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Revolução industrial

Antecedentes da Revolução Industrial
Antes de entrar na análise das mudanças geradas pela Revolução Industrial, convém avaliar as etapas vividas anteriormente a esse momento histórico. De fato, a Revolução Industrial é um processo de substituição da produção doméstica pela manufatureira. Gradualmente, as manufaturas perderam a sua autonomia, que passou para as mãos do sistema fabril.
O comportamento demográfico era dominado por taxas de natalidade e mortalidade muito altas. A escassez de alimentos que assolava periodicamente essas sociedades deixava crianças e idosos numa situação de total vulnerabilidade diante das doenças infecciosas. Também existiam outros fatores responsáveis pelas altas taxas de mortalidade das sociedades pré-industriais, em particular as epidemias e as guerras.
No início do séc. XVIII, a Europa era uma sociedade agrária. A maioria da população vivia do trabalho no campo. A terra era a principal fonte de riqueza e de poder. Os nobres e os dignitários eclesiásticos recebiam todo tipo de impostos dos camponeses. Os sistemas de exploração da terra eram pouco produtivos. A prática do alqueive implicava deixar em pousio, ou seja, sem cultivar, um terço ou mais de toda a terra cultivável, o que diminuía consideravelmente a produção. A condição social dos camponeses variava de um país para outro, mas, fosse qual fosse, a massa popular vivia na pobreza.
Durante o séc. XVIII, as cidades cresceram extraordinariamente graças ao êxodo rural. Nas cidades desenvolvia-se uma atividade econômica proto-industrial. Os artesãos trabalhavam organizados em corporações ou grêmios de ofícios, que tinham por objetivo defender o seu setor de trabalho e assegurar a subsistência dos agremiados.
Os primeiros sintomas de mudança e a revolução demográfica
Durante o séc. XVIII, primeiro na Inglaterra e, posteriormente, em todo o continente europeu, a população cresceu de forma muito rápida.
A taxa de mortalidade foi decrescendo progressivamente, enquanto a natalidade continuava a se elevar, já que não havia tantas guerras como em épocas anteriores nem tantas epidemias, além do aumento da produtividade agrária e da subsequente melhoria da alimentação.
A revolução agrícola
A primeira das inovações foi a gradual substituição do alqueive pela plantação de leguminosas e forrageiras, que aumentavam a produtividade das terras de cultivo. A introdução do cultivo em massa da batata e do milho permitiu que as comunidades de camponeses se libertassem definitivamente da fome.
As novas ferramentas, o aperfeiçoamento do arado, a escolha das sementes, a criação e a engorda do gado em melhores condições sanitárias incrementaram a capacidade de produção de alimentos e, portanto, a qualidade de vida dos camponeses. Na segunda metade do séc. XIX, introduziram-se na agricultura novas tecnologias, como as máquinas debulhadoras e os fertilizantes químicos.
Todas essas mudanças proporcionaram às cidades alimentos abundantes e relativamente baratos e diminuíram o número de trabalhadores necessários no campo. Grande parte da população, até então dedicada à agricultura, teve de se deslocar para as cidades, onde encontrava trabalho mal remunerado em atividades industriais.
A mecanização do setor têxtil e da metalurgia
A partir de 1733, vários inventos permitiram obter uma maior quantidade de fio próprio para tecer. Contudo, a inovação mais importante ocorreu em 1789, quando um pastor protestante, Edmond Cartwright (1743-1823), desenhou um tear de ferro movido a vapor. No final do séc. XVIII, a Inglaterra tinha passado de um sistema proto-industrial a uma industrialização completa, baseada na utilização sistemática de máquinas de ferro e na concentração em um único local (a fábrica) de todos os intervenientes na produção industrial.
Em 1796, a máquina a vapor de James Watt (1736-1819) foi, sem dúvida, o engenho mais característico da industrialização do séc. XIX. Primeiramente utilizada na indústria têxtil, ela foi após, o seu desenvolvimento, adaptada a outros setores, como os meios de transporte, o que, por sua vez, possibilitou o nascimento das estradas de ferro e do barco a vapor.
