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EV
Europa
Continente (22.969.900 km2, incluindo a Rússia) limitado ao N pelo oceano Glacial Ártico; ao E pela Ásia, através de um limite convencionalmente fixado nos Urales, no rio Ural e nas montanhas do Cáucaso; ao S pelos mares Mediterrâneo e Negro, unidos pelos estreitos dos Dardanelos e Bósforo; e ao O pelo oceano Atlântico.
GeografiaMeio físico• Geomorfologia A configuração física da Europa é o resultado de distintas fases orogênicas. A alpina deve-se à formação dos alinhamentos montanhosos mais imponentes: cordilheira Bética, Pireneus, Alpes e sua continuação (arcos carpático e dinárico que, através da península dos Balcãs e dos arquipélagos do mar Egeu, enlaçam com os relevos da Anatólia). A orogênese alpina coincide com a evolução do mar de Tétis, que separava os maciços antigos da Europa e África. Os alinhamentos montanhosos orientados de L ao O dividem estruturalmente a Europa em duas partes: ao N, a Europa dos maciços antigos, estável, sem grandes obstáculos e centrada em amplas planícies que desde o N da França atravessam o S da Escandinávia, Alemanha e Polônia e se estendem até os Urales. Ao S, a Europa mediterrânica, montanhosa, instável, com as fragmentações peninsulares ibérica, italiana e dos Balcãs (a primeira é um antigo maciço sobrelevado e fraturado; a italiana é atravessada por uma cadeia montanhosa jovem, os Apeninos; a última é também montanhosa, Alpes Dináricos e os Balcãs, e fragmenta-se num articulado conjunto de ilhas e penínsulas). Na Europa, encontra-se uma grande quantidade de mares, sendo a zona que, em relação à superfície, apresenta uma costa mais vasta. Os mares Egeu, Jônico, Adriático, Tirreno, da Ligúria, etc., rompem o espaço mediterrânico, que comunica com o Atlântico através do estreito de Gibraltar. Também ao N a Europa apresenta importantes articulações. Os mares do Norte e Báltico penetram no continente e formam a Península Escandinava. O mar do Norte está delimitado ao O pelas Ilhas Britânicas, unidas em tempos à Europa continental, da qual estão separadas pelo canal da Mancha. A Islândia é europeia por convenção: trata-se de uma terra vulcânica formada pela grande dorsal média do Atlântico. Ao nível morfológico, a atividade glaciária no Plistoceno gerou as formas fragmentadas dos relevos escandinavos, os profundos fiordes da costa norueguesa e amplos depósitos de morenas nas planícies germânicas e no S da Rússia. Nos Alpes, essa atividade foi responsável pelos cumes que dominam a cadeia, pelo perfil arredondado dos longos vales e dos numerosos lagos que se abrem nas áreas pré-alpinas. As escassas planícies aluviais existentes correspondem às depressões tectônicas. Uma das mais extensas é a da Panônia, onde se destacam, como nas planícies do S da Rússia, os solos de origem eólica, responsáveis pelas férteis terras pretas (chernozem) e pela riqueza cerealícola da Ucrânia. Outras planícies características são as do Pó e Ebro.
Europa A cidade de Dubrovnik no litoral do mar Adriático
• Hidrografia Os Alpes desempenham uma função determinante na hidrologia europeia. Aí nascem alguns dos principais rios europeus, como o Reno (vínculo natural entre o mundo alpino e o mar do Norte), que na sua foz forma um amplo delta que corresponde em linhas gerais aos Países Baixos, e o Ródano. O Danúbio não nasce exatamente nos Alpes, mas é alimentado por eles, atravessa a planície panônica e deságua ao N dos Balcãs, no mar Negro. Estes três grandes rios, surgidos na região alpina, correm por terras planas ou de relevos baixos e apresentam cursos estáveis e navegáveis. O Ródano e o Reno, separados por baixas divisórias de águas, estão unidos artificialmente; também o estão o Danúbio e o Reno, através do Main. Outros rios: Elba, Oder e Vístula, ao E; Sena, Loire, Tejo, Guadiana e Guadalquivir, ao O; Dniepre, Don e Volga, ao L, na região russa. O Volga é o maior rio europeu, inteiramente navegável e unido artificialmente aos rios que deságuam no Báltico e no oceano Glacial Ártico. Nesta área hidrográfica, situada nas margens do escudo báltico, estão os maiores lagos da Europa (Onega e Ládoga). Na rede hidrográfica da zona mediterrânica, além do Ródano, destacam-se o Pó, o Ebro e numerosos rios jovens com caudais escassos no verão e abundantes no inverno.
