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Fascismo

Uma ideologia nacional
Depois da Primeira Guerra Mundial, surgiram na Europa regimes totalitários que se apresentavam não só como soluções transitórias para uma situação de emergência, mas também como tentativas de criar uma nova sociedade. A máxima expressão destes regimes foi o fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão.
Os primeiros fascistas procediam de diversas ideologias (socialistas revolucionários, anarquistas, conservadores), mas em todos eles havia um sentimento nacionalista comum, despertado pela guerra. Acreditavam que o governo devia obter a maior força possível para a nação, que estava acima das classes sociais existentes e era uma classe em si mesma.
O ideário político do fascismo
O termo fascismo se aplica em sentido estrito a uma etapa da história da Itália, que começou em 1922 e durou até o fim da Segunda Guerra Mundial. No entanto, em sentido mais amplo, também se aplicou aos regimes políticos que manifestaram uma atitude violenta, autoritária e de negação das liberdades e direitos civis.
Um programa de ação
A primeira fase de desenvolvimento do fascismo e do nazismo foi marcado pela expansão de um programa demagógico e populista, com ações destinadas a gerar um grande impacto social. Por esse motivo, a violência era uma peça essencial no esquema propagandístico, assim como os discursos dos líderes.
O segundo passo desses sistemas consistiu na eliminação de qualquer fórmula representativa e democrática e na exaltação do líder (Duce, na Itália, Führer na Alemanha).
Uma máquina propagandística bem-elaborada enaltecia a figura do líder por meio de diversos mecanismos, entre os quais se destacavam o uso sistemático dos meios de comunicação de massas (imprensa, rádio e cinema) e as multitudinárias manifestações populares, que obedeciam a regras preestabelecidas e culminavam com um discurso do líder supremo.
Benito Mussolini e Adolf Hitler, à saída de uma reunião na Fürherhaus (Munique, Alemanha). A estreita colaboração entre os dois dirigentes fascistas surgiu da necessidade de fazer frente ao assédio das grandes potências ocidentais.
O governo da elite
O fascismo defendia um conceito não igualitário de sociedade, na qual dominavam as elites organizadas em torno de um único partido político. Os partidos restantes, conservadores ou progressistas, eram proibidos e perseguidos. A ideologia elitista e anti-igualitária do fascismo entrava em conflito com os movimentos trabalhistas de índole socialista. Para impor a sua vontade, o fascismo recorria à violência física.
O fascismo deu origem a um Estado centralista e autoritário, em que não havia lugar para a autonomia regional, nem para os direitos das minorias étnicas ou linguísticas. No plano econômico, o fascismo se opunha ao liberalismo capitalista e era partidário do intervencionismo estatal, visível em uma política de autarquia econômica e na criação de grandes empresas estatais, que, frequentemente, assumiam caráter de monopólio.
Irracionalismo e militarismo
A característica primordial do fascismo como forma de pensamento foi a desconfiança da razão e da exaltação dos sentimentos. Em uma concepção fascista de sociedade, o indivíduo ficava submetido à elite dirigente, ao Estado, ao partido e ao seu líder, devendo-lhes uma obediência fanática e cega. O fascismo constituiu uma forma de hipernacionalismo, fundamentado na afirmação da superioridade da própria comunidade nacional (ou racial, no caso da Alemanha nazista).
No que diz respeito às relações internacionais, o fascismo desenvolveu uma exacerbada agressividade nacionalista e imperialista, com dois objetivos evidentes: a luta contra o socialismo e as reivindicações territoriais. Estes objetivos justificavam a manutenção de fortes e numerosos exércitos, que impregnavam a vida diária de espírito bélico e de um profundo militarismo.
A ascensão do fascismo
Após a Primeira Guerra Mundial, disseminou-se a crença de que a difusão da democracia liberal era irrefreável. No entanto, a Revolução Russa de 1917 e a ascensão ao poder dos fascistas na Itália puseram abaixo essa convicção.
As consequências da guerra
A Itália participou da guerra ao lado da Tríplice Entente a partir de 1915, mas, ao terminar o conflito, o saldo final foi bastante negativo e gerou um sentimento generalizado de frustração.
