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Guerra Fria

Antecedentes da Guerra Fria
Denomina-se Guerra Fria o período compreendido entre o final da II Guerra Mundial, em 1945, e o desaparecimento da União Soviética (URSS), em 1991. Durante esse período, as superpotências mundiais (EUA e URSS) encabeçaram os dois blocos de países opostos em vários níveis (militar, econômico, político e ideológico). As relações internacionais e o processo de descolonização da segunda metade do séc. XX desenvolveram-se neste contexto mundial de confronto intenso surgido a partir dos acordos de paz que marcaram o final da II Guerra Mundial.
Durante os anos da Guerra Fria viveu-se num estado de tensão permanente, embora nunca tenha havido um confronto bélico direto entre os EUA e a URSS, mas somente entre alguns dos seus aliados. A Guerra Fria provocou a deflagração de graves conflitos internacionais. O confronto entre as duas grandes potências e a ameaça de uma guerra nuclear propiciaram uma certa estabilidade em relação à política mundial, pelo menos nas regiões diretamente controladas por elas. Com o desaparecimento da URSS, em 1991, acabou também o sistema bipolar de relações internacionais e iniciou-se uma nova era marcada pela existência de uma única superpotência mundial (os EUA), por uma crescente desestabilização e pelo aparecimento de diferentes focos de influência mundial, que contrariaram progressivamente a hegemonia estadunidense (multipolaridade).
A construção de uma nova ordem mundial
As diversas conferências realizadas durante os últimos anos da II Guerra Mundial, ainda em pleno conflito bélico, estabeleceram os alicerces dos acordos territoriais do pós-guerra. A primeira delas realizou-se em Teerã em novembro de 1943. Na segunda conferência, em Moscou, em outubro de 1944, entre os dirigentes do Reino Unido e da URSS, debateu-se a posição da península dos Balcãs. Decidiu-se que, finalizada a guerra, a Grécia ficaria sob influência britânica e a Romênia e a Bulgária sob a soviética. Não se pronunciaram sobre a Polônia nem sobre a possível divisão da Alemanha.
A terceira conferência realizou-se em fevereiro de 1945 em Ialta (Ucrânia, URSS) e dela participaram os dirigentes do Reino Unido, dos EUA e da URSS. Naquele momento, os exércitos soviéticos já tinham ocupado grande parte da Alemanha, razão pela qual as pretensões da URSS sobre o território contavam com um argumento de força. Em Ialta decidiu-se a divisão da Alemanha, assim como a da cidade de Berlim, em quatro zonas, controladas pelo Reino Unido, URSS, EUA e França. As quatro potências também dividiram territorialmente a Áustria e a sua capital, Viena. Além disso, decidiu-se que a indústria militar alemã seria destruída ou confiscada e os principais crimes de guerra seriam julgados por uma corte internacional.
A última conferência entre os Aliados realizou-se em Potsdam, localidade nas proximidades de Berlim, em julho e agosto de 1945, quando a guerra na Europa já havia terminado e os EUA tinham demonstrado a capacidade destruidora do seu novo armamento com o lançamento de duas bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente.
Os Acordos de Potsdam ratificaram a divisão da Alemanha em quatro zonas de ocupação (americana, soviética, britânica e francesa) e a ampliação do território soviético para oeste: incorporação dos Estados da Estônia, da Letônia e da Lituânia, e anexação de alguns territórios da Romênia (Bessarábia), da Tchecoslováquia, da Finlândia e da Polônia, que, por sua vez, foi ampliada com terras até então consideradas alemãs.
A divisão do mundo
A influência da URSS sobre a Europa oriental não se limitou às anexações territoriais. Nos estados libertados ou ocupados pelo exército soviético (Polônia e parte da Alemanha, Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária, Iugoslávia, Albânia e Hungria), formaram-se governos provisórios, enquanto não se realizavam eleições livres. No entanto, a manipulação das eleições e os golpes de estado apoiados pelo Exército Vermelho, com os partidos comunistas nacionais controlados pela URSS, permitiram a instauração de sistemas políticos semelhantes aos do regime soviético (as chamadas democracias populares). O domínio da URSS sobre estes Estados consagrou a divisão da Europa em dois blocos (o comunista, controlado pelos soviéticos; e o capitalista, sob a influência dos EUA).
