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Simbolismo

O Simbolismo
O Simbolismo foi o movimento literário e artístico que ocorreu na Europa nas três últimas décadas do séc. XIX e nos primeiros anos do séc. XX, nascido com a pretensão de superar o Realismo. Na literatura, provocou a renovação de todos os gêneros, especialmente da poesia lírica, com Charles Baudelaire, considerado o seu precursor, e Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé liderando o novo estilo.
O conceito de Simbolismo aplicado à arte tem um significado ambíguo, já que desde as origens da expressão artística a imagem esteve vinculada a um significado que vai além do aparente, do estritamente visível, para se transformar em símbolo daquilo que o artista queria expressar.
O contexto histórico
Duas datas-chave na história da Europa marcam o período de vigência do Simbolismo: 1870 e 1914. Entre 1870 e 1871, a guerra franco-prussiana acabou com o Segundo Império, e em 1914 eclodiu a Primeira Guerra Mundial. As duas datas marcam o princípio e o final, respectivamente, de uma época que se caracterizou pela consolidação definitiva do capitalismo como sistema socioeconômico na Europa e pelo auge da política colonialista das grandes potências, principalmente o Reino Unido e a França.
O mundo rural europeu se transformou em uma espécie de passado utópico, em contraposição ao crescimento desordenado das cidades em que as massas trabalhadoras se amontoavam em subúrbios insalubres, sobrevivendo em situações de miséria. A burguesia, por outro lado, atingiu um notável nível de conforto e bem-estar e começou a se fundir com o que sobrou da velha aristocracia. A contradição entre esses dois mundos foi uma das chaves para entender a ideologia decadentista que impulsionou o movimento simbolista.
Características e antecedentes do movimento simbolista
Em 18 de setembro de 1886, o escritor Jean Moréas publicou no jornal Le Figaro um "Manifesto simbolista" que popularizou este termo como denominação de um grupo de escritores e artistas franceses, alguns dos quais já estavam consagrados. Assim, Baudelaire publicou As Flores do Mal (1857); Mallarmé, A Tarde de um Fauno (1876), e Rimbaud, Uma Temporada no Inferno (1873). Um pouco antes, o pintor Gustave Moreau já tinha exposto a maioria das suas obras mais conhecidas, e Odilon Redon era um artista em plena maturidade.
As características que definem o Simbolismo têm muito mais a ver com uma atitude existencial do que com traços estilísticos. Essa atitude existencial se caracteriza por três conceitos intimamente relacionados entre si: decadentismo, esteticismo e simbolismo.
Decadentismo e esteticismo
Em 1884, Joris-Karl Huysmans obteve um notável sucesso com a publicação do seu romance À Rebours. Esse livro, junto com O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, publicado em 1891, tornou-se um dos mais claros expoentes do Decadentismo.
Na metade do séc. XIX, o Realismo e o Naturalismo, na pintura e na literatura, haviam tentado plasmar o mundo tal como era, frequentemente com uma intenção de denúncia, chegando a ter a pretensão de contribuir para mudar a sociedade. Decadentismo era uma atitude existencial que manifestava o seu desgosto, apelando para o isolamento. Por isso, os protagonistas de Huysmans e Wilde se transformaram em paradigmas do Decadentismo: rejeitavam qualquer inquietação moral, só se importavam com o próprio bem-estar e a contemplação da beleza era parte inseparável da sua vida. O esquecimento do mundo exterior e a procura do prazer estavam ligados também à moda dos alucinógenos e estimulantes, como o haxixe, o ópio e as bebidas alcoólicas fortes. O Simbolismo pode ser definido como um movimento baseado no esteticismo, que buscava uma arte em que a beleza estivesse acima do conteúdo, chegando à formulação da "arte pela arte" que seria transcendental para a sua evolução no séc. XX.
Uma literatura aberta aos sentidos
Os simbolistas criaram uma literatura baseada no poder evocativo da palavra e na musicalidade, uma literatura aberta aos sentidos. O pessimismo e a melancolia se expressam com motivos decadentes e sentimentais de ressonâncias românticas: parques desertos, velhas fontes, o luar etc., elementos que foram resgatados pelo Decadentismo e pelo modernismo.
