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Mesopotâmia

O contexto econômico
Os gregos da Antiguidade chamaram de Mesopotâmia a planície que se estende entre os rios Tigre e Eufrates. Durante esse período histórico, foi uma das regiões mais avançadas do planeta. Nessas terras desenvolveram-se as primeiras formas de organização social, nas quais se firmaram o papel aglutinante das cidades, o conceito político de império, as relações de poder entre clero e nobreza. Essa organização social apoiou-se, sobretudo, em uma vontade legisladora que levou aos primeiros textos legais. Nessa região também se produziu um dos avanços tecnológicos fundamentais na história da humanidade: o aparecimento da agricultura. A transição de uma sociedade coletora para uma sociedade produtora fomentou o desenvolvimento econômico e técnico das comunidades neolíticas e o aparecimento das primeiras cidades.
O ponto de partida que provocou o início do desenvolvimento econômico do mundo mesopotâmico foi denominado revolução urbana, que consistiu na substituição de uma estrutura socioeconômica baseada na aldeia neolítica por uma cidade que aglutinava as terras mais próximas. Passou-se de uma economia de subsistência para uma economia de troca.
A revolução agrícola: organização do trabalho e tecnologia
A agricultura mesopotâmica se beneficiou dos avanços alcançados durante o neolítico e da introdução das técnicas de irrigação.
O regime fluvial do Tigre e do Eufrates caracteriza-se pelas suas cheias repentinas e por um período de seca prolongado. Para compensar esses problemas, o agricultor devia recorrer à criação de um sistema de represas e canais, onde se armazenava e distribuía a água.
Tal como no Egito, era necessária a existência de uma autoridade forte que dirigisse os trabalhos. O aparecimento do monarca está relacionado à passagem da aldeia para a cidade e em grande parte das regiões que abarcam a Mesopotâmia, a centralização do poder.
A base da produção agrícola eram os cereais. Além disso, também eram plantadas hortaliças e frutas nas hortas situadas perto da cidade. A riqueza e a fertilidade das terras aluviais da Mesopotâmia permitiam a obtenção de colheitas abundantes. O conhecimento e desenvolvimento de técnicas agrícolas também explicam a alta produtividade da agricultura mesopotâmica.
Inicialmente, a maior parte das terras pertencia ao monarca ou aos sacerdotes, mas com a passagem do tempo a propriedade da terra se estendeu e chegaram a surgir grandes proprietários.
A origem do artesanato: a metalurgia
A boa produção agrícola deu origem a tantos excedentes que uma parte dos habitantes pôde dedicar-se a outras tarefas. Por volta de 6.000 a.C., os sumérios conheciam a metalurgia do cobre. O uso desse metal permitia-lhes elaborar instrumentos de cobre e, posteriormente, de bronze. A ausência de pedra nas planícies aluviais e a melhoria técnica que as armas de metal proporcionavam explicam o auge da metalurgia. Só em finais do I milênio a.C. surgiram a fundição e a criação de manufaturas a partir do ferro.
Paralelamente ao crescimento urbano, apareceram os artesãos. Além disso, surgiu um grande número de pequenos ofícios ligados à construção e aos trabalhos de engenharia hidráulica.
O início do comércio: do artesanato ao comércio
A intensa atividade manufatureira e a possibilidade de vender os excedentes agrícolas possibilitaram o aparecimento do comércio. O uso da roda acelerou as comunicações e as trocas entre os diferentes povos da região.
A prática do comércio implicou o aparecimento de uma nova instituição: o mercado. Cada cidade dedicava um espaço preferencial ao mercado, onde eram comprados e vendidos todos os tipos de produtos.
Também se desenvolveu um comércio em grande escala que punha em contato o Egito e o Mediterrâneo oriental com as terras da Ásia central e da Índia. As grandes cidades mesopotâmicas, principalmente a Babilônia, converteram-se em grandes centros exportadores de produtos manufaturados. Ainda não se usava a moeda, mas as estruturas financeiras e comerciais eram bastante desenvolvidas.
Reinos da Ásia Menor entre os sécs. XI e VIII a.C. A região situada entre os rios Tigre e Eufrates é considerada um dos berços da civilização, onde floresceram a agricultura e as primeiras cidades.
