> Galería de Fotos (7 elementos)


7 Medias
   > Edupédia
   > Artigos relacionados

EV

Império Otomano

A época de formação do império
O Império Otomano, também conhecido como a Sublime Porta na sua época de seu maior esplendor, surgiu em meados do séc. XIII em torno da cidade de Sogut, na Ásia Menor, e perdurou durante seis séculos sob o governo de uma dinastia turca, a otomana, cujo fundador foi Osman (ou Utman) I Gazi (1281-1324). Iniciou a sua expansão à custa de Bizâncio até se converter, no séc. XVI, em uma grande potência islâmica. Os povos turcos, originários da Ásia Central, expandiram-se pelo Oriente Médio até atingirem as costas mediterrânicas e converteram-se ao Islã. Em meados do séc. XIII, os territórios turcos da Anatólia (a atual Turquia) encontravam-se divididos em diversos principados, chamados beyliks, um dos quais estava governado por Osman, que expandiu o beylik otomano para noroeste com a conquista de Éfeso (1302).
O seu sucessor, Orkhan, conquistou Bursa (1326), Niceia (1330-1331) e Nicomédia (1337), além de anexar Karesi, um dos grandes beyliks turcos da Anatólia, que lhe abriu o acesso ao mar de Mármara.
A irrupção otomana na Europa e na Ásia Central
A principal preocupação do seu herdeiro, Murat I (1359-1389), foi assegurar a supremacia sobre os turcos da Anatólia e destruir o poder militar dos povos eslavos da península balcânica.
O seu filho e sucessor, Bayazid I (1389-1403), não conseguiu ocupar Bizâncio nem os principados de Moreia e Atenas, mas as suas conquistas anteriores ficaram definitivamente consolidadas após derrotar um exército cruzado franco-húngaro na Batalha de Nicópolis (1396). Simultaneamente, entre 1389 e 1398, conquistava todos os principados turcos da Anatólia.
Estas vitórias expandiram os seus domínios até as fronteiras do Império Mongol de Tamerlão (Timur Lang), contra o qual se confrontou em 1402 na Batalha de Ankara, onde Bayezid foi feito prisioneiro. As tropas de Tamerlão atravessaram a Anatólia e arrasaram Bursa, a capital otomana.
A consolidação de um grande império
Após o desaparecimento de Bayazid I, o poder otomano pareceu debilitar-se, mas um dos seus filhos, Mehmet I (1413-1421), conseguiu evitar o colapso, reunificou o poder otomano com ajuda da aristocracia e continuou o cerco de territórios europeus.
A tomada de Constantinopla
O seu sucessor, Murat II (1421-1451), pactuou com Veneza, tendo recuperado grande parte dos territórios perdidos na Anatólia e na península balcânica (Valáquia e Sérvia). O novo sultão, Mehmet II, conquistou a cidade de Constantinopla no ano de 1453, que, com o nome de Istambul, tornou-se capital do Império Otomano e uma das metrópoles mais importantes do Islã.
Expansão do Império Otomano. Da ascensão ao trono de Solimão, o Magnífico (1520), até a derrota das tropas turcas em Mohács (1687), a Sublime Porta viveu seu período de máximo esplendor.
Nas décadas sucessivas, Mehmet II consolidou a sua presença nos mares Egeu e Negro, e estendeu o seu domínio sobre a maior parte da Anatólia. O seu sucessor, Bayazid II (1481-1512), concentrou-se em melhorar a política financeira e fiscal do império, evitando os grandes conflitos militares e limitando-se à conquista da Moldávia (1504).
O primeiro califa
Selim I (1512-1520) conquistou a Síria (1516) e o litoral do norte da península arábica e do Egito (1517). Assim obteve o controle de Meca e o título de califa, além de importantes melhoramentos econômicos, já que a Síria e o Egito eram grandes produtores de cereais, controlavam as rotas das especiarias asiáticas, do ouro e também o tráfico de escravos africanos. Desse modo, em meados do séc. XVI o Império Otomano tinha-se convertido num dos Estados mais poderosos do mundo.
Solimão I, o Magnífico
O reinado do Solimão I o Magnífico(1520-1566), sucessor de Selim I, constituiu a Idade de Ouro do Império Otomano. Além de desenvolver um importante trabalho organizativo e legislador, o sultão ganhou diversas campanhas militares e chegou a disputar a hegemonia da Europa com o imperador Carlos V, ao se aliar com o rei da França, Francisco I. Em 1521, conquistou Belgrado e, em 1526, derrotou os húngaros na batalha de Mohács. Apenas Viena conseguiu deter a ofensiva muçulmana, resistindo ao cerco de 1529. Na época, a frota turca dominava o Mediterrâneo oriental e fazia incursões no ocidental.