Em 1919, organizaram-se greves de muito peso, tanto no campo quanto na indústria. Estes movimentos foram severamente reprimidos pelos fascistas, que consideravam válida qualquer fórmula capaz de bloquear as revoltas das classes trabalhadoras e evitar novas revoluções sociais.
As classes privilegiadas encontraram a tranquilidade nesse novo movimento político e impulsionaram o fascismo com significativas contribuições financeiras. Entender este clima de ressentimento social e de cumplicidade com a violência é fundamental para compreender a facilidade com que os fascistas atingiram o poder.
Mussolini e o fascismo organizado
Mussolini nasceu em 1883 em uma família modesta (o pai era ferreiro). Em 1900, ingressou no Partido Socialista Italiano.
Em 1919, uma vez terminada a guerra, organizou, com outros ex-combatentes, o seu primeiro grupo de luta, o Fasci Italiani di Combattimento ou apenas Fasci di Combattimento, de onde deriva o termo fascismo.
Em 1920, o fascismo aumentou seu número de seguidores, graças ao apoio da pequena burguesia e dos proprietários agrícolas, atemorizados com a ocupação de terras. Entre as propostas políticas iniciais, havia reivindicações progressistas, como o direito ao voto para as mulheres.
Em novembro de 1921, foi fundado o Partido Nacional Fascista. Nesse mesmo ano, foram realizadas eleições gerais, nas quais os fascistas obtiveram um resultado discreto. No entanto, Mussolini viu o seu partido ganhar prestígio e filiados, em consequência dos conflitos sociais motivados pelo pós-guerra. Mussolini aproveitou essa circunstância favorável para se proclamar o único defensor da ordem, do rei e da Igreja.
A tomada de poder: a marcha sobre Roma
Em agosto de 1922, as greves promovidas em conjunto por socialistas e comunistas paralisaram as cidades italianas. Os fascistas garantiram o funcionamento dos transportes e dos correios nas cidades importantes, o que lhes valeu a admiração das classes médias. O governo liberal permitia as ações violentas dos fascistas.
Em outubro, os fascistas afirmaram que iniciariam uma marcha até a capital, partindo de vários pontos da Itália, caso o governo fosse incapaz de resolver os problemas das greves trabalhistas. No final desse mês, milhares de fascistas (os camisas negras) ocuparam edifícios estatais no Norte e no Centro da Itália. Quando o governo tentou decretar o estado de sítio, já era tarde demais.
O rei Vítor Manuel III negou-se a assinar o decreto, o que provocou a demissão do governo e a nomeação de Mussolini como primeiro-ministro, no dia 30 de outubro de 1922. Mussolini presidia um governo de coalizão, constituído por democratas nacionalistas, pelo Partido Popular (conservador) e por liberais independentes. Recebeu plenos poderes do Parlamento, mas apenas durante um ano e como solução de emergência para acabar com a crise e introduzir reformas.
Durante dois anos manteve-se, pelo menos formalmente, a liberdade sindical e política, no âmbito de uma estratégia pensada para a conquista do aparelho estatal.
A evolução do fascismo
A fantasia da manutenção da democracia dissipou-se em 1924, ano em que se realizaram eleições. Apresentaram-se diversas forças que se opunham a Mussolini, mas o partido fascista atingiu a maioria absoluta devido à intimidação e à manipulação dos votos.
O totalitarismo
Mussolini defendia uma ação enérgica, sob a tutela de um líder forte. Assim, atribuiu a si próprio o título de Duce (líder) e denunciou a democracia e o liberalismo como fenômenos que dividiam a sociedade e permitiam a luta de classes, defendida pelo marxismo. Em 1926, declarou ilegais os partidos políticos restantes e, para consolidar seu poder, criou novos organismos de segurança de Estado (o Corpo de Segurança Nacional e a polícia secreta) que transformaram a Itália em um Estado policial.
A monarquia e a Igreja reforçavam o poder do Duce. Em um país extremamente católico, o apoio do Vaticano ao fascismo foi um dos alicerces mais sólidos do regime.
A autarquia
A intervenção estatal era absoluta em todos os campos. Os conflitos sociais diminuíram, mas não graças ao consenso social, e sim à proibição do direito à greve e à ação sindical.
A política econômica liberal foi substituída por um programa de autarquia econômica. Foram criadas grandes empresas estatais que controlavam setores inteiros da produção em regime de monopólio.
