> Galería de Fotos (16 elementos)


16 Medias
   > Edupédia
   > Artigos relacionados
   > Na rede

EV

Tecnologia

O que é tecnologia?
Entende-se por tecnologia um conjunto de conhecimentos sistemáticos aplicados com um determinado propósito.
Segundo essa definição tão geral, a tecnologia implica o conhecimento das relações complexas entre os fenômenos físicos e a sua aplicação a um determinado fim, ou seja, um conhecimento com claras finalidades práticas, e não meramente especulativas.
A tecnologia pode ser considerada o campo do conhecimento que se aplica à resolução dos problemas de sobrevivência e desenvolvimento do ser humano, ou seja, à satisfação das necessidades materiais da humanidade. Desde a Idade da Pedra, a tecnologia foi transformando a natureza, ampliou os recursos humanos, facilitou o seu progresso e propiciou mudanças na sociedade, na cultura e no meio ambiente. Muitas vezes, essas mudanças tiveram e têm mais repercussões do que as que eram previstas inicialmente, como acontece com os efeitos no meio ambiente, e estão presentes na evolução das relações sociais, econômicas e políticas.
Técnica e ferramentas
A técnica é um fenômeno onipresente na história da humanidade. Desde a Pré-História até a atualidade, todas as formas de sociedade humana utilizaram, em maior ou menor grau, técnicas e ferramentas das mais variadas espécies.
De fato, os historiadores chegaram a caracterizar culturas ou sociedades inteiras a partir dos materiais utilizados na fabricação de utensílios.
A informática, a energia nuclear e a exploração espacial contribuíram com novas formas de pensar e renovadas estruturas sociais. O astronauta Edwin Aldrin, um dos tripulantes da Apolo 11, prestes a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969.
Apesar de ser muito comum a identificação entre tecnologia e artefatos ou instrumentos, as técnicas instrumentais constituem apenas um subgrupo das tecnologias. Denominam-se também técnicas duras, visto que muitos dos seus componentes são materiais. As chamadas técnicas brandas, pelo contrário, agrupam as atividades humanas sistemáticas cujo núcleo fundamental não é ocupado por artefatos ou instrumentos materiais. Embora qualquer técnica reúna elementos duros e brandos, pode-se afirmar que a linguagem, a escrita, a organização do trabalho, a domesticação de animais e a manipulação de alimentos, por exemplo, são técnicas eminentemente brandas, cujo papel na história da humanidade não pode ser classificado, em nenhum caso, como secundário.
A atividade em algumas grandes cidades é consequência direta dos avanços tecnológicos. A tecnologia, ao reunir os métodos da ciência e da engenharia, dá a sua contribuição para a criação de cidades densamente povoadas e de serviços.
Diversidade cultural e técnica
Existe uma tendência comum para identificar o objetivo da técnica ou a tecnologia com a satisfação das necessidades humanas. Embora isso seja assim, não se deve esquecer que as necessidades humanas são, em grande parte, cultural e socialmente determinadas. Além disso, e ainda aceitando a existência de certas necessidades humanas universais, resulta inegável que povos ou culturas diferentes procurem a satisfação delas de formas muito diversas e por meio de técnicas igualmente diferentes e, por vezes, incompatíveis entre si. A diversidade cultural e a diversidade técnica estão, portanto, associadas.
A natural inclinação para exaltar os avanços técnicos da civilização ocidental induz a esquecer o alto grau de desenvolvimento e sofisticação técnica atingido de forma independente por outras culturas.
Os engenheiros aplicam as leis da natureza para inventar aparelhos ou resolver problemas técnicos. Ciência e técnica se inter-relacionam e estreitam contatos. Estudo biomecânico de um pé mediante técnicas de ressonância magnética.
Ciência e técnica
O aparecimento da ciência na história é muito mais tardio que a emergência da técnica. Além disso, e ao contrário desta, a ciência constitui um fenômeno histórico de origem marcadamente ocidental.
Acredita-se que as primeiras teorias científicas foram elaboradas no mundo helenístico da época alexandrina, mas somente com a denominada Revolução Científica, no séc. XVII, a ciência adquiriu uma forma mais próxima da atual.
Foi então que se desenvolveram plenamente as ciências experimentais.
