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EV

Sacro Império Romano-Germânico

A perpetuação do Império Carolíngio
De todos os territórios carolíngios, a Saxônia foi o último a ser cristianizado e, portanto, o que mais próximo se manteve das suas origens bárbaras. Na Saxônia, surgiu o impulso decisivo para a reconstrução de um império que se estenderia desde o ano 962 até 1806, quando ocorreu seu desaparecimento definitivo.
Oto I: o primeiro imperador do Sacro Império
Com a morte de Henrique I, em 936, o seu filho, Oto I, sucedeu ao pai como duque da Saxônia e rei da Germânia.
A sua política se caracterizou pela exigência de vassalagem aos grandes senhores. Situou gradualmente parentes e aliados nos feudos mais importantes, e os bispos receberam o poder feudal sobre parte dos territórios de suas dioceses, tornando-se assim firmes sustentáculos da autoridade real.
Oto I continuou o processo de expansão para o leste. Obrigou o duque da Boêmia a prestar-lhe vassalagem e a sua vitória frente aos húngaros em Lechfeld (955) transformou-o em Oto, o Grande. Com a incorporação da Lorena e a vassalagem do rei da Borgonha, Oto tornou-se mais do que simplesmente rei da Germânia.
O trabalho da Igreja foi essencial para a consolidação e extensão do poder de Oto I, que se tornou divulgador do cristianismo, fazendo com que os bispos se tornassem agentes da sua política.
A intervenção tinha começado em 951, ano em que Oto I se apoderou da coroa da Itália e, com a finalidade de assegurar os seus direitos e consolidar a sua autoridade, casou-se com Adelaide, viúva do último rei italiano. Foi coroado imperador pelo papa João XII, em 962. Começava assim a história do Heiliges Römisches Reich Deutscher Nation, o Sacro Império Romano-Germânico.
Com o objetivo de limitar as intromissões da aristocracia romana na administração eclesiástica, Oto I depôs o papa, acusado de traição, e substituiu-o por outro de sua confiança, Leão VIII. Oto I se apresentava como herdeiro de Carlos Magno. Ao morrer, em 973, deixou o filho com a difícil incumbência de consolidar o império.
Oto II: uma pesada herança
Oto II, filho e sucessor de Oto I, teve de enfrentar inúmeras dificuldades. Durante o seu mandato, a Europa cristã foi cercada por muçulmanos e pagãos. Oto II morreu após dez anos de reinado, em 983, deixando ao filho, Oto III, uma herança ainda mais complicada do que a sua.
Oto III: um império universal
Oto III recebeu a herança imperial aos três anos. A mãe, a princesa bizantina Teófana, assumiu a regência até 991 e a avó, Adelaide, até 994.
Após pacificar a Alemanha, em 999, Oto III estabeleceu-se em Roma e iniciou uma reforma institucional, a Renovatio Imperii, que pretendia conseguir a união imperial entre Oriente e Ocidente e regular a relação entre o papado e o Império. Nessa renovação, os aspectos culturais ganhariam vigor. No entanto, a morte prematura do imperador (1002) precipitaria novamente o império em estado de crise, não só política mas também cultural.
A evangelização da periferia
A progressiva estabilização das fronteiras do Sacro Império, a partir do séc. X, facilitou a tarefa de cristianização dos povos eslavos, escandinavos e húngaros. Nesse trabalho, destacou-se especialmente o clero alemão. Ortodoxos, sob a primazia espiritual do patriarcado de Constantinopla, e católicos, submetidos à autoridade do papa, bispo de Roma, competiram nos âmbitos religioso e político para estender a sua influência sobre a Europa oriental. O mérito da evangelização dos eslavos orientais, sérvios, búlgaros e russos coube a Bizâncio. O principado de Kiev, na Ucrânia atual, tornou-se o centro de irradiação do cristianismo ortodoxo.
O Sacro Império durante os sécs. XI e XII
Entre a morte de Oto III e a coroação de Frederico I Barba Ruiva, sucederam-se três casas imperiais: a saxônica, a sália ou da Francônia, e a suábia. A consolidação da autoridade imperial no interior de uma Alemanha dominada pelos grandes senhores feudais, a defesa do leste diante das investidas eslavas e as relações com Roma foram os eixos sobre os quais se desenvolveria a política do Sacro Império durante esse período.
Sacro Império Romano-Germânico no início do séc. XI.
