> Galería de Fotos (4 elementos)


4 Medias
   > Edupédia
   > Artigos relacionados
   > Na rede

EV

Império Carolíngio

A ascensão da descendência de Pepino
A morte do rei franco Dagoberto (638) inaugurou um período histórico caracterizado pela indolência da classe governante em face das tarefas de governo - ficando conhecidos os que se seguiram como "reis indolentes" -, que foram ficando nas mãos dos cada vez mais poderosos chefes de palácio (Major Domus. Estes, nobres latifundiários originários das três grandes circunscrições territoriais em que estava dividido o reino franco – Austrásia, Nêustria e Borgonha – lutavam entre si pelo domínio de todo o reino. Nessa época, os ducados de Aquitânia e Turíngia, que tinham feito parte dos domínios merovíngios, eram já independentes, enquanto alamanos e bávaros continuavam a organizar constantes movimentos rebeldes.
Por volta de meados do séc. VII, Pepino de Landen (580-640) e o seu filho Grimoaldo (616-656) (administrador de Austrásia) tinham consolidado o poder da sua família, que possuía grandes propriedades no vale do Mosa. No contexto do confronto entre facções de nobres, Pepino de Heristal (635-714), neto de Pepino de Landen e sucessor de Grimoaldo, derrotou os nobres de Nêustria em Tertry (687) e, tendo conseguido o domínio das regiões do norte, impôs a sua autoridade sobre o resto do reino franco. Uma revolta da nobreza de Nêustria, que procurou aliar-se aos frísios das costas do mar do Norte, foi impedida por Carlos (721), filho natural de Pepino de Heristal, que obteve a administração política de todo o reino.
Os primeiros carolíngios
Os muçulmanos, que no final do séc. VII tinham conquistado toda a costa africana do Mediterrâneo, ocuparam em pouco tempo o reino visigodo de Toledo (711-715) e lançaram-se sobre o reino franco. Apesar da severa derrota infligida em Poitiers (732) por Carlos Martel (686-741), filho de Pepino de Heristal, o perigo que representavam os muçulmanos instalados em Septimania (Narbonne) obrigou o exército franco a uma profunda reforma, que se concretizou na criação de uma poderosa força de cavalaria. Para esse efeito, Carlos Martel confiscou um grande número de propriedades eclesiásticas e distribuiu-as entre os seus soldados mais fiéis. Apesar das divergências com a hierarquia eclesiástica, Martel garantiu não só a existência de uma força militar permanente como a fidelidade completa de todos, estabelecendo-se, assim, uma espécie de antecedente da futura sociedade feudal.
Martel dispunha já de todo o poderio econômico, militar e político e, sem respeitar a soberania do monarca merovíngio, dividiu o reino entre os seus filhos Pepino, chamado o Breve, pela sua baixa estatura, e Carlomano, que lhe sucederam em 741. Pouco depois, Carlomano retirou-se para um convento, deixando o poder nas mãos do seu irmão. Este, para atrair o favor da Igreja franca, favoreceu a sua missão evangelizadora. Finalmente, em 751, Pepino encerrou Childerico III (714-754), o último dos reis merovíngios, num mosteiro e adotou o título de rei dos francos, sendo coroado por são Bonifácio (680-754) com a bênção do papa Zacarias. Pepino, o Breve, fundava assim a nova dinastia real franca dos carolíngios, assim chamada por descender de Carlos Martel.O culto das relíquias deu origem a objetos ricamente elaborados em diferentes matérias. Cristal de Lotário do séc. IX que narra a história da personagem bíblica Susana (Museu Britânico, Londres, Reino Unido).
Carlos, "rei de francos e lombardos"
O papa Estêvão II, acossado pelos lombardos, viu-se forçado a solicitar a ajuda dos francos. Na primavera de 755, o exército de Pepino penetrou na Itália, impondo-se como árbitro da situação. Finalmente, em 774, Carlos, filho de Pepino, derrotou Desidério (710-774), o último rei lombardo, e foi proclamado "rei de francos e lombardos". Carlos confirmou os territórios entregues pelo pai ao papa, acrescentando as regiões de Veneto e Ístria, ainda em mãos dos bizantinos. O papa atribuiu a Carlos o título de patrício, ou defensor da Igreja.Busto de Carlos Magno, datado de 1349 (Catedral de Aquisgrano, Alemanha).
As campanhas militares de Carlos Magno
Carlos, filho de Pepino, o Breve, e neto de Carlos Martel, recebeu a herança familiar e ampliou-a, formando o grande império europeu dos francos, pelo que foi alcunhado de Magno(ou o Grande). Levou a cabo uma intensa atividade militar, com campanhas que se repetiam ano após ano até a definitiva destruição do inimigo.