As complexas relações entre ciência e técnica
A mudança vivida pelas ciências experimentais no séc. XVII consistiu, basicamente, no êxito de uma nova estratégia de pesquisa.
A partir de então, o estudo da natureza passou a ser feito, em grande parte, mediante a manipulação e o controle de fenômenos produzidos por dispositivos técnicos artificiais. Nesse sentido, é possível mudar a relação tradicional entre ciência e técnica, afirmando que grande parte da produção científica pode ser interpretada como a tentativa de teorizar processos técnicos.
Como resultado da teorização de técnicas, em certas ocasiões é possível melhorar alguns dos seus componentes ou aumentar a eficácia dos processos envolvidos. Nesses casos, as técnicas resultantes podem ser denominadas tecnologias (embora esta designação não seja utilizada comumente e, de um modo geral, técnica e tecnologia são usadas indistintamente para fazer referência às mesmas atividades). Em qualquer caso, a técnica não pode ser considerada como um fenômeno secundário, subalterno, ou subordinado ao edifício da ciência.
Cada vez é mais difícil distinguir entre pesquisa científica básica, ou de ponta, e aplicada. Os laboratórios científicos utilizam cada vez mais artefatos e instrumentos técnicos de grande complexidade. Metodologicamente, também não é fácil encontrar muitos elementos específicos que distingam a prática científica da tecnológica.
Processos tecnológicos e tecnologia industrial
A tecnologia pode ser estudada a partir de dois pontos de vista: um, muito vasto, incide basicamente nos processos tecnológicos que se referem ao conjunto de ações destinadas à construção de um objeto, artefato ou produto, para satisfazer uma necessidade ou um desejo; o outro, centra-se nos processos tecnológicos específicos que se desenvolveram nas indústrias e têm como objetivo a transformação de matérias-primas ou materiais em produtos acabados ou semi-elaborados. O conjunto desses processos é chamado processo industrial, e o seu estudo recebe o nome de tecnologia industrial.
A transformação das matérias-primas em produtos finais exige o uso de energia. As fontes energéticas são várias, assim como os subprodutos e poluentes gerados. Central nuclear de Cruas-Meysse, nas margens do Ródano, ao sul de Lyon, França.
Fatores que intervêm nos processos tecnológicos
Todos os objetos e aparelhos são fruto da criação inventiva da humanidade e, portanto, não podem ser dissociados do ambiente em que foram criados. Um processo tecnológico qualquer que conduz a um resultado (criação de um objeto, de um processo ou, geralmente, de um produto) implica, em maior ou menor extensão, uma sequência de etapas como as seguintes: detecção da necessidade que deve ser satisfeita ou formulação do problema a ser resolvido, procura e sistematização de informação, invenção de soluções e planejamento da solução escolhida, construção material do produto, verificação do mesmo e avaliação dos seus efeitos na criação de novas necessidades ou na apresentação de novos problemas.
Existe uma série de fatores que intervêm no desenvolvimento de qualquer processo tecnológico. Há fatores do meio social e humano que influenciam e determinam a fabricação de um objeto. Os antecedentes históricos, com a sua evolução, marcam a fabricação de um objeto da mesma maneira que o marcam a moda em um determinado momento ou o valor pessoal que é atribuído àquele objeto.
Outros fatores que influenciam um processo são provenientes do meio tecnológico em que se desenvolve. Entre eles, incluem-se os materiais de fabricação dos objetos, o funcionamento, as técnicas de produção, a embalagem, o prazo de validade, a ergonomia etc.
Por outro lado, devem-se considerar fatores do meio econômico que intervêm nos citados processos, como os relacionados aos custos do produto ou processo, e os chamados custos agregados, como a moda, a exclusividade, o valor histórico e os valores artísticos e de desenho. Todos esses fatores geram um ciclo oferta-procura que é o que determinará o preço final de mercado de um produto ou serviço específico.
Finalmente, são fatores do meio natural aqueles que, embora dependendo de um modo ou outro do objeto ou da sua fabricação, afetam esse mesmo meio natural: toxicidade, presença de subprodutos, poluição ambiental do processo, dos resíduos ou do produto uma vez usado, e as possibilidades de reutilização ou reciclagem do objeto.
Fatores humanos e sociais influenciam na fabricação de um objeto. De fato, todos os aparelhos são produtos tecnológicos procedentes tanto da invenção humana como do contexto em que foram criados. Homologação de um satélite Minisat no Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA) na Espanha.
