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Roosevelt, Theodore (político estadunidense)
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EV
Estados Unidos da América (EUA)
United States of America
 Forma de governorepública federal
 Superfície9.372.614 km²
 Localidade313.914.040 habitantes (estadunidense)
 CapitalWashington (572.059 hab.)
 Principais cidades Nova York  (8.008.278 hab.)
Los Angeles (3.694.820 hab.)
Chicago (2.896.016 hab.)
Houston (1.953.631 hab.)
 
Mais dados
Estado federal da América do Norte, que ocupa quase metade do território do subcontinente. Banhado ao E pelo Atlântico e ao O, pelo Pacífico; limitado ao N pelo Canadá e ao S, pelo México; inclui o Alasca, no extremo NO do Canadá, e o arquipélago do Havaí, na Oceania. Com uma superfície de 9.372.614 km² e uma população de 313.914.040 habitantes, o país compreende 50 estados e 1 distrito federal. Capital: Washington. Língua oficial: nenhuma (o inglês é a língua nacional). Religiões mais difundidas: protestante e católica.

Estrutura administrativa dos Estados Unidos da América

Estados

Superfície (km2)

População

Capital

População

Alabama

133.915

4.447.100

Montgomery

201.568

Alasca

1.530.700

626.932

Juneau

30.711

Arizona

295.260

5.130.632

Phoenix

1.321.045

Arkansas

137.755

2.673.400

Little Rock

183.133

Califórnia

411.049

33.871.648

Sacramento

407.018

Carolina do Norte

136.413

8.049.313

Raleigh

276.093

Carolina do Sul

80.582

4.012.012

Colúmbia

116.278

Colorado

269.596

4.301.261

Denver

554.636

Connecticut

12.997

3.405.565

Hartford

121.578

Dakota do Norte

183.119

642.200

Bismarck

55.532

Dakota do Sul

199.730

754.844

Pierre

13.876

Delaware

5.295

783.600

Dover

32.135

Distrito de Colúmbia*

178

572.059

Washington

572.059

Florida

151.939

15.982.378

Tallahassee

150.624

Geórgia

152.576

8.186.453

Atlanta

416.474

Havaí

16.759

1.211.537

Honolulu

371.657

Idaho

216.432

1.293.953

Boise City

185.787

Illinois

145.934

12.419.293

Springfield

111.454

Indiana

93.719

6.080.485

Indianápolis

781.870

Iowa

145.753

2.926.324

Des Moines

198.682

Kansas

213.098

2.688.418

Topeka

122.377

Kentucky

104.661

4.041.769

Frankfort

27.741

Louisiana

123.677

4.468.976

Baton Rouge

227.818

Maine

86.156

1.274.923

Augusta

18.560

Maryland

27.092

5.296.486

Annapolis

35.838

Massachusetts

21.456

6.349.097

Boston

589.141

Michigan

151.586

9.938.444

Lansing

119.128

Minnesota

218.600

4.919.479

Saint Paul

287.151

Mississippi

123.514

2.844.658

Jackson

184.256

Missouri

180.516

5.595.211

Jefferson City

39.636

Montana

380.848

902.195

Helena

25.780

Nebraska

200.350

1.711.263

Lincoln

225.581

Nevada

286.352

1.988.257

Carson City

52.457

New Hampshire

24.032

1.235.786

Concord

40.687

New Jersey

20.169

8.414.350

Trenton

85.403

Nova York

127.190

18.976.457

Albany

95.658

Novo México

314.925

1.819.046

Santa Fe

62.203

Ohio

107.044

11.353.140

Columbus

711.470

Oklahoma

181.186

3.450.654

Oklahoma City

506.132

Oregon

251.419

3.421.399

Salem

136.924

Pensilvânia

117.348

12.281.054

Harrisburg

48.950

Rhode Island

3.140

1.048.319

Providence

173.618

Tennessee

109.152

5.689.283

Nashville-Davidson

545.524

Texas

691.027

20.851.820

Austin

656.562

Utah

219.889

2.233.169

Salt Lake City

181.743

Vermont

24.900

608.827

Montpelier

8.035

Virgínia

105.586

7.078.515

Richmond

197.790

Virgínia Ocidental

62.759

1.808.344

Charleston

53.421

Washington

176.479

5.894.121

Olympia

42.514

Wisconsin

145.436

5.363.675

Madison

208.054

Wyoming

253.326

493.782

Cheyenne

53.011

* Distrito Federal


GeografiaMeio físico• Geomorfologia As principais unidades de relevo do território dos EUA são: os Apalaches, as Grandes Planícies, a cordilheira das montanhas Rochosas e planaltos anexos, e as cordilheiras da costa do Pacífico. O E dos EUA é dominado pelos Apalaches, cadeia que se estende do NE ao SO ao longo de 2.500 km, cujo ponto mais alto é o monte Mitchell (2.037 m). Os Apalaches, com largura média de 200-300 km, dominam a planície costeira, que se prolonga até a península da Flórida. As grandes bacias do Mississippi e do Missouri constituem o território das Grandes Planícies, uma bacia tectônica de dimensões continentais que se estende pelo centro do país. As montanhas Rochosas separam as Grandes Planícies da região ocidental, estendendo-se desde o Alasca até o Novo México. A cordilheira apresenta uma série de cadeias, com uma orientação predominante do N para o S (topo no monte Elbert, 4.399 m). Três grandes planaltos compõem este território: Columbia, Colorado e a Grande Bacia. As cadeias que dominam a costa do Pacífico formam um alinhamento duplo separado por uma profunda depressão; prolongam-se desde o Alasca até o México (topo no monte McKinley, 6.194 m, teto do subcontinente). A cordilheira interior é formada pela Serra Nevada, no S, e a cadeia das Cascatas, no N, enquanto a cordilheira externa é constituída pelas cordilheiras da Costa do Pacífico.• Hidrologia O principal rio do país é o Mississippi, com uma bacia de cerca de 3.328.000 km2 de extensão e 5.920 km de comprimento, se incluir o sistema Missouri-Red Rock. O Ohio e o Missouri constituem os principais afluentes do Mississippi, que no grande delta forma o seu leito final, apresenta um fluxo médio de 20.000 m3/s. Os Grandes Lagos (Superior, Michigan, Huron, Erie e Ontário) formam o maior espaço lacustre de águas doces do mundo, com 248.500 km2. No O do país, está situado o Grande Lago Salgado. Dois importantes rios são afluentes do Pacífico, o Colorado e o Columbia, com o seu afluente, o Snake. O Alasca é drenado pelo Yukon.• Clima No Alasca, predomina o clima subpolar. Na extensa área central do país, alternam-se massas de ar continental polar, vindas do Canadá, e outras marítimas tropicais, oriundas do golfo do México. Em Minneapolis, a média em janeiro é de -6 °C e em julho, de 20 °C. A chuva não alcança os 1.000 mm anuais no O do Mississippi. Em Denver, os valores médios respectivos são de -2 e 22 °C, registrando 370 mm anuais de chuva. Em Nova York, a média em janeiro é de -3 °C e em julho, 25 °C, e no S, em Miami, varia entre 19 °C e 27 °C. Na Califórnia, prevalece o clima mediterrânico (13 °C em janeiro, 22 °C em julho e 400 mm de precipitação).• Vegetação Entre as formações vegetais, podem ser reconhecidas uma vasta área central, dominada por estepes e pradarias, e duas áreas florestais nas vertentes atlântica e pacífica. Sobre os Apalaches, estendem-se bosques de castanheiros, carvalhos, faias e aceráceas, que no N se associam a coníferas e bétulas. A prevalência das grandes pradarias prolonga-se desde o interior dos Apalaches até as montanhas Rochosas. Esta cadeia apresenta pastos, bosques de abetos e pinheiros e, nas regiões mais áridas, azinheiras. Nas cordilheiras ocidentais, encontram-se grandes bosques de coníferas (sequoias) e na costa S do Pacífico surgem formações similares à vegetação mediterrânea. No S da Flórida, as áreas de pântano são formadas por mangues, lianas e plantas epífitas.População e povoamento• População A primeira contagem de população data de 1790, época em que as 13 colônias totalizavam 3.929.214 hab., dos quais 697.681 eram escravos negros. O rápido crescimento da população resultou do grande número de imigrantes europeus, primeiro de ingleses e irlandeses, e, até o final do séc. XIX, de eslavos e italianos, principalmente. O primeiro censo do séc. XX apresentava 75.994.575 hab. Em 1950, a população tinha duplicado (150.697.361 hab.) e em 1970 era de 203.211.926 hab. A população continuou aumentando ao longo das últimas duas décs. do séc. XX, passando de 226.545.805 hab. (1980) para 248.709.873 hab. (1990) e para 281.421.906 hab. (2000). Esta evolução, consequência de uma elevada taxa de crescimento vegetativo de 5,5 % (2001), explica-se através do grande número de nascimentos entre as populações negras, asiáticas e hispânicas. O fluxo de imigrantes, sobretudo mexicanos e porto-riquenhos, é importante, além do elevado número de imigrantes clandestinos não contabilizados pelas estatísticas oficiais. Na atualidade, cerca de 80 % da população é branca (inclusive parte da população hispânica), cerca de 12,3 % negra, cerca de 3,3 % asiática e cerca de 0,9 % ameríndia. A população de origem hispânica totaliza 9 % da população total registrada.• Povoamento A densidade demográfica média dos EUA é de 32 hab./km2. Mais de 77,4 % vivem em áreas urbanas e metropolitanas. Na costa leste, situa-se uma concentração de cidades única no mundo. A primeira cidade da megalópole atlântica é Nova York. Outras cidades da região são Newark, Filadélfia, Baltimore, Washington, a capital, e Boston. Na região dos Grandes Lagos, encontram-se importantes centros industriais, como Pittsburgh, Cleveland, Detroit e Chicago, centro econômico e de comunicações. No extremo SE do país, destaca-se Miami. No vale do Mississippi, encontram-se Minneapolis, Memphis e Saint Louis. Toda a área central e meridional das Grandes Planícies tem a sua saída natural em Nova Orleans e no território texano, as principais cidades são: Dallas e Houston. O Oeste apresenta-se pouco povoado, com algumas cidades isoladas, entre as quais se destacam Denver, Salt Lake City e Phoenix. Na costa do Pacífico, localizam-se as áreas urbanas mais dinâmicas do país como San Francisco e Los Angeles. No estado de Washington, destaca-se Seattle. Economia
Considerado modelo de capitalismo dinâmico, empreendedor e competitivo, o sistema econômico americano, desde o final do século XIX, é o mais importante do mundo. Os Estados Unidos, que em seus primórdios foram um país de fazendeiros, cuja ideologia individualista muito contribuiu para moldar o "American way of life" (modo de vida americano), souberam assimilar ou ser agentes de transformações tecnológicas, científicas e operacionais que mudaram radicalmente os sistemas produtivos, como a mecanização da agricultura, as novas tecnologias de comunicações e transportes, a racionalização das indústrias e a exploração intensiva de seus imensos recursos minerais.
Outro aspecto marcante do perfil econômico dos Estados Unidos é o equilíbrio no peso relativo dos setores industrial, agrícola, comercial e de serviços no conjunto. Essencialmente rural até a guerra da secessão (1861-1865), a mentalidade yankee do norte, inclinada para o dinamismo produtivo, se impôs definitivamente sobre a dos fazendeiros do sul. Nas últimas três décadas do século XIX acelerou-se o processo de industrialização, de tal maneira que, nas últimas décadas do século XX, a produção industrial superava a agrícola, que também não deixou de crescer. Entretanto, os Estados Unidos defrontavam-se no final do século XX com grandes desafios, representados por economias igualmente competitivas, como a japonesa, a dos chamados "tigres asiáticos" (Coréia do Sul, principalmente) e a da própria Comunidade Europeia.
Em nenhum outro país a iniciativa e o esforço dos indivíduos impregnaram tanto o dia-a-dia de cada um. Essa ética do trabalho e do resultado positivo expandiu fronteiras, gerou negócios, estruturou empresas de alcance supranacional. Nessa economia de mercado extremamente aberta, a primazia é concedida à empresa privada, com o governo atuando mais como instrumento regulador do que como órgão de direção e execução. Assim, enquanto na maioria dos países, mesmo os capitalistas, certos serviços públicos são controlados pelo estado (geração de energia, comunicações, água e esgoto, por exemplo), nos Estados Unidos não é incomum que tais setores sejam explorados por empresas privadas. Observa-se, por outro lado, que a União é o mais poderoso impulsionador da atividade econômica, sobretudo aquela considerada de ponta, mediante a contratação de empresas privadas para o desenvolvimento de projetos, pesquisas e obras, no campo da defesa nacional e da indústria espacial, por exemplo, os quais, sem o apoio governamental, dificilmente seriam executados. Durante a década de 1930, época da grande depressão, o governo federal teve atuação mais intervencionista na economia. A partir da década de 1980 o processo sofreu forte reversão, sobretudo durante os dois mandatos (1980-1988) de Ronald Reagan.
Na última década do século XX, o país experimentou um de seus períodos de maior prosperidade, com uma rara combinação de crescimento econômico, baixo índice de desemprego, salários altos e inflação baixa. No entanto, a crise do mercado globalizado e sobretudo das empresas do setor de tecnologia, que haviam impulsionado o surto de desenvolvimento, afetou a economia americana no novo milênio, iniciado com mais um ciclo de recessão.
• Agricultura e pecuária
Pouco mais de dois por cento da população ativa americana se dedica à agricultura, muito automatizada e apoiada em enormes extensões de terra de cultivo. Graças a isso, com um número exíguo de trabalhadores, o país produz mais do que o suficiente para abastecer o mercado interno, e exporta grandes quantidades de produtos alimentícios, como leite em pó, trigo, milho e soja. A exploração do setor agrícola adquire cada vez mais o caráter de grandes empresas, e as tradicionais propriedades familiares vão-se tornando cada vez mais escassas.
Embora se pratique, em algumas regiões, a policultura, a intensa racionalização do setor agrícola teve como consequência uma forte especialização produtiva. Grandes regiões se dedicam exclusivamente ao cultivo de uma ou de poucas variedades de produtos. Assim, são característicos nas grandes planícies, os diversos belts, ou cinturões. O dairy belt, na região dos grandes lagos, é especializado na produção leiteira. Nesse cinturão costuma-se incluir também a região da Nova Inglaterra (como é conhecido o nordeste do país). Mais ao sul, numa região de chuvas abundantes e altas temperaturas no verão, situa-se o corn belt, imensa planície produtora de milho, cuja cultura se alterna com a de outros cereais e soja. Nas planícies do sul se encontra o cotton belt, ou cinturão do algodão, produto que perdeu sua antiga importância. Mais ao sul, junto ao litoral do golfo do México, se estendem as plantações de arroz e cana-de-açúcar. Na planície atlântica, o dairy belt do norte dá lugar ao fumo, na Virgínia, e aos cítricos, na Flórida.
