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Primeira Guerra Mundial

Principais pontos de conflito
A Europa, em 1914, era o centro econômico, político e cultural do mundo, em consequência da grande expansão industrial dos anos anteriores e dos seus impérios coloniais. No entanto, o continente europeu não era um conjunto homogêneo nem do ponto de vista econômico nem do ponto de vista político. França, Reino Unido e Alemanha eram grandes potências industriais. Na Rússia, no Império Austro-Húngaro, nos países mediterrâneos e nos Balcãs, a grande maioria da população ainda vivia no campo. Do ponto de vista político, França e Reino Unido tinham sistemas democráticos, enquanto a Alemanha e o Império Austro-Húngaro, apesar de possuírem instituições liberais, eram regidos por sistemas autoritários. Na Rússia, o czar (imperador) tinha poderes quase absolutos.
Antes de 1914, houve diversos conflitos motivados fundamentalmente pela rivalidade colonial e pelas reivindicações territoriais no âmbito europeu.
O domínio do Marrocos
Em relação à rivalidade colonial, as crises mais importantes derivaram dos confrontos entre os interesses franceses e alemães pelo domínio do Marrocos (1905 e 1911). O Reino Unido e a Itália aceitaram a progressiva intervenção francesa no Marrocos em troca de liberdade para atuar no Egito, no caso do Reino Unido, e na Tripolitana, no que diz respeito à Itália. A Espanha ganhou o controle de uma reduzida zona do Norte do Marrocos. A crise foi resolvida na Conferência de Algeciras (1906), na qual o Reino Unido e a Rússia apoiaram a França, em detrimento da Alemanha.
A segunda crise do Marrocos eclodiu em 1911. Os franceses intervieram militarmente na zona, e os alemães responderam com o envio de um navio de guerra ao porto de Agadir. O conflito não se transformou em guerra aberta devido ao apoio britânico à França e à cessão de territórios da África central à Alemanha.
Os Balcãs
No que diz respeito aos conflitos territoriais europeus, o principal foco de tensão eram os Balcãs, conjunto de diferentes etnias e foco de interesses de vários países.
Para o Império Austro-Húngaro, os Balcãs constituíam o principal mercado, pois o Império carecia de colônias e não tinha contato com o mar. A Sérvia pretendia unificar todos os povos eslavos meridionais em um único país, ao que se opunham o Império Austro-Húngaro e a Bulgária. A Turquia, que durante séculos tinha controlado a região, não pretendia abrir mão desse controle. A Rússia pretendia conseguir uma saída para o mar Mediterrâneo, o que a levava a defender a causa dos povos eslavos.
Em 1912, desencadeou-se a I Guerra Balcânica, que reduziu os territórios turcos na Europa a uma estreita faixa em torno de Istambul. Em 1913, foi deflagrada a II Guerra Balcânica, na qual a Bulgária, derrotada pelos demais Estados balcânicos, que tinham vencido os turcos no ano anterior, teve seu território extremamente reduzido.
Regiões de conflitos menores
Outros pontos de conflito eram a região da Alsácia-Lorena (reivindicada pela França desde a sua anexação pela Alemanha, em 1871), as ilhas turcas do mar Egeu (reivindicadas pela Grécia e pela Itália), os estratégicos estreitos que ligam o Mediterrâneo ao mar Negro (cobiçados pela Rússia) e a Polônia, nação sem estado havia mais de 100 anos, partilhada pela Alemanha, pela Áustria e pela Rússia. O Império Austro-Húngaro debatia-se com as reclamações territoriais da Itália e as reivindicações dos partidários da independência poloneses, tchecos e eslavos do sul.
O sistema de alianças internacionais
No período de pré-guerra formaram-se dois blocos internacionais opostos, nos quais estavam envolvidas as principais potências europeias: a Tríplice Aliança e a Tríplice Entente.
A Tríplice Aliança (1882) era integrada pela Alemanha, pelo Império Austro-Húngaro e pela Itália. A Alemanha pretendia entrar nos Balcãs e no Império Otomano dando apoio ao Império Austro-Húngaro. Este, por sua vez, tentava bloquear o acesso do Império czarista à região balcânica.