Recursos energéticos e materiais
Os processos tecnológicos industriais que transformam as matérias-primas em produtos finais requerem consumo de energia. A energia é obtida, em última instância, do meio natural. Particularmente, o petróleo, o carvão e a energia nuclear, diretamente ou para a obtenção de energia elétrica, converteram-se nos recursos energéticos mais importantes, já que são consumidos em ritmo cada vez maior pelos diversos países. O consumo energético, porém, gera problemas de poluição ambiental e é a própria tecnologia que deve encontrar métodos para reduzi-la.
Além disso, o consumo de matérias-primas requer, em alguns casos, um cuidadoso planejamento para que não se chegue ao esgotamento dos recursos disponíveis antes de se regenerarem (madeira, pesca, água etc.) e, de modo geral, para que sejam aproveitadas de modo correto e eficiente.
Tecnologia e sociedade
A ciência e a tecnologia constituem elementos básicos da sociedade contemporânea. O seu grande desenvolvimento na cultura moderna chegou a ser considerado como a característica mais relevante da época atual e a que melhor fundamentava a explicação dos aspectos mais emblemáticos ou relevantes da organização social contemporânea. Vivemos em uma cultura científico-tecnológica, contudo, o grande crescimento experimentado pelo conhecimento científico e técnico contrasta com a precariedade do conhecimento disponível sobre os complicados processos de interação entre a ciência, a tecnologia e as diferentes facetas da sociedade.
Os processos de inovação técnica interagem com as questões sociais ao terem implícitos requisitos econômicos, políticos e ideológicos, tornando-se o seu espelho. Exposição Universal de Paris de 1889 (Museu das Artes Decorativas, Paris, França).
A tecnologia como processo social
Os indivíduos que participam diretamente na elaboração de uma inovação tecnológica – engenheiros, técnicos, cientistas e empresários – são membros da sociedade e, como tal, estão abertos ao influxo de fatores sociais de ordem muito diversa. Além disso, as decisões envolvidas em qualquer processo de inovação técnica nunca são puramente técnicas ou científicas.
As considerações de ordem econômica, política e social estão frequentemente unidas aos argumentos técnicos que são utilizados para defender um aspecto específico em face de outras alternativas.
O desenvolvimento da tecnologia deve ser entendido como um processo social em que as opções escolhidas – as características consideradas mais adequadas – correspondem a um acúmulo heterogêneo de interesses, argumentos e necessidades. A forma do artefato final é o produto de uma série heterogênea de fatores técnicos, econômicos ou sociais.
Em alguns casos evidencia-se o caráter político de certas tecnologias, contradizendo a ideia de que a tecnologia é sempre neutra em relação aos valores políticos.
A tecnologia do séc. XX não produziu apenas máquinas novas. Ao revolucionar os sistemas de produção industrial, permitiu também a difusão de bens e máquinas, transformando-os em objetos à disposição de vastos setores sociais para bem da sociedade no seu conjunto. Os sistemas de produção tornaram-se mais rápidos, eficientes e seguros, e assim incrementou-se o status do trabalhador tanto dentro como fora da empresa, isto é, na sua inserção social.
A pesquisa espacial, a informática, as ciências da saúde etc., são inovações com uma aplicação prática na vida cotidiana. O Estado pode, assim, pôr à disposição de todos mecanismos capazes de melhorar as condições de vida dos cidadãos, o que se reflete, em geral, em uma melhoria do estado do bem-estar. Por outro lado, a tecnologia fez surgir também um maior número de conflitos, já que em nenhuma outra época da história da humanidade, como no séc. XX, a tecnologia exerceu tanta influência no êxito ou no fracasso dos conflitos militares.
No entanto, a tecnologia foi determinante nos desenvolvimentos tecnológicos que ofereceram grandes benefícios para a humanidade, como os que se destinam a salvar vidas. A maior parte dos medicamentos atuais não existia há um século. No séc. XX, a indústria farmacêutica sofreu uma grande transformação ao considerar que o conhecimento e a experiência de um bom herborista não são suficientes e que, para melhorar substancialmente a saúde humana, é necessário combinar o conhecimento científico de químicos, médicos, farmacêuticos e demais profissionais com os meios tecnológicos dos grandes laboratórios: microscópios eletrônicos, computadores e todo tipo de técnicas instrumentais que exigem sofisticados aparelhos.
