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Pandemia

Endemias, epidemias e pandemias
Quando uma doença infecciosa e transmissível se difunde por vários países e continentes, atravessando todas as fronteiras, ultrapassando o número de casos previstos e, além disso, é persistente no tempo, fala-se de pandemia (do grego pan, todo, e demos, povo). A peste bubônica e a varíola são alguns exemplos históricos de pandemias.
Por outro lado, a epidemia, palavra que provém do grego epi, em cima, sobre, e demos, povo, significa o aparecimento súbito de uma doença também infecciosa e transmissível, que ataca grande número de indivíduos de uma determinada região e se espalha rapidamente para outras regiões. Para que uma doença seja considerada epidemia, a quantidade de afetados deve superar o número habitual de casos esperados.
Falamos de endemia quando uma doença está localizada em uma região especifíca, ou seja, quando a doença não se expande para outras regiões ou comunidades. A endemia possui duração contínua, mas sempre restrita a uma mesma faixa.
A ciência que estuda as formas com que as doenças afetam um grupo de pessoas em um determinado espaço e tempo é denominada epidemiologia.
As pandemias mais comuns
Algumas doenças pandêmicas tradicionais pareciam ter sido erradicadas, mas ressurgiram; outras manifestaram-se pela primeira vez há poucos anos. As pandemias tradicionais são a peste, a cólera e a tuberculose. Um exemplo de pandemia moderna é a síndrome de imunodeficiência adquirida, ou AIDS.
A chamada peste negra
É frequente utilizar, equivocadamente, a palavra peste ou praga em vez de pandemia. A sua origem pode ser encontrada nas descrições das primeiras pandemias, como a que foi provocada pelo bacilo Yersinia pestis, a peste bubônica, que é transmitida por pulgas dos ratos. A pulga é um parasita do ser humano e de outros animais de sangue quente (cão, gato, rato, esquilo, etc.) e atua, normalmente, como vetor de transmissão de doenças quando pica as pessoas e os animais para se alimentar do seu sangue.
A peste ficou conhecida por peste negra, devido às lesões puntiformes de cor negra produzidas na pele em consequência das hemorragias. Durante 25 anos morreram na Europa entre 25 e 75 milhões de pessoas devido a essa doença, ou seja, um terço da população da época. Essa doença só desapareceu em 1600.
No séc. XIX houve um novo surto na Ásia, e particularmente na China, onde é endêmica. Os ratos viajaram até outros países nos barcos que zarpavam de Hong Kong. Naquela época, a ciência médica não tinha desenvolvido as medidas de controle biológico necessárias. Com o inverno, caía o número de ratos e pulgas e, consequentemente, o número de casos também.
Atualmente, a peste negra se manifesta em todos os continentes, embora isso ocorra apenas esporadicamente. Todos os anos são registrados entre 1.000 e 3.000 novos casos, e, por esse motivo, deixou de ser considerada uma pandemia.
A pandemia de peste bubônica, que assolou a China em 1330 e se propagou por toda a Europa seguindo as rotas comerciais, exterminou um terço da população europeia. Miniatura veneziana da aniquilação causada pela peste (Biblioteca Nacional Marciana, Veneza, Itália).
A cólera
Ao longo da história surgiram numerosas epidemias e pandemias de cólera. Desde a época de Galeno e Hipócrates foram descritas doenças idênticas à cólera, e existem relatos da sua existência desde a Antiguidade em vastas regiões do rio Ganges.
A cólera é uma infecção intestinal causada pelo bacilo Vibrio cholerae, ou vibrião colérico. Propaga-se pelos alimentos e sobrevive nos meios aquáticos. A cólera pode desaparecer e tornar-se endêmica ou transformar-se em pandemia. A enterotoxina produzida pelo vibrião causa diarreia e pode provocar a morte por colapso vascular em 10 % dos pacientes. As características e a interação entre o hospedeiro e o agente causal fazem com que 90 % dos casos não sejam graves, mas em áreas onde não existe acesso aos meios de tratamento, a mortalidade pode atingir a metade dos afetados.
A sexta pandemia de cólera, e possivelmente as anteriores, foram produzidas pelo biotipo clássico de Vibrio cholerae O1, que progressivamente deu origem ao biotipo El Tor, que representa a atual ou sétima pandemia de cólera.
A cólera clássica desapareceu da sua região de origem, no Sul do Bangladesh, dando lugar a novas variedades, que se infiltraram em uma centena de países em todos os continentes. Começou na Indonésia em 1961, difundiu-se pela Ásia, Europa, África e, em 1991, chegou a Chancay (Peru), e a partir daí expandiu-se para 16 países vizinhos. . Foram registrados 400.000 casos e mais de 4.000 mortos. Em 1999 foram notificados 9.175 óbitos de um total em 120.000 casos estimados.
Essa doença circunscreveu-se, inicialmente, às regiões costeiras e se difundiu rapidamente ao longo dos rios e das rotas dos mercadores. Os tratamentos e a profilaxia em massa não são suficientemente eficazes para limitar a difusão da doença. Por esse motivo, é necessário estabelecer um cordão sanitário nas fronteiras como parte das medidas de controle.
Entre as várias vacinas desenvolvidas, por síntese química, por biologia molecular ou celular, apenas uma foi avaliada em grande escala, em uma comunidade do Vietnã, onde demonstrou ser econômica e imunogênica, embora não houvesse se completado o processo de avaliação. A vacina existente é de baixa eficácia (50 % de imunização) e de efeito retardado (de três a seis meses após a sua aplicação). Deficiências sanitárias e sistemas de distribuição de água primitivos, a grande mobilidade e o deslocamento da água contaminada nos barcos e aviões são as principais causas da propagação desse tipo de doença.