A renovação imperial: o Sacro Império Romano-Germânico
Carlos Magno (742-814) considerava-se o "novo Davi", enviado pela Providência e que, por esse motivo, deveria ser coroado imperador dos romanos como passo necessário à restauração do Império Romano do Ocidente.
A subida ao trono bizantino de uma mulher, a imperatriz Irene (797-802), não foi aceita pelo papa, que considerou vaga a coroa imperial. No Natal do ano 800, o papa Leão III (?-816) coroou Carlos Magno imperador do povo cristão, enviado pela Providência para guiar e proteger o novo império cristão, o Imperium christianum. Este, contudo, não era o império mediterrâneo latino desejado por Roma, uma vez que a componente germânica tinha supremacia, como foi demonstrado pela nomeação de Aquisgrano, no norte da Europa, como capital.Coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III, numa miniatura do séc. XIV (Biblioteca Real, Bruxelas, Bélgica). A aliança entre os soberanos francos da dinastia carolíngia e o papado romano forjou a constitução de um novo império que se autoproclamou herdeiro do Império Romano do Ocidente.
O imperador estava disposto a aceitar o cargo de protetor da Igreja, mas não tinha intenção de partilhar a soberania política. Estabeleceram-se, assim, as bases de um conflito entre ambos os poderes, o político e o religioso, que condicionaria a vida política e ideológica da Europa durante boa parte da Idade Média. Naturalmente, ao longo do reinado de Carlos Magno ninguém ousou discutir a sua primazia, mas depois de sua morte essa questão converteu-se num problema permanente.
A organização do império
O eixo central transferiu-se do Mediterrâneo, que deixou de ser um mar romano para se transformar numa fronteira sob o domínio das frotas muçulmanas, ao vale do Reno, que se transformou no principal centro de comunicações e de desenvolvimento econômico do novo estado, que também se estendia até as antigas terras bárbaras da Germânia.O imperador Carlos Magno e seu filho Pepino, rei da Itália, ditando a um funcionário da chancelaria, miniatura do séc. X (Arquivo da Catedral, Módena, Itália).
A economia do Império de Carlos Magno
A economia imperial deixou de estar centrada no comércio mediterrâneo e passou a depender dos rendimentos que proporcionavam as grandes explorações agrárias (villae), cuja administração estava regulada no Capitular de villis.
Já visível durante os últimos séculos do Império Romano, a decadência das cidades, que se tornaram cidades episcopais, foi acelerada pela desarticulação das grandes vias comerciais. Os bispos, além das funções espirituais, também desempenhavam tarefas administrativas e eram altos funcionários do Estado carolíngio, em estreita colaboração com o imperador, garantindo poder deste onde o domínio dos condes ou marqueses era maior.
A divisão territorial do Império Carolíngio
O território imperial foi dividido em condados e marquesados controlados por parentes ou amigos do imperador. Contudo, a política destes altos funcionários inclinava-se cada vez mais para uma política de autonomia, o que se tornou especialmente visível depois da morte de Carlos Magno.
Para reforçar o controle sobre os seus territórios e sobre a atuação de condes e marqueses, Carlos Magno criou um poderoso corpo de funcionários: os missi dominici (mensageiros do senhor).
Carlos Magno e a cultura
Durante a sua juventude, a educação de Carlos Magno centrou-se, como ocorria com todos os nobres, na preparação para a guerra.
Na Itália, conheceu o gramático Pedro de Pisa (744-799), um dos poucos herdeiros da cultura Clássica da Europa Ocidental, e convenceu-o a acompanhá-lo à corte como professor de gramática e literatura latina. À corte de Carlos Magno confluíram muitos outros eruditos da época, como o monge Alcuíno (735-804), que tinha sido professor na escola de doutrina religiosa de York. Alcuíno, que conheceu Carlos Magno em Parma, impulsionou a vida cultural da corte carolíngia a partir do ano de 782. Deste modo, a cultura cristã dos mosteiros irlandeses e britânicos, onde se estudavam os textos filosóficos neoplatônicos e dos pais da Igreja, escritos em grego, difundiu-se por todo o império.
A procedência diversa dos eruditos que acudiram à corte revela a amplitude do projeto cultural carolíngio.
A Escola Palatina
Alcuíno reorganizou a Escola Palatina de Aquisgrano, implantando um plano de estudos dividido em dois blocos que continham as denominadas sete artes liberais: o trivium (gramática, retórica e dialética) e o quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia). Além de escreverem diversas obras, os mestres da corte carolíngia recuperaram boa parte da cultura greco-romana, lendo e copiando os textos dos autores clássicos (Aristóteles, Cícero, Virgílio, Ovídio) e dos seus herdeiros.