Outro campo de grande desenvolvimento tecnológico que condicionou, na passagem do séc. XX para o séc. XXI, os hábitos sociais foi o das tecnologias da informação e da comunicação, em todos os aspectos da comunicação de massas e das comunicações individuais (Internet, sistemas de cabo ou de fibra óptica, redes digitais integradas, desenvolvimento da domótica, satélites de telecomunicações).
Os avanços conseguidos no campo das ciências da saúde contribuíram para construir uma sociedade mais saudável. A medicina atual baseia-se, sobretudo, na tecnologia. Radiografia dental em um consultório odontológico.
Efeitos sociais primários e secundários
Qualquer nova tecnologia transforma determinados aspectos da sociedade na qual se introduz. Com o passar do tempo, mesmo os indivíduos que não se convertem em usuários diretos da nova tecnologia podem ver transformada a sua vida cotidiana de forma substancial. Todas essas mudanças acabam também por afetar as estruturas (políticas, econômicas, culturais) mais estáveis de uma sociedade.
Os impactos sociais da tecnologia podem ser classificados em primários e secundários.
Os impactos primários são os que têm a ver com a sua função prática imediata. Correspondem, geralmente, aos objetivos explícitos e intencionados dos inventores ou promotores da tecnologia.
Os secundários produzem-se na maioria de ocasiões de forma indireta, quando a tecnologia entra em contato com determinados hábitos, crenças ou instituições sociais. Frequentemente, são efeitos não previstos pelas pessoas ou organismos que projetaram e desenvolveram a tecnologia. Como acontece com muitas tecnologias, os efeitos secundários entram em contradição com os efeitos primários.
Geralmente, quanto maior é o nível de difusão de uma tecnologia, mais diversos, profundos e surpreendentes são os seus efeitos secundários. A transformação dos papéis e das relações humanas produz-se, habitualmente, desde as primeiras fases de difusão de uma tecnologia. Mas, além disso, em determinadas ocasiões, os efeitos que são considerados secundários fazem parte dos objetivos intencionais – embora ocultos – dos engenheiros ou promotores que desenvolveram a tecnologia, ou das decisões políticas que estimularam a sua implementação.
Impacto social das novas tecnologias
A expressão novas tecnologias faz referência às inovações tecnológicas mais importantes surgidas a partir de meados do séc. XX, após a Segunda Guerra Mundial. Na sua grande maioria, as tecnologias consideradas novas são a tecnologia da informação, a tecnologia nuclear e a engenharia genética.
Apesar da sua existência relativamente recente e do nível de desenvolvimento e difusão social desigual destas tecnologias, reconhece-se que globalmente tiveram um influxo considerável em diferentes aspectos da sociedade contemporânea.
Impacto social da informática
Em quase todos os âmbitos da vida social a informática se desenvolveu e atingiu grande penetração. Contudo, é difícil determinar com exatidão a natureza dessas influências e o alcance preciso das transformações que provocam, porque em muitos casos confundem-se os impactos reais com os potenciais e mistura-se a realidade com as expectativas de futuro.
Embora a introdução de robôs industriais nas fábricas seja mais lenta do que se esperava, a eliminação de postos de trabalho causada pela automatização informatizada (o denominado desemprego tecnológico) constitui um dos efeitos sociais mais preocupantes da informática. Por outro lado, a extraordinária capacidade dos computadores para armazenar e processar grandes quantidades de informação tornou possível que numerosas organizações tenham, na atualidade, complexos bancos de dados.
Impacto social da tecnologia nuclear
A tecnologia nuclear tem duas vertentes fundamentais, embora dependentes. Por um lado, está relacionada com o armamento nuclear, e, por outro, reporta-se ao uso civil da energia nuclear por meio de reatores de fissão. Ambas tiveram repercussões diferentes no âmbito social.
Embora o mapa geopolítico tenha mudado substancialmente nos últimos anos, o destino dos imensos arsenais nucleares acumulados desde 1945 até 1990 continua a ser, atualmente, um dos problemas mais graves para a humanidade. Além disso, a proliferação de armamento nuclear após a Guerra Fria continua a gerar intensos debates.
