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EV
Grécia
Helleniki Dhimokratía
 Forma de governorepública
 Superfície131.957 km²
 Localidade11.418.878 habitantes (grego, a)
 CapitalAtenas (747.300 habitantes, aglomeração urbana: 3.761.810 hab.)
 Principais cidades Tessalonica (361.200 hab.)
Pireu (179.300 hab.)
Patras (167.000 hab.)
Peristérion (140.300 hab.)
Heracleia (134.700 hab.)
 
Mais dados
Estado da Europa. Limitado ao N pela Albânia, Macedônia e Bulgária; ao NE, pela Turquia e banhado ao E pelo mar Egeu, ao S pelo Mediterrâneo e ao O pelo Jônico. Com uma superfície de 131.957 km² e uma população de 11.418.878 habitantes, o país divide-se em 52 nomos e uma república autônoma. Capital: Atenas. Língua oficial: grego. A religião mais difundida éortodoxa grega.

Estrutura administrativa da Grécia

Regiões Nomos

Superfície (km2)

População

Capital

População

Ática

Grande Atenas

3.808

3.761.810

Atenas

747.300

Agion Oros*

336

2.262

Kariaí

380

Creta

Khaniá

2.376

150.387

Khaniá

53.800

Heracleia

2.641

292.489

Heracleia

134.700

Lasiti

1.823

76.319

Áyios Nikólaos

12.200

Réthimnon

1.496

81.936

Réthimnon

25.300

Egeu Meridional

Cíclades

2.572

112.615

Hermópolis

12.700

Dodecaneso

2.705

190.071

Rodes

55.600

Egeu Setentrional

Quios

904

53.408

Quios

21.500

Lesbos

2.154

109.118

Mitilíni

26.900

Samos

778

43.595

Sámos

6.100

Epiro

Árta

1.612

78.134

Árta

17.000

Ioánnina

4.990

170.239

Ioánnina

63.400

Préveza

1.086

59.356

Préveza

16.800

Tesprotia

1.515

46.091

Hegumenítsa

9.500

Grécia Central

Beócia

3.211

131.085

Labadeia

19.600

Eubeia

3.908

215.136

Calcis

55.700

Euritânia

2.045

32.053

Karpenisi

6.800

Fócida

2.121

48.284

Ámfissa

7.700

Ftiótide

4.368

178.771

Lamía

47.400

Grécia Ocidental

Acaia

3.209

322.789

Pátrai

167.000

Élida

2.681

193.288

Pírgos

20.000

Etólia e Acarnania

5.447

224.429

Mesolóngion

10.300

Ilhas Jônicas

Cefalônia

935

39.488

Argostólion

9.800

Corfu

641

111.975

Corfu

36.900

Leucádia

325

22.506

Leucádia

7.600

Zákinthos

406

39.015

Zákinthos

12.500

Macedônia

Calcídica

2.945

104.894

Políyros

4.600

Emácia

1.712

143.618

Véroia

43.800

Kilkís

2.614

89.056

Kilkís

17.300

Pela

2.506

145.797

Edessa

17.800

Piéria

1.506

129.846

Kateríni

53.600

Sérrai

3.970

200.916

Sérrai

55.400

Tessalonica

3.560

1.057.825

Tessalonica

361.200

Macedônia Ocidental

Flórina

1.863

54.768

Flórina

16.600

Grevená

2.338

37.947

Grevená

7.900

Kastoría

1.685

53.483

Kastoría

16.200

Kozáni

3.562

155.324

Kozáni

35.500

Macedônia Oriental e Trácia

Dráma

3.468

103.975

Dráma

42.400

Evros

4.242

149.354

Alexandrópolis

47.200

Kavália

2.109

145.054

Kavália

63.000

Rhodope

2.543

110.828

Komotiní

43.000

Xánthi

1.793

101.856

Xánthi

47.100

Peloponeso

Arcádia

4.419

102.035

Trípoli

24.200

Argólida

2.214

105.300

Návplion

13.400

Corintia

2.290

154.624

Corinto

32.000

Lacônia

3.636

99.637

Esparta

15.800

Messênia

2.991

176.876

Kalámai

50.000

Tessália

Kardítsa

3.576

129.541

Kardítsa

32.200

Larissa

5.351

279.305

Larissa

124.500

Magnésia

2.636

206.995

Vólos

83.600

Trikala

3.367

138.047

Trikala

47.400

* República Autônoma


GeografiaMeio físicoO território está muito fragmentado por um complexo e articulado sistema de falhas. No NE do país, entre o rio Nestos e as fronteiras turca (rio Evros) e búlgara, estendem-se os montes Ródopes até o mar Egeu. Ao O do Nestos até a fronteira com a Albânia encontra-se a região grega da Macedônia, constituída por montanhas, depressões e uma planície formada pelo Aliákmon e Axiós. Entre este e o Struma eleva-se a cordilheira de Vertiskos que se alarga do NO ao SE até o Orfánion. Mas ao O, adentra-se no mar Egeu a península Calcídica. Ao O e SO, aparecem uma série de cordilheiras paralelas ao mar Jônico. Ao S, o relevo volta a dividir-se e termina na península do Peloponeso, ramificada em quatro penínsulas rochosas. A Grécia insular (uma quinta parte do território) compreende as ilhas Jônicas no mar Jônico, Eubeia, as Cíclades e as Espórades no Egeu, e Creta, a mais extensa, entre o Egeu e o Mediterrâneo. Os rios apresentam cursos curtos, corrente fluvial irregular e regime torrencial. Os principais rios são o Axiós, o Struma, o Nestos e o Évros. O clima é mediterrâneo, com verões quentes e secos e invernos temperados e chuvosos. As mínimas no inverno oscilam entre 4 °C e 9 °C, e as máximas no verão, entre 25 °C e 27 °C. As precipitações anuais superam os 1.000 mm na vertente jônica e apenas alcançam 400 mm em Atenas. A formação vegetal mais extensa, até os 1.000 m de alt., é a mediterrânea. Entre 1.000 e 2.000 m de alt. crescem bosques e, a maior altitude, abetos e larícios.Grécia Monte OlimpoPopulação e estrutura econômicaCom uma densidade de 84 hab./km2, as áreas