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Nacionalismo

O nacionalismo durante o séc. XIX
O nacionalismo compreende as doutrinas ou os movimentos políticos que pretendem dotar de Estado próprio uma nação sem Estado. Embora na linguagem comum seja hábito usar os termos nação e Estado como sinônimos, são conceitos diferentes. Nação é uma entidade basicamente social, ou seja, um conjunto de indivíduos que se reconhecem como membros de uma comunidade claramente diferenciada de outras; o conceito de Estado apresenta um conteúdo especificamente político (um Estado é um conjunto de instituições que têm jurisdição sobre a população de um território politicamente independente).
A partir do final do séc. XVIII, apareceram dois conceitos diferentes de nação, a saber: a concepção revolucionária francesa, que identificava como nação a comunidade dos cidadãos do Estado, e a concepção alemã, segundo a qual a nação era uma realidade independente da vontade dos indivíduos. Ambas as concepções inspiraram o aparecimento de diversos movimentos nacionalistas durante o séc. XIX, cujas maiores realizações foram a unificação da Itália e da Alemanha.
A unificação italiana
Após o Congresso de Viena (1815), os nacionalistas italianos iniciaram o projeto de unificar o país e impor o modelo de Estado-nação. Naquele momento, a Itália estava dividida em vários Estados: reino do Piemonte-Sardenha, ducados de Parma-Modena e Toscana, Estados Pontifícios, reino das Duas Sicílias e reino Lombardo-Veneto, sob soberania austríaca. A unificação teve como mentores o rei Vítor Emanuel II, do Piemonte-Sardenha, o conde de Cavour – presidente do governo desse reino desde 1852 – e Giuseppe Garibaldi, militar revolucionário, que soube congregar as massas populares em torno de uma Itália unida.
A unificação alemã
Algo parecido ocorreu na Alemanha, dividida em vários pequenos Estados. A priori, qualquer dos grandes Estados germânicos, a Prússia e a Áustria, poderiam ter tutelado o processo de unificação. Os nacionalistas alemães tinham em mente o modelo de Estado-nação, uma Alemanha formada por alemães, e naquele momento, a Áustria libertava um império no qual conviviam múltiplas nacionalidades: alemães, húngaros, tchecos, eslovenos, croatas, romenos etc. A Prússia, depois de vencer a Guerra austro-prussiana (1866), dirigiu a unificação alemã. O novo Estado alemão, através de um rápido processo de industrialização, converteu-se numa das principais potências da Europa.
Com a ascensão de Guilherme I ao trono da Prússia (1861) e a designação do chanceler Otto von Bismarck (1862), acelerou-se o processo de unificação alemã, que se realizou em duas etapas, marcadas respectivamente por dois conflitos bélicos: a guerra austro-prussiana (1866) e a Guerra franco-prussiana (1870).
Em 1866, eclodiu a Guerra austro-prussiana. A Prússia soube atrair a ajuda do Piemonte, enquanto a França se manteve neutra. A Prússia venceu a Áustria na batalha de Sadowa. Bismarck anexou diversos territórios, dissolveu a Confederação Germânica e criou a Confederação da Alemanha do Norte (1867) e um Parlamento federal (Reichstag), do qual foram excluídos a Áustria e os Estados do Sul (Baviera, Baden e Württemberg).
Bismarck conseguiu atacar a França, país que se opunha à hegemonia da Prússia na Europa. O pretexto para o ataque foi o veto francês à candidatura de um membro da família real alemã ao trono espanhol, vazio depois da deposição de Isabel II em 1868. Um mal-entendido entre os diplomatas franceses e prussianos, habilmente provocado por Bismarck, desencadeou a Guerra franco-prussiana (1870), que resultou na derrota fulminante da França. As consequências dessa guerra foram a proclamação, em Versailles, do Império Alemão (Segundo Reich), no qual se integraram os Estados da Confederação da Alemanha do Norte, os do sul da Alemanha e as regiões até então francesas da Alsácia e Lorena (de população de língua alemã). O rei prussiano Guilherme I tornou-se o primeiro imperador (kaiser). Nascia, então, a primeira potência militar da Europa continental e a segunda do mundo depois do Reino Unido.
Até a Segunda Guerra Mundial
Os 40 anos anteriores à Primeira Guerra Mundial foram cenário de uma gigantesca onda nacionalista, principalmente caracterizada pela prioridade do critério étnico-linguístico para definir a nação, a aspiração de constituir em cada nação um Estado próprio (reivindicação do direito à autodeterminação) e a redescoberta da história e da cultura.