Para possibilitar a continuidade da grande infraestrutura industrial, associada ao programa nuclear da Segunda Guerra Mundial, dotando-a de uma certa legitimidade social, o governo estadunidense decidiu iniciar um programa destinado a implementar a utilização social desta energia.
As primeiras centrais nucleares de energia elétrica são um exemplo deste objetivo. No entanto, os primeiros movimentos sociais contra esse tipo de energia destacavam, por um lado, os riscos de poluição ou de catástrofe em caso de acidente e, por outro, o vínculo entre o programa nuclear civil e o militar, que continuava a ser demasiado óbvio.
Em consequência da grande pressão exercida pelos movimentos antinucleares e pela impossibilidade de garantir níveis ideais e eficazes de segurança, a quase totalidade dos países paralisou os seus respectivos programas de ampliação ou de construção de novas centrais elétricas de fissão nuclear. No entanto, a maioria das centrais nucleares construídas antes da paralisação ainda se encontra em funcionamento.
Impacto social da engenharia genética
A engenharia genética compreende um conjunto de técnicas que permitem manipular o material genético dos seres vivos. Em uma primeira etapa, aplicaram-se principalmente sobre microrganismos, no âmbito da indústria farmacêutica. Posteriormente, a manipulação genética foi utilizada para alterar o material hereditário de algumas espécies vegetais e animais (produtos transgênicos) e, atualmente, apresenta-se a possibilidade de aplicar estas técnicas, como as de clonagem, ao ser humano.
O impacto social da engenharia genética é ainda pequeno pela sua menor implementação social. Mas o desenvolvimento de técnicas de diagnóstico genético (para a detecção de doenças ou para fixar tendências hereditárias) poderia produzir efeitos muito importantes nas relações trabalhistas. A capacidade de alterar o material genético humano apresenta, igualmente, sérios problemas sociais e éticos relacionados com a hipótese de levar a cabo estratégias eugênicas em pequena ou grande escala, dirigidas para o aperfeiçoamento do gênero humano ou para eliminar os seus traços que possam ser considerados negativos.
Sistemas especializados e medicina
O campo da inteligência artificial constitui uma das principais áreas da pesquisa em software para computadores. Os denominados programas inteligentes tentam realizar tarefas que dizem respeito a algumas habilidades cognitivas que são características dos seres humanos.
Uma das áreas mais importantes da pesquisa em inteligência artificial é a dos sistemas especializados. Consiste, basicamente, em um programa em que se tenta codificar os conhecimentos que um especialista tem sobre um domínio específico. A medicina foi uma ciência de interesse prioritário para os idealizadores de sistemas especializados. Assim, foram elaborados sistemas que oferecem diagnósticos automatizados em diversas especialidades médicas, sistemas que apresentam recomendações terapêuticas para algumas doenças ou que avaliam as prescrições de medicamentos realizadas pelos médicos.
Tecnologia e meio ambiente
O desenvolvimento tecnológico em larga escala modificou o ambiente natural (como no caso da instalação de centrais hidrelétricas) e afetou também o meio ambiente (chuva ácida, efeito estufa, modalidades diversas de poluição do ar e da água).
As modalidades mais comuns de poluição gerada pelos processos tecnológicos são espécies químicas acrescentadas à atmosfera (como o dióxido de carbono, que aumenta o efeito estufa, ou o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio, responsáveis pela chuva ácida); pesticidas introduzidos na cadeia alimentar a partir do tratamento das plantações; resíduos que implicam a redução da concentração de oxigênio dissolvido nas águas; elevação do nível térmico da água pela sua utilização em processos industriais de refrigeração e, geralmente, a produção desmedida de resíduos domésticos e industriais. Também são considerados poluentes os excessos de radiação gerados pelos resíduos dos combustíveis nucleares utilizados nas centrais elétricas e instalações afins que funcionam com energia nuclear.
No mundo industrializado, a produção de poluentes é muito grande e aumenta constantemente, embora os controles sobre eles e a conscientização das administrações públicas e dos cidadãos, de políticos e empresários sobre a necessidade de preservar a natureza sejam cada vez maiores. A própria tecnologia deverá ser capaz de contribuir com soluções engenhosas e globais para os problemas de poluição criados pelo seu próprio desenvolvimento, de forma a que este adote as características próprias de um desenvolvimento sustentável eficiente e respeite o meio ambiente.