Os estudos literários distinguem entre o movimento simbolista e a escola simbolista, pois os poetas que se costuma incluir no movimento (Baudelaire, Verlaine, Mallarmé e Rimbaud) não se consideravam simbolistas. A escola simbolista passou a ser conhecida, a partir de 1886, com o manifesto de Móreas. A escola era formada por um grupo de poetas franceses (Gustave Kahn, Stuart Merrill, Francis Vielé-Griffin, René Ghil, entre outros) que se opunham ao ceticismo extremo e à perfeição formal de tom academicista do Parnasianismo, declarando-se herdeiros de Baudelaire, Verlaine, Mallarmé e Rimbaud.
A poesia simbolista
Os simbolistas pensavam que a poesia era uma forma de conhecimento que permitia uma relação com as áreas misteriosas da realidade. Postulavam que o poeta, dotado de uma sensibilidade especial, percebia o sentido das coisas que estava além das aparências e se expressava por meio de símbolos, com uma linguagem evocativa e musical.
Os poetas simbolistas franceses
Charles Baudelaire é considerado o iniciador da poesia moderna. Foi o primeiro que teorizou sobre a relação entre a arte e os sentidos como forma de obter uma visão mais profunda do mundo. Em 1857, publicou As Flores do Mal, obra que desencadeou uma grande polêmica no seu tempo. A poesia põe o poeta em contato com uma beleza superior que é mais importante do que a moral ou do que as convenções sociais. Sua obra em prosa Os Paraísos Artificiais (1861) reflete sobre os meios de conseguir a "embriaguez". Baudelaire afirmava que a desordem dos sentidos despertava faculdades naturais que permaneciam adormecidas em função do controle da razão.
Paul Verlaine viveu a vida boêmia parisiense e manteve uma relação atribulada com o jovem poeta Rimbaud. Após essa experiência, sua poesia abandonou o formalismo parnasiano e o artista se concentrou na busca da musicalidade e da palavra sugestiva.
Arthur Rimbaud foi um poeta precoce. Quando chegou a Paris, aos 17 anos, já havia escrito quase todos os seus versos. Aos 21, chegou à conclusão de que o poema perfeito é o que não se escreve; abandonou a poesia e se dedicou a viajar. Sua figura esteve sempre ligada à polêmica e suas tempestuosas relações com Verlaine causaram escândalo na época. Incorporou a sua obra o tema da rebeldia juvenil e a ideia do poeta visionário que chega ao conhecimento por meio da desordem dos sentidos e do sofrimento.
Pela sua trajetória vital, o poeta francês Arthur Rimbaud é recordado como uma figura precoce e maldita. Detalhe da obra Un Coin de Table (1872), com o retrato de Rimbaud, do pintor francês Henri Fantin-Latour (Museu d'Orsay, Paris, França).
Stéphane Mallarmé levou ao limite o desprezo pela vulgaridade e a ânsia de um ideal. Afirmava que a função da poesia é sugerir a essência das coisas por meio das palavras-símbolos. Para alcançar esse objetivo, depurou a linguagem de elementos supérfluos, banais ou acessórios. A procura da palavra essencial levou-o à poesia pura, profundamente elaborada e de difícil interpretação, com símbolos sem ligação lógica com o referente da realidade. Escreveu Azul (1871) e A Tarde de Um Fauno (1876). Consideram-se discípulos de Mallarmé escritores tão valorizados como André Gide, Paul Claudel e Paul Valéry.
Retrato de Stéphane Mallarmé (1876), poeta e teórico do simbolismo (Museu d'Orsay, Paris, França), feito pelo pintor Édouard Manet, um dos impressionistas franceses mais importantes.
O teatro e a novela simbolistas
Simbolistas e parnasianos defenderam a fusão dos gêneros e das artes. Essa fusão desencadeou a renovação de gêneros e formas: novelas líricas, teatro poético, poemas em prosa etc.
