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Colonialismo

O novo colonialismo deo séc. XIX: o imperialismo
Ao longo do séc. XIX, as potências europeias exerceram um dominio quase total no planeta, e atigiram a sua máxima expansão entre 1880 e 1914, período conhecido como "época imperialista".
O imperialismo desenvolveu-se a partir da segunda metade do séc. XIX, quando as potências industriais – Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, Bélgica, EUA e Japão – estabeleceram controle econômico e impuseram sua hegemonia política sobre a maior parte dos territórios da Ásia, África e Oceania. Exceto na América, a expansão europeia dos sécs. XVI, XVII e XVIII teve um objetivo basicamente comercial. Não obstante, o colonialismo do séc. XIX diferencia-se substancialmente do colonialismo comercial da etapa anterior (sécs. XVI-XVIII) nos seguintes aspectos:
  • — Os velhos impérios tinham se localizado principalmente na América, mas, nesta nova etapa, a ocupação realizou-se, sobretudo, na África, na Ásia e na Oceania.
  • — As antigas colônias sofreram um forte fluxo migratório da metrópole, enquanto os novos territórios foram utilizados para a exploração econômica.
  • — O ritmo de ocupação foi muito rápido no séc. XIX. Em 1800, a superfície terrestre ocupada pelos europeus representava 35% do total e, em 1914, 84,4%.
  • — Finalmente, as conquistas da Idade Moderna deram lugar a um baixo numero de conflitos entre as potências coloniais (Espanha, Portugal, Inglaterra, Países Baixos e França), especialmente quando comparadas com o imperialismo do séc. XIX, este que foi consideravelmente belicoso.
Fatores que favoreceram o imperialismo
O imperialismo foi favorecido, sobretudo, por uma série de fatores de índole econômica ligados ao desenvolvimento do capitalismo, mas, também, se bem que em menor grau, por fatores de caráter demográfico, político e ideológico.
  • Fatores econômicos: os fatores econômicos que impulsionaram o imperialismo foram essencialmente a necessidade de matérias-primas, a procura de novos mercados e a exportação de capitais.
  • Fatores demográficos: a Revolução Industrial e o crescimento econômico impulsionaram o forte crescimento da população europeia. Esta pressão demográfica provocou uma forte corrente migratória da Europa para o resto do mundo.
  • Fatores políticos: a passagem da expansão econômica para a colonização e a ocupação de um território, em geral é resultado de uma decisão política favorecida por razões de prestígio, por razões estratégicas e pelo desejo de paz social, dado que os governos encontraram na expansão colonial a possibilidade de desviar a atenção da opinião pública dos problemas internos.
  • Fatores ideológicos: desenvolvimento do nacionalismo, justificativa moral e evangelizadora dos grupos missionários, crença na teoria "do fardo do homem branco", segundo a qual o domínio do mundo caberia ao povo europeu, que de acordo com as concepções de sua época se considerava física e intelectualmente mais bem dotado.
O sistema de administração colonial
O modo como se estruturou a administração dos territórios conquistados variou de acordo com os interesseses das potências coloniais, mas na grande parte dos casos, estas assumiam as funções de governo mediante estruturas administrativas que se baseavam em dois modelos gerais: colônias e protetorados.
Nas colônias, que podiam ser de povoamento ou de exploração, não existia governo autóctone. Elas eram administradas por instituições e funcionários dependentes da metrópole.
  • As colônias de povoamento: eram territórios onde se estabeleciam colonos europeus de forma permanente, em alguns casos, como na Austrália, após o extermínio sistemático da maior parte da população autóctone. Os nativos remanescentes ficavam submetidos às estruturas econômicas, sociais e administrativas da metrópole. Este foi o modelo utilizado pelo Reino Unido nos chamados domínios do Império (África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Canadá).