À sua morte, os domínios do Grande Turco (denominação utilizada pelos cristãos para se referir ao sultão otomano e ao seu Império) abarcavam da Argélia até o Cáucaso e da Hungria até o extremo sul da península arábica.
A decadência e o fim do Império
Após o desaparecimento de Solimão I, o pouco mérito dos sultões que se sucederam no trono da Sublime Porta, juntamente com a rigidez das suas instituições e a resistência às inovações apesar dos progressos tecnológicos e da expansão comercial da Europa ocidental, fizeram com que o império entrasse em declínio, prelúdio da decadência que viveu no séc. XVIII.
Os retrocessos territoriais no séc. XVII
Apesar de terem obtido algumas vitórias, os otomanos não puderam evitar o desastre da batalha de Lepanto (1571), e não conseguiram impedir que os berberes fossem recuperando a sua autonomia.
Em 1657, Mehmet Köprülü (1661-1676) iniciou uma dinastia de grandes vizires que, com uma política reformista, conseguiu controlar a vertiginosa queda do Império. Perseguiu de forma implacável a corrupção administrativa e depurou o exército, eliminando os seus inimigos e premiando os oficiais fiéis ao poder central. O seu filho e sucessor, Ahmed Köprülü, retomou a atitude agressiva em relação aos inimigos externos tradicionais. Em 1683, os otomanos voltavam às portas de Viena, e a cidade só conseguiu se salvar graças à intervenção do rei da Polônia, João III Sobieski. A sua vitória na batalha de Kahlenberg obrigou os turcos a ceder importantes territórios do seu império europeu. Em 1699, o Tratado de Karlowitz confirmava a perda da Hungria, da Podólia, da Dalmácia e do Peloponeso.
A questão do Oriente
Durante o séc. XVIII, o litoral norte do mar Negro converteu-se numa zona de disputa permanente entre o Império Otomano e a política expansionista russa.
Graças à derrota sofrida no norte do mar Negro, os otomanos obtiveram poderosos aliados na Europa, receosa de que a desintegração dos domínios do império abrisse as portas do Mediterrâneo aos russos, modificando radicalmente o equilíbrio estratégico da Europa, da Ásia e do norte da África. Durante mais de um século, as grandes potências europeias debateram a chamada questão do Oriente, expressão que faz referência à disputa entre a Áustria e a Rússia durante os sécs. XVIII e XIX sobre a distribuição dos territórios europeus pertencentes ao Império Otomano, que se diluía lenta mas inexoravelmente.
O mapa de operações
Os russos pretendiam subjugar os povos eslavos ortodoxos, além de conquistar uma saída direta para o mar Mediterrâneo. Tratava-se de dois objetivos intimamente relacionados: para dominar um grande porto mediterrâneo, precisavam ocupar uma parte substancial da península balcânica, habitada principalmente por populações de língua eslava e religião ortodoxa.
Os otomanos , com o apoio de todas as potências europeias preocupadas em defender seus interesses econômicos na região, opuseram toda a resistência possível a estratégia russa.
As manobras otomanas e a sua repercussão
Desde meados do séc. XVIII, os otomanos tentaram se aproveitar em benefício próprio das disputas estratégicas e econômicas que confrontavam as grandes potências europeias da época (Rússia, Áustria, Reino Unido e França).
A questão do Oriente era quase insolúvel. As derrotas militares otomanas para os austríacos e russos debilitavam o poder dos sultões, estimulando as populações cristãs do Império a exigir a sua liberdade. Assim, a repressão dos otomanos aos seus súditos convertia-se em uma desculpa para novas agressões militares austro-russas, de modo que o conflito renascia constantemente.
O Império conseguiu resistir por mais de dois séculos em razão da falta de concordância entre seus inimigos, os quais não chegavam a um acordo sobre como dividi-lo. Além disso, cada vez que a Áustria e a Rússia chegavam a um entendimento, o Reino Unido e a França intervinham em favor dos turcos para manter os russos afastados do Mediterrâneo.
Os projetos reformistas de Mahmud II
