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EV

Impérios ultramarinos

A expansão europeia
Até o séc. XV, o Atlântico tinha sido uma área que interessava apenas aos reinos peninsulares, mas, a partir das explorações Quinhentistas, revelados os grandes mercados e rotas marítimas, o resto da Europa quis igualmente ter o direito de compartilhar as terras reveladas por portugueses e espanhóis. A partir do séc. XVI, os recém-unificados estados europeus lançaram-se à conquista e à colonização de novos territórios, à procura de matérias-primas e mercados mais amplos.
As colônias foram utilizadas, pelos diversos impérios, como fontes de rendimento. Colonizadores europeus ensinam aos indígenas alguns sistemas de cultivo (1897).
O império português
A expansão portuguesa, iniciada no começo do séc. XV, estabelecida em duas vertentes, uma de domínio africano e outra de conquista dos mares, marcou essencialmente a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna e constituiu a base do Império que Portugal viria posteriormente a forjar. Os portugueses não só estabeleceram o seu domínio na África e na América, como também chegaram à Índia, à China e ao Japão.
A descoberta da América por Cristóvão Colombo deu origem ao Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, dividindo o mundo em duas áreas de exclusividade, uma portuguesa e outra espanhola. O Tratado de Tordesilhas reservava uma vasta parcela do Atlântico à Coroa portuguesa e confirmava também a posição de Portugal na sua rota para a Índia.
O Tratado de Tordesilhas, que implicava indiretamente a impossibilidade de os demais reinos europeus partilharem dessa divisão do mundo, teve as suas consequências logo no séc. XVI por meio de atividades como a pirataria, que, muitas vezes, ultrapassava a iniciativa individual e era apoiada pelos próprios soberanos europeus.
O monopólio português só se manteve durante os princípios do séc. XVI, já que em pouco tempo ingleses franceses e holandeses desestabilizaram essa supremacia com o assalto aos novos territórios e um apertado cerco às rotas comerciais.
Antuérpia, o coração econômico da Europa do séc. XVI
Durante grande parte do séc. XVI, Antuérpia foi o polo econômico da Europa. As especiarias asiáticas chegavam via Lisboa, depois de terem circum-navegado a costa da África, ou via Veneza por meio das rotas terrestres do Oriente Médio. Em todos os casos, as rotas comerciais confluíam em Antuérpia e dali eram redistribuídas pela Europa central e setentrional. A escolha de Antuérpia não só se deveu à sua excelente posição geográfica, mas também ao fato de ali convergirem também as diversas rotas da prata americana que chegava à Europa por Sevilha.
Amsterdam e as bases do império holandês
A posição de Antuérpia como ponto de ligação dos grandes circuitos comerciais foi relativamente breve. A revolta de Flandres contra a monarquia espanhola provocou pilhagem e bloqueios contra a cidade. Antuérpia mudou de mãos em várias ocasiões e foi atacada por tropas espanholas e por forças protestantes. Deixou de ser o centro de distribuição de ouro, prata e especiarias, convertendo-se em um dos principais cenários bélicos.
A sua posição privilegiada foi ocupada progressivamente por Amsterdam, cidade situada no centro das Províncias Unidas que tinha se sublevado contra a monarquia espanhola. Amsterdam monopolizava a redistribuição dos cereais bálticos para o resto da Europa. À medida que a população da Europa mediterrânea aumentava, também aumentava a necessidade de comprar cereais e tecidos. Os barcos holandeses levavam essas mercadorias ao Mediterrâneo e, em troca, obtinham prata, que continuava a chegar a Sevilha procedente da América. A prata permitiu, assim, que os holandeses penetrassem nos mercados asiáticos para comprar especiarias, reduzindo simultaneamente a posição de Antuérpia e de Lisboa. Desse modo, foram progressivamente destronando os portugueses das rotas mercantis.