  • As colônias de exploração: não existiam grupos de colonos europeus estabelecidos de forma permanente. O interesse das metrópoles baseava-se na apropriação dos recursos naturais controlados pelas grandes companhias agropecuárias ou mineiras. A população indígena majoritária ficava submetida à minoria branca de funcionários e militares. Este modelo de colônia foi o predominante na maior parte da África.
  • Os protetorados: eram territórios em que, teoricamente, governavam as autoridades autóctones, embora a potência colonial exercesse um controle muito direto, chegando mesmo a funcionar como governos paralelos. Estabeleceram-se em territórios que dispunham de uma sociedade urbana e de uma cultura própria consolidadas, que exerciam uma forte oposição aos colonizadores e impediam a penetração cultural europeia. Foi o caso da maior parte dos países islâmicos.
A colonização da Ásia
As relações entre a Europa e a Ásia desde o séc. XII até o séc. XVI foram muito escassas. A expansão comercial e colonial das nações europeias no Extremo Oriente foi impulsionada graças aos progressos realizados na navegação marítima e ao descobrimento português da rota que, dobrando o cabo da Boa Esperança, chegava à Índia.
Os europeus na Ásia entre os sécs. XVI e XVIII
A intervenção dos europeus na história asiática começou com a ocupação portuguesa de Goa (1510) e Malaca (1511). Os portugueses estabeleceram o primeiro monopólio comercial sobre as rotas de navegação entre África Oriental, Índia e as ilhas ricas em especiarias do Sudeste Asiático. Os seus estabelecimentos comerciais estenderam-se até o Japão e Macau, feitoria situada no litoral chinês.Luta armada entre os boxers – membros de uma sociedade chinesa que se opunha à abertura do país ao Ocidente – e as tropas do general Seymour, em 14 de agosto de 1900.
O monopólio português sobre estas rotas marítimas desapareceu no séc. XVII, devido à concorrência marítima dos holandeses, que fortaleceram o seu controle sobre as rotas das especiarias. Nos sécs. XVII e XVIII as colônias hispano-americanas negociavam com as Filipinas, enquanto os ingleses e os franceses, a partir dos seus empórios comerciais da Índia, controlavam o comércio através das Companhias das Índias Orientais.
Em 1815, com a decadência do comércio das especiarias, o Reino Unido adquiriu um controle predominante sobre as relações comerciais com o Extremo Oriente, graças as suas possessões na Índia, Cingapura e Hong Kong.
A ocupação da Ásia no séc. XIX
O interesse das potências europeias por este continente aumentou com a abertura do canal de Suez (1869), que une o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho. O processo de colonização culminou com o estabelecimento do total domínio econômico e político sobre o continente asiático, com exceção do Japão. São três as áreas coloniais: Ásia meridional e central, Sudeste Asiático e Ásia oriental.
Ásia meridional e central: a hegemonia britânica
Na Ásia central, a ação colonial centrou-se na Índia, território que pertencia à Coroa britânica desde 1763. Durante um século, o controle da Índia esteve nas mãos da Companhia Inglesa das Índias Orientais.
Em 1858 ocorreu a revolta dos cipaios, soldados indianos do exército britânico sob a direção da Companhia. Os protestos transformaram-se num motim geral no Norte da Índia, com episódios de extrema violência, sufocada após um ano de guerra. As consequências desta "grande rebelião" afetaram o sistema de governo da Índia, a que se outorgou a ata de governo, que estabelecia a administração direta da coroa britânica. O processo de transformação da Índia trouxe consigo a construção de vias de comunicação, o estabelecimento de centros educativos ao estilo ocidental e a especialização da economia, de forma a ser complementar à da britânica.
Para garantir um território de segurança em torno da Índia, os britânicos expandiram os seus domínios a norte e a oeste.
O Sudeste Asiático
No final do séc. XIX, a Indochina constituía a pérola do Império Colonial Francês. Em 1885-1887, a França ocupou o Camboja e Tonquim. Com todos estes territórios, em 1887 criou-se a União Indochinesa, à qual se somou em 1893 o reino do Laos.
