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Indústria

As atividades industriais
A indústria é o conjunto de atividades produtivas dedicadas à transformação das matérias-primas, mediante a utilização de diversas máquinas, com o fim de obter produtos manufaturados. As atividades produtivas dividem-se em quatro grandes grupos: agricultura, indústria, serviços e construção civil. Os três primeiros também são denominados setores primário, secundário e terciário, respectivamente. No entanto, tanto na agricultura como no setor de serviços estão compreendidas algumas atividades manufatureiras.
A classificação da ONU
As atividades incluídas no setor industrial também foram objeto de uma divisão em grandes grupos, que, por sua vez, sofreram sucessivas subdivisões. Dessa forma, foi estabelecida uma classificação muito pormenorizada das atividades produtivas. A ONU (Organização das Nações Unidas) estabeleceu, em meados do séc. XX, um primeiro nível de classificação das atividades industriais. Em relação à indústria, determinou quatro grandes grupos:
  • — Indústria manufatureira: subdividida em nove grandes subgrupos: produtos alimentícios, bebidas e tabaco; indústria têxtil, de peças de roupa e couro; indústria e produtos derivados da madeira (móveis); fabricação de produtos de papel, gráficas e editoras; fabricação de substâncias químicas e de produtos químicos derivados do petróleo e do carvão; fabricação de produtos minerais não metálicos (à exceção dos derivados do petróleo e do carvão); indústrias metalúrgicas básicas; fabricação de produtos metálicos, maquinaria e equipamentos; outras indústrias manufatureiras.
  • — Indústria da exploração do carvão e das minas.
  • — Indústria da água, do gás e da eletricidade.
  • — Indústria da construção civil, atividade que, incluída pela ONU dentro de indústria, geralmente se apresenta como um quarto setor produtivo, diferenciado de outras atividades industriais.
A indústria manufatureira
Outra classificação diz respeito à análise dos setores industriais que estão incluídos na indústria manufatureira (no primeiro dos quatro grupos anteriormente referidos), e divide os seus diferentes subsetores em três grupos. São classificados de acordo com o nível de criação de valor agregado que originam: setores de grande procura (geração de valor agregado elevado), de média procura (geração de valor agregado médio) e de baixa procura (geração de pequeno valor agregado). Quanto maior é o valor agregado, maior é a remuneração da mão de obra (ou seja, maiores serão os salários dos trabalhadores das indústrias) e, portanto, a renda e a riqueza das regiões onde estão estabelecidas estas indústrias serão mais elevadas.
Setores de grande procura
São considerados de grande procura os setores manufatureiros da química industrial (também denominada química básica), a indústria farmacêutica e as indústrias de maquinaria e de material eletrônico (que abrange os setores de informática e das telecomunicações).
Setores de média procura
São considerados de média procura os setores manufatureiros de material de transporte (que abrange o setor automobilístico, um dos maiores setores industriais por volume de postos de trabalho e de vendas), a indústria da borracha e dos plásticos, os setores de alimentos e as indústrias de produção de maquinaria e de equipamentos mecânicos.
Setores de baixa procura
São considerados de baixa procura os setores manufatureiros têxtil e do calçado, a indústria siderúrgica, a indústria do cimento, o setor da cerâmica e a indústria dos produtos metalúrgicos.
O processo de industrialização
Entende-se por industrialização o processo pelo qual a estrutura produtiva de um país se transforma de maneira a que a indústria ganhe peso em termos de emprego e de contribuição para o produto interno bruto. Antes da industrialização, a riqueza das nações fundamentava-se na agricultura, que era o principal setor produtivo.
Segundo o economista e estatístico russo Simon Smith Kuznets (1901-1985), são seis as características que definem o processo de industrialização:
  • — Crescimento rápido da população e da produção.
  • — Incremento rápido da produtividade, ou seja, da relação existente entre a produção e o número de trabalhadores que a geram.
  • — Aumento da importância das atividades industriais, em detrimento das agrícolas, graças ao aparecimento de novos procedimentos de organização da atividade, como a divisão do trabalho.
  • — Transformações sociais: urbanização crescente em torno das grandes cidades e despovoamento do campo.
  • — Desenvolvimento rápido das comunicações e do transporte (nacional e internacional).