Enquanto os holandeses substituíam os portugueses no controle das rotas oceânicas para a Ásia, os ingleses ocupavam o papel de Veneza no comércio mediterrâneo, graças a importantes acordos comerciais com a Turquia e à venda de tecidos ingleses leves no Mediterrâneo. Assim, no final do séc. XVI, o triângulo formado por Lisboa, Antuérpia e Amsterdam foi substituído por Amsterdam e, em menor escala, por Londres. Tinham-se estabelecido já os fundamentos dos novos impérios coloniais holandês e inglês.
O império holandês por volta do ano 1650. Construído durante os sécs. XVII e XVIII, o império surgiu da necessidade de encontrar novas vias comerciais que facilitassem o fornecimento de especiarias.
Holanda, Inglaterra e França
Em 1580, Filipe II tornou-se rei de Portugal. Assim, os dois maiores impérios da época ficaram sob o mando de um único monarca. O seu império incluía a América Central e do Sul, as Filipinas, as costas de Angola, as costas da África oriental, importantes postos na Índia e na Indonésia e o mar da China. Filipe II apoiava a política imperial alemã dos seus primos do ramo austríaco dos Habsburgos e intervinha intensamente na política interna francesa, favorecendo o partido católico. Filipe II foi o soberano mais poderoso do mundo, mas também quem teve o maior número de inimigos, entre os quais se destacaram o Império Turco, a Holanda e a Inglaterra. A anexação de Portugal à monarquia espanhola converteu as colônias portuguesas no principal objetivo da Holanda. Os holandeses expulsaram os portugueses da maioria dos seus territórios na Ásia, tomaram momentaneamente Angola e ocuparam o Nordeste do Brasil. Os ingleses juntaram-se imediatamente à guerra oceânica contra a monarquia espanhola. A França se juntaria algumas décadas mais tarde à Holanda e à Inglaterra.
Holandeses, ingleses e franceses partilharam os territórios que ainda não tinham sido ocupados pelos espanhóis (especialmente a América do Norte e algumas posições nas costas africanas) e as áreas de influência portuguesa na Ásia. Os holandeses fundaram Nova Amsterdam no lugar onde atualmente existe a cidade de Nova Iorque, conquistaram importantes posições no Nordeste do Brasil e ocuparam a colônia da Cidade do Cabo na África do Sul e a ilha de Ceilão (atual Sri Lanka) e da Sonda (Indonésia) na Ásia. Os ingleses fixaram-se na costa leste da América do Norte desde a Flórida espanhola até a Terranova (com a exceção de Nova Amsterdam, holandesa, e do vale do rio São Lourenço, uma possessão francesa). Além disso, iniciaram a penetração na Índia, com a conquista de Calcutá (atual Kolkata) e Madras. Por seu lado, os franceses ocuparam o vale do rio São Lourenço e a Acádia, na América do Norte. Na África, tomaram a foz do rio Senegal dos portugueses e apoderaram-se de Madagascar. Na Ásia, tentaram penetrar na Índia e tomaram Pondicherry e Chandernagor.
A luta pela hegemonia mundial
Em meados do séc. XVII, aproveitando a decadência dos impérios coloniais ibéricos, a Holanda, a Inglaterra e a França disputaram a hegemonia mundial. Durante a segunda metade do séc. XVII, houve três guerras anglo-holandesas, cujas principais consequências foram a expulsão da Holanda da América do Norte, em benefício da Inglaterra, e a ocupação holandesa de diversos territórios no Caribe conquistados dos ingleses (Suriname) e da monarquia espanhola (ilhas de Curaçao, Aruba e Bonaire). Por outro lado, a Holanda perdeu as suas possessões no Nordeste do Brasil e em Angola, que voltaram a ficar sob controle português. No entanto, melhoraram as suas posições asiáticas em detrimento de Portugal. Contudo, as relações anglo-holandesas não foram sempre bélicas: em diversas ocasiões aliaram-se contra a França, como na Guerra da Holanda (1672-1679) e na Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1715).