O Reino Unido desejava controlar as comunicações marítimas entre o Índico e o mar da China meridional, razão pela qual anexou a Malásia e Cingapura. A Holanda consolidou o seu domínio sobre Java, Sumatra, Bornéu, Celebes e outros arquipélagos indonésios.
As Filipinas estiveram sob soberania espanhola até 1898. Nesse ano, devido à guerra entre Espanha e os EUA, a Espanha teve de ceder as ilhas aos EUA, que representavam uma agressiva potência imperialista no Pacífico.
Ásia oriental: os tratados desiguais com a China
A abertura da China começou em 1839 com a Guerra do Ópio. O Reino Unido importava chá da China e pagava por ele com cargas de ópio da Índia. Diante das dificuldades crescentes que o Império chinês opunha a este comércio, o Reino Unido empregou a força naval para conseguir atingir os seus objetivos. Em consequência da derrota da China foi assinado, em 1842, o Tratado de Nanquim, de acordo com o qual a China cedia aos britânicos a ilha de Hong Kong e admitia o livre-comércio em cinco portos. Foi a primeira fase do que os chineses chamaram de tratados desiguais, que em 1844 também assinaram com os EUA e França.
A abertura total da China ao Ocidente produziu-se, no final do séc. XIX, com a Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), pela qual o Japão arrebatou a Ilha de Formosa da China e forçou a independência da Coreia, que ficou sob influência nipônica. Paralelamente, as potências europeias obtiveram uma série de concessões econômicas para explorar as minas e construir a rede de estradas de ferro.
A exploração do país reativou o sentimento nacionalista e originou o levantamento popular dos boxers (1900-1901). As delegações estrangeiras sediadas em Pequim foram sitiadas durante 55 dias até a chegada de reforços internacionais. Esta nova derrota acelerou a decomposição do milenar Império Chinês.
Por outro lado, a ânsia expansionista da Rússia e do Japão no norte da China e na península da Coreia desencadeou a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). A vitória do Japão obrigou a Rússia a renunciar às suas pretensões na China e permitiu estabelecer o protetorado japonês na Manchúria e na Coreia, finalmente anexada em 1910.
A crise profunda no interior da China cristalizou-se em 1911 com a proclamação da república.
A expansão russa na Sibéria
A expansão territorial russa através da Sibéria começou no séc. XVII. Na segunda metade do séc. XIX, a Rússia aumentou as suas possessões siberianas com o domínio do Turcomenistão e chegou até os limites do Império Britânico na Índia. Em 1860, no contexto da perseguição ocidental à China, a Rússia conseguiu uma saída ao Pacífico com a anexação de Vladivostok e de outros portos da região do rio Amur.
A colonização efetiva da Sibéria ocorreu na segunda metade do séc. XIX com o estabelecimento de 5.000.000 de imigrantes russos. A construção de diversas vias de comunicação aproximou a Sibéria central e oriental da Rússia europeia.
Japão, uma potência em expansão
A industrialização do país a partir da Revolução Meiji (1867-1912) foi um processo que terminou com a necessidade de abastecer-se de matérias-primas e de procurar mercados para os seus produtos, e culminou com a criação de um potente exército, fato que converteu o Japão numa potência imperialista, que iniciou uma rápida e agressiva expansão.
A intervenção japonesa na península da Coreia desencadeou a guerra com a China (1894-1895). Após a derrota deste país, o Japão anexou a ilha de Formosa e Port-Arthur. Depois da surpreendente vitória da frota nipônica na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905), o Japão passou a dominar a Coreia e a Manchúria.
As consequências da colonização da Ásia
Naturalmente, os países colonizados sofreram um profundo impacto que modificou sensivelmente a sua economia – adaptando-a às necessidades das metrópoles – e a sua cultura, dado que se impunham valores e costumes dos povos colonizadores.