Europa O Reno na sua passagem por Oberwesel, Renânia, Alemanha
• Clima Há três tipos de clima: temperado oceânico ou atlântico, continental e mediterrânico. As massas de ar destes três domínios são as responsáveis pelo mecanismo climático da Europa. As de origem atlântica devem-se às grandes porções de umidade e a grande parte das precipitações que afetam a Europa, sobretudo as regiões abertas ao Atlântico, ao N e ao NO dos Alpes. Para o E, a sua influência é interrompida por massas de ar frio e seco de origem continental que afetam as planícies da Europa Oriental e também a Europa Central. Acontecem, por isso, invernos frios, que contrastam com os úmidos da Europa atlântica. Na primavera, diminui a força do anticiclone continental e penetra o ar atlântico, que dá lugar à estação chuvosa da Europa Oriental. Na área mediterrânica, o verão é uma estação seca e quente devido ao anticiclone tropical dos Açores, que se interrompe com a chegada das massas de ar de origem atlântica, responsáveis pela umidade da estação invernal. Este clima mediterrânico afeta as três grandes penínsulas da Europa Meridional, nas quais se dão climas de transição: atlântico (no N e O da Península Ibérica) e continental, no resto da região ibérica, nos Balcãs e no N da Itália. Por outro lado, a latitude tem na Europa uma importância considerável. O extremo N do continente faz parte da grande franja subártica, enquanto ao S se encontra em latitudes subtropicais. Os valores térmicos anuais e sazonais são, por isso, muito distintos nesses dois extremos (em Estocolmo a média oscila entre – 7 e 15 °C em janeiro e julho, respectivamente, e em Cádiz, entre 12 e 25 °C). A continentalidade da Europa Oriental acentua as diferenças sazonais e as oscilações térmicas, enquanto, pelo contrário, a corrente do Golfo mitiga o clima desde as ilhas Britânicas até as costas da Noruega. A influência temperada do Atlântico aprecia-se também, embora com menos intensidade, desde o mar do Norte até os Alpes e, para o E, além do Elba. Na extensa região dos Alpes, o fator altitude explica a presença de importantes massas glaciais. Em relação aos níveis de precipitação, os valores oscilam entre 1.000 e 2.000 mm na Europa atlântica e 700 mm na Europa Oriental e mediterrânica (aqui registram-se mínimas de 200-300 mm anuais).• Vegetação Tal como acontece com as condições climáticas, a vegetação apresenta também diferentes aspectos. O domínio da tundra, que se estende pela zona mais setentrional da Península Escandinava, dá lugar, na direção S, na taiga, à área das coníferas (pinheiros, abetos, lariços) e bétulas, estendida pelo N da Rússia e pela Escandinávia. No clima temperado do Atlântico, são característicos o bosque de coníferas e o bosque centro-europeu (faias, ulmeiros, castanheiros e outros), difundido em boa parte da Europa, embora atualmente o seu número seja muito reduzido devido à extensão das áreas agrícolas nas zonas mais exploradas e povoadas da Europa. Também se encontram bosques de coníferas na região dos Balcãs, com predomínio do carvalho. Nas planícies russas, as coníferas dão lugar à estepe euro-asiática. Na área mediterrânica, encontram-se azinheiras, oliveiras, ciprestes e plantas herbáceas de ambiente árido tropical. Nas zonas montanhosas, encontra-se diferente vegetação, em função da altitude.
Europa Impacto ambiental
População e povoamentoA Europa foi povoada pelo gênero Homo graças à facilidade de acesso através das pontes continentais dos estreitos de Gibraltar e dos Dardanelos. Devido à escassez de restos fósseis, a história da evolução humana durante o último milhão de anos era bastante desconhecida. Há 200.000 anos havia três formas distintas de seres humanos: os descendentes do Homo erectus na Ásia; um outro grupo que daria lugar mais tarde ao Homo sapiens na África, e os neandertais, que se estendiam por todo o continente europeu e Médio Oriente. A teoria mais aceita diz que todas as variantes tiveram uma única origem na espécie Homo ergaster, desenvolvida na África e que foi a primeira a abandonar o continente, dando lugar na Europa ao Homo heidelbergensis (há 400.000 anos) e ao Homo neanderthalensis (entre 300.000 e 30.000 anos). Segundo esta, ao terminar a glaciação de Würm, a Europa sofreu novas migrações da África protagonizadas pelo H. sapiens. No entanto, os achados da jazida Atapuerca (Burgos, Espanha) em 1997 dão uma nova explicação da evolução humana na Europa. Os restos da nova espécie humana foram batizados com o nome de Homo antecessor. Esta espécie demonstrou que, na Europa, já viviam seres humanos há mais de 800.000 anos. A morfologia do H. antecessor, com uma grande capacidade craniana e traços faciais muito modernos, revolucionou as teorias existentes sobre a evolução da espécie. A nova espécie representa o elo entre o H. ergaster africano e as formas mais próximas do homem atual, sendo o antepassado comum entre os neandertais (H. neanderthalensis) e as populações modernas (H. sapiens). Quanto à atual população europeia, as suas características morfológicas situam-na no grupo humano leucodermo, correspondente ao tipo europeoide. Os traços físicos específicos das populações europeias deram lugar aos diversos tipos humanos que habitam o continente: finlandês, nórdico, báltico e lapão, na Europa Setentrional; alpino, adriático e mediterrânico, na Europa Central e Meridional. Nos últimos séculos, a população europeia aumentou notavelmente, o que contribuiu bastante para a Revolução Industrial e fenômenos consequentes, como a abertura das potências europeias, a expansão colonial e a rápida evolução tecnológica. No início do séc. XVIII, a população europeia era quase de 110.000.000 de hab., que aumentaram para 200.000.000 um século mais tarde. Em 1930, já eram 500.000.000; em 1950, 529.000.000 e, em 2001, 726.833.000 hab., incluindo a Rússia. Na atualidade, a taxa de crescimento natural é