A área de influência estadunidense
Os EUA exerciam a sua influência sobre a parte da Europa não ocupada pelo exército soviético: França, Reino Unido, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Itália e Grécia. A Alemanha, que inicialmente tinha sido dividida em quatro zonas de ocupação, passou a ser dividida em apenas duas quando os franceses, britânicos e estadunidense unificaram as suas áreas de influência com a criação, em 1949, da República Federal da Alemanha (RFA). A URSS reagiu criando no mesmo ano a República Democrática Alemã (RDA). As quatro potências ocupantes retiraram-se da Áustria em 1955. O país foi reunificado e adotou um estatuto especial de neutralidade entre os dois blocos.
Após a rendição do Japão, os EUA passaram a controlar diretamente a política e a administração do país asiático, que, dessa forma, foi integrado ao grupo de países de influência estadunidense.
A recuperação econômica da Europa
A Europa ficou muito destruída depois da guerra e dificilmente teria sido possível a sua reconstrução sem a ajuda externa. Por outro lado, os EUA saíram da guerra numa situação econômica favorável, uma vez que a guerra não tinha afetado diretamente o seu território e, além disso, teve efeitos dinamizadores sobre a produção. A ameaça da expansão do comunismo na Europa era real, sobretudo entre as camadas mais desfavorecidas da população, a menos que estas pudessem sair da situação de pobreza e descontentamento em que se encontravam. Nesse contexto, os EUA criaram um vasto plano de ajuda às economias europeias.
O programa European Recovery Program, conhecido como Plano Marshall, passou a ser aplicado em 1948. Consistiu em atribuir à Europa recursos financeiros como forma de ajuda e em condições muito favoráveis, uma vez que apenas deveriam ser devolvidos 10% do total investido. Os investimentos orientaram-se em grande medida para obras de infraestrutura (pontes, estradas, linhas férreas etc.) e para a compra de matérias-primas e alimentos. A economia europeia recuperou-se com rapidez, e o mercado europeu pôde começar a absorver com facilidade parte da abundante produção estadunidense. Em decorrência da recuperação econômica do continente europeu criou-se, em 1951, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que seria o embrião da futura Comunidade Econômica Europeia (CEE), atual União Europeia (UE).
Outras iniciativas em prol da recuperação econômica do pós-guerra foram a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI), em 1944, e do Banco Mundial, em 1945. A essas instituições se incorporaram os países do bloco capitalista.
A OTAN
No âmbito militar, os EUA promoveram uma aliança entre os países da sua área de influência mediante a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1949. O seu objetivo era fazer frente a uma possível ameaça soviética.
Os primeiros integrantes da OTAN foram Canadá, EUA, Dinamarca, Bélgica, França, Reino Unido, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos e Portugal. Em 2006, contava com 26 membros.
Outras alianças criadas na mesma época em torno dos EUA foram a OEA (Organização de Estados Americanos, 1948), a SEATO (Organização do Tratado do Sudeste Asiático, 1954) – que agrupava EUA, Reino Unido, França, Nova Zelândia, Austrália, Paquistão, Tailândia e Filipinas – e a CENTO (Organização do Tratado Central, 1959) – da qual faziam parte Reino Unido, Paquistão, Turquia, Irã e, em certa medida, os EUA.
O continente americano
Com a chamada doutrina Monroe, a partir de 1823, os EUA tinham exercido sobre o continente americano um domínio hegemônico. Essa influência foi reforçada em finais do séc. XIX com a criação da União Pan-Americana, substituída pela OEA em 1948. Com a criação da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), em 1960, e do Mercado Comum Centro-Americano, os países latino-americanos tentaram em vão diminuir o domínio dos EUA sobre as suas economias.
A URSS procurou expandir, sem grande sucesso, a sua influência sobre a América Latina, mas teve êxito apenas em Cuba. Contudo, a distância geográfica desse continente em relação ao bloco soviético e a implacável política exercida pelos EUA fizeram com que os soviéticos desistissem da tentativa de instaurar movimentos revolucionários naqueles países.
A área de influência da URSS
Ao contrário dos EUA, a URSS saiu muito debilitada da II Guerra Mundial e não possuía a bomba atômica. Por isso, o objetivo prioritário de Stalin foi a criação de uma região onde a URSS exercesse o seu controle, sem tentar avançar posições na Europa nem passar a um ataque direto contra os EUA, consciente de que o seu poder militar era inferior.
Na Europa oriental, depois de ter imposto regimes comunistas controlados por Moscou, a URSS implantou, em 1949, um projeto de cooperação econômica entre os países do bloco comunista, chamado Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon, 1949). O projeto previa o planejamento conjunto da economia, uma vez que cada estado ocupava a posição de um determinado setor produtivo. Esta estratégia colocava a Europa oriental em situação de dependência econômica em relação à URSS.