A mudança fundamental sofrida pelas sociedades coloniais da Ásia no final do séc. XIX e início do séc. XX foi o desenvolvimento de uma nova classe social: a classe média. A maioria das metrópoles tinha estimulado, no início do séc. XX, o surgimento de uma elite autóctone moderna, composta de intelectuais, funcionários e burgueses. Em alguns casos, esta evolução social nas sociedades de tipo colonial ajudou a formar nas futuras nações asiáticas uma elite nacionalista que dirigiu os processos de independência.
Em todos os territórios consolidaram-se os procedimentos fiscais europeus e os sistemas educativos, judiciais e administrativos do Ocidente. Este processo criou as bases para a modernização econômica do continente, mas também deu origem a um grave problema de aculturação.
A colonização da África
Entre o séc. XVI e o séc. XIX produziram-se a interrupção violenta do processo histórico africano e a alteração total das suas estruturas pela ação da colonização europeia.
A presença europeia antes do séc. XIX
No séc. XV, os portugueses empreenderam o progressivo reconhecimento do litoral atlântico da África, chegando ao cabo da Boa Esperança em 1488. Posteriormente, Vasco da Gama (1497-1498) percorreu a costa oriental do continente para encontrar o caminho até a Índia.
O contato entre o Ocidente europeu e as civilizações africanas inscreve-se no âmbito dos grandes descobrimentos marítimos e das transformações econômicas na Europa durante a Idade Moderna. Rapidamente sentiu-se falta de mão de obra nas colônias europeias da América. Por esse motivo, a partir do início do séc. XVI, o tráfico transoceânico de povos negros escravizados foi o objetivo primordial do comércio europeu nas costas da África.
O comércio mais proveitoso era o chamado tráfico triangular: partida de um porto europeu para a costa da África com uma carga de artigos de segunda categoria, aquisição de escravos na África, revenda dos escravos na América e regresso à Europa com uma carga de produtos coloniais. Para a África foi uma sangria demográfica.
As explorações do séc. XIX
Entre os fatores que propiciaram uma ocupação rápida do continente africano figuram as explorações, levadas a cabo durante o séc. XIX. Os pioneiros foram os britânicos Daniel Houghton e Mungo Park, que no final do séc. XVIII exploraram o oeste africano.
Explorações europeias na África no séc. XIX. O interior do continente africano, desconhecido para os europeus até o início do séc. XIX, foi intensamente explorado ao longo desse século. No início do séc. XX, a África não só tinha sido explorada, como também as suas terras estavam ocupadas pelas potências europeias.
O missionário escocês David Livingstone (1813-1873), antiescravagista convicto, acreditava que a abertura da África aos missionários protestantes, poria fim ao tráfico de escravos. Fez três viagens através do continente africano, a última das quais, em 1868, foi acompanhada pela imprensa da Europa e da América.
A expansão europeia na África antes de 1885
Os exploradores e missionários prepararam o terreno para a posterior intervenção dos Estados. Além disso, a propaganda que se fazia das explorações alimentava a opinião pública europeia sobre a necessidade de anexar os territórios africanos.
O Norte da África
A primeira zona de expansão colonial europeia na África foi o norte do continente. A importância econômica desta região aumentou após a abertura do canal de Suez (1869), que facilitava enormemente a rota da Europa para o continente asiático e a penetração na África.
O domínio francês na zona começou com a ocupação da Argélia em 1830. Em 1881 estabeleceu-se o protetorado francês na Tunísia.
Franceses e britânicos mantiveram uma dura disputa desde 1848 para obter concessões econômicas no Egito. O canal de Suez foi controlado por franceses e britânicos.
Em 1882, o Reino Unido instaurou no Egito um regime de protetorado que durou até 1922. Desta maneira obteve uma clara superioridade no domínio do vale do Nilo, única via de entrada no Sudão e África oriental.