mais povoadas localizam-se na região da Ática, onde se encontra a capital, Atenas, e a maioria das cidades de mais de 50.000 hab. Igualmente, a ilha de Corfu é uma das mais densamente povoadas, com 175 hab./km2. Com a entrada na CEE (1981), a Grécia modernizou a sua estrutura produtiva e assentou as bases de uma economia desenvolvida com um PIB por habitante superior a 12.000 dólares (2006). Em um terço das terras cultivam-se cereais, principalmente trigo e milho. Destacam-se os cultivos de oliveira, dos cítricos e de videira (para a produção, sobretudo, de passas), além de ressaltar a importância da produção de fibra de algodão e de tabaco. Os bosques, que ocupam uma quinta parte do solo, proporcionam anualmente mais de 2.000.000 de m3 de madeira. Quanto ao gado, conta com importantes rebanhos de ovinos e caprinos. A pesca é outra das atividades tradicionais, destacando-se, especialmente, a coleta de esponjas. A Grécia também explora os suas jazidas de níquel e bauxita e extrai magnesita, linhito, ferro, manganês, prata, zinco e cromita. A indústria registrou um considerável desenvolvimento nos setores têxtil e alimentício, uma vez que se consolidaram as indústrias química, especialmente de fertilizantes, petroquímica e de produção de bens intermediários.A rede de estradas estende-se ao longo de 117.000 km, e a ferroviária conta com um total de 2.299 km. O tráfego marítimo, muito desenvolvido, é especialmente destacado nos portos de Pireu, Pátrai, Heracleia e Tessalonica. Atenas dispõe também de um ativo aeroporto internacional. A balança comercial é muito deficitária. Os principais intercâmbios realizam-se com Alemanha e Itália. Exportação de, principalmente, alimentos, fibra de algodão, petróleo e alumínio, e importação de vestuário, maquinaria e produtos químicos.
Grécia Mapa econômico
HistóriaPré-História e época arcaicaOs vestígios de ocupação humana mais antigos do território da atual Grécia remontam ao Paleolítico Médio ( Petralona) e ao Paleolítico Superior, representado por numerosas jazidas no norte do país. A profusão de vestígios do Mesolítico anunciam um Neolítico precoce, desenvolvido a partir do VII milênio a.C. pela zona continental (Nea Nicomedia, Sesklo, Dimini), por Creta, onde surgiu a civilização minoica no III milênio a.C., e pelas Cíclades, onde floresceu a cultura cicládica. No II milênio a.C., a Grécia continental sofreu a invasão de povos indo-europeus procedentes do norte que, ao fundirem-se com a população autóctone, deram origem à civilização micênica ( Micenas).Após a decadência dos estados micênicos, entre os sécs. XI e IX a.C., existiram diversos grupos tribais (jônios, dórios, aqueus, eólios), falando cada um deles o seu próprio dialeto. Nos sécs. VIII-VII a.C., apareceram as cidades-estado (pólis). No séc. VII a.C., deu-se a revolução econômica: introdução da moeda, nascimento de uma economia mercantil e empreendimento de grandes empresas colonizadoras que se espalharam por todo o Mediterrâneo e mar Negro. Algumas cidades desenvolveram distintas formas de governo, como Atenas, que passou de monarquia a oligarquia e, depois de um período de tirania, adotou uma democracia restrita. Por outro lado, Esparta caracterizou-se por um sistema, regido por dois reis, fortemente militarizado. A partir de meados do séc. VI a.C., as cidades gregas da Ásia Menor e do Dodecaneso caíram no domínio do Império Persa, e todo o mundo grego se viu ameaçado pelo inevitável avanço destes invasores asiáticos. O choque entre gregos e persas deu lugar às Guerras Médicas do iníciodo séc. V a.C.Época Ccássica e época helenísticaDerrotados os persas nas Termópilas, os gregos conseguiram acabar com o inimigo em Salamina e em Plateia. Por um período de 50 anos (478-431 a.C), sob o governo de Péricles, Atenas atinguiu o máximo do seu florescimento. Reuniu em uma única confederação defensiva (liga de Delos) as principais cidades do Egeu e da costa jônica, e chegou a ser o centro cultural e político do mundo helênico. A confederação, nascida da luta contra a ameaça persa, transformou-se rapidamente em um instrumento de agressão imperialista de Atenas, que considerava os outros povos mais como súditos do que aliados. As marcadas diferenças entre Atenas e os aliados ofereceram, de fato, à Esparta a oportunidade para o choque frontal e o triunfo. Chega-se assim à Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), que durou 30 anos e opôs as duas principais cidades da Grécia, terminando com a vitória de Esparta. Em meados do séc. IV a.C., emergiu com força o reino da Macedônia, que se mantivera à margem das guerras entre Atenas e Esparta. O rei macedônio Filipe II estendeu os seus domínios à Tessália, Beócia e Ática e anexou Atenas e Tebas. O seu filho, Alexandre Magno, empreendeu, a partir de 334 a.C., a conquista da Ásia Menor e o seu Império chegou até o vale do rio Indo e incluiu a Síria, Palestina