Os alunos da Escola Palatina eram filhos de nobres, estudantes de teologia, sacerdotes que queriam ampliar a sua cultura e futuros funcionários da corte do rei. Deste modo, a corte irradiava cultura por intermédio dos nobres, dos sacerdotes e dos funcionários que se distribuíam por todo o Reino, criando novas escolas que multiplicavam a ação da Escola Palatina. As paróquias, os mosteiros e as catedrais eram as sedes destas escolas.
O trabalho de cópia e compilação dos textos antigos e novos realizado nos escritórios (scriptoria) monásticos foi árduo. Nos mosteiros da Irlanda e da Grã-Bretanha, desenvolvera-se um novo tipo de letra de leitura e escrita fácil (minúscula carolina) que, adotada por Alcuíno para a Escola Palatina, se difundiu pela maior parte da Europa Ocidental.
O final do Império Carolíngio
Quando morreu Carlos Magno (814), seu filho Luís, o Piedoso (778-840), sucedeu-o no trono imperial. Luís, herdeiro único devido à morte dos seus irmãos, Pepino – cujo filho Bernardo posteriormente herdaria seus domínios – e Carlos, falecidos entre 810 e 811, esforçou-se por seguir as linhas políticas e culturais determinadas por Carlos Magno. Contudo, mais interessado em religião do que em política, nunca teve a personalidade enérgica do fundador do Império, e os condes e marqueses foram se aproveitando para fortalecer o seu poder pessoal, contribuindo para a fragmentação do império.
O reinado de Luís, o Piedoso
Nas suas disposições sucessórias (Ordinatio Imperii, 817), Luís associou ao governo do império o seu primogênito Lotário (795-855), que deveria herdar a dignidade imperial e a maioria dos territórios. Os seus outros dois filhos, Pepino e Luís, foram nomeados reis de Aquitânia e da Baviera, respectivamente. Os territórios da Itália tinham sido entregues por Carlos Magno a Bernardo (797-818), seu neto, filho de seu segundo filho, Pepino, morto em 810. Pepino de Aquitânia, Luís, o Germânico, e Bernardo de Itália deveriam estar subordinados à autoridade de Lotário, líder de um império que se pretendia unitário.
Contudo, existia uma tendência desagregadora, encabeçada pela aristocracia laica, que não hesitou em promover o confronto entre Luís, o Piedoso, e os filhos. O primeiro a revoltar-se foi o rei da Itália, que não aceitou a subordinação a Lotário. Para derrotá-lo, o imperador dirigiu-se à Italia e, uma vez controlada a rebelião, ordenou que arrancassem os olhos ao sobrinho, que morreu durante o castigo. A Itália passou assim a pertencer a Lotário.
Em 833, a aliança entre unitários e regionalistas conseguiu afastar Luís, o Piedoso, que foi encerrado no mosteiro de Saint-Médard de Soissons. Contudo, as diferenças irreconciliáveis que separavam seus filhos, Luís e Pepino de Lotário, permitiram que Luís o Piedoso, retomasse o poder e levasse a cabo represálias contra o seu filho primogênito, que foi enviado à Itália.Miniatura de Luís o Piedoso, da obra De Laudibus Crucis, de Rabano Mauro (Museu Atger, Montpellier, França).
A morte de Luís, o Piedoso, fez deflagrar a guerra entre os seus filhos e a situação tornou-se insustentável. Numa última tentativa de restabelecer a autoridade carolíngia sobre a cada vez mais independente nobreza local, os três irmãos reuniram-se em Verdun (843) e elaboraram um acordo que legalizava a divisão do império criado pelo avô, Carlos Magno. Lotário, reconhecido imperador, conservou o reino da Itália e adquiriu uma extensa faixa de terra que, de norte a sul (do mar do Norte ao Mediterrâneo), incluía os vales dos rios Ródano e Reno. Carlos, o Calvo(823-877), fruto do segundo matrimônio de Luís, o Piedoso, ficou com os territórios a oeste da linha formada pelos vales dos rios Escalda, Mosa, Saona e Ródano (Francia occidentalis), incluindo as terras a sul dos Pireneus, e Luís, o Germânico, teve o seu domínio reconhecido sobre as terras a leste (Francia orientalis), que comprendiam a Saxônia, a Francônia, os territórios alemães, a Bavária, a Caríntia e a Ístria.