de 3 ‰, com taxas de natalidade em torno dos 13 ‰ e de mortalidade de cerca de 10 ‰. Porém, em alguns países mediterrânicos, como a Albânia, existe uma taxa de crescimento superior a 10 ‰, e em outros (Alemanha e Grécia) chegou-se ao crescimento zero. A pirâmide das idades de quase todos os países europeus tende para uma forte expansão do vértice (mais velhos) e uma diminuição da base (jovens), o que denota um importante envelhecimento da população. Não obstante, a Europa representa cerca de 12 % da população mundial, com uma densidade média de 68 hab./km2.A maioria da população europeia concentra-se nas regiões privilegiadas pela primeira Revolução Industrial, dotadas de recursos energéticos ou abertas ao comércio atlântico, ou seja, na Inglaterra Central (Midlands) e Meridional (em torno de Londres), no N da França e na região circundante de Paris, na Bélgica, nos Países Baixos, na região renana (com concentração máxima no Ruhr), na do Elba e na planície padana (com centro em Milão), onde se alcançam densidades de 300 a 350 hab./km2. Em outros locais registram-se densidades médias entre os 50 e 100 hab./km2, com valores inferiores a 50 hab./km2 nas zonas mediterrânicas mais pobres e nas planícies russas, e inferiores a 10 hab./km2 nas terras nórdicas. Por outro lado, e além do papel desempenhado pelas cidades medievais na organização do território, o processo de urbanização gerado pela Revolução Industrial deu lugar não só a que a Europa seja uma das zonas mais urbanizadas do mundo (70 %), mas também à formação de grandes centros urbanos à escassa distância uns dos outros. Daí a formação de cidades-regiões ou conurbações numerosas e com grande relevância na Europa atual. Destacam-se a área londrina, a conurbação dos Midlands, a área de Paris e a do Ruhr, que reúne numerosas cidades industriais e acolhe no seu conjunto quase 10.000.000 de hab. Outras zonas industriais de elevada urbanização são a região flamenga, o triângulo industrial padano e a bacia média do Elba. Na continuação, situam-se as áreas urbano-industriais da Europa Oriental, como a de Moscou (11.970.500 hab.), a bacia carbonífera da Silésia e a bacia do Don (Donbass). Outras grandes cidades formam focos territoriais mais isolados, tanto na Escandinávia (Copenhague, Estocolmo) como na área mediterrânica (Roma, Nápoles, Barcelona, Madri) e na zona do Danúbio (Viena, Belgrado) como no resto do E da Europa (Kiev, São Petersburgo, Minsk, etc.). Também são numerosas as cidades de dimensões médias, com cerca de 100.000-150.000 hab., que desempenham funções múltiplas em territórios com economia diversificada. No denso tecido urbano, inserem-se áreas de economia predominantemente agrícola, em contínua diminuição e com um número de habitantes cada vez mais reduzido.
Europa Densidade populacional
Estrutura econômicaA criação do Mercado Comum Europeu em 1957, com as suas ulteriores ampliações até converter-se em União Europeia (UE), desembocou na realização efetiva do mercado único (1993), cujas consequências na organização das empresas afetaram todos os países-membros e, como consequência, todo o continente em cerrada competição pela eficiência e produtividade. Mas as melhores perspectivas de um processo de integração econômica ampliado à Europa na sua globalidade, com efeitos de multiplicação à escala mundial, abriram-se no começo da década de 1990 com a reunificação alemã, com a acelerada fase de liberalização, que afetou todos os países do E da Europa, e, especialmente em 2002, com a introdução da moeda única europeia (euro) em doze dos países que formam a UE. O maior interesse dirige-se, não obstante, aos países do Centro da Europa com uma base econômica mais sólida que solicitaram a adesão e com os que assinaram os primeiros acordos de cooperação e livre comércio. Ao mesmo tempo, nestes países deu-se um notável aumento do investimento estrangeiro, procedente em 80 % dos países da UE. Além disso, em 1991, pôs-se em marcha o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, no que participam também o Japão e os EUA, com a finalidade de favorecer o processo de liberalização econômica nos países da Europa Oriental. No espaço europeu, destaca-se também a revalorização dos recursos territoriais e humanos, sobretudo nas regiões emergentes. Entre estas últimas, podem-se salientar sobretudo o Centro da Itália, o S da Espanha, a Grécia e algumas áreas de antiga industrialização que até agora tinham permanecido à margem do desenvolvimento (ao S e O da França, ao SO do Reino Unido e a Bavária, entre outras) e os países orientais.
Europa Mapa econômico
• Agricultura, gado e pesca A agricultura apresenta situações muito variadas, conforme os países, devido às condições ambientais e a fatores de organização. Em linhas gerais, a agricultura está bem desenvolvida na Europa Central, tanto pela sua elevada racionalização como pelas condições climatéricas e morfológicas favoráveis. Trata-se de uma área adaptada à cultura de cereais que, na atualidade, se destina sobretudo ao cultivo de forragens para alimento do gado. Países Baixos, Dinamarca, França, Alemanha e a planície padana, na Itália, são as zonas agrárias mais ricas da Europa. A atividade agrícola como apoio à pecuária está difundida na Europa Oriental (Polônia, Bulgária e Hungria), enquanto na península dos Balcãs se cultivam amplamente os cereais. Nas áreas mediterrânicas, as culturas mais produtivas são a oliveira, que dá lugar a uma importante produção de azeite (Espanha é o primeiro produtor mundial), a vinha (Itália, França e Espanha encabeçam a produção mundial de vinho), a fruta (especialmente cítricos) e a horticultura, cujo desenvolvimento está subordinado à extensão do regadio, e a aplicação de técnicas particulares para aumentar a produtividade dos solos. No que diz respeito ao volume da produção agrícola e pecuária, a Europa é, em geral, autossuficiente, com importantes excedentes de produtos derivados (leite, manteiga, conservas alimentares, etc.). O setor pecuário centra-se principalmente nos na criação de gado bovino, suíno e aves de capoeira, embora pratiquem ainda a pecuária ovina e caprina nas áreas mediterrânicas mais pobres. A pesca é uma importante atividade econômica, sobretudo na Noruega, Islândia e Dinamarca. Tem uma incidência considerável na economia de outros países da Europa Central, que aproveitam a riqueza piscícola do mar do Norte e do Atlântico Setentrional, e em alguns países da Europa Meridional, como a Espanha e Portugal. Os recursos florestais são abundantes, especialmente nos países escandinavos, onde existe uma indústria muito desenvolvida de processamento da madeira, assim como de produção de papel e pasta de papel.