A parte mais ocidental das planícies, que recebe menos chuvas, é o wheat belt, ou cinturão do trigo. O desmatamento excessivo provocou nessa região verdadeiras catástrofes ecológicas.
Mais para o oeste, à medida que as terras se tornam mais áridas, elas deixam de ser empregadas para o cultivo e são utilizadas como pastos sazonais para a pecuária extensiva. Nos grandes planaltos intermontanos, pratica-se a agricultura de irrigação, mas a maior parte dos terrenos é improdutiva. As terras irrigadas alcançam seu rendimento máximo nas áreas temperadas da Califórnia, que colhem todo tipo de produtos próprios dos países temperados, mediterrâneos e subtropicais – frutas, cítricos, hortaliças – e conta com vinhedos dos quais se extraem excelentes vinhos.
A pecuária americana, como a agricultura, é altamente mecanizada e produz excedentes. O gado leiteiro tem grande importância no dairy belt, enquanto a criação extensiva de bovinos e ovinos em grandes fazendas é tradicional nas terras secas do oeste do país. O gado suíno é muito numeroso no corn belt, assim como é intensa ali a avicultura. Tal como ocorre com a agricultura, a pecuária ocupa sempre um dos primeiros lugares mundiais em produção das principais espécies. Os principais rebanhos bovinos estão nos estados do Texas, Iowa, Nebraska, Kansas, Califórnia, Oklahoma e Missouri.
• Pesca e extrativismo vegetal
Nos Estados Unidos, o consumo habitual de peixe não é muito difundido, mas ainda assim a produção pesqueira do país é uma das mais importantes do mundo. Destacam-se por sua importância a pesca de salmão, no litoral norte do Pacífico, e as de bacalhau e outras espécies na costa norte do Atlântico. No golfo do México desenvolveram-se nas últimas décadas do século XX importantes portos pesqueiros. Na região dos grandes lagos também é intensa a pesca, apesar de apresentarem seriíssimos problemas de poluição ambiental. Os estados mais destacados na atividade pesqueira são Alasca, Califórnia, Massachusetts, Texas e Louisiana.
As florestas dos Estados Unidos, embora tenham passado já por vários séculos de corte intensivo e sido substituídos por terras de cultivo, representam ainda uma importante reserva madeireira. As espécies mais exploradas são as coníferas nas montanhas Rochosas e no noroeste do país, e os carvalhos e outras espécies caducifólias no nordeste. Além de madeira serrada, as florestas fornecem lenha e matérias-primas destinadas à fabricação de papel e celulose, resinas etc.
• Fontes de energia
Desde sua fundação, os Estados Unidos foram sempre um território privilegiado em matéria de fontes energéticas, na maioria de fácil exploração, o que constituiu um fator vital no prodigioso desenvolvimento econômico e industrial do país. A vertente oeste dos Apalaches – desde as margens do lago Erie até o Alabama, no sul – é uma imensa bacia carbonífera, que permitiu aos Estados Unidos liderar, no século XIX, a produção mundial. No fim do século XX, foram incorporados à produção carbonífera as jazidas do "meio-oeste" – na realidade a região central do país – e, finalmente, as grandes extrações a céu aberto, nas montanhas Rochosas.
Os campos petrolíferos da Pensilvânia foram os primeiros do mundo a serem explorados de maneira industrial. A "era do petróleo", no início do século XX, teve como característica principal a expansão do uso do automóvel, que transformou a sociedade, fazendo dos Estados Unidos uma "nação sobre quatro rodas" décadas antes dos países europeus. Até a década de 1960, os Estados Unidos foram o maior produtor mundial de petróleo, extraído principalmente nos estados do Texas, Louisiana, Oklahoma, Kansas, Califórnia, Ohio e Pensilvânia.
Grandes companhias transnacionais com sede nos Estados Unidos controlam a maior parte do comércio e distribuição de petróleo do mundo: Exxon, Texaco, Mobil Oil, Gulf Oil e várias outras. Na segunda metade do século XX, apesar de ter sido iniciada a exploração das reservas do Alasca, os Estados Unidos se converteram num país importador de petróleo, o que teve uma importante repercussão na crise petrolífera que se desencadeou no fim de 1973 e deu início a uma grande recessão econômica internacional.
A energia elétrica é produzida principalmente em usinas termelétricas alimentadas por carvão, gás natural e, em menor quantidade, petróleo. Numerosas centrais nucleares produzem uma parte considerável da eletricidade do país, embora o desenvolvimento dessa fonte energética tenha se reduzido em grande medida. A energia hidrelétrica conta com as espetaculares quedas dos grandes rios das montanhas Rochosas, do Colorado, do Tennessee e do Niagara.
• Mineração
Graças a um subsolo extremamente rico, a mineração provê a maioria das necessidades das indústrias do país, que, sendo grande consumidor, é também grande importador, face ao esgotamento de certas reservas, além da inexistência de alguns metais raros, como manganês, platina e cromo. O minério de ferro, em sua maior parte, é extraído de jazidas junto ao lago Superior (estados de Minnesota e Michigan) e transportado de barco até a região carbonífera da Pensilvânia.
As principais minas de cobre estão em Utah e Arizona, distantes, porém, das principais indústrias que utilizam esse minério como matéria-prima, situadas no nordeste. O país também extrai grandes quantidades de bauxita, estanho, zinco, chumbo, molibdênio, níquel, ouro, prata e muitos outros metais. Fosfatos, cloreto de sódio, sais potássicos e minerais não metálicos vêm dos estados do golfo do México.
• Indústria
O sistema industrial dos Estados Unidos, além de ser o mais poderoso e diversificado do mundo, é também aquele em que as grandes corporações privadas melhor expressam suas formas de dominação, o que exigiu a elaboração de leis antimonopólio. As indústrias se concentram especialmente no nordeste e no meio-oeste, onde se localizam algumas das maiores cidades industriais do mundo, como Nova York, Chicago e Detroit. A região da Nova Inglaterra, que compreende seis estados, foi a primeira a industrializar-se, seguida pela dos grandes lagos. Após a segunda guerra mundial, as indústrias que empregam tecnologia de ponta se instalaram na costa do Pacífico, Texas e Nova Inglaterra. Significativo exemplo é o chamado vale do silício, na Califórnia, local de concentração de empresas de computação e eletrônica.
A distribuição geográfica dos principais setores industriais obedece à lógica da disponibilidade de matérias-primas e meios de transporte. Uma extensa rede de oleodutos e gasodutos une regiões produtoras, portos de importação e exportação, refinarias e centros de consumo. Assim, encontra-se a metalurgia em Pittsburgh-Youngstown e Chicago-Gary; a indústria aeronáutica em Seattle, Califórnia e Texas; o setor químico-farmacêutico na macrorregião de Nova York; a petroquímica na Califórnia, Texas e Louisiana; a eletrônica na Califórnia e no Texas; as montadoras de automóveis em Detroit e a construção naval na costa do Pacífico e na Nova Inglaterra. A indústria têxtil se deslocou da Nova Inglaterra para os estados do sul. Matadouros e indústrias de carnes situam-se nos cinturões do trigo e do milho. As indústrias de conservas de frutas e hortaliças estão na Califórnia, Texas e Flórida, e as indústrias editoriais em Nova York, Boston e Chicago. O beneficiamento de cereais tem Buffalo como principal centro, enquanto a indústria açucareira distribui-se por Boston, Nova York, Filadélfia, Baltimore e Savannah.
• Finanças, comércio e turismo
O setor terciário (de serviços) absorve grande parte da mão de obra, empregando a maior parte da população economicamente ativa. O ensino superior e a pesquisa, muito ligados entre si, experimentaram um desenvolvimento espetacular na segunda metade do século XX. As instituições de crédito são muito numerosas, em parte porque as leis dificultam a operação dos bancos fora dos estados em que estão estabelecidos. A bolsa de valores de Nova York, em Wall Street, é a mais importante do mundo.
As exportações americanas incluem tanto produtos agrícolas como industriais, e as importações, além de produtos petrolíferos e matérias-primas, compõem-se em grande parte de produtos manufaturados. O tradicional intercâmbio, pelo Atlântico, com a Europa ocidental foi superado, na década de 1980, pelo comércio pelo Pacífico, entre os portos da Califórnia e os do Japão, da Coréia do Sul e de outros países asiáticos. Interpretou-se esse fenômeno como um deslocamento histórico do centro de gravidade da economia mundial, que no século XIX era na Europa, transferiu-se no princípio do século XX para a costa atlântica dos Estados Unidos e, no fim do século, para a costa pacífica.
Na década de 1970, o comércio exterior americano tornou-se deficitário. Embora as exportações de tecnologia e outros ingressos tenham substituído as vendas tradicionais de mercadorias, o país logo começou a registrar um déficit considerável na balança comercial, financiado por capital externo.
O comércio é muito intenso com o Canadá, cuja economia é fortemente influenciada pela americana, e com o México, um de seus principais fornecedores de produtos petrolíferos e um dos maiores compradores de bens manufaturados. Dessas estreitas relações econômicas com o Canadá e o México, resultou o acordo tríplice denominado NAFTA (North American Free Trade Agreement), destinado a tornar abertas as fronteiras comerciais entre os três países da América do Norte.
Integradas ao setor de serviços, as empresas de entretenimento e propaganda, importantes na absorção de mão de obra e na geração de receitas, são operacionalmente integradas às organizações de turismo e lazer, as quais visam tanto o mercado interno quanto externo. Assim, parques naturais, como Yellowstone e Yosemite, que visam proteger o meio ambiente, ou aqueles construídos pelo homem, como Disneylândia e Disneyworld, atraem visitantes de todo o mundo, alimentando empresas colaterais, como hotéis, restaurantes, centros de compras e empresas de transporte.
Flórida, Colorado, Havaí, Porto Rico, Califórnia, ilhas Virgens, Niagara com suas cataratas, as cidades de Nova York, Las Vegas e Atlantic City são alguns dos mais destacados polos de turismo.
• Transportes e comunicações
A malha ferroviária dos Estados Unidos é a mais extensa do mundo, maior na porção leste de seu território e menor na oeste. Com exceção das linhas suburbanas das macrorregiões de Nova York e São Francisco, o sistema destina-se ao transporte de carga pesada.
As ferrovias constituíram importante elemento de integração nacional e ampliação de fronteiras, sobretudo na região oeste. Uma das razões da impressionante expansão das ferrovias americanas foi o fato de o governo federal doar terras às empresas com linhas transcontinentais. Disso se beneficiaram, à época da guerra de secessão, duas empresas, a Union Pacific Railroad e a Central Pacific. De modo geral, as ferrovias investem parcelas ponderáveis de suas receitas líquidas em tecnologia e novos métodos operacionais, a fim de fazer frente à concorrência dos sistemas aéreo, fluvial e rodoviário.
A navegação marítima é tecnicamente muito avançada nos Estados Unidos. O país conta com alguns dos portos mais importantes do mundo, como os de Nova York, Chicago (no lago Michigan), Nova Orleans, Houston, Norfolk, Baltimore, Filadélfia, Los Angeles e San Francisco, entre outros. As vias fluviais navegáveis totalizam mais de quarenta mil quilômetros. É mais desenvolvida na planície atlântica, nos grandes lagos, na costa do golfo do México e na rede do Mississippi e seus afluentes.
A aviação comercial é altamente desenvolvida, não apenas para cobrir o imenso território nacional mas praticamente todo o globo. Os aeroportos de Miami, Nova York, Chicago, Atlanta, Los Angeles e São Francisco alinham-se entre os de maior tráfego de passageiros e cargas do mundo. A constante evolução tecnológica, sistemas de bonificação, voos fretados (charter), a própria necessidade de reduzir distâncias e ganhar tempo fizeram com que o transporte aéreo de passageiros se tornasse muito comum e acessível.
O sistema rodoviário se caracteriza pela extensa rede de estradas, cujas autopistas cortam o território do país em todas as direções, em alguns casos sem se deter num único sinal de trânsito. A circulação de passageiros dá-se, principalmente, através de bem servidas linhas de ônibus, locais, interestaduais e internacionais. É também significativo o papel das empresas rodoviárias de cargas, cuja primazia pertencia no passado recente ao transporte ferroviário.
• Comunicações
Amplo, complexo, tecnologicamente avançadíssimo, o sistema de comunicações dos Estados Unidos é considerado um dos melhores e maiores do mundo. Paralelamente às conquistas técnicas e científicas, constitui um dos componentes inseparáveis do chamado American way of life.
O serviço de correios e telégrafos é estatal, mas a radiotelegrafia e a cabodifusão são exploradas por empresas particulares. Fibras ópticas, satélites para uso doméstico e internacional, emissoras de televisão a cabo e convencionais, imensa quantidade de emissoras de rádio AM (amplitude modulada) e FM (frequência modulada), serviços de videotexto, popularização da telefonia com e sem fio, telex, fax (fac-símile eletrônico) completam o painel dos sistemas de comunicação existentes, em geral acessíveis a todas as faixas socioeconômicas.
História Primeiras explorações dos europeus
Colonizados pelos ingleses a partir do século XVII, os Estados Unidos já eram habitados muito antes de seu descobrimento, no século XV. Quando da chegada dos europeus, havia cerca de um milhão de ameríndios, pertencentes a diversos grupos étnicos e em variados estágios de desenvolvimento, descendentes de nativos da Sibéria, que chegaram ao norte da região através do estreito de Bering há 25 milhões de anos.