O Império depois do Tratado de Verdun
As ambições e os receios dos filhos de Luís, o Piedoso, continuaram e, depois da morte de Lotário, os seus irmãos dividiram a Lotaríngia (Tratado de Meerssen, 870) em detrimento dos direitos de Luís II, filho de Lotário e novo imperador, que conseguiu ficar com a Itália e uma parte da Borgonha. A morte de Luís II (875) foi aproveitada pelo tio, Carlos, o Calvo, que se coroou imperador e incorporou aos seus domínios os Estados do sobrinho. A estes conflitos territoriais acrescentaram-se dois graves problemas que só agravaram a crise do Império. No exterior, normandos, húngaros (ou magiares) e muçulmanos empreendiam duras campanhas contra as terras dos francos, penetrando até o próprio coração dos domínios carolíngios. No interior, os condes, que, com o pretexto da preparação de uma campanha na Itália, conseguiram arrancar de Carlos, o Calvo, o reconhecimento do caráter hereditário de seus títulos e dos bens que lhes estavam associados (Acordo de Quierzy, 877), negavam-se a aceitar que os grandes feudos voltassem a ser da jurisdição imperial.
A última tentativa de restauração do império criado por Carlos Magno teria lugar em 881, depois da nomeação de Carlos III, o Gordo (839-888), filho de Luís, o Germânico, para imperador. Defendido apenas dentro dos círculos eclesiásticos, o projeto revelou-se impossível de realizar. Os grupos da nobreza, especialmente os senhores feudais, aproveitaram a doença mental que enfraquecia o imperador e, em 887, depuseram-no na Assembleia de Tribur. O império ficava assim definitivamente dividido.
O renascer da arte
O termo renovatio, ou seja, "novo nascimento", ja foi utilizado para definir a situação cultural do reinado de Carlos Magno: um renascimento restaurador da cultura greco-romana, sobretudo romana, mas com um profundo sentido religioso, que permitiu recuperar os conteúdos clássicos a partir de uma perspectiva cristã.
Principais monumentos e centros de arte carolíngia.
No renascimento carolíngio distinguem-se dois períodos. No primeiro, marcadamente religioso, o monarca era o responsável pelo bem-estar dos seus súditos e por cuidar da sua salvação. Foram construídos grandes centros monásticos, a maioria sob o mecenato de Carlos Magno, que impôs a liturgia romana.
Carlos Magno impulsionou também a Escola Palatina de Aquisgrano, onde reuniu os homens mais sábios da época, procedentes de distintos lugares do Império. Surgiu assim uma importante renovação escolar. Criou-se o Admonitio generalis, que continha o programa que todas as escolas deviam seguir: o trabalho de leitura do saltério; o canto, imprescindível para a liturgia; a aritmética, fundamental para a administração e o cálculo da Páscoa; e a gramática, estudo da língua latina. Os textos clássicos eram copiados nos scriptoria em letra carolíngia.
O segundo período do renascimento carolíngio corresponde ao reinado de Carlos, o Calvo. Se no primeiro renascimento prevaleceu a cultura religiosa, no segundo predominou o interesse pelos grandes prosadores e pelos poetas clássicos, assim como pela dialética, marcada nas disciplinas do trivium. Nos scriptoria realizou-se um intenso trabalho de reprodução de textos dos quais se conservam mais de oito mil manuscritos.
A arquitetura carolíngia
Da arquitetura carolíngia conservam-se, sobretudo, edifícios religiosos, claramente influenciados pelas técnicas e modelos construtivos romanos, como é visível nas absides e nos transeptos. Contudo, também apresentam inovações destinadas a satisfazer as funções litúrgicas ou que obedeceram a considerações práticas. Nos templos era utilizada a planta basilical justaposta por estruturas torreadas ao estilo das fortificações. Nas capelas palatinas, como a de Aquisgrano, ou nas destinadas a mausoléu, como São Miguel de Fulda, foi utilizado o esquema da planta central.
A arquitetura carolíngia adaptou-se às necessidades do momento. A chegada de grande número de relíquias de todas as partes do Império obrigou à construção de criptas nos templos e de espaços para acolher os fiéis que vinham admirá-las. Para tal, criou-se um tipo de cripta de planta circular, com uma câmara central ou confesio, onde se colocava o sarcófago das relíquias, rodeada por um deambulatório. Em alguns casos, o grande número de sarcófagos deu lugar a grandes criptas, com várias câmaras interligadas por corredores, como no caso da Basílica de Steinbach (Alemanha).