A sociedade
Os povos que habitaram a Mesopotâmia procediam de locais muito diversos, com origens, línguas e culturas consideravelmente diferentes. Apesar disso, distinguem-se características sociais bastante semelhantes que se mantêm ao longo de mais de 3.000 anos de história.
O papel dos sacerdotes: a função dos templos
As adversidades climáticas da Mesopotâmia explicam em parte a necessidade de organização para a sobrevivência. No entanto, para poder se organizar política e socialmente, era imprescindível uma autoridade forte que unisse o grupo.
O conhecimento do ciclo natural das plantas e a previsão das chuvas podiam explicar o êxito inicial dos magos ou sacerdotes que controlavam o poder nas primeiras povoações.
O deus local era o dono onipotente da cidade e dos seus bens. Dessa maneira, inicialmente, seria a casta sacerdotal a que controlaria todos os meios de produção, já que possuíam oficinas, lavouras e gado. O centro religioso, o templo, costumava coincidir com o centro econômico da cidade. Os sacerdotes não só controlavam a produção, como também organizavam a distribuição e o comércio externo. O sumo sacerdote era eleito pela divindade para cobrar os tributos, dirigir a economia ou vigiar o cumprimento das leis.
O aparecimento dos chefes militares: os reis e o palácio
Por volta de 2600 a.C. ocorreu uma mudança substancial. O centro do poder político e econômico transferiu-se do templo para o palácio. As frequentes guerras entre as cidades fortaleceram o papel dos exércitos e, por extensão, dos seus líderes. O rei recuperou o poder exercido pelo sumo sacerdote. Em muitas ocasiões, reforçou o seu papel divinizando a monarquia. O poder do rei era ilimitado e absoluto.
Uma enorme e poderosa burocracia encarregava-se de manter em funcionamento todo o reino e o monarca dirigia o exército e a administração, sendo também o máximo legislador e juiz supremo. A sua soberania emanava diretamente de deus, o seu poder não nascia das armas mas sim do fato de ser o instrumento da divindade na terra. A divinização da monarquia manteve os povos submetidos, uma vez que qualquer ato contra o monarca era considerado um ato contra a divindade, criadora da ordem natural.
Das cidades-Estado aos grandes impérios mesopotâmicos
O crescimento das cidades implicou o aparecimento das primeiras diferenças sociais e econômicas. A relação entre poder social e riqueza era muito estreita. Em geral, as sociedades mesopotâmicas apresentavam modelos de sociedades piramidais e pouco maleáveis. Na extremidade da pirâmide social encontrava-se uma minoria todo-poderosa. No código de Hamurabi são denominados awilum. A sua riqueza procedia do domínio de terras ou de grandes oficinas onde trabalhavam os escravos, cuja origem costumava ser o espólio de guerra ou a venda por dívidas. Entre esses dois grupos, awilum e escravos, encontravam-se os artesãos e os camponeses, cuja situação era muito variável: no caso dos artesãos, dependia do nível de especialização do seu trabalho e, no caso dos camponeses, do regime de propriedade das terras que cultivavam.
A transformação das cidades-Estado em império foi fruto do desenvolvimento econômico e político da cidade. As cidades não possuíam as matérias-primas necessárias para manter o desenvolvimento econômico. Só a conquista militar de territórios, onde se encontravam essas matérias-primas, ou o controle político das rotas comerciais podia lhes assegurar a sobrevivência.
O desenvolvimento político
É importante destacar que a história da Mesopotâmia é um processo complexo, resultado da diversidade de povos e, sobretudo, das cidades-Estado que se sucedem no controle político do espaço geográfico ao longo de quase 4.000 anos.
A pré-História mesopotâmica e o primeiro Império Sumério
Antes da chegada dos sumérios e dos semitas à Mesopotâmia, foram encontrados alguns sítios neolíticos que indicavam a presença de pequenas comunidades cerca de 6500 a.C.
No entanto, foi em meados do IV milênio a.C. que chegaram as primeiras ondas migratórias: semitas e sumérios.
