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Conflito árabe-israelense

Os antecedentes do conflito
No final do séc. XIX, um grupo de intelectuais judeus iniciou o movimento conhecido com o nome de sionismo, derivado de Sião, uma das colinas de Jerusalém e símbolo da terra perdida dois milênios antes. O sionismo propunha a criação de um Estado judeu na Palestina.
Os primeiros judeus que chegaram a partir do final do séc. XIX, procedentes principalmente da Europa Central e Oriental, encurralaram os camponeses palestinos. Estes foram incapazes de competir com as propriedades agrícolas judaicas, muito bem organizadas. Além disso, os judeus impuseram o hebraico como língua unitária, criaram organizações políticas e fundaram Tel Aviv.
Em novembro de 1917, o ministro das Relações Exteriores britânico, Arthur James Balfour, proclamou a criação de um território nacional judeu na Palestina. Esta promessa britânica outorgou legitimidade internacional à emigração judaica. Após o desmembramento do Império Otomano (Tratado de Sèvres, 1920), o Reino Unido assumiu a administração da Palestina.
A partir da chegada de Hitler ao poder e durante toda a II Guerra Mundial, o movimento sionista começou a ser visto pelos palestinos como um inimigo mortal. Naquela época, as atrocidades do nazismo desencadearam uma fuga em massa de judeus para a Palestina, apesar das tentativas britânicas de limitar esse fluxo migratório para não prejudicar as suas relações com os países árabes. A superioridade cultural e econômica dos judeus despertou um forte sentimento nacionalista na população árabe. Em 1945, foi fundada a Liga Árabe – aliança entre o Egito, o Iraque, a Síria, o Líbano, a Arábia Saudita e, posteriormente, a Transjordânia (atual Jordânia) –, que se opôs ao projeto sionista.
A criação do Estado de Israel
Ao finalizar a II Guerra Mundial, as organizações extremistas judaicas iniciaram uma política de assédio contra árabes e britânicos. Um exemplo disso foi o atentado ao Hotel Rei Davi de Jerusalém, sede do quartel-general britânico, em julho de 1946. Os palestinos responderam da mesma forma. Finalmente, no início de 1947, o Reino Unido abandonou o território, transferindo a questão palestina para a Organização das Nações Unidas (ONU). A Assembleia Geral decidiu a partilha do território em três zonas: um Estado judeu, um Estado árabe e uma Jerusalém internacionalizada sob o controle da ONU. A maioria dos países, incluindo a URSS, apoiou a resolução da ONU, ainda que os países árabes se opusessem.
Um enclave ocidental no mundo árabe
Em 14 de maio de 1948, sem esperar pela retirada das tropas britânicas da Palestina, David Ben Gurion proclamou a criação do Estado de Israel, com uma organização democrática ocidental. Devido à sua situação privilegiada – entre os países produtores de petróleo –, Israel converteu-se num ponto geoestratégico extremamente importante.
A independência do Estado israelense atraiu novas ondas de judeus procedentes da Europa, de países árabes do Magreb, do Egito, do Iraque, da Síria e do Líbano. Muitos árabes palestinos fugiram, principalmente para a Jordânia, Síria e Líbano.
As guerras árabe-israelenses
A rejeição da Liga Árabe à proposta da ONU provocou uma série de conflitos armados. A vitória dos israelenses foi rápida, devido à sua superioridade técnica e organizacional em relação às forças árabes, mais numerosas.
  • A I Guerra (maio de 1948-janeiro de 1949): no dia seguinte à proclamação do novo Estado, unidades militares da Liga Árabe irromperam no território palestino numa operação ofensiva contra Israel. Em poucos meses, os israelenses derrotaram o inimigo e conquistaram uma parte do território reservado ao futuro Estado palestino. Por outro lado, a Jordânia anexou a zona entre o rio Jordão e a fronteira israelense (a Cisjordânia), e o Egito apoderou-se da faixa de Gaza.
  • A II Guerra (o conflito de Suez, 1956): em 1956, o dirigente egípcio Gamal Abdel Nasser decretou a nacionalização do canal de Suez, até aquela altura administrado pela França e pelo Reino Unido, assim como o bloqueio do porto israelense de Eilat, no golfo de Aqaba. Em resposta, tropas francesas e britânicas desembarcaram em Port Said e os israelenses apoderaram-se do Sinai. A derrota árabe não foi maior devido à ameaça de intervenção da URSS, que forçou a retirada de franceses e britânicos.