A Tríplice Entente era formada pela Rússia, pela França e pelo Reino Unido (1907). A aliança franco-russa baseava-se nas divergências entre o czarismo e a Alemanha em relação à política balcânica e na reivindicação da Alsácia-Lorena pela França. O Reino Unido aderiu a esse sistema de alianças para impedir o expansionismo alemão, em particular a expansão naval.
Alguns países balcânicos, como a Sérvia, a Romênia e a Grécia, encontravam-se politicamente mais próximos da Tríplice Entente, enquanto outros, como a Bulgária e a Turquia, apoiavam a Tríplice Aliança.
As causas da guerra
Habitualmente, são apontadas quatro causas principais para a deflagração da I Guerra Mundial: as rivalidades econômicas, a corrida armamentista, as rivalidades territoriais e coloniais e o auge do espírito nacionalista.Gravura que representa o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono austro-húngaro - fato que desencadeou a Primeira GuerraMundial -, obra de Achille Beltrame para o jornal italiano La Domenica del Corriere de 5 de julho de 1914.
As rivalidades econômicas
O antagonismo econômico entre o Reino Unido e a Alemanha foi uma das causas do conflito. O Reino Unido, que detinha a hegemonia mundial desde a primeira Revolução Industrial, via a Alemanha tomar o seu lugar como primeira potência econômica.
O espetacular desenvolvimento alemão inquietava os círculos financeiros e industriais britânicos. Por outro lado, do ponto de vista alemão, o controle que o Reino Unido detinha sobre as rotas comerciais internacionais, deixava os exportadores alemães numa posição de inferioridade.
A corrida armamentista
O período imediatamente anterior à guerra é conhecido como paz armada, porque se falava de paz enquanto todos os países preparavam os seus exércitos e material de guerra. Verificou-se uma verdadeira corrida armamentista, e as indústrias dos diferentes países desenvolveram e aperfeiçoaram todo tipo de armamentos.
Destaca-se, também, a importância da legitimação ideológica e propagandística do belicismo, por meio de atitudes públicas dos dirigentes políticos, da imprensa de massas e de uma literatura belicista, que teve origem no imperialismo e na ideia de superioridade europeia sobre os outros povos do mundo.
As rivalidades coloniais e o auge dos nacionalismos agressivos
Outro foco de tensão durante os primeiros anos do séc. XX foi a rivalidade pela posse de colônias. Reino Unido e França tinham extensos impérios coloniais, enquanto a Alemanha se ressentia do fato de possuir apenas territórios secundários na África.
Durante os anos que antecederam a 1914, generalizou-se na opinião pública europeia um sentimento de autopiedade que favoreceu o aumento de um certo nacionalismo que proclamava a necessidade de união de todos os cidadãos contra o inimigo externo, fosse ele real ou imaginário. A complexa trajetória histórica europeia tornava fácil encontrar justificativas para o ressentimento de qualquer país em relação aos povos vizinhos.
Um espírito patriótico agressivo tinha, definitivamente, penetrado em boa parte do corpo social e contribuía para a criação de um clima de belicismo exacerbado em princípios do séc. XX.
A eclosão da guerra
Devido à situação internacional de conflito, um confronto entre dois Estados, que em outras circunstâncias seria resolvido com negociações, levou ao início da guerra. Em junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro da coroa austro-húngara, visitou Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, e foi assassinado por um nacionalista bósnio pró-sérvio adepto da corrente que tinha como objetivo a formação da Grande Sérvia e a libertação da Bósnia, então sob domínio austríaco.
O governo austro-húngaro aproveitou a ocasião para tentar pôr fim ao expansionismo da Sérvia, declarando-lhe guerra em 28 de julho, com a certeza de que contaria com a colaboração da Alemanha.
A Rússia não estava disposta a admitir uma nova expansão do Império Austro-Húngaro e mobilizou as suas tropas em defesa da Sérvia. Em 1 de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia e à França e, dois dias depois, invadiu a Bélgica. A violação da neutralidade belga levou os britânicos a entrarem em guerra contra as potências centrais, o que deu início à I Guerra Mundial, em 4 de agosto.Em 13 de março de 1918 foi assinado o Tratado de Brest-Litovsk, depois do qual a Rússia se retiraria do conflito. Soldados russos consertando um tanque de guerra (Museu das Duas Guerras Mundiais, Paris, França).