O teatro simbolista reagia contra o Naturalismo e seus temas realistas, e tendia para o mítico ou lendário e para a exploração das temáticas transcendentais, como a religião e a magia. Formalmente, os dramaturgos simbolistas criaram um teatro poético que combinou palavra, música, luzes e dança para criar um ambiente mágico e sugestivo.
Simbolismo e arte
Os pintores simbolistas tinham em comum a rejeição da pintura realista, baseada na imitação da nossa percepção visual do mundo exterior, imitação que consideravam própria da fotografia. Em contrapartida, pretendiam expressar por meio da pintura o mundo das ideias e dos sentimentos.
Do ponto de vista estilístico, os simbolistas formavam um grupo heterogêneo que podia ser dividido em duas tendências: os que partiam do academicismo e aqueles cuja pintura derivava das experiências impressionistas. Os primeiros (Pierre Puvis de Chavannes, Moreau, Redon) tinham uma técnica precisa, iniciaram-se como admiradores do classicista Jean-Auguste-Dominique Ingres e frequentemente foram rejeitados pela crítica mais moderna, que os considerava decadentes. O segundo grupo (Paul Gauguin e os Nabis) partia do pós-impressionismo e das suas experiências com o valor simbólico da cor e procurava a expressividade não tanto por meio da iconografia, mas sim por meio dos valores plásticos.
Os pintores simbolistas
Quando os críticos começaram a falar do Simbolismo como corrente artística, dois pintores que mantinham um contato muito próximo com o grupo dos escritores simbolistas foram considerados seus máximos representantes: Odilon Redon (1840-1916) e Eugène Carrière (1849-1906), este último hoje praticamente esquecido. O fato de que Redon reconhecesse como mestres dois pintores da geração anterior, Puvis de Chavannes e Moreau, reavivou o interesse por esses dois artistas, e ambos passaram a ser considerados os autênticos precursores do Simbolismo.
Pierre Puvis de Chavannes (1824-1898) teve uma formação acadêmica, mas logo se manifestou como um pintor inovador: a sua técnica abandonou os recursos ilusionistas da perspectiva e o volume das figuras para mostrar a pintura como um artifício, como uma arte plana.
Seus grandes murais para a decoração do Panteão de Paris mostram esta tendência a suprimir a ilusão espacial e a se expressar com formas simples e abrangentes, conservando o plano do quadro, apesar de que para isso tenha de distorcer as formas. A sensação de mansidão e mistério se acentua pela gama cromática de tonalidades suaves e uniformes.
Gustave Moreau (1826-1898) formou-se em Roma entre 1857 e 1859, o que lhe permitiu estudar e copiar obras de Vittore Carpaccio, Andrea Mantegna, Michelângelo, Leonardo da Vinci e outros mestres do Renascimento. Até 1870, foi um pintor de tradição acadêmica que alcançou o sucesso nos salões oficiais com obras de temática mitológica. Retirou-se, então, da vida pública e durante cinco anos trabalhou sozinho, experimentou a cor e as texturas e aprofundou os mitos, as histórias bíblicas e o orientalismo.
Odilon Redon, considerado o principal expoente da pintura simbolista, admirador de Eugène Delacroix, Jean-Baptiste-Camille Corot, Rembrandt e outros pintores, recebeu a influência mais decisiva para a sua obra de um especialista em botânica (André Clavand) e de um gravador (Rodolphe Bresdin). Enquanto Puvis de Chavannes e Moreau haviam partido sempre de imagens reais para criar as suas composições, Redon inventou as formas, criou os seus próprios símbolos. Suas composições oníricas e misteriosas fascinaram os surrealistas, que consideraram Redon o seu precursor mais imediato. Começou a trabalhar com a cor a partir de 1895 – até então trabalhava em preto e branco –, tanto a óleo como em pastel.