Os grupos mais importantes eram o iroquês, o algonquino, o pueblo e o sioux. Os algonquinos praticavam uma agricultura rudimentar (milho, fumo, abóbora), habitavam choças rústicas e cavavam canoas em troncos de árvores. Espalhavam-se da costa do Pacífico à Virgínia e Nova Inglaterra. Os iroqueses, seguindo a cordilheira dos Apalaches, tomaram o rumo sul; viviam da caça e da pesca e de práticas agrícolas primitivas, tal como os pueblos (localizados principalmente no Arizona e no Novo México). Os sioux, que dependiam do búfalo para a sua alimentação, apresentavam características nômades. Os povos indígenas dos Estados Unidos estavam num estágio cultural inferior ao das civilizações pré-colombianas do México, América Central e do Sul.
Ao redor do ano 1000 da era cristã, navegadores noruegueses (Eric o Vermelho, Leif Ericson, Thorfinn Karlsefni) chegaram, entre outros pontos da América do Norte, à costa atual da Nova Inglaterra, a que deram o nome de Vineland.
Em 12 de outubro de 1492, o genovês Cristóvão Colombo, a serviço dos soberanos espanhóis Fernando de Aragão e Isabel de Castela, chegou à ilha de San Salvador (nas Bahamas), inaugurando o domínio europeu do continente americano. Foram navegadores espanhóis os primeiros a pisar o solo dos atuais Estados Unidos: entre outros, Juan Ponce de León (1513, Flórida), à procura da mítica ilha de Bimini, local da "fonte da juventude", e Hernando de Soto (1541, descobridor do Mississippi). Em 1565, Pedro Menéndez de Avilés fundou San Agustín (atual Saint Augustine), na Flórida, a mais antiga cidade dos Estados Unidos. Diversos exploradores percorreram o país, como os espanhóis Francisco Vázquez de Coronado, Pánfilo de Narváez, Alvar Núñez Cabeza de Vaca, o português João Cabrilho, o inglês Sir Walter Raleigh, o italiano Giovanni da Verrazano e o francês Jacques Cartier.
No início do século XVII, no reinado de Henrique IV, a França por diversas vezes enviou Samuel Champlain à América e em 1608 fundou Québec, no Canadá de hoje, a partir de onde foram feitas incursões ao atual território americano. Ao final do século XVII, além de colonos, a França tinha na América missionários católicos, fortificações militares e entrepostos, estes voltados principalmente para o comércio de peles. A área de influência francesa englobava o lago Michigan e estendeu-se até o Mississippi, em cuja foz René Robert Cavalier, senhor de La Salle, fundou Nova Orleans. Esse projeto de colonização findou com a guerra dos sete anos (1756-1763), quando a França teve que abrir mão do Canadá e da Louisiana, até o rio Mississippi, cabendo à Espanha a Louisiana ocidental.
Em 1583, seguindo orientação da rainha Elizabeth I da Inglaterra, Sir Humphrey Gilbert, numa segunda tentativa (a primeira frustrou-se devido à armada espanhola), tomou posse da Terra Nova (Newfoundland).
Colônias inglesas
O início efetivo da colonização inglesa deu-se em 1584-1585, quando Sir Walter Raleigh retomou o projeto de Sir Humphrey Gilbert, instalando colonos na ilha de Roanoke, os quais teriam sido dizimados pelos índios. Em 1605, o rei Jaime I concedeu cartas-patentes a duas companhias colonizadoras, a Companhia de Comércio para as Índias Orientais (Londres) e a Companhia de Comércio do Novo Mundo (Plymouth). Em 27 de abril de 1607, o capitão Christopher Newport fundou Jamestown, na Virgínia, às margens do rio James, nas imediações da baía de Chesapeake. O fumo foi a cultura inicial e de tal forma desenvolveu-se que, face à necessidade de trabalhadores, recorreu-se, a partir de 1619, à mão de obra escrava dos negros africanos.
Em 1620, puritanos expulsos da Inglaterra fundaram a colônia de New Plymouth, na Nova Inglaterra. Conhecidos como peregrinos (Pilgrim Fathers), os colonos aportaram na baía de Massachusetts, imediações do cabo Cod, vindos no navio Mayflower. Em 1632, imigrantes católicos criaram a colônia de Maryland. Boston foi fundada em 1630; Connecticut e Rhode Island em 1636. Liderados por William Penn, quacres fundaram Filadélfia em 1682.
Conflitos políticos e religiosos na Europa impulsionaram a imigração rumo ao Novo Mundo. Assim, o vale do Hudson, em 1609, e Manhattan (Nova Amsterdam), em 1626, foram povoados por imigrantes holandeses aos quais, logo a seguir, uniram-se huguenotes – protestantes franceses – e judeus expulsos de diversos países europeus. Judeus oriundos do Brasil também se estabeleceram em Manhattan, a atual Nova York, que em 1674 os Países Baixos cederam à Inglaterra pelo Tratado de Westminster, visto que já era dominada pelos ingleses desde 1664.
Guerra da independência
A assinatura do Tratado de Paris, em 1673, pôs fim à guerra dos sete anos e a Inglaterra incorporou o Canadá. Ao mesmo tempo, acirraram-se as diferenças entre a metrópole e as 13 colônias – Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, New Hampshire, Nova Jersey, Nova York, Pensilvânia, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia – principalmente pela excessiva pressão tributária exercida pelo gabinete britânico. Dois impostos, o Sugar Act (taxando o açúcar) e o Stamp Act (taxando tudo o que fosse impresso na colônia) provocaram forte oposição.
Em 1766 ambas as leis foram revogadas, mas outros fatores, como a proibição, existente desde 1765, de abrir estabelecimentos fabris, estimulavam o sentimento pela independência e o instinto de nacionalidade. Novos impostos sobre chá, papel, vidro e tintas acirraram os ânimos. Em 1773, em Boston, ocorreu a revolta do chá. John Dickinson e Samuel Adams lideraram a fundação da Sociedade dos Filhos da Liberdade. Em 5 de setembro de 1774, em Filadélfia, reuniram-se os delegados das 13 colônias, no primeiro congresso continental, ocasião em que redigiram uma declaração de direitos e exigiram o retorno à situação anterior. O Parlamento britânico repeliu as reivindicações coloniais.
Em 1775 a guerra eclodiu, em Lexington e Concord. Nesse ano reuniu-se o segundo congresso continental, na mesma época em que se deu a batalha de Ticonderoga, com a vitória dos anticolonialistas. Nessa ocasião, foi criado o exército continental, sob o comando do general George Washington, que declarou a independência das 13 colônias em 4 de julho de 1776. A batalha de Saratoga (17 de outubro de 1777) foi decisiva para a independência. A partir dela, soldados franceses, comandados pelo marquês de La Fayette, poloneses, espanhóis e prussianos, países antagonistas da Grã-Bretanha, vieram auxiliar os rebeldes. Em 1780, ocorreu outra grande derrota britânica, desta vez naval, em Chesapeake. Finalmente, em 19 de outubro de 1781, o exército britânico, sob o comando de Lord Cornwallis, rendeu-se em Yorktown. Pelo tratado assinado em Paris em 1783, e em que os Estados Unidos foram representados por Benjamin Franklin, John Adams e John Jay, a Grã-Bretanha reconheceu a autonomia das colônias.
Entre 1812 e 1814 houve o que se denominou de segunda guerra da independência, basicamente provocada pela insistência do Reino Unido em convocar cidadãos americanos para combater na guerra contra Napoleão, que havia imposto o bloqueio continental aos britânicos, e pelas disputas fronteiriças com o Canadá. O presidente James Madison declarou guerra à antiga metrópole, a qual se prolongou até janeiro de 1815, embora a paz tenha sido assinada no final do ano anterior, em Gand.
República
Em 1787, de maio a setembro, 12 colônias (Rhode Island não participou) reuniram-se em Filadélfia, onde foi redigida a constituição do país, com sete artigos e quatro emendas sobre os direitos civis (Bill of Rights). A constituição estabeleceu que os Estados Unidos eram uma união federativa de estados, com os três poderes (executivo, legislativo e judiciário) independentes; vigoraria o regime presidencialista, com presidente e vice-presidente, com mandato de quatro anos; o legislativo adotaria o sistema bicameral.
A constituição americana, que serviu de modelo para a maior parte das repúblicas surgidas no Novo Mundo, foi aprovada em 17 de setembro de 1787. Consolidou a existência de dois grandes partidos políticos: o federalista, de forte influência britânica, e o republicano, mais próximo da visão do mundo e das preocupações dos proprietários rurais e defensor dos direitos dos estados.
O primeiro presidente foi George Washington, que, eleito em 1789, governou durante dois períodos, até 1797. Nessa época deu-se início à construção da nova capital, Washington, no Distrito de Colúmbia, às margens do rio Potomac, que a partir de 1800 substituiu Filadélfia como sede do governo.
Os primeiros anos do século XIX foram marcados pela expansão territorial. Em 30 de abril de 1803, os Estados Unidos compraram a Louisiana à França por 15 milhões de dólares, mais do que duplicando o território do país. As terras indígenas foram sendo apropriadas pelos brancos. Doze estados, entre 1791 e 1845, juntaram-se aos 13 iniciais: Vermont (1791), Kentucky (1792), Tennessee (1796), Ohio (1803), Louisiana (1812), Indiana (1816), Mississippi (1817), Illinois (1818), Alabama (1819), Maine (1820), Missouri (1821) e Flórida (1845). Este último foi comprado em 1819, por cinco milhões de dólares, à Espanha, após ter sido invadido por tropas comandadas pelo general Andrew Jackson em 1812.
Doutrina Monroe
A guerra contra o Reino Unido ampliou e solidificou a consciência nacional dos Estados Unidos, criou forte oposição ao colonialismo europeu e lançou as bases de um dos princípios básicos da política externa daquele país: a América é área sob proteção e controle dos Estados Unidos.
Data dessa época, durante o governo James Monroe, o surgimento da doutrina que leva seu nome, segundo a qual os Estados Unidos não admitiriam nenhuma agressão externa a qualquer país do continente. O slogan "as Américas para os americanos" propiciou equívocos políticos, militares e econômicos que se prolongariam até o final do século XX. Considerando qualquer tentativa de intervenção europeia no continente como um ato hostil aos Estados Unidos, a doutrina Monroe dirigia-se principalmente contra a Espanha, então uma potência imperialista, e a quem a Santa Aliança e outras monarquias europeias tentavam ajudar. Contando com a cobertura da marinha britânica, a doutrina Monroe se impôs, sobretudo porque, ao reconhecer a independência dos países sul-americanos, automaticamente o Reino Unido obtinha clientes para seus produtos, e não a Espanha.
Guerra contra o México
O território do Texas, embora pertencente ao México, fora povoado por colonos originários dos Estados Unidos, que em 1836 proclamaram a república do Texas, após derrotar as tropas comandadas pelo general Antonio López de Santa Anna, na batalha de San Jacinto. A seguir, solicitaram ao presidente Jackson reconhecimento e anexação ao território americano, obtendo apenas o primeiro. No governo de James Know (1845), o Texas passou a integrar a federação, o que tornou inevitável a guerra contra o México.
Os Estados Unidos atuavam movidos pela crença no "destino manifesto", a qual justificava, sem maiores explicações, a expansão territorial. Mas, em tese, esta se fazia em nome da necessidade de estender aos demais países o sistema de governo americano. A ideologia justificava o processo de absorção de terras e serviu de base às ações militares e políticas que repetiam, com precisão, a ação imperialista europeia à época.
Em abril de 1846 iniciou-se a guerra contra o México, que durou até setembro de 1847 e culminou com a ocupação da capital mexicana pelo general Winfield Scott. Pelo Tratado de Guadalupe-Hidalgo (2 de fevereiro de 1848), firmado pelo general Santa Anna, o México foi obrigado a ceder metade de seu território – dois milhões de quilômetros quadrados – perdendo as regiões a sudoeste das montanhas Rochosas, incluindo os atuais estados da Califórnia, Novo México, Utah e Arizona. Em contrapartida, os Estados Unidos indenizaram o México em 15 milhões de dólares. O rio Grande passou a ser a fronteira entre os dois países.
Logo após a absorção da Califórnia, em 1848, descobriram-se veios de ouro naquela região, o que provocou a célebre gold rush (corrida do ouro), que não só atraiu milhares de pessoas como provocou o povoamento de áreas limítrofes, com intensa afluência de imigrantes europeus e asiáticos.
Guerra de Secessão
A atividade econômica bipartia-se entre o norte industrializado e anti-escravocrata e o sul, baseado na monocultura (algodão, fumo, arroz, cana-de-açúcar, todas a exigir muitos braços) e na mão de obra escrava. A expansão para o oeste só fez acentuar essa oposição. O debate, por parte dos novos estados, sobre aceitarem ou não a escravatura, tornou-se um tópico econômico e político que mobilizou todo o país. A eleição, em 1860, pelo Partido Republicano Nacional, de Abraham Lincoln, conhecido e combativo abolicionista, materializou a ruptura entre ambas as facções. A Carolina do Sul (escravocrata) separou-se da União em dezembro de 1860. Os estados do sul (Carolina do Sul, Flórida, Louisiana, Mississippi, Alabama, Texas e Geórgia) uniram-se sob a bandeira da Confederação dos Estados da América. Jefferson Davis assumiu a presidência da confederação, que estabeleceu a capital em Richmond, Virgínia. A União reagiu e em 12 de abril de 1861 começou a guerra: o sul, sob o comando do general Pierre Toutant de Beauregard, atacou os nortistas do forte Summer. Três dias depois, Lincoln declarou guerra aos sulistas, tendo como principal objetivo não a questão da escravatura, mas a manutenção da unidade do país. Os estados de Kentucky, Delaware, Maryland e Missouri declararam-se neutros. Virgínia, Arkansas, Tennessee e Carolina do Norte uniram-se aos confederados.