As reiteradas alianças contra a França conseguiram frear o avanço francês na Europa e consolidaram as posições coloniais da Inglaterra na América do Norte. Com o Tratado de Utrecht (1713), a França renunciou às suas possíveis aspirações sobre a baía de Hudson e Terranova e entregou a Acádia (rebatizada com o nome de Nova Escócia) à Inglaterra. A partir dessa época, iniciou-se a construção de uma linha de fortes ao longo do curso dos rios São Lourenço, Ohio e Mississippi. Uma das chaves dessa nova estratégia francesa foi a fundação de Nova Orléans, que permitia controlar todas as atividades comerciais e militares realizadas na imensa rede fluvial formada pelo Mississippi e os seus grandes afluentes, como o Ohio. O objetivo final desse conjunto de operações era bloquear o avanço dos colonos anglófonos nos montes Apalaches. Durante as quatro décadas seguintes, o principal ponto de disputa entre a França e o Reino Unido foi o controle do vale do rio Ohio. Para os franceses, era um ponto estratégico na rota que unia as colônias de Québec (vale do rio São Lourenço) e Louisiana (foz do Mississippi). Para os britânicos e colonos do norte da América, era fundamental para criar uma rota terrestre com o Canadá britânico e romper o cerco continental que os franceses tentavam impor. Tratava-se de duas estratégias incompatíveis, destinadas ao confronto. Os incidentes de Ohio (1754) foram o prelúdio da Guerra dos Sete Anos (1756-1763).
A partir de 1757, a frota britânica bloqueou os portos franceses. A França não pôde manter os seus esforços militares ultra-oceânicos e o Reino Unido foi avançando nos territórios da Índia, da África, do Caribe e da América do Norte. O conflito finalizou com a expulsão francesa da Índia e da América do Norte, convertendo-se o Reino Unido em uma potência colonial hegemônica, apesar da perda das 13 colônias americanas que formaram o núcleo dos EUA.
O auge do colonialismo europeu no séc. XIX
No âmbito colonial, o séc. XIX iniciou-se com o impacto das guerras napoleônicas na Europa. A hegemonia britânica nos oceanos e a ocupação francesa da Holanda, Espanha e Portugal tiveram consequências decisivas para estas três últimas potências. Os britânicos tomaram a colônia da Cidade do Cabo na África do Sul e a ilha de Ceilão (no Sul da Índia) dos holandeses, que, a partir de então, conservaram apenas a Indonésia e o seu pequeno império do Caribe (Suriname, Curaçao, Aruba e Bonaire). Os britânicos apoiaram a luta pela independência das colônias espanholas e portuguesas na América. Portugal perdeu o Brasil, mas conservou alguns territórios na África e na Ásia. Por volta de 1820, a Espanha perdeu todo o seu império, com exceção de Cuba, Porto Rico e Filipinas, três colônias que perderia em 1898, ao ser derrotada pelos EUA.
A França construiu um novo império nas áreas geográficas marginais que não interessavam aos britânicos: noroeste da África (da Argélia ao Gabão e do Senegal até a região do lago Tchad), Madagascar e a Indochina (Vietnã, Laos e Camboja). O Reino Unido, nessa altura, dispunha do maior império colonial de toda a história, que incluía o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, a Índia e grande parte da África, formando, dessa maneira, um território que abrangia desde Alexandria (Egito) até a Cidade do Cabo (África do Sul).
A conferência de Berlim e a I Guerra Mundial
Nos finais do séc. XIX, as principais potências marítimas europeias partilharam a maior parte da Ásia, África e Oceania. Ficavam por definir as fronteiras coloniais no interior do continente africano. Para resolver essa questão, as potências reuniram-se em Berlim, em 1884, e, assim, redesenharam o mapa das possessões coloniais europeias. A França e o Reino Unido obtiveram o reconhecimento das suas possessões. Os demais países tiveram que se conformar com os territórios restantes. Assim, a Alemanha obteve algumas colônias marginais e muito dispersas entre si: Togo e Camarão, no golfo da Guiné, e Tanzânia, na África oriental, enquanto a Bélgica ficou com a maior parte da bacia do rio Congo. Portugal consolidou o domínio dos territórios de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
Contudo, existia um elemento potencial de conflito entre a França e o Reino Unido: o controle do Sudão, no vale do Nilo. Os franceses queriam anexá-lo ao seu vasto império no Norte da África para estabelecer um território contínuo do Atlântico ao mar Vermelho, no intuito de isolar o Egito britânico das posses do Reino Unido no centro do continente (Quênia e Uganda). Os britânicos queriam anexar o Sudão ao seu império e manter afastados os franceses do mar Vermelho, que, com a construção do canal de Suez, tinha se convertido na rota principal entre o Reino Unido e a Índia. Durante alguns anos, a tensão franco-britânica foi aumentando, mas acabaram por chegar a um acordo: o Sudão ficaria sob o controle do Reino Unido e, em troca, a França ficaria com o Marrocos. Essa resolução, que deixou isolada a Alemanha, contribuiu para o confronto da I Guerra Mundial.