No âmbito militar, a URSS promoveu a assinatura de uma aliança (Pacto de Varsóvia, 1955) integrada por ela própria e pelos países da sua área de influência (Albânia, Bulgária, Hungria, Polônia, RDA, Romênia e Tchecoslováquia). Ao contrário da OTAN, cujos integrantes estavam geograficamente dispersos, os países-membros do Pacto de Varsóvia formavam um bloco territorial compacto no continente euro-asiático.
Países integrantes do Pacto de Varsóvia. Em 14 de maio de 1955, sete países – Albânia, Hungria, Bulgária, Romênia, Polônia, Tchecoslováquia e URSS – assinaram o Pacto de Varsóvia. A República Democrática Alemã aderiu em 1956.
As ideologias
A Guerra Fria foi um período de confronto entre dois blocos não só de índole política, mas também ideológica. Os mecanismos utilizados pela URSS e pelos EUA para difundir as suas posturas ideológicas entre os seus respectivos aliados foram muito variados.
O liberalismo capitalista
O objetivo central dos EUA durante a Guerra Fria não consistiu tanto em estender a democracia liberal no contexto da economia de mercado mas, principalmente, em frear a expansão do comunismo.
A política anticomunista dos EUA conduziu esse país a considerar todos os partidos comunistas como meros apêndices da URSS. Para frear o avanço do comunismo foram utilizados meios como a ajuda ao desenvolvimento econômico ou o apoio econômico, militar e político a ditaduras ou regimes autoritários, sempre que estes garantissem a sua oposição ao comunismo. O plano Marshall é um exemplo do primeiro método, enquanto o apoio às ditaduras militares latino-americanas é exemplo do segundo.
No interior dos EUA, a luta contra o comunismo teve a sua página mais negra na política implementada pelo senador McCarthy entre 1950 e 1954, que consistiu na perseguição de qualquer cidadão suspeito de ser simpatizante da URSS. A chamada caça às bruxas, dirigida basicamente contra associações de intelectuais e cientistas, levou a sociedade estadunidense a uma espécie de histeria anticomunista.
A imposição do comunismo
A URSS utilizou a Kominform (Serviço de Informação dos Partidos Comunistas) para garantir o seguimento dos seus ditames por parte dos partidos comunistas de todo o mundo. Criada em 1947, dissolveu-se em 1956, embora a URSS continuasse a impor a pureza ideológica entre os seus aliados. Ainda assim, muito cedo surgiram confrontos dentro do bloco comunista. As principais divergências manifestaram-se a partir de 1960, quando o Partido Comunista Chinês (PCC) tornou públicas sérias dissensões ideológicas com a URSS e acabou por se distanciar das diretrizes soviéticas. Em 1963, a Albânia afastou-se da URSS e aliou-se ao Partido Comunista Chinês. A Iugoslávia foi um caso singular dentro da área comunista. Libertou-se por si mesma da ocupação nazista, sem intervenção do exército soviético, e instaurou um regime comunista bastante independente da URSS.
Apesar destas diferenças, a URSS impôs sua doutrina à maioria dos partidos comunistas de todo o mundo até o seu desaparecimento, em 1991. No plano interno, a imposição do regime comunista efetivou-se com mão de ferro (perseguições, imposição de castigos, deportações e execuções de dissidentes), especialmente durante a época de Stalin. A partir da morte dele, em 1953, suavizaram-se um pouco as formas de agir, embora não existissem as liberdades democráticas mais elementares.
Fases da Guerra Fria
Alternaram-se períodos de forte tensão pré-bélica, que em nenhum caso provocaram o confronto direto entre as duas superpotências, com outros em que as relações internacionais foram resolvidas pela via do diálogo e da distensão.
A formação dos dois blocos: 1947-1953
Nesta primeira etapa, que termina com a morte de Stalin (1953), configuraram-se as relações internacionais da segunda metade do séc. XX. Dois dos antigos aliados durante a II Guerra Mundial – os EUA e a URSS – enfrentaram-se, encabeçando dois grupos de países com interesses antagônicos. Entretanto, a Europa tinha sido deixada definitivamente em segundo plano, encurralada entre as duas superpotências. A preocupação com a ameaça de uma guerra generalizada manifestou-se com a criação de duas alianças militares muito fortes – a OTAN e o Pacto de Varsóvia –, que permitiram manter o statu quo do pós-guerra, procurando evitar uma guerra aberta.
Os momentos de maior tensão e de ameaça de um conflito bélico ocorreram quase sempre fora dos centros de decisão política (EUA e URSS). Nesse âmbito, devem-se destacar o bloqueio soviético de Berlim (1948-1949), a criação da República Federal Alemã (1949), a Revolução comunista da China (1949) e a Guerra da Coreia (1950-1953).