  • — Crescimento econômico desequilibrado (tanto entre diferentes países como dentro dos próprios países).
Uma condição imprescindível para o processo de industrialização é a acumulação de capital (procedente da agricultura ou do comércio) para financiar os grandes investimentos que ele exige. Assim, historicamente, observa-se que as regiões e as sociedades que não desenvolveram uma atividade industrial durante o séc. XIX foram as que não acumularam capital.
A Revolução Industrial no Reino Unido
O termo Revolução Industrial foi popularizado pelo historiador econômico britânico Arnold Toynbee (1852-1883) para se referir ao processo de mudança da economia na sociedade britânica de 1760 a 1840. Essa mudança representou a passagem de uma economia agrícola e artesanal para uma economia dominada pela indústria e por métodos de produção que utilizam máquinas. As características mais importantes desse processo foram tecnológicas e socioeconômicas.
As mudanças tecnológicas mais importantes foram: o uso de novos materiais básicos, como o ferro e o aço; as novas fontes de energia, como o carvão, que era o combustível da máquina de vapor, patenteada em 1769 pelo engenheiro e mecânico escocês James Watt; a invenção de máquinas como a lançadeira mecânica e a máquina de fiar; a divisão do trabalho e a subsequente especialização; o desenvolvimento dos sistemas de transporte e de comunicações, como a estrada de ferro e o telégrafo; e, finalmente, a aplicação dos avanços científicos à indústria.
As mudanças socioeconômicas mais importantes associam-se com a progressiva perda de importância da atividade agrícola, o processo de urbanização, a irrupção do movimento operário, a crescente importância dos interesses industriais e as mudanças culturais. Os setores têxtil e siderúrgico foram os mais emblemáticos da Revolução Industrial no Reino Unido.
A criação dos altos-fornos foi decisiva para a consolidação do desenvolvimento fabril das sociedades de finais do séc. XIX. A Fundição, 1851, de F. Bonhomme (Ecomuseu da Comunidade Le Creusot Montceau, França)
A industrialização no séc. XIX
A Revolução Industrial difundiu-se do Reino Unido ao continente europeu e à América do Norte. Os EUA iniciaram o seu desenvolvimento industrial no princípio do séc. XIX. Posteriormente, a Alemanha, com a criação da União Alfandegária da Alemanha (Zollverein), em 1834, iniciou o seu processo e, na segunda metade do séc. XIX, já tinha consolidado a sua própria revolução industrial, baseada no setor químico, por meio do uso dos fertilizantes, que aumentaram os rendimentos agrícolas; dos corantes, na química orgânica (cloro, soda); e da maquinaria elétrica, com grande destaque para a invenção do dínamo, que transformava a energia mecânica em energia elétrica.
No fim do séc. XIX, na época da restauração Meiji, teve lugar o início da industrialização no Japão. A modernização associada à industrialização foi contemplada como a via para garantir a sobrevivência como nação em face da ameaça das potências ocidentais. Ao começar a Primeira Guerra Mundial, o país já contava com a base de uma indústria moderna.
As obras literárias de Charles Dickens e as ilustrações de Gustave Doré são testemunhos das transformações sociais acarretadas pela Revolução Industrial. Xilografia de Gustave Doré que ilustra a obra Londres (1876), de L. Enoult.
A industrialização no séc. XX
Ao longo do séc. XX, a industrialização tornou-se uma aspiração universal. A existência de uma indústria moderna tornou-se sinônimo de prosperidade e meio para incrementar os níveis de bem-estar social da população e acabar com a pobreza.
Essa realidade foi válida tanto para os países que adotaram um sistema econômico socialista como para aqueles que permaneceram dentro dos esquemas capitalistas.
A industrialização soviética e os seus seguidores
Apesar de o Império Russo ter sofrido um incipiente processo de desenvolvimento industrial no fim do séc. XIX, as guerras e a revolução impediram sua consolidação. Em 1925, com a instauração do regime comunista e a ativação do I Plano Quinquenal, a URSS iniciou um rápido processo de industrialização baseado na propriedade estatal, no planejamento econômico e na prioridade outorgada à indústria pesada. Durante anos, o modelo soviético de industrialização gozou de muito prestígio e a própria URSS exportou esse modelo para os países do leste europeu.