• Exploração mineral e indústria Os recursos minerais são variados, mas só em alguns casos abundantes. Existem ricas jazidas de carvão no Reino Unido, no N da França, Bélgica, Alemanha, Polônia e República Tcheca. Além disso, as grandes bacias carboníferas desta região estão incluídas em algumas das maiores áreas industriais do mundo. No entanto, a Europa é deficitária no que respeita a hidrocarbonetos, o que leva à procura de fontes alternativas de energia e a construir numerosas centrais termonucleares. Na atualidade, funcionam as jazidas petrolíferas do mar do Norte, especialmente nas águas territoriais do Reino Unido e Noruega, assim como as de gás natural, extraído igualmente nos Países Baixos, Romênia e Itália, principalmente. Quanto à energia hidrelétrica, concentra-se basicamente nas regiões montanhosas. A energia, no entanto, continua a ser o principal problema europeu. Por outro lado, são abundantes os minerais metálicos, embora não suficientes para cobrir todas as necessidades da indústria. Existem importantes reservas de minério de ferro, sobretudo na França (bacia da Lorena), Ucrânia, Polônia, Reino Unido e Suécia, e, no entanto, importam-se grandes quantidades do continente americano, tendo-se desenvolvido por isso uma siderurgia em localidades costeiras, como na Itália e nos países do N da Europa. A poderosa indústria siderúrgica europeia, que produz um quarto do aço mundial, tem os maiores centros na Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Polônia e, em menor quantidade, na Bélgica, República Tcheca, Romênia e Espanha. A produção siderúrgica e metalúrgica está a serviço de uma indústria mecânica extraordinariamente desenvolvida e muito diversificada, com destaque para a indústria automobilística. A indústria eletrotécnica também está bem desenvolvida, embora no setor eletrônico e de automatização as empresas europeias estejam abaixo das estadunidenses e japonesas, situadas na vanguarda tecnológica. Em muitos outros setores, as indústrias europeias desempenham um papel de primeiro plano (indústria química, farmacêutica, têxtil e alimentícia), que em algumas regiões gozam da antiga tradição e se encontram entre as mais avançadas do mundo. Também produz porcelana, vidro, cerâmicas artísticas, instrumentos musicais, objetos de ourivesaria e alta-costura, entre outros. O setor terciário está muito desenvolvido e comporta a maior parte do PIB europeu. Quanto ao turismo, aumentaram notavelmente as infraestruturas hoteleiras, que converteram o continente, e particularmente a frente mediterrânica (Espanha, Itália, Grécia e França), em uma das primeiras áreas turísticas a nível mundial.• Infraestruturas viárias A Europa oferece um conjunto de vias muito desenvolvido que compreende, além de uma densa rede viária e ferroviária, vias navegáveis de intenso tráfego, sobretudo na Europa Central, onde rios e canais formam uma extensa trama entre a França, Bélgica, Países Baixos e Alemanha, cuja saída natural é o porto de Rotterdam, o primeiro do mundo em volume de tráfego comercial. Os restantes grandes eixos viários europeus têm uma direção análoga, já que enlaçam os portos com as zonas interiores industrializadas. Assim, Hamburgo, na foz do rio Elba, enlaça grande parte da Europa Central; Gênova liga-se com o triângulo industrial da região italiana do Pó, e Marselha com a zona de Lyon. No sentido transversal, as vias são menos importantes, mas estão mais desenvolvidas, com diversos canais (Mittellandkanal, do Elba ao Reno), estradas e linhas férreas que vão ao longo das antigas vias de expansão germânicas para E e, na área mediterrânica, por antigas vias romanas. No Reino Unido, salientam-se os grandes portos de Londres e Liverpool. Por outro lado, o obstáculo que os Alpes representavam para as comunicações foi superado graças à abertura de diversos túneis. Para L, a rede viária e ferroviária fraciona-se em relação à maior amplitude da ocupação humana. Em conjunto, a Europa Ocidental está dotada de um dos sistemas viários e ferroviários mais densos do mundo e conta com uma importante rede de rodovias que une todos os países continentais. Os transportes aéreos também têm uma importância primordial para a circulação interior e exterior: os aeroportos de Londres, Paris, Frankfurt, Zurique e Roma, entre outros, são os principais da rede europeia.• Balança comercial No panorama mundial, a Europa desempenha, juntamente com a América do Norte e Japão, o papel de área altamente industrializada, que importa matérias-primas, especialmente dos países subdesenvolvidos, e exporta os seus produtos industriais. A esta característica função estrutural do comércio europeu unem-se as trocas comerciais no interior da UE, que geram 40 % do comércio mundial, e o novo marco de relações com os países da Europa Oriental a partir da conversão das suas economias ao sistema capitalista de mercado. Este último fator supõe um forte aumento das trocas comerciais entre os países europeus. Nas relações econômicas com os países em vias de desenvolvimento predominam os investimentos em atividades produtivas.