Mudança tecnológica
A mudança tecnológica é o processo mediante o qual se passa de uma estrutura de conhecimentos e aplicações para outra. Este processo é, geralmente, muito complexo. Além disso, desde a Revolução Industrial do séc. XIX, o desenvolvimento tecnológico, nas suas sucessivas mudanças, foi cada vez mais acelerado.
A mudança pode ocorrer em duas direções diferentes: por desenvolvimento de conhecimentos ou por aumento das aplicações de um determinado dispositivo, sistema ou processo.
A mudança no desenvolvimento das ideias chama-se mudança vertical e a produzida na difusão das aplicações destas ideias, mudança horizontal.
A mudança vertical corresponde às fases de pesquisa, descoberta e desenvolvimento dos produtos ou processos, enquanto a horizontal corresponde às etapas de difusão, tanto no nível de pesquisa, mediante as comunicações científicas, como no mercado, por meio da comercialização. Geralmente, pensa-se que essa mudança não conduz a verdadeiras alterações. Provoca, realmente, as mudanças tecnológicas, mas se não se dispõe de mudanças horizontais, essas tecnologias não chegam a atingir elevados níveis de desenvolvimento e, o que é mais importante, não contribuem para gerar novas mudanças.
As mudanças verticais podem afetar diversos níveis de desenvolvimento, como recursos científicos e tecnológicos, tecnologia elementar, sistemas tecnológicos essenciais, aplicações, efeitos sobre o meio envolvente e modificações nos sistemas sociais.
A comercialização das aplicações de grande uso social faz com que as inovações produzidas ocupem um lugar importante na vida cotidiana dos seres humanos, seja na robotização da casa, no centro de trabalho ou no lazer (sistemas sociais).
Esse constante desenvolvimento acabará por afetar toda a sociedade com uma comunicação mais rápida e fluente entre toda a humanidade (sociedade).
Desde a invenção do arado até as aplicações da engenharia genética, a agricultura, tão ligada à subsistência, experimentou avanços tecnológicos significativos. Miniatura do Breviário Grimani (Biblioteca Nacional Marciana, Veneza, Itália).
Modelos explicativos da mudança tecnológica
Basicamente, existem três tipos de modelos teóricos para entender a dinâmica da mudança tecnológica: os modelos materialistas, os cognitivistas e os construtivistas.
O principal fator explicativo no modelo materialista é a tecnologia, segundo o qual os processos de inovação ou mudança técnica têm lugar, em certo modo, de forma automática, induzidos pelo aparecimento de inovações materiais ou por processos de mecanização ou automatização.
Nos cognitivistas, o principal agente da mudança técnica é o conhecimento tecnológico ou conjunto de habilidades, práticas e formas de resolver problemas que os membros da comunidade científica partilham.
A partir da perspectiva cognitivista, o elemento mais importante da tecnologia não é o acúmulo de artefatos materiais, mas as distintas estratégias cognitivas para resolver problemas técnicos. O aparecimento de novas formas de resolver problemas constitui o principal motor do desenvolvimento tecnológico.
Os construtivistas, também chamados modelos de configuração social, defendem uma concepção da mudança tecnológica oposta a qualquer forma de determinismo tecnológico e, igualmente, à tese da tecnologia autônoma. Os modelos construtivistas insistem que na mudança tecnológica, além dos elementos cognitivos ou puramente técnicos, diferentes fatores de ordem social – econômico, político e cultural – desempenham um papel primordial nas decisões que acabam por configurar o desenho e a construção dos artefatos técnicos. Os conceitos mais importantes utilizados pela perspectiva construtivista são os de grupo social relevante, flexibilidade interpretativa, encerramento de controvérsias e estabilização de artefatos.
Contrariamente àquilo que supõem os materialistas e cognitivistas, para os construtivistas não existem critérios objetivos ou universais para decidir entre duas tecnologias alternativas. As inovações tecnológicas são suscetíveis de ser interpretadas de diferentes maneiras por cada um dos grupos sociais relevantes com que interagem. Não obstante, essa flexibilidade interpretativa não se refere exclusivamente a como as pessoas pensam ou interpretam uma tecnologia, mas implica também a flexibilidade dos requisitos técnicos e da eficácia do desenho. Assim, inversamente ao que formula o determinismo, o desenvolvimento de uma tecnologia não será nem único nem unívoco.