Por volta do ano 3200 a.C. a Mesopotâmia encontrava-se dividida numa miríade de pequenas cidades-estado que lutavam entre si numa tentativa de se transformarem na potência hegemônica da região. Em 2600 a.C., a cidade de Kish conseguiu uma efêmera supremacia ao ocupar Umma, Lagash e a Acádia. O rei Mesilim unificou a maior parte da Suméria, a Baixa Mesopotâmia, sob a sua autoridade. Porém, cidades como Ur e Lagash disputavam a hegemonia de Kish. Cerca de 100 anos depois, a cidade de Lagash pôs ponto final ao poder de Kish. Finalmente, a cidade de Uruk, sob o reinado de Lugalzagesi (2350-2325 a.C.), destruiu a cidade de Lagash e impôs o seu poder na Suméria ao conseguir criar um império que abrangia desde o golfo Pérsico até o curso médio do Eufrates.
A cidade de Acádia e a sua hegemonia
Nesse contexto de guerra entre as diferentes cidades da Suméria, ergue-se a figura do rei Sargão de Acádia (2350-2300 a.C.). Sargão soube unificar as tribos semitas do Norte da Mesopotâmia e lançá-las contra as cidades do sul, impondo-se sobre toda a região. Além disso, conquistou a Ásia Menor e parte da Síria. Sargão adotou elementos importantes da cultura suméria e criou um império centralizado, cuja capital era Acádia. Com Naram-Sim, primeiro rei elevado à categoria de deus, o Império alcançou a sua máxima expansão. No entanto, uma invasão dos guti, povo procedente das montanhas, provocou a decadência do Império Acadiano. O poder de Acádia diminuiu à medida que crescia o da cidade de Ur, que voltou a fundar o Império Sumério, expulsando os guti e mantendo os povos nômades fora das fronteiras. Até o final do II milênio, a III dinastia de Ur dominou a história política da Mesopotâmia. Sob o reinado de Urnambu, surgiu uma das novidades dessa dinastia, que consistiu na imposição de funcionários para governarem as cidades conquistadas. Esses governadores substituíram as elites locais, numa tentativa de constituir um império homogêneo.
Suméria e Acádia. As duas cidades foram capitais de grandes impérios, sob o reinado de Lugalzagesi e Sargão, respectivamente.
As invasões semitas. O antigo Império Assírio
Por volta do ano 2000 a.C., os assírios invadiram a Mesopotâmia. Eram um povo nômade de origem semita que tinha se misturado com os povos originários dos vales mesopotâmicos. O seu núcleo principal encontrava-se nas montanhas do curso superior do Tigre. O desaparecimento da III dinastia de Ur permitiu-lhes assumir o controle da área setentrional da Mesopotâmia. Servindo de apoio ao governo do rei, e ao contrário dos outros povos mesopotâmicos, os semitas tinham uma assembleia formada por homens livres que possuía algum poder. Parte da prosperidade da Assíria residia no controle das rotas comerciais, que ligava a Mesopotâmia à península de Anatólia. No entanto, a pressão das tribos amoritas e a própria fragilidade do reino assírio provocaram a decadência da Assíria, que se tornou um Estado vassalo do monarca babilônio Hamurabi.
Babilônia entra na história
No ano 1970 a.C., uma nova invasão, agora dos grupos amoritas, pôs fim ao Império de Ur. Ibsin, o último rei de Ur, não pôde evitar a invasão das tribos amoritas vindas do oeste. Os chefes das diferentes tribos amoritas conquistaram as cidades mesopotâmicas, proclamaram-se reis e adotaram a cultura e o cerimonial político-religioso sumério anterior a eles.
A luta entre as diferentes cidades se manteve durante os sécs. XIX e XVIII a.C.
No início do séc. XVIII a.C., apareceu uma nova força política no mapa mesopotâmico, a cidade da Babilônia, situada ao norte da Acádia e fundada pelas tribos semitas.
Durante o reinado de Hamurabi (1792-1750 a.C.), a Babilônia tornou-se o centro político da Mesopotâmia. Combinando habilmente a guerra com a diplomacia, apoderou-se de Uruk e Isin. Posteriormente, estendeu o seu controle pela região da Suméria e da Acádia e conquistou as cidades de Mari e Assur, no norte.
A importância política de Hamurabi deve-se ao fato de ter posto fim à época das cidades-Estado como unidades políticas, pois unificou cultural e juridicamente toda a Mesopotâmia em um único Império. Hamurabi fez da Babilônia um Estado forte e centralizado, retirou dos templos e dos diferentes chefes locais grande parte das terras que detinham e entregou-as aos soldados do seu exército.