No setor metalúrgico, descobriu-se a forma de obter ferro nos altos-fornos usando carvão mineral. A produção de ferro multiplicou o consumo de carvão mineral, o que levou à concentração da indústria metalúrgica nas zonas carboníferas.
As estradas de ferro e a revolução dos transportes
No início do séc. XVIII, entrou em funcionamento nas explorações mineiras da Grã-Bretanha uma espécie de trem puxado por cavalos. Em 1763 foram utilizados, pela primeira vez, trilhos de ferro fundido e, posteriormente, a máquina a vapor substituiu a tração animal. Após o êxito alcançado nas minas, esse novo meio de transporte foi aperfeiçoado e utilizado para o transporte de passageiros, generalizando-se rapidamente por todo o continente europeu.
A revolução nos transportes completou-se com o aparecimento dos barcos a vapor. O trem e o barco a vapor tornaram possível uma rápida e mais barata forma de transportar pessoas e mercadorias entre as diferentes regiões de um mesmo país ou entre países diferentes.
O desenvolvimento do capitalismo: o liberalismo econômico
As inovações agrárias propostas justificavam-se, do ponto de vista técnico, pela necessidade de eliminar as terras comunais e permitir a sua venda para as tornar mais produtivas. Esse processo foi levado a cabo, ao longo de todo o século, para benefício dos grandes e médios proprietários rurais, que contaram com o apoio sistemático do Parlamento e da administração estatal.
Nas cidades, os comerciantes iniciaram o movimento que levaria à abolição dos grêmios, que tentavam impedir a fabricação e a venda em massa de produtos manufaturados, que era o objetivo visado pelos novos capitalistas.
A geografia da Primeira Revolução Industrial (c. 1750-1900)
A Revolução Industrial teve a sua origem na segunda metade do séc. XVIII, na Grã-Bretanha. Um século após o seu início, a industrialização já tinha se estendido por todo o continente europeu e pela América do Norte. No final do séc. XIX iniciou-se a industrialização do Japão e da Rússia.
Grã-Bretanha
Diversos fatores facilitaram o desenvolvimento de uma industrialização precoce na Grã-Bretanha: a estabilidade política durante o séc. XVIII e o regime político parlamentar, no qual se viam representados os interesses comerciais e industriais; as numerosas descobertas científicas e a sua aplicação técnica; a favorável situação geográfica e os recursos naturais do país (sobretudo carvão e água); a riqueza gerada graças ao comércio colonial; a abundância de mão de obra barata e suficientemente qualificada; a constante procura por produtos, tanto dos mercados interiores como nos de ultramar; o acumulo de capitais e, finalmente, o avanço técnico dos transportes, que transformaram os mercados locais em um grande mercado nacional.
A Revolução Industrial tinha como centros as cidades portuárias, às quais chegava o algodão procedente da Índia e dos EUA e onde foram construídas as novas fábricas, e as cidades desenvolvidas em torno das regiões carboníferas, onde se concentrou a indústria metalúrgica. As regiões anteriormente dedicadas à indústria têxtil da lã também se viram beneficiadas com a Revolução Industrial.
A industrialização da Grã-Bretanha criou uma nova sociedade, baseada na oposição entre o mundo do trabalho e o capital. Os trabalhadores ingleses sofriam todo tipo de privações e castigos e viviam enclausurados em bairros sórdidos situados na periferia das cidades. Em 1779 e 1796, em Lancashire, e em 1811 e 1812, na região de Midlands, ocorreram intensas agitações sociais (destruição de máquinas e fábricas, paralisações espontâneas), que foram severamente castigadas pelas forças da ordem.
A Europa continental
O resto da Europa seguiu o caminho britânico, mas em ritmo diferente. Na França, o processo de transformação econômica foi interrompido em 1789 devido aos acontecimentos da Revolução Francesa.
As economias dos países continentais da Europa encaminharam-se para a nova economia industrial, como aconteceu na Bélgica e na Alemanha. Os Estados do Sul da Europa foram industrializados mais tarde.
