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Arte pré-românica

A ocupação da Europa pelos bárbaros
A decadência do Império Romano confirmou-se após a morte de Teodósio em 395. O Império Romano foi dividido entre Honório e Arcádio. Honório tornou-se imperador do Ocidente e mudou a capital para Ravenna, enquanto Arcádio assumiu o trono do Oriente. Nos finais do séc. IV e inícios do séc. V, o Império viu-se alterado pela invasão de numerosos povos: hunos, visigodos, vândalos e suevos, o que obrigou as legiões romanas a abandonar a Bretanha, que foi prontamente ocupada por saxões, anglos e jutos. O norte da África também teve de ser abandonado pelos romanos e foi nesse território que se instalou, posteriormente, o reino vândalo de Genserico.
Finalmente, em 23 de agosto de 476, o imperador Rômulo Augústulo foi deposto por Odoacro. As insígnias imperiais passaram para o imperador de Constantinopla, Zenão, o que provocou o desaparecimento definitivo do Império Romano do Ocidente.
Nos finais do séc. V, a Gália foi repartida por diversos povos: ao sul os visigodos, a leste os burgúndios e ao norte os francos. O rei franco, Clodoveu, expulsou as outras duas etnias da Gália, consolidando o seu poder graças à sua conversão ao catolicismo. Com a morte de Clóvis I, o reino franco-merovíngio fragmentou-se e entrou em uma crise que conduziu à substituição da dinastia merovíngia pela dinastia carolíngia. Pepino III foi o rei que destituiu o último monarca merovíngio.
O rei visigodo Alarico entrou na Península Itálica em 400. Após saquear a cidade de Roma, em 410, quis conquistar as províncias romanas do norte da África, objetivo que a sua repentina morte não o deixou concretizar. Os visigodos dispuseram-se a enfrentar os vândalos, os alanos, os suevos e os movimentos rebeldes da Hispânia para facilitar a entrada dos seus exércitos nesta região. O rei Eurico acabou por dominar grande parte da Península Ibérica. Após a derrota perante os francos em Vouillé (507), os visigodos abandonaram a Gália para se converter no novo poder político da Península Ibérica, cuja capital fundaram em Toledo.
Os povos germânicos distribuíram-se pelas diferentes áreas do extinto Império. Os ostrogodos, depois da tomada de Ravenna em 493, tornaram-se os novos dominadores da Península Itálica, instalando-se principalmente no norte. Não obstante, o seu domínio foi se reduzindo devido ao ataque dos exércitos de Justiniano, que, em 540, acabaram por conquistar Ravenna, a capital ostrogoda. Em 569, acossados pelos avaricenses, os lombardos e o seu rei Alboíno entraram na Península Itálica, iniciando, assim, a última grande migração germânica. A conquista de Aquileia (569) conduziu ao domínio da planície do Pó e permitiu-lhes estabelecer a sua capital em Pavia.
O nascimento da arte pré-românica
A arte pré-românica pode ser definida como o conjunto das criações artísticas desenvolvidas em um espaço de tempo que abrange desde a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., até o aparecimento das manifestações artísticas propriamente medievais. Dessa forma, essa arte faz uma ponte entre a arte antiga tardia e a arte românica. A arte pré-românica alimentou-se diretamente das expressões artísticas paleocristãs e bizantinas. Assim, não se deu uma verdadeira cisão artística entre a Antiguidade e a Idade Média, mas sim uma continuidade dos recursos artísticos que já existiam na Antiguidade. No entanto, essa continuidade esteve sempre condicionada pelas diferentes transformações que se produziram no período, devido aos distintos contextos políticos e sociais.
A decoração de manuscritos era uma arte extraordinariamente desenvolvida pelos monges dos mosteiros ingleses e irlandeses, que recolheram nos seus trabalhos a tradição iconográfica celta. Miniatura do Livro de Kells, ca. 800 (Biblioteca do Trinity College, Dublin, Irlanda).
A arte pré-românica na Europa
Quando se fala da arte que surgiu entre os povos germânicos instalados nos territórios que anteriormente pertenceram ao Império Romano do Ocidente, fala-se da arte da época das invasões, que vai desde a queda do Império Romano, em 476, até a coroação de Carlos Magno como imperador, no ano 800.
Os ostrogodos
Os ostrogodos, um povo que inicialmente estava relacionado ao grupo étnico dos godos, da mesma forma que os visigodos, eram muito influenciados pelos romanos. O seu rei Teodorico instalou a capital em Ravenna e construiu edifícios inspirados em modelos imperiais. O seu mausoléu, que se encontra no cemitério ostrogodo, é muito representativo da arte pré-românica de influência romana. Trata-se de um edifício de planta central com enormes muros e uma grande cúpula monolítica.
Os trabalhos de ourivesaria, em ouro ou em prata e bronze, adquiriram grande importância em virtude da elaboração de fivelas e fíbulas. Nesta última se destacam as chamadas falconiformes, elaboradas em ouro e recobertas com incrustações de cristais vermelhos.
