> Galería de Fotos (10 elementos)


10 Medias
   > Edupédia
   > Artigos relacionados
   > Na rede

EV

Nacional-socialismo

Uma doutrina e uma organização totalitárias
O nacional-socialismo ou nazismo foi uma doutrina política e uma organização totalitária implantada na Alemanha entre 1933 e 1945 por Adolf Hitler, líder do partido nazista. A chegada ao poder do partido de Hitler, em 1933, explica-se essencialmente a partir das consequências que a Primeira Guerra Mundial tiveram para a Alemanha.
O Estado nazista alemão denominava-se Terceiro Reich com a intenção de marcar uma continuidade histórica com os dois períodos imperiais da história alemã: o Primeiro Reich, ou Sacro Império Romano-Germânico (desaparecido em 1806), e o Segundo Reich ou Império Alemão (1871-1918). A base do governo do Terceiro Reich era a concentração do poder em Adolf Hitler, que se converteu no único legislador, chefe de Estado e de governo e máxima instância judicial do país. A política externa agressiva e militarista do nazismo conduziu o mundo à Segunda Guerra Mundial.
A doutrina nacional-socialista
As características ideológicas do nazismo alemão têm suas raízes em diversas correntes do pensamento do séc. XIX, como a psicologia de massas de Gustave Lebon, a filosofia de Bergson (para quem a intuição era a forma básica de conhecimento), o relativismo, o existencialismo de Heidegger, o esoterismo alemão, o vitalismo (ou desprezo do intelecto), a apologia da violência e as concepções sobre o Estado inspiradas em uma interpretação particular das obras de Maquiavel, Hegel, Fichte, Schopenhauer e Nietzsche.
Oposição às ideias igualitárias
O nazismo implicava uma reação contra as ideias igualitárias das duas ideologias básicas da história contemporânea da Europa: o liberalismo e o socialismo. A propaganda nazista e as grandes mobilizações de massas organizadas pelo partido ressaltam o predomínio da coletividade sobre o indivíduo, cuja vontade deveria ser dobrada cegamente à do partido e à do líder supremo (Hitler, denominado Führer, cuja tradução é líder ou chefe supremo). O nazismo era também uma reação contra o movimento trabalhista e contra o socialismo e os sindicatos do proletariado. O nacional-socialismo defendia a criação de sindicatos corporativos.
O mito ariano e o antissemitismo
O mito ariano era produto da ideologia racista do nazismo, que proclamava a superioridade inata da raça ariana sobre o resto da humanidade.
A tradicional animosidade contra os judeus assentava no seu caráter de grupo religioso diferenciado do cristianismo, enquanto na Alemanha do séc. XIX o antissemitismo baseou-se mais na consideração dos judeus como grupo racial alheio à maioria ariana. Por este motivo, o nazismo classificou de judeu qualquer descendente de judeu, independentemente da sua confissão religiosa. O antissemitismo fundamentava-se nas teorias de Joseph Arthur Gobineau e Houston Stewart Chamberlain, assim como nas acusações de supostas conjuras internacionais protagonizadas pelos judeus.
O pan-germanismo
O nacional-socialismo baseou-se na ideia de considerar fundamental para o futuro da Alemanha a conquista de um espaço vital (em alemão, Lebensraum) na Europa. O pan-germanismo aspirava estabelecer uma união política de todos os povos de origem germânica, de forma a conseguir a formação da Grande Alemanha.
Adolf Hitler e o partido nazista
A forte personalidade do seu líder, Adolf Hitler, e a situação catastrófica da Alemanha durante a década de 1920 permitiram o progressivo crescimento do nazismo e a consolidação da figura do Führer até a ocupação legal do poder, em 1933.
A formação do partido
Adolf Hitler nasceu em Braunau, na Áustria, no seio de uma família modesta. Após abandonar os estudos secundários, mudou-se em 1908 para Viena. Por meio de leituras dispersas de ideologia racista, foi forjando uma profunda ideologia antissemita e populista.
Na Primeira Guerra Mundial, apresentou-se como voluntário ao exército alemão, tendo alcançado a categoria de cabo. A derrota da Alemanha e a sua própria frustração pessoal alimentaram um forte ressentimento e um espírito de vingança direcionado contra quem considerava inimigos naturais do povo alemão, em especial os judeus e os sindicatos e grupos políticos de esquerda (socialistas e comunistas).