Japão e Rússia
A industrialização do Japão foi extremamente original, uma vez que ocorreu graças a uma forte presença do Estado, após a abolição do regime feudal, em 1871. O Estado interveio em todo o processo de industrialização. O Japão especializou-se em setores como a indústria de armamento, a indústria pesada e a têxtil, especialmente a da seda.
A Rússia também iniciou a sua industrialização no final do séc. XIX. No entanto, o processo foi interrompido, em 1914, devido ao deflagrar da Primeira Guerra Mundial. Posteriormente, a Revolução de 1917 e a guerra civil mantiveram o país em um estado de instabilidade política que não favoreceu o desenvolvimento da indústria.
Os movimentos migratórios em massa
Durante o séc. XIX produziram-se correntes migratórias de uma intensidade sem precedentes na história da humanidade. De fato, a população europeia dobrou entre 1800 e 1900, passando de 150.milhões para 300.milhões de habitantes.
Houve dois tipos de movimentos migratórios: os do campo para a cidade e os transoceânicos. Os primeiros, uma continuação das migrações iniciadas no início do século, contribuíram para o crescimento contínuo das cidades em toda a Europa.
As migrações transoceânicas em massa iniciaram-se durante a segunda metade do séc. XIX. Calcula-se que, entre 1850 e 1930, cerca de 60.milhões de pessoas emigraram dos países europeus para outros continentes.
A Segunda Revolução Industrial
No final do séc. XIX, num momento a que alguns historiadores chamam de a Segunda Revolução Industrial, verificaram-se muitas e importantes inovações na economia capitalista.
As novas fontes de energia e o progresso científico
Tanto a eletricidade como o petróleo implicaram uma ruptura com o período anterior, dominado pela máquina a vapor.
As aplicações mais importantes da eletricidade foram o telégrafo (Samuel F. B. Morse, 1832), a lâmpada (Thomas Edison, 1879) e o telefone (Alexander Graham Bell, 1875). A utilização industrial da eletricidade levou à obtenção de novos produtos, como o alumínio. Também contribuiu para a aceleração da industrialização em países não produtores de carvão, mas que dispunham de rios caudalosos (por exemplo, a Suécia e a Suíça).
A primeira exploração moderna de petróleo surgiu em 1859, nos EUA. Como matéria-prima, as suas aplicações industriais foram diversificadas. Como fonte de energia, permitiu o desenvolvimento da indústria automobilística e, consequentemente, do transporte viário. A inexistência de grandes jazidas de petróleo nos países europeus levou a Europa a uma situação de dependência que tem se prolongado até a época atual.
Os últimos anos do séc. XIX foram marcados por grandes progressos científicos nos campos da genética, da bioquímica etc.
O desenvolvimento do capitalismo
O capitalismo industrial caracterizou-se pelo nascimento das sociedades anônimas, nas quais o capital de uma empresa é dividido pelos diferentes sócios que compram cotas da empresa, denominadas ações. Simultaneamente, os bancos familiares foram sendo progressivamente substituídos por grandes bancos, que tinham capacidade para financiar o desenvolvimento dos grupos industriais de grande porte.
Surgiram os cartéis ou acordos entre empresas para repartirem o mercado de determinados produtos, por exemplo, nos setores do carvão e do aço. Antes da Primeira Guerra Mundial, surgiram as primeiras empresas multinacionais.
A Europa industrial de 1870. A Revolução Industrial favoreceu, ao longo do séc. XIX, o crescimento demográfico, o desenvolvimento dos transportes e as migrações.
Nos países em que se produziu a Revolução Industrial, o nível de vida da população aumentou significativamente, devido à criação de novos postos de trabalho e à melhoria progressiva das condições trabalhistas dos assalariados.
Por volta de 1900, a Alemanha tinha tomado o lugar da Grã-Bretanha como primeira potência industrial, ao mesmo tempo em que os EUA e o Japão ganhavam preponderância econômica em nível mundial. No início do séc. XX, a rivalidade entre as potências capitalistas, os conflitos coloniais e a aplicação das novas tecnologias à indústria de armamentos deu lugar a um clima de crescentes conflitos internacionais, que levaria o mundo a entrar na Primeira Guerra Mundial.

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