No entanto, os sucessores de Hamurabi não puderam manter a unidade do Império. A crise agrária e comercial, consequência das guerras contínuas, explica o seu desaparecimento. O sul da Mesopotâmia separou-se e formou o País do Mar. As tribos nômades do norte, os cassitas, invadiram repetidamente a Acádia e devastaram o território. Finalmente, o rei hitita Mursil I aproveitou a fragilidade da Babilônia para saquear a cidade (1531 a.C.).
O Império Assírio
O Império Assírio tornou-se a grande potência da Mesopotâmia e do Oriente Médio desde finais do séc. XIV até o séc. VI a.C. Sob o reinado de Eriba-Adad, os assírios conquistaram as regiões limítrofes. Durante a primeira metade do I milênio (1074-623 a.C.), apoderaram-se da Síria, das cidades da Fenícia, Babilônia, Suméria, Israel e Elam. Durante o reinado de Assurbanipal, o Império Assírio conseguiu a sua máxima expansão e ocupou temporariamente o Egito faraônico.
A principal razão que explica essa brilhante expansão territorial encontra-se na existência de um exército assírio perfeitamente treinado e equipado, que usava armas de ferro, graças à contribuição dos ferreiros hititas. As campanhas militares eram não só um recurso para se apoderarem de terras, mas também um dos pilares básicos da economia assíria. O saque e a expropriação das terras e dos tesouros a que eram submetidos os povos vencidos mantinham em funcionamento toda a estrutura político-militar do mundo assírio. O temor ao exército assírio assegurava a exploração econômica das províncias do Império.
No entanto, o Império Assírio mostrava sintomas de fragilidade. A sucessão ao trono era, frequentemente, precedida de lutas entre os diferentes clãs nobiliários, incluída a poderosa casta sacerdotal, que aspirava ao poder. No entanto, o principal problema do Império consistia em que os assírios eram uma exígua minoria que não pôde submeter todos os povos vencidos no momento em que estes se levantaram unanimemente contra o seu domínio.
Por volta de 620, uma coligação dos medos – povo de origem indo-iraniana – e de babilônios aproveitou a invasão de bandos citas na fronteira norte para devastar a Assíria (614-608 a.C.). Nínive, Assur e Kalaj, as principais cidades assírias, foram tomadas pelas armas e a maior parte da população assíria foi exterminada.
Muralhas de Nínive, antiga cidade da Mesopotâmia, próxima da atual Mosul (Iraque).
O Império Neobabilônico
O rei babilônio Nabopolasar tinha liderado a coligação de povos que pôs fim ao Império Assírio. O seu filho Nabucodonosor II (605-562 a.C.) criou o Império Neobabilônico. Firmemente estabelecido na região central da Mesopotâmia, encaminhou-se primeiro para a Síria e a Fenícia, territórios que conquistou cerca de 604 a.C., depois de derrotar os egípcios. Partindo da costa fenícia, empreendeu expedições em direção ao Egito, submeteu a Judeia, arrasou Jerusalém e deportou a população judaica para a Babilônia. Nabucodonosor II reconstruiu a Babilônia e combateu contra os elamitas e as tribos nômades do norte. Grande parte das conquistas militares da Babilônia era fruto da necessidade de controlar as rotas comerciais que ligavam a península da Anatólia, o golfo Pérsico e o Egito através das cidades mesopotâmicas. Contudo, os medos acabaram por destruir o Império Neobabilônico em meados do séc. VI a.C.
O Império Persa
Um dos reis do Império do Medo, Ciaxares (653-585 a.C.) conseguiu acabar com o Império Neobabilônico e converter-se na força política hegemônica na Mesopotâmia. No entanto, os persas, outra tribo de origem indo-iraniana submetida aos medos, romperam com essa vassalagem e organizaram um poderoso Império. Ciro II (559-529 a.C.) conseguiu ocupar a Mesopotâmia, grande parte da península da Anatólia e o Oriente Médio. O seu filho e sucessor, Cambises, conquistou o Egito.
Dario I, seu sucessor, foi o grande organizador do Império Persa, dividindo-o em 20 províncias, denominadas satrapias.
Dario também pretendia dominar os gregos, mas fracassou contra uma coligação de cidades helênicas, tal como o seu sucessor Xerxes. Durante todo o séc. V e o séc. VI, os reis persas tiveram de dedicar grande parte das energias do Estado para sufocar as rebeliões nobiliárias e a secessão das províncias mais afastadas do centro do Império. A irrupção de um exército macedônio sob o comando de Alexandre Magno (334-323 a.C.) desmembrou em poucos anos o Império Persa.