  • A Guerra dos Seis Dias (1967): entre 5 e 11 de junho de 1967, os israelenses, invocando uma suposta ofensiva dos países árabes, atacaram de surpresa o Egito, a Síria e a Jordânia. Em 5 de junho derrotaram as forças egípcias no Sinai. A seguir, ocuparam a faixa de Gaza e chegaram até o canal de Suez, tomaram o Golã, no limite entre Israel e a Síria, e ocuparam a Cisjordânia. A cidade de Jerusalém foi unificada como capital do Estado israelense e os territórios conquistados na guerra foram declarados zonas de ocupação. Não se reconheceram direitos de cidadania aos seus habitantes, apesar de a ONU ter exigido a retirada total de Israel dos territórios ocupados. A derrota dos países árabes consolidou a aliança destes com a URSS. Israel, por seu lado, obtinha o apoio dos países ocidentais, sobretudo dos EUA.
  • A Guerra do Yom Kippur (1973): em 6 de outubro de 1973, enquanto os judeus celebravam o Yom Kippur, o Egito e a Síria lançaram de surpresa um ataque coordenado contra Israel. Os egípcios atravessaram o canal e recuperaram uma parte do Sinai, mas os sírios foram vencidos no Golã. Os países árabes produtores de petróleo reagiram imediatamente com medidas de pressão sobre a economia ocidental. Em quatro meses, o preço do barril quadruplicou, desencadeando a primeira grande crise econômica do mundo capitalista depois da II Guerra Mundial.
    Evolução territorial do Estado de Israel após as guerras árabe-israelenses.

A paz entre Israel e o Egito
Supondo que o desenvolvimento econômico de que o país precisava não viria da URSS, o Egito aproximou-se dos países ocidentais, principalmente dos EUA. Em 1979, os dirigentes do Egito e de Israel, reunidos em Camp David (EUA), assinaram um acordo de paz que obrigava o Egito a reconhecer o Estado de Israel em troca da devolução do Sinai e da concessão de uma autonomia limitada para Gaza e para a Cisjordânia.
A luta palestina
Enquanto continuava a luta armada entre os países árabes e Israel, os palestinos organizaram-se política e militarmente para a luta.
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP)
Em 1964, foi fundada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que reunia vários grupos palestinos. Um destes grupos era o Al-Fatah, cujo líder, Yasser Arafat, foi designado dirigente supremo da OLP. A organização montou uma estrutura militar de controle da população nos acampamentos de refugiados palestinos em Gaza e na Cisjordânia. Em 1970, o aumento da sua presença na Jordânia levou o rei Hussein a lançar uma ofensiva militar contra os palestinos. Muitos deles fugiram para o Líbano, de onde os comandos da OLP lançaram ataques contra Israel, que, por sua vez, atacou o Sul do Líbano.
Por outro lado, os palestinos viram-se envolvidos na guerra civil libanesa. Em 1982, o exército israelense entrou no Líbano e empreendeu uma dura ofensiva para acabar com as milícias da OLP. Beirute e os centros econômicos vitais do país foram praticamente destruídos. Um acordo internacional determinou a retirada das forças da OLP e do exército israelense, mas esta não seria cumprida totalmente até o ano 2000. Paralelamente, o exército israelense permitiu a entrada de milícias cristãs libanesas, inimigas dos palestinos, nos acampamentos palestinos de Sabra e Chatila, onde provocaram um massacre.
A intifada
Após vinte anos consecutivos de ocupação, em 1987 a população palestina levantou-se contra Israel em Gaza e na Cisjordânia. O povo saiu à rua com paus e pedras para enfrentar o poderoso exército israelense, reclamando os seus direitos. Esta intifada (em árabe agitação, levante), que surpreendeu tanto as forças de segurança israelenses como a OLP, foi acompanhada de campanhas de desobediência civil.
A intifada, provocada principalmente pela dura repressão israelense, despertou o interesse internacional pela causa palestina e se fizeram novas tentativas para encontrar uma solução. O rei Hussein da Jordânia desistiu da Cisjordânia e delegou à OLP a responsabilidade política sobre a área.
A situação no novo milênio
No final do séc. XX, a desestabilização da zona intensificou-se com a revolução islâmica do aiatolá Ruhollah Khomeini no Irã (1979) e com a guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988). Para impulsionar a sua economia, o Iraque pretendia elevar o preço do petróleo. Diante da recusa dos países árabes, invadiu o Kuwait em 1990, de onde foi obrigado a retirar-se em 1991 por uma coligação militar internacional, encabeçada pelos EUA (Guerra do Golfo). A vitória consolidou os EUA como líder mundial após o desmembramento da URSS e fez com que os países árabes moderados reconhecessem o Estado israelense, já que se sentiam mais ameaçados pelo Iraque e pelo Irã do que por Israel.
