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Surrealismo

A busca de uma realidade superior
A primeira utilização do termo Surrealismo é atribuída ao escritor Guillaume Apollinaire. A palavra é uma tradução do vocábulo francês sur-réalisme.
Esse movimento artístico pode ser definido através de uma das suas próprias características, ou seja, a procura de uma realidade superior que transcendesse a realidade perceptível pelos sentidos. Essa procura se apoiava no mundo dos sonhos, no fluxo do inconsciente, como por meio do uso de técnicas como a escrita automática ou no consumo de substâncias alucinógenas.
Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914), a vida artística europeia sofreu seus efeitos desagregadores e interrompeu-se de forma radical. A irracionalidade do conflito e a tentativa de unificar arte e vida levaram a atitudes artísticas niilistas que incluíam o escândalo, o absurdo, a ironia e a violência, chegando-se mesmo a defender a destruição da própria arte.
O crash da bolsa de Wall Street em 1929 marcou o início da depressão da década de 1930, a ascensão do fascismo, a recessão e o desemprego. Esse período é conhecido como período entre-guerras.
Marcel Duchamp e o Dadaísmo
O Dadaísmo iniciou-se em 1916 e desenvolveu-se entre os círculos de artistas exilados do conflito bélico em Zurique e Nova Iorque. Nesse sentido, representava uma reação contra as crueldades da guerra, tendo sido um movimento efêmero.
O termo dadá foi encontrado por acaso em um dicionário, sendo uma reprodução do primeiro som emitido por uma criança. Expressa o primitivismo, um grito de revolta, a busca de uma antiarte, um estado de espírito inquieto e niilista.
O artista que melhor representou o movimento de rejeição universal das convenções e a atitude niilista de negação permanente que questionava a euforia das primeiras vanguardas históricas foi Marcel Duchamp. Ele introduziu o conceito de ready-made, subvertendo a utilidade dos materiais existentes e criando com eles objetos de arte.
Em 1917, Duchamp enviou à exposição da Sociedade dos Artistas Independentes um urinol invertido, intitulado Fonte e assinado com o pseudônimo R. Mutt (conhecida empresa de cerâmica sanitária francesa). O seu objetivo era dessacralizar a arte.
Apesar da sua breve vida, o Dadaísmo abriu o caminho à arte do irracional e do inconsciente.
Os manifestos surrealistas
Considera-se como ponto de partida da vanguarda surrealista a publicação, em 1924, do Manifesto Surrealista. Nesse manifesto, o poeta André Breton definia a nova vanguarda artística como um "automatismo psíquico puro que permite expressar, verbalmente, por escrito ou de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento em ausência de qualquer controle exercido pela razão e à margem de qualquer preocupação estética ou moral".
Portanto, o Surrealismo herdou a atitude provocadora do Dadaísmo. Sua hostilidade contra a sociedade burguesa levou os membros do grupo a tomar algumas posições revolucionárias.
Em 1929, Breton publicou um Segundo Manifesto Surrealista, afirmando que: "Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito a partir do qual a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o alto e o baixo, deixam de ser percebidos contraditoriamente. Em vão se atribuirá à atividade surrealista outra razão de ser além da esperança de determinar esse ponto".
O Surrealismo poético
A arte de Joan Miró é resultado de um processo de simplificação da pintura que tende a reduzi-la aos seus elementos essenciais: linha, cor e composição. Sua aprendizagem culminou na tela A Casa de Campo, pintada em 1921-1922, síntese pessoal do seu universo, realizada com grande detalhismo. Os elementos do seu universo criativo (astros, figuras humanas e animais) encontram-se nessa tela como símbolos do imaginário do mundo rural.
Em 1924, o artista espanhol se-deslocou a Paris, onde entrou em contato com a vanguarda surrealista e a sua arte ganhou profundidade na procura de uma linguagem própria que desse lugar a uma sólida e homogênea criação. Miró passou as décadas de 1920 e 1930 em Paris, rodeado do grupo surrealista, mas mantendo a sua independência na procura de uma linguagem simples e pessoal. Quando se deflagrou a Segunda Guerra Mundial, as telas de Miró encheram-se de estrelas para combater a barbárie com a poesia e começou a série de As Constelações, que são um canto à liberdade mediante o uso simbólico de elementos do céu, onde as linhas se relacionam com a superfície do quadro e as formas. A sua complexidade visual torna difícil centrar o olhar sobre um motivo específico, e o fato de encher regularmente a tela de linhas e manchas de cor faz de Miró o precursor do all over de Jackson Pollock (1912-1956) e do expressionismo abstrato estadunidense do pós-guerra.
A colagem
O alemão Max Ernst foi um artista experimental, que antes de se instalar em Paris, em 1922, fez parte do grupo dadaísta de Colônia. Uma das suas obras mais representativas é Duas Crianças Ameaçadas por um Rouxinol (1924, MoMA, Nova Iorque), em que utiliza elementos reais para representar uma paisagem onírica. É uma colagem, que subverte a compreensão da tela e mistura os planos da realidade para confundir o espectador, uma tela que provoca sobressalto e estranheza como resultado do medo.