Tal como outros impérios mesopotâmicos, a principal fraqueza dos persas era a ocupação populacional deficiente no conjunto total do Império.
Principais períodos da arte mesopotâmica
Os estudos mais recentes sobre a arte na Mesopotâmia tenderam para a diferenciação por períodos, já que o termo arte mesopotâmica é mais amplo e refere-se às manifestações artísticas dessa região geográfica, onde não existia unidade cultural e política.
A arte suméria (3750-2334 a.C.)
Durante o período proto-histórico, encontram-se os primeiros vestígios da arquitetura suméria na cidade de Uruk. São obras de caráter religioso e concentram-se nas regiões de Kullab e Eanna.
No início do III milênio a.C., os templos estavam cercados de muralhas de perfil ovalado, cujo modelo seguiria as diretrizes marcadas pelo templo oval de Khafadye, construído entre 2700 e 2400 a.C. A arquitetura suméria do III milênio a.C. conheceu poucas inovações, à exceção do aparecimento de um templo in antis na região do Tell Chuera.
O primeiro grande conjunto sumério de esculturas foi um depósito de estátuas de alabastro encontrado no templo de Abu, em Eshnunna. Essas estátuas apresentam as mesmas características da estátua do governante Ebih-il de Mari, atualmente no Museu do Louvre (Paris, França).
Os temas comemorativos e religiosos refletem-se nas placas de pedra lavrada, em que se destacam a placa calcária do rei Ur-Nanshe (2494-2465 a.C.) e a Estela dos Abutres (2460 a.C.), conservadas no Museu do Louvre (Paris).
Junto com os trabalhos em metalurgia e ourivesaria, desenvolveram-se de forma excepcional os trabalhos de incrustações aplicadas a objetos de madeira ou metal, em que eram utilizados diversos materiais como o lápis-lazúli, diorito e conchas, entre outros. Com essa técnica foi construído o Estandarte de Ur (c. 2500 a.C.), encontrado no cemitério real desta cidade e cuja finalidade é desconhecida. Trata-se de dois painéis de madeira, cuja face anterior, denominada Cara da Guerra, está dividida em três registros que devem ser lidos de baixo para cima. O outro painel, Cara da Paz, mostra os cidadãos levando os tributos ao rei, que aparece bebendo e ouvindo a música de uma lira. Conserva-se no Museu Britânico (Londres, Reino Unido).
Relevo originário da cidade de Nimrud que representa o ataque a uma fortaleza por soldados assírios (Museu Britânico, Londres, Reino Unido).
A arte acadiana (2334-2154 a.C.)
No período acadiano, a arquitetura palatina impôs-se à religiosa. Os palácios acadianos, como o de Naram-Sin em Tell Brak, no vale de Jabur (2250 a.C.), apresentam plantas quase quadradas com salas, pátios e divisões que alternam o quadrado e o retângulo, tudo concebido de maneira unitária.
Estátua suméria de um soberano de Lagash, Gudea, de aproximadamente 2150 a.C. (Museu do Louvre, Paris, França).
A entrada dos povos semitas da Acádia na Suméria deu um ar inovador às artes da escultura. Inicialmente, a escultura acadiana seguiu as premissas básicas da arte suméria, como a frontalidade e a expressão dos olhos, mas depois introduziu mudanças importantes: cabeças com cabeleiras compridas ou a barba e o bigode ressaltando os pômulos. As obras deram uma vitalidade e um realismo impensáveis na etapa suméria. Uma das poucas obras dos semitas acadianos é a Cabeça do Rei da Acádia (c. 2250 a.C.).
Os relevos, tal como na Suméria, tiveram um papel de grande importância na concretização dos novos critérios estéticos.
Representação de um zigurate. A construção dos zigurates, edifícios de estrutura piramidal com um pequeno templo para a realização de rituais religiosos, associava-se às principais divindades das cidades mesopotâmicas.

A arte do período neossumério (2123-2004 a.C.)
O esplendor da arquitetura na Suméria e Acádia manifestou-se durante o período neossumério. Ur-Nammu (2112-2095 a.C.), fundador da III dinastia de Ur, ordenou a construção de numerosos zigurates nas principais cidades da Mesopotâmia. O mais bem conservado é o da cidade de Ur, dedicado à deusa Lua (Nannar ou Sin), estruturado em três patamares.