e Egito. O conquistador dedicou-se a helenizar os países dominados para consolidar a sua campanha. Em oposição ao declínio das pólis, potenciaram-se, ao longo do séc. III a.C., organismos federais, como a Liga Aqueia e a Liga Etólia, que se opuseram à hegemonia da macedônia até à conquista romana. Antes da aliança de Filipe V da Macedônia e Aníbal na segunda das Guerras Púnicas, Roma interveio no território grego e derrotou Filipe (197 a.C.) e o seu filho Perseu (168 a.C.), pelo que a Macedônia se converteu em uma província romana. A destruição de Corinto por obra dos romanos (146 a.C.) encerrou a história da Grécia da época helenística.O domínio romanoDepois de 146 a.C., Roma respeitou as autonomias locais, mas restringiu o poder político às ligas, que pouco a pouco se dissolveram. Os territórios conquistados foram anexados às províncias da Macedônia, Epiro, Acaia e Ásia. As cidades permaneceram livres e gozavam de alguma imunidade. A Grécia teve uma momentânea independência a partir de 67 d.C., quando Nero, a partir de Corinto, proclamou a plena liberdade dos gregos, até pouco antes de 74, ano em que Vespasiano reduziu novamente a Grécia a província senatorial. As condições gerais do país foram bastante favoráveis nos primeiros séculos do Império, mas no séc. III, os alamanos e os godos arrasaram muitas cidades. Dois episódios fundamentais assinalaram o fim da continuidade cultural grega: a proibição de Teodósio (379-395) de celebrar cultos pagãos e a de Justiniano de exercer o ensino da filosofia. A cultura grega ficou, então, submetida à religião cristã.Época bizantina e a ocupação otomanaCom a divisão do Império promulgada por Teodósio em 395, a Grécia passou a pertencer ao Império Romano do Oriente, que seria conhecido como Império Bizantino, com capital em Constantinopla. No final do séc. IV, os territórios gregos sofreram as invasões dos visigodos de Alarico e dos ostrogodos de Teodorico. Em meados do séc. V, os hunos chegaram a Corinto e os eslavos ocuparam parte da Macedônia. A partir do final do séc. VII, os árabes tornaram-se uma ameaça constante em todo o litoral, e no séc. X os búlgaros pressionaram o norte. Entre os sécs. XI e XVI, normandos, venezianos, borgonheses e catalães, entre outros, disputaram o Epiro, o Peloponeso e o ducado de Atenas, perante as tentativas de Constantinopla em recuperar a sua hegemonia sobre a Grécia. Paralelamente, os turcos seljúcidas e, posteriormente, os otomanos expandiam-se pela Anatólia.A queda de Constantinopla nas mãos dos turcos (1453) foi precedida pela conquista de parte do território grego, completada pelos otomanos em 1460, com exceção das ilhas jônicas. O domínio turco, para grande parte da Grécia, durou até depois de 1821 (Império Otomano). No séc. XVIII, os russos pretenderam criar um império nos Balcãs e promoveram, sem êxito, a rebelião de gregos e eslavos ortodoxos contra o ocupante turco em 1769 e 1786. Em 1814, formou-se uma poderosa sociedade secreta, a Philiké Hetairia, que preparou a incipiente revolução.Da independência às Guerras dos BalcãsCom a insurreição de 1821 começou a história moderna da Grécia. Em 1822, celebrou-se em Epidauro o I Congresso Nacional de onde surgiu a primeira Constituição. Mas as primeiras vitórias foram seguidas por divergências entre os dirigentes políticos (na sua maioria fanariotas) e os chefes militares. O contra-ataque do Império Turco não se fez esperar e, a troco do controle sobre Creta, em ajuda deles foi o vice-rei do Egito, Ibrahim, ao mesmo tempo que provocou a ingerência do Reino Unido, França e Rússia. Os aliados derrotaram os turco-egípcios na Batalha de Navarino (1827) e exigiram a independência da Grécia em 1830. Na Conferência de Londres de 1832, impôs-se ao novo Estado o regime de monarquia unido à tutela da sua independência. Em janeiro 1833, desembarcou em Návplion o rei designado, Oto da Bavária, com a sua corte e um contingente de tropas. O descontentamento popular insurgiu quando em 1843, a guarnição de Atenas se revoltou, pelo que o rei se viu obrigado a conceder uma Constituição. Outra revolta (1862) derrotou Oto, que foi substituído por um governo provisório que convocou a Assembleia Nacional. Esta ofereceu o trono a Guilherme da Dinamarca, que reinou desde 1863 com o nome de Jorge I e aceitou a instauração de uma monarquia parlamentar. A primeira década do séc. XX foi um período de instabilidade governamental. Na política externa, profundas mudanças nas relações com os estados vizinhos levaram às Guerras Balcânicas (1912-1913), concluídas vitoriosamente com a anexação de Creta e das ilhas do Egeu, do Epiro e do NE da Macedônia até Tessalonica.As duas Guerras MundiaisEm 1914, irrompeu a I Guerra Mundial como um confronto localizado, em princípio, no Império Austro-Húngaro e na Sérvia, mas que se estendeu por quase toda a Europa.Na Grécia, em 1913, o rei Jorge foi sucedido pelo