Como parte do esforço para manter coesas as forças que apoiavam a União, Lincoln baixou decreto (mais tarde incorporado à constituição como a 13ª emenda) libertando os escravos. A 14ª emenda estendeu os direitos civis a todas as pessoas nascidas nos Estados Unidos ou naturalizadas. Essa norma incluía os negros, antes considerados coisas. A 15ª emenda, que implantou o sufrágio universal, viria mais tarde, com Ulysses Grant.
A guerra de secessão é considerada, após as guerras napoleônicas, a mais importante do século XIX, em face do volume de homens e armamentos nela envolvidos. O sul inicialmente teve a iniciativa e conquistou vitórias, mas o poderio industrial do norte e suas reservas humanas acabaram por reverter a situação. As batalhas de Shiloh, Vicksburg e Gettysburg foram decisivas para a vitória da União. A rendição dos exércitos sulistas, sob o comando do general Robert Lee, ao general Ulysses Grant ocorreu em Appomattox (9 de abril de 1865). Lincoln foi reeleito e, seis dias após a rendição, em 15 de abril, o ator John Wilkes Booth o assassinou, no teatro Ford, em Washington.
Reconstrução e crescimento econômico
A guerra de secessão deixou 600.000 mortos e esfacelou a economia sulista ou confederada. A libertação dos escravos, em meio ao conflito, causou séria crise social, já que eles estavam despreparados para exercer trabalhos que não fossem manuais. Os escravocratas, grandes proprietários rurais, organizaram-se para combater a abolição, o que gerou inúmeros conflitos armados, saques e perseguições a negros e seus defensores. Nessa época surgiram organizações secretas racistas, como a temível Ku Klux Klan, e muitas vezes pequenos conflitos resultavam em linchamentos de negros.
Eleito presidente em 1868, Ulysses Grant deu início aos planos de reconstrução econômica e reconciliação política e social do país, cuja face fora mudada pela guerra civil. Antes dela, a fraqueza do poder central gerava sérios problemas estruturais. A maior parte das funções governamentais – educação, saúde, transporte e segurança pública – era exercida por autoridades estaduais ou municipais. O que mantinha o país unido era um débil sentimento de lealdade ao governo em Washington, a umas poucas instituições nacionais, como as igrejas e os partidos políticos, e à memória comum dos fundadores da nação. Com a vitória da União, os laços da unidade nacional reforçaram-se substancialmente.
O processo de reconstrução do sul perdurou até por volta de 1900, comandado inicialmente por governadores militares indicados pelo governo federal. Embora a recuperação econômica tenha sido prejudicada por calamidades naturais, foi eficiente o bastante para sanar com o tempo as feridas deixadas pela guerra. O sul recuperou-se, mas sem perder sua característica essencialmente agrícola. O país em nenhum momento interrompeu o processo de expansão territorial, e em 1867 o Alasca foi comprado à Rússia por 7,5 milhões de dólares. O esforço de guerra ao longo de quatro anos deu extraordinário impulso à vocação industrial do norte, estabelecendo as bases para que o país se tornasse no início do século XX uma potência emergente. Os Estados Unidos passaram de importadores a exportadores de bens de capital e a agentes financeiros internacionais. As ferrovias estendiam-se sem parar, e no final do século XIX já havia quatro linhas transcontinentais. O capitalismo afirmava-se, tendo John Pierpont Morgan e David Rockefeller como paradigmas. O governo federal iniciou um processo de saneamento, com o fim de eliminar a corrupção e o nepotismo que imperavam. Nove milhões de imigrantes, na maioria europeus, entraram no país nas duas últimas décadas do século.
Durante o governo de William McKinley (assassinado em 1901), os Estados Unidos, em abril de 1898, declararam guerra à Espanha, então em decadência como nação colonialista. Os espanhóis perderam as Filipinas, Cuba, Porto Rico e as ilhas Guam, recebendo em troca uma indenização de vinte milhões de dólares. O arquipélago do Havaí foi incorporado aos Estados Unidos como território.
A razão para a guerra foi a necessidade de serem resguardados os interesses americanos na região do Caribe. A extensão da guerra ao Pacífico (Filipinas, sobretudo) deveu-se à intenção de intensificar a participação no mercado asiático, principalmente China e Japão. Com este último, os Estados Unidos haviam estabelecido relações em 1854, com o Tratado de Kanagawa.
Início do século XX
Em 1901, o vice-presidente Theodore Roosevelt assumiu o governo em razão do assassinato do presidente William McKinley. Roosevelt interveio na questão do Panamá, então território colombiano. Visto que o governo dessa república sul-americana negava-se a conceder autorização para a abertura do canal, as tropas americanas, aproveitando uma revolta popular, intervieram e a região se tornou independente.
A autorização para a abertura do canal foi imediatamente concedida pela nova república.
Roosevelt intensificou a oposição aos abusos cometidos pelos trustes (cartéis) que dominavam a economia do país, embora desde o governo de Benjamin Harrison (1888-1892) existisse a Sherman Anti-Trust Act (lei antitruste).
A doutrina Monroe foi aplicada à exaustão por Roosevelt: os Estados Unidos intervieram no México, Nicarágua, Honduras, Haiti, República Dominicana. Credita-se a Theodore Roosevelt a criação do "corolário" do "destino manifesto" dos Estados Unidos, pelo qual lhes era permitido intervir na política interna de qualquer país do continente, a fim de evitar ações de potências europeias. No rastro dessa política veio a "diplomacia do dólar", nada mais do que financiamentos ou empréstimos a fundo perdido em troca de favores políticos e comerciais.
O governo de Woodrow Wilson procurou amenizar esse espírito intervencionista, embora tenha interferido na guerra civil mexicana. Coube a Wilson estender à mulher o direito de votar e ser votada. A "lei seca" (Prohibition) – proibição de fabricação e consumo de bebidas alcoólicas – foi promulgada em seu período presidencial.
O fato mais marcante do governo de Wilson foi a entrada dos Estados Unidos na primeira guerra mundial (6 de abril de 1917), por causa do afundamento de navios americanos por submarinos alemães. O objetivo, do ponto de vista geopolítico, era manter o equilíbrio de poder na Europa, isto é, evitar a supremacia de uma potência sobre as demais. As forças americanas somavam dois milhões de homens, sob o comando do general John Joseph Pershing. A decisiva participação no final da guerra e o enfraquecimento europeu levaram os Estados Unidos ao primeiro plano político e econômico, e o país passou a ser um dos quatro grandes do mundo, ao lado da França, Itália e Reino Unido. O Japão detinha a liderança no Oriente.
Wilson apresentou, em seu programa de 14 pontos, projeto de criação da Liga das Nações. Entretanto, com a derrota do democrata James Cox na eleição de 1920, o partido de Wilson passou o poder ao republicano Warren Harding, de tendência conservadora e isolacionista. Os Estados Unidos assinaram a paz em separado com a Alemanha, recusaram-se a ratificar o Tratado de Versalhes (da rendição alemã) e ficaram fora da Liga das Nações. O governo Harding também criou limitações à entrada de imigrantes não europeus.
Depressão e New Deal
O republicano Herbert Hoover venceu a eleição de 1928. No ano seguinte eclodiu a crise na "sexta-feira negra", 24 de outubro de 1929, quando a bolsa de Nova York despencou, em consequência de desastres econômicos que arrasaram a ordem capitalista. A depressão provocada pelo crash (quebra) da bolsa causou o desemprego de 17 milhões de pessoas e a queda generalizada da produção. Tal situação perdurou até 1932, quando foi eleito o democrata Franklin Delano Roosevelt, que implantou o plano de reconstrução econômica conhecido como New Deal (novo acordo). O plano baseava-se na forte atuação do estado na economia mediante a desvalorização do dólar, ampliação das obras públicas, como o gigantesco projeto da Tennessee Valley Authority (Autarquia do Vale do Tennessee), limitação de excedentes agrícolas e industriais, programas de financiamento a fazendeiros e rigoroso controle da atividade creditícia e financeira, cuja indisciplina foi uma das principais causas da crise. A reconstrução do país foi coordenada pela National Recovery Administration (Administração de Recuperação Nacional).
A tensão mundial (intervenção japonesa na China, 1932; intervenção italiana na Etiópia, 1935; guerra civil na Espanha, 1936; intervenção da Alemanha na Áustria, 1938) provocou uma corrida às armas, expandindo o setor bélico da indústria e, concomitantemente, injetando capitais na economia americana. Com o objetivo de manter e ampliar mercados e melhorar o perfil imperialista e intervencionista dos Estados Unidos, Roosevelt lançou a "política da boa vizinhança", dirigida à América Latina, com substanciais melhoras em relação ao cenário anterior. Os países latino-americanos passaram a ter igualdade jurídica, intervenções eram repudiadas, os governos legitimamente eleitos seriam reconhecidos.
Segunda Guerra Mundial
A invasão da Polônia pela Alemanha, em 1° de setembro de 1939, determinou o início da Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos mantiveram-se oficialmente neutros até o ataque japonês, de surpresa, à base de Pearl Harbour, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que destruiu boa parte da Marinha americana e provocou uma comoção nacional. Quatro dias depois os Estados Unidos declararam guerra ao Eixo (Japão, Alemanha, Itália).
Além da tendência ao isolacionismo, própria da cultura política do país, a posição neutra amparava-se numa lei que obrigava a pagamento à vista no caso de venda de equipamento e material bélico. Apenas em 1941 Roosevelt conseguiu revogá-la, o que permitiu ajuda ilimitada às forças militares britânicas.
Declarada a guerra, as primeiras vitórias no Pacífico foram dos japoneses, que conquistaram as Filipinas, Guam e Wake. A impressionante capacidade de adaptação do parque industrial americano fez com que, em pouco tempo, decuplicasse a fabricação de munições, navios, aviões, carros de combate e outros armamentos leves e pesados, enquanto os centros de recrutamento e treinamento recebiam milhares de cidadãos. Mais de 15 milhões de homens e mulheres foram mobilizados pelas forças armadas e milhões de pessoas, inclusive donas-de-casa, mudaram de atividade, para trabalhar nas fábricas. A produção industrial americana quase dobrou entre 1939 e 1945. No fim da guerra, os Estados Unidos tinham produzido 6.500 belonaves, 296.400 aviões e 86.330 tanques. A corrida armamentista impulsionou a pesquisa científica, fazendo surgir instrumentos como o sonar e o radar, e determinou o início da utilização de uma nova e poderosa fonte de energia, a atômica.
Os países aliados assumiram a iniciativa da guerra. Em 14 de março de 1943, os exércitos inglês e americano venceram as forças ítalo-germânicas no norte da África. Em junho de 1944 as forças aliadas desembarcaram na Normandia, enquanto as tropas soviéticas avançavam no setor oriental. A Alemanha se rendeu em 7 de maio de 1945 e o Japão em 2 de setembro, após o lançamento de bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki, nos dias 6 e 9 de agosto. Na ocasião, morto Roosevelt, assumira o poder o vice-presidente Harry Truman.
Segunda metade do século XX
Com o final da guerra surgiu uma nova configuração geopolítica no mundo. Os grandes vencedores, Estados Unidos e União Soviética, emergiram como as duas superpotências mundiais. A Conferência de Potsdam, que reuniu Truman, Stalin e Churchill (depois Clement Attlee), decidiu o destino das potências derrotadas; em 24 de outubro de 1945 instalou-se a Organização das Nações Unidas (ONU). Logo tornaram-se ostensivas as desavenças entre os aliados, surgindo os primeiros sinais do que seria a "guerra fria", cristalização do conflito entre Estados Unidos e União Soviética ou, ainda, do capitalismo versus comunismo.
A Doutrina Truman, divulgada em 11 de março de 1947, estabeleceu novo sistema de alianças bilaterais e multilaterais, sob a liderança dos Estados Unidos. Surgiu o Plano Marshall, assim denominado devido a seu principal arquiteto, o secretário de Estado George Marshall, e destinado à recuperação econômica da Europa ocidental e do Japão.
A política de alianças fez surgir a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a SEATO (Organização do Tratado do Sudeste Asiático). Os Estados Unidos substituíram o Reino Unido, minado pela guerra, como sustentáculo econômico e militar do mundo ocidental.
A guerra fria dividiu o mundo em dois blocos. Em junho de 1948, a União Soviética determinou o bloqueio de Berlim e os Estados Unidos responderam com a ponte aérea que durou até o fim do bloqueio, em setembro de 1949. O episódio culminou com a divisão da Alemanha, então juridicamente um país ocupado pelos quatro grandes (Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido): surgiram a República Federal da Alemanha e a República Democrática Alemã, a primeira ligada à aliança ocidental e a segunda aos países socialistas da Europa oriental.
Eisenhower governou durante dois mandatos e foi substituído, em 1960, pelo democrata John Kennedy, criador da Aliança para o Progresso (1961), programa assistencial para a América Latina, destinado a combater o antiamericanismo decorrente da vitória da revolução cubana. A Aliança teve efêmera duração e mínimos efeitos, o mesmo ocorrendo com outro projeto integracionista, o Corpo de Voluntários da Paz (Peace Corps). Em abril de 1961, malogrou a tentativa de exilados anticastristas, apoiados pelo governo Kennedy, de invadir Cuba, pela baía dos Porcos. Não foram bem-sucedidos. Em outubro de 1962, depois de anunciar a instalação, pelos soviéticos, de bases de mísseis em Cuba, Kennedy determinou o bloqueio naval da ilha, conseguindo que as bases fossem desmontadas. No mesmo ano a OEA (Organização dos Estados Americanos) votou pela exclusão de Cuba. Kennedy também lançou o projeto Nova Fronteira, destinado a revigorar a economia e melhorar a imagem externa dos Estados Unidos.