A escultura neossuméria tem um nome próprio: o ensi Gudeia (c. 2150 a.C.), estilo do qual se conservaram mais de 30 figuras representativas, entre sentadas e eretas, realizadas na sua maior parte com diorito.
A arte do antigo Império Babilônico (1894-1595 a.C.)
A arquitetura babilônica realizou um dos palácios mais espetaculares da Mesopotâmia, o Palácio de Mari. Destaca-se tanto pelas suas grandes divisões como pela sua riqueza decorativa. Infelizmente, o próprio rei Hamurabi, com o propósito de deter uma rebelião, incendiou o palácio em 1759 a.C.
A obra escultórica mais significativa da arte babilônica é o conhecido Código de Hamurabi, gravado sobre diorito azul, com 2,25 m de altura, encontrado em Susa no início do séc. XX. Na parte superior, Hamurabi recebe as leis das mãos de Shamash, o que implicava o caráter divino das mesmas e caracterizava a violação do código como sacrilégio. Paralelamente à sua relevância artística, o valor histórico da obra está no fato de constituir a primeira codificação histórica de um conjunto de leis.
A arte do Império Assírio (1365-612 a.C.)
Em relação à escultura de busto redondo, abundaram as representações dos deuses protetores, como os que foram encontrados no templo de Nabu e Calach. Também são os autores dos lamassu, esculturas de grandes proporções em forma de leões e touros androcéfalos que protegiam os templos e os palácios.
A estatuária real é definida pela inexpressividade e rigidez marcada, como mostra a estátua de Assur-Nasirpal II, encontrada em Calach.
Os relevos assírios adquiriram a sua maturidade artística no final do II milênio a.C., paralelamente à introdução dos obeliscos. Entre estes devem salientar-se, principalmente pelo seu estado de conservação, o Obelisco Branco (1050-1032 a.C.) e o Obelisco Negro de Salmanasar III (827 a.C.).
O relevo assírio assumiu novos critérios plásticos durante o reinado de Sargão II (721-705 a.C.). Esses critérios foram aplicados aos frisos do palácio de Dur Sharrukin (Jorsabad), onde se insinua a vontade de usar a perspectiva, com um maior interesse pelo pormenor nos objetos pessoais ou de uso cotidiano e a introdução de temas relacionados com a vida privada do monarca.
O rei Senaquerib (704-681 a.C.) converteu Nínive na nova capital do Império, o que levou à criação de um outro palácio, que foi decorado com relevos em ortóstato narrando as guerras de Senaquerib. A excepcionalidade desse palácio recai no pormenor da vegetação, da fauna e dos acidentes geográficos. Paralelamente, os relevos de temática cinegética chegam ao seu expoente máximo de beleza.
A arte da Pérsia aquemênida (560-330 a.C.)
A arquitetura persa estava sob a tutela direta do poder monárquico, mas foi capaz de assimilar todas as formas artísticas existentes no seu vasto Império e de dar à sua arte uma personalidade própria.
A maior expansão do Império chegou com Dario I (521-486 a.C.), que iniciou as obras do Palácio de Susa. O que mais se destaca é a sala do trono (apadana), com um teto sustentado por 36 colunas estriadas de 20 m de altura. A escadaria que dava acesso à sala estava decorada com a representação de arqueiros de ladrilho esmaltado que se encontram no Museu do Louvre e que constituem uma das obras mais interessantes da cultura persa.
Friso dos Arqueiros (ca. 515 a.C.), realizado com a técnica babilônica do ladrilho vidrado, proveniente do palácio de Dario, em Susa (Museu do Louvre, Paris, França).
No final do séc. VI a.C., o próprio Dario I realizou a obra mais importante, situada em Parsa, que os gregos denominaram Persépolis. Tal como em Susa, levantou-se uma grande plataforma com características idênticas, construída com grandes blocos de pedra, no centro da qual se encontrava a grande apadana, cujo acesso era feito por meio de escadarias com relevos de arqueiros.
Em Persépolis desenvolveram-se as manifestações escultóricas mais brilhantes da arte persa.
A arquitetura funerária inclui-se nas obras efetuadas por decisão real. A maioria dos recintos funerários é escavada nas rochas. Entre eles cabe destacar o túmulo de Dario.

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