seu filho Constantino I, um filogermano (era cunhado do Kaiser), que entrou em conflito com Venizelos, que propunha a entrada do país na guerra a favor dos aliados. Em 1917, Venizelos tornou-se primeiro-ministro. Inicialmente neutra, a Grécia acabou por se aliar à Entente com a perspectiva de novas aquisições territoriais da Turquia e da Bulgária, e Constantino cedeu o trono ao seu filho Alexandre I (1917). Após a derrota dos impérios centrais, a Grécia desembarcou um contingente de tropas na cidade turca de Esmirna e, pelo Tratado de Sèvres (1920), obteve a Trácia Ocidental da Bulgária e a Trácia Oriental, menos a região de Istambul e o Protetorado de Esmirna, sendo que o tratado não havia sido ratificado pela Turquia, a qual se impôs sobre a Grécia e recuperou Esmirna. Após o curto reinado de Jorge II, em março 1924 foi proclamada a República mediante um plebiscito e deu-se o regresso de Venizelos. Mas em junho 1925, o general Pangalos estabeleceu com um golpe de Estado uma ditadura militar, por sua vez derrubada por outro golpe de Estado do general Kondilis (agosto, 1926), que convocou novas eleições e cedeu o poder a um governo de coligação. As eleições de 1928 deram a maioria absoluta ao Partido Liberal, dirigido por Venizelos, que governou até 1932. A instabilidade política conduziu à reinstauração da monarquia de Jorge II e, em 1936, com o pretexto de uma greve geral, Yannis Metaxás proclamou uma ditadura de inspiração fascista. As contradições do regime eclodiram quando se iniciou a II Guerra Mundial. A Grécia em um primeiro momento tratou de manter-se neutra, mas em 1941, as tropas alemãs invadiram a Grécia e o território ficou dividido em três zonas de ocupação (alemã, italiana e búlgara). O rei Jorge II exilou-se e logo surgiram as primeiras organizações de resistência: EAM (Frente Nacional de Libertação); ELAS (Exército Nacional Popular de Libertação), de inspiração comunista; EDES (Exército Nacional Democrático Grego), monárquico; EOKA (Organização Nacional de Luta pela Liberdade Cipriota). Em 1944, após a retirada dos alemães, ganhou a coligação monárquica e irrompeu a guerra civil, que custou ao país mais de meio milhão de mortos; terminou no final de 1949 com a derrota dos comunistas.
Grécia Formação contemporânea
Monarquia democrática, ditadura e retorno à democraciaEm 1952, a Grécia ingressou na OTAN e entre 1954 e 1963 o governo esteve nas mãos da ERE (União Nacional Radical) de K. Karamanlís. Em 1964, o socialista G. Papandreu ganhou as eleições, mas repentinamente, em julho de 1965, o rei Constantino II retirou o seu apoio ao governo de Papandreu. Durante o período de instabilidade governamental que se seguiu, sucederam-se vários governos de direita e exerceu-se uma dura repressão contra a oposição de esquerda. Em abril 1967, o exército promoveu um golpe de Estado dirigido pelo coronel G. Papadopoulos. Aliado inicialmente com o chamado regime dos Coronéis, o rei organizou, em dezembro, um contragolpe que fracassou e teve de exilar-se. Em 1973, a uma tentativa de golpe de Estado monárquico da Marinha, G. Papadopoulos respondeu com a proclamação da República (1 de junho) e tornou-se presidente. Em 1974, depois da crise de Chipre, o exército cedeu o poder a K. Karamanlís, líder do partido Nova Democracia, que obteve a maioria nas eleições livres celebradas em novembro. Em dezembro, um referendo confirmou a abolição da monarquia e em junho de 1975 promulgou-se uma nova Constituição republicana. Karamanlís manteve-se no poder até 1980. Deu-se a reintegração do país na estrutura militar da OTAN (1980), abandonada em 1974 durante a crise de Chipre, e o ingresso na CEE (1981). Nas eleições de outubro de 1981, foi eleito primeiro-ministro A. Papandreu, líder do PASOK (Movimento Socialista Pan-helênico). Em março de 1985, foi eleito presidente da República K. Sartzetakis, que foi substituído por K. Karamanlís em 1990, e este por K. Stefanopoulos em 1995 e reeleito em 2000. Em janeiro 1996, o PASOK substituiu o seu líder, Papandreu, por Costas Simitis, que, poucos dias depois, foi nomeado primeiro-ministro, cargo que revalidou nas eleições de setembro de 1996 e abril de 2000, inaugurando um novo período de governo depois de eleições gerais, onde o PASOK teve de novo maioria absoluta. A perseverança de Simitis na política de austeridade fez com que em junho de 2001 o Conselho Europeu aprovasse o ingresso da Grécia na União Monetária e a sua incorporação no euro. Nas eleições gerais de 2004, o partido Nova Democracia liderado por Kostas Karamanlis, sobrinho de Konstantindas Karamanlis, venceu. No ano seguinte, o Parlamento nomeou como novo presidente o socialista Karolos Papoulias. Em abril do mesmo ano, o Parlamento ratificou a Constituição Europeia. O partido no poder, Nova Democracia, conseguiu novamente a maioria absoluta nas eleições legislativas de setembro de 2007 e Kostas Karamanlis