Marrocos e Líbia ficaram à margem da ação direta dos europeus até 1912. Nesse ano, Marrocos foi transformado em protetorado da França (a parte mais extensa e fértil do país) e da Espanha (a zona do Rif, no Norte, mais Ifni e Tarfaya, no sul), enquanto Tânger ficou sob administração internacional. Entre 1911 e 1912, a Itália anexou a província turco-otomana da Líbia após derrotar as forças turcas.
África ocidental e central
Até 1900, quando convergiram no Tchad três expedições francesas provenientes da Argélia, do Senegal e do Congo, a França não assegurou a união territorial entre as suas possessões do Norte da África, da África ocidental e da África central.
Os britânicos anexaram a Costa do Ouro (atual Gana) em 1900 e estabeleceram um protetorado na Nigéria. Os alemães, instalados tardiamente (1884) em quatro pontos que tinham ficado disponíveis nas costas africanas (Camarão, Togo, África do Sudoeste – atual Namíbia – e Tanganica), progrediram lentamente para o interior. Poucos anos depois entraram em disputa com o Reino Unido e a França, que possuíam colônias limítrofes com Togo e Camarão.
A Bélgica e a França rivalizaram pela colonização da África central e, sobretudo, pelo domínio da bacia do Congo. Finalmente, com o apoio de britânicos e alemães, Leopoldo II, rei da Bélgica, colocou o Estado Livre do Congo (1879) sob o seu domínio pessoal direto.
A Libéria, constituída em 1847, e a Etiópia, foram os únicos Estados independentes da África.
África oriental e austral
O Reino Unido colonizou o Sudão em 1866, e desde ali expandiu-se até o Quênia e a Somália. A Alemanha, por outro lado, estabeleceu-se em Tanganica em 1884. A França ocupou Obock, na Somália, e impôs um protetorado na ilha de Madagascar (1885), que foi finalmente anexada (1896). A Itália estabeleceu-se na Eritreia e na Somália.
A África austral foi a zona onde os interesses coloniais entraram verdadeiramente em confronto. Os principais conflitos foram entre britânicos, alemães e portugueses e entre os primeiros e os colonos bôeres da África do Sul.
Portugal controlava as zonas costeiras de Angola, no Atlântico, e de Moçambique, no Índico, e aspirava uni-las por terra, projeto que se viu interrompido pela oposição dos britânicos. Os alemães instalaram-se em 1884 numa faixa situada no sudeste da África.
Na África do Sul, em 1652, os holandeses tinham estabelecido no cabo da Boa Esperança uma importante escala na rota para as Índias Orientais. O clima ameno da região havia facilitado o estabelecimento dos bôeres (descendentes de holandeses nascidos na África do Sul), que tinham combatido ou reduzido a escravidão dos autóctones da região (hotentotes, boxímanes e bantos). Em 1815, a província do Cabo passou a ser britânica. Os bôeres, a fim de escapar da britanização e da abolição da escravatura, decidida em 1833 pelas autoridades britânicas, emigraram para as planícies de Natal. O Reino Unido anexou Natal, mas, após iniciar negociações com os colonos bôeres, acabou por reconhecer a independência das repúblicas criadas por estes em Orange e Transvaal (1852-1854), que em 1860 se transformaram na União da África do Sul.
A descoberta de jazidas de diamantes e de ouro na região (1867) aumentou o interesse britânico pelo controle do território. Cecil Rhodes propôs estender o domínio britânico. A sua ação desenvolveu-se por meio de uma companhia comercial, a British South Africa Company (1889). Obrigou os portugueses a retroceder para o litoral (Moçambique e Angola) e fundou grandes empresas mineiras, cujas jazidas de ouro e diamantes se encontravam situadas principalmente no território das repúblicas bôeres. A recusa destas a aceitar a soberania do Reino Unido acabou por desencadear a guerra anglo-bôer (1899-1902). A derrota dos bôeres converteu as repúblicas em colônias britânicas, dotadas de um amplo regime de autogoverno.Os fazendeiros de origem holandesa estabelecidos no sul da África eram chamados bôeres e constituíam uma minoria fechada, do ponto de vista político, social e religioso. Comando bôer da guerra anglo-bôer (Museu das Duas Guerras Mundiais, Paris, França).