A Capela Palatina de Aquisgrano
Depois de abandonar a sua residência oficial de Heristal, Carlos Magno decidiu construir em Aquisgrano um novo palácio no qual houvesse uma capela. O projeto foi proposto pelo próprio monarca e as obras ficaram a cargo de Eudes de Metz. Iniciada em 790, a capela foi consagrada em 805 pelo próprio papa Leão III.
O palácio articulava-se ao redor de dois eixos principais, seguindo o traçado urbanístico das cidades romanas. A Aula Regia encontrava-se na zona setentrional, e a Capela Palatina, na meridional. As demais dependências estavam distribuídas pelas zonas oriental e ocidental.
Um monumental átrio retangular, no extremo ocidental, rodeado de pórticos e com uma entrada sobreposta por um arco do triunfo com portas de bronze, serve de acesso à capela de planta central octogonal com uma cúpula sobre um tambor. Esta planta central está rodeada por um deambulatório coberto com abóbadas de aresta, que geram um hexadecágono no exterior. No extremo oriental encontra-se o presbitério, de planta quadrangular. À direita e à esquerda do presbitério existiam dois templos geminados, hoje desaparecidos. Por cima do deambulatório do piso inferior encontra-se outro nível, também circular, lugar da tribuna e do trono real. Este piso abre-se para o espaço central através de arcadas duplas, cada uma delas com um par de colunas e arcos de meio ponto.
São claras as influências dos templos bizantinos, como o de São Vital em Ravenna e o de Santa Sofia em Istambul. Da arquitetura bizantina procede também a ideia da planta central poligonal e a elevação em pisos. Por outro lado, não foram utilizadas elementos de construção próprios da arquitetura bizantina, como a cúpula, e seguiram-se as técnicas da tradição romana: abóbadas de ogiva e de aresta. A Capela Palatina serviu de exemplo para outras edificações carolíngias, como Saint-Germain-des-Prés e a igreja de Ottmarsheim, ambas na França.
A arquitetura monástica
Durante os reinados de Carlos Magno e de Luís, o Piedoso, foram construídos muitos mosteiros, sobretudo da ordem beneditina. Conhece-se a sua disposição graças às plantas do mosteiro de Saint-Gall (Suíça), realizado sob os auspícios de Eginardo (770-840), discípulo de Alcuíno na Escola Palatina. A planta foi elaborada em 820 de acordo com um esquema modular, próprio de uma planta pensada para um terreno retangular. As diferentes dependências distribuíam-se sobre um eixo de leste para oeste. O edifício mais significativo é a igreja, de planta basilical com três naves divididas em doze compartimentos e absides contrapostas. Na entrada ocidental encontram-se as dependências secundárias: a hospedaria, os quartos para os criados, as quadras e os estábulos. A atividade dos monges desenvolvia-se ao redor do claustro e da igreja abacial, onde se encontram as principais dependências: o hospital, o parlatório, o refeitório, a biblioteca, os scriptoria etc. Estas dependências estavam separadas das secundárias por duas torres de planta circular, ligadas pela abside ocidental e inspiradas nas torres do nártex da igreja de São Vital de Ravenna.
A influência da arquitetura nórdica também é perceptível em algumas construções carolíngias. Na última década do séc. VIII, com a ajuda econômica do próprio Carlos Magno, foi construído o Mosteiro de Centula (atual Saint-Riquier), cuja igreja tem uma planta basilical com três naves, duas torres axiais, um modelo inspirado na Igreja de Saint-Martin, em Tours, e dois transeptos nos extremos oriental e ocidental. Nos respectivos cruzeiros foi elevada uma torre escalonada com tambor e rematada com um capitel.
Uma das inovações mais notáveis da arquitetura carolíngia foi a criação da fachada-pórtico monumental, cujo exemplo mais representativo era a entrada ocidental da desaparecida Abadia de Lorsch (Hesse, Alemanha).
As artes plásticas e aplicadas
O desenvolvimento do culto das relíquias originou uma produção em grande escala de urnas, relicários e estátuas-relicário, que deu um grande impulso às oficinas de ourivesaria. Durante este período, também se trabalhou o marfim e o vidro. A pintura mural e os mosaicos passaram por um renascimento, ainda que atualmente existam muito poucos exemplares representativos deste tipo de arte.
Datam desta época os livros de oração e manuscritos com textos bíblicos ricamente ilustrados e também delicados objetos esculpidos em metal e marfim, muitas vezes destinados às capas dos livros e aos missais. Ainda hoje podemos apreciar alguns exemplos da arte desta época, em manuscritos com iluminuras, como é o caso do Evangeliário de Carlos Magno, em trabalhos escultóricos de pequenas dimensões e em muitos objetos de metal, extremamente trabalhados.

Subir