Para os modelos construtivistas que explicam a mudança tecnológica, cada grupo social atribui um significado particular às tecnologias com que interage. Assim, engenheiros ou políticos terão uma visão diferente de, por exemplo, uma central nuclear.
Modelos lineares ou unidimensionais
Nestes modelos da mudança tecnológica defende-se que a evolução da tecnologia segue uma direção linear, em que cada novo desenvolvimento surge com inevitável lógica, dando continuidade ao que aconteceu anteriormente. A mudança tecnológica responderia, assim, a uma lógica própria – interna à mesma tecnologia – que acaba gerando trajetórias naturais na história, ou seja, séries de inovações que se sucedem de forma aparentemente natural ou necessária, quase com independência das necessidades e dos propósitos da sociedade humana.
Também são denominados modelos unidimensionais porque pressupõem que há um único fator determinante na dinâmica da mudança tecnológica, sejam os artefatos, as estratégias para resolver problemas práticos, a cultura, etc.
Nos modelos cognitivistas, a história da tecnologia é interpretada como uma sucessão de estratégias para resolver problemas práticos de forma cada vez mais eficiente ou racional.
Para essas abordagens, o elemento social não intervém no processo. Pelo contrário, as mudanças sociais seriam consequência direta do progresso científico e tecnológico. Por trás dessa visão está a tese do determinismo tecnológico: a introdução de novas tecnologias é a causa de todas as demais mudanças. A tese da autonomia da tecnologia reflete-se também nesses modelos, como quando se considera o computador digital como o sucessor natural das calculadoras mecânicas, ou o telefone como o substituto óbvio do telégrafo, como se a passagem de uma tecnologia para outra fosse, de certo modo, inevitável ou absolutamente necessária.
Por outro lado, acredita-se que a mudança histórica é gerada pelo gênio de alguns indivíduos. Desse ponto de vista, Edison inventou a lâmpada; Bell, o telefone; Gutenberg, a imprensa; Watt, a máquina a vapor; Daimler, o automóvel etc.
As tecnologias não são imutáveis. É sempre possível resgatar um mecanismo ou transformar outro existente. Assim, os desenhos de Leonardo da Vinci são uma fonte constante de inspiração, como este ornitóptero (ou máquina de voar batendo as asas).
Modelos multidirecionais do desenvolvimento tecnológico
Em oposição aos lineares, os modelos do desenvolvimento tecnológico que resultam da perspectiva construtivista são multidirecionais. Para esses modelos, a história da tecnologia parece-se mais com uma rede de caminhos entrecruzados do que com uma simples autoestrada onde podem se encadear, um após outro, os diferentes artefatos técnicos, segundo um mesmo critério de eficácia ou utilidade.
Os artefatos que utilizamos e as inovações técnicas que acabam por se impor poderiam ter sido projetados de outra forma. Acontece, no entanto, que a história da tecnologia foi descrita, geralmente, levando em consideração unicamente o ponto de vista das inovações vencedoras, ou seja, segundo os argumentos usados pelos defensores das tecnologias que conseguiram se impor. As opções que foram deixadas de lado, ou mesmo abandonadas, aparecem, retrospectivamente, como claramente ineficientes ou inferiores e o desenvolvimento tecnológico apresenta-se, consequentemente, como um processo linear e necessário.
Os modelos multidirecionais consideram, em primeiro lugar, a inovação tecnológica como um processo coletivo mais do que como um acontecimento único e individual. A forma final de um artefato técnico, assim como a sua evolução e modernização, nunca depende, exclusivamente, do trabalho de uma só pessoa, mas de uma equipe.
Além disso, os estudos históricos mostraram como os engenheiros com êxito – aqueles que desenvolveram inovações técnicas que prosperam na sociedade – não são, simplesmente, gênios técnicos, mas também gênios políticos, sociais e econômicos. São engenheiros-empresários que conseguem conjugar em um mesmo artefato uma série heterogênea de questões técnicas, econômicas ou políticas. Na realidade, trata-se de engenheiros heterogêneos e não de gênios isolados em laboratórios.
Os modelos multidirecionais da mudança tecnológica consideram a inovação um processo coletivo. Painéis solares na central solar de Adrano, na Sicília (Itália).

Subir