Os lombardos
A partir do séc. VI, os lombardos instalaram-se na Península Itálica. A sua arte espalhou-se por toda região e recebeu a influência da arte bizantina. Nas suas necrópoles, foram encontrados inúmeros objetos que permitiram o estudo dos aspectos mais emblemáticos dessa arte. Nos cemitérios lombardos, como os de Castel Trosino (Ascoli) ou Nocera Umbra (Úmbria), encontraram-se muitos objetos com uma decoração quase sempre policromada com motivos animais.
Na escultura lombarda, destaca-se o altar de Ratchis, em Cividale (Itália), que representa a Visitação de Maria, a Adoração dos Reis Magos, um Cristo em Majestade e duas cruzes.
Durante o séc. VII, os lombardos assentaram o seu poder na Península Itálica, e a classe dirigente iniciou a conversão do arianismo ao catolicismo. A Visitação, relevo do séc. VII do altar doado pelos reis lombardos à Catedral de Cividale del Friuli (Itália).
Os merovíngios
Na Gália, o reino franco ficou sob o domínio da dinastia dos merovíngios, que remonta ao séc. V. Devem o seu nome ao rei franco Meroveu, da primeira dinastia (448-458). Dessa forma, nasceu uma arte que foi fruto da inter-relação entre a arte galo-romana e a arte paleocristã.
Um dos expoentes da arquitetura merovíngia é o batistério de São João de Poitiers, construído sobre um antigo edifício pagão do séc. IV, de planta cruciforme com absides quadradas. Também em Poitiers, em uma necrópole cristã, encontra-se o hipogeu das Dunas, que segue o exemplo de construção das câmaras funerárias galo-romanas.
Outro elemento funerário importante da cultura merovíngia da arte pré-românica são as criptas de Jouarre, que se encontram perto da povoação de Meaux, dentre as quais se destaca o trabalho escultórico do sarcófago de Teodoquilda, primeira abadessa do mosteiro de Jouarre.
A sucessão da dinastia merovíngia pela carolíngia e a coroação de Carlos Magno como imperador em 800 deram lugar a uma etapa de florescimento cultural muito dependente do poder imperial.
A arte pré-românica na Península Ibérica
Para estudar a arte pré-românica ibérica deve-se ter em conta que, após a queda do Império Romano do Ocidente, viveu-se um período de continuidade na tradição artística do Baixo Império. A irrupção do povo visigodo e o estabelecimento do novo poder político não significaram uma ruptura com essa tradição. Até quase os finais do séc. VI não apareceu uma arquitetura característica da época visigótica, com um estilo de construção e decoração próprio.
O desaparecimento da monarquia visigoda, causado pela invasão muçulmana em 711, e a rápida expansão dos muçulmanos pela Península, mesmo para além dos Pireneus, não impediu que determinados grupos de nobres visigodos procurassem nas terras do norte a possibilidade de criar núcleos cristãos.
Arquitetura e artes decorativas visigóticas
Um dos elementos mais característicos da arquitetura visigótica é o uso do arco de ferradura. A sua utilização devia-se a uma questão estética, mas também arquitetônica, dado que o arco de ferradura oferecia maior estabilidade à construção, sobretudo na criação de grandes portas para as cidades. Esse arco também foi utilizado para a criação de vãos muito mais amplos. Os silhares eram de grandes dimensões e dispostos em filas de alturas irregulares. A estabilidade do edifício dependia do bom trabalho do canteiro.
As abóbadas de canhão com seção em forma de ferradura eram construídas tanto em pedra como em tijolo. Não obstante, para tramos longos preferiu-se o uso das coberturas de madeira. Nos cruzeiros usavam-se as abóbadas de aresta ou as cúpulas semi-ovais.
Nos edifícios religiosos era comum que a área litúrgica e a dos fiéis ficassem separadas por uma iconóstase. Segundo os textos da época, esta separação denominava-se chorus. No interior das igrejas não se recorreu à decoração pictórica, já que a perfeita talha do silhar faz pensar que os muros deixam ver as pedras com que tinham sido construídas.
Tesouros visigóticos
Os monarcas visigodos eram muito dados a oferecer presentes a outros reis ou ao pontífice para comemorar fatos históricos ou com uma finalidade litúrgica. Nas crônicas, encontram-se descrições pormenorizadas dos tesouros reais, e os restos conservados confirmam a grande riqueza dos tesouros áulicos.
Na ourivesaria visigótica, utilizavam-se frequentemente as chamadas fíbulas falconiformes, que tinham um perfil de águia com as asas abertas e estavam ornamentadas com cristais de cores.
As fíbulas usadas para prender peças de vestuário eram um acessório muito comum entre todos os povos germânicos. Exemplares elaborados com ouro e pedras preciosas, do tesouro de Omharus (príncipe dos Gépidos), descoberto em Apahida, Romênia (Museu Nacional de História, Bucarest).

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