No séc. XIX, Mahmud II (1808-1839) impulsionou um movimento modernizador (conhecido como Tanzimat) com a intenção de reformar o exército, seguindo o modelo europeu, e reforçar o poder central mediante um aparelho burocrático eficiente e um sistema educativo adequado, aproveitando a tecnologia moderna e o desenvolvimento das comunicações, como o telégrafo e a estrada de ferro. Para financiar esses projetos, os otomanos solicitaram empréstimos ao estrangeiro. A dívida externa aumentou até o ponto em que o império se viu incapaz de pagar os juros, de tal modo que em 1881 as suas finanças ficaram sob o controle das potências europeias.
O colapso e o fim do Império
O colapso do Império ocorreu em virtude da sua incapacidade para se manter unido. As províncias europeias foram se separando gradualmente. Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial, o Império da Sublime Porta resumia-se à cidade de Istambul e parte da Trácia, e, fora da Europa, à Síria, à Palestina, ao Iraque e à Arábia, territórios que foram perdidos precisamente durante aquele conflito.
No começo do séc. XX, o descontentamento com o tradicional governo autocrático dos sultões inspirou o surgimento de uma organização clandestina denominada "Jovens Turcos".
Em 1909, o sultão Abdül-Hamid II foi obrigado a abdicar e foi substituído por Mehmet V, que cedeu o poder aos Jovens Turcos, os quais desenvolveram uma política nacionalista e, durante a Primeira Guerra Mundial, aliaram-se à Alemanha e à Áustria-Hungria. O desenlace da contenda foi a derrota dos três impérios: dos restos do Império Otomano surgiu, em outubro de 1923, a República da Turquia, liderada por Kemal Atatürk. A assembleia de Ankara aboliu o califado, em 1924, e o seu último titular, Mehmet VI, foi para o exílio.
A organização política e sociocultural
A principal ocupação do Estado otomano era a guerra. Portanto, a formação, a manutenção e o aperfeiçoamento do exército tornaram-se a principal função do Império.
O exército e a administração
As primeiras forças do exército eram integradas pelas tropas de cavalaria turca (espahis), que eram recompensadas com timares (concessão de terras). Desde meados do séc. XV incorporaram-se também levas de cristãos dos Balcãs (devsirmes). Com eles formou-se a infantaria otomana muito vinculada ao sultão, considerado como pai adotivo dos guerreiros.
Toda a administração do império estava a serviço do exército. A administração central era composta da casa do sultão; os departamentos governamentais, agrupados sob o controle do grande vizir; e a instituição religiosa muçulmana, integrada por funcionários dedicados a temas de educação e legislação.
A religião
O Império Otomano era composto de uma mistura de culturas, línguas e religiões. A maior parte dos seus súditos eram cristãos e pertenciam à Igreja ortodoxa. Apenas na Anatólia os muçulmanos constituíam a maioria da população. Na Trácia, na Macedônia, na Bulgária e na Albânia representavam uma minoria significativa, enquanto na Bósnia a maior parte dos habitantes tinha se convertido ao Islã. Finalmente, em algumas cidades (por exemplo, Tessalônica), os judeus eram muito numerosos.
A arte otomana
A arte otomana é uma reinterpretação dos elementos procedentes do mundo bizantino e dos seldjúcidas, árabes e persas, aos quais se acrescentaram posteriormente as influências italianas e francesas do Barroco e do rococó. A sua herança chegou até a atualidade por meio da arquitetura e das artes suntuárias, da cerâmica (em Iznik), do tecido, da tapeçaria e, sobretudo, das artes do livro: a caligrafia e a ilustração com magníficas miniaturas.
Em Bursa, a primeira capital do Império, floresceu nos sécs. XIV e XV uma arquitetura que deixou a sua marca em todas as obras das posteriores capitais. Entre as suas obras mais destacadas, encontram-se o Mausoléu de Murat II, a Mesquita Verde e a Grande Mesquita de Ulu. A mesquita abandonou a planimetria tradicional por um esquema centralizado e adotou um sistema de cobertura a partir de cúpulas decrescentes. O modelo a seguir, evidentemente bizantino, foi Santa Sofia de Constantinopla, cujas grandeza e dificuldade técnica não tinham podido ser imitadas até aquele momento.
Cúpulas e minaretes da Mesquita do Sultão Ahmet em Istambul (Turquia), obra de Mehmet Aga, conhecida também como Mesquita Azul pela cerâmica azul e branca de Iznik, que decora o seu interior.

Subir