Em 1934, os salários da indústria pesada tinham diminuído 50 %, apesar de a produção ter aumentado. O desemprego atingia patamares elevados. No final da década, o descontentamento trabalhista cresceu, mas não havia condições para manifestá-lo.
Para ocultar os graves problemas do país, Mussolini embarcou em aventuras imperialistas. Começava, assim, o plano de ocupação da Abissínia (atual Etiópia).
Em direção à Segunda Guerra Mundial
A Itália havia fracassado na conquista da Abissínia, no final do século XIX, o que levou Mussolini a repetir a tentativa, em 1935. O governo abissínio pediu apoio à Sociedade das Nações, que decretou embargo econômico contra a Itália e proibiu a venda de armamento a este país. No entanto, a decisão não foi atendida, porque a França e o Reino Unido temiam que os italianos iniciassem um conflito internacional. Apesar da dura resistência da sua população, a Abissínia foi ocupada pelo exército italiano.
Em julho de 1936, começou a Guerra Civil espanhola, que acelerou o fortalecimento do eixo Roma-Berlim, ao qual, posteriormente, unir-se-ia o Japão. A Espanha foi o tubo de ensaio do armamento da Itália fascista e da Alemanha nazista.
O fim do fascismo
Em 1943, as tropas aliadas desembarcaram na Sicília e ocuparam o Sul da Península Itálica. O rei Vítor Manuel III forçou a demissão de Mussolini, que se refugiou no norte, em Saló, junto ao lago de Garda. A Itália se dividiu em duas zonas. Ao norte, Mussolini criou a República Social Italiana. Ao sul, sob a tutela dos aliados, formou-se um governo de coalizão antifascista que declarou guerra à Alemanha.
Em junho de 1944, os aliados entraram em Roma. Em abril de 1945, Mussolini tentou fugir para a Suíça, mas foi descoberto e fuzilado. Seu corpo foi pendurado e esquartejado pela multidão, na cidade de Milão (Itália), no dia 27 de abril de 1945.
A expansão internacional do fascismo
As ditaduras proliferaram na Europa durante a década de 1930. Em 1939, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, apenas 12 países do continente mantinham um sistema democrático no sentido estrito do termo.
Na União Soviética, após as revoluções de 1917 e a guerra civil, instaurou-se um regime totalitário e repressivo, que desembocou em uma ditadura pessoal, após a atribuição do poder supremo a Stalin.
À imagem dos sistemas totalitários da Alemanha e da Itália, os regimes ditatoriais ou autoritários do resto da Europa seguiram uma trajetória similar: tomada do poder por parte do exército e exaltação pessoal de um membro destacado do partido. Na Grécia, o general Yanis Metaxas iniciou, em 1936, uma forte repressão contra as forças trabalhistas. Na Romênia, o rei Carol II aboliu a Constituição parlamentar para substituí-la por uma ditadura nos moldes fascistas. O mesmo ocorreu na Iugoslávia e na Bulgária. Na Espanha, o general Franco instaurou uma ditadura tecnocrata e simpatizante do fascismo que só terminaria em 1975. Na Áustria, o chanceler Engelbert Dollfuss eliminou violentamente a oposição socialista e estabeleceu uma ditadura para impedir a anexação de seu país pelos nazistas, o que acabaria ocorrendo em 1938, quando o chanceler foi assassinado pelas tropas alemãs e a Áustria foi incorporada ao Terceiro Reich.
Portugal viveu mais de quatro décadas sob uma ditadura, iniciada com o golpe militar de maio de 1926, que daria origem, posteriormente, à ditadura de Salazar, que se manteve no poder até a morte, em 1970. A ditadura continuaria até 25 de abril de 1974, quando uma facção do exército derrubou o regime e instaurou a democracia.
Na maioria dos casos citados não se pode falar de fascismo em sentido estrito, uma vez que falta um dos elementos que o define: a mobilização política de setores da burguesia e do campo contra o movimento trabalhista organizado e contra os partidos socialistas e comunistas.
Fora do âmbito europeu, durante o século XX proliferaram as ditaduras em países em desenvolvimento. Tratava-se, geralmente, de regimes militares com pretensões totalitárias.

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