De Henrique II a Henrique III: saxões e sálios
Henrique da Bavária, último dos imperadores originários da casa ducal da Saxônia, sucedeu a Oto III. Piedoso e pragmático, os seus esforços por impor a autoridade na Itália e por submeter os eslavos nas fronteiras orientais obtiveram parcos resultados. Quando morreu, em 1024, foi sucedido por Conrado II, primeiro representante da casa de Francônia. Personagem decidido, hábil e pouco escrupuloso, conseguiu recuperar o prestígio do título imperial.
O sucessor de Conrado II foi Henrique III (1039-1056), que impôs como papa o seu protegido, o bispo de Bamberg, que adotou o nome de Clemente II. Tradicionalmente, os imperadores justificavam a sua política papal com o argumento de que deviam garantir a promoção de bons pontífices. Henrique III reafirmou este argumento em 1049, com a eleição de Bruno de Toul, Leão IX. Suas contínuas intervenções imperiais despertaram grandes ressentimentos entre os seus rivais, como mostram as disputas que confrontaram guelfos contra gibelinos durante vários anos.
Guelfos contra gibelinos
O reinado de Lotário III (1125-1137) constituiu um símbolo dos triunfos tanto da alta aristocracia alemã quanto da Igreja. Foram os anos em que se consolidaram dois grandes grupos da nobreza alemã: os welfen, aliados dos duques da Bavária e defensores do papa, e os weiblingen, partidários dos duques de Suábia, e favoráveis ao poder imperial. Transpostas para a Itália, essas designações assumiram a forma de guelfos e gibelinos. O confronto entre os dois grupos sacudiu a política alemã e a italiana durante mais de um século.
Os imperadores da casa da Suábia
A chegada da casa da Suábia, os Staufen, ao trono imperial se caracterizou por tentativas de consolidar o poder imperial e de assegurar sua supremacia sobre a Santa Sé. Sucessivos papas responderam a essas tentativas com uma violência que desencadeou uma guerra generalizada pelo dominium mundi entre o imperador Frederico II e o papa Inocêncio IV.
Frederico I o Barba Ruiva
Frederico I, filho do duque Frederico da Suábia, foi eleito rei da Alemanha e dos romanos em 1152. A sua entronização pretendia acabar com as rivalidades entre guelfos e gibelinos. Conseguiu pacificar a Alemanha, limitando o poder dos grandes senhores feudais. Frederico I argumentava que o papa o tratava como um simples vassalo, e que era a Santa Sé que devia se submeter às diretrizes imperiais. O conflito recrudesceu posteriormente, quando a condessa Matilde de Toscana, viúva do duque de Lorena, deixou sua herança para a Igreja. O imperador considerava a herança como propriedade sua, e concedeu-a como feudo a um senhor laico. Finalmente, o imperador ofereceu o seu apoio à dieta antipapal de Roncaglia (1158), enquanto o novo papa, Alexandre III (1159-1181), promovia diversas ligas italianas contra o imperador. Diante dessa situação, Barba Ruiva entrou em Roma (1167), nomeou Pascoal III como papa e fez-se coroar por ele. Não obstante, após a derrota imperial em Legnano (1176), o imperador viu-se obrigado a reconhecer Alexandre III como papa e renunciar às suas aspirações sobre as cidades italianas.
Henrique VI e a expansão dos Staufen
O sucessor de Frederico I, o Barba Ruiva, foi Henrique VI, que tomou a coroa imperial em abril de 1191. Ao mesmo tempo, reivindicou para sua esposa Constança a coroa siciliana, lançando depois um ataque que lhe permitiu ocupar os ducados de Apúlia e Calábria e o próprio reino da Sicília. Isso representou uma unificação do poder do Báltico ao golfo de Tarento. Henrique VI morreu em 1197, quando seu herdeiro, Frederico II, tinha apenas três anos de idade. Meses depois, subia ao trono papal Inocêncio III, considerado o papa mais notável da época medieval.
O papado e o Império
Após a morte de Henrique VI e de Constança da Sicília, eclodiu uma guerra entre os três candidatos ao trono: o filho deles, Frederico da Sicília, ainda muito jovem; o gibelino Filipe da Suábia; e Oto de Brunswick, filho de Henrique de Leão e candidato da facção guelfa. Inocêncio III, que havia assegurado o seu domínio no Ocidente, declarou-se tutor de Frederico e, por meio da Deliberatio Domini Papae Inocentii, definiu Oto de Brunswick como legítimo sucessor. Os Staufen, porém, apoiados pelo rei da França, não respeitaram a decisão papal.