foi reeleito como primeiro-ministro. Nas eleições legislativas de outubro de 2009 o eleitorado castigou duramente o primeiro-ministro Kostas Karamanlis, dando maioria absoluta ao PASOK (Partido do Movimento Socialista Pan-Helênico), que era oposição desde 2004. Seu líder, Georgios Andreas Papandreu foi eleito novo primeiro-ministro. Semanas depois de sua posse, Papandreu teve de reconhecer, frente à Comissão Europeia que o governo anterior havia falsificado dados sobre o déficit e o endividamento grego. Desde dezembro de 2009 as agências de valorização e riscos, em diferentes momentos, rebaixaram a qualificação da dívida grega, aumentando o interesse pelos bônus do governo. Diante o risco de quebra do país e a possibilidade de contágio de outras economias da zona do euro, em maio de 2010 a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) ativaram um plano de resgate para a Grécia. Mas a contínua degradação da economia do país e a impossibilidade de cumprir com os objetivos de déficit obrigaram uma redefinição do plano, e em outubro de 2011 a União Europeia acordou em pagar metade da dívida e ampliar o fundo de resgate. Essas medidas levaram o país a uma maior supervisão de sua economia, e novas exigências para diminuir o déficit. O primeiro-ministro Papandreu anunciou sua intenção de convocar um referendo sobre o acordo, ao que a UE respondeu com o bloqueio da última etapa do primeiro programa de resgate. Diante disso, que deixava a Grécia muito próxima da quebra, Papandreu apresentou sua demissão. Em novembro de 2011 o economista Lukás Papadimos foi nomeado primeiro-ministro do novo governo, formado pelo PASOK (com 14 ministros), o Nova Democracia (dois ministros), e o ultradireitista LAOS (um ministro).
ArteA Pré-HistóriaDurante o III milênio a.C., desenvolveu-se a civilização cicládica, cujos principais achados procedem das ilhas Cíclades. A sua manifestação mais importante foram as figuras de mármore de estilo esquemático, das quais se conserva uma bela amostra no Museu de Arte Cicládica do Museu Arqueológico Nacional de Atenas. A arte minoica teve o seu centro na ilha de Creta, onde sobrevivem os vestígios dos palácios de Cnosso e Faistos, assim como as famosas pinturas murais da antiga Tera (hoje Santorini), expostas no Museu Arqueológico de Atenas. A civilização micênica floresceu, sobretudo, na península do Peloponeso. Os seus principais vestígios encontram-se nas cidades fortificadas de Micenas e Tirinto (Patrimônio da Humanidade). Em Micenas, ainda se podem admirar os muros ciclópicos, com a famosa Porta dos Leões, e a extensa necrópole, com os túmulos onde se encontram os ricos enxovais de ouro que se exibem no Museu Arqueológico de Atenas. Entre as numerosas peças, encontra-se a chamada máscara funerária de Agamenon (séc. XIV a.C.).O período Arcaico e a época ClássicaPor volta de 1200 a.C., as brilhantes civilizações da Idade do Bronze desapareceram e como única manifestação artística sobreviveu a cerâmica, decorada primeiro com motivos geométricos e mais tarde com figuras. A cerâmica pintada alcançou o seu máximo esplendor durante os sécs. VI-V a.C., sendo os seus principais centros Atenas e Corinto. Em Atenas, ainda pode ser visitado o cemitério do antigo bairro dos oleiros (Kerameikos). Além de serem uma obra de arte por si mesmas, as cerâmicas gregas têm informação sobre o estilo pictórico do seu tempo, já que as pinturas murais desapareceram quase na totalidade. A civilização grega antiga viveu o seu período de maior esplendor durante a época Clássica (sécs. V-IV a.C.). O melhor vestígio desse período é a Acrópole de Atenas (Patrimônio da Humanidade). Através de uma entrada monumental, os propileus, chega-se à plataforma onde se levanta o Pártenon, protótipo do templo dórico; o templo jônico de Atena Nice; o Erecteu com a famosa tribuna das Cariátides e o Museu da Acrópole. Na encosta S, situa-se o teatro de Dioniso.As ruínas do grandioso santuário de Delfos incluem o único exemplo de tholos, ou templo circular, que subsiste e pequenos edifícios ou tesouros destinados a albergar as ofertas das distintas cidades-estado. De Olímpia, que foi a sede dos Jogos Olímpicos e um destacado centro de culto a Zeus, restam também alguns vestígios. O teatro grego mais ben conservado encontra-se em Epidauro, enquanto Delos, Sámos e Bassae contam com belos templos. Todas estas jazidas arqueológicas foram declaradas Patrimônio da Humanidade, assim como Vergina, onde se encontrou o túmulo de Filipe II da Macedônia e outros túmulos reais, com um rico tesouro funerário que se conserva no Museu Arqueológico de Tessalonica.Grécia Cerâmica de figuras vermelhas, séc. V a.C. (Museu Britânico, Londres, Reino Unido)Períodos Helenístico e RomanoDepoisda conquista do país por Filipe II da Macedônia, quase todos os artistas gregos tiveram que procurar trabalho no estrangeiro. Do período helenístico, conservam-se