Em 1919, uniu-se ao Partido Trabalhista Alemão (Deutsche Arbeiterpartei, DAP), de Anton Drexler, um dos vários pequenos grupos de extrema-direita, de ideologia racista e hipernacionalista, que tinham sido criados na Alemanha (e em outros países da Europa) ao terminar a Primeira Guerra Mundial. A partir de 1920, o DAP mudou a sua denominação para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP). A essa altura, Hitler já era o chefe indiscutível desse grupo político e conseguiu converter o NSDAP, um pequeno grupo sem influência, na principal formação de extrema-direita do país. O programa do partido dirigia-se às classes médias, pequenos comerciantes, agricultores, aposentados e proletários.
O fracasso da via violenta para o poder
Em novembro de 1923, Adolf Hitler organizou em Munique um frustrado golpe de Estado contra o governo de Berlim, ao não conseguir o apoio do governo regional e da polícia bávara, apesar de ser este o Estado alemão em que a extrema-direita exercia maior influência.
Após o fracasso do golpe, o Partido Nacional-Socialista foi proibido. Adolf Hitler, presidente do partido, foi condenado a cinco anos de prisão, dos quais cumpriu apenas um.
Durante a sua reclusão, Hitler condensou os seus objetivos políticos e ideais extremistas no livro Minha Luta (em alemão, Mein Kampf).
A chegada ao poder do partido nazista
Entre 1924 e 1929, a conjuntura econômica na República de Weimar era positiva, e o partido de Hitler não encontrava seguidores. No entanto, a situação gerada pela crise econômica de 1929 provocou um rápido aumento do apoio social ao NSDAP. Desde então, a ascensão do nazismo foi inevitável, particularmente entre as classes altas e médias urbanas e entre os agricultores.
Em 1932, o mercado de trabalho encontrava-se numa situação alarmante. A Alemanha contava com 6.000.000 de desempregados. Nenhum país sofreu tanto com a crise econômica como a Alemanha.
Hitler soube aglutinar nas suas fileiras não só os movimentos de extrema-direita como também a burguesia e a aristocracia alemã que, face ao exemplo recente da Revolução Russa, via no nacional-socialismo uma garantia contra uma possível revolução comunista. Os grandes industriais foram o principal sustento econômico de Hitler.
Em princípios de 1932, Hitler perdeu as eleições presidenciais para o marechal Hindenburg, mas em julho do mesmo ano o NSDAP foi o partido mais votado. Apesar desse fato, Hindenburg negou-se a nomear Hitler como chanceler (primeiro-ministro). Nas novas eleições gerais de novembro do mesmo ano, o partido nazista conseguiu 196 deputados, contra os 100 dos comunistas. Em 30 de janeiro de 1933, graças à pressão exercida pelos industriais e pelos grandes proprietários de terras, Adolf Hitler foi finalmente nomeado chanceler do Reich.
A Alemanha nazista
Imediatamente após a sua chegada ao poder, Hitler iniciou um rápido desmantelamento do regime democrático. O Partido Comunista Alemão foi declarado ilegal e o Parlamento concedeu poderes excepcionais a Hitler por um período de quatro anos, apesar da oposição isolada dos socialistas.
Em poucos meses, implantou-se um regime ditatorial de partido único, submetido à autoridade indiscutível de Hitler. As autoridades dos estados e dos governos locais ficaram sob controle direto do governo do Reich, foram proibidos os sindicatos livres e dissolvidos os partidos políticos. Hitler concentrou todos os poderes quando, após a morte de Hindenburg, acumulou as funções de chanceler e presidente da República, autoproclamando-se Führer.
O controle da sociedade: o totalitarismo
Um gigantesco aparelho de propaganda, cujos objetivos básicos eram a exaltação da raça ariana e o culto ao Führer, submeteu a população a um controle absoluto.
Por meio do sistema educativo e do lazer, a juventude foi um dos setores da sociedade que mais recebeu o doutrinamento nacional-socialista. Os docentes foram obrigados a filiar-se à Sociedade de Professores Nacional-Socialistas, os livros didáticos foram redigidos segundo o ponto de vista nazista, a história e as ciências naturais foram reformuladas e introduziu-se o ensino das chamadas ciências racistas.