No resto da Europa, a pintura simbolista teve também uma presença significativa. O estadunidense residente em Londres James Abbott McNeill Whistler (1834-1903) se tornou conhecido com uma série de obras em que mostra figuras melancólicas. Evoluiria depois para uma experimentação muito livre com a cor que o aproximaria da abstração. Na Bélgica, os pintores simbolistas se agruparam ao redor da seita esotérica dos rosa-cruzes: destaca-se a figura de Fernand Khnopff (1858-1921), autor de obras aparentemente misteriosas, mas com técnica muito tradicional. No âmbito germânico, a figura de maior destaque é o suíço Arnold Böcklin (1827-1901).
O Simbolismo em Gauguin e Van Gogh
Outros artistas chegaram ao Simbolismo depois de um período de identificação com os impressionistas. O máximo representante dessa corrente foi Paul Gauguin (1848-1903), que após um primeiro contato com o Impressionismo se revelou um artista profundamente preocupado com a descoberta de uma religiosidade autêntica, afastada do materialismo e da hipocrisia imperantes na sociedade. Para ele, a arte devia ser capaz de expressar a vida interior dos seres humanos.
Esta busca o levou a se estabelecer na Bretanha, em Pont-Aven, onde pintou a que se pode considerar sua primeira obra simbolista, Visão Depois do Sermão (1888), na qual um grupo de camponesas tem a visão da luta de Jacó com o anjo, e que lhes foi relatada na igreja. A novidade desta e de outras obras da mesma época (O Cristo Amarelo, 1889) não é somente a temática, mas também o estilo.
Gauguin renunciou à justaposição de pequenas pinceladas, típica do impressionismo, e pintava com cores planas dispostas em grandes superfícies definidas por uma linha de desenho muito marcada; além disso, utilizava as cores com um sentido simbólico, não como um reflexo da realidade visível.
Sua estada no Taiti e em outras ilhas do Pacífico, onde buscou o contato com sociedades não contaminadas pela cultura ocidental, refletiu-se num estilo plano e em uma linguagem visual menos material da realidade, como em Matamúa (1892), De Onde Viemos, O Que Somos, Aonde Vamos? (1897) ou Duas Mulheres Taitianas (1899).
A ideia de que a cor tem um significado em si mesma está também presente em outro dos grandes pintores pós-impressionistas, Vincent Van Gogh (1853-1890). Depois de se estabelecer em Arles, onde conviveu com Gauguin durante uma temporada, o seu interesse pela cor e pela pincelada como formas de representar emoções e estados de espírito tornou-se mais evidente.
Visão Depois do Sermão (1888), do pintor francês Paul Gauguin (National Gallery, Edimburgo, Reino Unido). A ética do movimento simbolista insistiu na busca da beleza absoluta, sem renunciar aos valores espirituais.
O grupo Nabis
Gauguin exerceu uma influência decisiva sobre um grupo de jovens pintores de Pont-Aven, apresentados pelo artista Émille Bernard (1868-1941), que, posteriormente, formaram em Paris o grupo Nabis (palavra que, em hebreu, significa "profetas"). O grupo era integrado, entre outros, por parte do grupo Paul Séruser (1863-1940).
Bernard e Denis foram os seus teóricos. Denis se esforçou em separar o Simbolismo de raiz literária, preocupado só com a temática, do que ele considerava o autêntico Simbolismo, cuja preocupação era a expressão por meios pictóricos. Os dois pintores melhor dotados do grupo, Bonnard e Vuillard, centraram suas atividades nas cenas de interior. O Asseio Matutino (1914) ou Nu no Banheiro (1937), de Bonnard, são exemplos desta pintura intimista na qual as formas se dissolvem em manchas de cor, mas sem chegar à abstração. Notáveis são também os interiores de Vuillard, como Mãe e Irmã (1893) e Misia e Thadée Natanson (1897).
Simbolismo e art nouveau
A experimentação com as possibilidades expressivas da cor, o esteticismo e o refinamento formais não são exclusivos dos pintores simbolistas. O Modernismo, outra das grandes correntes artísticas da mudança de século, compartilha claramente algumas das suas características. O austríaco Gustav Klimt (1862-1918) abordou com frequência temas de caráter alegórico.
Aubrey Beardsley (1872-1898), o principal representante do art nouveau no Reino Unido, é também um claro expoente do Decadentismo.

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