Da mesma época data a questão do Mapa Cor-de-Rosa, entre portugueses e britânicos. Portugal aspirava à união das colônias de Angola (na costa atlântica) e Moçambique (no Índico), mas foi obrigado a desistir, pois os britânicos não estavam dispostos a prescindir do "corredor" que ligava o Norte da África à África do Sul.
O Império britânico na véspera da descolonização. Após a instauração em 1931 da Comunidade Britânica de Nações, o Império foi substituído por uma associação de cooperação mútua entre a metrópole e as antigas colônias.
A Indonésia, núcleo do império holandês
Desde finais do séc. XVI, os holandeses tinham começado a intervir na Indonésia, concorrendo com os comerciantes espanhóis e portugueses (Portugal e Espanha estavam unidos sob um mesmo soberano, Filipe II, em guerra com a Holanda, na Guerra dos Oitenta Anos – 1568-1648). Em 1602, vários grupos comerciais holandeses fundaram a Companhia Geral das Índias Orientais, que detinha o monopólio do comércio holandês no arquipélago indonésio e o poder de colonizá-lo. Durante os sécs. XVII e XVIII, os holandeses estabeleceram plantações de açúcar e café e, nos finais do séc. XIX, exploraram a borracha, sementes oleaginosas e estanho.
A África do Sul, entre a Holanda e o Reino Unido
Como no Caribe, a presença holandesa na África do Sul iniciou-se em meados do séc. XVII. Os holandeses fixaram-se na Cidade do Cabo em 1652, encabeçados por Jan van Riebeeck. Tratava-se de um ponto estratégico para o controle das rotas marítimas, já que unia os oceanos Atlântico e Índico. Os portugueses tinham renunciado ao controle da zona, devido à hostilidade dos seus habitantes, os khoikhoin. Em 1688 havia cerca de 600 colonos holandeses dedicados à agricultura e à agropecuária, que forneciam seus produtos aos barcos da rota entre a Holanda e a Indonésia. Trabalhavam para a Companhia Holandesa das Índias Orientais e não podiam exercer o comércio de forma autônoma. No entanto, com o decorrer do tempo, fixaram-se novos colonos que agiram com plena liberdade e que ampliaram progressivamente a extensão da colônia até a costa das populações locais.
Entre 1770 e 1840, os colonos, denominados bôers, sustentaram sete grandes guerras contra as tribos africanas. Contudo, em 1806, aproveitando o fato de as tropas napoleônicas ocuparem a Holanda, os britânicos apoderaram-se da Cidade do Cabo e, posteriormente, proibiram o tráfico de escravos. Essa medida atentava contra os interesses econômicos dos bôers, o que provocou um prolongado conflito. Em 1834, cerca de 14.000 bôers abandonaram a colônia da Cidade do Cabo, fixando-se em Orange e no Transvaal, em um êxodo conhecido como great trek. Ali continuaram as suas práticas escravagistas e proclamaram a sua independência do Império Britânico (estatutos do Transvaal em 1852 e de Orange em 1854). O Reino Unido aceitou a situação porque se beneficiava do tráfico comercial dos bôers através dos portos britânicos.