Também tentou exportá-lo para a República Popular da China, mas Mao Zedong procurou a sua própria via de desenvolvimento.
A industrialização na América latina
Ao longo do séc. XIX, a América Latina especializou-se na exportação de matérias-primas para o continente europeu. Ao começar a Primeira Guerra Mundial, a Argentina e o México contavam com uma incipiente industrialização baseada nas exportações de produtos agrários e minerais. Durante a década de 1920, os excedentes de produtos agrários favoreceram a criação de novas indústrias. A crise da década de 1930, com a redução drástica das receitas e a subsequente diminuição da capacidade de importar manufaturas, impulsionou a industrialização. Os governos latino-americanos utilizaram a industrialização como meio de superar o subdesenvolvimento e iniciaram uma intervenção que objetivava apoiar o crescimento e a modernização da indústria. Em 1939, foi fundada no Chile a Corporação de Fomento da Produção (Corfo), instituição pioneira na criação de empresas públicas nos setores industriais de base (refinarias de petróleo, eletricidade, siderurgia, cimento, química de base etc.). Seis anos depois, o México promulgou a Lei de Indústrias Novas e Necessárias, com o objetivo de canalizar os incentivos (financeiros, fiscais, alfandegários etc.) para as indústrias consideradas prioritárias.
A industrialização no Brasil
A atividade industrial no Brasil teve início no período colonial. As atividades agrícolas e o extrativismo absorviam o pouco capital e a mão de obra, dando margem apenas às indústrias caseiras, à agroindústria do açúcar, a pequenas indústrias no litoral e aos estaleiros em que se construíam embarcações de madeira.
O processo de industrialização foi lento e só ganhou maior impulso durante a Prmeira Guerra Mundial, quando os produtos importados desapareceram do mercado e, com isso, estimulou-se a produção local.
Na década de 1940 houve a primeira iniciativa industrial de vulto, em face das circunstâncias criadas pela Segunda Guerra Mundial. Os EUA precisavam instalar bases aéreas no território brasileiro para o trânsito de seus aviões para a África e a Europa, e negociaram a implantação de uma unidade siderúrgica pertencente ao Estado, a Companhia Siderúrgica Nacional.
Da Segunda Guerra Mundial ao começo da década de 1960, o ritmo da industrialização no Brasil foi intenso, e um passo importante em direção à industrialização autônoma foi a instituição do monopólio estatal do petróleo, com a criação da Petrobras, em 1953.
A expansão do parque industrial brasileiro, iniciada com as indústrias de bens de consumo, procurou, a partir da década de 1970, atingir uma fase mais avançada, a da produção de bens de capital e materiais básicos indispensáveis à aceleração do ritmo do crescimento geral. Um dos setores industriais mais pujantes, no entanto, continuou sendo o automobilístico, estabelecido principalmente nas cidades paulistas do ABCD.
A estratégica industrialização asiática
O modelo clássico de industrialização começou a exibir sintomas de fraqueza na década de 1960. Tais sintomas manifestaram-se como uma interrupção do crescimento econômico, uma insuficiente geração de empregos e grandes desequilíbrios externos. Na década de 1970, a situação tornou-se mais grave por causa da crise do petróleo. Nessa época, irrompeu no cenário internacional um grupo de países cuja estratégia de industrialização se baseava na exportação de manufaturas obtidas com o emprego intensivo de mão de obra. Coreia do Sul e Formosa foram exemplos emblemáticos, juntamente com outros países do Leste e do Sudeste Asiático. A industrialização orientada para as exportações proporcionou um novo modelo aos países em desenvolvimento. Posteriormente, esses países demonstraram uma grande capacidade para desenvolver indústrias tecnologicamente mais complexas (eletrônica, telecomunicações, automobilística etc.), com o subsequente abandono dos setores que utilizam mão de obra não qualificada.
Importância e localização da indústria
A importância da atividade industrial radica no fato de desempenhar um papel-chave na economia, não só pela produção ou pelos empregos que origina, mas também por seu efeito em outros aspectos muito importantes: a melhoria competitiva do conjunto da atividade econômica e a abertura das empresas para o exterior.