Inocêncio III e a hegemonia papal sobre a Europa
O poder que Inocêncio III conquistou era enorme. Impôs dois imperadores consecutivos no Sacro Império e executou uma política contundente e decidida. Na Inglaterra, pressionou o rei João, a partir de então conhecido pela alcunha de "sem Terra", a outorgar os seus territórios à Santa Sé em troca da revogação da sua excomunhão de 1213. Na França, o êxito da cruzada contra os cátaros garantiu ao rei francês a hegemonia sobre as terras occitanas e possibilitou ao papa a unificação da Igreja. Na Península Ibérica, impôs a sua política a Pedro II de Aragão, a Sancho I de Portugal e a Afonso VIII de Castela. Além disso, a intervenção papal foi decisiva para a vitória cristã na batalha de Navas de Tolosa em 1212, sobre os almôadas. Na Europa oriental, conseguiu consolidar o cristianismo no Báltico e impôs a submissão de Constantinopla por meio da quarta cruzada.
A disputa pela hegemonia europeia
Frederico II herdou do seu pai, Henrique VI, o Sacro Império, e de sua mãe, Constança de Hauteville, o sul da Itália. A Igreja, temerosa de perder os seus privilégios diante do crescente poder imperial na Alemanha e na Itália, não duvidou em apresentar Frederico II como o anticristo. A guerra que colocou frente a frente o papado contra o Império ganhou o aspecto de uma cruzada.
Frederico II: o poder imperial
O sucessor de Inocêncio III foi Honório III. O objetivo do novo papa era prosseguir com as cruzadas e, para isso, teve de enfrentar Frederico II.
Gregório IX, sucessor de Honório, excomungou o imperador, ao mesmo tempo em que uma revolta popular em Roma forçou a fuga do papa. Finalmente, Frederico embarcou na sexta cruzada e conseguiu manter as posições das cruzadas em Jerusalém, Belém e Nazaré.
Apesar dessa conquista, Gregório IX renovou a excomunhão de Frederico. Após o seu regresso das cruzadas, Frederico recuperou várias cidades perdidas e fez um pacto com o papa, devolvendo as possessões clericais em troca do perdão eclesiástico.
A luta contra o Império: o Concílio de Lyon
O confronto entre o papado e o Império atingiu o seu ponto culminante com a celebração de um concílio ecumênico em Lyon, já que Roma não era cidade segura para o papa Inocêncio IV. A condenação do imperador, que foi deposto, e a instigação ao uso de armas tanto morais quanto físicas, com fins pacificadores, só piorou a situação. Diante dessas circunstâncias, a clausura do concílio provocou descontentamento em todas as frentes.
Em 1250, após uma série de derrotas, Frederico II morreu. O sucessor foi o filho Conrado, que morreu em abril de 1254. Seu filho e herdeiro Conradino, ainda criança, foi entregue à tutela do papa.
Um império simbólico
O fim da dinastia Staufen fez desaparecer a ideia imperial como realidade política, embora essa ideia continuasse viva no imaginário popular. O mito imperial só renasceu durante o reinado do imperador Carlos V de Habsburgo, cujos estados patrimoniais o tornaram o soberano mais poderoso da Europa. Contudo, o seu reinado esteve dominado pelo confronto entre católicos e protestantes que acabou por dividir o Sacro Império em duas facções irreconciliáveis.
Do final do reinado do imperador Carlos V (1556) até o desaparecimento do Sacro Império, com a renúncia de Francisco II (1806) à coroa imperial, o Império foi uma débil e pouco definida federação dos principados territoriais da Alemanha presididos pela dinastia dos Habsburgo. A Guerra dos Trinta Anos e, principalmente, a Paz de Vestfália (1648) precipitaram significativamente a desintegração política do Império. A partir de então, nenhum outro imperador tentaria exercer uma autoridade monárquica centralizada e forte.
As revoluções liberais e o aparecimento do nacionalismo transformaram a estrutura supranacional do Império em uma instituição anacrônica. Com a renúncia ao trono de Francisco II da Áustria, em 6 de agosto de 1806, terminava uma etapa de quase um milênio de história.

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