Criaram-se organizações policiais responsáveis pelo controle da população a SS (Schutzstaffel, escalão de proteção) e a SA (Sturmabteilung, seção de assalto). O chefe da SS era Heinrich Himmler, que também comandava a polícia política, a Gestapo (Geheime Staatspolizei, polícia secreta do Estado).
A perseguição aos judeus
Em 1933 tiveram início os confinamentos em campos de concentração dos presos políticos (sobretudo comunistas e socialistas) e dos cidadãos detidos apenas por motivos raciais.
A noite de 10 de novembro de 1938 ficou conhecida como a Noite das Vidraças Partidas (Kristallnacht), um ataque em massa contra os judeus alemães levado a cabo por grupos nazistas. Foram incendiadas 267 sinagogas, foram destruídas 7.500 lojas e milhares de judeus foram agredidos. Os nazistas enviaram 30.000 judeus para os campos de concentração e assassinaram um número indeterminado de pessoas.
Entre 1936 e 1941, o propósito básico dos campos de concentração era a exploração econômica dos prisioneiros e o seu extermínio por meio de trabalhos forçados.
O holocausto, denominação dada ao extermínio dos judeus europeus por parte das SS, foi a tentativa de uma "solução final", objetivo terminal do antissemitismo nazista.
A repressão dos dissidentes
Durante o regime nacional-socialista, a imprensa, a rádio e o cinema foram inteiramente submetidos ao controle do Ministério de Instrução Pública e de Propaganda, presidido por Joseph Goebbels (1897-1945), verdadeiro cérebro do Terceiro Reich.
A propaganda nazista utilizava a imprensa escrita, mas especialmente o rádio e o cinema.
Durante o Terceiro Reich, as bibliotecas foram expurgadas, e os livros considerados perniciosos foram queimados em gigantescas fogueiras. Em 10 de maio de 1933 teve lugar em Berlim a primeira queima de livros. Foram destruídos mais de 20.000 livros, incluindo obras de Thomas Mann, Stefan Zweig, Erich Maria Remarque, Albert Einstein, Jack London, Upton Sinclair, H. G. Wells, Sigmund Freud, André Gide e Émile Zola.
A situação da Igreja católica alemã passou de um pacto de coexistência inicial, graças à assinatura da concordata de julho de 1933, a um progressivo deterioramento. A perseguição a sacerdotes e a supressão de organizações e publicações católicas levaram a um crescente distanciamento entre os católicos e o regime. A Igreja protestante, que inicialmente apoiava o nazismo, foi alvo de um plano de reorganização e enquadramento por parte do regime.
A política econômica do nazismo
De 1933 a 1939, a Alemanha passou por um rápido crescimento econômico graças a dois motivos fundamentais: a redução dos salários dos trabalhadores e a criação de uma forte indústria de armamentos e de um moderno e potente exército.
Os salários reais foram reduzidos para aumentar os lucros dos empresários, com o argumento de que estes aumentariam os seus investimentos. Após a proibição dos sindicatos, os trabalhadores não dispunham de organizações que defendessem os seus interesses trabalhistas, e a diminuição do desemprego fez-se à custa da deterioração das condições de vida dos trabalhadores.
O Estado realizou grandes obras públicas e estimulou a indústria de armamento, mas o déficit e a dívida pública aumentaram de forma descontrolada, o que levou à suspensão do câmbio da moeda. Assim, a Alemanha não podia comprar praticamente nada em outros países, uma vez que não podia pagar as importações. No aspecto econômico, o país ficou praticamente isolado do exterior.
Para o nazismo, a partir de 1939, a guerra e a espoliação dos países ocupados não eram apenas decisões políticas, mas sim uma necessidade econômica, ou seja, uma saída para os erros políticos ocorridos entre 1933 a 1939.
O expansionismo nazista e a eclosão da Segunda Guerra Mundial
A partir de março de 1938 iniciou-se a expansão do Terceiro Reich, com a anexação da Áustria à Alemanha. Em outubro do mesmo ano, a Alemanha ocupou a região tcheca dos sudetos, com o argumento de estar habitada por falantes do alemão. Um ano depois, em março de 1939, criou o protetorado alemão da Boêmia e Morávia no território restante da Tchecoslováquia.
Finalmente, após assinar o Pacto de Aço com Mussolini (março de 1939) e um pacto de não agressão com a URSS (Pacto Ribbentrop-Molotov, em agosto de 1939), Hitler invadiu a Polônia, em 1.º de setembro de 1939. O repúdio à invasão por parte das outras potências internacionais marcou o início da Segunda Guerra Mundial.

Subir