A indústria no mundo. A distribuição da atividade industrial é um reflexo do desenvolvimento econômico em nível mundial.
A atividade industrial influencia os demais setores econômicos. Também se trata do setor produtivo que realiza o maior esforço tecnológico e apresenta os níveis de produtividade mais elevados. A localização da indústria no mundo é o resultado das notáveis mudanças sofridas pelo setor ao longo do séc. XX. À sua consolidação na Europa ocidental, América do Norte e Japão seguiu-se o surgimento de novos países e regiões industriais. As repúblicas surgidas do colapso da URSS e os países do leste europeu herdaram do período comunista uma indústria tecnicamente obsoleta, mas também uma tradição, o que significa infraestrutura, mão de obra e técnicos capacitados.
A América latina também sofreu um notável processo de industrialização apesar das suas crises periódicas e das carências em termos de competitividade internacional, tecnologia e geração de emprego. Uma parte importante da indústria mundial tem a sua sede nesse subcontinente. Após a consolidação da Coreia do Norte e Formosa como potências industriais médias, a China irrompeu no mapa da industrialização nas duas últimas décadas do séc. XX.
A desindustrialização e a terceirização
A evolução da indústria nos países desenvolvidos no fim do séc. XX e no início do séc. XXI apresenta uma influência ligeiramente decrescente em relação ao PIB. Esse fato, também chamado desindustrialização, é justificado por um menor crescimento da atividade industrial em face do grande setor emergente nos países desenvolvidos no fim do séc. XX, o setor de serviços (a indústria cresceu nos países desenvolvidos, mas muito menos que os serviços). Esse fenômeno é também conhecido como terceirização das economias avançadas. Tanto os países como as regiões e até as cidades que apresentam nível de desenvolvimento mais alto obtêm a maior parte do seu rendimento das atividades relacionadas com os serviços, que, aliás, ocupam a maior parte da mão de obra. Não se deve esquecer, no entanto, que uma parte importante do setor terciário é constituída pelos chamados serviços da indústria. Uma parte da atividade associada a áreas como a publicidade, a informática e as telecomunicações não pode prescindir do seu vínculo com a atividade industrial.
Distribuição do setor secundário. Nos países mais desenvolvidos de antiga tradição industrial, o setor secundário cedeu terreno ao setor terciário (serviços).
O deslocamento industrial
Em consequência do processo de globalização econômica, que se manifestou e intensificou a partir da década de 1990 nos principais países desenvolvidos, ganhou importância o fenômeno conhecido como deslocamento industrial, processo que evidencia uma tendência cada vez maior para internacionalizar a atividade produtiva do setor industrial entre diferentes países.
A existência de empresas industriais transnacionais com filiais produtivas em vários países não é um fenômeno recente. Na primeira metade do séc. XX, esse processo já estava em curso. Mas foi só depois da Segunda Guerra Mundial que a transnacionalização da indústria adquiriu maior importância. Algumas empresas estadunidenses e britânicas e, posteriormente, alemãs, francesas, holandesas e italianas, estabeleceram filiais produtivas em outros países, quer no mundo desenvolvido, quer nos países em desenvolvimento. Na Europa ocidental, o estabelecimento de empresas estadunidenses em alguns setores industriais (automobilístico, farmacêutico, eletrônico etc.) foi marcante durante as décadas de 1960 e 1970.
Zonas francas para exportação
Durante os últimos anos do séc. XX e nos primeiros do séc. XXI estabeleceram-se, nos países em desenvolvimento, indústrias orientadas para a criação de artigos destinados à exportação. As zonas francas para a exportação cresceram de forma extraordinária em regiões como a América Central, o Caribe, o Norte de África e, sobretudo, o Sudeste Asiático. No México, onde essa indústria é conhecida como maquila ou maquiladora, viu-se difundida na zona fronteiriça com os EUA. No início do séc. XX, 1 milhão de pessoas trabalhavam na indústria maquiladora mexicana.
Determinadas atividades industriais, tais como a indústria têxtil, a de montagem de equipamentos elétricos e eletrônicos e a dos brinquedos, sofreram uma mudança considerável nos seus comportamentos de deslocamento habituais devido a este fenômeno. A mão de obra barata, as condições de trabalho e a isenção de impostos encontram-se na base deste processo.

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