação leva de vinte a sessenta dias. Começa por febre, mal-estar geral, dor de cabeça, inapetência, náusea e dor de garganta, além de sensações de formigamento e dormência na região da mordedura. Segue-se excitação – nervosismo, insônia, apreensão – e sintomas depressivos e paralíticos, que podem alternar com a excitação. É frequente a aversão a líquidos: a mera visão, odor e ruído de líquidos provoca espasmos na garganta. Também são comuns crises convulsivas e comportamento maníaco, mas é rara a tendência a atacar ou morder. A morte ocorre, em geral, durante uma crise nervosa.
Não existe tratamento específico contra a raiva. Uma vez manifestada, só é possível aliviar os sintomas. Contudo, a amplitude do período de incubação permite evitar que ela apareça, mesmo após a contaminação. As principais medidas recomendadas são a imediata e cuidadosa lavagem e desinfecção do local afetado, a infiltração deste com soro hiperimune – que em certos casos, deve também ser aplicado intramuscularmente, em dose única – e a administração da vacina antirrábica, cujo tipo mais comum é o de 16 doses sucessivas. Medicamento mais moderno, a HDCV (de human diploid cells vaccine), desenvolvida em células diploides humanas, tem a vantagem de requerer número bem menor de doses.

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