O desenrolar da guerra e as diferentes fases
Em 1914, os países beligerantes eram, de um lado, a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e a Turquia (os impérios centrais) e, de outro, a França, o Reino Unido, a Bélgica, a Rússia, a Sérvia, Montenegro e o Japão (os países aliados). A Bulgária juntou-se aos impérios centrais em 1915, enquanto os aliados viram as suas fileiras reforçadas com numerosas adesões: Itália (1915), Romênia e Portugal (1916), Grécia e EUA (1917), Brasil (1917) e outros países latino-americanos.
No início da guerra, as forças dos dois blocos em confronto estavam equilibradas. Os aliados contavam com uma clara superioridade naval, demográfica e econômica, enquanto os impérios centrais dispunham de uma capacidade de mobilização imediata, de maior potencial bélico e constituíam um bloco territorial compacto.
A guerra de movimentos (1914)
Em um primeiro momento, seguiram-se os velhos modelos militares da guerra de movimentos. Na frente ocidental, os franceses lançaram uma pesada ofensiva sobre a Alsácia-Lorena, que fracassou em poucas semanas, enquanto os alemães punham em prática o Plano Schlieffen, segundo o qual a Alemanha deveria deflagrar primeiro uma guerra-relâmpago no oeste, para derrotar o exército francês, e logo se concentrar na frente oriental para vencer o exército russo, considerado mais potente do que o francês. Assim, Von Moltke deixou apenas 9 divisões na frente russa e concentrou 78 divisões na frente ocidental, ocupando a Bélgica e o norte da França em poucas semanas.
Depois dessa investida fulminante, as previsões alemãs falharam por dois motivos: a entrada do Reino Unido na guerra e, principalmente, a capacidade de resistência francesa.
Apesar de ter alcançado importantes êxitos sobre a Rússia na frente oriental, com vitórias em várias batalhas importantes, como a de Tannenberg, a guerra de movimentos alemã tinha fracassado. A Alemanha deveria enfrentar o que mais temia: manter duas frentes simultaneamente. Começava a guerra de posições, que durou quase quatro anos.
A guerra de trincheiras (1915-1916)
As frentes tinham se estabilizado e uma longa linha de trincheiras percorria os campos de batalha. A guerra de desgaste, que punha os dois exércitos entrincheirados frente a frente, foi dura e longa. As condições de vida dos soldados na frente tornaram-se insuportáveis devido às condições geográficas e climáticas e à fome.
Na frente ocidental, com a entrada da Itália no conflito, abriu-se um novo ponto de combate nos Alpes do Veneto, onde austro-húngaros e italianos travaram duras batalhas ao longo de 1915 e 1916. A guerra de posições atingiu o seu ponto culminante na batalha de Verdun, iniciada pelos alemães em junho de 1916 e concebida como uma batalha de desgaste para debilitar o exército francês. Verdun converteu-se no símbolo da barbárie bélica. No mês de julho, os franceses lançaram uma fracassada contra-ofensiva na região de Somme. Nessas duas batalhas, os aliados perderam cerca de 1.000.000 de soldados. Os alemães pederam cerca de 800.000 homens.
Na frente oriental, em 1915, a Alemanha e o Império Austro-Húngaro recuperaram a Galitzia (Polônia) e conquistaram a Polônia russa e a Lituânia. O exército russo sofreu importantes perdas humanas e materiais. Nos Balcãs, as tropas imperiais tinham penetrado em território sérvio e ocupado Belgrado, mas foram derrotados pelos sérvios em Rudnik.
Na África, as colônias alemãs de Togo e Camarão caíram em mãos aliadas. A batalha da Jutlândia (1916), na qual se confrontaram a marinha britânica e a alemã, foi o combate marítimo de maior importância da I Guerra Mundial.
1917, um ano-chave
Em 1917, a população civil enfrentava graves problemas de subsistência, de desorganização familiar, pela ausência dos membros mais jovens, e de cansaço psicológico. Nas frentes, multiplicavam-se os motins, severamente punidos, provocados pela escassez de gêneros de primeira necessidade. O consenso e a efervescência a favor da guerra tinham desaparecido e os movimentos pacifistas faziam-se ouvir.