HistóriaPré-HistóriaOs restos pré-históricos mais antigos encontrados em território europeu remontam a cerca de 1.000.000 de anos e correspondem a indivíduos pré-neandertais. Ao Paleolítico Inferior pertencem os utensílios da pebble culture, os seixos lascados abbevilenses e acheulenses e as lascas do clactoniano correspondentes ao homem de Neandertal, que habitou a Europa há 300.000 anos. São numerosos os restos do Paleolítico Médio, sobretudo do tipo musteriense. Ao Paleolítico Superior correspondem as culturas aurinhacense, gravetense, magdalenense e solutrense, entre outras, que se caracterizavam pelas suas manufaturas líticas muito diferentes e pelo florescimento da arte rupestre da mão do homem de Cro-Magnon, pertencente ao Homo sapiens. Do Neolítico, caracterizado pelos utensílios microlíticos e arpões toscos, existem, na Europa Ocidental, as culturas sauveterrense, tardenoisense e azilense e, na Europa do Norte, as ahrensburguense e maglemosense. O processo de neolitização desenvolveu-se em diversas zonas da Europa a partir do VII milênio a.C. Algumas espécies de plantas e animais domésticos foram introduzidas no mesmo período na Grécia e na península dos Balcãs a partir do Médio Oriente. No IV milênio a.C., a economia produtiva foi superando a que se baseava na caça e recolha, enquanto o fim do IV milênio e primeira metade do III ficaram marcados pela metalurgia do cobre, a difusão do megalitismo e a adoção do arado de tração animal. A elaboração do bronze está documentada a partir de finais do III milênio a.C., período a que corresponde a expansão do policultivo mediterrânico (videira e oliveira). A ampla área de distribuição das cerâmicas da cultura do vaso campaniforme está em relação com o aparecimento de autênticas elites e marca o início do processo de estratificação das sociedades durante o II milênio a.C. A primeira grande cultura europeia foi a minoica, desenvolvida na ilha de Creta a partir de 2.000 a.C., onde aparece, pela primeira vez, a escrita. Posteriormente, a partir do séc. XVI a.C., floresceu na atual Grécia a cultura micênica ( Micenas), a partir da qual se estabeleceram contatos de grande importância para o desenvolvimento socioeconômico das comunidades proto-históricas europeias. A Idade tardia do Bronze caracteriza-se pela difusão do rito funerário da incineração e por atos rituais e simbólicos, que testemunham a transição de uma religiosidade animista para outra mais complexa com elementos antropomórficos. Em uma fase avançada da primeira Idade do Ferro, apareceu em grande parte do continente uma fácies cultural com notável grau de afinidade: a cultura de Hallstatt. À difusão da metalurgia do ferro somaram-se novos fenômenos de diferenciação social que depois se desenvolveram na cultura de La Tène, marcada pelo auge da civilização celta.Idade AntigaDepois da chegada dos povos dóricos, formou-se o núcleo da civilização grega (Grécia antiga) que, desde o séc. VII a.C., se alargou pelo Mediterrâneo através de uma rede comercial, em paralelo com a expansão dos fenícios. Ambos os povos comerciaram com outros da bacia mediterrânica, como os tartéssios, iberos, celtas, etruscos, alguns dos quais alcançaram um grande desenvolvimento cultural. Depois de superar a pressão invasora dos persas nas guerras médicas, o mundo grego integrou-se no império de Alexandre Magno (336-303 a.C.). Paralelamente, constituiu-se no Ocidente, em torno de Roma, outro polo político da civilização europeia que, na sua expansão pela bacia mediterrânica, se converteu em um império hegemônico depois de se sobrepor a Cartago, nas guerras púnicas. O Império Romano assimilou grande parte dos traços culturais do mundo helenístico e articulou as distintas culturas mediterrânicas e da maior parte da Europa Ocidental numa estrutura político-administrativa unificada. Uma das principais transformações internas do Império produziu-se a partir do séc. I d.C. com a irrupção do cristianismo. Paralelamente, as divergências internas conduziram a uma cisão na esfera administrativa e na sua estrutura política diretiva. Da tetrarquia instaurada por Diocleciano nos finais do séc. III, passou-se em menos de um século para a definitiva divisão do Império (do Ocidente, com a capital em Roma, e do Oriente, com a capital em Constantinopla). Esta divisão Oriente-Ocidente acentuou as diferenças entre a tradição popular helenística e o mundo latino com assimilação de elementos germânicos e constituiu o embrião da separação entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa. O Império do Ocidente foi desintegrado com a invasão de diversos povos germânicos (suevos, alanos, vândalos, godos, francos, burgúndios, alamanos, saxões, anglos, jutos, entre outros), que foram instaurando pequenos reinos nas antigas províncias romanas ocidentais. O Império Romano do Oriente, também chamado Império Bizantino, resistiu aos ataques bárbaros e, apesar da recomposição territorial da romanitas com Justiniano (527-565), parcial e transitória, limitou a sua hegemonia ao leste do Adriático.
Europa Templo de Poseidon ou de Hera, ca. 460 a.C. em Paestum, Itália