O vírus da imunodeficiência adquirida
Ao falar de pandemia deve-se colocar de lado o conceito de homogeneidade. A pandemia pelo vírus da imunodeficiência adquirida humana (HIV) exemplifica facilmente esta afirmação. Dependendo da região que se leva em conta, o HIV manifesta-se de formas diferentes devido às variáveis biológicas do mesmo vírus (capacidade de mutação do organismo), aos diferentes comportamentos do hospedeiro (taxa de troca de parceiros sexuais) e de acordo com os aspectos demográfico (proporção de indivíduos sexualmente ativos) e político-econômico (serviço de saúde, guerras, etc.) daquele lugar. Calcula-se que a cada 333.000.000 ocorrências de casos tratáveis de doenças sexualmente transmissíveis, 16.000 são novos casos diários de HIV, sendo que mais de 90 % deles ocorrem em países em desenvolvimento e afetam, em mais da metade dos infectados, jovens menores de 25 anos.
Existem evidências consistentes da variabilidade na suscetibilidade do hospedeiro. A variabilidade genética dos indivíduos é crítica, pois pode facilitar a entrada do micro-organismo e definir sua imunidade. A própria pressão imunológica pode moldar as características emergentes dos micro-organismos. A pressão evolutiva do HIV sobre o genoma humano pode ser semelhante à da malária, pois pode favorecer uma arquitetura genética defensiva nas povoações mais afetadas, como as crianças nascidas de mães soropositivas.
Causas de endemicidade e soluções
Entre as causas que favorecem a endemicidade das doenças no mundo globalizado está o próprio comportamento humano anômalo, que ultrapassa as operações de prevenção e controle.
Devido à globalização, são intensificadas as condições de miséria, insalubridade e aglomeração da população pobre. Existem mais pobres, indigentes e desempregados do que pessoas aptas para o trabalho, somando-se aos conflitos sociais, às migrações de refugiados não imunes, tudo isso associado a condições ecológicas desfavoráveis.
Os elevados custos que demandam a saúde pública, a incapacidade administrativa de muitos governos e a recusa das comunidades em seguir medidas de isolamento, prevenção ou de controle do comportamento afetam negativamente o tratamento.
As intervenções comunitárias não produziram o impacto esperado. Devem ser tomadas medidas sinérgicas sobre a morbidade e a mortalidade. Os programas de monitoração, afetados pela descentralização, foram perdendo a capacidade de resposta rápida e efetiva a condições que se alteram. Todos os indicadores dos serviços de saúde como o acompanhamento de variáveis endemoepidêmicas – entomológicas, as meteorológicas e as socioeconômicas – devem apontar para a detecção precoce dos fatores de risco para que uma epidemia não se transforme em uma pandemia.
O exemplo da malária
No caso da malária, o parasita que causa a doença infecta mais de 300.000.000 de pessoas a cada ano em todo o mundo, matando mais de 2.000.000, das quais 90 % são crianças africanas menores de 5 anos.
Algo muito importante é que tanto o parasita como o mosquito frustaram todas as tentativas de controle por parte do ser humano. Espera-se que o desenvolvimento de vacinas, por meio de síntese química ou por técnicas de biologia molecular, contra a malária e outras doenças seja uma importante contribuição racional e econômica na melhoria da saúde pública.
A malária é uma infecção provocada por um protozoário do gênero Plasmodium, transmitida por mosquitos do gênero Anopheles. Um mosquito suga o sangue de uma pessoa infectada, e transmite-o a outra pessoa, por meio de uma nova picada.
Apesar do esforço realizado para o desenvolvimento de vacinas contra a malária, como a vacina sintética SPf66 e outras, criadas por técnicas de biologia molecular, continuam sendo pesquisadas novas gerações que permitam uma maior proteção e que possam ser universalmente aplicadas. Para isso, deverão ser apontados na seleção das porções do micro-organismo os que sejam invariáveis durante a evolução, mas que em laboratório possam ser transformados em indutores de uma resposta imunitária apropriada e, por vezes, satisfazer todas as possibilidades de variabilidade genética do ser humano na resposta imunitária.
A elevada densidade populacional, a insalubridade e a miséria, associadas aos conflitos políticos e à carência de recursos sociais, favorecem a endemicidade de graves doenças infecciosas, como a AIDS, a tuberculose e a malária. Acampamento de refugiados na Etiópia, em abril de 2000.
A erradicação futura das pandemias
Foi o uso das vacinas em grande escala que permitiu a erradicação de pandemias como a da poliomielite (ainda endêmica em certas regiões do planeta) e a da varíola (a única doença infecciosa realmente erradicada da Terra), tentando-se a mesma solução para o sarampo e muitas outras doenças graves. No entanto, para algumas doenças emergentes ou reemergentes não existem vacinas e permanece latente a transformação das epidemias em pandemias.
O conhecimento do genoma humano e de alguns dos micro-organismos patogênicos, assim como o desenvolvimento de ciências como a proteômica (ciência da área de biotecnologia que estuda o conjunto de proteínas e suas isoformas contidas em uma amostra biológica), a imunologia molecular, a vacinoterapia, a genética populacional e a epidemiologia quantitativa, entre outras, e o compromisso científico e de recursos econômicos, permitirão o desenvolvimento de novas formas de prevenção e controle dessas doenças pandêmicas, epidêmicas e endêmicas..

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