Dois fatores provocaram a mudança no curso da guerra: a Revolução Russa e a entrada dos EUA no confronto.
Após dois anos e meio de guerra, a situação militar e econômica da Rússia era desastrosa. Em fevereiro de 1917, um movimento revolucionário espontâneo acabou com o regime dos czares. Em 25 de outubro, os bolcheviques, que se opunham à guerra desde o início, tomaram o poder e iniciaram imediatamente conversações de paz com os alemães. Em 13 de março de 1918, foi assinado o Tratado de Brest-Litovsk entre a Rússia e a Alemanha, que permitiu ao exército alemão ocupar extensos territórios que, até então, eram de soberania russa.
Evolução das linhas da frente a partir de 1917. As ofensivas aliadas determinaram a vitória sobre os impérios centrais.
O governo estadunidense tinha proclamado a sua neutralidade no início das hostilidades em agosto de 1914, mas mesmo assim o presidente Wilson autorizou rapidamente a concessão de empréstimos à França e ao Reino Unido, para que pudessem comprar material bélico, alimentos e matérias-primas dos EUA.
A neutralidade estadunidense terminou quando os alemães declararam a guerra submarina, que dificultava o trânsito dos países neutros pelo Atlântico e impedia o comércio estadunidense. A intervenção dos EUA ocorreu quando um de seus transatlânticos foi afundado pelos alemães.
O final da guerra
Em 1918 deu-se o desenlace definitivo do conflito mundial. Num primeiro momento (março-abril), tudo levava a crer que os acontecimentos eram favoráveis aos impérios centrais. No entanto, a Alemanha e o Império Austro-Húngaro estavam esgotados, tanto militar como economicamente.
A intervenção dos EUA no conflito trouxe aos aliados um enorme potencial bélico, decisivo para o desenlace. Em poucos meses, 1.000.000 de soldados estadunidenses desembarcaram na França. A superioridade bélica dos aliados era avassaladora.
Os exércitos centrais desmoronaram. Em setembro, caíram a Bulgária e a Turquia. O Império Austro-Húngaro encontrava-se em processo de dissolução: em outubro foi proclamada a república da Tchecoslováquia e um conselho, constituído por sérvios, croatas e eslovenos, propôs unificar, num estado independente, todos os povos eslavos do sul. Em princípio de novembro, após a destruição das linhas austríacas pelo exército italiano na batalha de Vittorio Veneto, o Império Austro-Húngaro aceitou um armistício. Em 7 de novembro, a Alemanha solicitou também um armistício, concedido pelos Aliados quatro dias depois. Guilherme II abdicou e exilou-se nos Países Baixos, e um governo provisório, presidido pelos socialistas, proclamou a República.
A organização da paz
Terminada a guerra, iniciou-se em Paris, em janeiro de 1919, a conferência que deveria regular as condições de paz. Os Aliados redigiram tratados de paz diferentes para cada um dos países vencidos. As condições impostas a estes foram muito severas, sem nenhuma intenção reconciliadora.
O tratado de paz mais importante foi o de Versailhes, assinado em 29 de junho de 1919 entre os Aliados e a Alemanha. De acordo com esse tratado, a Alemanha assumia a responsabilidade pela guerra e perdia todas as suas colônias, assim como extensas regiões de seu território: a Alsácia-Lorena foi entregue à França; Eupen e Malmédy, à Bélgica; o norte da região de Schleswig, à Dinamarca; a Alta Silésia foi repartida entre a Alemanha e a Polônia, e parte da Posnânia e da Prússia oriental foi integrada ao novo Estado polonês. A Prússia oriental ficou separada do resto do território alemão pelo corredor de Dantzing, que daria acesso ao mar à Polônia. Além disso, o território de Sarre seria controlado por uma força internacional durante 15 anos (ao fim dos quais a população decidiria por meio de eleições qual seria o seu futuro) e a Renânia seria desmilitarizada e administrada pela França durante cinco anos.
A todas estas exigências somavam-se a redução forçada e inevitável do exército alemão e a obrigação de pagar vultosas indenizações de guerra às potências vencedoras.
Estas exigências, extremamente humilhantes para a Alemanha, criaram um forte sentimento de revolta entre o povo alemão, o que seria determinante para a deflagração da II Guerra Mundial.