Uma região de conflito particularmente acentuado foi a dos Balcãs, onde confluíam os interesses de três grandes impérios (o austríaco, o russo e o turco) e existia uma grande complexidade étnica e cultural (sérvios, croatas, eslovenos, bósnios, albaneses, macedônios, búlgaros, romenos, alemães, húngaros etc.). A esses interesses acrescentavam-se os da Prússia, França, Reino Unido e Itália. Os conflitos, muito numerosos no final do séc. XIX e princípio do séc. XX, foram gerando confrontos que levaram à Primeira Guerra Mundial.
Quando a guerra terminou, numerosos grupos nacionais conseguiram criar os seus próprios Estados, baseando-se no princípio de nacionalidade defendido pelo presidente estadunidense Wilson. Como resultado do desaparecimento do Império austro-húngaro, formaram-se cinco novos Estados (Hungria, Áustria, Tchecoslováquia, Iugoslávia e Polônia) e ocorreram transferências territoriais na Romênia e Itália. O Império Otomano também desapareceu, o que provocou a alteração de diversas fronteiras entre os países em confronto durante a guerra e gerou um vazio de poder no Oriente Médio, que a França e o Reino Unido tentaram preencher. A Alemanha sofreu perdas territoriais em favor da França (Alsácia e Lorena), Polônia, Dinamarca e Bélgica. Nas regiões ocidentais do império russo surgiram novos Estados: Finlândia, Estônia, Letônia e Lituânia. Por sua vez, a Irlanda tornou-se independente do Reino Unido em 1921, embora os condados do nordeste (Irlanda do Norte) ficassem sob a soberania britânica, o que criou um conflito difícil de resolver.
Nacionalismo e descolonização
Depois da Segunda Guerra Mundial, a ideologia e a prática nacionalistas variaram substancialmente. Durante as décadas de 1940 e 1950 proliferaram os nacionalismos nos territórios coloniais.
Apesar da sua associação teórica com o nacionalismo de raiz europeia, a independência das colônias não foi conseguida pelas nações, mas sim pelos Estados embrionários surgidos das anteriores demarcações coloniais.
Globalmente, no nacionalismo das antigas colônias ocorreu a dupla identificação da metrópole com o Estado opressor e da colônia com a nação oprimida. Essa identificação tentava legitimar a luta contra a metrópole, assim como a utilização de qualquer meio que conduzisse à emancipação, sobretudo quando esse meio era a violência armada (guerras de libertação, guerrilha rural ou urbana, terrorismo etc.).
O ressurgimento do nacionalismo
Nas duas últimas décadas do séc. XX, reacenderam-se na Europa as questões nacionalistas. Em 1991, o colapso da União Soviética deu lugar à formação de 15 novos Estados. Devido à complexidade nacional da maioria desses novos Estados, em numerosas ocasiões foram propostas reivindicações de independência por parte de algumas regiões com personalidade nacional própria, que em alguns casos desembocaram em conflitos bélicos (particularmente violento foi o caso da Chechênia, país muçulmano incluído na Federação Russa). Em outras ocasiões, confrontaram-se alguns dos novos Estados por territórios em disputa.
Um modelo pacífico foi a divisão da Tchecoslováquia entre a República Tcheca e a Eslováquia (1993). O conflito nacionalista mais traumático foi, sem dúvida, a dissolução da Iugoslávia, a partir de 1991, e a sua divisão em cinco novos Estados: Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia e Montenegro e Macedônia. Em 2006, Montenegro separou-se da Sérvia para constituir um Estado independente.
Os nacionalismos na atualidade
Depois da independência do Timor-Leste, em 2002, os conflitos nacionalistas mais importantes são o do Tibet, sob a soberania chinesa; o do Saara Ocidental, ocupado pelo Marrocos no fim da colonização espanhola; e o do Curdistão. O território que os curdos ocupam divide-se entre a Turquia, o Iraque, o Irã e a Síria, e as tentativas desse povo para conseguir um Estado próprio contaram com a firme oposição desses quatro países, especialmente da Turquia.
Xanana Gusmão (à direita) e o ministro da Justiça da Indonésia, Muladi, em 1999. O referendo para a autodeterminação do Timor-Leste, em 1999, conduziu Xanana ao poder.
Nas democracias ocidentais tentou-se dar resposta às reivindicações dos nacionalismos mediante sistemas de descentralização e autogoverno. Por exemplo, no Canadá submeteu-se a referendo, por duas vezes, a independência do Quebec (1992 e 1995), embora o resultado tivesse sido desfavorável para as aspirações nacionalistas. Em outro extremo, a França mostrou-se sempre mais reticente em outorgar qualquer tipo de autonomia às regiões que o exigiram, particularmente a Córsega. Tenta-se resolver o conflito da Irlanda do Norte pela criação de um governo regional autônomo, a meio termo entre as aspirações da comunidade católica, partidária da reunificação com a República da Irlanda, e as da comunidade protestante, que aspira manter-se sob a soberania britânica.

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