em território grego as ruínas do Palácio macedônio de Palatitsia, em Vergina, assim como o jazigo arqueológico de Pella, a antiga capital da Macedônia, cujo museu alberga formosos mosaicos da época. Da passagem dos romanos por Atenas resta a Torre dos Ventos, que era relógio de água e cata-vento, a biblioteca de Adriano, as ruínas do templo de Zeus Olímpico e o imponente teatro de Herodes Ático, situado na encosta S da Acrópole. À época Romana pertencem também os restos da ágora ateniense. Um dos antigos pórticos, chamado Átalo, foi reconstruído em meados do séc. XX e, na atualidade, alberga um pequeno museu. Em Tessalonica, encontra-se o Arco do Triunfo de Galério e no Museu de Corinto conservam-se belos mosaicos. Seguramente formou-se também durante a época Romana o centro histórico da cidade de Patmos, na ilha homônima, que é Patrimônio da Humanidade, juntamente com o Mosteiro de São João.Idade Média e domínio otomanoDurante o período do domínio bizantino, a arte concretizou-se na construção de grandes mosteiros, como os conjuntos de 20 mosteiros do monte Atos e de 23 mosteiros de Meteora, que são Patrimônio da Humanidade, em parte pela singularidade da sua localização sobre promontórios rochosos. A cidade medieval de Mistra (Patrimônio da Humanidade) conserva castelo, palácios, casas e numerosas igrejas decoradas com afrescos de um estilo original. As igrejas bizantinas mais representativas encontram-se em Tessalonica. Os mosteiros de Dafne, Osios Loukas e Nea Moni de Quios contêm mosaicos e afrescos bizantinos e, nos museus atenienses Bizantino e Benaki, exibem-se ícones, esculturas, ourivesaria e telas bizantinas.A passagem dos cruzados pelo país deixou o Castelo de Chlemoútsi e as fortalezas de Acrocorinto e Monembasia. A recordação dos venezianos conserva-se sobretudo em Návplion. Nessa época, formou-se também o centro histórico de Rodes, que é Patrimônio da Humanidade.Da época do domínio otomano, permanece o atual Museu de Cerâmica de Atenas, que tem a sua sede na antiga Mesquita de Tsistaraki.Grécia Pantocrator da igreja do Mosteiro de DafneDa independência à modernidadeEm 1830 chegaram arquitetos alemães e dinamarqueses que importaram o estilo neoclássico e o aplicaram em edifícios como o Palácio Real, a Universidade, a Biblioteca Nacional, o Teatro Nacional a a Academia de Atenas. São exemplos significativos da arquitetura moderna em Atenas a embaixada dos EUA, de W. Gropius (1956), a Pinacoteca Nacional, de P. Mjlonas, D. Fatouros e D. Antonakakis, e o Museu de Arte Moderna (1973). Conhecidos arquitetos como G. Candilis realizaram quase toda a sua obra no estrangeiro. J. Vikelas é autor do Ministério dos Negócios Estrangeiros (1975) e do Museu de Arte Cicládica (1986) ou a sede da Luftansa (1989).A herança iconoclasta perdurou até ao séc. XIX, quando apareceu a primeira escultura isenta da época Moderna, do escultor P. Prossalentis. O pintor Naïf T. Hadijmichaìl é considerado o primeiro pintor reconhecido depois da independência do país. A Escola de Belas-Artes de Atenas, fundada em 1837, impulsionou a arte neoclássica e romântica; dela saíram os pintores N. Lytras e N. Gysis, que desenvolveram a sua atividade em Munique. Durante o séc. XX, deu-se uma aproximação às diversas vanguardas europeias através do cubismo de Parthenis e N.H. Ghikas, do expressionismo de Y. Bouzianis e Y. Mytarakis, do surrealismo de N. Engonópoulos e da peculiar ingenuidade de Y. Tsaurochis. Na década de 1950, delineou-se uma frente não-figurativa, cujo máximo expoente foi o pintor informal Y. Spyròpoulos. Já dentro das novas tendências, destacam-se C. Xenakis, N. Sachinis, T. Marthas, Ch. Caras e G. Migadis. Quanto à escultura, cabe mencionar a abstração praticada por Cl. Loucopulos, C. Zongolopoulos e T. Thomopoulos. A figuração está representada por C. Valsamis, A. Makris e G. Simossi. Sobressai ainda J. Kounellis, membro do movimento povera. Durante as últimas décadas do séc. XX, o conceito visual grego adaptou-se às tendências internacionais, com artistas como V. Takis, enquanto K. Tsoklis deslumbrou com o seu uso artístico das técnicas de multimídia.
LiteraturaA literatura grega é a mais antiga da Europa e, também, a que maior influência exerceu na literatura em geral: primeiro em Roma e, depois, através dela expandiu-se a todo o Ocidente. Considera-se que a literatura grega se iniciou com a épica de Homero, cujas epopeias A Ilíada e A Odisseia (sécs. IX ou VIII a.C.) culminaram uma longa tradição de rapsódias, destinadas a amenizar os banquetes reais, e com Hesíodo, o mais genuíno representante da épica continental (Teogonia). Posteriormente, o tipo de verso da poesia elegíaca, que se caracteriza pelo dístico elegíaco (um hexâmetro e um pentâmetro), muito utilizada por Sólon, permitiu a introdução de coplas em lugar do parágrafo longo ilimitado da épica; da poesia lírica de Safo e Anacreonte, que se