O fracasso da tentativa de distensão: 1953-1962
As doutrinas de distensão e coexistência pacífica foram formuladas pela primeira vez nesse período para resolver os conflitos derivados da existência dos dois blocos e da ameaça nuclear.
A URSS conseguiu produzir a bomba atômica em 1949, alcançando, então, neste período, um equilíbrio militar com a potência adversária, no qual ambas as partes reconheciam o potencial destrutivo do inimigo.
Os primeiros conflitos foram deflagrados em 1956: foram eles a invasão soviética da Hungria e a crise do canal de Suez, que acabou com a nacionalização do canal por parte do Egito, aliado da URSS. A intervenção do exército israelense em apoio aos paraquedistas anglo-franceses que enfrentavam as tropas egípcias fez com que a URSS ameaçasse com uma intervenção direta no conflito. A mediação da ONU pôs fim à crise.
A invasão da Hungria pelo exército soviético em 1956 deveu-se à dissidência demonstrada pelo regime comunista húngaro, que iniciou uma experiência de democratização do país. Essa revolta foi abortada por uma intervenção militar das forças do Pacto de Varsóvia, que reprimiu a revolução popular e restaurou a ordem soviética com a imposição da linha ortodoxa dentro do Partido Comunista Húngaro.
Outro episódio de tensão ocorreu em 1961, com a construção do Muro de Berlim, destinado a impedir a fuga de cidadãos da RDA para Berlim ocidental. O muro converteu-se rapidamente no símbolo externo mais evidente da divisão entre os dois blocos.
Em 1962 houve o conflito dos mísseis em Cuba, que deixou o mundo inteiro em situação de ameaça real de guerra. Em 1959 tinha-se instaurado em Cuba um regime comunista aliado da URSS, dirigido por Fidel Castro. No verão de 1962, os soviéticos instalaram na ilha mísseis nucleares de médio alcance capazes de atingir a costa dos EUA. Quando os serviços de espionagem estadunidenses descobriram os mísseis, o presidente Kennedy exigiu a sua retirada imediata. Após várias semanas de tensão, a URSS aceitou retirar os mísseis.
Conflito dos mísseis de Cuba. Em outubro de 1962, um avião U-2 dos EUA revelou a presença de mísseis nucleares soviéticos na ilha de Cuba, acontecimento que desencadeou uma grave crise entre as duas superpotências.
A trégua e a distensão: 1963-1975
Neste período, os EUA e a URSS optaram pela coexistência pacífica, a manutenção do statu quo e um desarmamento nuclear limitado. A situação internacional tinha mudado em relação ao final da II Guerra Mundial. Após a consolidação do Mercado Comum Europeu, a Europa passou a ocupar o lugar de uma grande potência econômica, enquanto crescia a influência do Movimento de Países Não-Alinhados, integrado por Estados do Terceiro Mundo politicamente equidistantes dos dois blocos. Além disso, as tensões existentes entre os dirigentes chineses e soviéticos conduziram à ruptura entre ambos os países em 1963. A ameaça de um conflito mundial generalizado ia diminuindo gradualmente.
Os acontecimentos mais importantes deste período foram a invasão soviética da Tchecoslováquia e a Guerra do Vietnam. Em 1968, o Partido Comunista da Tchecoslováquia decidiu substituir seu secretário-geral, o stalinista Antonin Novotny, e nomeou para o posto Alexander Dubcek, que não contava com o apoio da URSS. A tímida abertura do comunismo tcheco a setores situados fora do partido (Primavera de Praga) foi duramente reprimida pelos países do Pacto de Varsóvia, liderados pela URSS, que ocuparam Praga em agosto desse mesmo ano e iniciaram a destituição dos dirigentes máximos do Partido Comunista da Tchecoslováquia que tinham encabeçado o movimento.
No Vietnã, desde 1954, ano da expulsão das forças coloniais francesas e da independência do país, enfrentavam-se os exércitos do Vietnam do Norte, onde se tinha estabelecido um governo comunista apoiado pela URSS e pela China, e o Vietnam do Sul, submetido a um regime militar ditatorial apoiado pelos EUA. A partir de 1963, os EUA envolveram-se diretamente no conflito com o envio de armas e tropas. Foi uma guerra sangrenta, dispendiosa e longa, que terminou com a retirada dos EUA (1973) de um Vietnam completamente devastado. Em 1975, o país foi reunificado pelos comunistas.