Assassinado Kennedy em 1963, assumiu o vice-presidente Lyndon Johnson, que logo anunciou o projeto Great Society (Grande Sociedade), uma forma de reconstruir o New Deal de Franklin D. Roosevelt. Além disso, comprometeu decisivamente os Estados Unidos na guerra do Vietnam. Seu sucessor, Richard Nixon, assumiu em 1969 e não pôde impedir a derrota americana no Vietnam, consumada em abril de 1975. A guerra do Vietnam foi um dos fatos mais traumáticos da história dos Estados Unidos e dividiu o país. A oposição à guerra atingiu o clímax no inverno de 1967-1968, quando as baixas aumentavam e a vitória militar começava a ficar cada vez mais distante. A partir daí as manifestações de rua se sucederam, culminando com violentos distúrbios em Chicago. O conflito criou um profundo fosso entre "pombos" (pacifistas) e "falcões" (belicistas) e essa animosidade entre duas parcelas da população iria perdurar nos anos seguintes, como parte da crise social. O vice-presidente de Nixon, Spiro Agnew, foi obrigado a renunciar em outubro de 1973, por sonegação do imposto de renda. O próprio Nixon acabou forçado a renunciar, em agosto de 1974, devido ao escândalo político de Watergate, em que a imprensa desempenhou um papel investigatório decisivo. Seu sucessor, Gerald Ford, anistiou-o de todos os crimes federais.
Em janeiro de 1977 Jimmy Carter sucedeu a Ford na Casa Branca e destacou-se pela ênfase dada à política de proteção aos direitos humanos e aos esforços para obter a paz no Oriente Médio entre árabes e judeus. O acordo de Camp David, por ele patrocinado, foi um importante passo rumo ao entendimento, ao fazer cessar as hostilidades entre Egito e Israel.
O governo Carter decidiu pela devolução da zona do canal do Panamá, marcada para 1999, e reconheceu o governo chinês, rompendo ao mesmo tempo com Formosa. Iranianos invadiram a embaixada americana em Teerã, fazendo 54 reféns. Uma tentativa de salvá-los redundou em fracasso.
A opinião pública reagiu elegendo, em 1980, o republicano Ronald Reagan, ex-ator de cinema e ex-governador da Califórnia, em cujo primeiro dia de governo os reféns foram libertados. Reagan convocou uma "revolução conservadora" e foi reeleito por ampla margem em 1984. Reagan levou a efeito uma política interna baseada na liberalização da economia e no controle da inflação, bem como uma política externa tendente a recuperar o prestígio dos Estados Unidos. Criou o programa estratégico de defesa conhecido como "guerra nas estrelas", oficialmente intitulado Iniciativa de Defesa Estratégica (Strategic Defense Iniciative), posteriormente abandonado.
Reagan estabeleceu boas relações com a União Soviética e a China, prosseguindo os esforços de presidentes anteriores. O presidente esteve envolvido no obscuro episódio conhecido como "Irangate", intricado negócio ligado a armas, dinheiro e reféns, tendo como cenário o Irã, a Nicarágua e os "contras", opositores da revolução nicaragüense. O escândalo resultou na condenação de alguns acusados.
Na eleição presidencial de 1988 foi eleito o republicano George Bush, ex-embaixador na China e ex-diretor da CIA (Agência Central de Informações). Em seu governo houve um recrudescimento da crise econômica, a dívida interna aumentou e adotou-se uma agressiva política externa, em especial quanto à Líbia, o Iraque e a Síria. Repetindo uma atitude de Reagan, que optara pela ocupação da ilha de Granada, em dezembro de 1989 Bush ordenou a intervenção militar no Panamá, a fim de depor o dirigente Manuel Antonio Noriega. Interveio também, com recursos financeiros, humanos e armamentos, nos negócios internos da Nicarágua. Em começos de 1991, tropas americanas lideraram uma força internacional que expulsou o Exército iraquiano do território do Kuwait, invadido em agosto do ano anterior.
Em 1992 foi eleito o democrata Bill Clinton, que no ano seguinte promoveu o histórico reconhecimento do Estado de Israel pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e, por parte de Israel, o reconhecimento de que a OLP era o único porta-voz dos palestinos. No plano interno, combateu a recessão. Na área externa, ocupou militarmente o Haiti em 1994, para reempossar o presidente deposto. Beneficiado com uma nova fase de prosperidade dos Estados Unidos, foi reeleito em 1996.
Com o Congresso dominado por republicanos, Clinton manteve sua estratégia de buscar o centro, situando-se à direita da maioria dos seus correligionários e à esquerda dos republicanos. Obteve duas importantes vitórias políticas: uma ampla reforma da previdência e um acordo bipartidário para equilibrar o orçamento da União. Seu segundo mandato, no entanto, acabou marcado pela longa crise que se seguiu às revelações de um caso amoroso com uma estagiária da Casa Branca. Acusado de mentir sob juramento e de obstruir a Justiça, Clinton foi processado e por pouco conseguiu se livrar do impeachment.
O desempenho do candidato democrata à sucessão presidencial em 2000, o vice-presidente Al Gore, foi afetado de alguma forma pelo escândalo envolvendo Clinton, embora a população já começasse a perder a confiança na economia do país. Depois de algumas semanas de constrangedora indefinição no resultado das eleições, por problemas na contagem de votos, o republicano George W. Bush, filho do antigo presidente, foi declarado vencedor por uma pequena margem. O início do governo Bush coincidiu com um período de recessão no país depois de dez anos de crescimento. Uma de suas primeiras medidas foi conseguir aprovação do Congresso para um ambicioso plano de redução progressiva de impostos.
No plano internacional, a política americana no Oriente Médio, supostamente favorável a Israel, serviu de pretexto para os violentos ataques terroristas simultâneos de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington. Além de terem causado a morte de milhares de pessoas, os atentados, praticados com aviões comerciais, feriram o orgulho do povo americano e revelaram a vulnerabilidade do sistema de segurança do país. Bush, no entanto, mostrou habilidade para obter apoio internacional a uma grande ação militar antiterrorista, que começou com a derrubada do governo talibã no Afeganistão, sede da organização Al Qaeda, do saudita Osama bin Laden, a quem se atribuía a responsabilidade pelos atentados nos Estados Unidos. Em 2003, em coalizão com o Reino Unido, empreendeu uma nova operação militar no Iraque para derrubar o regime de Saddam Hussein, acusado de desenvolver armas de destruição em massa. Dessa vez, a posição unilateralista americana, sem o respaldo da ONU, provocou protestos em várias partes do mundo e afetou suas relações com os países da Europa, sobretudo a Alemanha e a França, que se opuseram firmemente à guerra.
As dificuldades para administrar o Iraque, o crescente número de baixas americanas e o alto custo financeiro da ocupação aumentaram também a oposição interna à guerra. Nem mesmo a captura de Saddam Hussein, em dezembro de 2003, ajudou a melhorar muito a imagem do governo, que não conseguiu comprovar a existência de armas de destruição em massa no Iraque ou a ligação do ex-ditador com grupos terroristas, motivos alegados para a guerra. A divulgação de fotos de torturas cometidas por soldados americanos na prisão iraquiana de Abu Ghraib fez cair os índices de popularidade de Bush. Num clima de violência e de tensão permanente, em 28 de junho de 2004 os Estados Unidos devolveram aos iraquianos a administração do país. Depois de dois anos de fraco desempenho, a economia americana mostrou rápida recuperação a partir de 2003, graças sobretudo à política de juros baixos. Mas os principais trunfos para a reeleição de Bush em 2004 foram sua maneira decidida de lidar com o terrorismo e suas posições intransigentes em questões morais como casamento entre homossexuais e aborto, que lhe valeram a simpatia dos conservadores. Bush se reelegeu para um segundo mandato com uma diferença de mais de 3,5 milhões de votos sobre o candidato democrata, John Kerry.
Instituições políticas
Os Estados Unidos são uma república federal composta de um governo nacional, cinqüenta governos estaduais e um distrito federal, o Distrito de Colúmbia, onde se situa a capital, Washington. A constituição de 1789 ainda vigora, com emendas, e estabelece a competência da União e dos estados. À primeira cabe a defesa e integridade do território nacional, a política exterior e o estabelecimento de normas de comércio internacional. Aos estados cabem a segurança pública, a educação, a saúde e o bem-estar social. Juridicamente, tudo aquilo sobre o que a União não legisla pertence à jurisdição dos estados, inclusive normas de direito de família, civil, penal etc. Os tribunais federais têm suas atribuições jurisdicionais claramente definidas.
A divisão de poderes, tanto na esfera federal quanto estadual, obedece ao modelo clássico de independência dos poderes judiciário, legislativo e executivo. As constituições estaduais têm ampla força, próprias do espírito que orientou a formação da União. Os estados dividem-se em condados (counties), alguns dos quais dotados de ampla autonomia administrativa, podendo englobar duas ou mais cidades.
Poder executivo
Confirmando a característica comum aos regimes presidencialistas, o papel e a força do presidente da república são acentuados. Eleito por quatro anos, desde 1951 só pode ser reeleito para um segundo mandato. O presidente exerce a chefia do estado e do governo e é o comandante supremo das forças armadas. Nomeia e destitui os secretários de departamentos (equivalentes a ministros) e dirigentes de outros órgãos, alguns dos quais exigem a aprovação pelo poder legislativo. Será substituído pelo vice-presidente, até o término do mandato, em caso de renúncia, morte, impedimento e destituição. Cabe ainda ao vice-presidente a presidência do Senado. Ambos são eleitos por delegados escolhidos por voto democrático em cada um dos cinquenta estados e no Distrito de Colúmbia.
Poder legislativo
O Congresso federal é bicameral, tendo a Câmara dos Deputados 435 membros, eleitos em proporção à população de cada estado. Os senadores têm mandato de seis anos; a cada dois anos um terço do Senado é renovado. Os estados seguem o mesmo padrão, com exceção de Nebraska, que desde 1937 é unicameral. Cabe ao Senado a atribuição de revisar as leis, bem como supervisionar a política externa. A Câmara dos Deputados tem a iniciativa nas leis que interferem na ordem econômica.
Poder judiciário
A Corte Suprema de Justiça, com nove juízes vitalícios nomeados pelo presidente da república e aprovados pelo Senado, é o órgão principal. Tribunal de última instância no que concerne à apelação de sentenças de outros tribunais cabe-lhe julgar a constitucionalidade das leis e atos da União, do Congresso e dos estados. Qualquer cidadão pode arguir a inconstitucionalidade de determinada lei.
Partidos políticos
O sistema vigente é na prática bipartidário, já que os partidos Republicano e Democrata dominam, embora existam outros partidos, de restrita atuação, incapazes de vencer eleições majoritárias. A escolha da chapa de candidatos à presidência e à vice-presidência obedece ao rito das convenções partidárias e eleições primárias diretas nos estados, com a indicação dos delegados dos candidatos de cada partido. Os recursos financeiros para esses eventos são fornecidos pela União.
Forças armadas
Divididas em três forças – Exército, Marinha e Aeronáutica – as forças armadas estão subordinadas à Secretaria de Defesa. O efetivo gira em torno de um milhão de militares, estacionados no território nacional e em bases no estrangeiro, sobretudo na Europa e Sudeste Asiático, e a serviço de entidades supranacionais, como a ONU. Outros órgãos importantes são o Estado-Maior Conjunto e os departamentos do Exército, Marinha e Força Aérea.
Sociedade
Gozando de um dos mais elevados padrões de renda e consumo do mundo, a sociedade americana, multirracial e aberta, a partir do final da segunda guerra mundial tem servido de modelo comportamental e meta socioeconômica para grande número de países.
Estruturalmente, essa sociedade passava, no início do século XXI, por intensas transformações, sobretudo no que se refere ao enfoque dado aos negros, brancos de origem latina ("hispânicos") e asiáticos. Buscava-se dar a esses grupos oportunidades de educação, capacitação profissional e de trabalho que os integrem melhor à sociedade dita WASP (white, Anglo-Saxon and protestant), cujo sistema de valores estava sofrendo profundas alterações.
O papel da mulher e das minorias sexuais, religiosas e raciais passava por uma reavaliação, observando-se maior e mais consciente aceitação das peculiaridades de cada segmento, apesar de bolsões reacionários que se opõem a mudanças no status quo.
Divisões sociais
A estabilidade social dos Estados Unidos baseia-se na amplitude de sua classe média, fracionada em diversos segmentos, todos eles definidos com relativa precisão, indo de executivos e proprietários a trabalhadores não manuais. Esses segmentos médios se ampliam e se solidificam, deixando pouco espaço para os patamares superiores e inferiores. A upper-class – a classe superior – é forte concentradora de renda.
Persiste a extrema mobilidade social do país. Aproximadamente oitenta por cento da população insere-se num dos nichos da classe média, exaustivamente estudada por especialistas como William H. Whyte, Jr., C. Wright Mills, David Riesman, Nathan Glazer, Daniel Bell e Leonard Reissmann, entre outros. O que ressalta, entretanto, é que os membros da classe média se entendem mais como pertencentes à média e não à classe, o que demonstra a permanência do igualitarismo que está na base da União americana.
Dotada de superior nível de vida, com acentuada tendência à aglomeração em bairros que espelham seus sistemas de valores culturais e sociais, a classe média inclina-se para o conservadorismo, forte sentimento nacionalista, isolacionismo e dificuldade no relacionamento com outras raças, etnias e culturas. A crise econômica, o desemprego e a competição desenvolvida por outros países (Japão, Coréia do Sul, Alemanha, entre outros) fazem com que a classe média tenda a se fechar cada vez mais, temendo a perda de status.