cantava com acompanhamento musical num pequeno círculo de amigos; e da poesia oral, proveniente dos cantos e danças tradicionais e interpretada por um coro em público, como os Epinícios de Píndaro. A tragédia ática, representada nas grandes festas dionisíacas de primavera, teve o seu máximo expoente nas obras de Ésquilo (Orestíada), Sófocles (Antígona) e Eurípides (Medeia). Já a comédia, teve como representantes Aristófanes (As Nuvens) e Menandro (O Díscolo). O desenvolvimento histórico está presente nas obras de Heródoto (Histórias), Tucídides (Histórias) e Jenofonte (Anabasis), filosofia nas de Platão (Diálogos) e Aristóteles (Poética) e a oratória na de Demóstenes (As Filípicas) e Ésquines (Contra Ctesifonte). A literatura neogrega nasceu e desenvolveu-se durante o Império Bizantino e concretizou-se em uma tradição de cantos populares transmitidos oralmente, dos quais deriva a epopeia anônima Digenís Akritas, da qual apenas se conhece uma versão tardia do séc. XIV. A língua grega evoluiu em duas direções opostas e divergentes: uma língua culta, estabelecida e fixa, e uma koiné, que evoluiu a partir dos Evangelhos para uma língua popular, conhecida como demótico. Desde o séc. XIII, a Grécia abriu-se às influências literárias do Ocidente, incorporando motivos, métricas e temas como os do romance de cavalaria: exemplo é a Crônica de Moreia, onde se narra a ocupação franca do Peloponeso. Com a queda de Constantinopla (1453) abriu-se um período obscuro para as letras e, durante os sécs. XVI e XVII, só nas ilhas, especialmente em Creta, floresceu uma literatura viva em língua demótica, bastante influenciada pela tradição italiana. Destacam-se então o drama Erófila (1637), de G. Khortatzis, e o poema Erotócritos (1650), de V. Kornaros. A queda de Creta nas mãos dos turcos (1669) marcou o fim deste florescimento. De 1669 a 1774, a atividade literária desenvolveu-se nas comunidades do estrangeiro. Os ideais do Iluminismo colocaram em primeiro plano o problema do uso de uma língua compreensível para todos, preocupação de intelectuais como I. Misiódakas e D. Katardzís, que consideravam que uma língua comum aceleraria o processo de libertação. Destacam-se as figuras ao mesmo tempo políticas e literárias de R. Feraíos, autor de um famoso Hino em língua demótica, e de A. Koraís, convencido da necessidade de libertar a Grécia da ocupação turca através da revalorização e do estudo sistemático da herança clássica. A luta dos gregos para conseguir a sua independência foi um dos temas que consolidou definitivamente a tradição oral. A poesia que narra a luta helênica contra os otomanos caracteriza-se pelo uso do verso predominante na poesia grega moderna, de 15 sílabas, sem rima. O retorno da poesia à cena literária teve lugar no início do séc. XIX com a chamada Escola heptanésica, entre cujos representantes cabe citar A. Kalvos, que expressou o seu patriotismo em odes de estilo neoclássico, eivadas de uma linguagem artificial. Com D. Solomós, pai da poesia moderna neogrega e cantor da revolução grega, a poesia heptanésica impregnou-se de pinceladas românticas e adquiriu plena dignidade artística. O seu Hino à Liberdade foi convertido posteriormente em hino nacional grego. O romantismo desenvolveu-se entre 1830 e 1880. Amor, pátria, liberdade e natureza são os temas do período. Depois de uma primeira geração que escreveu as suas obras em língua arcaica, a revolução concentrou a atividade literária em Atenas, destacando-se A. Valaoritis e A. Laskárcios. A prosa apareceria mais tarde com autores como E. Roidis. A produção literária das últimas duas décadas do séc. XIX caracteriza-se pelo abandono da temática patriótica e pelo fato de ter sido canalizada a atenção para as novas correntes poéticas (G. Drosinis) e narrativas (A. Papadiamandis). A figura mais relevante da geração de 1880 foi K. Palamás; à sua volta, criou-se a nova escola de Atenas, e a batalha da língua encerrou com o triunfo indiscutido do demótico como língua nacional. Após esta vitória, as novas gerações encontraram um terreno bem mais fértil e uma tradição mais ou menos consolidada. Na primeira metade do séc. XX, foram muitas as personagens de grande profundidade artística, cuja fama superou os limites da Grécia. Entre eles, destacam-se K. Kavafis, o grande lírico da Grécia moderna, o novelista e dramaturgo N. Kazantzakis ou o poeta Á. Sikelianós. Menção à parte merecem os outros dois grandes poetas de séc. XX, G. Seferis e O. Elitis, cuja produção foi reconhecida com o prêmio Nobel em 1963 e 1979, respectivamente. Posteriormente, salientaram-se os narradores K. Taktsis, V. Vassilikos e K. Doxiadis, os dramaturgos P. Markaris, que também se destaca como escritor de romances policiais, e P. Mátesis e os poetas G. Banu e A. Papadaki.
Instituições políticas