O Tratado de Saint-Germain (outubro de 1919) e o do Trianon (junho de 1920) regularam a dissolução do Império Austro-Húngaro. O de Neuilly (novembro de 1919) e o de Sèvres (agosto de 1920) estabeleceram as novas fronteiras da Bulgária e da Turquia.
Em Paris, foram delineadas as bases de uma nova organização, a Sociedade das Nações, que teria como missão garantir a paz e fomentar a cooperação internacional.
As consequências da guerra
A I Guerra Mundial representou um profundo corte com o passado. Diversos tratados de paz mudaram radicalmente o mapa da Europa, mas as transformações mais importantes, apesar de menos visíveis, deram-se no nível econômico, social e político.
Consequências demográficas
A guerra representou um elevado custo em vidas humanas, muito superior ao de qualquer conflito bélico anterior. Cerca de 65.000.000 de homens foram mobilizados, dos quais entre 9.000.000 e 10.000.000 morreram durante a guerra e mais de 21.000.000 ficaram feridos. A guerra provocou, também, uma queda na taxa de natalidade durante os anos de combate e, consequentemente, fortes desequilíbrios na estrutura sexual (proporção entre homens e mulheres em uma sociedade) e etária da população.
Alterações socioeconômicas
Os governos europeus tinham gastado quantias enormes para financiar o esforço bélico e viram-se obrigados a recorrer a empréstimos estadunidenses. Enquanto a Europa saía da guerra debilitada, endividada e devastada pelos combates, os EUA tinham aumentado o seu poder econômico.
A guerra causou mudanças sociais importantes dentro de cada país. Surgiu uma nova classe social (comerciantes, industriais etc.), enriquecida pelas necessidades criadas pela guerra, enquanto a grande maioria da população tinha empobrecido. As diferenças sociais agravaram-se. Os assalariados e detentores de rendimentos fixos viram reduzido o seu poder de compra, o que levou ao aumento das tensões sociais. A guerra atribuiu um novo papel social às mulheres, devido à sua entrada em massa no mercado de trabalho durante o conflito.
Consequências territoriais e políticas
Os tratados de paz modificaram drasticamente o mapa da Europa central e do leste. O Império Austro-Húngaro foi dissolvido, e em seu lugar surgiram vários países como a Áustria, a Hungria, a Tchecoslováquia e a Iugoslávia (na qual se uniam a Croácia, a Eslovênia, a Bósnia-Herzegovina, a Sérvia, Montenegro e a Macedônia). Extensas regiões do antigo Império foram entregues à Romênia, à Polônia e à Itália.
As convulsões da Revolução Russa deram lugar a novos Estados: Finlândia, Estônia, Letônia e Lituânia. A Polônia recuperou a independência perdida no séc. XVIII, a Romênia anexou a Bessarábia russa e a Transilvânia, e a Grécia apoderou-se da Trácia búlgara. A Alemanha viu-se obrigada a fazer importantes concessões. O Império Otomano desapareceu e a Turquia ficou reduzida à península da Anatólia e a uma pequena região europeia em torno de Istambul. França e Reino Unido ganharam controle dos territórios abandonados pela Turquia no Oriente Médio.
Mudanças territoriais provocadas pela Primeira Guerra Mundial. Após o conflito bélico de 1914-1918, três grandes impérios (o Russo, o Austro-Húngaro e o Otomano) desapareceram, dando lugar à criação de vários novos Estados.
Entre as mudanças de caráter político, como resultado da guerra, encontra-se a progressiva substituição das dinastias tradicionais pela democracia. Na Alemanha e na Áustria proclamou-se a república e promulgaram-se constituições democráticas. No entanto, essa democratização forçada não se consolidou, e as tensões provocadas pelos graves problemas sociais da década de 1930 levariam ao autoritarismo. A crise econômica e o exemplo da Revolução Russa multiplicaram a influência dos movimentos revolucionários de extrema esquerda, sobretudo dos novos partidos comunistas. Em muitos casos, como reação ao levantamento da esquerda radical, surgiram grupos de extrema direita nacionalista, integrados frequentemente por antigos combatentes da I Guerra Mundial.

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