Alta Idade MédiaNa Europa Ocidental, foram-se consolidando alguns reinos governados por elites germânicas, como os francos na Gália Central e Setentrional, os visigodos no Sul de Gália e na Hispânia, os anglo-saxões e jutos na Britânia, os ostrogodos na Itália, etc., que adotaram o cristianismo e, em parte, a herança cultural latina, como a língua e determinadas leis e costumes. Posteriormente, surgiu e cresceu o Islão (séc. VII), que gerou um novo polo de poder no Sul da costa mediterrânica que determinou o desenvolvimento da Europa. Entre os reinos ocidentais de origem germânica, o dos francos foi impondo a sua hegemonia ao propagar o cristianismo, primeiro nas regiões conquistadas pelos árabes, que se consolidaram na Península Ibérica a partir do séc. VIII, e depois entre os pagãos dos restantes povos germânicos e entre os eslavos, que ocuparam a Europa Central e Oriental. Reconstituiu-se assim a unidade do Ocidente, vinculada ao papado como força aglutinadora. A coroação como imperador do rei franco Carlos Magno pelo pontífice Leão III conferiu à monarquia um caráter sagrado e converteu-a em protetora da Igreja. Assim, formava-se uma Europa latino-germânica centrada no Império Carolíngio, que acentuava a sua diferença da civilização bizantina. Paralelamente, desenvolveu-se o sistema feudal, iniciado no Império Romano com a grandeza dos latifúndios e a difusão do costume dos pequenos proprietários de ceder ao senhor as suas terras em troca de proteção. O comércio diminuiu, as cidades despovoaram-se, o poder econômico passou a ser fundamentalmente agrícola e os centros de atividade agrária (as villae) constituíram-se em núcleos sociais autônomos. Deste modo, os bens imobiliários converteram-se na base do poder administrativo e político. A estrutura unitária do Império Carolíngio, devido ao sistema de partilha das heranças e às diferenças internas e às pressões externas (árabes, magiares, escandinavos, conhecidos como normandos, e eslavos), não tardou a quebrar-se.Baixa Idade MédiaA fragmentação do Império Carolíngio deu lugar ao reino da França e ao Sacro Império Romano-Germânico. O centro político-jurídico, além de religioso e moral, continuava no papado, em Roma. As cruzadas dos sécs. XI-XIII, destinadas a recuperar antigos territórios cristãos nas mãos dos muçulmanos, foram uma iniciativa e orientação papal, embora se tenham transformado em interesses territoriais e políticos dos diferentes reinos cristãos europeus. Alguns destes reinos foram-se convertendo em poderosos Estados (a coroa catalã-aragonesa, Castela e Portugal, que cresceram com a reconquista cristã da Península Ibérica), ou a França e a Inglaterra, enfrentados na Guerra dos Cem Anos (sécs. XIV-XV), um conflito inicialmente de interesse dinástico que forjou o antagonismo entre as duas nações. O Sacro Império Romano-Germânico expandiu-se para leste à custa dos eslavos, que, por sua vez, travaram o avanço mongol e da Horda de Ouro no séc. XIII. O poder político do papado entrou em crise pela mudança da sua sede para Avignon e, depois, pelo Cisma do Ocidente (sécs. XIV-XV). Simultaneamente, perfilaram-se novos elementos de unidade: o comércio estendeu-se para o Norte, onde se desenvolveu a Hansa, e procurou vias marítimas para o Oriente, especialmente pela mão de venezianos e genoveses; aumentaram as trocas comerciais e os banqueiros estenderam a sua vasta rede de negócios desde o Mediterrânio até o mar do Norte. Enquanto isso, o Império Bizantino entrava em uma progressiva decadência, que acabou com a tomada de Constantinopla (1453) pelo Império Otomano, que já dominava grande parte dos Balcãs desde meados do séc. XIV.
Idade ModernaA partir do final do séc. XV, a procura de novas rotas comerciais entre Europa e o Médio Oriente, controladas pelos árabes, levou os portugueses à exploração das costas africanas. Foram seguidos pelos castelhanos, que, após a conquista do último reduto muçulmano da Europa Ocidental (o reino de Granada) e com a estabilidade política garantida pela união dinástica com a coroa de Aragão, empreenderam expedições para o O, que incluíram a descoberta da América. A expansão comercial no ultramar deu lugar a uma dura luta entre os Estados europeus pelo domínio dos oceanos, as suas rotas e costas. Portugueses, espanhóis, ingleses, holandeses e franceses disputaram mar e terras, competindo pelos mercados e pela exploração das riquezas minerais e agrícolas. Os portos do Atlântico suplantaram os do Mediterrâneo. Na religião, a Europa moderna esteve marcada pela Reforma protestante, que deu lugar a diferentes igrejas cristãs em confronto com a Igreja Católica. A rebelião contra Roma foi apoiada por certos príncipes e cidades da Alemanha, Suíça e de países nórdicos. Numerosos territórios, desde a Polônia até a França, passando pelos Países Baixos, foram palco das guerras de religião entre católicos e protestantes. Um dos principais defensores do catolicismo foi o imperador Carlos V, da casa dos Habsburgo, herdeiro do Império Germânico, dos reinos de Aragão e Castela e dos condados da Borgonha e Flandres. Na Inglaterra, Henrique VIII instaurou o anglicanismo, desvinculando-se ao mesmo tempo de Roma e das igrejas protestantes. Ao L, foi detido o avanço turco pelo Danúbio, em Viena, e pelo Mediterrâneo, na Batalha de Lepanto. Ao N, a Suécia consolidou o seu domínio sobre o Báltico entre os sécs. XVI e XVII, mas seria substituída pelas novas potências do Báltico: a Prússia, o reino germânico mais oriental, e a Rússia, o Estado eslavo mais poderoso que cresceu à custa do Império Otomano e se expandiu para o E até dominar todo o Norte da Ásia. A cena política europeia foi dominada desde o séc. XVII pela França dos Bourbon: de Luís XIV e seus descendentes. A rivalidade entra e casa dos Bourbon e a de Habsburgo cristalizou na Guerra da Sucessão da Espanha, que terminou com o acesso da dinastia dos Bourbon ao trono da Espanha. A união da Inglaterra e a Escócia no início do século fez nascer o Reino Unido, que com a sua expansão colonial criou o poderoso Império Britânico, regido por uma monarquia parlamentar que favoreceu os interesses da burguesia na Revolução Industrial. As outras monarquias europeias impuseram um controle absolutista das reformas políticas ( Despotismo Esclarecido).
Europa Pormenor de A Batalha de Lepanto (Museu Correr, Veneza, Itália)
Idade ContemporâneaNo final do séc. XVIII, a Revolução Francesa pôs fim ao Antigo Regime no país. A influência exercida pela cultura e costumes franceses tornou possível a irradiação das novas ideias e instituições promovidas pelos ideólogos revolucionários de Paris.