Numa tentativa de acabar com a tradicional instabilidade política, a constituição de 1975 estabeleceu uma república parlamentar e dividiu as funções do executivo entre um presidente, que atua como chefe do estado e chefe supremo das forças armadas, e um primeiro-ministro, chefe do governo. O poder legislativo é exercido conjuntamente pelo presidente e o Parlamento (Vouli). O Parlamento é um corpo legislativo unicameral composto de 300 deputados, eleitos por votação secreta, direta e universal de quatro em quatro anos. O poder judiciário compreende do Tribunal Supremo, que inclui uma seção cível e outra criminal, o Conselho de Estado e o Tribunal de Contas.
A vida política da Grécia tem sido dominada nas últimas décadas por dois grandes partidos: o Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok) e a Nova Democracia, de tendência conservadora.
A Grécia se divide administrativamente em treze regiões administrativas (dhiamerismata), subdivididas em 52 departamentos (nomoi), à frente dos quais há um governador (nomarch), nomeado pelo Ministério do Interior. As forças armadas são formadas por Exército, Marinha e Aeronáutica, com serviço militar obrigatório para todos os homens maiores de 21 anos, de 24 meses de duração.
Sociedade
Depois da segunda guerra mundial, o governo assumiu a luta para erradicar as doenças mais comuns: malária, tuberculose, disenteria e tifo. O Ministério da Saúde e Bem-Estar é responsável pela criação, controle e financiamento de centros médicos e farmácias, bem como pelo fornecimento de remédios e assistência às crianças, aos pacientes psiquiátricos e às gestantes. A assistência médica nas zonas rurais é gratuita quando os pacientes não possuem recursos econômicos suficientes. Os principais hospitais estão concentrados em Atenas, Tessalonica e Patras. A maior parte do sistema grego de previdência social é controlada pelo Ministério da Previdência Social.
O governo socialista realizou mudanças importantes no direito civil grego. Pela primeira vez foram permitidos os casamentos civis, garantiu-se a igualdade dos cônjuges, promoveu-se o registro civil e facilitaram-se os trâmites para obtenção do divórcio.
A educação é muito valorizada na Grécia, em parte devido ao orgulho que o povo tem da herança da Grécia clássica, e em parte porque os títulos universitários permitem acesso a bons empregos. O Ministério da Educação e Religião rege o sistema de ensino, inclusive o ministrado nos colégios particulares, muito numerosos no segundo grau. O ensino obrigatório foi adotado em 1929 para os primeiros nove anos de escolaridade. O nível superior privilegia os cursos de filosofia, direito e humanidades, motivo pelo qual muitos gregos preferem estudar em universidades e escolas técnicas estrangeiras. A constituição não permite universidades particulares. As instituições de ensino superior mais importantes localizam-se em Atenas, Tessalonica, Patras e Creta. Atenas e Tessalonica possuem escolas técnicas superiores.
A maioria da população pratica o cristianismo ortodoxo grego. Na Trácia ocidental e nas ilhas do Dodecaneso concentra-se uma minoria muçulmana. Em Atenas, uma pequena minoria pratica o catolicismo. São menos numerosos os grupos de protestante e judeus.
Cultura
Os remanescentes físicos da cultura da Grécia clássica conservam-se principalmente em Atenas, Delfos, Epidauro, Micenas, Argos e outros sítios, enquanto as esculturas e outros objetos de arte exibidos nos museus gregos (Nacional, de Heracleia, da Acrópole etc.), e dos principais centros culturais do mundo constituem uma lembrança permanente da copiosa herança cultural helênica, que ainda continua viva na educação dos gregos.
Na Grécia moderna destacaram-se sobretudo os poetas. Adquiriu fama internacional Konstantinos Kaváfis, grego de Alexandria que escreveu cerca de duas centenas de poemas, inéditos até sua morte. Comparado ao português Fernando Pessoa, seu contemporâneo e também marcado por uma nostalgia da antiga glória de seu país, Kaváfis é autor da frase "somos todos gregos". Destacam-se também Georgios Seferis, agraciado com o Prêmio Nobel de literatura de 1963; Angelos Sikelianos; Odysseus Elytis, que obteve o Prêmio Nobel em 1979; e Yannis Ritsos. O romancista de maior sucesso é o cretense Nikos Kazantzakis, autor de Zorba, o grego e A última tentação de Cristo.
Dentre os músicos gregos com fama internacional destacam-se Manos Hadjidakis e Mikis Theodorakis. A busca e a sistematização do patrimônio musical popular, que é objetivo básico de famosos músicos e pesquisadores, tem incentivado a criação de grande número de corais que participam de concursos internacionais. Depois da independência política, a arte grega se inspirou inteiramente na arte ocidental. Entre os pintores figurativos destacam-se Iannis Moralis e Nicos Kontopulos; e entre os abstratos, Alexos Kontopulos e Iannis Spyrapulos. Na escultura devem ser mencionados Vassilakis Takis e Alex Mylona.

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