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Vegetais

Um termo sem significado sistemático
Utiliza-se a palavra vegetal para designar seres vivos fixos pluricelulares, em geral autotróficos, pois produzem o seu próprio alimento, e fotossintéticos. Incluem-se nesse grupo algas,e líquens. A origem dessa denominação é encontrada nos primeiros sistemas de classificação, propostos pelo naturalista sueco Carlos Lineu no séc. XVIII, que agrupavam os seres vivos em dois reinos: o reino animal e o vegetal (Lineu considerava os fungos como vegetais). Em meados do séc. XIX, Ernst Haeckel propôs o nome protistas para englobar os seres vivos unicelulares.
Em 1969, Robert Whittaker propôs que os seres vivos fossem divididos em cinco reinos: monera, protistas, fungos, plantas e animais. Os organismos até então estudados como vegetais foram divididos em três reinos: protistas, fungos e plantas.
Atualmente, o conceito vegetal não tem nenhum significado sistemático. Ainda assim, continua a ser utilizado para descrever um grande grupo de organismos que apresentam características de estrutura, organização e reprodução comuns.
Características gerais dos vegetais
Os vegetais encontram as substâncias necessárias para a sua nutrição no meio em que vivem. Esta característica fundamental permite a obtenção de alimento sem a necessidade de locomoção e determina a sua forma de crescimento. Reproduzem-se tanto de forma sexuada como assexuada. A capacidade de desenvolver novos indivíduos a partir de fragmentos pluricelulares, ou seja, por meio de multiplicação vegetativa, é também muito comum.
As substâncias nutritivas sempre ao alcance das células
As algas e as plantas são organismos autotróficos fotossintéticos. A fotossíntese é um processo intracelular que consiste na sintetização de açúcares simples (glicose) a partir de água, dióxido de carbono e sais minerais, utilizando como fonte de energia a luz do Sol captada pelas moléculas de clorofila. Todas as matérias-primas que esses organismos necessitam encontram-se no meio em que vivem, dissolvidas no ar ou na água. Os vegetais não precisam, portanto, de complicados sistemas de órgãos como os que são desenvolvidos pelos animais para capturar e digerir os alimentos, como boca, sistema digestório e sistema locomotor. Também não precisam de órgãos específicos para a respiração e a excreção.
Corpos vegetativos ramificados de crescimento contínuo
Os vegetais com maior nível de complexidade precisam, assim como os animais, de grandes superfícies para realizar os processos metabólicos. No entanto, diversamente do que ocorre com os animais, a locomoção não é um fator limitante da forma e do tamanho do organismo. Assim, os vegetais adotaram a estratégia de adquirir uma grande superfície, conseguindo que a maioria das células vegetais tenha acesso direto ao meio externo e realizem individualmente as trocas de substâncias com o exterior (dióxido de carbono, oxigênio e água, entre outros compostos). De fato, os vegetais se comportam como sistemas abertos, de diferentes formas e muito maleáveis, que não param nunca de crescer.
A arquitetura das algas
Algumas algas verdes têm uma estrutura de caule relativamente simples, que pode consistir apenas em um filamento de células (como no gênero Spyrogira) ou em uma lâmina de células de espessura variável (gênero Ulva).
As rodoficeas têm corpos formados por sistemas de filamentos densos e muito ramificados, por vezes unidos entre si. O corpo consiste em um caule muito organizado, mas de escassa especialização celular. Por outro lado, nas feofíceas mais complexas existem verdadeiros tecidos, na linha de organização das plantas superiores.
O crescimento contínuo do caule das algas depende de células apicais com capacidade de divisão, enquanto as ramificações se originam em consequência de mudanças de direção do plano de divisão destas células apicais.
A arquitetura das plantas vasculares
As plantas vasculares têm estrutura de cormo. Apresentam raízes, que fixam a planta ao solo e absorvem água e substâncias minerais, e um caule ou tronco, que sustenta as folhas e as flores. Além disso, têm diversos sistemas que transportam água, minerais, açúcares e outros nutrientes para diferentes partes da planta.
O cormo inclui tecidos adultos especializados em diferentes funções e meristemas. Os meristemas são formados por células embrionárias que conservam a capacidade permanente de diferenciação e são responsáveis pelo contínuo crescimento das plantas, tanto em comprimento (crescimento primário) como em espessura (crescimento secundário).
O crescimento dos vegetais não tem ritmo uniforme e alterna etapas de repouso com etapas de atividade. Os trânsitos de uma etapa para outra dependem de fatores internos (ou autônomos) e externos (ou induzidos). As árvores caducifólias (que perdem suas folhas em uma certa época do ano) ajustam o seu ritmo de crescimento a um conjunto de fatores externos, como a temperatura e a umidade, que o clima determina. As angiospermas florescem ao se ajustarem a um destes três tipos gerais: plantas neutras, plantas de dias curtos e plantas de dias longos. As plantas neutras florescem independentemente da duração do dia, as de dias curtos florescem ao começar a primavera ou o outono, enquanto as plantas de dias longos florescem principalmente durante o verão.