Europa Eugène Delacroix, A Libertade Guiando o Povo, 1830 (Museu do Louvre, Paris, França)
Com a expansão do império napoleônico, na primeira década do séc. XIX, perfilou-se a instauração de um sistema hegemônico no continente, com a França como centro, rodeada de Estados satélites anexados (Espanha, Países Baixos, Itália, Nápoles, Confederação do Reno), da Prússia e Áustria, obrigadas a uma aliança, e de uma Rússia efemeramente ocupada. A vitória anglo-prussiana sobre as tropas napoleônicas, em Waterloo, deu lugar ao Congresso de Viena (1815), que impôs a restauração das monarquias absolutas e criou a Santa Aliança, destinada a reprimir os movimentos liberais que surgiriam em diversos territórios europeus (Espanha, Portugal e Nápoles na década de 1820). No entanto, na década seguinte, novos movimentos revolucionários originaram a criação de regimes constitucionais (o de Luís Filipe de Orléans, na França) e a formação do novo Estado da Bélgica. Nos seus movimentos revolucionários da primeira metade do séc. XIX, a burguesia teve como aliado o nascente proletariado, que foi adotando um discurso reivindicativo próprio, articulado com os movimentos operários, como o socialismo ou o anarquismo. Paralelamente, o Império Otomano ia-se debilitando nos Balcãs, o que permitiu a independência da Grécia e a expansão do Império Austríaco, que se constituiria em Império Austro-Húngaro após a união com a Hungria, e o Império Russo, cuja expansão pela região do Danúbio foi travada por uma aliança franco-britânica na Guerra da Crimeia. A Itália e a Alemanha, fragmentadas em vários Estados, por vezes sob influência estrangeira, iniciaram processos de unificação que culminaram na década de 1870 com a formação do Império Alemão e do Reino da Itália. Entretanto, as grandes potências europeias intensificaram a sua expansão colonial pelos continentes africano e asiático sob um espírito hegemônico que recebeu o nome de imperialismo. Na corrida colonial, juntamente com o Reino Unido, a França e a Rússia, lançaram-se as jovens nações (Bélgica, Alemanha de Guilherme II, Itália, sobretudo na partilha da África). Portugal e os Países Baixos mantiveram as suas colônias na África e na Ásia, e a Espanha foi perdendo as suas colônias americanas e asiática.Do final do séc. XIX à época atualO final do séc. XIX e início do séc. XX ficaram marcados por um forte desenvolvimento industrial e pela frágil estabilidade política entre as grandes potências europeias. O principal foco de conflito continuou a situar-se nos Balcãs, palco das chamadas guerras balcânicas, nas quais o Império Otomano perdeu os seus últimos domínios europeus (excetuando a Trácia Oriental), e gregos, búlgaros, romenos e eslavos do Sul (sérvios, macedônios, bósnios, etc.) disputaram os limites dos novos Estados e defrontaram as pretensões hegemônicas do Império Austro-Húngaro. O conflito de interesses na zona foi um dos motores de arranque da I Guerra Mundial (1914-1918), na qual os Impérios Alemão e Austro-Húngaro, aliados ao Império Otomano e à Bulgária, lutaram contra os países da Tríplice Aliança– França, Reino Unido e Rússia – e seus aliados (Sérvia, Itália e EUA). Em 1917, deflagrou a Revolução russa, pelo que este país se afastou do conflito e mergulhou na guerra civil, que terminou com a instauração de um sistema comunista e o nascimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A vitória final da Entente provocou o desmembramento do Império Austro-Húngaro, do qual surgiram novos Estados: Yugoslávia e Checoslováquia aos quais se juntaram os territórios sob domínio russo (Polônia e os Países bálticos). A Alemanha sofreu perdas territoriais e a imposição de duras sanções econômicas e restrições políticas. Em 1919, foi criada a Sociedade das Nações, com o objetivo de velar pela manutenção da paz e pelo equilíbrio político mundial. Na década de 1930, os Estados europeus tiveram de enfrentar profundas crises econômicas como consequência do Crack de 1929 e uma forte instabilidade política derivada do auge dos movimentos totalitaristas que, em alguns casos, instauraram regimes ditatoriais, como na Itália, submetida ao fascismo, sob a liderança de Mussolini desde 1922, ou a Alemanha, com o triunfo do nacional-socialismo, liderado por Hitler, em 1933. A aliança dos dois países, a que se uniu o Império Japonês, formando as forças do Eixo, foi o primeiro pacto estratégico que preludiava um novo conflito à escala mundial. A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) foi o primeiro exemplo de colaboração ítalo-alemã a favor de um regime ditatorial, neste caso instaurado pelo general Franco, quando da rebelião contra o Governo democrático da República espanhola. Depois de assinar com a URSS um pacto de não-agressão em 1939, a Alemanha ocupou a Polônia e a Tchecoslováquia, dando início à II Guerra Mundial (1939-1945), que envolveu quase todos os países europeus e se estendeu por todos os continentes. A guerra-relâmpago da Alemanha nazista na primeira fase do conflito, com a rendição ou armistícios impostos sucessivamente à Polônia, Dinamarca, Noruega, aos Países Baixos, Bélgica, França, aos países bálticos, algumas repúblicas soviéticas e aos Estados dos Balcãs não aderidos ao Eixo, assegurou a hegemonia de Hitler no continente. Mas a coligação do Reino Unido, EUA e antiga URSS (os aliados) conseguiu conter o avanço alemão e inverter a correlação de forças. À guerra somaram-se as deportações para campos de concentração e de extermínio nazistas de uma enorme quantidade de população civil, especialmente de origem judaica. A vitória aliada significou a consolidação das potências hegemônicas, os EUA e a antiga URSS, e o início da Guerra Fria, que dividiu a Europa em dois blocos: o ocidental, democrático e de economia capitalista, com influência estadunidense, e o bloco do leste (países eslavos e balcânicos, menos a Grécia), composto pelos regimes comunistas tutelados pela antiga URSS. Quanto à Alemanha, o território foi dividido em dois Estados: a República Federal da Alemanha (RFA), inscrita na órbita ocidental, e a República Democrática Alemã (RDA), de obediência comunista. Paralelamente, iniciou-se um período de independência dos territórios dos últimos impérios coloniais europeus. Concluía-se assim o período histórico da hegemonia mundial da Europa. Na década de 1950, os Estados ocidentais iniciaram um processo de alianças econômicas que culminou na criação do Mercado Comum Europeu, integrado inicialmente pela França, RFA, Itália, Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo, embrião da posterior Comunidade Econômica Europeia (ampliada, faseadamente, ao Reino Unido, Irlanda, Dinamarca, Suécia, Portugal, Espanha, Áustria, Finlândia e Grécia), e da União Europeia. Simultaneamente, constituiu-se o Conselho Europeu, com sede em Estrasburgo. No terreno militar, a Europa Ocidental integrou-se em um marco intercontinental mais amplo, político-estratégico, mediante a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, 1949). Ao leste, a URSS promoveu organizações paralelas à OTAN e à CEE: o Pacto de Varsóvia, a nível militar, e uma associação econômica de ajuda mútua chamada Comecon. Ao primeiro aderiu com o seu próprio exército a RDA, como tinha acontecido com a RFA à OTAN. A Berlim Ocidental, ocupada pelos aliados, ficou separada em 1961 da Berlim Leste, ocupada pelos soviéticos, por um muro. Durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, a UE foi-se ampliando e consolidou as suas estruturas com a aprovação da Ata Única Europeia e a integração econômica completa, com a liberdade de circulação para pessoas, capitais, mercadorias e serviços. Um último passo na unificação europeia aconteceu em 1992, com a assinatura do Tratado de Maastricht, que previa a união política dos Estados membros e a adoção da moeda única. Paralelamente, o bloco comunista tinha entrado em uma profunda crise econômica e política, que obrigou a URSS e os seus satélites a empreender um processo de reformas ( perestroika) que levou à dissolução da maioria dos regimes comunistas, do Comecon e do Pacto de Varsóvia. Depois da queda do muro de Berlim, as duas Alemanhas reunificaram-se (1990) e a URSS, depois de conceder a independência às Repúblicas bálticas, proclamou a sua autodissolução e a criação de um conjunto de Repúblicas independentes, entre elas a Ucrânia, a Bielorrússia, a Moldávia e a Rússia. Revitalizaram-se organismos como a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa, sob a qual se assinou o fim da divisão da Europa em dois blocos (1990), ou a União da Europa Ocidental (UEO), mantendo-se a OTAN, que se consolidou com a Guerra do Golfo contra o Iraque e se ampliou, incluindo os antigos territórios do Pacto de Varsóvia. A UE, alargada em 1995 à Áustria, Finlândia e Suécia, recebeu novos pedidos de adesão de países pertencentes ao Comecon. Em contraste com a desintegração pacífica da URSS e da Tchecoslováquia (1992), que se dividiu em República Tcheca e Eslováquia, a independência por parte de algumas repúblicas federais da Yugoslávia, como a Eslovênia, a Croácia (1991), a Bósnia-Herzegovina e a Macedônia (1992), provocou um conflito militar prolongado, protagonizado primeiramente por sérvios, croatas e bósnios muçulmanos (1992-1995) e, posteriormente, por sérvios e albano-kosovares (1998-1999), com episódios de limpeza étnica, matanças e deportações maciças de população, o que obrigou a OTAN a intervir pela primeira vez como força de choque na Guerra da Iugoslávia. Em 2006 se produziu o último capítulo da desintegração da antiga Yugoslávia: a separação dos estados de Sérvia e Montenegro. No início do séc. XXI, a UE adotou o euro como moeda única e acordou a sua ampliação à Polônia, Lituânia, Estônia, Letônia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Eslovênia, Chipre, Malta, Bulgária e Romênia.Reflexos da crise econômica mundial A crise que atingiu a economia mundial provocou protestos em toda a Europa, colocando os políticos do Velho Continente em condições crescentemente desconfortáveis. Os motivos são quase sempre os mesmos. A crise aumenta o desemprego e deteriora as condições de trabalho. Isso causa frustração na opinião pública, que, por sua vez, perde a confiança nos políticos. No Reino Unido, uma manifestação de trabalhadores que defende o lema "trabalhos britânicos para os trabalhadores britânicos" ampliou sua força e chegou a parar algumas fábricas no país em janeiro de 2009. Acossado, o governo de Gordon Brown decidiu anunciar um plano de resgate aos colégios privados que atravessam dificuldades financeiras e ajudar os pais dos alunos britânicos que não têm renda suficiente para pagar as matrículas. Já Hungria, Bulgária, Grécia, Letônia e Lituânia registraram aquilo que todos os governos mais temem: protestos violentos. As passeatas nas nações do antigo bloco soviético são as maiores dos últimos 20 anos. Na Espanha, a crise econômica ganhou ares de catástrofe. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho espanhol em 3 de fevereiro de 2009, somente em janeiro quase 200.000 pessoas perderam seus empregos. No total o país teria mais de 3.300.00 desempregados. A situação é tão difícil que o governo espanhol não teve outra saída senão a de reconhecer que a crise está chegando a níveis assustadores e que esse é o pior momento da economia do país dos últimos dez anos. No dia 24 de março de 2009, Mirek Topolanek, premiê da República Tcheca e então presidente rotativo da União Europeia, foi derrubado quando o Parlamento de seu país decidiu votar favoravelmente a uma moção de censura proposta pela oposição. Com isso a União Europeia passou a ser comandada por um político muito enfraquecido em seu próprio país. O futuro imediato do bloco acabou passando às mãos do presidente tcheco Vaclav Claus, que já se negou a assinar o Tratado de Lisboa, o qual questiona a legitimidade dos representantes do Parlamento Europeu e que não perde a oportunidade de criticar duramente a União Europeia.
Europa Alterações territoriais entre 1989-1993

Europa Ministros europeus de Economia e Finanças celebram a chegada do euro na sede da União Europeia, em Bruxelas


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