A coexistência pacífica acabou devido à disputa pelo controle das jazidas de ouro e diamantes descobertas no Transvaal em 1867. O Reino Unido ofereceu aos dois estados bôers a possibilidade de se juntarem ao Império Britânico, mas estes não estavam dispostos a partilhar as novas riquezas dos seus territórios. Desse modo, em 1899 iniciou-se uma nova guerra. Algumas dezenas de milhares de bôers morreram e outros tantos foram presos em campos de concentração. Finalmente, tiveram que se render e aceitar a anexação dos seus estados livres ao Império Britânico.
A Índia, joia do império britânico
Durante o séc. XVI, a Companhia das Índias Orientais inglesa penetrou no subcontinente indiano em concorrência com portugueses, holandeses e franceses. A companhia inglesa dispunha de um exército privado e contava com o apoio do Governo de Londres. Após a derrota sofrida nas rotas do oceano Índico, os portugueses limitaram-se a manter uma rarefeita presença na Índia, reduzida a Goa, Daman e Diu, enquanto os holandeses, preocupados principalmente com o controle das rotas marítimas, dominavam a estratégica ilha do Ceilão. Portanto, a luta pela hegemonia sobre a Índia foi travada por franceses e britânicos, até o triunfo destes últimos na Guerra dos Sete Anos (1756-1763).
A partir de 1798, as tropas da Companhia e os seus aliados locais (sob o comando de um irmão do duque de Wellington) empreenderam várias campanhas militares contra outros estados indianos, para ampliar a área sob controle britânico. Em 1820, os britânicos e os seus aliados indianos (cujos estados tinham uma certa autonomia) controlavam quase toda a Índia. Os aliados mais poderosos dos britânicos foram as tropas da religião sikh de Ranjit Singh, que dominavam as regiões de Punjab, Cachemir e Peshawar. No entanto, entre 1857 e 1858, ocorreu a rebelião dos sipais, iniciada nos quartéis e se estendeu rapidamente a outros setores sociais. Hindus e muçulmanos uniram-se contra os britânicos e chegaram a sonhar com a restauração do antigo Grande Mongol, que tinha existido antes da chegada dos europeus.
Diante da evidência de que a Companhia das Índias Orientais era incapaz de controlar a situação, o Governo britânico enviou tropas regulares que sufocaram drasticamente a rebelião e a Índia passou a ser administrada diretamente por Londres. A partir desse momento, os britânicos utilizaram em benefício próprio as diferenças étnicas, sociais, religiosas e culturais que existiam no país, jogando uns setores contra os outros e recrutando soldados gurkas, muçulmanos ou sikhs para controlar o território.
No âmbito econômico, os britânicos forçaram os indianos a cultivar ópio, que seria, depois, vendido na China em troca de prata, que era transportada para o Reino Unido. As tradicionais manufaturas têxteis indianas foram destruídas para obrigar os indianos a consumir produtos da indústria têxtil britânica. As melhores terras agrícolas foram dedicadas a plantações de produtos destinados à exportação, como o chá.
A Austrália, um continente para o Reino Unido
A colonização da Austrália só começou depois das viagens do britânico James Cook, na segunda metade do séc. XVIII. Em 1788, os primeiros britânicos estabeleceram uma colônia penitenciária em Botany Bay. O território australiano parecia oferecer poucas riquezas naturais, razão pela qual o Governo britânico apenas pensou na possibilidade de usá-lo como prisão para os presos comuns (ladrões e desertores) e dissidentes políticos (nacionalistas irlandeses católicos) expulsos do Reino Unido e obrigados a trabalhar para grandes proprietários britânicos instalados nas terras australianas. Os colonos ocuparam primeiro as terras mais férteis, povoadas por aborígines. A resistência destes foi inútil e, progressivamente, foram exterminados ou escravizados, primeiro nas regiões costeiras e, finalmente, no interior do continente.