Respostas dos vegetais e regulação do crescimento
Os vegetais são sensíveis tanto a variações, mesmo que muito pequenas, de suas características internas assim como as ambientais e, como os demais seres vivos, são capazes de explorá-las para benefício próprio. Essas variações atuam como estímulos que determinam as respostas dos indivíduos e acarretam mudanças nos padrões de crescimento. Muitas vezes, as respostas dos vegetais são lentas, o que não significa que sejam menos eficazes do que as dos animais. Por outro lado, as plantas são capazes de antecipar-se e adaptar-se a algumas mudanças ambientais.
Os organismos que se deslocam (bactérias, protozoários, algas unicelulares e animais) são capazes de alterar a sua relação com o meio de forma rápida e visível. Nos vegetais, os padrões de crescimento cumprem algumas das funções de locomoção. Alguns mostram movimentos específicos com todas as características dos fenômenos típicos de irritabilidade, mas outros, como os movimentos balísticos de muitos frutos ou os movimentos higroscópicos, não podem ser incluídos nesse grupo.
Em algumas espécies, o mais ligeiro movimento de um fruto maduro provoca a sua deiscência explosiva, projetando as sementes a distâncias consideráveis. Nesses casos, o movimento (provocado por diferenças de turgidez em um lado do fruto) não é considerado como consequência de um estímulo, mas sim como um processo natural de desenvolvimento e maturação.
Entre os movimentos induzidos pelas características ambientais podem-se diferenciar vários tipos: os tropismos ou movimentos de crescimento aproximam-se do estímulo (tropismo positivo) ou afastam-se dele (tropismo negativo). Por exemplo, pequenas diferenças de intensidade luminosa mudam as trajetórias helicoidais dos brotos tenros para a luz (fototropismo positivo) e das raízes primárias das plantas contra a luz (fototropismo negativo). No limbo das folhas, o feixe fica exposto à luz e o verso a evita (fototropismo transversal).
Os movimentos de crescimento e variação, chamados nastias, também são provocados por estímulos externos, mas, nesse caso, são independentes da direção do estímulo, ou seja, não são orientados. Podemos ver exemplos de nastias nos feijões (gênero Phaseolus), que fecham as folhas durante a noite e abrem de dia (nictinastia), e na dormideira (Mimosa pudica), que recolhe as suas folhas quando é tocada (sismonastia).
Os movimentos autônomos ocorrem em plantas volúveis ou trepadeiras, como a madressilva (gênero Lonicera), que se agarra em torno de um suporte.
Ao contrário do que acontece no reino animal, a motilidade vegetal baseia-se em variações reversíveis da turgidez ou em diferenças de crescimento nos vários lados de um órgão.
A reprodução dos vegetais
Em conjunto, distinguem-se três tipos de reprodução: a multiplicação vegetativa, a multiplicação assexuada por meio de esporos e a reprodução sexuada com união de gametas.
Nos vegetais de todos os grupos e em todos os níveis de complexidade podem ser encontrados os três tipos de reprodução.
Multiplicação vegetativa
A multiplicação vegetativa é um tipo de reprodução que origina uma descendência idêntica à planta-mãe e por meio da qual são obtidas plantas geneticamente idênticas. De qualquer forma, os métodos que os vegetais utilizam para se multiplicar são muito variados.
Algas como a Spirogyra sp. (clorofícea de organização simples) e a Fucus sp. (feofícea de organização complexa), ou ascoliquens como a Cladonia sp., além da maior parte dos fungos, multiplicam-se por fragmentação.
Outros vegetais, como as hepáticas (Marchantia sp.) ou diversas liliáceas, como o alho (Allium sativum), multiplicam-se vegetativamente mediante propágulos especiais.
Finalmente, nas plantas superiores é frequente a reprodução por galhos, ramos do vegetal que têm capacidade de formar um novo indivíduo.
Nas hepáticas, como na espécie Calypogeia fissa, é muito frequente a reprodução assexuada através de propágulos, grupos de células que se desprendem do indivíduo, se dispersam pela água ou pelo vento e geram um novo organismo.
Multiplicação assexuada por meio de esporos e reprodução sexuada
Muitos vegetais apresentam reprodução alternante, ou seja, a reprodução assexuada por esporos alterna com a reprodução sexuada.
Os esporos possuem características diferentes, dependendo do tipo de vegetal. Assim, algas e fungos podem conter núcleos haploides originados por meiose ou núcleos diploides derivados da anfimixia (encontro de gametas), enquanto, entre as plantas, os esporos são células haploides produzidas por meiose. Em qualquer caso, são formas de repouso e dispersão que proporcionam ao organismo produtor uma forma de superar condições ambientais adversas e colonizar novos territórios.
Algumas algas e as plantas superiores têm ciclos biológicos caracterizados por duas gerações adultas diferentes e sucessivas. Uma dessas fases é caracterizada por ter indivíduos (os gametófitos) que produzem gametas (n) por mitose. Estas células reprodutoras originam zigotos, durante a fusão (2n), que se desenvolvem e dão origem a novos adultos (os esporófitos). A geração de esporófitos por intermédio da meiose produz esporos (n), que se desenvolvem e dão origem a novos gametófitos, fechando assim o ciclo.
Nas plantas superiores, após a fecundação, o zigoto começa se dividir para formar o embrião ou esporófito jovem. O embrião e o gametófito feminino inchado e compactado com reservas de alimento armazenadas formam a semente. A semente é uma estrutura protetora que permite a dispersão e mantém a planta embrionária em estado latente até as condições ambientais serem favoráveis para o seu desenvolvimento.

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