O Surrealismo misterioso
O pintor belga René Magritte criou nas suas obras plásticas um mundo que punha em questão a percepção humana da realidade, como se pode observar em A Chave dos Campos (1936, Museu Thyssen Bornemisza, Madri), que representa uma janela partida cujos vidros repetem a imagem fragmentada da paisagem que se vê através dela. Com esse exercício, Magritte faz o espectador duvidar da identidade do próprio quadro. Com uma técnica depurada, Magritte pintava os objetos segundo o seu aspecto ordinário, mas em situações insólitas ou impossíveis. A exatidão dos detalhes impede atribuir a cena ao mundo dos sonhos, aumentando o seu efeito perturbador e criando inquietantes jogos visuais que revelam o presente como um mistério absoluto.
As paisagens irreais
Yves Tanguy, pintor francês naturalizado estadunidense, incorporou-se ao Surrealismo com uma obra caracterizada por desenhos automáticos e elementos dispersos com alongadas e inquietantes sombras dentro de paisagens desérticas.
Entre as obras de Tanguy destacam-se Infinita Divisibilidade e Construir e Destruir.
O método paranoico-crítico
Salvador Dalí uniu-se à vanguarda surrealista nos finais da década de 1920 e, através das suas obsessões de caráter sexual, conseguiu introduzir no movimento uma grande dose de vitalidade e renovação. Pretendia que as suas obras fossem como fotografias dos seus sonhos e que revelassem os aspectos mais ocultos da sua vida erótica, as suas fantasias e os seus desejos. O Grande Masturbador (1929, Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, Madri, Espanha) reflete o seu sentimento ao conhecer a sua companheira e musa Gala. A figura central do quadro é o seu próprio autorretrato invertido, e do seu pescoço surge um busto feminino que se assemelha a genitais masculinos. Influenciado pelas teorias de Freud, pela primeira vez na história da arte um artista expressava tão ousadamente as suas obsessões sexuais. O quadro encontra-se, além disso, repleto de símbolos oníricos.
Apesar de ser um dos artistas fundamentais do Surrealismo, Dalí foi expulso do movimento em 1934 por Breton e, na década de 1940, após triunfar nos EUA, assumiu um classicismo renascentista, ao mesmo tempo em que acentuava as suas excentricidades e se centrava no valor econômico das suas obras. Isso lhe valeu o apelido maldoso e mordaz de Avida Dollars (anagrama de Salvador Dalí), dado por Breton.
Em toda a sua obra, a contribuição mais importante de Dalí para o Surrealismo foi a capacidade de transmutar a matéria por meio de imagens múltiplas através do método paranoico-crítico que permite ao espectador ver ao mesmo tempo diferentes objetos em uma mesma forma.
A visão feminina do Surrealismo
O Surrealismo situou a mulher no centro dos poderes criativos e subversivos do instinto amoroso. Assim, muitas artistas aproximaram-se do Surrealismo atraídas por essa nova visão da feminilidade, pelo seu antiacademicismo e pelas suas posturas revolucionárias. Mulheres como a mexicana Frida Kahlo, as estadunidenses Dorothea Tanning e Kay Sage, a ítalo-argentina Leonor Fini e a anglo-mexicana Leonora Carrington demonstram que poucas vezes na história da arte um movimento aglutinou tantas mulheres artistas, e com tal variedade de obras, como o fez o Surrealismo, embora poucas vezes também tenha silenciado essas obras de modo tão evidente. Na prática surrealista, o homem continuava a ser o criador e a mulher a musa e o objeto da obra de arte.
Em torno do Surrealismo
O séc. XX consagrou figuras singulares que realizaram uma interessante obra à margem dos grupos organizados das vanguardas, artistas cujas criações estão profundamente ligadas ao seu tempo mas, ao mesmo tempo, fogem das classificações coletivas. O bielorrusso Marc Chagall e os italianos Amedeo Modigliani, Giorgio Morandi e Giorgio de Chirico fazem parte dessa lista de artistas intervenientes mas de difícil classificação estilística, cuja obra não pode ficar esquecida no quadro da história da arte.
A poética do sonho
Em 1910, Marc Chagall instalou-se em Paris conduzido pelas suas inquietações artísticas, integrando-se no movimento cultural de vanguarda. Em Eu e a Aldeia (1911; MoMA, Nova Iorque, EUA), utiliza um cromatismo brilhante herdado do fauvismo e uma estruturação radial que recorda os ensinamentos do Cubismo, procura sintetizar os avanços da vanguarda com as tradições judaicas da sua Bielorrússia natal.
A pintura metafísica
A pintura italiana, após o futurismo característico da pré-guerra, conheceu um retorno à tradição clássica com uma visão moderna em torno da revista Valori Plastici, que agrupou uma série de artistas como Giorgio de Chirico, seu irmão Alberto Savinio, Carlo Carrà, Filippo de Pisis e Giorgio Morandi, representantes do movimento denominado pintura metafísica. Nas obras de Giorgio de Chirico, que representam a solidão e a melancolia, o sonho, a realidade e a memória confundem-se e conferem um caráter atemporal e religioso ao quadro.
Uma das obras paradigmáticas da pintura metafísica é As Musas Inquietantes (1916; coleção particular). A obra complexa que Giorgio de Chirico gerou na sua etapa metafísica contém um estranho sentimento de espera, ao mesmo tempo em que das suas composições, traçadas com perspectivas de horizontes díspares, parece emanar um sentimento suspenso de vazio e inquietação que o fizeram merecedor do epíteto Pintor do Mistério Laico.

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