Paz em troca de territórios
Entretanto, diante da evidência de que os palestinos nunca desistiriam, setores cada vez mais influentes da sociedade israelense consideraram que a devolução dos territórios ocupados era o mais razoável. Em outubro de 1991, a conferência de Madri reuniu os dirigentes árabes, os líderes palestinos (a OLP assistiu em caráter oficioso) e o primeiro-ministro israelense, Itzhak Shamir, sob patrocínio estadunidense. Definiu-se assim a base para solucionar o conflito árabe-israelense: "Paz em troca de territórios." Paralelamente, negociaram em segredo, em Oslo, o calendário e as condições (agosto de 1993). Em 13 de setembro, Arafat e o novo primeiro-ministro israelense, Itzhak Rabin, assinaram em Washington o reconhecimento mútuo e a concessão de um regime de autonomia aos palestinos em Gaza e na Cisjordânia. O estatuto definitivo de Jerusalém seria objeto de negociações futuras.
Roteiro para a paz
Em 2001, o quarteto integrado pelos EUA, a União Europeia, a ONU e a Rússia fixaram para o final de 2005 a realização de um objetivo: o estabelecimento de um Estado palestino, cujo plano de trabalho se explica no documento conhecido como "roteiro para a paz". Estes objetivos dividem-se em três fases: o fim do terrorismo e da violência na região; a criação de uma Constituição palestina e de um Estado com fronteiras provisórias; e, por último, uma solução permanente para os conflitos pendentes.
O recrudescimento do conflito
Com o regresso de Arafat e da direção da OLP à Palestina, foram criadas a Autoridade Nacional Palestina e uma polícia autônoma. Pouco tempo depois, a Jordânia reconhecia Israel e ambos os países assinaram acordos de paz. A partir de 1993, as negociações continuaram, embora as ações terroristas tornassem ainda mais instável o precário equilíbrio auspiciado por Washington. Em 1995, Rabin morreu vítima de um atentado.
O conflito árabe-israelense entrou no séc. XXI reavivado pela segunda intifada, pelo acesso ao poder em Israel do nacionalismo radical (Ariel Sharon), pelo aparecimento do novo terrorismo islâmico no panorama internacional e pelo assassinato de Ahmad Yassin, líder espiritual de Hamas, um grupo radical palestino. Em dezembro de 2003, Israel comecou a construir um muro para impedir a entrada de terroristas. O muro, que inicialmente deveria ter 350 km de extensão, tem, na realidade, 760 km e penetra em território palestino, o que faz dele um propício instrumento de anexação do território vizinho. A ONU pronunciou-se com veemência contra a construção do muro, bem como a maior parte da comunidade internacional, e o Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia emitiu um parecer sobre a ilegalidade da barreira de separação. O governo de Israel anunciou que não reconhecia o parecer do TPI e que não acataria nenhuma das decisões tomadas pelo tribunal, aumentando as possibilidades de fracasso nas negociações de paz. Dados oficiais estimam em 350.000 o número de palestinos que ficariam isolados pelo muro dentro do território israelense.
O novo panorama político
A morte de Arafat em novembro de 2004 iniciou uma nova etapade incertezas e lutas entre os diferentes líderes palestinos, à que sesoma a saída da cena política de Ariel Sharon, pouco mais de um ano damorte de Arafat.Tudo indicava que Sharon seria o vencedor das eleições que o levaram acriar o Kadima, formação que inclui membros do Partido Trabalhista e doLikud, seu antigo partido.Ao retirar os colonos judeus da Faixa de Gaza (21 assentamentos em Gaza e4 na Cisjordânia), após 38 anos de ocupação, Sharon iniciou um processoque dava continuidade às negociações de paz iniciadas nos Acordos de Oslo.Quase 10.000 judeus, de modo voluntário ou forçado, tiveram de abandonar aregião, onde vivem cerca de 1.300.00 palestinos.A política atual israelense aposta pela criação de um Estado palestino, oque o obriga a fazer concessões territoriais. O primeiro-ministroisraelense interino, Ehud Olmert, parece disposto a dar continuidade àpolítica iniciada por Sharon de desocupação dos assentamentos daCisjordânia, reforçar o domínio sobre os grandes blocos de assentamento efirmar unilateralmente a fronteira com os palestinos. No entanto, paraestes, tais propostas representariam a anexação de terras cujo únicoobjetivo é a fundação de um futuro Estado independente.

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