A questão racial afeta as populações afro-americanas e latinas em matéria de acesso ao trabalho e à educação; porém estão sendo desenvolvidos programas específicos para negros e latinos e, em menor proporção, asiáticos.
Sindicalismo
O panorama sindical é dominado pela poderosa central American Federation of Labour-Committee of Industrial Organization – AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho-Comitê de Organização Industrial), criada em 1955. Integrada perfeitamente ao sistema econômico do país, a AFL-CIO é de fundamental importância no sistema produtivo, nas relações de trabalho e na organização mesma do trabalhador. A filiação a um sindicato é essencial para a obtenção de emprego amparado pela legislação social e trabalhista.
Saúde e serviços sociais
As instituições de previdência social e de bem-estar operam com razoável taxa de eficiência, prejudicadas, às vezes, por eventuais reduções de verbas destinadas a esses campos. Comparativamente a outros países, como os da Escandinávia, o sistema dos Estados Unidos deixa a desejar, mesmo considerando-se as diferenças no fluxo imigratório, taxa de desemprego, densidade demográfica, sistemas de governo, dívida interna e externa etc.
De qualquer forma, os Estados Unidos têm atuação bastante ampla da questão na proteção ou seguridade social, possuindo organismos públicos de amparo ao desemprego, ao desabrigado, ao doente etc., conscientes de que o equilíbrio social depende do adequado atendimento das necessidades individuais. Os primeiros programas nacionais de seguridade social datam da década de 1930 (eles surgiram na Alemanha na década de 1880) e receberam considerável impulso na década de 1960.
As indefinições governamentais, que reduziram drasticamente as verbas sociais, sem a contrapartida do aumento da taxa de emprego, por exemplo, provocaram a redução da oferta de assistência e prevenção médicas aos segmentos inferiores da pirâmide social, o que explica os indícios de incremento na incidência de certas moléstias sociais, como as doenças sexualmente transmissíveis e alcoolismo. Cerca de dez por cento da população está abaixo da linha da pobreza, segundo os padrões do país, mas esse nível ainda está muito acima dos da maior parte do mundo.
Os serviços públicos de previdência social seguem o padrão assistencial, atendendo a ocorrências como invalidez, velhice e morte; doença e maternidade; acidentes no trabalho; desemprego. Os programas assistenciais são mantidos pelos estados e, em certos casos, pelos municípios. Análises dos indicadores sociais (expectativa de vida, mortalidade infantil, níveis de ocupação, escolaridade etc.) demonstram que as populações negra e hispânica são as mais desprotegidas. O conjunto crítico da sociedade, acentuando desigualdades, provocou dois fenômenos extremamente graves e persistentes: o uso de drogas e a delinquência.
São comuns as instituições de previdência privada abertas (os membros arcam com todos os custos) e fechadas (os custos são parcialmente cobertos pelas empresas das quais se originaram).
Sistema educacional
A escola pública é mantida e controlada pelos estados e municípios, que estabelecem seus próprios sistemas e programas educacionais, bem como a legislação que norteia a escola privada. O ensino é gratuito e obrigatório entre os 7 e 16 anos; em alguns estados prolonga-se até os 18, abrangendo assim os cursos primário e secundário. A União participa por meio de subsídios e programas especiais.
O ensino universitário é sustentado por fundações, doações de particulares, outras instituições privadas ou pelos estados. Destacam-se as universidades de Yale, Harvard, Princeton, Colúmbia, Stanford, Chicago, Califórnia e o Massachusetts Institute of Technology (MIT). As universidades americanas são também importantes centros de pesquisas, muitas vezes subsidiadas por empresas privadas ou instituições públicas.
Religião
A liberdade religiosa é um dos fundamentos do sistema social e político americano. Não há religião oficial. Pouco mais de metade da população é protestante (as principais denominações são a metodista, luterana, presbiteriana, pentecostal, batista e episcopal), enquanto cerca de um quarto da população professa o catolicismo. Esses dois ramos do cristianismo somam pouco mais de 85% do total. O restante da população distribui-se entre adeptos de outras religiões cristãs, judeus, muçulmanos, igrejas ortodoxas, budistas e centenas de outras seitas, grupos e cultos.
O catolicismo foi introduzido no país pelos espanhóis (1540) e o protestantismo pelos colonos puritanos. Judeus sefarditas, oriundos de Recife PE, instalaram a primeira comunidade judaica em Nova Amsterdam, atual Nova York, onde estão quarenta por cento dos judeus do país.
As principais igrejas têm importantes papéis sociais, políticos e culturais no dia-a-dia de seus seguidores. Graças a amplos recursos comunicacionais, defendem com empenho seus princípios. A moral religiosa valoriza o trabalho, a solidariedade e a família. Na atualidade, as igrejas – com exceção de alguns grupos sectários – preocupam-se com quatro grandes problemas sociais que se mostram interligados: a violência urbana, as drogas, o desajustamento social e os preconceitos raciais, abandonando o puro e simples proselitismo religioso, para estar mais perto do cotidiano do fiel.
Arte• Arquitetura A arquitetura da época Colonial caracteriza-se pela sua dependência em face dos estilos das diferentes metrópoles, e é a inglesa que representa a influência mais determinante. Embora, nas regiões do S, o barroco espanhol, e na Louisiana, os modelos franceses tenham adquirido uma certa notabilidade, foram as tendências britânicas que acabaram por se impor em todo o território ao longo dos sécs. XVII e XVIII. O classicismo foi predominante tanto no período mais austero do early colonial (1609-1700) quanto no georgiano ou late colonial (1700-1780), baseado nos modelos dos arquitetos C. Wren ou I. Jones, de linguagem monumentalista e inspiração italiana. A esta segunda época pertence P. Harrison, o primeiro arquiteto estadunidense. A ruptura com o Reino Unido após a independência e a relação com o estado revolucionário da França motivaram, no final do séc. XVIII, a penetração do neoclassicismo francês, especialmente adotado na construção dos edifícios oficiais da nova administração. Durante o séc. XIX, foram-se impondo sucessivamente os revivals grego e neogótico e, em geral, as mesmas tendências ecléticas da Europa anglo-saxônica. Das necessidades da sociedade industrial, surgiu uma nova arquitetura: a escola de Chicago, pela primeira vez de formas estritamente estadunidenses. Liderada por L.H. Sullivan, a escola seguia um modelo funcionalista e levantou os primeiros arranha-céus, edifícios paradigmáticos, símbolos da nova América. Nela se formou a personalidade de maior destaque do séc. XX, F. Lloyd Wright, com as suas construções orgânicas e integradas no seu meio (Museu Guggenheim de Nova York). Os artistas exilados trouxeram da Europa o racionalismo da Bauhaus, tendo muitos deles desenvolvido grande parte das suas carreiras nos EUA (W. Gropius, M. van der Rohe, R. Neutra). O funcionalismo foi questionado desde 1960 por arquitetos que aspiravam desenvolver uma linguagem de maior complexidade semântica (R. Venturi, R. Stern, J.S. Hagman Stanley). As suas ideias desembocaram no pós-modernismo eclético e individualista do final do séc. XX. Outros, por seu lado, como o Grupo dos Cinco – P. Eisenman, M. Graves, C. Gwathmey, J. Hejduk e R. Meier –, aprofundaram o funcionalismo, reelaborando os seus princípios clássicos e os seus anseios experimentais. No âmbito da pós-modernidade, na déc. de 1980 surgiu o desconstrucionismo, cujo objetivo consiste na criação de verdadeiros edifícios-escultura, como demonstra a obra de F.O. Gehry (Walt Disney Concert Hall, Los Angeles, 2002).• Artes plásticas Também as artes plásticas da época Colonial se desenvolveram segundo a influência da arte britânica. No início, destacou-se a pintura de retratos, praticada primeiro pelos limners ou pintores anônimos de semblante acadêmico, e logo por artistas europeus. No séc. XVIII, surgiram as primeiras grandes figuras da pintura americana, J.S. Copley e B. West, que cultivaram com êxito o retrato e o tema histórico. Destacou-se também a pintura paisagística da Hudson River School (T. Cole, T. Doughty), que precedeu o verdadeiro auge da pintura moderna estadunidense. Surgiram então relevantes impressionistas (J. Whistler, M. Cassatt, J.S. Sargent). Posteriormente, os artistas estadunidenses integraram-se plenamente nos movimentos vanguardistas: J. Marin (fauvismo), J. Stella (futurismo), S. Mcdonald-Wright (sincronismo), L. Feiniger (cubismo) e S. Davis (abstração). Especial relevo e considerável influência posterior teve o dadaísmo nova-iorquino (M. Duchamp, Man Ray). Não obstante o predomínio do vanguardismo, na déc. de 1930 verificou-se também uma reação figurativa de considerável alcance, o American Scene, cujos principais intérpretes foram E. Hopper e G. Wood. Após a II Guerra Mundial, Nova York substituiu incontestavelmente Paris, enquanto centro artístico mundial, ao mesmo tempo que triunfava o estilo tipicamente americano do action painting ou expressionismo abstrato (J. Pollock, M. Tobey, S. Francis). Mais tarde, na recuperação da herança geométrica, surgiu a denominada abstração pós-pictórica (K. Noland, F. Stella), constituindo um precedente imediato do minimalismo e da redução máxima da linguagem plástica à forma desnuda, especialmente no campo escultórico (D. Judd, T. Smith). O realismo lúdico trazido pela pop art (A. Warhol, R. Rauschenberg, J. Jones), anti-intelectual e iconograficamente inovador, foi apenas a primeira das experiências de inspiração neodadaísta da déc. de 1960, na qual a arte conceitual se desenvolveu plenamente: happenings e performances, os festivais Fluxus, a body art (J. Jonas, G. Pane), ou land art (W. de Maria), configuraram um panorama experimental e transgressor, visando sempre à novidade e ao impacto. Na déc. de 1980, a plástica tradicional foi recuperada com energia e grande liberdade de expressão. Em um campo não puramente pictórico, por vezes próximo do neoconceitual, destacam-se J. Koons, B. Kruger ou C. Sherman.
CinemaApós a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière, T. Edison, inventor do cinetoscópio (1893), decidido a estabelecer negócios nos EUA, adquiriu os direitos de exploração do sistema de projeção Vitascope, concebido por T. Armant. Pouco depois, a Biograph e a Vitagraph entraram em concorrência. No campo artístico, E.S. Porter, com o westernAssalto e Roubo de um Trem (1903), foi o primeiro cineasta estadunidense a narrar uma história a partir da sobreposição de planos. A indústria cinematográfica cresceu rapidamente, obtendo grandes lucros. O elevado fluxo nas salas convenceu o empresário C. Laemmle, em 1912, a fundar a Universal, o primeiro grande estúdio. Três anos mais tarde, S. Goldwyn e seus associados criaram a Paramount. Outros empresários seguiram-lhe o exemplo, multiplicando-se o número de grandes estúdios após o nascimento da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), da Twentieth Century Fox, da Warner Bross e da RKO. Paulatinamente, os grandes estúdios mudaram-se para Hollywood. Artisticamente, D.W. Griffith, diretor de O Nascimento de uma nação (1915) e Intolerância (1916), estabeleceu as bases de uma linguagem cinematográfica distinta da teatral. Em 1919, Griffith, acompanhado pelas grandes estrelas do momento, C. Chaplin, M. Pickford e D. Fairbanks, criou a United Artists para lutar contra o monopólio dos grandes estúdios e privilegiar a independência dos criadores. Do reconhecimento do talento dos artistas surge, então, o fenômeno das estrelas cinematográficas. As principais estrelas da década de 1920 foram, entre outras, Chaplin, H. Lloyd, G. Swanson, Dorothy e Lillian Gish, Clara Bow, R. Valentino e G. Garbo. Alguns dos diretores mais importantes deste período foram D.W. Griffith, Cecil B. De Mille, B. Keaton, Chaplin, C. Brown, F. Niblo e K. Vidor. No entanto, foram alguns cineastas europeus emigrados, como E. Lusbitsch, E. Von Stroheim (Ouro e Maldição, 1923-25), ou F.W. Murnau (Aurora, 1927), que conduziram o cinema mudo americano ao seu apogeu artístico e expressivo. Os escândalos sucessivos de que Hollywood era protagonista acabaram provocando uma reação puritana traduzida na promulgação do código Hays (1922), regulador da moralidade dos filmes americanos até meados da déc. de 1950. Em 1927, a Warner Bros produziu O Cantor de Jazz, de A. Crosland, o primeiro filme sonoro da história. Paradoxalmente, os anos que se seguiram ao Crash da bolsa (1929) traduziram-se no despertar criativo de talentos como M. e G. La Cava, e no nascimento da época dourada de Hollywood. Surgiram inúmeras novas estrelas que fizeram desaparecer as antigas do cinema mudo: J. Cagney, S. Tracy, J. Stewart, J. Wayne, G. Cooper, C. Gable, E. Flynn, C. Grant, F. Astaire, H. Fonda, H. Bogart, os irmãos Marx, J. Crawford, G. Rogers, B. Davis, M. Dietrich, I. Bergman, B. Stanwyck, L. Bacall, M. West e K. Hepburn. Paralelamente, apareceram novos diretores como P. Sturges, J. von Sternberg, F. Capra, A. Mann, M. Curtiz, J. Huston, V. Minelli, S. Donen, J. Ford, H. Hawks, F. Lang, B. Wilder, A. Hitchcock, O. Preminger e D. Sirk. Criou-se, nesta época, o estilo que marcaria o cinema americano até a déc. de 1960, caracterizado pela sua qualidade e suportado por textos, filmagens, atores, diretores e roteiristas de primeiro nível. O musical surgiu no final da década de 1920 e viveu uma época de esplendor durante as décadas seguintes, sobretudo através das coreografias de B.Berkeley e F. Astaire, embora tenha entrado em declínio na década de 1950: O Picolino (1935; Top Hat), de M. Sandrich e Cantando na Chuva (1952; Singin' in the Rain), de S. Donen e G. Kelly. O gênero negro surgiu no início da década de 1930 e herdou, visualmente, muitos dos achados do cinema expressionista alemão, exercendo uma função de crítica social através do retrato das classes de menores recursos: Laura (1944), de O. Preminger, À Beira do Abismo (1946; The Big Sleep), de H. Hawks, e Fúria Sanguinária (1949; White Heat), de R. Walsh. Em meados da mesma déc., surgiu uma nova variante da comédia, de ritmo estonteante e humor nos limites do absurdo, conhecida como screwball comedy: Levada da Breca(1938; Bringing up baby), de H. Hawks, e Esse Mundo É um Hospício (1941; Arsenic and Old Lace), de F. Capra. No entanto, o grande gênero americano por excelência, o western, teve de esperar No Tempo das Diligências (1939; Stagecoach), de J. Ford, para o lançamento das bases que permitiriam desenvolver o cinema sonoro: Duelo ao Sol (1946) de K. Vidor, Johnny Guitar (1954), de N. Ray, Rastros de Ódio (1956; The Searchers) e O Homem que Matou o Facínora (1962; The Man Who Shot Liberty Valance), de J. Ford, e Da Terra Nascem os Homens (1958; The Big Country), de W. Wyler. Entre as inúmeras obras-primas de todo o período, destaque especial também para o melodrama (Jezebel, 1938, de W. Wyler, E o Vento Levou, 1939, de V. Fleming, Casablanca, 1943, de M. Curtiz e Imitação da Vida, 1959, de D. Sirk); o gênero aventura (Robin dos Bosques, 1938, de M. Curtiz e O Gavião e a Flecha, 1950, de J. Tourneur) e o suspense (Intriga Internacional, 1959, e Psicose, 1960, de A. Hitchcock). O estilo e a concepção da indústria (dominada por produtores como I. Thalberg ou D.O. Selznick) permitiram a criação de um grande número de obras-primas, mas a custo do limite à criatividade individual dos artistas mais intimistas como Orson Welles (O Cidadão Kane , de 1941), que, na sua maioria, trabalharam em produções de menor custo finaceiro. A crise de público foi superada e o cinema tornou-se um elemento de grande importância como propaganda antinazista.Após a II Guerra Mundial, consolidou-se um tipo de filme de baixo custo, no campo da ficção, conhecido como série B, do qual resultaram filmes bastante apreciados, como O Planeta Proibido (1956), de F.M. Wilcox, e Vampiros de Almas (1956) de D. Siegel. Na mesma época, o macarthismo perseguia os intelectuais de Hollywood, contribuindo para a decadência da época dourada através da criação da famosa lista negra. As estrelas emergentes do novo Hollywood eram J. Lemmon, W. Matthau, M. Clift, J. Dean, M. Brando, K. Douglas, M. Monroe, G. Kelly, Y. Brynner, E. Taylor, B. Lancaster, C. Heston, G. Ford, A. Gardner, P. Newman e F. Sinatra. Simultaneamente, apareceu uma série de novos diretores: E. Kazan, S. Fuller, D. Siegel, J.L. Mankiewicz, N. Ray, R. Brooks e S. Kubrick. Contudo, os estúdios não conseguiram conservar os seus atores e diretores, e a liberalização dos profissionais do cinema tornou-se uma realidade.Com o novo inimigo do cinema, a televisão, o modelo que tinha imperado em Hollywood entrou em decadência: a época dourada chegava ao fim. A década de 1960 foi um período de mudanças nos EUA. O público pedia à indústria que refletisse as suas novas preocupações (Vietnam, a liberdade sexual, as drogas), temas que até então a forte censura tinha eliminado. O cinema underground oferecia a partir de Nova York uma resposta alternativa, embora minoritária em face da procura, em filmes como Sombras (1959) de J. Cassavetes. Hollywood respondeu com títulos como A Primeira Noite de um Homem (1967; The Graduate), de M. Nichols, Sem Destino (1969; Easy Rider), de D. Hopper, ou Perdidos na Noite (1969; Midnight Cowboy), de J. Schlesinger, filmes que refletiam uma nova sociedade que, após o assassinato de J.F. Kennedy e do caso Watergate, tinha perdido a inocência. Os traumas profundos causados pelo conflito bélico do Vietnam tiveram o seu reflexo em O Franco Atirador (1978; The Deer Hunter), de M. Cimino e, Apocalypse Now (1979), de F. Ford Coppola, e de forma menos direta, em Taxi Driver (1976), de M. Scorsese. Na década de 1970, surgiu uma nova série de diretores como: F.F. Coppola, M. Scorsese, M. Cimino, B. De Palma, S. Pollack, R. Altman, A.J. Pakula, Woody Allen, T. Malick, G. Roy Hill e D. Lynch; e novas estrelas como: W. Beatty, J. Fonda, R. Redford, R. De Niro, Al Pacino, J. Nicholson, M. Farrow, D. Keaton, D. Hoffman, G. Hackman, A. Bancroft e F. Dunaway. Os diretores com maior destaque na vertente comercial, não esquecendo a sua qualidade artística, foram: S. Spielberg e G. Lucas, que tiveram o mérito de inverter o decréscimo de público, com grandes êxitos como Tubarão (1975) e a saga de A Guerra nas Estrelas (1977).
Estados Unidos da América Cena de Chicago, 2002, de Rob Marshall, com Catherine Zeta-Jones
Durante a década de 1980, o mercado dinamizou-se com a consolidação do vídeo. A multinacional japonesa Sony passou a controlar a Columbia Pictures, e estúdios como a United Artists faliram. Neste período contraditório, surgiram filmes de inegável qualidade e teor diferente: Touro Indomável (1980; Raging Bull), de M. Scorsese, Blade Runner, O Caçador de Androides (1982; Blade Runner), de R. Scott, Full Metal Jacket (1987), de S. Kubrick, Bird (1988), de C. Eastwood, Crimes e Escapadelas (1989), de W. Allen, e Eduardo Mãos de Tesoura (1990), de Tim Burton.Durante a déc. de 1990, Hollywood aumentou o seu domínio na cinematografia mundial, através de superproduções recheadas de efeitos especiais: Titanic (1997), de J. Cameron, e Matrix (1999), de A. e L. Wachowsky. Assim, a criatividade residia no denominado cinema independente, garantida por diretores indiferentes aos interesses dos grandes estúdios e temas dominantes. Entre eles, a figura de maior impacto é a de Q. Tarantino, que, após Tempo de Violência (1994; Pulp Fiction), criou um estilo próprio com inúmeros seguidores, no entanto de inferior qualidade; em um estilo também distinto, destaque para os irmãos Coen e Sam Mendes, S. Soderbergh, G. Van Sant, H. Hartley, T. Haynes, L. Clark e K. Smith. Veteranos como C. Eastwood, A. Ferrara, D. Lynch e M. Scorsese mantiveram as produções de cunho pessoal. Nos últimos anos destaca-se a obra de M.N. Shyamalan – A Vila (2004; The Village) –, P.T. Anderson – Embriagado de Amor (2002; Punch-Drunk Love) –, S. Jonze – Adaptação (2002; Adaptacion) –, A. Payne – As Confissões de Schmidt (2002; About Schmidt) –, C. Nolan – Insônia (2002) –, R. Marshall – Chicago (2002) – ou S. Coppola – Encontros e Desencontros (2003; Lost in Translation). Também tem sido importante a aplicação de técnicas digitais no cinema de animação: Procurando Nemo (2003; Finding Nemo), de Pixar/Disney, ou as duas partes de Shrek (2001 e 2004). Além destas obras é imprescíndivel referir a trilogia O Senhor dos Anéis (2001-2003; The Lord of the Rings), uma coprodução com a Nova Zelândia, de P. Jackson, e a polêmica suscitada à volta do filme de M. Gibson, A Paixão de Cristo (2004; The Passion of Christ).
LiteraturaNas colônias da Nova Inglaterra, a literatura foi colocada a serviço da ideologia puritana, tendo-se caracterizado por obras doutrinais e de controvérsia religiosa. Mais atrativos resultam os diários pessoais, as crônicas e os relatos históricos do período, como a History of Plymouth Plantation, de W. Bradford. A poesia desenvolveu-se com autores como A. Bradstreet e E. Taylor. Durante mais de um séc., a cultura da Nova Inglaterra permaneceu refém da ortodoxia puritana, como se depreende da obra de C. Mather e de uma das figuras centrais do séc. XVIII, J. Edwards. Maior abertura literária produziu-se nas colônias do S, como reflete a obra de W. Byrd. Em Filadélfia, surgiu a outra figura central do séc. XVIII, B. Franklin, que expressou os ideais do iluminismo. O pensamento de Franklin conduziu à revolução americana, altura em que se destacaram T. Jefferson, inspirador da Declaração da Independência, e Th. Paine. Entre os escritores deste período, destacam-se o poeta P. Freneau, o dramaturgo R. Tyler e os romancistas H.H. Brackenridge e W.H. Brown, cuja obra The Power of Sympathy (1789) é considerada o primeiro romance estadunidense.No ínicio do séc. XIX, apareceram as primeiras grandes figuras da narrativa: W. Irving, cuja evolução vai do neoclassicismo religioso ao pré-romantismo; J.F. Cooper, o primeiro a situar as suas obras no continente americano; e E.A. Poe, destacado romancista, poeta e ensaísta. Diante de um poeta romântico como W.C. Bryant, que se inspirou na natureza como poder regenerador, Poe foi um teórico da poesia pura, um precursor do simbolismo que influenciou notavelmente Baudelaire e a literatura europeia. Um dos fenômenos centrais do início do séc. XIX foi o transcendentalismo. Considerando que a natureza é a manifestação visível de uma realidade transcendente, R.W. Emerson elaborou uma filosofia da confiança em si mesmo e na bondade fundamental da criação, visível também na obra de H.D. Thoreau Walden como nos seus escritos sobre o compromisso social e a desobediência civil. Pode-se considerar ainda influenciada pelo transcendentalismo a poesia de W. Whitman, que se inspirou nos princípios de Emerson. Com Leaves of Grass (1892), Whitman criou o primeiro grande monumento poético da nação. Diante deste otimismo vitalista, colocam-se os principais romancistas da época: N. Hawthorne (A Letra Escarlate) e H. Melville (Moby Dick).Após a guerra civil, a expansão geográfica e industrial produziu uma nova realidade. O humor desenvolveu-se e apareceram autores que imprimiram à sua obra um anseio nacionalista: J.C. Harris, H.B. Stowe, autora de A Cabana do Pai Tomás (1852), B. Harte e E. Eggleston, entre outros. Humor e cor local confluíram em M. Twain, o narrador mais popular da segunda metade do séc. XIX. A partir de 1880, a literatura americana centrou a atenção no romance realista: W.D. Howells, A. Bierce, S. Crane, F. Norris e J. London. H. James conseguiu elevar a um grande nível estético o romance pela complexidade da sua visão, simbolismo e construção formal; as suas últimas obras são verdadeiros exemplos da narrativa do séc. XX. No campo da poesia, destacou-se E. Dickinson, que tratou, através de uma concepção moderna do estilo poético, o tema da solidão e do amor, da morte e da imortalidade.A vertente do niilismo e crítica dos valores estabelecidos, subentendida em alguns autores, apareceu de forma clara através da voz do denominado "romancista da idade do jazz", F.S. Fitzgerald. G. Stein, após a sua estadia na Europa, encaixou-se no experimentalismo literário e serviu como ponto de referência para a maioria dos narradores da "geração perdida": W. Faulkner, E. Hemingway e J. Dos Passos, escritores que deram voz à desilusão e à revolta interior suscitadas pela guerra, mas também atentos às novas técnicas narrativas. Um realismo de caráter social e proletário firmou-se em escritores como J.T. Farrell, E. Caldwell, J. Steinbeck e S. Lewis. Durante a déc. de 1930, é assinalável o aparecimento do romance negro estadunidense, iniciado por D. Hammet e continuado por R. Chandler. No campo da poesia, no séc. XX destacam-se W.C. Williams, R. Frost, C. Sandburg, E.L. Masters, T.S. Eliot e E. Pound. Durante o período de paz, floresceu também o drama, gênero em que sobressaiu E. O'Neill. Após a II Guerra Mundial, no teatro destacaram-se T. Williams, A. Miller e E. Albee; na poesia, R. Lowell e S. Plath, na narrativa, W. Styron, F. O'Connor, T. Capote e C. McCullers, e consagraram-se diversos autores, como os prêmios Nobel S. Bellow, J.D. Salinger, J. Heller, K. Vonnegut, N. Mailler, Ch. Bukowski, G. Vidal, T. Pynchon, T. Wolfe e J. Updike. A geração beat, da qual também fazia parte W. Burroughs, inicia-se com a publicação do poema How and other poems (1956), de A. Ginsberg, e do romance Pela Estrada Fora (1957), de J. Kerouac. Anárquicos e inconformistas, os escritores da geração beat opunham-se à sociedade de consumo, fortemente influenciados por H. Miller e pelo misticismo oriental. Na déc. de 1960, começaram a afirmar-se também escritores como R. Carver, pioneiro da corrente denominada minimalismo, continuada na déc. de 1980 com autores como D. Leavitt, escritor de contos e romances construídos com técnica cinematográfica. Aos problemas da mulher negra, dedica-se a narrativa de Toni Morrison, prêmio Nobel em 1993. Desde a década de 1990, autores já consagrados como S. Sontag, P. Roth, J.C. Oates, D. De Lillo e outros com obra publicada, mas que alcançam o êxito nesta época, R. Ford, P. Auster, C. McCarthy, J. Irving e B. Gifford, dominaram o panorama da narrativa. Outros, como T. Cloney, J. Grishman ou M. Crichton, com um grande êxito entre o grande público, publicam as suas obras sob a influência das produtoras de Hollywood, sempre à procura de material de impacto para adaptar ao cinema. No gênero teatral, destacaram-se os nomes de D. Mamet e C. Trepard, enquanto na crítica, a figura mais conhecida é H. Bloom, autor de O Cânone Ocidental.
Temas nacionais
Com o fim da guerra, novas áreas de atividade literária foram descobertas. O país crescera tanto, alargando sua fronteira para o sul e o oeste, que suas diversas regiões começaram a criar uma literatura com cenários, tipos e ambientes próprios. Os escritores passaram a explorar a cor local. Francis Bret Harte inspirou-se na vida dos exploradores de ouro da Califórnia para seus contos, que fizeram muito sucesso. Descobria-se um filão temático novo, tipicamente americano.
Nesse período, surgiu um escritor de forte veia humorística, cujos livros passaram a vender como os de nenhum outro até então. Samuel L. Clemens, conhecido pelo pseudônimo de Mark Twain, viveu quando jovem perto do rio Mississippi e retrata a gente da região com acuidade e humor em obras como The Adventures of Tom Sawyer (1876; As aventuras de Tom Sawyer) e The Adventures of Huckleberry Finn (1885; As aventuras de Huckleberry Finn), para muitos o maior romance americano. Autora marcante, que só a partir de meados do século XX tornou-se aos poucos conhecida, é Emily Dickinson, poeta cuja obra completa só foi publicada em 1955, quase setenta anos após sua morte. Sua poesia é considerada pela crítica a melhor de todos os tempos nos Estados Unidos.