Assinaram-se os acordos de Helsinque (1975) entre os EUA e a URSS, nos quais se previam o desenvolvimento da cooperação na Europa, a manutenção das fronteiras definidas na II Guerra Mundial, a utilização de meios pacíficos para resolver as crises e o respeito pela Declaração dos Direitos do Homem.
O último período da Guerra Fria: 1975-1991
Apesar dos acordos de Helsinki, durante a segunda metade da década de 1970, as relações entre as duas grandes potências voltaram a entrar em período de tensão.
O tenso clima internacional teve origem na reação estadunidense em face do avanço comunista no Sudeste Asiático e na África.
Na península da Indochina, após o final da Guerra do Vietnam, tinham-se estabelecido regimes comunistas no Vietnam, no Laos e no Camboja. Por outro lado, a URSS havia consolidado o seu poder em vastas zonas da África (Etiópia, Moçambique e Angola).
Outro fator novo deste período foi o triunfo da revolução islâmica no Irã, dirigida pelo aiatolá Khomeini, em 1979. A perda desse aliado tradicional dos EUA no Oriente Médio, área de importantes interesses geopolíticos e econômicos, desestabilizou toda a região. A situação internacional complicou-se devido ao progressivo desenvolvimento do fundamentalismo islâmico, à complexa situação criada com a guerra iniciada em 1980 entre o Irã e o Iraque, e à intervenção soviética no Afeganistão, que prenunciava para os EUA um perigoso avanço da influência da URSS no oceano Índico.
A intervenção soviética no Afeganistão foi semelhante à participação estadunidense na Guerra do Vietnam: ambos os conflitos tiveram lugar na Ásia, as duas potências intervieram para manter a ordem no espaço da sua área de influência e saíram derrotadas. A intervenção militar da URSS contra os guerrilheiros muçulmanos do Afeganistão, treinados e financiados pelos EUA prolongou-se de 1979 a 1988. O conflito findou com uma grande derrota da URSS, que perdeu muitos homens e credibilidade internacional. A Conferência Islâmica e o Movimento dos Países Não-Alinhados condenaram duramente a intervenção soviética. O conflito chegou mesmo à esfera desportiva: em 1980, os EUA boicotaram os Jogos Olímpicos de Moscou e, quatro anos mais tarde, os soviéticos responderam não participando dos Jogos de Los Angeles.
A Revolução sandinista da Nicarágua (1979) converteu-se em outro cenário do renascido confronto entre os EUA e a URSS. Após o triunfo sandinista, o governo estadunidense do presidente Ronald Reagan organizou a ajuda ao movimento contrarrevolucionário formado por guerrilhas de direita contrárias ao regime sandinista. Os EUA decidiram pôr fim ao avanço de uma revolução socialista na América Central, acusando o sandinismo de receber ajuda soviética. A intervenção estadunidense na Nicarágua acabou com a influência de Cuba no país, mas representou o prolongamento da guerra civil e o agravamento da difícil situação econômica nicaraguense.
Apesar dos acordos SALT 1, assinados em 1972 para deter o desenvolvimento de novas armas nucleares, as duas potências continuaram com a modernização dos seus armamentos. Em 1983, os EUA iniciaram a chamada Iniciativa de Defesa Estratégica (conhecida como Guerra das Estrelas), com a intenção de criar uma rede espacial defensiva que protegesse o seu território de qualquer míssil lançado de posições inimigas. Em 1987 as duas potências concordaram em eliminar os mísseis de médio alcance e, em 1991, assinaram um tratado com a intenção de reduzir em 30 % as armas nucleares.
O fim da Guerra Fria
A escalada de tensão iniciada em 1975 foi se reduzindo desde 1986, quando chegou ao poder o novo secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev, que começou outra etapa na história daquele país, conhecida como perestroika (reestruturação). Gorbachev, consciente da paralisação econômica e política que sofria a URSS e da impossibilidade de poder continuar a competir militarmente com os EUA, tentou sem êxito reformar o regime soviético.
As principais características da sua política foram a redução das despesas militares, a democratização progressiva do regime e a introdução de uma maior transparência da informação em todas as áreas.
Os objetivos da perestroika não puderam ser implementados num país habituado à rigidez organizativa e à falta absoluta de liberdades. A luta pelo poder político conduziu a um golpe de Estado fracassado contra o próprio Mikhail Gorbachev (agosto de 1991) e à dissolução da URSS em dezembro desse mesmo ano. O colapso da URSS pôs ponto final à Guerra Fria e iniciou-se assim uma nova era nas relações internacionais.

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