A Conferência de Berlim
Para evitar um conflito bélico entre as potências interessadas no Congo, o chanceler alemão Otto von Bismarck convocou a Conferência de Berlim (novembro de 1884 a fevereiro de 1885).
Na Conferência de Berlim, da qual participaram catorze países, entre eles o Reino Unido, a França, a Alemanha, Portugal, Bélgica e Espanha, acordaram-se as normas internacionais para completar a repartição do continente.
Os direitos históricos sobre algumas regiões africanas que alguns países alegavam (sobretudo, Espanha e Portugal) não foram reconhecidos, e o único critério para implantar a soberania de uma potência sobre um território seria a ocupação militar efetiva, fato que beneficiava as principais potências.
As colônias europeias em finais do séc. XIX. A expansão colonial europeia abrangeu praticamente a totalidade do planeta. Apenas os territórios americanos, que, exceto o Canadá e as ilhas do Caribe, tinham atingido a independência no final do séc. XVIII e início do séc. XIX, ficaram fora da intervenção europeia.
A partir daquele momento, os Estados europeus iniciaram uma autêntica corrida febril sem precedentes para ocupar os territórios ainda não dominados na África.
A divisão da África depois da Conferência de Berlim
A Conferência de Berlim e uma série de acordos bilaterais fixaram as zonas de influência de cada potência, de tal forma que em 1914 todo o continente, com a exceção da Libéria e da Etiópia, estava em poder dos Estados europeus.
O Reino Unido conseguiu praticamente o controle do eixo Cairo-Cabo. A França centrou os seus esforços para conseguir o controle da África ocidental. A Alemanha teve de se contentar com um império reduzido. Portugal manteve duas estreitas faixas costeiras em Angola e Moçambique, que pôde alargar para o interior, mas teve de desistir da tentativa de unir ambas as colônias devido à pressão britânica. A Espanha só conseguiu o território de Rio de Ouro (Saara espanhol) e da Guiné Equatorial. A Itália dominava a Eritreia e a Somália, de onde tentou sem êxito dominar a Etiópia. A repartição do continente não esteve isenta de tensões e conflitos.
A rivalidade econômica e colonial entre as potências europeias foi uma das principais causas da eclosão da I Guerra Mundial.
As consequências da colonização na África
A colonização da África teve importantes consequências econômicas, políticas, sociais e culturais.
A economia dos países africanos passou a depender estreitamente da metrópole. Isto implicou a destruição da estrutura artesanal tradicional.
A economia colonial estava orientada para uma produção muito especializada, para a exportação (cacau, café, chá, amendoim etc.). A criação de economias baseadas na monocultura trouxe consigo o abandono da produção de cultivos destinados à alimentação da população nativa, razão pela qual numerosos territórios perderam a capacidade de se autoabastecer, com consequências muito negativas para o futuro.
Foi desenhada uma estrutura geopolítica de territórios com fronteiras artificiais, que se manteve mesmo depois da independência das colônias. Esta divisão administrativa provocou problemas muito sérios, porque se misturaram forçosamente povos com culturas, tradições e línguas diferentes, por vezes há séculos em conflito, como ocorreu no caso dos tutsis e hutus nos territórios belgas de Ruanda e do Burundi.
Entre os aspectos sociais e culturais da colonização mencionem-se os avanços médicos e a criação de uma estrutura sanitária mínima, que ajudou a baixar a taxa de mortalidade e produziu um forte crescimento demográfico, mantendo altas as taxas de natalidade.
Por outro lado, os colonizadores impuseram a cultura, a língua e a religião europeias, fato que criou problemas de aculturação e de retrocesso das línguas e tradições autóctones, especialmente as indígenas.

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