A América foi sendo descoberta – seus campos, a pradaria, as planícies, as montanhas, as praias, a costa, as populações das vilas e campos – e nasceu entre seus escritores o sentimento de que havia motivos bastantes no país para suas obras. Passaram a encontrar oportunidades para descrever e narrar com realismo esses aspectos locais e provinciais. No verso, como na prosa, reproduziram-se os costumes e linguagens de cada região nas obras de Richard M. Johnston, Mary N. Murfree, Thomas N. Page, George Washington Cable, Joel Chandler Harris, Lafcadio Hearn e, da Nova Inglaterra, Sarah O. Jewett, Mary E. Wilkins Freeman, Hamlin Garland e Edward Eggleston.
No fim do século XIX, houve grande produção de romances históricos, cuja maior parte foi esquecida. Alguns, porém, tiveram grande êxito e certo valor literário. O general Lew Wallace, que havia publicado um romance sobre a conquista do México, pintou em Ben Hur (1880) o fim do Império Romano e o aparecimento do cristianismo. Nessa virada de século, sobressaíram-se ainda Theodore Dreiser, Upton Sinclair, Sherwood Anderson e Edith Wharton.
Owen Wister, que viajou para o oeste para tratamento de saúde, descobriu o vaqueiro americano como tema literário e escreveu os melhores contos sobre a vida rude e primitiva do oeste depois dos de Bret Harte. William Sidney Porter, mais conhecido como O. Henry, foi um dos contistas prediletos dos americanos. Também ganharam popularidade os romances e contos de Jack London, sobre a força e os instintos do homem e sua luta com a natureza. A educação, que se desenvolveu no período, criou o maior conjunto de leitores do mundo, e as revistas e editoras surgiam daí com uma força sem precedentes.
Ainda no fim do século, diversos aspectos da vida nervosa, cruel e às vezes imoral do país aparecem com toques de franco realismo na obra de diversos romancistas, como Stephen Crane, que pinta a vida das classes baixas de Nova York em seu Maggie: a Girl of the Streets (1892; Maggie: uma garota das ruas). Outros escritores dessa vertente, conhecidos como naturalistas, foram Frank Norris, Theodore Dreiser, Sherwood Anderson, Upton Sinclair e Edith Wharton.
Século XX
Antes da primeira guerra mundial, cresceu a produção poética nos Estados Unidos e o interesse pela lírica. Em 1912, Harriet Monroe fundou sua revista Poetry: a Magazine of Verse, que divulgou poetas jovens e difundiu entre o público as novas experiências em formas e ritmos. Alguns nomes do período são Nicholas Vachel Lindsay, Carl Sandburg, Edgar Lee Masters, Amy Lowel, Edwin Arlington Robinson, Edna St. Vincent Millay, Elinor Wylie, Stephen Vincent Benét, Archibald MacLeish, Robert Frost, T. S. Eliot e Ezra Pound. Ao desenvolvimento dos spirituals e outros cantos negros, soma-se a obra de alguns poetas como Paul Laurence Dunbar, James Weldon Johnson, Langston Hughes, Counter Cullen e Claude McKay.
Finda a primeira guerra, ganhou destaque um importante grupo de romancistas e poetas, conhecidos coletivamente como "lost generation" ("geração perdida"), designação que revelava sua desilusão com a sociedade pós-guerra. O grupo incluía romancistas como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e John Dos Passos, e os poetas Ezra Pound, T. S. Eliot, Hat Crane e e. e. cummings. A obra de William Faulkner, pioneiro na técnica do fluxo de consciência, foi um divisor de águas na prosa americana. Em romances como The Sound and the Fury (1929; O som e a fúria), Faulkner traçou um fictício condado de Mississippi como um microcosmo da sociedade humana.
O início do século XX revelou muitos outros escritores, como Sinclair Lewis (primeiro americano a receber o Prêmio Nobel de literatura), Gertrude Stein e Thomas Wolfe. Henry James é, tematicamente, um escritor europeu, de matriz anglo-francesa, embora tenha exercido notável influência na literatura de seu país. T. S. Eliot e Ezra Pound são casos semelhantes. Incluídos entre os poetas seminais do século XX, pouco têm a ver com a cultura americana. A maior parte da vida de Eliot foi passada na Europa, onde se naturalizou inglês. Pound também viveu impregnado da cultura europeia.
É muito importante a chamada literatura social das décadas de 1930 e 1940, cujos grandes nomes são Michael Gold, John Conroy, Nathanael West, James T. Farrell e James Agee.
Após a segunda guerra mundial, ganharam evidência grandes escritores. Norman Mailer e Truman Capote tiveram sucesso instantâneo com seus primeiros romances e mais tarde foram os pioneiros de um novo gênero de "ficção não fictícia". Os romances do escritor Vladimir Nabokov, nascido na Rússia, foram muito bem recebidos por sua utilização da ironia, paródia e de inovações linguísticas.
A segunda metade do século XX revelou inúmeros valores, como o grupo de escritores de origem judaica – Philip Roth, Saul Bellow (Prêmio Nobel de literatura em 1976), Bernard Malamud – e vanguardistas como William Burroughs, Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti, Jack Kerouac ou, ainda, hábeis artesãos como Tom Wolfe, Norman Mailer, Gore Vidal, Jerome David Salinger, John Updike, Thomas Pynchon e David Leavitt. Na ficção-científica sobressaem Kurt Vonnegut, Jr., Arthur Clark e Ray Bradbury.
Ampliou-se a participação qualitativa, técnica e temática de mulheres e negros na literatura, com Joyce Carol Oates, Carson McCullers, Richard Wright, James Baldwin, Hilda Doolittle, Djuna Barnes, Susan Sontag, Katherine Anne Porter, Eudora Welty e Toni Morrison (Prêmio Nobel de literatura de 1993). Na poesia, surgiram alguns nomes superlativos além de e. e. cummings e Robert Frost, como William Carlos Williams, Archibald MacLeish, Carl Sandburg, Marianne Moore, Wallace Stevens e Robinson Jeffers. O gênero do conto assumiu nova importância, sobretudo com a obra de Raymond Carver.
Crítica literária
Um último aspecto a considerar na literatura americana é o da crítica e da teorização literárias, que tiveram grande florescimento no século XX. A renovação crítica teve início com Joel E. Spingarn, ao divulgar as teorias de Benedetto Croce, no volume antológico The New Criticism (1911; A nova crítica). Daí em diante, o espírito experimentalista, novas pesquisas, novos métodos oriundos da semântica e da psicologia, ao lado de revistas e antologias que introduziram a crítica nas universidades, deram lugar a importante movimento crítico, com diversidade de escolas, como a de Chicago e a do New Criticism. A partir de I. A. Richards e T. S. Eliot, devem citar-se Richard Blackmur, Allen Tate, John Crowe Ranson, Cleanth Brooks, além de outros independentes de escolas, como F. O. Matthiessen, Edmund Wilson, Van Wyck Brooks, Malcolm Cowley e H. L. Mencken.
Período revolucionário
O romantismo trouxe os primeiros escritores em que a temática e as características nacionais surgem com elaboração literária e tentam traduzir o ethos do país. São eles Washington Irving, com The Sketch Book (1819-1820; O livro de esboços) e James Fenimore Cooper, autor de The Last of the Mohicans (1826; O último dos moicanos). Em sua obra, Cooper popularizou os cenários locais e a vida dos pioneiros e dos índios. Também é dessa época o poeta William Cullen Bryant.
Apesar do crescente sentimento nativista, a religião e o estudo continuaram sendo as influências principais na vida e na literatura da Nova Inglaterra. O puritanismo atingia uma etapa mais tolerante. Da mescla de influências do misticismo alemão com o sentimento de que o espírito intui sem necessidade de experiência, nasceu o transcendentalismo, movimento de que fizeram parte quase todos os escritores de Boston, entre 1840 e 1850. Entre esses últimos, o mais importante de todos foi Ralph Waldo Emerson, que se notabilizou como escritor, conferencista e filósofo. Seus Essays (1841-1844; Ensaios), Representative Men (1850; Homens representativos) e English Traits (1856; Características inglesas) foram explanações poéticas e inteligentes de suas convicções. A lírica de Emerson, apresentada com sentimento, estava tão próxima dos poemas metafísicos do século XVII quanto quaisquer outros poemas publicados no período. Tornou-se, a partir de então, um dos mentores intelectuais de sua geração. Junto com Emerson, e muito influenciado por ele, destaca-se David Thoreau entre os grandes pensadores do período.
No século XIX surgiram os autores que deram dimensão universal e eterna à literatura americana: Edgar Allan Poe, com os poemas "Raven" (1845; "O corvo") e "Annabel Lee" (1849) e suas histórias de terror e de suspense; Nathaniel Hawthorne, com The Scarlet Letter (1850; A letra escarlate); Herman Melville, com Moby Dick (1851); Henry David Thoreau, com Walden (1854; Walden ou A vida nos bosques), e o poeta Walt Whitman, com Leaves of Grass (1855-1892; Folhas de relva). Também merecem destaque Henry Wadsworth Longfellow, um dos poetas mais queridos dos Estados Unidos, e Harriet Elizabeth Beecher Stowe, esta por motivos extraliterários, já que seu romance Uncle Tom's Cabin (1852; A cabana do pai Tomás) em muito ajudou a causa abolicionista. Amos Bronson Alcott foi o último transcendentalista da região de Concord, em Massachusetts. Sua filha Louise May Alcott, no entanto, ficou muito mais famosa que o pai por seu livro Little Women (1868; Mulherzinhas), em que faz um retrato encantador da vida doméstica na Nova Inglaterra.
A guerra civil praticamente interrompeu as atividades literárias e ao terminar, em 1865, ficaram para trás os velhos temas e a Nova Inglaterra literária declinara. Muitos escritores já tinham morrido e somente Walt Whitman continuava a fazer soar seu nacionalismo e orgulho nativos, aos quais juntava elementos de internacionalismo e fraternidade humana. Ainda hoje, é considerado um dos grandes poetas do século XIX.
Escultura
Os Estados Unidos somente surgiram para o mundo da escultura com Alexander Calder, o inventor dos mobiles e dos stabiles. Variantes como as artes pop, cinética, minimal e o abstracionismo promoveram artistas como Richard Lippold, Ibram Lassaw, David Smith, David Hare, Louise Nevelson, Richard Stankiewicz e Larry Bell. Outros como Mary Miss, Alice Aycock, James Turrell, Robert Irwin, Elyn Zimmerman e Maya Lin formaram a corrente da site-sculpture, que buscava integrar a arte aos espaços públicos.
Pintura
A action painting (pintura de ação), de Paul Jackson Pollock, após a segunda guerra mundial, foi o movimento que chamou a atenção do mundo para a pintura americana. Antes, restritos ao mercado interno, destacavam-se Thomas Cole, John Singleton Copley e, fortemente europeizado, John Singer Sargent. Thomas Eakins foi o pioneiro do realismo americano, visto como antecessor de Andy Warhol.
Posteriormente a Pollock destacaram-se Roy Lichtenstein e Claes Oldenburg (pop art), Alfred Leslie, Stuart Davis (pioneiro da arte abstrata no país), Willem De Kooning, inserido na escola da action painting e de forte influência na segunda geração de expressionistas abstratos (Norman Bluhm, Michael Goldberg, Joan Mitchell), além de Frank Stella, um dos expoentes da arte minimalista. Outros nomes a anotar: Jasper Johns, Morris Louis, Barnett Newman, Robert Rauschenberg, Mark Rothko. Isolada, dona de personalíssima obra, Georgia O'Keeffe.
Música
País dotado de ricas manifestações musicais, os Estados Unidos marcaram definitivamente o século XX, acima de tudo no campo popular, com formas de ampla circulação mundial, como o spiritual, o blues, o jazz, o rock and roll, o rhythm'n'blues, a country music. Neles, a influência negra é fundamental.
O "musical americano", tipificado pelas produções da Broadway, zona de teatros da cidade de Nova York, e do cinema, constituem um dos ícones da cultura dos Estados Unidos. Infindáveis nomes contribuíram para torná-lo um gênero imorredouro e único.
No campo da música erudita, destacaram-se Edward Macdowell, George Gershwin, autor da ópera americana mais conhecida no mundo, Porgy and Bess, Aaron Copland, Samuel Barber, Ernst Bloch, John Cage, Charles Ives e Leonard Bernstein.
Televisão
A televisão tomou impulso na metade do século XX. Hoje praticamente toda casa nos Estados Unidos tem pelo menos um aparelho receptor e a audiência potencial cobre toda a população do país, o que torna a televisão um meio de comunicação diferente de qualquer outro na história. Indústria altamente rentável, movimenta anualmente bilhões de dólares. A programação, muito padronizada, é constituída sobretudo por filmes, esportes, noticiários, shows musicais, entrevistas e novelas. Existem três grandes cadeias nacionais, ABC, CBS e NBC, mas uma importante tendência moderna tem sido a dos canais por assinatura, como as TVs a cabo, capazes de atingir 95% dos domicílios.
Teatro
O primeiro e maior dos dramaturgos americanos, e nome entre os mais importantes do teatro mundial, é Eugene O'Neill (Prêmio Nobel de literatura em 1936). A seu lado podem ser acrescentados os nomes de Tennessee Williams, Arthur Miller e Edward Albee. Outros nomes importantes são Elmer Rice, Maxwell Anderson, Robert Sherwood, Clifford Odets, Lillian Hellman, Marc Connelly e Thornton Wilder. Na comédia de situações e sátira urbana destaca-se Neil Simon.
Depois que o centro do teatro americano deslocou-se da Broadway para o circuito off-Broadway e off-off-Broadway, os teatrólogos se sentiram mais livres para escrever peças radicais e inovadoras, com esperança real de vê-las encenadas. Surgiram, assim, na década de 1960, os dramas de David Rabe, David Mamet, Imamu Amiri Baraka (LeRoi Jones) e Ed Bullins, além de Sam Shepard, Lanford Wilson e Ntozake Shange.
No musical, Cole Porter, George e Ira Gershwin, Irving Berlin, Leonard Bernstein, Victor Herbert, Jerome Kern, Richard Rodgers, Oscar Hammerstein II e Lorenz Hart são modelos de criatividade.

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