No aspecto político, o envio dos partidários da independência irlandeses mais ativos para a Austrália constituía uma das medidas do Governo britânico para enfrentar o movimento nacionalista irlandês. No âmbito estratégico, o continente australiano reforçou o controle britânico sobre as grandes rotas oceânicas e economicamente tornou-se um importante fornecedor de produtos agrícolas (cereais) e agropecuários (lã), destinados aos operários e aos teares britânicos. Na segunda metade do séc. XIX foram encontradas importantes jazidas de ouro que foram rapidamente exploradas.
A Argélia, orgulho do império francês
Em 1830, 36.000 soldados franceses desembarcaram na Argélia para vingar uma suposta ameaça sofrida pelo embaixador francês, mas a resistência argelina foi tão intensa e prolongada que, uma década depois, a França teve de mobilizar mais de 100.000 soldados para controlar de forma definitiva o país. Em 1873, os franceses expropriaram as terras dos argelinos e as entregaram aos colonos franceses, apelidados pieds noirs. No fim do séc. XIX, havia quase 500.000 franceses na Argélia e, após a II Guerra Mundial, cerca de 1.000.000. Os pieds noirs possuíam as terras mais férteis e controlavam as atividades comerciais de todo o país. A França considerava a Argélia como uma parte do seu próprio território nacional, mas submetia os argelinos a uma situação precária. Em 1945, a celebração da derrota do nazismo transformou-se em uma rebelião popular argelina contra o domínio francês. A resposta francesa foi drástica e acabou com a morte de mais de 40.000 argelinos, prelúdio de um conflito extremamente violento que se prolongaria até a independência definitiva do país, no início da década de 1960.
O império francês na Ásia: a Indochina
Na década de 1860, os franceses iniciaram a conquista de uma vasta região do Sudeste Asiático, que atualmente abrange o Vietnã, o Laos e o Camboja. O Camboja tinha resistido às tentativas colonizadoras de portugueses, holandeses e britânicos. No entanto, a França adotou uma política muito mais ativa para evitar a sua exclusão da Ásia, onde o Reino Unido e a Holanda já dispunham de amplos impérios coloniais na Índia e na Indonésia, respectivamente. Dessa maneira, em 1863, o Camboja converteu-se em um protetorado francês, isto é, uma colônia com certa autonomia. Contudo, na região ocupada atualmente pelo Vietnã, os franceses encontraram uma resistência muito maior e demoraram cerca de 30 anos para dominar completamente o país, dividindo-o em três partes: Tonkin no Norte, Annam no Centro e Cochinchina no Sul. O Laos aceitou converter-se em protetorado francês em 1893.
Expansão da colonização francesa do Sudeste Asiático. Criada pelo governo francês em 1887, a União Indochina era formada por uma colônia, a Cochinchina, e quatro protetorados: Annam, Tonkin, Camboja e Laos.
As colônias portuguesas
O Império que os portugueses começaram a forjar no início do séc. XV desfragmentou-se com a passagem do tempo, sobretudo porque os interesses da monarquia portuguesa ao longo dos sécs. XV e XVI eram predominantemente econômicos e o domínio estabelecido em várias partes do globo terrestre tinha essencialmente como objetivo a criação de infraestruturas que apoiassem as rotas comerciais que a descoberta do caminho marítimo para a Índia tinha proporcionado.
Desse modo, após as várias possessões portuguesas terem sido sucessivamente tomadas por ingleses, franceses e holandeses, no início do séc. XX as colônias portuguesas reduziam-se a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, na África; Goa, Daman e Diu, na Índia; Macau, na China; e Timor-Leste, na Indonésia. Apesar de o Brasil ter se tornado independente em 1822, Portugal acabou por seguir a política imperial europeia de manter as suas colônias. Foi, consequentemente, o último império colonial a desfragmentar-se, em parte pela política nacionalista instaurada pelo Estado Novo português. Só com a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 e com a instauração da democracia a guerra colonial iniciada em 1961 chegou ao fim, conduzindo Portugal a conceder a independência aos seus territórios ultramarinos. Um estatuto diferente regeu Macau, que se manteve sob soberania portuguesa até dezembro de 1999, quando passou a ser governado pela República Popular da China com o estatuto de Região Administrativa Especial.

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